domingo, dezembro 28, 2008

Meio Século de Escravidão



Rodrigo Constantino

No dia primeiro de janeiro de 2009, muitos estarão celebrando a entrada do ano novo. Os cubanos, entretanto, não têm muito que comemorar, e ainda assim serão forçados a demonstrar em público regozijo pela data que marca também os cinqüenta anos da revolução que lançou a pequena ilha na total escravidão e miséria. Há meio século, um bando de guerrilheiros liderados por Fidel Castro tomava o poder em Cuba, e iniciava uma nova fase tão nefasta que faria os tempos de Fulgencio Batista parecerem bons. A ditadura de Fidel já sacrificou no altar da ideologia socialista quase cem mil inocentes, e deixou os demais na completa miséria. Cuba viu todos os seus indicadores econômicos despencarem, e hoje a ilha se sustenta porcamente com o turismo dos capitalistas e doações de petrodólares do caudilho Chávez.

Por mais chocante que seja, não são poucos os que ainda nutrem paixão pelo regime genocida dos irmãos Castro. Vários “intelectuais”, alguns músicos famosos, e até mesmo o mais conhecido arquiteto brasileiro derretem-se de amor quando falam da ilha-presídio. Adoram, de bem longe, o modelo que trouxe apenas terror e miséria para suas vítimas. Foi Roberto Campos quem melhor descreveu essa turma: “É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar – bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola”. No meu dicionário, existe uma palavra que resume bem isso tudo: hipocrisia.

Quando o assunto é a Revolução Cubana, muitos deixam a razão de lado e sucumbem totalmente às emoções despertadas por décadas de lavagem cerebral ideológica. A incoerência dos defensores do regime cubano é tanta que podemos apenas concluir que são vítimas de dissonância cognitiva. Fogem dos fatos porque a realidade os machuca. Acusam o embargo americano pela miséria na ilha ao mesmo tempo em que chamam o comércio com os americanos de exploração. Atacam as ditaduras supostamente de direita enquanto não se importam em defender a mais longa e cruel ditadura da América Latina. Repetem como papagaios o mito da “maravilhosa” saúde cubana enquanto nem mesmo remédios básicos existem na ilha. Sem falar que Fidel chamou um médico da Espanha quando ficou doente! Afirmam como autômatos que não existem analfabetos em Cuba, enquanto todos sabem que há apenas doutrinação ideológica, e que o único jornal que circula por lá pertence ao governo ditatorial. E a lista de contradições não acaba aqui. Todo defensor do regime feudal dos irmãos Castro é ou um idiota útil, ou um sujeito pérfido e hipócrita em busca de poder. Não há alternativa diferente.

A característica mais marcante dos socialistas talvez seja a crença de que os fins justificam quaisquer meios. Em nome da causa, tudo é permitido. Pela utopia socialista, milhares de mortes viram apenas um detalhe estatístico. O “historiador” marxista (sic) Eric Hobsbawm chegou a dizer numa entrevista que aceitaria novamente as milhões de vítimas do comunismo se fosse para chegar à utopia que defende. Esse desvio de caráter já se mostrava presente em Fidel Castro desde muito cedo. Brian Latell, no livro Cuba Sem Fidel, faz uma análise do ditador usando sua obscura juventude como fonte: “Esse é o comportamento de um sociopata, de alguém desprovido da capacidade ou da disposição para diferenciar o certo do errado. Já com 20 anos de idade, Fidel considerava a prática de assassinatos e a provocação de situações caóticas meios justificáveis e aceitáveis para ver materializados seus interesses pessoais”. Um típico comunista é alguém que ama tanto a Humanidade, que já não se importa nem um pouco com os seres humanos ao lado. A empatia é uma das primeiras palavras riscadas do dicionário de um revolucionário comunista. Ele reverencia o regime cubano, e ignora a escravidão dos cubanos de carne e osso.

Quando o leitor comemorar a virada de ano e desejar aos outros um feliz ano novo, lembre-se de que os cubanos estarão tendo que celebrar outra coisa: o qüinquagésimo aniversário do regime opressor que são forçados a suportar. As liberdades mais básicas foram suprimidas pelos irmãos Castro no Alcatraz caribenho. Meus votos aos cubanos são pelo fim dessa ditadura genocida, e pela punição a todos aqueles que foram cúmplices das atrocidades praticadas pelo regime. Já passou da hora de jogar no lixo da história essa ideologia perversa que mantém em Cuba e na Coréia do Norte seus últimos ícones podres. E pro inferno – ou para Cuba se preferir – todos aqueles que ainda insistem em defender o socialismo!

terça-feira, dezembro 23, 2008

As Falhas da SEC



Rodrigo Constantino

O recente e gigantesco escândalo da fraude envolvendo Bernard Madoff revelou uma vez mais as graves falhas do “vigia dos mercados”, a SEC – a CVM americana. Sua função é justamente proteger os investidores, e sua existência pode acabar criando um moral hazard, já que muitos investidores passam a confiar na fiscalização da SEC, deixando de lado uma análise mais rigorosa. Se a SEC garante, então deve ser bom! Infelizmente, não costuma ser bem assim.

Várias fraudes passam despercebidas pela SEC. Como o órgão pertence ao governo, e ignora os mecanismos de recompensa e punição do mercado – ou seja, lucro e prejuízo – não há um incentivo adequado para maior eficiência das análises. Além disso, sempre existe o risco de captura da agência pelo setor privado. Uma grande empresa pode exercer forte influência no quadro de funcionários da SEC, prejudicando a imparcialidade necessária para um bom serviço de análise.

No caso Madoff, não é preciso ficar apenas na teoria. Harry Markopolos, que já trabalhou para uma firma concorrente de Madoff, tentou por vários anos convencer a SEC de que os retornos apresentados por Madoff eram bons demais para ser verdade. Seu esforço não obteve bons resultados, e a SEC arquivou o caso. Por outro lado, a Aksia, uma empresa privada contratada por investidores para avaliar os gestores, publicou vários relatórios recomendando o afastamento de seus clientes dos fundos geridos por Madoff, com base em inúmeros alertas encontrados em suas análises.

Um dos sinais de alerta era o tamanho dos fundos sob gestão, incompatível com a estratégia supostamente utilizada por Madoff. Outro sinal grave era o conflito de interesses na administração e custódia dos fundos, efetuadas pela Madoff Securities, empresa do mesmo grupo que fazia a gestão dos ativos. Para piorar a situação, a firma que auditava essa empresa tinha apenas três empregados, sendo um aposentado de 78 anos que vivia na Flórida, uma secretária, e por fim um contador que trabalhava num cubículo em Nova York. Essa operação parecia estranhamente pequena perto da escala das atividades de Madoff. Como tudo isso pode ter sido ignorado pela SEC?

No livro Fooling Some of the People All of the Time, o gestor David Einhorn, fundador do Greenlight Capital, relata sua cruzada contra a Allied Capital, empresa que ele acusa justamente de praticar um esquema de pirâmide. Sua experiência é um mergulho na realidade da SEC, demonstrando como a burocracia é ineficiente em detectar as fraudes. Einhorn, após suas análises, resolveu vender a descoberto as ações da Allied, convencido de que tudo não passava de uma fraude. Ele tentou convencer a SEC, alimentando seus funcionários com todos os dados levantados através de suas pesquisas, incluindo um parecer da Kroll, contratada pelo Greenlight para rastrear possíveis fraudes nas subsidiárias da Allied. Curiosamente, foi o Greenlight quem sofreu hostilidade da SEC após isso, sendo inclusive alvo de investigação. Ao que parece, apostar contra uma empresa é crime grave, mas manipular os balanços não.

David Einhorn chegou a procurar Eliot Spitzer também. O então Procurador Geral demonstrou algum interesse, mas deixou o caso de lado. Como ficou claro depois, ele estava mais interessado no seu futuro político, de olho no governo de NY. Enquanto a SEC e Spitzer ignoravam os dados apresentados contra a Allied, o próprio mercado acabou constatando a fraude: as ações da empresa viraram praticamente pó, caindo mais de 90% esse ano.

O problema intrínseco à SEC é que suas falhas não são punidas por prejuízos ou mesmo o risco de falência. Ao contrário, a natureza do governo é demandar sempre mais recursos e poder para evitar falhas futuras. Com isso, há inclusive um estímulo à incompetência, já que as falhas acabam recompensadas com um orçamento maior para a agência. Outro risco relevante é uma reação desproporcional, onde alguns casos de fraude geram um aumento de regulação posterior que prejudica o funcionamento do mercado. Isso pode ser notado no caso das empresas de tecnologia do Silicon Valley, que foram vítimas de forte aumento de regulação após o estouro da bolha, reduzindo bastante o empreendedorismo na região.

Em resumo, não se pode ignorar que existem diversas falhas no funcionamento da SEC. O ideal é reduzir ao mínimo possível a quantidade de amarras burocráticas, e focar nos casos de fraude sem asfixiar o livre mercado. Lembrando sempre da máxima caveat emptor, ou seja, deixe que o comprador fique atento!

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Ética no Lixo



Rodrigo Constantino

Acabei de voltar dos Estados Unidos, e logo vejo na capa de O GLOBO o escândalo do roubo de bens doados para as vítimas da catástrofe em Santa Catarina. O contraste é gritante demais! É o que separa uma civilização da barbárie. Não que os Estados Unidos sejam perfeitos, o que claramente não é o caso. Mas o abismo que nos separa da nação que os "pais fundadores" ajudaram a criar parece quase intransponível algumas vezes. O aspecto cultural faz toda a diferença. As instituições são fundamentais, mas já são reflexo da cultura, da mentalidade do povo. Infelizmente, a cultura nacional é aquela da malandragem. Nos Estados Unidos, ainda predomina a cultura da confiança.

Cito dois casos rápidos para ilustrar a coisa. No primeiro dia no parque de diversões Epcot Center, após muitos anos sem visitar a Disney, deixei o carrinho de criança solto, com várias coisas dentro, para ir numa atração. Na volta, estava um pouco tenso para verificar se o carrinho estaria lá, e o principal, com tudo dentro. Só mesmo um brasileiro para ter esse receio. Claro que tudo estava exatamente como eu havia deixado. Dali em diante, a tranqüilidade era total em deixar o carrinho com várias coisas dentro, incluindo compras. Ninguém mexe. Ninguém pega nada. Alguém consegue imaginar algo semelhante no Brasil?

O segundo caso que menciono é o café da manhã no hotel. No primeiro dia, recebi três comandas, uma para cada membro da família. No segundo dia, a mesma coisa. Quando recebi apenas duas comandas no terceiro dia, estranhei e comentei com a garçonete. Eu pensava que a quantidade de comandas tinha que ser a mesma da quantidade de pessoas, para apresentação no final e controle do restaurante. Nada disso! Ela me explicou que as comandas servem apenas para marcar o que foi consumido, e que se eu achasse uma suficiente para a família toda, não tinha problema algum pegar apenas uma. Mas ora bolas, o que impede alguém de pegar duas comandas, consumir tudo marcando numa delas, e no final apresentar a outra vazia ou praticamente vazia? Nada, além da ética individual. O restaurante confia na honestidade dos clientes. Isso só parece viável num ambiente que estimula a ética individual. Ao que me parece, o simples ato de especular sobre o risco da malandragem já é resultado do convívio numa cultura podre, onde a moral foi jogada no lixo.

Nem vou citar outros casos, ou focar na qualidade das ruas, na possibilidade de dirigir à noite com os vidros abertos parando nos sinais de trânsito, etc. A idéia era apenas destacar, através de exemplos simples do cotidiano, a diferença que faz viver numa sociedade de confiança, e em outra onde a malandragem reina. Recomendo a leitura do livro "A Sociedade de Confiança", do francês Alain Peyrefitte. E abaixo segue meu artigo sobre os caminhos preocupantes da ética no país, escrito em 2006. Ou mudamos a mentalidade do povo, a cultura nacional, ou estaremos fadados a viver na mediocridade total, com casos como esse do desvio de doações se repetindo com mais freqüência ainda.

A Ética no Lixo

Rodrigo Constantino

“Não se queixe da neve no telhado da casa do seu vizinho, quando a soleira da sua porta não está limpa.” (Confúcio)

Não temos o direito de exigir uma determinada conduta ética dos nossos vizinhos quando nós mesmos a ignoramos por completo. Dizem que o exemplo correto vale por mil palavras na educação dos filhos. Creio estarem certos. A ética da malandragem, o “faça o que eu digo e não o que eu faço”, abre os portões do caos. Se queremos viver em uma sociedade organizada e de confiança – e temos todos os interesses individualistas para desejar isso – devemos abandonar urgentemente essa postura imoral de cobrar dos outros o que não respeitamos individualmente.

A popular “lei de Gérson”, de tentar tirar vantagem ilícita em cima de todos o tempo todo, cria um ambiente totalmente hostil ao desenvolvimento da sociedade. A relevância do império da lei e da confiança mútua não pode ser subestimada para o sucesso de uma nação. Saber que o próximo irá respeitar as regras isonômicas, e que quando não o fizer será punido, é um ótimo estímulo ao bom andamento das trocas voluntárias entre os cidadãos. Por outro lado, quando impera a lei da selva, quando cada um tenta apenas tirar proveito da inocência alheia ou se organizar para defender seus interesses, por mais injustos e nefastos que sejam, temos um convite irresistível ao atraso. Nenhuma civilização progride decentemente desta forma.

Não fazer com o próximo aquilo que você não gostaria que fizessem contigo é um aforismo bastante razoável, de claro apelo individualista, mas que gera um bom resultado para o coletivo. Infelizmente, esta máxima tem sido bastante ignorada em nosso país, desde os pequenos atos até as decisões que alteram o rumo da nação. Quem realmente respeita o próximo e evita trafegar pelo acostamento durante o engarrafamento? Com receio de ser o “único otário”, a grande maioria acaba aderindo à tentação, prejudicando o resultado geral e todos aqueles que respeitam as regras. Da mesma forma, quantos se dão ao trabalho de recolher as fezes do cão na calçada? Esses exemplos – e existem muitos outros – são simples, do cotidiano, mas denotam o abandono de um código de ética decente.

Transportando isso para os temas maiores, como a política, vemos um quadro mais preocupante ainda. Eleitores simplesmente parecem ignorar as manchas éticas na trajetória dos candidatos, escolhendo-os somente por puro imediatismo, com critérios totalmente imorais. Se o candidato me garante um cargo público, entrega uma esmola estatal qualquer, discursa com afinidade à minha ideologia, protege meu sindicato ou oferece algum privilégio ao meu grupo de interesse, recebe meu voto. Nada mais prejudicial ao bom funcionamento da democracia a longo prazo. Eleger corruptos para defender um interesse imediato é garantia de perpetuar a miséria em nosso país.

Dito isso, me espanta o fato do atual presidente contar com ampla vantagem nas pesquisas de intenção de votos para as próximas eleições. Afinal, trata-se de um governo atolado em infinitos casos de corrupção, com fortes evidências ou mesmo provas. O próprio Ministério Público já deflagrou o esquema de quadrilha montado pelos principais membros do governo e aliados do presidente, que confiava e ainda confia fielmente neles. São escândalos atrás de escândalos, um mais grave que o outro. Os envolvidos não poderiam ser mais próximos do presidente, que foi o maior beneficiado do esquema. Nem mesmo seu filho escapou ileso.

A bandeira da ética, sempre utilizada pelo PT, está completamente esgarçada pelas traças do poder. E não obstante tudo isso, Lula será reeleito, ao que tudo indica. Qual a mensagem que o cidadão brasileiro está mandando? O crime compensa? Tanto faz roubar, contanto que pela minha causa? Se a reeleição de fato se concretizar, parece que esse é o recado do povo. A ética será jogada no lixo. Quando isso ocorre, normalmente o futuro da nação vai para o lixo também. Pobres daqueles cidadãos honestos, que não compactuam com o crime nem são complacentes com os corruptos. Pagarão o preço da irresponsabilidade e da falta de ética da maioria do povo.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Blog na Ativa!



O autor do blog já está de volta, com as energias renovadas após 10 dias na terra do Tio Sam. É sempre duro sair da civilização (mesmo em crise) e retornar para o mundo tupiniquim, onde o pateta não é apenas um personagem infantil, mas o próprio presidente! Aliás, na verdade, pateta é todo aquele que acredita e vota no PT. Mas enfim, estou de volta e já notei que tudo continua na mesma por aqui. Portanto, aguardem novos artigos. Em breve!

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Férias no Blog



Este blog ficará sem atualizações por duas semanas, pois o autor anda muito cansado do pateta nacional, e vai visitar o outro pateta na Disney. Até breve!

terça-feira, dezembro 02, 2008



"The Fed will finance these programmes with newly created reserves: that is, it will print money. Its balance sheet, which has ballooned from $900 billion to $2.2 trillion since August, could grow by another $800 billion, making it a larger lender than any commercial bank.

[...]

"Yet these strategies do carry risks. One is inflation. Having expanded its balance sheet so rapidly, the Fed may not have the foresight or courage to shrink it fast enough once the crisis passes, and the extra liquidity could fuel an overheating economy. But with unenployment perhaps heading for 9%, from 6.5% now, that risk seems remote. Another risk is that the Fed and the Treasury have taken on more commitments than they can credibly keep. With budget deficits that could top $1 trillion a year, plus trillions of dollars more in guarantees to mortgages and bank debt, some investors may question America's ability to shoulder the dollar, although with the entire world in recession, that lack of appealing alternatives makes that less plausible." (The Economist)

Fed: O Maior Banco Comercial dos EUA!

segunda-feira, dezembro 01, 2008