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segunda-feira, setembro 10, 2012

segunda-feira, julho 16, 2012

O infiel

Luiz Felipe Pondé, Folha de SP

Confesso: sou um infiel. Não no sentido de infidelidade amorosa, mas religiosa. Não creio no aquecimento global por causas antropogênicas (trocando em miúdos, não acho que nossos carros estejam aquecendo o planeta, e se o Sol fosse um Deus como uns pirados achavam que ele era, estaria rindo de nós e nossos ridículos celulares).

Freud estava certíssimo quando dizia que a maturidade é para poucos e viver uma infância retardada é um modo "seguro" de não enfrentar a vida adulta, que é sofrida, incerta, injusta e inviável.

Isso mesmo, repito para que meu pecado conste nos autos: não creio que o aquecimento global seja causado por emissão de gás carbônico, acho (inclusive tem cientista que afirma isso, os ecocéticos) que o recente aquecimento começou antes dos últimos cem anos, nos quais nosso gás carbônico cresceu, e ciclos de esquentamento e esfriamento sempre ocorreram.

Inclusive aquele aquecimento que se deu entre 50 mil e 20 mil anos atrás (muito conhecido por quem estuda religiões pré-históricas como eu), foi bem benéfico para nossos ancestrais, assim como também o foi o da Idade Média.

Não há consenso acerca das causas antropogênicas do aquecimento global, há sim consenso (todo mundo que estuda religião sabe disso) ao redor do fato que apocalipse sempre deu dinheiro. Gastava-se dinheiro com indulgências na Baixa Idade Média, por que não seria o medo do fim do mundo ainda hoje uma mina de dinheiro?

O mercado do apocalipse verde tem seus sábios-profetas-cientistas, mágicos, gurus espirituais, nutricionistas-sacerdotes de alimentação sagrada, mercado de cristais sustentáveis, enfim, tudo que há nos fanatismos humanos.

Ninguém saiu às ruas (muito menos nus) pela mecânica newtoniana, pela relatividade de Einstein, pelo empirismo de Bacon ou pelo evolucionismo darwiniano. Aliás, que mania mais "teenager" essa de tirar a roupa toda hora. Já estão barateando os seios.

As pessoas saem às ruas porque o verdismo é uma espiritualidade fanática como qualquer outra, regada a comunismo requentado: o verdismo é uma melancia, verde por fora, vermelho por dentro. A certeza daqueles que não comem carne acerca do pecado dos que comem é mais forte do que a condenação do orgasmo feminino pelas autoridades eclesiásticas mais idiotas que caminharam pela Europa nas Idades Média e Moderna.

Acho que a ciência do aquecimento global que afirma categoricamente que somos nós que aquecemos o planeta está mais para astrologia (sem querer ofender a astrologia) do que para astrofísica. Estamos perdendo um tempo danado deixando que as tribos dos sem-roupa fique atrapalhando um cuidado mais técnico acerca do futuro do planeta.

Isso não quer dizer que não exista um problema de sustentabilidade no mundo, apenas que os fanáticos verdes nem sempre ajudam a enfrentá-lo.

A "verdade científica" em jogo é o que menos importa, mesmo porque nenhuma controvérsia científica ao redor do tema pode ser vista como algo diferente de heresia. Discordar não é ser visto como alguém que debate teorias científicas, como deve ser o convívio saudável em qualquer ciência, mas sim como recusa de adesão a uma forma de verdade superior e pura.

As bobagens do tipo "teoria gaia" ofuscam os corações e mentes, como todo fanatismo sempre o fez, e impede muitas vezes de ver que a natureza em sua beleza é muitas vezes mais Medeia do que Gaia.

Em 1755, quando o grande terremoto destruiu Lisboa, a comunidade intelectual europeia se esforçou para eliminar das causas a "vontade de Deus". Hoje, supostos cientistas reintroduzem a forma mais vagabunda de metafísica na ciência, a da "deusa natureza".

Os coitados do Kant e do Newton nunca imaginaram que um dia iríamos retroceder às trevas assim. Andamos sim em círculos.

A pergunta que não quer calar é: se está certo quem diz que quando se quer saber a verdade sobre a sociedade deve-se seguir o dinheiro, cabe a nós identificarmos quem está ganhando rios de dinheiro com esse fanatismo que já se constituiu em mais um fator a dificultar sairmos do buraco econômico em que estamos.

segunda-feira, junho 25, 2012

A ciência triste

Luiz Felipe Pondé, Folha de SP

Proponho que a próxima conferência para economia sustentável seja em alguma reserva dos povos da floresta. Deixem que eles organizem o evento e paguem por ele, já que são sacerdotes da sustentabilidade.

Todos os chefes de Estado dormindo em tendas, comendo comida da floresta, logo, muito mais sagrada e saudável. Além do fato que esses povos são imaculados e não desejam em hipótese alguma ganhar dinheiro com sua condição de "vítima social", por isso podemos confiar neles mais do que na Hillary Clinton.

Os que mais atrapalham são os gurus da ecologia profunda ou contracultura verde. Gente que afirma que o que precisamos é de uma "inovação social e psicológica" e não apenas de uma economia que assimile o fato de que os recursos naturais são limitados e que as demandas humanas de bem-estar e conforto são infinitas.

Não levar essa contradição estrutural a sério cria a insustentabilidade a médio e longo prazo.

Essa gente acha que o mundo inteiro pode ser a Dinamarca e seus mil habitantes. Eu concordo mais com os setores que buscam soluções tecnológicas e de mercado para enfrentar esta contradição entre demanda humana infinita e recursos naturais finitos.

Claro que isso implica educação e um trabalho gigantesco, mas nada disso virá de mudarmos nosso estilo de vida para o paradigma dos povos da floresta que viviam até ontem no neolítico. Ou reprimir o consumo via um estilo misto de "gestão" entre Stálin e hippies velhos.

Gente assim, os defensores de "inovações sociais", crê em "soluções" como as elencadas no relatório da UNEP 2011 da ONU "Visions for Change - Recommandations for Effective Policies on Sustainable Lifestyles".

Soluções no mínimo complicadas se pensarmos em sociedades complexas como as nossas com populações crescentes. Imagine nós vivermos num mundo em que cultivássemos nossa horta e criássemos nossas cabeças de gado (comer carne já é uma concessão ao "pecado da carne dos carnívoros", gente que deve desaparecer ao longo do tempo)... Se você quiser uma geladeira ou um iPad, faça em casa...

É fácil pensar na Noruega assim (estou exagerando...), mas e a Somália? Claro, estes já vivem no neolítico mesmo...

Outra marca da ecologia profunda que atrapalha a discussão séria sobre a contradição de nossa condição insustentável é a mistura entre sustentabilidade e demanda por erradicação da pobreza e justiça social (seja lá o que isso queira dizer...) como parte de uma economia sustentável.

O problema é que a ideia da erradicação da pobreza é em si insustentável, se pensarmos para além do horizonte intelectual "teenager". Isso pode ser triste, mas é por isso que a economia é conhecida por ser uma ciência triste ("dismal science", como dizia o historiador britânico do século 19 Thomas Carlyle).

Vejamos. Para erradicar a pobreza numa população crescente e ansiosa por uma vida confortável deve-se produzir riqueza contínua. Para isso, deve-se explorar recursos continuamente (o que é chamado de economia não sustentável) e aumentar o consumo, porque se as pessoas param de comprar o dinheiro para de circular.

Mas os gurus da economia "teenager" falam de diminuir o consumo como quem fala "as pessoas deveriam ser mais generosas", quando eles mesmos estão prontos a brigar com os irmãos por um apê minúsculo na Praia Grande.

A única solução para esses gurus (mas eles não confessam porque ficariam mal na fita) seria um regime totalitário global, o que chamo de fascismo verde, criar economias planejadas à la Lênin. O óbvio é que isso geraria pobreza em larga escala, como gerou antes.

Outra solução é erradicar o crescimento populacional matando 2/3 da população ou proibir a reprodução por alguns séculos. Ou matar idosos. Puro horror, não?

Enfim, problemas reais existem, mas as soluções não existem à mão de uma "cúpula dos povos".

Por isso, a angústia ambiental resvala na espiritualidade verde, sempre infantil e autoritária, que acha que comendo comida orgânica os seres humanos deixarão de ser o que são: seres que buscam diminuir a dor e otimizar o bem-estar a qualquer custo.

domingo, junho 17, 2012

Cuidado com os burocratas verdes

Luiz Felipe Pondé, Folha de SP

Não tenho dúvida de que animais e árvores nos humanizam, e não lugares cheios de gente do tipo Rio+20. E que temos que cuidar de nossa casa, assim como devemos buscar diminuir o sofrimento do mundo em geral, mas o fato é que não sabemos ao certo o que fazer para isso.

E a burocracia verde, gerada nesta conferência, não descobrirá como fazer isso porque burocracia é sempre parasita.

A máxima da Rio+20 "Mudar o modelo de energia no planeta para energia sustentável" é ainda algo semelhante a discussão sobre sexos dos anjos. Essa máxima implica ideias como "sai fora combustível fóssil tipo petróleo e entra em cena..."

Na prática, quem quer fechar hospitais, parar de voar ou silenciar computadores?

O problema não é apenas a qualidade da energia, mas a quantidade necessária dela e seu custo. Imagino verdes de todos os tipos pregando o fim da exploração de petróleo em seus facebooks dependentes de energia fóssil.

Quanto à humanização (tema recorrente neste parque temático da ONU), ainda penso que família e escola são as melhores formas de aprendê-la. Um estímulo para ter animais e jardins em casa, nas escolas e nas ruas vale mais como humanização do que 50 conferências gigantescas nas quais se discutem siglas, vírgulas e ponto e vírgulas.

Cúpulas internacionais ambientais são como os velhos concílios bizantinos dos primeiros séculos do cristianismo. Esses concílios aconteciam no império bizantino, também conhecido como Constantinopla.

Neles, os caras se perguntavam quantos centímetros Jesus tinha de substância divina e quantos de substância humana. Acho que os concílios ainda ganhariam em eficácia levando-se em conta o sucesso da ideia de que o carpinteiro judeu seja Deus.

Sabemos que a ONU e seus derivados são, como dizia Paulo Francis, grandes estatais ineficientes. Verdadeiro cabide de emprego para um monte de gente, principalmente de países pobres. Dar dinheiro para a ONU é doação a fundo (quase) perdido.

Minha tese, nada científica, é a de que a ONU não seja o melhor fórum para angústias como essas porque ela é basicamente ineficiente. Tudo o que consegue, além de dar chances para seus integrantes beberem e conhecerem os bares da Lapa -como me disse recentemente um colega jornalista- é gerar impostos internacionais que você e eu teremos que pagar.

Qualquer solução para a "energia limpa" virá do mercado e jamais de burocratas e seus pontos e vírgulas.

A questão é: quem defende o planeta dos burocratas verdes?

sexta-feira, junho 15, 2012

A demagogia verde dos salvadores

Luiz Felipe Pondé, Folha de SP

UMA COISA que sempre me chama a atenção é a vocação autoritária dos verdes em geral, assim como seu caráter ideológico travestido de evidência científica "inquestionável." Não é para menos uma vez que são movidos pela crença de que estão salvando o mundo. Todo mundo que crer salvar o mundo é autoritário.

Claro que devemos nos preocupar com o meio ambiente. Essa é uma ideia já antiga. Machado de Assis no seu maravilhoso "Dom Casmurro", através de seu narrador Bentinho, já falava de pessoas inteligentes que iam jantar em sua casa na sua infância e falavam que os polos estavam derretendo...

Pessoas que se julgam salvadoras do mundo são basicamente de dois tipos: ou são autoritárias ou são infantis. Na tribo verde existem os dois tipos, e como crianças são naturalmente autoritárias, não há muita saída: as duas características se encontram com frequência na mesma pessoa. Um dos desafios da cultura verde é se livrar desse mau hábito. Até agora, me parece uma tarefa impossível.

Falemos do infantilismo. É comum ideólogos verdes (que dizem falar em nome da ciência, essa senhora, coitada, tão abusada em nossos dias e que todo mundo diz frequentar seu circulo mais íntimo), falarem coisas absurdas e ninguém percebe seu absurdo. Quer ver um exemplo?

Uma dos impasses da humanidade é o fato de que sua população cresce e todo mundo quer ser feliz, comer bem e ter uma vida confortável. Todo mundo quer ser "americano" ou "alemão", no sentido de viver altos padrões de qualidade de vida. A questão sempre é: quem paga a conta? Em termos ambientais, de onde virão tais recursos? us hábitos de alimentação, praticados em cozinhas orgânicas, salvarão a humanidade.

Verdes demagógicos, intelectuais "profetas" e políticos marqueteiros são personagens que adoram prometer o impossível. Eles dizem que dá pra fazer da vida uma festa de bem-estar e deixar as plantinhas e os animaizinhos em paz. Este é o absurdo.

O intelectual americano Thomas Sowell em seu maravilhoso "Intellectuals and Society" (no Brasil, publicado pela É Realizações) desvenda a mágica por detrás de absurdos como este de dizer que vai dar para todo mundo ser feliz sem machucar nada nem ninguém: quem diz absurdos como este fica bem na fita, se autopromove (já que a democracia é o regime da mentira de massa por excelência) e ganha muito dinheiro no mercado "do bem".

Que Deus proteja o planeta da demagogia verde.

terça-feira, junho 05, 2012

Sem esquecer o básico

Édison Carlos, O GLOBO

Muita controvérsia paira sobre a Rio+20 e ninguém sabe ao certo como e o que acontecerá nestas duas semanas em que o mundo estará atento ao Brasil. São tantas as atividades, tantas autoridades e temas, que fica difícil saber ao certo, mesmo para aqueles mais interessados, onde ir, o que visitar, ao que assistir.

A expectativa não é fruto somente do bombardeio de informações que aumenta com a chegada da conferência, mas principalmente da relevância que o tema ambiental tomou em nossas vidas. Sabemos que os impactos na natureza transpassam as barreiras do meio ambiente e nos afetam em todas as demais áreas da vida, principalmente em nossa saúde.

As discussões sobre a Rio+20 são, portanto, muito pertinentes, mas a maior parte da população assiste à chegada da conferência sem entender bem o que esperar, se é que se pode esperar algo. Temos que aproveitar a oportunidade para debater os grandes temas internacionais - o futuro do clima, da energia, da água, da vida nas cidades, mas principalmente discutir a pobreza, o mais importante de todos os impactos ambientais.

Temos que chamar a atenção dos envolvidos para as graves lacunas que ainda separam os países, que perpetuam as desigualdades. É fato que somente o fator econômico não é suficiente para resolver os problemas, como o Brasil está provando. Avançar nos indicadores ambientais e sociais tem sido muito mais difícil do que melhorar a posição entre os países mais ricos. Melhorar estes índices depende fortemente dos poderes locais e da mobilização do cidadão sobre suas mazelas, da cobrança sem trégua às autoridades.

É fundamental que a Rio+20 olhe para o micro. Em muitos países ainda não se consegue dar ao cidadão menos favorecido o que existe de mais básico. Perpetuamos doenças da Idade Média e continuamos sendo vítimas de descasos históricos. A falta de saneamento básico é a melhor demonstração de que o essencial continua sendo deixado em segundo plano. Não dispor de serviços como água tratada, coleta e tratamento dos esgotos afronta a dignidade humana. Segundo a própria Organização das Nações Unidas, a falta desses serviços afeta mais de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo, particularmente as crianças, os pobres e os desfavorecidos. A ONU projeta que, a continuar assim, em 2015 serão quase 3 bilhões.

Os índices brasileiros são vergonhosos. Um em cada cinco brasileiros ainda não recebe água tratada; 55% da população ainda não têm suas casas conectadas a uma rede de esgoto e muito pouco do pouco esgoto coletado é tratado. Perdemos quase 40% da água tratada que deveria chegar às nossas torneiras. Como explicar que uma das maiores economias do mundo fique nesta situação, mantendo suas crianças à mercê de diarreia, cólera, hepatite, verminoses e tantas outras doenças da água poluída?

Pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas para o Instituto Trata Brasil em 2009 mostrava que, à época, quase 70 mil crianças entre 0 e 5 anos eram internadas por diarreia no país, e quase 220 mil trabalhadores tiveram que se afastar do trabalho por conta desse problema. Passaram-se 20 anos desde a Rio-92 e continuamos poluindo a pouca água que temos. De acordo com o último Atlas da Agência Nacional de Águas, publicado em 2011, 55% dos 5.565 municípios do país podem sofrer desabastecimento de água nos próximos quatro anos e 84% das cidades necessitam de investimentos para adequar seus sistemas produtores de água.

Então, o que pensar num cenário onde se estima um aumento da população, projetado no Atlas, de 5 milhões de habitantes até 2025? Ainda segundo o estudo, seriam necessários R$ 70 bilhões apenas para melhorar, ampliar e proteger os sistemas produtores de água; uma boa parte disso para coletar e tratar os esgotos jogados indiscriminadamente nos mesmos locais de onde se retira a água para a população.

É impossível, portanto, falar em desenvolvimento sustentável enquanto perdurar esta poluição generalizada, vexatória em todos os sentidos. A solução não é simples, sabemos disso. São necessários muito recurso e muito investimento, mas o país não pode mais se esconder atrás das dificuldades. Levar saneamento básico a todos é o mínimo, uma obrigação em qualquer lugar do mundo. No Brasil estamos avançando, é verdade, mas ainda a passos lentos. Os recursos do PAC, tão importantes para mudar este cenário, ainda não conseguiram ser essa alavanca, mesmo após cinco anos de programa.

Nestes dias em que celebramos a natureza e a Rio+20, nos cabe torcer para que a salvação da natureza venha com debates que apontem caminhos para reduzir a desigualdade, a pobreza, a desinformação e a inércia, tanto do cidadão quanto das autoridades. Para o Brasil, torcer para que as autoridades discutam o básico, o essencial. Que se dediquem às carências mais imediatas do nosso povo. Se só isso for conseguido, a Rio+20 já terá sido um sucesso e deixará o tal legado de que tanto ouvimos falar, mas que nunca conseguimos testemunhar.

Édison Carlos é presidente do Instituto Trata Brasil

sexta-feira, maio 11, 2012

A ideologia verde

João Luiz Mauad, O GLOBO

Com a aproximação da Conferência Rio+20, as declarações apocalípticas dão o tom do debate. O ministro Gilberto Carvalho, por exemplo, declarou que “o mundo se acabaria rapidamente se fosse universalizado o padrão de consumo das elites”. No mesmo diapasão, o neoconservaciocista Delfim Neto – ninguém menos que um dos idealizadores da escandalosa Transamazônica - foi categórico, em entrevista ao Globo: “Conflitos serão inevitáveis. Não há como o planeta sustentar nove bilhões de pessoas com renda de US$ 20 mil cada”.

Essa gente não tem a menor imaginação. No início do Século XIX, quando a Terra era habitada por apenas 1 bilhão de pessoas, Thomas Malthus previu que a população mundial cresceria em proporções geométricas, enquanto a produção de alimentos e outros recursos cresceria em progressão aritmética. “A morte prematura visitará a humanidade em breve, que sucumbirá em face da escassez de alimentos, das epidemias, das pestes e de outras pragas”, profetizou.

Em 1968, quando a população mundial era de 3,5 bilhões, o ecologista Paul Ehrlich, um colecionador de prêmios e comendas científicas, escreveu um livro (The Population Bomb) onde previu que, como resultado da superpopulação, centenas de milhões de pessoas morreriam de fome nas décadas seguintes. Num discurso de 1971, ele previu que "até o ano de 2000, o Reino Unido será simplesmente um pequeno grupo de ilhas empobrecidas, habitadas por cerca de 70 milhões de famintos."

De lá para cá, a população mundial dobrou e, embora ainda haja problemas sociais graves a resolver, principalmente ligados à pobreza, as previsões alarmistas de Malthus e Ehrlich jamais se concretizaram. Pelo contrário, graças às novas tecnologias e ao crescimento esponencial da produtividade, o percentual de subnutridos nos países em desenvolvimento, em relação ao total da população, vem apresentando uma firme tendência declinante há quatro décadas, tendo baixado de 33% em 1970 para 16% em 2004.

O chamado “movimento verde” nasceu da justa indignação de alguns com o desmatamento, a poluição do ar, dos rios e dos mares, além da preocupação com os riscos para a saúde humana provenientes da atividade industrial. Com o tempo, entretanto, o movimento foi sendo dominado e transformado por ideólogos esquerdistas, preocupados não com a poluição ou com a nossa saúde, mas com a política e o poder. A partir desse ponto, a doutrinação, o proselitismo e a disseminação do pânico foram tão fortes que as teorias mais bizarras tornaram-se politicamente corretas.

A essência da ideologia verde está na crença de que a humanidade deve minimizar o seu impacto sobre a natureza, custe o que custar. Vide a gritaria contra a aprovação do novo Código Florestal, uma lei extremamente preservacionista e restritiva à atividade econômica, sem similar no mundo, mas que, mesmo assim, conseguiu desagradar os xiitas. Mas os seus principais inimigos são mesmo os combustíveis fósseis, as hidrelétricas e termonucleares, que, não por acaso, ao todo significam quase 98% da produção de energia do planeta, e sem os quais o mundo para.

O que os adeptos desse radicalismo se recusam a enxergar é que nós, seres humanos, só sobrevivemos e prosperamos através da transformação da natureza, sem o quê não satisfazemos as nossas necessidades mínimas. Nosso bem estar está diretamente ligado à nossa capacidade de tornar o ambiente a nossa volta menos agressivo e mais hospitaleiro. Pensem por um minuto no que seria de nós sem os modernos sistemas de esgotamento sanitário, a água encanada, as construções mais seguras, resistentes e protegidas das intempéries naturais, a comida fresca e farta, as vacinas e os remédios, os meios de transporte e comunicação rápidos e eficientes.

Graças a Deus, as gerações que nos precederam visaram o progresso. Elas tiveram orgulho de construir fábricas, abrir estradas, perfurar poços e escavar a terra a procura de novos recursos. Felizmente, não estavam contaminados pela ideologia verde. O desenvolvimento econômico que eles nos legaram, longe de ser nocivo, é uma verdadeira dádiva, que nos forneceu as ferramentas e a tecnologia necessárias para tornar o nosso habitat mais saudável e acolhedor. É verdade que tudo isso resultou em alguma poluição e desmatamento. No entanto, mesmo esses indesejáveis efeitos negativos têm sido superadas com bastante êxito pelas nações mais avançadas.

É claro que a solução não está na restrição do consumo, mas no aumento da produtividade e no desenvolvimento tecnológico. Sem falar que os mais prejudicados, caso esse fanatismo ambientalista prevaleça, serão os mais pobres, caso sejam privados do uso de fontes de energia eficientes e baratas, e, consequentemente, da chance de poderem um dia usufruir do padrão de vida dos países ricos.

sábado, abril 14, 2012

Roger Scruton: Want to Save the Planet? Turn Right


By RAYMOND ZHONG

Brinkworth, England

Environmentalists might think they've scored an unlikely ally in Roger Scruton, arguably Britain's most famous philosopher—and a proud conservative. But Mr. Scruton's case for environmentalism is classically conservative, centered on the love of home, the importance of local institutions, and especially the suspicion of state power.

With "How to Think Seriously About the Planet" (out next month in the U.S.), Mr. Scruton casts his lot with environmentalism but not with the contemporary environmentalist movement. The book is something of a cry in the wilderness, keeping wary distance from all sides of the current political debate. "It's an attempt," as he puts it, "to say, 'Look, wake up, here is what it's all about really.'"

On a radiant spring afternoon, I have tea with Mr. Scruton at his farmhouse in the Cotswolds. Over more than four decades, he has written tracts on Spinoza and Kant, among other heavyweight subjects from sexual desire to music and hunting. But Mr. Scruton seems most at home fighting to defend traditional culture against its despoilers: fragmentation, nihilism, disenchantment, postmodernism.

Dressed in a rumpled sweater and corduroy trousers, his craggy face crowned by an unruly thicket of dust-colored hair, Mr. Scruton certainly looks the part of weathered back-country scholar. Lush hills spill in all directions outside the windows in his living room, where the 68-year-old is settled into an easy chair. The culture warrior is in his element.

Not that Mr. Scruton, ever the anti-radical, would describe what he wages from his desk in rural Wiltshire as "warfare." His practice is to tear through liberal convictions without abandoning his calm erudition.

On immigration policy: "The real cure to immigration, obviously, is to make sure that there is prosperity around the world so that people don't have the motive. Not just prosperity, but freedom."

On pornography's effect on young men: "Most people are not sexually attractive. Certainly they don't have…what the people on the screen have—all the attractions. And so they just think, 'Oh God, I'm out of all that game. It's just something to look at.'"

On climate scientists: "Many of the people who brand themselves as climatologists are not in the first rank of scientific minds, you know? I'm not really entitled to say that. But you do have a sense that these are guys who are not particularly good at mathematical modeling, they're not particularly good at computer science, they're not particularly good at physics, not particularly good at chemistry, but who put all those together . . . [and] become an 'expert.'"

Mr. Scruton became a conservative in May 1968 among the student rioters in Paris, where two centuries earlier another group of agitators helped crystallize the thoughts of British philosopher and statesman Edmund Burke on political change and social order. By publishing "The Meaning of Conservatism" in 1980, he outed himself within academia—he was teaching at Birkbeck College in London at the time—and became persona non grata among his British peers. America suits him much better, and he's now a visiting scholar at Washington's American Enterprise Institute when he isn't teaching part time in Britain.

"The Meaning of Conservatism," however, may be as explosive to some American conservatives today as it was to the London intelligentsia in 1980. Conservatism, Mr. Scruton wrote, had been "betrayed by the free marketeers" and misunderstood by almost everyone on the left and right. Conservatism's relationship to capitalism is tenuous, he argued. And conservatism takes no position on liberty, individual or otherwise.

Rather, conservatism is a rejection of utopia for reality—a preference for improving society bit by bit over fixing society by rubbing it out. If conservatives maintain any principled allegiances at all, they are to one's own people and place, and to the rituals, customs and social knowledge contained therein. Anything beyond that depends on the circumstances.

A friend once told him, as he recounted in a 2005 essay, that "Conservatism is a political practice, the legacy of a long tradition of pragmatic decision making and high-toned contempt for human folly. To try to encapsulate it in a philosophy was the kind of naïve project an American might undertake."

What of liberalism? "My own view," he tells me, "is that left-wing positions largely come about from resentment—I agree with Nietzsche about this—a resentment about the surrounding social order. They have privileges, I don't. Or, I have them and I can't live up to them. Things should be organized differently.

"And there's always some sense on the left that power is in the wrong hands. You know, that the world is misgoverned. And in particular, the nearer something is to yourself, the more you feel that on the left. There's this rejection of your own country, of your own government."

"That emotion is very strong," he continues. "I think it's the fundamental source of left-wing politics throughout the 20th century. And when it turns itself into an environmental movement, the resentment remains."

Mr. Scruton's alternative is an environmentalism based on localism and reform, not alarmism and radical upheaval. He notes that the first modern environmentalists were English Tories who resisted industrialization and the imposition of the railways on the countryside. But reverence for our surroundings and love of home—or oikophilia, as Mr. Scruton prefers—go deeper. There is a basic human impulse, he says, to derive significance from the places we settle. We make them into homes; we give them names.

It isn't just that we like to keep our hedges well-trimmed. Long-term political order, he says, depends on responsible stewardship. Here Mr. Scruton calls upon Burke's concept of trusteeship, which broadens Rousseau's social contract to encompass not only current members of society, but the dead and unborn too. Our responsibility to them offers us a natural incentive to conserve our habitats—one that strong, centralized states usually crowd out, as the environmental devastation in Russia and China suggests.

The temptation for transnational solutions to environmental ruin is equally apparent. "But of course they never work," Mr. Scruton says, "unless the people who subscribe to them have a motive for obeying the result. It's finding that motive that is the real problem."

In other words, while it's straightforward for most people to see why they shouldn't litter, it's harder to attach importance to treaties concluded faraway by mostly unelected officials, the effects of which will be felt only indirectly. The environmental movement's task, Mr. Scruton argues, is to remind people why they should want clean air and green land in the first place—and to empower them to make the change themselves.

Part of the problem today, says Mr. Scruton, is that even if people want a stable habitat they aren't always willing to do what's necessary to conserve it. It's too easy for individuals and big businesses to externalize their costs: We dislike the accumulation of plastic in landfills and public spaces, but we aren't willing to give up the convenience of grocery bags. We dislike air pollution but won't stand for higher fuel taxes or reduce our driving and flying.

Here, decrying addictions to "fast food, tourism, luxury and waste," Mr. Scruton sounds familiar notes. I suggest that there's a fine line separating this sort of position from the old left's resentment of bourgeois lifestyles.

Mr. Scruton says the Marxists objected to those things because of the inequality they saw in people's ability to access them. He, on the other hand, objects to the things themselves. They "are eroding something important in the human condition—that actually human life is not just about consumption, it isn't just about enjoying yourself and having fun." With that last phrase, his face crinkles.

"There are goals in life of a more spiritual and moral kind, which actually require us to control our appetites. I think this is an old religious idea, which is there in Christianity, in Islam, at least some forms of Islam, and of course in Confucianism as well. . . . And that is not a lefty position. It's rather an old-fashioned moral and spiritual position, which isn't asking governments to do something about it. It's asking individuals to clean their own souls."

He continues: "I think this whole environmental movement has arisen because people recognize that we do need that spiritual discipline, and they're looking for it, partly in the wrong place by trying to get the government to do that discipline for us."

Mr. Scruton is hopeful that environmental degradation will be reversed from the bottom up, as countless other problems have: through civic associations, community groups and local organizations. Even larger, international outfits like the Red Cross and Doctors Without Borders get credit, he says, for not being "career structures" like the European Union. "What is to be done," he says, "is essentially a work of education, opening the space for volunteering, reminding people in one way or another that the responsibility is theirs, and not confiscating the space in which they can act."

None of that can happen without the love and transcendent bonds that sustain any society, Mr. Scruton says. And so we circle back to the matter of home and country, and to a world in which those old allegiances are dissipating rapidly. But less so in America, says Mr. Scruton: "America has this wonderful ability to recover from its own mistakes, which is why it's so hugely superior to China. People worry that China is going to take over, but there is no reverse gear in China, there's no corrective procedure. . . . It will always come up against a wall."

The philosopher of the English countryside knows that most of his intellectual kindred are to be found across the Atlantic—and probably across much of the coastal U.S., too. "America is the one place," he says, "where you can talk of 'this nation' and everyone knows exactly what you think. People put a flag on their porch, and they do have a desire to localize everything and celebrate things locally.

"You know" that, he says, "if you go to a rodeo in the West, or a point-to-point race in Virginia or somewhere like that, or a pigeon-shoot . . . where you see ordinary people getting together to have a beer or celebrate their community. It's happening all over America just the way it always did."

Mr. Zhong is an editorial page writer for The Wall Street Journal Europe.

segunda-feira, outubro 24, 2011

Arautos do atraso

João Luiz Mauad, Diário do Comércio - SP

É muito dura a vida de quem pretende iniciar ou ampliar um negócio no Brasil. Qualquer um que pretenda erguer um simples condomínio de apartamentos, explorar uma mina em propriedade privada, construir uma pequena usina hidrelétrica ou uma nova fábrica terá que encarar, além da intrincada legislação ambiental, as onipotentes e intransigentes agências reguladoras, com autoridade suficiente para embargar quaisquer novos projetos considerados “nocivos ao meio ambiente”.

Neste país, qualquer novo investimento, mesmo os públicos, deve percorrer um labirinto sem fim de controles e processos, além de contar com a má vontade dos barnabés e a oposição de grupos ativistas raivosos e barulhentos. Cada passo nesse labirinto envolve custos absurdos de tempo e dinheiro, sem qualquer garantia de que o projeto seguirá adiante.

São inúmeros os empreendimentos embargados ultimamente, pelas autoridades ambientais, em nome da preservação do habitat de espécies “ameaçadas” de peixes, pererecas, corujas, ratos, borboletas, preguiças e sabe-se lá mais o quê.

Em face desta barafunda regulatória e do ativismo verde, é um milagre que investimentos produtivos ainda aconteçam neste país. O mais notável e paradoxal, entretanto, é que a maioria dos brasileiros, que supostamente deseja o progresso do país, aceita e até mesmo aplaude este estado de coisas. A seita ambientalista nunca foi tão popular como agora.

O movimento verde nasceu da justíssima indignação de alguns com a poluição do ar, dos rios e dos mares, além da preocupação com os riscos para a saúde humana provenientes da atividade industrial. Com o tempo, entretanto, o movimento foi sendo dominado e transformado por ideólogos esquerdistas, preocupados não com a poluição ambiental ou com a nossa saúde, mas com o desmantelamento do capitalismo.

Hoje em dia, as bandeiras "verdes" vão desde a rejeição aos combustíveis fósseis até a construção de usinas hidrelétricas e termonucleares, que ao todo significam 98% da produção de energia do mundo. Até mesmo os aparelhos de ar condicionado, geladeiras e outros eletrodomésticos estão na lista negra desta gente. Alguns mais radicais, sem maiores considerações pelo conforto humano, consideram antiecológica a utilização de qualquer equipamento industrial minimamente poluente ou prejudicial ao famigerado aquecimento global.

Em resumo, a essência dessa ideologia está na crença de que a humanidade deve minimizar o seu impacto sobre a natureza, custe o que custar. Vide a gritaria contra a aprovação recente do novo Código Florestal, um código extremamente preservacionista e restritivo à atividade econômica, sem similar no mundo, mas que, mesmo assim, conseguiu desagradar os xiitas.

O problema que os adeptos desse radicalismo se recusam a enxergar é que nós, seres humanos, só sobrevivemos através da transformação da natureza, sem o quê não satisfazemos as nossas necessidades mínimas.

Nosso bem estar está diretamente ligado à nossa capacidade de geração de riquezas, a fim de tornar o ambiente a nossa volta menos agressivo e mais hospitaleiro. Ao criarmos e utilizarmos riquezas como casas, estradas, usinas de energia, indústrias, alimentos, automóveis, aviões, móveis, utensílios, eletrodomésticos, etc., de alguma maneira nós estaremos impactando a natureza.

A razão fundamental de nosso alto padrão de vida (notadamente quando comparado com os dos nossos ancestrais) está na industrialização. Graças a ela, nós hoje somos centenas de vezes mais produtivos do que há 200 anos. Já imaginaram como nós estaríamos vivendo, caso os nossos antepassados fossem reféns de seitas ambientalistas como as de hoje?

Definitivamente, o progresso, vale dizer, o abandono do nosso estado de pobreza natural, requer que modifiquemos a natureza tanto quanto seja necessário para torná-la menos agressiva e, acima de tudo, favorável à nossa sobrevivência. Graças a Deus, as gerações que nos precederam visaram o progresso, não o preservacionismo. Elas tiveram orgulho de construir fábricas, abrir estradas, perfurar poços, escavar a terra a procura de novos recursos.

O desenvolvimento industrial e científico são verdadeiras dádivas da modernidade, que nos derem as ferramentas e a tecnologia necessárias para tornar o nosso habitat mais saudável e acolhedor. Pensem por um minuto no que seria de nós sem os modernos sistemas de esgotamento sanitário, a água encanada, as construções mais seguras, resistentes e protegidas das intempéries naturais, a comida fresca e farta e os meios de transporte rápidos e eficientes.

É verdade que tudo isso resultou em alguma poluição do ar, do mar e dos rios. No entanto, mesmo esses indesejáveis efeitos negativos têm sido superadas com bastante êxito pelas nações capitalistas mais avançadas.

Por incrível que pareça, os mais prejudicados pelo fanatismo das seitas ambientalistas são os mais pobres, privados da única chance de poderem um dia usufruir do padrão de vida dos países industrializados.

Ao contrário do que dizem os pregadores do apocalipse, precisamos abraçar, de forma inequívoca, o desenvolvimento econômico, vale dizer: a transformação da natureza em grande escala, a utilização sem remorsos de energias eficientes e baratas, a produção de bens e serviços com maior produtividade e menor esforço. Só assim viveremos mais e melhor.

terça-feira, outubro 11, 2011

Green Jobs Brown Out

Editorial do WSJ

How to spend $157,000 per job

The green jobs subsidy story gets more embarrassing by the day. Three years ago President Obama promised that by the end of the decade America would have five million green jobs, but so far some $90 billion in government spending has delivered very few.

A new report by the Labor Department's Office of Inspector General examined a $500 million grant under the stimulus program to the Employment and Training Administration to "train and prepare individuals for careers in 'green jobs.'" So far about $162.8 million has been spent. The program was supposed to train 125,000 workers, but only 53,000 have been "trained" so far, only 8,035 have found jobs, and only 1,033 were still in the job after six months.

Overall, "only 10% of participants entered employment." In the understatement of the year, the IG says the program failed to "assist those most impacted by the recession."

The jobs record is even more dismal when you consider that many of the jobs classified as green aren't even new jobs, much less green, according to a report from the House Committee on Oversight and Government Reform. They include positions that have been "relabeled as green jobs by the BLS [Bureau of Labor Statistics]."

This means that bus drivers, Environmental Protection Agency regulators, university professors teaching ecology, and even the Washington lobbyists who secure energy loan guarantees count as green employees for the purposes of government counting. The Oversight Committee finds that even a charitable assessment of the Labor program puts the cost of each green job at $157,000.

The silver lining is that the IG found that as of "June 30, 2011, $327.3 million remained unexpended" from the Labor program's appropriation. The IG urges that all funds "determined not to be needed should be recouped as soon as practicable and to the extent permitted by law." That ought to be the deficit supercommittee's first $327 million in savings.