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quarta-feira, julho 31, 2013

O Obama é prefeito em Maricá?

Rodrigo Constantino

Deu no GLOBOO exército de Quaquá: prefeito de Maricá contrata segurança privada por R$ 2,1 milhões

Quanto vale a segurança pessoal de um prefeito? No caso de Maricá, cidade da Região Metropolitana do Rio com 134 mil habitantes, a proteção do chefe do Executivo, Washington Quaquá (PT), custa R$ 2,1 milhões por ano, apesar de a Polícia Militar ter como dever garantir a proteção dele — que só anda de carro blindado — e de toda a população do município. O dinheiro público banca a despesa de um grupo de 24 homens armados durante 24 horas por dia. Por mês, o município desembolsa cerca de R$ 173 mil para evitar que Quaquá seja vítima de qualquer ataque. O serviço se estende ao vice-prefeito, professor Marcos Ribeiro, também do PT, que tem direito à metade desse contingente.

Os pagamentos são feitos à Guepardo Vigilância e Segurança Empresarial Ltda., empresa com sede em Niterói, também na Região Metropolitana. O prazo do contrato, publicado em 2 de maio deste ano no Diário Oficial do município, é de um ano e 17 dias. O termo firmado entre a prefeitura e a empresa prevê a “prestação de segurança pessoal privada armada no desenvolvimento de atividades de segurança de pessoas para atendimento das autoridades”.


Haja risco de vida para justificar um aparato tão grande de seguranças! Não será culpado quem pensar que é o próprio Barack Obama o prefeito de Maricá. Ou, então, podemos aderir a uma tese diferente: muitos petistas, apesar do discurso popular (populista?), quando chegam ao poder aderem ao estilo nababesco de vida dos típicos milionários, sendo que jogam a conta para ombros alheios.

E quem poderia acusá-los de não ter um "bom" exemplo em cima, no topo da hierarquia do partido? Alguém lembra que o metalúrgico Luís Inácio Lula da Silva, assim que eleito, usou carro oficial exclusivo em desfile para a sua cadela? Alguém lembra dos tecidos egípcios comprados para forrar os cômodos do Palácio? Alguém lembra de familiares do ex-presidente usando aviões da FAB por diversão?

O "argumento" usado por Quaquá para contratar mais de 130 "cumpanheiros" para cargos de confiança é que ele é contra o "estado mínimo". Percebe-se! Os petistas, pelo visto, apreciam um "estado máximo" para caber todos os seus camaradas. E quem paga a conta dessa farra toda? Ora bolas, nós, os defensores do estado mínimo.

terça-feira, julho 30, 2013

Dilma é Lula é Dilma

Fonte: O GLOBO
Rodrigo Constantino

Merval Pereira, em sua coluna de hoje no GLOBO, levanta a hipótese de que a polêmica fala da presidente Dilma, ao dizer em entrevista que o "Volta, Lula" não faz sentido pois Lula nunca saiu, pode não ter sido uma barbeiragem política que atesta sua nulidade, mas sim uma "trucada" naqueles "aliados" que atuam nos bastidores por sua substituição. Diz o jornalista:

Mas, durante o dia, conversando com um e com outro, acabei abrindo uma janela na interpretação para aceitar a possibilidade de que o que considerava uma autêntica “barbeiragem” da presidente pudesse ser na verdade audaciosa manobra: e se em vez de uma frase infeliz a presidente tivesse dado, isso sim, uma “trucada” nos que querem vê-la substituída por Lula na campanha eleitoral de 2014?

Ao explicitar a simbiose com o ex-presidente, Dilma esvazia a principal razão de uma eventual substituição sua por Lula. Ao dizer que Lula sempre esteve no governo, Dilma deixa nas entrelinhas a mensagem de que seus acertos e erros têm que ser divididos com o ex-presidente, o responsável final pela sua candidatura e, sobretudo, o parceiro do que tem sido feito no governo, o avalista de sua candidatura à reeleição.

Eu tendo a concordar com Merval Pereira. Por isso mesmo ainda não tinha escrito nada sobre a entrevista da presidente. À primeira vista, fica parecendo uma confissão desastrada de que ela não passa de uma marionete. Mas uma reflexão um pouco mais profunda mostra que ela pode estar deliberadamente se defendendo daqueles que tentam sabotá-la de dentro do próprio partido.

Na verdade, eu concordo com a presidente Dilma! E isso é muito raro. Não faz sentido clamar pelo retorno de Lula, pois o sucesso ou fracasso da gestão Dilma tem as impressões digitais do ex-presidente em todo lugar. Não vamos esquecer que foi o próprio Lula quem disse, na época das eleições, que ele era Dilma, e Dilma era ele. 

Dilma foi importante ministra do governo Lula desde o começo, foi ganhando mais poder no governo, foi escolhida para substitui-lo, e contou com o aval completo do ex-presidente. Não dá para fingir que tudo mudou de uma hora para outra, que ocorreram mudanças radicais. Os erros de Dilma são também os erros de Lula. Ele é responsável por isso.

Não apenas por ter escolhido sua sucessora e garantido seu total apoio a ela, como por ter plantado várias sementes dos problemas atuais. No afã de eleger seu "poste", Lula turbinou o crédito público e expandiu os gastos do governo. A conta chegou durante o governo Dilma, que ainda enfrenta mudança nos ventos externos. Não seria muito diferente se fosse o próprio Lula no governo.

Talvez um pouco menos de intervencionismo arbitrário, um pouco mais de traquejo político, um pouco menos de arrogância na gestão econômica. Mas boa parte dos problemas atuais de nossa economia estaria presente ainda. Estamos falando de uma gestão petista, não apenas de Lula ou Dilma. Estamos lidando com o lulopetismo e o desenvolvimentismo da equipe econômica, lembrando que Guido Mantega foi colocado lá pelo próprio Lula. 

Portanto, a "trucada" de Dilma faz todo sentido: não adianta tentarem separá-la de Lula. Dilma é Lula é Dilma. São ambos ligados de forma simbiótica um no outro. O resultado do governo Dilma é responsabilidade direta de Lula, como ele mesmo afirmou. 

sexta-feira, julho 26, 2013

Quem é presidente afinal?

Rodrigo Constantino

Deu no EstadãoDilma decide com Lula não mexer na gestão

Após longa conversa com ex-presidente, ela pediu ajuda para conter o racha entre PT e PMDB e concluiu que não fará mudanças sob pressão

A presidente Dilma Rousseff não cortará nenhum dos 39 ministérios nem pretende mexer no primeiro escalão agora. Em conversa de três horas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na quarta-feira, em Salvador, Dilma mostrou preocupação com a queda de popularidade do governo, registrada após as manifestações de rua de junho, mas disse que não vai ceder, nesse momento, a pressões por mudanças na equipe.

A portas fechadas houve muita reclamação sobre o comportamento do aliado PMDB e também do PT. Não foi só: Dilma pediu ajuda a Lula para “enquadrar” o PT, que, no seu diagnóstico, não está colaborando como deveria para defender o governo e o plebiscito da reforma política. Para a presidente, divisões na seara petista e o coro do “Volta Lula” prejudicam a governabilidade.

Embora os números da pesquisa CNI/Ibope só tenham sido divulgados ontem, Dilma e Lula sabiam na reunião que a rejeição aos políticos afetaria a avaliação não só da petista, mas também dos governadores. Apreensiva, a presidente chegou a perguntar a auxiliares qual seria a repercussão na mídia da má avaliação do governo, em meio à visita do papa Francisco ao Brasil.

O levantamento do Ibope mostra que o porcentual dos que consideram o governo Dilma “ótimo” ou bom” caiu de 55% para 31% em um período de um mês, após as manifestações de rua. Outros números indicam que a avaliação pessoal da presidente despencou de 71% para 45% e que metade dos entrevistados não confia nela.

Segundo o Estado apurou, Dilma e Lula expressaram contrariedade não só com o racha no PT, mas também com a atitude do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que pregou publicamente o corte de ministérios como solução para a crise política. A avaliação reservada é a de que o PMDB quer “surfar” na onda dos protestos.

O ex-presidente Lula nunca soube manter uma postura republicana. Enquanto FHC tem sido exemplar em seu papel de ex-presidente, Lula parece ainda governar, e com o aval da própria presidente. Com esse tipo de atitude, os petistas não podem reclamar quando acusam a presidente de "poste", ou marionete. Quando a situação política esquenta, ela corre para o ex-presidente. Isso só enfraquece sua própria imagem perante o país e o Congresso.

Já sobre o corte de ministros, sendo oportunismo político do PMDB ou não, o fato é que só sob pressão popular essa reforma tem chance. Ao menos o PMDB leu melhor a mensagem das ruas do que a presidente e o PT, que tentaram tirar da gaveta um projeto de Constituinte ou plebiscito que estava pronto desde 2007. Cortar ministros seria uma mensagem simbólica bem mais forte do que propor um plebiscito para financiamento público de campanha.

É lamentável o papel da presidente Dilma nessa confusão toda. Se ela nunca mereceu a fama de estadista, agora ela merece mais que nunca a alcunha de marionete. A pergunta é legítima: quem é presidente afinal?

quinta-feira, julho 25, 2013

PT e seus 40 ministros

Rodrigo Constantino

O ex-presidente Lula saiu em defesa dos quase 40 ministérios que o governo do PT possui, praticamente o dobro da quantidade existente na era FHC. Para Lula, reduzir os ministérios é coisa de "conservador" que não liga para as "minorias" e suas lutas sociais. Eis o que disse o ex-presidente:

Estou vendo um zum-zum-zum de que tem gente que vai pedir para a presidenta Dilma diminuir ministério. Olhem, fiquem espertos, porque ninguém vai querer acabar com o Ministério da Fazenda, com o Ministério da Defesa. Vão querer mexer com a Igualdade Racial, com os Direitos Humanos. Eu acho que a Dilma não vai mexer, eles vão falar que precisa fazer ajuste, precisa diminuir. Não tem que diminuir ou aumentar, tem que saber para que serve.

O autor da proposta de redução, o PMDB, não gostou nada da declaração, naturalmente. O deputado Danilo Fortes (PMDB-CE), relator da LDO de 2014, manifestando a insatisfação de parcela do partido, lembrou:

O Lula é suficientemente inteligente para entender que o governo e o PT nunca precisaram do PMDB como agora. Como ele precisou em 2005 para se reeleger. A governabilidade, neste momento, passa necessariamente pelo PMDB. Acho que ele fez isso (dizer que não precisa diminuir o número de ministérios) para sinalizar um discurso de esquerda e comprometimento com questões sociais.

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), disse respeitar a opinião de Lula, mas avisou que já tem as assinaturas necessárias para fazer tramitar proposta de emenda à Constituição (PEC) de sua autoria que reduz para 20 o número de ministérios. Cunha disse: "Não vou bater boca com Lula. Ele tem a opinião dele, e nós temos a nossa. É avalizado pelo país para dar a opinião dele. Paciência! Não é uma proposta minha, é do partido".


Como podemos ver, nessa questão, assim como em várias outras, o fisiológico PMDB está certo, e o PT consegue ser muito pior do que o próprio PMDB. Pode ser triste depender do PMDB para conter o ímpeto autoritário e perdulário do PT, mas às vezes é só o que nos resta. Se depender só do PT, teremos em breve uns 50 ministérios! 

O editorial do GLOBO foi no alvo:

O ex-presidente Lula critica com veemência a proposta de corte no excessivo número de ministérios. Não pode ter outra atitude, pois, ao decidir conquistar apoio no Congresso pela via do toma lá dá cá, do fisiologismo, teve que abrir o leque de cargos de primeiro escalão. Os 39 ministérios, muitos desnecessários, são uma das marcas do lulopetismo. Ele não pode ser contra. Já o preço, em forma de uma administração emperrada, dispendiosa e ineficiente, é pago pela sucessora Dilma Rousseff.

Eu só não isentaria, uma vez mais, a atual presidente dessa estratégia, como se fosse tudo culpa do ex-presidente Lula. Ambos agem assim. A presidente endossa essa tática absurda. E agora já sabemos: se você não aplaude 40 ministérios, você é um "conservador". Bem-vindo ao time!

terça-feira, julho 16, 2013

A insustentável herança maldita

Rodrigo Constantino

Gosto quando Arnaldo Jabor faz um mergulho em seu passado de comunista, pois ele vai no cerne da questão, expor os motivadores emocionais que o levaram a esta utopia assassina. Como, infelizmente, ainda convivemos com comunistas em pleno século 21, muitos no poder, esses relatos se fazem importantes para sanar o país dessa praga de uma vez por todas.

No artigo de hoje, Jabor mete o dedo na ferida: 

O que aconteceu com esse governo foi mais um equívoco na história das trapalhadas que a esquerda leninista comete sempre, agora dentro do PT. O fracasso é o grande orgulho dos revolucionários masoquistas. Pelo fracasso constrói-se uma espécie de 'martírio enobrecedor', já que socialismo hoje é impossível. Erraram com tanta obviedade (no mensalão por exemplo ou no escândalo dos 'aloprados'), com tanto desprezo pelas evidências de perigo, tanta subestimação do inimigo, que a única explicação é o desejo de serem flagrados. Sem contar o sentimento de superioridade que se arrogaram sobre nós, os 'alienados burgueses neoliberais'.

Conheço a turminha que está no poder hoje, desde os idos de 1963, e adivinhava o que estava por vir. Conheci muitos, de perto.

Nos meus 20 anos, era impossível não ser 'de esquerda'. Nós queríamos ser como os homens heroicos que conquistaram Cuba, os longos cabelos de Camilo Cienfuegos, o charuto do Guevara, a 'pachanga' dançada na chuva linda do dia em que entraram em Havana, exaustos, barbados, com fuzis na mão e embriagados de vitória.

A genialidade de Marx me fascinava. Um companheiro me disse uma vez: "Marx estudou economia, história e filosofia e, um dia, sentou na mesa e escreveu um programa racional para reorganizar a humanidade". Era a invencível beleza da Razão, o poder das ideias 'justas', que me estimulava a largar qualquer profissão 'burguesa'. Meu avô dizia: "Cuidado, Arnaldinho, os comunistas se acham médiuns, aquilo parece tenda espírita...". Eu não liguei e fui para os 'aparelhos', as reuniões de 'base' e, para meu desespero, me decepcionei.

Essa passagem é de fundamental relevância, pois mostra como essas pessoas buscam monopolizar as virtudes, de forma maniqueísta, o que os livra de ter que debater meios:

É um ridículo silogismo: "Eu sou a favor do bem, logo não posso errar e, logo, não preciso estudar nem pesquisar".

Jabor conclui:

Quando comecei a criticar o PT e o Lula, 'petralhas' me acusaram de ser de direita, udenista contra operários. Não era nada disso; era o pavor, o medo de que a velha incompetência administrativa e política do 'janguismo' se repetisse no Brasil, que tinha sido saneado pelo governo de FHC. Não deu outra. O retrocesso foi terrível porque estava tudo pronto para a modernização do País; mas o avião foi detido na hora da decolagem. Hoje, vemos mais uma 'revolução' fracassada; não uma revolução com armas ou com o povo, mas uma revolução feita de malas pretas, de dinheiro subtraído de estatais, da desmoralização das instituições republicanas. Hoje, vemos o final dessa epopeia burra, vemos que a estratégia de Dirceu e seus comparsas era a tomada do poder pelo apodrecimento das instituições burguesas, uma espécie de 'gramscianismo pela corrupção' ou talvez um 'stalinismo de resultados'.

O perigo é que os intelectuais catequizados ainda pensam: "O PT desmoralizado ainda é um mal menor que o inimigo principal - os tucanos neoliberais".

Como escreveu minha filha Juliana Jabor, mestra em antropologia, "ajudado por intelectuais fiéis, Lula poderá se apropriar da situação com seu carisma inabalável, para ocupar a 'função paterna' que está vaga desde o fim do seu governo. Pode ser eleito de novo e a multidão se transformará, aí sim, em 'massa'. O 'movimento' perderá o seu caráter de produção de subjetividades e se transformará numa massa guiada por um líder populista".

Eis o grande risco dessas manifestações nas ruas: prepararem o terreno para o retorno do "messias" salvador da Pátria, do líder das massas. Há boatos fortes de que sua saúde não permitiria. Tampouco se sabe o quanto a impopularidade de Dilma pegaria nele. Mas há o risco. E todo cuidado é pouco...

terça-feira, julho 09, 2013

A queda

Rodrigo Constantino, O GLOBO

Eike Batista está para a economia como Lula está para a política. O “sucesso” de ambos, em suas respectivas áreas, tem a mesma origem. Trata-se de um fenômeno bem mais abrangente, que permitiu a ascensão meteórica de ambos como gurus: Eike virou o Midas dos negócios, enquanto Lula era o gênio da política. Tudo mentira.

Esse fenômeno pode ser resumido, basicamente, ao crescimento chinês somado ao baixo custo de capital nos países desenvolvidos. As reformas da era FHC, que criaram os pilares de uma macroeconomia mais sólida, também ajudaram. Mas o grosso veio de fora. Ventos externos impulsionaram nossa economia. Fomos uma cigarra que ganhou na loteria.

Leia mais aqui.

domingo, julho 07, 2013

O povo quer mudança. Mesmo?

Rodrigo Constantino

Poucos articulistas contrários ao governo têm adotado postura mais cética diante das manifestações que tomaram as ruas brasileiras. Guilherme Fiúza é um deles, e tem utilizado seu espaço no GLOBO e na Época para jogar duchas de água fria naqueles mais encantados com os protestos que derrubaram a aprovação de Dilma. Esquecem-se de que Lula pode voltar com isso.

Em sua coluna dessa semana na Época, Fiúza faz troça com essa esquizofrenia popular, que critica "tudo isso que está aí", mas na hora de responder em quem votaria, dá Lula no primeiro turno. Lula, o nome da "mudança". É para rir ou chorar? Escreve Fiúza:

A revolta das ruas produziu um milagre. Não as votações espasmódicas do Congresso Nacional, nem a revogação de aumentos das tarifas de ônibus. Esses foram atos oportunistas, que logo sumirão na poeira da história, embora tenham sido celebrados como vitórias revolucionárias. O milagre também não foi a reação do governo Dilma Rousseff, que propôs ao país um plebiscito para reformar a política. Outros governantes já usaram alegorias para embaçar o debate. Como a alegoria de Dilma é especialmente fajuta, não será comentada neste espaço. O milagre da onda de passeatas foi a reabilitação dele - o filho do Brasil, o homem e o mito, Luiz Inácio Lula da Silva.

Como compreender isso? Não faz o menor sentido! E isso, justamente, deveria ser um alerta importante aos que celebram de forma muito precipitada o "despertar" do povo brasileiro, que passou a ter consciência política da noite para o dia. O escritor continua:

A maioria do eleitorado deve estar escondendo alguma informação bombástica. Devem ter algum segredo, guardado a sete chaves, sobre o novo Lula. Diferentemente do velho, esse aí não deve ter nada a ver com Dilma, Guido Mantega, Gilberto Carvalho, José Dirceu, enfim, a turma que estourou as contas nacionais para bancar o populismo perdulário.
Não, nada disso. O novo Lula - esse que a voz do povo descobriu e não quer nos contar - é um administrador moderno, implacável com o fisiologismo. Um Lula que jamais daria agências reguladoras de presente a Rosemary Noronha, para ela brincar de polícia e ladrão com os companheiros (é bem verdade que a polícia só chegou ao final da brincadeira). Esse Lula, que hoje seria eleito para desenguiçar a economia brasileira, sabe que politizar e vampirizar uma Anac compromete o serviço da aviação. O povo foi às ruas por melhores serviços de transportes, e o novo Lula não faria como o velho Lula - aquele que transformou as agências do setor num anexo do PT e seus comparsas. Jamais.

Quando Dilma era candidata, Lula foi bem claro perante os eleitores: Dilma é ele, ele é Dilma. A presidente escuta ele antes de decisões importantes, despacha com seu mentor, uma espécie de governante de facto. Como que a impopularidade de Dilma não gruda em Lula? São mistérios do Brasil. Algo realmente espantoso. O povo fala em mudanças nas ruas. E depois diz que votaria... nele, no Lula, o responsável maior por "tudo isso que está aí". Piada? Só se for de mau gosto...

sábado, julho 06, 2013

O culpado

Rodrigo Constantino

Em artigo publicado hoje no Estadão, o jurista Miguel Reale Júnior apontou o verdadeiro culpado por "tudo isso que está aí": Lula! O advogado diz:

Lula, o Macunaíma, tergiversador, que ora se disse traído pelos mensaleiros, ora passou a mão na cabeça dos aloprados, é o responsável pelo clima deliquescente em que está imerso o Brasil. Fortalece-se, agora, a reação à esperteza como um valor: pede-se moralidade e as pesquisas eleitorais mostram dobrar o número de indecisos, começar a queda de Lula e surgir a figura de Joaquim Barbosa, homem probo, franco, alheio a malabarismos malandros.

O exemplo vem de cima. Após tanto tempo de salvo-conduto que Lula gozou com infindáveis escândalos vindo à tona, o clima de anomia se instalou no país. Esse tipo de coisa acaba se espalhando para a sociedade como um todo. Claro que Lula não inventou a corrupção, mas nunca antes da história deste país ela ficou tão escancarada com o líder máximo do governo totalmente blindado da sujeira. O efeito Teflon se esgotou. Reale diz:

Deve-se ao julgamento do mensalão e ao ressurgimento da inflação a disseminação da revolta diante da situação moral e econômica do País. Atos de protesto reúnem diversos descontentes, sem propósitos idênticos, próximos apenas no inconformismo. Há um estado de anomia, de negação de legitimidade dos Poderes instituídos que leva a atender à chamada ao protesto como forma de expressar a descrença nos canais formais de representação da vontade popular: partidos, Congresso e governo.

Outro fator importante foi o contraste entre a situação real, cada vez manos favorável, e o discurso ufanista, propagandista, enganoso do governo. Enquanto o povo sentia a dor da inflação crescente, do caos urbano, o governo repetia que tudo estava incrivelmente fantástico. Em algum momento a dissonância cognitiva cessa. Reale aborda a questão:

A anomia decorre da frustração em vista da impossibilidade de satisfação das expectativas criadas de realização pessoal. Prometeu-se o acesso ao consumo, pela concessão de crédito e graças ao aumento salarial, alimentando desejos já exasperados pela propaganda, mas a inflação e o endividamento desfazem a promessa. Prometeu-se democracia como probidade e surge o mensalão. Prometeram-se condições dignas de vida com eficiente atendimento no transporte, na saúde, na educação, mas a realidade revela só o descaso dos donos do poder.

A reação do governo até aqui tem sido errática, populista ou aproveitadora. Reale apresenta uma agenda alternativa:

A agenda imediata poderia ser: diminuição do número de ministérios, redução drástica dos cargos em comissão na administração direta e nas empresas estatais, nomeação de técnicos para diretores dessas empresas, desaparelhamento do Estado, registro dos cabos eleitorais remunerados, dotação de meios para a Justiça e o Ministério Público Eleitoral fiscalizarem e reprimirem o uso de caixa 2 nas campanhas, proibição de fornecedoras e prestadoras de serviço ao governo contribuírem para campanhas eleitorais, assegurar verbas fixas para emendas parlamentares sem troca de voto por liberação de meios. Quebram-se fontes da corrupção e pode vir a seriedade.

Mas sabemos que isso não vai acontecer. A presidente Dilma é criatura de Lula. Foi ele quem a colocou no poder, e atrelou o resultado de sua gestão ao seu próprio nome. O sucesso de Dilma seria o sucesso de Lula, e o fracasso dela seria seu fracasso. Tivemos o fracasso. E agora não adianta Lula se fingir de morto, fugir para a Europa, ficar calado: ele é o grande culpado disso tudo. Suas impressões digitais estão em todas as cenas do crime. Quem pariu Mateus, que o embale!

O gigante adormecido

Rodrigo Constantino

Eu tenho adotado uma postura cética e crítica não só em relação as manifestações, como principalmente em relação ao clima que elas geraram nas ruas e nas redes sociais. Há quem até ontem só queria saber de novela e futebol, e de repente pensa que tudo será diferente pois o povo "acordou", e só quem está nas ruas está realmente fazendo algo para mudar "tudo isso que está aí".

Por isso me conforta quando vejo aqueles outros que, assim como eu, eram os mais críticos ao governo petista nos últimos anos, adotando a mesma postura cética, desconfiada, crítica. É o caso de Reinaldo Azevedo, Marco Antonio Villa e Guilherme Fiuza. Este, em sua coluna do GLOBO de hoje, toca em pontos muito importantes para justificar esse nosso ceticismo. Merece uma reflexão. Ele já começa assim:

O Brasil deu para dizer a si mesmo que mudou. Que nada mais será como antes das manifestações de rua, que agora vai. Que se os governantes e os políticos em geral não entenderem o recado das ruas, estão fritos. É um fanfarrão, esse Brasil.


Claro que algumas mudanças positivas podem ocorrer após essas manifestações. Mas não resta dúvida de que quem sonha com enormes mudanças, com fundamentais mudanças, irá se decepcionar. Eu caso grana nessa aposta! E digo isso pois o clima de cautela é crucial para impedir que essa esperança toda, mal-calibrada e pouco racional, volte-se contra o próprio povo, dificultando reformas necessárias, que serão lentas e graduais. Fiuza continua:

Qual é mesmo o recado das ruas? Vamos falar a verdade: ninguém sabe. Nem as ruas sabem. Ou melhor: não há recado. O gigante continua adormecido em berço esplêndido — o que se ouviu foi um ronco barulhento, misturado com palavras desconexas. Esse gigante fala dormindo.

Como eu tenho apontado, há uma tremenda cacofonia nas ruas, e as demandas são muito díspares. Alguns pedem mais gastos públicos, outros menos impostos, e outros ainda apelam para medidas populistas como "passe livre". O recado das ruas tem alvo: os políticos. Mas é muito vago, sem foco. 

O fator econômico como catalisador das manifestações também é abordado por Fiuza:

Há alguns anos, a imprensa vem contando aos gritos o que está acontecendo com o gigante, sem que ele mova um músculo. E o que está acontecendo é devastadoramente simples: em uma década, o ciclo virtuoso do país foi jogado fora pela indústria do populismo. A crise das tarifas de ônibus (estopim dos revoltosos) é só uma unha do monstro: o descontrole inflacionário causado pelo derrame de dinheiro público. País rico é país com 40 ministérios.


O meu principal receio com tudo isso tem sido acerca da reação do governo. O que vai sair de concreto disso? Congelamento de preços? Mais gastos públicos? Plebiscito? Enfim, o clima criado pelas manifestações podem também servir como pretexto para uma agenda nefasta do governo. Fiuza toca no ponto:

Enquanto isso, a maquiagem das contas públicas vai bem, obrigado — com mais um truque contábil no incesto entre o BNDES e o Tesouro, para forjar superávit e legalizar a gastança. É pedra na vidraça do contribuinte, que nada ouve e nada vê. Deve estar na passeata, exigindo cidadania.
Pensando bem, foi o governo popular quem melhor entendeu o recado das ruas: os cães ladram e a caravana passa. Ou talvez: os revoltados passam e a quadrilha ladra.
Para checar se o gigante estava dormindo mesmo, o estado-maior petista chamou um dos seus para ir até o ouvido dele e chamá-lo de otário, bem alto. Assim foi feito. Como primeira reação oficial às passeatas, Dilma escalou Aloizio Mercadante para dizer ao povo que ele ia ganhar um plebiscito. E que com esse plebiscito, ele, o povo, ia fazer a “reforma política” (o Santo Graal dos demagogos). Claro que o governo sabia que isso era uma troça, uma piada estilo “Porta dos fundos”. Tanto que caprichou nos ingredientes.


Fora isso, há outro risco que já mencionei também: a volta de Lula. Não acho trivial, não sei se ele desfruta dessa popularidade toda, e há boatos de que sua saúde não permitiria uma volta ao poder. Mas se Dilma for triturada antes do tempo, pode ocorrer isso sim, pois sabemos que o PT fará de tudo para se manter no poder. Fiuza conclui:

O país se zangou, foi para as ruas, tuitou, gritou, quebrou e voltou para casa sem nem arranhar quem lhe faz mal. O projeto de privatização política do Estado, que corrói a sociedade e seu poder de compra, está incólume. A prova disso? A popularidade de Dilma caiu, mas quem surgiu nas pesquisas para 2014 vencendo a eleição no primeiro turno, e escolhido “o mais preparado para cuidar da economia nacional”? Ele mesmo: Luiz Inácio, a nova esperança brasileira.
Ora, senhor gigante: durma bem! Mas, por favor, ronque baixo. E pare de bloquear as ruas com seus espasmos inconscientes.

sexta-feira, maio 17, 2013

Marilena Chauí te odeia!


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

A "intelectual" brasileira representante da esquerda caviar, a filósofa da USP Marilena Chauí, atacou esta semana, com sua típica verborragia, a classe média. Ela disse sem rodeios: “A classe média é um atraso de vida. A classe média é estupidez, é o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista”. Quanto ódio para alguém que pertence... à classe média!

Ao declarar ódio a uma abstração classista, a filósofa, malandramente, foge da necessidade de dar nome aos bois. Ao repudiar a classe média perante a classe média, esta se sente acuada e encontra como mecanismo de defesa a sensação de que não faz parte dessa mesma classe, pois, apesar da renda similar, é mais esclarecida, mais “consciente”, mais engajada. Em outras palavras, é uma classe média que rejeitou o estilo de vida pequeno-burguês e se alinhou aos operários revolucionários e marxistas.

A jogada é conhecida. A esquerda usa essa tática há décadas. Sem falar que sempre buscou monopolizar as virtudes e encerrar qualquer debate sério com rótulos sem sentido, ataques chulos. Chamar de “fascista” um fascista não surte efeito, mas acusar de “fascista” um membro da classe média que é democrata produz nele uma reação quase automática, de querer se afastar dessa classe para não passar recibo.

A esquerda só acusa mentindo, pois sabe que quem se incomoda com seus ataques infundados é justamente quem não é fascista, reacionário, petulante ou terrorista. Enquanto isso, os verdadeiros terroristas, muitos afinados com a própria esquerda, são chamados por eufemismos, como “guerrilheiros” ou “revolucionários”. É muita inversão!

Mas se Marilena Chauí não tem coragem de dar nome aos bois, eu faço isso por ela. Você, Pedro, João, Tiago ou Roberto, Maria, Fernanda, Ana ou Carolina, que é assalariado, que mora em um apartamento alugado de dois ou três quartos, que assiste novela da TV Globo e jogo de futebol nas quartas e domingos, que precisa enfrentar o caótico trânsito para trabalhar, que vive com medo de bandidos defendidos por esquerdistas, que não conta com esmolas ou privilégios estatais, que quer apenas, enfim, melhorar de vida, ter mais conforto material e segurança, é você mesmo que Marilena Chauí odeia e acusa de ser ignorante, petulante e... terrorista!

Chauí, que ama o “metalúrgico” Lula, já tendo declarado que quando ele fala tudo se ilumina, odeia você, trabalhador humilde da classe média. Qual será a sua reação? Sentimento de uma culpa infundada por desejar melhorar de vida, fazendo o jogo da filósofa marxista, ou repúdio a esta senhora patética e todos os demais marxistas que te odeiam?  

domingo, outubro 21, 2012

Piada de salão

Ferreira Gullar, Folha de SP


Quando o escândalo do mensalão abalou a vida política do país e, particularmente, o governo Lula e seu partido, alguns dos petistas mais ingênuos choraram em plena Câmara dos Deputados, desapontados com o que era, para eles, uma traição. Lula, assustado, declarou que havia sido traído, mas logo acertou, com seus comparsas, um modo de safar-se do desastre.
Escolheram o pobre do Delúbio Soares para assumir sozinho a culpa da falcatrua. Para convencê-lo, creio eu, asseguraram-lhe que nada lhe aconteceria, porque o Supremo estava nas mãos deles. Delúbio acreditou nisso a tal ponto que chegou a dizer, na ocasião, que o mensalão em breve se tornaria piada de salão.
Certo disso, assumiu a responsabilidade por toda a tramoia, que envolveu muitos milhões de reais na compra de deputados dos partidos que constituíam a base parlamentar do governo.
Embora fosse ele apenas um tesoureiro, afirmou que sozinho articulara os empréstimos fajutos, numa operação que envolvia do Banco do Brasil (Visanet), o Banco Rural e o Banco de Minas Gerais, e sem nada dizer a ninguém: não disse a Lula, com que privava nos churrascos dominicais, não disse a Genoino, presidente do PT, nem a José Dirceu, o ministro político do governo.
Era ele, como se vê, um tesoureiro e tanto, como jamais houve igual. Claro, tudo mentira, mas estava convencido da impunidade. A esta altura, condenado pelo STF, deve maldizer a esperteza de seus comparsas. Mas os comparsas, por sua vez, devem amaldiçoar o único que, pelo menos até agora, escapou ileso do desastre --o Lula.
Pois bem, como o tiro saiu pela culatra e o partido da ética na política consagrou-se como um exemplo de corrupção, Lula e sua turma já começaram a inventar uma versão que, se não os limpará de todo, pelo menos vai lhes permitir continuar mentindo com arrogância. O truque é velho, mas é o único que resta em situações semelhantes: posar de vítima.
E se o cara se faz de vítima, tem o direito de se indignar, já que foi injustiçado. Por isso mesmo, vimos José Genoino vir a público denunciar a punição que sofreu, muito embora tenha sido condenado por nove dos dez ministros do STF, quase por unanimidade.
A única hipótese seria, neste caso, que se trata de um complô dos ministros contra os petistas. Mas mesmo essa não se sustenta, uma vez que dos dez membros do Supremo, oito foram nomeados por Lula e Dilma.
Reação como a de Genoino era de se esperar, mesmo porque, alguns dias antes, a direção do PT publicara aquele lamentável manifesto em que afirmava ser o processo do mensalão um golpe semelhante aos que derrubaram Getúlio Vargas e João Goulart. Também a nota posterior à condenação de José Dirceu repete a mesma versão, segundo a qual os mensaleiros estão sendo condenados porque lutam por um Brasil mais justo. O STF, como se sabe, é contra isso.
Não por acaso, Lula --que reside num apartamento duplex de cobertura e veste ternos Armani-- voltou a usar o mesmo vocabulário dos velhos tempos: "A burguesia não pode voltar ao poder". Sim, não pode, porque agora quem nos governa é a classe operária, aquela que já chegou ao paraíso.
Não tenho nenhum prazer em assistir a esse espetáculo degradante, quando políticos de prestígio popular, que durante algum tempo encarnaram a defesa da democracia e da justiça social em nosso país, são condenados por graves atentados à ética e aos interesses da nação. As condenações ocorreram porque não havia como o STF furtar-se às evidências: dinheiro público foi entregue ao PT, mediante empréstimos fictícios, que tornaram possível a compra de deputados para votarem com o governo. Tudo conforme a ética petista, antiburguesa.
Mas não tenhamos ilusões. Apesar de todo esse escândalo, apesar das condenações pela mais alta corte de Justiça, o PT cresceu nas últimas eleições. Tem agora mais prefeituras do que antes e talvez ganhe a de São Paulo. Nisso certamente influiu sua capacidade de mascarar a verdade, mas não só. Com a mesma falta de escrúpulos, tendo o poder nas mãos, manipula igualmente as carências dos mais necessitados e dos ressentidos.
Não vai ser fácil acharmos o rumo certo.

sábado, setembro 29, 2012

Brasil dos Jecas


Bruno Bressan De Cnop *

Depois que a casa do Jeca COLLOR Tatu caiu, vieram os Jecas Itamar/FHC e colocaram a casa de pé, deram uma guaribada no telhado, tiraram o cartão de crédito e o celular da filharada.
Jeca FHC Tatu sentou com a família e assumiu a dívida de todo mundo nas vendas da cidade e mandou cancelar as cadernetas. É por isso que as pessoas fofoqueiras da cidade falam que Jeca FHC Tatu fez muita dívida, ele tava era botando ordem neste pardieiro. Isso foi igual a botar a mão em casa de marimbondo.
Colocou as crianças na escola, não era muito boa, mas era o que o dinheiro dava, e ainda deu uma ajuda para os alunos mais pobres, deve ter sido coisa de Dona Ruth.
Arranjou um médico para visitar a casa de vez em quando, ganhou alguns pontos quando um compadre dele peitou o dono da farmácia e conseguiu uns remédios mais baratos, mas foi excomungado pelos idosos da casa quando aumentou a idade para parar de trabalhar e criou umas contas esquisitas que não deixava o pessoal receber muita aposentadoria, medida mais dura que toco de braúna, mas que se não fosse feito, não teria dinheiro para todo mundo.
E por último decidiu não gastar mais do ganhava, acreditem ou não muitos filhos acharam esta decisão absurda, choraram feito criança birrenta.
No sítio, Jeca dava duro e controlou a saúde do gado, melhorou as sementes e seu plantio, ele vendeu umas máquinas velhas de tirar pedra que dava mais dinheiro para os mecânicos que para ele e passou a receber uma tanto pela pedra tirada e botou gente pra tomar conta, deu pra ganhar bem mais dinheiro. O pessoal que consertava a máquina até hoje fala mal do Jeca FHC Tatu por conta disso.
Foram anos difíceis de muito trabalho e pouco dinheiro, pois colocar a casa em pé foi caro pra chuchu e não foi fácil, muita trovoada, muito vendaval e pouca chuva quase que a casa caiu de novo, mas sempre se arrumava mais algumas goteiras, quase não conseguia pagar as contas, muitos filhos reclamando das durezas destas decisões.
Com o tempo, o fato de terem uma casa melhor não importava mais, a falação só aumentava.
A coisa ficou feia mesmo quando o Jeca não trocou uma fiação velha e teve problema na parte elétrica da casa, todo mundo ficou brabo com o Jeca FHC Tatu. Isso foi a gota d’água!
Saiu o Jeca FHC Tatu entrou no seu lugar o Jeca LULA Tatu, um dos que mais reclamavam e sempre dizia que tinha que mudar tudo que foi feito, pra ele tava tudo sempre errado.
            Graças a Deus era só conversa pra boi dormir, ele também resolveu não gastar mais do que ganhava, até deixou outro compadre do Jeca FHC Tatu para tomar conta do cofre.
Falar é fácil!
            Ele falava que ia voltar com a máquina velha para tirar pedra e não fez, dizia que ia voltar com as aposentadorias para igualzinho era antes e não fez, dizia que o bolsa escola para os estudantes era bolsa esmola, isso aí ele mudou, mudou de nome para bolsa família. Só para não dar o braço a torcer.
Ufa! Ainda bem que ele não acabou com isso tudo. Acho que ele falava só pra ser do contra.
            Mas esse Jeca LULA Tatu nasceu virado pra lua, não é que as coisas do sítio começaram a dar dinheiro!
            Pra vocês terem uma idéia da diferença de preço das coisas que ele vendia na feira:


Produto
Preço em 2001
Preço em 2010
Soja (saco)
  U$ 7,08
  U$ 25,05
Milho (saco)
  U$ 3,34
  U$ 12,63
Boi @
  U$ 16,06
  U$ 48,96
Petróleo (barril)
U$ 25,00
U$100,00
Ferro (Ton)
U$ 16,00
U$ 75,00


Em 2001, Jeca FHC Tatu tinha para gastar uns R$ 4.000,00 por mês e em 2010, o que Jeca LULA Tatu tinha para gastar era R$ 13.000,00 por mês.  Ganhava 3 vezes mais dinheiro?!!!
Com essa dinheirama extra a vida no sítio melhorou muito.
O pessoal está feliz, porque dá para comprar mais coisas, estão fazendo mais casas no sítio, o pessoal está podendo escolher mais o que quer fazer, tem gente que nem quer mais trabalhar por causa do aumento que o Jeca LULA Tatu deu na mesada dos filhos.
Teve uma tempestade das brabas e a casa agüentou o tranco, muitos vizinhos tiveram que refazer o telhado. Jeca tava com dinheiro e foi arrumando uma escora aqui outra ali.
Mas o problema é que o Jeca LULA Tatu, não gosta que ninguém fala mal dele, então ele parou com aquelas medidas que o pessoal fazia cara feia, mas que eram importantes.
O pessoal que consertava as máquinas e que reclamava sem parar ficou feliz, porque agora estão ajudando o Jeca LULA Tatu a tomar conta do sítio.
Os estudantes mais velhos ganharam uma grana do Jeca LULA Tatu e nunca mais reclamaram de nada, nem da educação que está ruim de dar dó.
Os vizinhos reclamaram com ele de umas coisas antigas e acabaram levando vantagem, deu uma máquina novinha para um e fez um gato de luz para o outro tudo de graça. Eita vizinho bom!
Os idosos não gostaram muito que ele não acabou com aquela conta esquisita que ele garantiu que ia acabar, mas ai o Jeca LULA deixou eles pegarem um dinheiro emprestado com o moço do banco bem baratinho, o problema é que ele deixou o moço do banco pegar o dinheiro de volta sem eles saberem direito. Tem um monte de senhorinha enrolada até o pescoço.
Deixou todo mundo comprar fiado nas vendas, pagando um pouquinho por mês, o problema é que nunca teve tanta gente devendo no sítio.
Contratou mais empregado para ajudar na lida da casa, está comprando mais roupa pra meninada, celular, TV de plasma, carro, comida para a família, está todo mundo gordinho, tão desperdiçando tanto que até os ratos da dispensa estão mais gordos.
Teve uma tia velha que até comprou um jetsky mesmo sem ter lago grande no sitio. Que coisa esquisita!
Jeca LULA ficou tão bem na foto que saiu e deixou uma comadre sua lá, a Jeca Dilma Tatu! Dizem que é o Jeca LULA Tatu de Saia!
O problema, que com este esbanjamento, não ta sobrando para as coisas mais importantes e olha que já tem 10 anos que o Jeca LULA Tatu assumiu.
Mesmo ganhando 3 vezes mais, o Jeca LULA Tatu não melhorou em nada as escolas dos pequenos, ele preferiu dar dinheiro para as escolas dos marmanjos, que também está péssima. A escola dos pequenos está ensinando cada vez pior.
O médico continua indo no sitio de vez em quando, mas não me lembro de nada que tenha melhorado nestes 10 anos, ele continua reclamando que falta uns remédios, uns equipamentos com nome difícil. Dá dó de vê o doutor trabalhar.
As estradas do sítio estão estreitas, com um monte de barreiras, quando chove atola, os seleiros e os embarcadores não tão dando conta. Depois de 10 anos e apesar de ganhar 3 vezes mais, o Jeca LULA Tatu não melhorou praticamente nada na infra-estrutura do sítio. Com a estrada assim a mula emPACa toda hora!
Ele até tá tentando levar água pro outro lado do sítio, mas tá demorando demais e o moço da venda já avisou que vai ficar bem mais caro.
A reforma da casa parou onde estava, mesmo ganhando mais, só se fez remendos e puxadinhos.
Como Jeca LULA Tatu tem um grande coração, acabou ficando bem com todo mundo, o problema é que sempre aparece um primo distante pedindo dinheiro, outro que pede para ser fiador do aluguel, o cunhado pedindo saco de cimento...
Vocês acreditam, que até o Jeca COLLOR Tatu, que fez a casa cair, voltou a morar lá? E virou parceiro de truco do Jeca LULA Tatu. Esse mundão dá volta!
Tem gente dizendo que a vaca vai pro brejo, na dúvida, o jeito é rezar para o Menino Jesus e Nossa Senhora Aparecida, continuar protegendo nosso sítio e colocar um pouco de juízo da cabeça desses Jecas.


* Empresário - Administrador de empresas pós graduado pela Fundação Getúlio Vargas.

sexta-feira, setembro 28, 2012

O crepúsculo de um mito


Rodrigo Constantino

Fidel Castro, repetindo o também tirano Adolf Hitler, disse certa vez que a História iria absolvê-lo. Winston Churchill, por sua vez, teria dito que a História seria boa com ele, afinal, ele mesmo pretendia escrevê-la. Os vencedores dominam a prensa, principalmente em países sem ampla cultura de liberdade, como Cuba.

Mas, na Inglaterra, há liberdade, e se a História foi mesmo favorável a Churchill, isso se deve aos seus acertos maiores que erros, e não ao seu poder de influência sobre a imprensa e o pensamento. Já Fidel certamente não será absolvido pela História, a despeito da ditadura e da máquina de propaganda que montou em sua ilha particular.

Em outras palavras, o tempo costuma ser o maior aliado da verdade, o que dá esperança aos defensores da decência. Nem sempre ela vem à luz. Mas quando há alguma liberdade de pensamento e de imprensa, cedo ou tarde os fatos emergem do pântano da ignorância, espalhando seu odor antes disfarçado. É possível enganar algumas pessoas por muito tempo, mas é difícil enganar todos, o tempo todo.

Disse isso tudo para chegar ao Nosso Guia. O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva parecia acreditar na possibilidade de ser absolvido pela História. Na verdade, vaidoso que só ele, Lula certamente tinha a esperança de ser reverenciado pela História. O tempo mostraria que o Mensalão não passara de uma armação de golpistas da elite para manchar a honra deste grande estadista do povo. Não tão rápido...

Aos poucos o Brasil vai mudando, e o mito Lula vai sendo desconstruído. O julgamento da História, quando passar o burburinho do momento, será duro com o líder do PT. Afinal de contas, ao contrário da propaganda dos “intelectuais” durante décadas, a verdade é que não há nada de louvável em sua trajetória. Desde os tempos de sindicalista até a posição de ex-presidente, Lula tem sido uma pessoa que merece raríssimos elogios, e infindáveis críticas.

Rótulos como “egocêntrico”, “megalomaníaco”, “mitomaníaco”, “imoral” e “inescrupuloso” combinam infinitamente mais com sua pessoa do que os adjetivos criados pelos “intelectuais” bajuladores do “homem do povo”. Lula sempre fez tudo em causa própria, sempre demonstrou uma sede incrível pelo poder, e se mostrou disposto a quase tudo em nome deste objetivo. Com o tempo, isso tudo ficará mais claro para as pessoas.

O “legado” sócio-econômico, um dos poucos pilares que seus acólitos usam para sustentar a imagem do mito, também será desfeito com o passar do tempo. Ficará evidente para muitos que tudo não passou de uma enorme onda de fora, mais especificamente da China, que inflou as economias dos países emergentes ricos em recursos naturais como o Brasil. Tudo isso com o auxílio das turbinas monetárias dos bancos centrais de países desenvolvidos.

Até mesmo uma das poucas áreas que muitos ainda concedem o epíteto de “gênio” ao Lula será revisada em breve. Lula não é um “gênio” da política. Sim, ele tem algum carisma, em parte porque o povão se identifica com seu jeito. Sim, ele tem alguma habilidade na comunicação com as massas, abusando de retórica sensacionalista e demagógica. Por esta ótica, ele seria quase tão “gênio” quanto Hitler ou Mussolini, nada que uma pessoa minimamente íntegra poderia se orgulhar.

Mas nem mesmo isso é tão verdadeiro assim. As pessoas se esquecem de que Lula perdeu três eleições seguidas para presidente! Que grande comunicador invencível é esse? Depois ele conseguiu eleger seu “poste”, mas, novamente, isso se deve bem mais ao crescimento chinês e às peripécias de Bernanke do que ao seu talento para transferir votos. Lula contou mais com a sorte do cenário externo do que qualquer coisa.

Isso começa a ficar claro agora nas eleições municipais, durante o julgamento do Mensalão, em que Lula não chega a ser um grande puxador de votos para prefeitos. Alguns já ensaiam até um afastamento gradual da figura do todo-poderoso, enquanto o próprio aproveita para se aproximar de Paulo Maluf. O “gênio” da política, ao que parece, não passa de um analista cego que ignora as mudanças no país e a crescente demanda por mais ética por parte da classe média. Não há muito espaço para o fisiologismo escancarado de Lula nessa configuração.

Posso estar sendo otimista demais, esperançoso ao extremo. Reconheço. Pode ter muito de desejo em minha análise. Mas acredito, realmente, que o Brasil irá amadurecer com o tempo a ponto de compreender que Lula foi uma enorme mancha negra na política nacional. Maluf, Collor, Sarney e tantos outros ainda estão por aí, é verdade, todos inclusive aliados do próprio Lula.

Há muita ignorância no país; os safados se fartam. Mas, ao menos, nenhum deles goza de uma aura de santo, de estadista, de líder popular disposto a sacrifícios pelo povo. A imensa maioria os enxerga como são: oportunistas inescrupulosos que só querem o poder. Lula, finalmente, fará parte dessa lista. De preferência no topo dela, pois essa liderança ele merece.

O Brasil ainda vai conviver com os estragos institucionais e morais causados pela gestão Lula por muito tempo. Mas tudo indica que o mito será destruído de vez. Os canalhas que ajudaram a criá-lo farão o que sabem fazer: dissimular e fingir que nunca tiveram nada com aquilo, que estão muito decepcionados. Alguns ainda insistem em inflar o mito, talvez calculando que o estrago não será fatal e que a lealdade, moeda importante na máfia, será muito bem compensada se o homem regressar com tudo ao poder. Quem viver, verá.

De minha parte, resta a consciência limpa de jamais ter acreditado, por um único segundo, nesse sujeito indecente, por ter combatido tudo o que ele representa desde o primeiro momento, por ter alertado em dezenas de artigos e vídeos para os riscos que ele representava. Lutei a boa luta dentro de minhas limitações, e isso me dá orgulho.

É hora de aproveitar o regozijo merecido e observar o crepúsculo do mito Lula, ainda que a Justiça, para ser efetivada, tivesse que condená-lo como “o chefe” do maior escândalo de corrupção da história de nosso país. Mas aí já seria sonhar alto demais. Sou mais realista, e me contento com menos. Basta vê-lo desmoralizado. E saber que, para alguém vaidoso como ele, deve ser desesperador imaginar que o futuro reserva palavras nada bonitas sobre sua história, apesar da máquina de mentira a seu dispor. Adeus, mito Lula. Já vai tarde!       

quarta-feira, setembro 26, 2012

O Sarney da economia


Rodrigo Constantino

O economista Antonio Delfim Netto escreveu um artigo realmente abjeto hoje na Folha, uma defesa patética ao ex-presidente Lula. Para o velho “czar” da economia brasileira, a “mídia” virou um partido político com poder abusivo, tudo isso porque expõe os fatos sobre o julgamento do mensalão que, ainda para Delfim, envolve o PSDB também, em processo da mesma natureza (o que é mentira).

Depois, Delfim cita um parágrafo da Constituição com o claro intuito de alerta quanto a uma ameaça velada à liberdade de imprensa, lembrando que o dispositivo previne que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.  

Refresca a memória desses que insistem em divulgar os dados sobre o julgamento, que o Congresso tem poder para instituir o Conselho de Comunicação Social, ou seja, censura velada. Para Delfim, esses dois dispositivos “suficientemente vagos” podem acabar criando “problemas muito delicados no futuro”. Eis a sutileza de um elefante em uma loja de porcelanas tentando fazer uma ameaça aos meios de comunicação.

Mas isso não é o pior! No final, Delfim acusa de maliciosa a tentativa da oposição de, no calor das eleições, tentar destruir, “com aleivosias genéricas, a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ignorando o grande avanço social e econômico por ele produzido com a inserção social, o fortalecimento das instituições, a redução das desigualdades e a superação dos constrangimentos externos que sempre prejudicaram o nosso desenvolvimento”.

Como é que é?! Em que mundo esse senhor vive? Teria Delfim ficado gagá de vez, ou recebeu algum tipo de incentivo forte o suficiente para reproduzir tanta falsidade? Em primeiro lugar, mesmo que o legado econômico-social fosse positivo, isso em hipótese alguma seria salvo-conduto para crimes e corrupção. Os fins não justificam os meios. Até hoje há quem defenda a mais longa e cruel ditadura do continente com base nesse argumento de “avanço social”, que nem verdade é.

Mas para piorar, o que Lula fez foi apenas surfar a onda chinesa com uma sorte ímpar. O vento positivo veio de fora! E somente um louco (ou um vendido) diria que Lula ajudou a fortalecer nossas instituições. Ele quase as destruiu por completo! O aparelhamento foi enorme, e Lula jamais soube diferenciar partido de governo e este de estado.

Parece que Delfim deixou passar o momento de sua aposentadoria mesmo. Não bastasse culpar o chuchu pela inflação e tantas baboseiras econômicas defendidas há décadas, o nosso Sarney da economia não se emenda: continua um eterno bajulador dos poderosos, tudo em nome do “puder”. Que lixo!

terça-feira, setembro 25, 2012

Adeus, Lula


Marco Antonio Villa, O Globo
A presença constante no noticiário de Luís Inácio Lula da Silva impõe a discussão sobre o papel que deveriam desempenhar os ex-presidentes. A democracia brasileira é muito jovem. Ainda não sabemos o que fazer institucionalmente com um ex-presidente.
Dos quatros que estão vivos, somente um não tem participação política mais ativa. O ideal seria que após o mandato cada um fosse cuidar do seu legado. Também poderia fazer parte do Conselho da República, que foi criado pela Constituição de 1988, mas que foi abandonado pelos governos — e, por estranho que pareça, sem que ninguém reclamasse.
Exercer tão alto cargo é o ápice da carreira de qualquer brasileiro. Continuar na arena política diminui a sua importância histórica — mesmo sabendo que alguns têm estatura bem diminuta, como José Ribamar da Costa, vulgo José Sarney, ou Fernando Collor.
No caso de Lula, o que chama a atenção é que ele não deseja simplesmente estar participando da política, o que já seria ruim. Não. Ele quer ser o dirigente máximo, uma espécie de guia genial dos povos do século XXI. É um misto de Moisés e Stalin, sem que tenhamos nenhum Mar Vermelho para atravessar e muito menos vivamos sob um regime totalitário.
As reuniões nestes quase dois anos com a presidente Dilma Rousseff são, no mínimo, constrangedoras. Lula fez questão de publicizar ao máximo todos os encontros. É um claro sinal de interferência.
E Dilma? Aceita passivamente o jugo do seu criador. Os últimos acontecimentos envolvendo as eleições municipais e o julgamento do mensalão reforçam a tese de que o PT criou a presidência dupla: um, fica no Palácio do Planalto para despachar o expediente e cuidar da máquina administrativa, funções que Dilma já desempenhava quando era responsável pela Casa Civil; outro, permanece em São Bernardo do Campo, onde passa os dias dedicado ao que gosta, às articulações políticas, e agindo como se ainda estivesse no pleno gozo do cargo de presidente da República.
Lula ainda não percebeu que a presença constante no cotidiano político está, rapidamente, desgastando o seu capital político. Até seus aliados já estão cansados. Deve ser duro ter de achar graça das mesmas metáforas, das piadas chulas, dos exemplos grotescos, da fala desconexa.
A cada dia o seu auditório é menor. Os comícios de São Paulo, Salvador, São Bernardo e Santo André, somados, não reuniram mais que 6 mil pessoas. Foram demonstrações inequívocas de que ele não mais arrebata multidões. E, em especial, o comício de Salvador é bem ilustrativo.
Foram arrebanhadas — como gado — algumas centenas de espectadores para demonstrar apoio. Ninguém estava interessado em ouvi-lo. A indiferença era evidente. Os “militantes” estavam com fome, queriam comer o lanche que ganharam e receber os 25 reais de remuneração para assistir o ato — uma espécie de bolsa-comício, mais uma criação do PT. Foi patético.
O ex-presidente deveria parar de usar a coação para impor a sua vontade. É feio. Não faça isso. Veja que não pegou bem coagir:
1. Cinco partidos para assinar uma nota defendendo-o das acusações de Marcos Valério; 
2. A presidente para que fizesse uma nota oficial somente para defendê-lo de um simples artigo de jornal; 
3. Ministros do STF antes do início do julgamento do mensalão. Só porque os nomeou? O senhor não sabe que quem os nomeou não foi o senhor, mas o presidente da República? O senhor já leu a Constituição?
O ex-presidente não quer admitir que seu tempo já passou. Não reconhece que, como tudo na vida, o encanto acabou. O cansaço é geral. O que ele fala, não mais se realiza. Perdeu os poderes que acreditava serem mágicos e não produto de uma sociedade despolitizada, invertebrada e de um fugaz crescimento econômico.
Claro que, para uma pessoa como Lula, com um ego inflado durante décadas por pretensos intelectuais, que o transformaram no primeiro em tudo (primeiro autêntico líder operário, líder do primeiro partido de trabalhadores etc, etc), não deve ser nada fácil cair na real. Mas, como diria um velho locutor esportivo, “não adianta chorar”. Agora suas palavras são recebidas com desdém e um sorriso irônico.
Lula foi, recentemente, chamado de deus pela então senadora Marta Suplicy. Nem na ditadura do Estado Novo alguém teve a ousadia de dizer que Getúlio Vargas era um deus. É desta forma que agem os aduladores do ex-presidente.
E ele deve adorar, não? Reforça o desprezo que sempre nutriu pela política. Pois, se é deus, para que fazer política? Neste caso, com o perdão da ousadia, se ele é deus não poderia saber das frequentes reuniões, no quarto andar do Palácio do Planalto, entre José Dirceu e Marcos Valério?
Mas, falando sério, o tempo urge, ex-presidente. Note: “ex-presidente”. Dê um tempo. Volte para São Bernardo e cumpra o que tinha prometido fazer e não fez.
Lembra? O senhor disse que não via a hora de voltar para casa, descansar e organizar no domingo um churrasco reunindo os amigos. Faça isso. Deixe de se meter em questões que não são afeitas a um ex-presidente. Dê um bom exemplo.
Pense em cuidar do seu legado, que, infelizmente para o senhor, deverá ficar maculado para sempre pelo mensalão. E lá, do alto do seu apartamento de cobertura, na Avenida Prestes Maia, poderá observar a sede do Sindicato dos Metalúrgicos, onde sua história teve início.
E, se o senhor me permitir um conselho, comece a fazer um balanço sincero da sua vida política. Esqueça os bajuladores. Coloque de lado a empáfia, a soberba. Pense em um encontro com a verdade. Fará bem ao senhor e ao Brasil.
Marco Antonio Villa é historiador e professor da Universidade de São Carlos, em São Paulo