quinta-feira, julho 25, 2013

A história de Verissimo

Fonte: Veja

Rodrigo Constantino

O cronista Luis Fernando Verissimo acredita no fatalismo da História, ou até pior, em uma teleologia da História. Esta, segundo o escritor, tem não só um curso já definido, como um propósito. 

É a velha visão hegeliana e marxista, tão cara aos socialistas que, a despeito de todos os fracassos desta utopia, insistem em crer que um dia ela irá vingar e instaurar o paraíso terrestre.

Em sua coluna do GLOBO de hoje, Verissimo diminui a atuação individual de pessoas como Nelson Mandela, Gandhi e Martin Luther King Jr. Diz o saxofonista gaúcho:

O poder da História de fazer acontecer o necessário, à revelia da iniciativa humana, soa como ortodoxia marxista, eu sei, mas consolemo-nos com a ideia de que a História pode nos ignorar, mas está do nosso lado.

Como assim do "nosso lado"? Lado de quem, cara-pálida? Dos socialistas? Daqueles que defendem a ideologia responsável por deixar um rastro de sangue na História? O regime que trouxe somente terror, escravidão e miséria ao mundo? 

Isso sem falar que não havia nada de inexorável nesse destino cruel que ceifou a vida de milhões de inocentes. Ele foi fruto das ações individuais de intelectuais e políticos que acreditaram nessa farsa, que embalaram com belos slogans a pura inveja mesquinha que é o socialismo. 

Não! A História não tem curso definido algum, tampouco dispensa a responsabilidade individual. São indivíduos, para o bem ou para o mal, que fazem toda a diferença. Posso entender um socialista desejar ignorar isso, e abraçar a tese hegeliana de determinismo histórico. Mas isso é pura balela, mentira, fuga para quem não quer encarar o fardo das decisões individuais que mudam a História.

Isaiah Berlin combateu esse determinismo. Sua tese era de que existem duas razões principais para se defender a doutrina do determinismo humano. A primeira seria uma extrapolação das ciências naturais descobertas pelos cientistas. Muitos philosophes do século 18 sustentavam isso. A questão não seria se os homens estão livres ou não de leis naturais, mas sim se sua liberdade se dissipa totalmente com elas. 

A segunda razão para crer no determinismo seria devolver a responsabilidade por muitas coisas que as pessoas fazem a causas impessoais. Assim, eximem-se de culpa. As pessoas não teriam como evitar seus erros. Isaiah cita como exemplo o marxismo, baseado num determinismo histórico, mostrando inclusive a contradição de se arriscar numa perigosa revolução quando o futuro já está determinado. Tanto risco assim apenas para tentar antecipar o que é certo faz sentido?

Para quem quiser se aprofundar um pouco mais no tema do determinismo histórico marxista, que Verissimo aprecia tanto, recomendo a leitura desse meu artigo, com base em Mises. Ficará claro que Verissimo tem culpa no cartório sim, ao defender por tanto tempo o nefasto modelo socialista.

O enigma Hollande

Rodrigo Constantino

O editorial do GLOBO de hoje mostra a perda de aprovação do presidente socialista da França. Hollande ainda não teria mostrado a que veio. Diz o jornal:

O socialista François Hollande foi eleito na França com a promessa de ser um presidente “normal”, em contraposição à agitação e à volatilidade do rival, Nicolas Sarkozy. O argumento foi bem-sucedido na eleição, mas se mostra insuficiente para governar. Pouco mais de um ano após assumir, só 26% dos franceses o aprovam, o mais baixo índice desde 1958. A persistência da estagnação econômica e do desemprego (11%) conspira contra um político cuja liderança não convence.

[...]

Hollande segue sem convencer que seu governo será capaz de recolocar o país nos trilhos. Até porque, segundo a maioria dos analistas, isso demandaria reformas para reduzir a burocracia, os gastos e o peso do Estado na economia, estimular o aumento da produtividade no setor estatal e no privado, flexibilizar leis trabalhistas e fazer reformas como a do modelo de previdência social, deficitário. Esta última vem desafiando os últimos líderes franceses, confrontados com o poder dos sindicatos, que podem parar o país ao menor sinal de perda de privilégios. Hollande quer iniciá-la em setembro.

Sua situação é difícil. A maioria socialista na Assembleia Nacional caiu para cinco cadeiras, após derrotas em eleições isoladas. Hollande depende mais do que nunca do apoio dos Verdes e de grupos de esquerda que são, no mínimo, céticos sobre a política econômica do chefe de Estado. Ele ainda tem tempo para mostrar a que veio. Não se sabe é se tem o que mostrar.

De fato, Hollande tem se mostrado um líder medíocre, na melhor das hipóteses. Mas isso não é surpresa, ou não deveria ser. Se esquerdistas como Verissimo ficaram empolgados com sua vitória, liberais como eu apontaram, logo na largada, que a França não tinha como decolar com ele. Hollande representa as idéias equivocadas e atrasadas da esquerda, que pensa ser possível produzir riqueza tirando dos ricos e dando aos pobres. Isso nunca funcionou na história, e nunca vai funcionar.

Apostar no fracasso de governos socialistas é algo tão certeiro quanto apostar nas fases da Lua. Por isso eu nem posso me gabar deste vídeo, gravado à época da vitória de Hollande. Já quanto aos esquerdistas como Verissimo, que celebraram sua vitória, terão de se fazer de desentendidos uma vez mais. É sempre assim. Não há enigma algum aqui. Socialismo não tem como funcionar, ponto.


PT e seus 40 ministros

Rodrigo Constantino

O ex-presidente Lula saiu em defesa dos quase 40 ministérios que o governo do PT possui, praticamente o dobro da quantidade existente na era FHC. Para Lula, reduzir os ministérios é coisa de "conservador" que não liga para as "minorias" e suas lutas sociais. Eis o que disse o ex-presidente:

Estou vendo um zum-zum-zum de que tem gente que vai pedir para a presidenta Dilma diminuir ministério. Olhem, fiquem espertos, porque ninguém vai querer acabar com o Ministério da Fazenda, com o Ministério da Defesa. Vão querer mexer com a Igualdade Racial, com os Direitos Humanos. Eu acho que a Dilma não vai mexer, eles vão falar que precisa fazer ajuste, precisa diminuir. Não tem que diminuir ou aumentar, tem que saber para que serve.

O autor da proposta de redução, o PMDB, não gostou nada da declaração, naturalmente. O deputado Danilo Fortes (PMDB-CE), relator da LDO de 2014, manifestando a insatisfação de parcela do partido, lembrou:

O Lula é suficientemente inteligente para entender que o governo e o PT nunca precisaram do PMDB como agora. Como ele precisou em 2005 para se reeleger. A governabilidade, neste momento, passa necessariamente pelo PMDB. Acho que ele fez isso (dizer que não precisa diminuir o número de ministérios) para sinalizar um discurso de esquerda e comprometimento com questões sociais.

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), disse respeitar a opinião de Lula, mas avisou que já tem as assinaturas necessárias para fazer tramitar proposta de emenda à Constituição (PEC) de sua autoria que reduz para 20 o número de ministérios. Cunha disse: "Não vou bater boca com Lula. Ele tem a opinião dele, e nós temos a nossa. É avalizado pelo país para dar a opinião dele. Paciência! Não é uma proposta minha, é do partido".


Como podemos ver, nessa questão, assim como em várias outras, o fisiológico PMDB está certo, e o PT consegue ser muito pior do que o próprio PMDB. Pode ser triste depender do PMDB para conter o ímpeto autoritário e perdulário do PT, mas às vezes é só o que nos resta. Se depender só do PT, teremos em breve uns 50 ministérios! 

O editorial do GLOBO foi no alvo:

O ex-presidente Lula critica com veemência a proposta de corte no excessivo número de ministérios. Não pode ter outra atitude, pois, ao decidir conquistar apoio no Congresso pela via do toma lá dá cá, do fisiologismo, teve que abrir o leque de cargos de primeiro escalão. Os 39 ministérios, muitos desnecessários, são uma das marcas do lulopetismo. Ele não pode ser contra. Já o preço, em forma de uma administração emperrada, dispendiosa e ineficiente, é pago pela sucessora Dilma Rousseff.

Eu só não isentaria, uma vez mais, a atual presidente dessa estratégia, como se fosse tudo culpa do ex-presidente Lula. Ambos agem assim. A presidente endossa essa tática absurda. E agora já sabemos: se você não aplaude 40 ministérios, você é um "conservador". Bem-vindo ao time!

quarta-feira, julho 24, 2013

Dilma quer açoitar Joaquim Barbosa?

Rodrigo Constantino

O Blog da Dilma postou um duro ataque ao presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa. Diz o texto:

A extrema grosseria e deselegância de Joaquim Barbosa ao não cumprimentar a Presidenta Dilma na frente do Papa e de todos foi um ataque ao povo brasileiro. Ataque gratuito àquela que o povoescolheu, foi eleita. Só comprova o que muitos pensam e dizem abertamente: não está à altura do cargo. Presidente da mais alta corte do país, bate em mulher, agride juízes e repórteres, dorme no trabalho, aceita mimos, "erra" em julgamento, frequenta os globais, compra apartamento em Miami em nome de empresa. Este é o que deveria dar exemplo: chafurda a Justiça no lixo. Assista a lama.

Mas o texto não é nada se comparado à foto que o ilustra. Nela, vemos um negro açoitando um escravo negro. Qual a mensagem? A turma da Dilma deseja açoitar Joaquim Barbosa? É isso mesmo, produção? Vejam a foto abaixo, pois nunca se sabe se vão mantê-la no site.


Reinaldo Azevedo no Clube Militar


Aeroporto privado é acerto de Dilma

Rodrigo Constantino

Deu no Valor: Sai o primeiro grande aeroporto privado para a aviação executiva

O primeiro grande aeroporto privado para a aviação executiva está prestes a, finalmente, sair do papel. O ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wellington Moreira Franco, assinará amanhã portaria que autoriza a construção de um projeto da Harpia Logística, controlada pelos empresários Fernando Botelho e André Skaf, no extremo sul de São Paulo. O investimento, no bairro de Parelheiros, chega a R$ 1 bilhão.

A pista do novo aeroporto terá 1.830 metros - extensão superior à do Santos Dumont e quase do tamanho da pista de Congonhas - e capacidade para até 240 mil pousos e decolagens por ano - são 657 movimentos por dia ou 27 por hora. O empreendimento, a ser construído em uma área total de 3,4 milhões de metros quadrados, terá ainda uma ligação viária com o trecho sul do Rodoanel bancada pela própria Harpia.

De acordo com o projeto enviado ao governo, serão criados 33 lotes destinados à implantação de hangares, com 491 mil metros quadrados de área. Haverá uma ampla infraestrutura no complexo: heliponto, torre de controle, terminal de passageiros, hotel e centro comercial.

A ideia é tornar-se um dos principais pontos da região metropolitana para a aviação geral, que inclui jatinhos, helicópteros e aeronaves menores. Os empresários também pretendem trabalhar com importação, exportação e armazenagem de peças de manutenção. Para isso, querem implantar áreas destinadas a órgãos públicos, como Receita Federal, Polícia Federal e Anvisa.

Em dezembro de 2012, um decreto da presidente Dilma Rousseff autorizou a exploração comercial de aeroportos privados voltados à aviação geral. Até então, nada impedia que eles fossem construídos, mas sem a cobrança de nenhum tipo de tarifa para os voos. Na prática, as operações ficavam limitadas a seus próprios donos. Só quem podia explorar comercialmente aeroportos para a aviação geral era a Infraero, com terminais como o Campo de Marte (São Paulo) e Jacarepaguá (Rio de Janeiro).


Como todos estão cansados de saber, eu sou um crítico severo do atual governo, e considero a gestão da presidente Dilma muito ruim, inclusive responsável pela crise econômica que está apenas começando. Dito isso, acho importante apontar para os (poucos) acertos também. São raros, mas não devem ser ignorados.

O governo levou tempo demais para reconhecer que não tinha condições de gerir com eficiência nossos aeroportos. Com Copa do Mundo e Olimpíadas se aproximando, a tensão aumentou. E a presidente Dilma tomou algumas medidas positivas nessa área. Uma delas foi esta, de permitir a construção de aeroportos privados para vôos executivos. No fundo, é espantoso que isso não fosse possível antes. Coisas do Brasil socialista...

Eis que agora teremos um aeroporto que nasce privado, voltado para o lucro. Veremos a diferença. Veremos que os empresários terão foco na eficiência, na qualidade dos serviços, pois disso dependem seus desejados lucros. Pecado algum. Ao contrário: o caminho necessário para o progresso. Privatize Já!

Marcha contra o manicômio tributário

Rodrigo Constantino

Paulo Rabello de Castro, um dos "herdeiros" intelectuais do saudoso Roberto Campos, tem lutado a boa luta, contra este "manicômio tributário" que é nosso país. Em artigo hoje no Estadão, o economista faz uma análise interessante das manifestações recentes que tomaram as ruas do Brasil. Ele diz:

Ao marchar contra as sedes e os palácios de governos, em Brasília e em várias capitais, até mesmo contra prefeituras, deixando intactas as sedes de empresas, fábricas e templos, fica muito claro que a raiva do povo está concentrada em algo contido no trajeto entre o que o cidadão paga pelo funcionamento do País e o que recebe de volta em serviços do Estado, diretos ou concedidos.

O País vive na ditadura econômica do Estado e seu braço operacional é o sistema tributário e fiscal. Por ser complexa e abusiva, a tributação e o desperdício a ela associado se tornaram sucedâneos do autoritarismo político, ainda que camuflado pela legalidade formal das medidas provisórias (MPs), de regulamentos e circulares.

[...]

As desonerações pontuais não estabelecem um novo pacto social. É preciso dar o passo decisivo, alterar a Constituição no seu capítulo tributário, simplificando radicalmente o manicômio tributário em que se converteu o sistema atual. A reforma "fatiada" dos impostos fracassou sem ter, de fato, ao menos começado. E, por óbvio, a gestão fiscal das despesas públicas é uma tragédia completa. Aí está o nó da questão social.

[...]

Meditemos. O caráter de exploração desmedida do poder público no manicômio tributário desdobra-se em cada movimento diário do cidadão, no transporte, na casa, no trabalho, na escola, no entretenimento, até quando ele dorme! E atinge o futuro das pessoas, pela extração forçada das poupanças populares sem o lastro adequado para sua reposição no futuro. A má gestão fiscal dos recursos tributários, quando estes se transformam em despesa pública, é diretamente questionada pelo clamor das ruas. O povo quer saber por que tantos bilhões vertidos para educação, saúde e transporte viram pó antes de chegarem ao suposto beneficiário do serviço. Onde foi parar tanto dinheiro? A gestão fiscal do Estado brasileiro não tem respondido a uma pergunta central: por que o Congresso Nacional tem elevado tão agressivamente os impostos extraídos da população desde o Plano Real, se os serviços públicos vêm recuando em quantidade e qualidade? Qual o benefício prático de pagarmos cada vez mais? E quem cobra eficiência na gestão do dinheiro arrecadado?

São perguntas mais que pertinentes; são fundamentais! E Paulo Rabello de Castro não se limita a apontar o que está errado; ele tem liderado um esforço enorme, com a ajuda de empresários do renome de Jorge Gerdau, para alterar esse "manicômio tributário" e trazer mais racionalidade ao nosso sistema arrecadatório. 

O projeto do Movimento Brasil Eficiente é viável politicamente, pois tenta distribuir as perdas provenientes da redução tributária proposta ao longo do tempo e entre as diferentes esferas públicas. Paulo conclui:

A presente ditadura tributária está sendo contestada pela população. Temos a obrigação moral de fazer o clamor das ruas avançar e virar um debate transformador. É estimulante constatar que o País não é desmiolado nem invertebrado. Se o governo não quiser naufragar, deveria tentar os avanços definitivos, não os remendos. 

Bolha nas artes?

Tela de Beatriz Milhazes vendida por US$ 2,1 milhões

Rodrigo Constantino

Uma reportagem da Folha mostra como teve crescimento rápido o mercado de artes no Brasil, e que ele pode ter chegado ao seu pico de euforia. Diz a matéria:

Novos números comprovam a sensação de euforia no mercado de arte brasileiro, que cresceu 22,5% em 2012, três vezes a média mundial, de 7%, segundo um último levantamento de dados. As galerias de arte contemporânea chegaram à arrecadação de R$ 250 milhões ao ano, enquanto preços de obras subiram em média 15%, bem acima da inflação do período.

Outro dado também surpreende. Segundo um relatório da secretaria paulista da Fazenda obtido pela Folha, a última edição da feira SP-Arte, em abril, declarou R$ 99 milhões em vendas, mais do que o dobro de 2012, quando registrou R$ 49 milhões.


Essa é apenas uma fração do total dos negócios da feira, já que só as comercializações com isenção de impostos estaduais --no caso, as vendas de algumas obras importadas-- precisam ser declaradas dessa forma. O faturamento total pode ter superado R$ 300 milhões porque essas transações respondem por pouco menos de um terço do total das galerias.

[...]

"As vendas têm sido bem firmes, mas é fato que o gelo da festa acabou", diz Marcia Fortes, sócia da galeria Fortes Vilaça. "Artistas jovens no Brasil custam muito caro, então a tendência é estabilizar."

Ou seja, após atingir um pico, o mercado está mais maduro, com crescimento "consistente e linear", segundo Ana Letícia Fialho, do projeto Latitude. Mas galeristas preveem uma desaceleração.


O preço de uma obra de arte costuma ser um bom sinal para bolhas especulativas, pois se trata de um ativo difícil de mensurar o valor, uma vez que ele não tem yield, fluxo de caixa. Além disso, esse é um mercado visto por muitos como "reserva de valor", especialmente quando se trata de artista renomado. Há, ainda, facilidade em lavagem de dinheiro por meio desse mercado, justamente porque ninguém sabe ao certo qual seria o valor justo de uma obra de arte.

Enfim, a valorização excessiva e rápida demais de obras de arte costuma estar atrelada ao ciclo de bolhas especulativas, quando há fartura de crédito e abundância de recursos em busca de retorno extra. É cedo dizer se foi isso que ocorreu no Brasil. Mas há sinais preocupantes, como este, retratado em outra matéria do jornal:

Na última edição da feira SP-Arte, um galerista queria mostrar poder e pediu a um amigo colecionador que cedesse uma pintura de Alfredo Volpi ao seu estande.

O objetivo não era vender, apenas impressionar. Para convencer o colecionador, o galerista pediu que ele estipulasse um preço impraticável para a obra. Colocada à venda por US$ 1 milhão (R$ 2,2 milhões), a obra acabou saindo logo no primeiro dia do evento.


É uma montanha de dinheiro por aquelas bandeirinhas coloridas! Todo alerta é pouco. Estamos diante de mais um indício de que o país viveu uma fase de excessos insustentáveis, e que a fatura está chegando. Vai machucar todo mundo. Mesmo os artistas descolados, normalmente de esquerda, que "abominam" o capitalismo e o lucro - dos outros.

PS: Com as obras de arte se valorizando, o olho gordo aumenta. Segundo a Folha, os advogados querem criar o "Ecad" das artes visuais: "Num cenário de hipervalorização das obras de arte, advogados querem tentar fazer valer o direito de sequência, ou seja, o repasse de 5% do lucro sobre a peça para o artista ou seus herdeiros a cada vez que ela trocar de mãos". Mais estatização, mais governo, mais impostos ou taxas. 

No mais, escapa-me a compreensão de porque o artista ou seus herdeiros teriam algum tipo de direito sobre a valorização de suas obras no mercado. Quando eles aceitaram vendê-la na primeira vez, isso já foi uma troca voluntária, onde eles julgaram receber um valor suficiente pelo que deram em troca, caso contrário a transação não ocorreria. O ganho posterior é de quem apostou na obra, correu riscos, especulou. O artista, a meu ver, não teria mais direito financeiro algum sobre isso.

Nossos problemas mal começaram...

Rodrigo Constantino

O ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, tem sido um dos maiores críticos do modelo econômico do governo Dilma. Alguns chegaram a atribuir suas duras críticas à demissão do Banco Santander. Ela ocorreu após episódio em que o então presidente da Petrobras ficou constrangido diante das perguntas feitas pelo economista em um evento, expondo os malabarismos contábeis do governo. Tudo seria, então, fruto do "ressentimento".

Como fica claro, não era nada disso. Era uma análise acurada que o economista fazia do quadro econômico. Tenho orgulho de dizer que estive do seu lado esse tempo todo, quando éramos minoria e muitos ainda celebravam as "maravilhas" do "novo" modelo desenvolvimentista. Enquanto a turma soltava fogos de artifícios, nós e mais alguns outros apontávamos para o crescente e visível risco de inflação à frente. 

Agora que os alertas se concretizaram, o governo e os desenvolvimentistas não jogaram a toalha, não admitiram seus equívocos, não fizeram uma mea culpa, nada disso. Eles optaram pela negação da realidade, e insistem no erro. Essa é uma atitude acovardada e perigosa. Por isso é tão importante, do nosso lado, insistir nos alertas. Até a ficha cair de verdade do lado de lá.

Em sua coluna na Folha hoje, Schwartsman vai na mesma linha do meu artigo no GLOBO de ontem, ao mostrar como o governo sofre do que chamei de "fatofobia". Diz o economista:

Desde 2010, a inflação é (bastante) superior à meta (o desvio médio por ano foi de 1,6%), e, pior, espera-se que continue acima dela nos próximos anos: a inflação esperada entre 2014 e 2017 é, em média, 5,5% ao ano.

À luz desses desenvolvimentos, o que se espera da responsável pela política econômica não é a reafirmação do que já sabemos, mas, sim, o que será feito para trazer a inflação para o valor prometido à nação pelo próprio governo.

Nesse aspecto, a fala se encaixou bem no perfil do "Conselhão": entre generalidades e a negação da realidade (o gasto federal, supostamente controlado, está no nível mais alto da história), nada foi dito que sinalizasse uma estratégia consistente para lidar com a inflação alta e o crescimento baixo.

Pelo contrário, incapaz de escapar das armadilhas ideológicas em que se meteu e pressionado pela queda de popularidade, a tendência é de isolamento crescente, uma espécie de "autismo econômico" em que a realidade tem que ser ignorada a todo custo.

Serve para produzir discursos para o "Conselhão"; jamais para resolver um problema de verdade.

Concordo, claro. E por isso repito: nossos problemas não foram resolvidos. Na verdade, posso dizer que eles mal começaram... 

Comunista gosta é de luxo

Rodrigo Constantino

Deu na FolhaMinistro levou família a Cuba em jato oficial

O ministro Aldo Rebelo (Esporte) usou um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para ir a Cuba no Carnaval com a mulher, o filho e assessores.

Ele esteve em Havana em missão oficial e justificou a carona à mulher e ao filho dizendo que ambos também foram convidados pelo governo cubano.

Nenhum dos dois representou o governo brasileiro na missão. Quando o ministério publicou nota sobre a viagem de Aldo, em fevereiro, o nome deles não constava na lista oficial da comitiva.

A mulher do ministro, Rita, é coordenadora na Secretaria da Mulher do governo do Distrito Federal, controlada pelo PC do B, mesmo partido de Aldo. Já o filho, de 21 anos, é estudante universitário e estagiário.

Só o fato de o Brasil ainda ter um partido oficial que leva comunismo no nome é algo assustador. Some-se a isso o fato de tal partido fazer parte do governo, com ministros e tudo, temos um quadro bizarro. É como ter um partido nazista em pleno século 21, fazendo parte da aliança no poder. Coisas de país tupiniquim.

Não bastasse tudo isso, ainda temos que aturar esse ministro desse partido comunista usar o nosso dinheiro para ir visitar Cuba, a ilha-presídio caribenha, a mais longa e cruel ditadura do continente. Isso já é uma afronta, um desrespeito a todos os pagadores de impostos. 

Esses comunistas adoram luxo, e vão passear em Cuba, sob o pretexto de trabalhar parcerias (levando filho e esposa?), com jatinho "particular" e tudo mais que o nosso dinheiro pode pagar.

Eu até aceito o governo bancar a viagem em jato da FAB para o comunista visitar Cuba; desde que seja passagem só de ida!