quinta-feira, julho 25, 2013

A história de Verissimo

Fonte: Veja

Rodrigo Constantino

O cronista Luis Fernando Verissimo acredita no fatalismo da História, ou até pior, em uma teleologia da História. Esta, segundo o escritor, tem não só um curso já definido, como um propósito. 

É a velha visão hegeliana e marxista, tão cara aos socialistas que, a despeito de todos os fracassos desta utopia, insistem em crer que um dia ela irá vingar e instaurar o paraíso terrestre.

Em sua coluna do GLOBO de hoje, Verissimo diminui a atuação individual de pessoas como Nelson Mandela, Gandhi e Martin Luther King Jr. Diz o saxofonista gaúcho:

O poder da História de fazer acontecer o necessário, à revelia da iniciativa humana, soa como ortodoxia marxista, eu sei, mas consolemo-nos com a ideia de que a História pode nos ignorar, mas está do nosso lado.

Como assim do "nosso lado"? Lado de quem, cara-pálida? Dos socialistas? Daqueles que defendem a ideologia responsável por deixar um rastro de sangue na História? O regime que trouxe somente terror, escravidão e miséria ao mundo? 

Isso sem falar que não havia nada de inexorável nesse destino cruel que ceifou a vida de milhões de inocentes. Ele foi fruto das ações individuais de intelectuais e políticos que acreditaram nessa farsa, que embalaram com belos slogans a pura inveja mesquinha que é o socialismo. 

Não! A História não tem curso definido algum, tampouco dispensa a responsabilidade individual. São indivíduos, para o bem ou para o mal, que fazem toda a diferença. Posso entender um socialista desejar ignorar isso, e abraçar a tese hegeliana de determinismo histórico. Mas isso é pura balela, mentira, fuga para quem não quer encarar o fardo das decisões individuais que mudam a História.

Isaiah Berlin combateu esse determinismo. Sua tese era de que existem duas razões principais para se defender a doutrina do determinismo humano. A primeira seria uma extrapolação das ciências naturais descobertas pelos cientistas. Muitos philosophes do século 18 sustentavam isso. A questão não seria se os homens estão livres ou não de leis naturais, mas sim se sua liberdade se dissipa totalmente com elas. 

A segunda razão para crer no determinismo seria devolver a responsabilidade por muitas coisas que as pessoas fazem a causas impessoais. Assim, eximem-se de culpa. As pessoas não teriam como evitar seus erros. Isaiah cita como exemplo o marxismo, baseado num determinismo histórico, mostrando inclusive a contradição de se arriscar numa perigosa revolução quando o futuro já está determinado. Tanto risco assim apenas para tentar antecipar o que é certo faz sentido?

Para quem quiser se aprofundar um pouco mais no tema do determinismo histórico marxista, que Verissimo aprecia tanto, recomendo a leitura desse meu artigo, com base em Mises. Ficará claro que Verissimo tem culpa no cartório sim, ao defender por tanto tempo o nefasto modelo socialista.

O enigma Hollande

Rodrigo Constantino

O editorial do GLOBO de hoje mostra a perda de aprovação do presidente socialista da França. Hollande ainda não teria mostrado a que veio. Diz o jornal:

O socialista François Hollande foi eleito na França com a promessa de ser um presidente “normal”, em contraposição à agitação e à volatilidade do rival, Nicolas Sarkozy. O argumento foi bem-sucedido na eleição, mas se mostra insuficiente para governar. Pouco mais de um ano após assumir, só 26% dos franceses o aprovam, o mais baixo índice desde 1958. A persistência da estagnação econômica e do desemprego (11%) conspira contra um político cuja liderança não convence.

[...]

Hollande segue sem convencer que seu governo será capaz de recolocar o país nos trilhos. Até porque, segundo a maioria dos analistas, isso demandaria reformas para reduzir a burocracia, os gastos e o peso do Estado na economia, estimular o aumento da produtividade no setor estatal e no privado, flexibilizar leis trabalhistas e fazer reformas como a do modelo de previdência social, deficitário. Esta última vem desafiando os últimos líderes franceses, confrontados com o poder dos sindicatos, que podem parar o país ao menor sinal de perda de privilégios. Hollande quer iniciá-la em setembro.

Sua situação é difícil. A maioria socialista na Assembleia Nacional caiu para cinco cadeiras, após derrotas em eleições isoladas. Hollande depende mais do que nunca do apoio dos Verdes e de grupos de esquerda que são, no mínimo, céticos sobre a política econômica do chefe de Estado. Ele ainda tem tempo para mostrar a que veio. Não se sabe é se tem o que mostrar.

De fato, Hollande tem se mostrado um líder medíocre, na melhor das hipóteses. Mas isso não é surpresa, ou não deveria ser. Se esquerdistas como Verissimo ficaram empolgados com sua vitória, liberais como eu apontaram, logo na largada, que a França não tinha como decolar com ele. Hollande representa as idéias equivocadas e atrasadas da esquerda, que pensa ser possível produzir riqueza tirando dos ricos e dando aos pobres. Isso nunca funcionou na história, e nunca vai funcionar.

Apostar no fracasso de governos socialistas é algo tão certeiro quanto apostar nas fases da Lua. Por isso eu nem posso me gabar deste vídeo, gravado à época da vitória de Hollande. Já quanto aos esquerdistas como Verissimo, que celebraram sua vitória, terão de se fazer de desentendidos uma vez mais. É sempre assim. Não há enigma algum aqui. Socialismo não tem como funcionar, ponto.


PT e seus 40 ministros

Rodrigo Constantino

O ex-presidente Lula saiu em defesa dos quase 40 ministérios que o governo do PT possui, praticamente o dobro da quantidade existente na era FHC. Para Lula, reduzir os ministérios é coisa de "conservador" que não liga para as "minorias" e suas lutas sociais. Eis o que disse o ex-presidente:

Estou vendo um zum-zum-zum de que tem gente que vai pedir para a presidenta Dilma diminuir ministério. Olhem, fiquem espertos, porque ninguém vai querer acabar com o Ministério da Fazenda, com o Ministério da Defesa. Vão querer mexer com a Igualdade Racial, com os Direitos Humanos. Eu acho que a Dilma não vai mexer, eles vão falar que precisa fazer ajuste, precisa diminuir. Não tem que diminuir ou aumentar, tem que saber para que serve.

O autor da proposta de redução, o PMDB, não gostou nada da declaração, naturalmente. O deputado Danilo Fortes (PMDB-CE), relator da LDO de 2014, manifestando a insatisfação de parcela do partido, lembrou:

O Lula é suficientemente inteligente para entender que o governo e o PT nunca precisaram do PMDB como agora. Como ele precisou em 2005 para se reeleger. A governabilidade, neste momento, passa necessariamente pelo PMDB. Acho que ele fez isso (dizer que não precisa diminuir o número de ministérios) para sinalizar um discurso de esquerda e comprometimento com questões sociais.

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), disse respeitar a opinião de Lula, mas avisou que já tem as assinaturas necessárias para fazer tramitar proposta de emenda à Constituição (PEC) de sua autoria que reduz para 20 o número de ministérios. Cunha disse: "Não vou bater boca com Lula. Ele tem a opinião dele, e nós temos a nossa. É avalizado pelo país para dar a opinião dele. Paciência! Não é uma proposta minha, é do partido".


Como podemos ver, nessa questão, assim como em várias outras, o fisiológico PMDB está certo, e o PT consegue ser muito pior do que o próprio PMDB. Pode ser triste depender do PMDB para conter o ímpeto autoritário e perdulário do PT, mas às vezes é só o que nos resta. Se depender só do PT, teremos em breve uns 50 ministérios! 

O editorial do GLOBO foi no alvo:

O ex-presidente Lula critica com veemência a proposta de corte no excessivo número de ministérios. Não pode ter outra atitude, pois, ao decidir conquistar apoio no Congresso pela via do toma lá dá cá, do fisiologismo, teve que abrir o leque de cargos de primeiro escalão. Os 39 ministérios, muitos desnecessários, são uma das marcas do lulopetismo. Ele não pode ser contra. Já o preço, em forma de uma administração emperrada, dispendiosa e ineficiente, é pago pela sucessora Dilma Rousseff.

Eu só não isentaria, uma vez mais, a atual presidente dessa estratégia, como se fosse tudo culpa do ex-presidente Lula. Ambos agem assim. A presidente endossa essa tática absurda. E agora já sabemos: se você não aplaude 40 ministérios, você é um "conservador". Bem-vindo ao time!

quarta-feira, julho 24, 2013

Dilma quer açoitar Joaquim Barbosa?

Rodrigo Constantino

O Blog da Dilma postou um duro ataque ao presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa. Diz o texto:

A extrema grosseria e deselegância de Joaquim Barbosa ao não cumprimentar a Presidenta Dilma na frente do Papa e de todos foi um ataque ao povo brasileiro. Ataque gratuito àquela que o povoescolheu, foi eleita. Só comprova o que muitos pensam e dizem abertamente: não está à altura do cargo. Presidente da mais alta corte do país, bate em mulher, agride juízes e repórteres, dorme no trabalho, aceita mimos, "erra" em julgamento, frequenta os globais, compra apartamento em Miami em nome de empresa. Este é o que deveria dar exemplo: chafurda a Justiça no lixo. Assista a lama.

Mas o texto não é nada se comparado à foto que o ilustra. Nela, vemos um negro açoitando um escravo negro. Qual a mensagem? A turma da Dilma deseja açoitar Joaquim Barbosa? É isso mesmo, produção? Vejam a foto abaixo, pois nunca se sabe se vão mantê-la no site.


Reinaldo Azevedo no Clube Militar


Aeroporto privado é acerto de Dilma

Rodrigo Constantino

Deu no Valor: Sai o primeiro grande aeroporto privado para a aviação executiva

O primeiro grande aeroporto privado para a aviação executiva está prestes a, finalmente, sair do papel. O ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wellington Moreira Franco, assinará amanhã portaria que autoriza a construção de um projeto da Harpia Logística, controlada pelos empresários Fernando Botelho e André Skaf, no extremo sul de São Paulo. O investimento, no bairro de Parelheiros, chega a R$ 1 bilhão.

A pista do novo aeroporto terá 1.830 metros - extensão superior à do Santos Dumont e quase do tamanho da pista de Congonhas - e capacidade para até 240 mil pousos e decolagens por ano - são 657 movimentos por dia ou 27 por hora. O empreendimento, a ser construído em uma área total de 3,4 milhões de metros quadrados, terá ainda uma ligação viária com o trecho sul do Rodoanel bancada pela própria Harpia.

De acordo com o projeto enviado ao governo, serão criados 33 lotes destinados à implantação de hangares, com 491 mil metros quadrados de área. Haverá uma ampla infraestrutura no complexo: heliponto, torre de controle, terminal de passageiros, hotel e centro comercial.

A ideia é tornar-se um dos principais pontos da região metropolitana para a aviação geral, que inclui jatinhos, helicópteros e aeronaves menores. Os empresários também pretendem trabalhar com importação, exportação e armazenagem de peças de manutenção. Para isso, querem implantar áreas destinadas a órgãos públicos, como Receita Federal, Polícia Federal e Anvisa.

Em dezembro de 2012, um decreto da presidente Dilma Rousseff autorizou a exploração comercial de aeroportos privados voltados à aviação geral. Até então, nada impedia que eles fossem construídos, mas sem a cobrança de nenhum tipo de tarifa para os voos. Na prática, as operações ficavam limitadas a seus próprios donos. Só quem podia explorar comercialmente aeroportos para a aviação geral era a Infraero, com terminais como o Campo de Marte (São Paulo) e Jacarepaguá (Rio de Janeiro).


Como todos estão cansados de saber, eu sou um crítico severo do atual governo, e considero a gestão da presidente Dilma muito ruim, inclusive responsável pela crise econômica que está apenas começando. Dito isso, acho importante apontar para os (poucos) acertos também. São raros, mas não devem ser ignorados.

O governo levou tempo demais para reconhecer que não tinha condições de gerir com eficiência nossos aeroportos. Com Copa do Mundo e Olimpíadas se aproximando, a tensão aumentou. E a presidente Dilma tomou algumas medidas positivas nessa área. Uma delas foi esta, de permitir a construção de aeroportos privados para vôos executivos. No fundo, é espantoso que isso não fosse possível antes. Coisas do Brasil socialista...

Eis que agora teremos um aeroporto que nasce privado, voltado para o lucro. Veremos a diferença. Veremos que os empresários terão foco na eficiência, na qualidade dos serviços, pois disso dependem seus desejados lucros. Pecado algum. Ao contrário: o caminho necessário para o progresso. Privatize Já!

Marcha contra o manicômio tributário

Rodrigo Constantino

Paulo Rabello de Castro, um dos "herdeiros" intelectuais do saudoso Roberto Campos, tem lutado a boa luta, contra este "manicômio tributário" que é nosso país. Em artigo hoje no Estadão, o economista faz uma análise interessante das manifestações recentes que tomaram as ruas do Brasil. Ele diz:

Ao marchar contra as sedes e os palácios de governos, em Brasília e em várias capitais, até mesmo contra prefeituras, deixando intactas as sedes de empresas, fábricas e templos, fica muito claro que a raiva do povo está concentrada em algo contido no trajeto entre o que o cidadão paga pelo funcionamento do País e o que recebe de volta em serviços do Estado, diretos ou concedidos.

O País vive na ditadura econômica do Estado e seu braço operacional é o sistema tributário e fiscal. Por ser complexa e abusiva, a tributação e o desperdício a ela associado se tornaram sucedâneos do autoritarismo político, ainda que camuflado pela legalidade formal das medidas provisórias (MPs), de regulamentos e circulares.

[...]

As desonerações pontuais não estabelecem um novo pacto social. É preciso dar o passo decisivo, alterar a Constituição no seu capítulo tributário, simplificando radicalmente o manicômio tributário em que se converteu o sistema atual. A reforma "fatiada" dos impostos fracassou sem ter, de fato, ao menos começado. E, por óbvio, a gestão fiscal das despesas públicas é uma tragédia completa. Aí está o nó da questão social.

[...]

Meditemos. O caráter de exploração desmedida do poder público no manicômio tributário desdobra-se em cada movimento diário do cidadão, no transporte, na casa, no trabalho, na escola, no entretenimento, até quando ele dorme! E atinge o futuro das pessoas, pela extração forçada das poupanças populares sem o lastro adequado para sua reposição no futuro. A má gestão fiscal dos recursos tributários, quando estes se transformam em despesa pública, é diretamente questionada pelo clamor das ruas. O povo quer saber por que tantos bilhões vertidos para educação, saúde e transporte viram pó antes de chegarem ao suposto beneficiário do serviço. Onde foi parar tanto dinheiro? A gestão fiscal do Estado brasileiro não tem respondido a uma pergunta central: por que o Congresso Nacional tem elevado tão agressivamente os impostos extraídos da população desde o Plano Real, se os serviços públicos vêm recuando em quantidade e qualidade? Qual o benefício prático de pagarmos cada vez mais? E quem cobra eficiência na gestão do dinheiro arrecadado?

São perguntas mais que pertinentes; são fundamentais! E Paulo Rabello de Castro não se limita a apontar o que está errado; ele tem liderado um esforço enorme, com a ajuda de empresários do renome de Jorge Gerdau, para alterar esse "manicômio tributário" e trazer mais racionalidade ao nosso sistema arrecadatório. 

O projeto do Movimento Brasil Eficiente é viável politicamente, pois tenta distribuir as perdas provenientes da redução tributária proposta ao longo do tempo e entre as diferentes esferas públicas. Paulo conclui:

A presente ditadura tributária está sendo contestada pela população. Temos a obrigação moral de fazer o clamor das ruas avançar e virar um debate transformador. É estimulante constatar que o País não é desmiolado nem invertebrado. Se o governo não quiser naufragar, deveria tentar os avanços definitivos, não os remendos. 

Bolha nas artes?

Tela de Beatriz Milhazes vendida por US$ 2,1 milhões

Rodrigo Constantino

Uma reportagem da Folha mostra como teve crescimento rápido o mercado de artes no Brasil, e que ele pode ter chegado ao seu pico de euforia. Diz a matéria:

Novos números comprovam a sensação de euforia no mercado de arte brasileiro, que cresceu 22,5% em 2012, três vezes a média mundial, de 7%, segundo um último levantamento de dados. As galerias de arte contemporânea chegaram à arrecadação de R$ 250 milhões ao ano, enquanto preços de obras subiram em média 15%, bem acima da inflação do período.

Outro dado também surpreende. Segundo um relatório da secretaria paulista da Fazenda obtido pela Folha, a última edição da feira SP-Arte, em abril, declarou R$ 99 milhões em vendas, mais do que o dobro de 2012, quando registrou R$ 49 milhões.


Essa é apenas uma fração do total dos negócios da feira, já que só as comercializações com isenção de impostos estaduais --no caso, as vendas de algumas obras importadas-- precisam ser declaradas dessa forma. O faturamento total pode ter superado R$ 300 milhões porque essas transações respondem por pouco menos de um terço do total das galerias.

[...]

"As vendas têm sido bem firmes, mas é fato que o gelo da festa acabou", diz Marcia Fortes, sócia da galeria Fortes Vilaça. "Artistas jovens no Brasil custam muito caro, então a tendência é estabilizar."

Ou seja, após atingir um pico, o mercado está mais maduro, com crescimento "consistente e linear", segundo Ana Letícia Fialho, do projeto Latitude. Mas galeristas preveem uma desaceleração.


O preço de uma obra de arte costuma ser um bom sinal para bolhas especulativas, pois se trata de um ativo difícil de mensurar o valor, uma vez que ele não tem yield, fluxo de caixa. Além disso, esse é um mercado visto por muitos como "reserva de valor", especialmente quando se trata de artista renomado. Há, ainda, facilidade em lavagem de dinheiro por meio desse mercado, justamente porque ninguém sabe ao certo qual seria o valor justo de uma obra de arte.

Enfim, a valorização excessiva e rápida demais de obras de arte costuma estar atrelada ao ciclo de bolhas especulativas, quando há fartura de crédito e abundância de recursos em busca de retorno extra. É cedo dizer se foi isso que ocorreu no Brasil. Mas há sinais preocupantes, como este, retratado em outra matéria do jornal:

Na última edição da feira SP-Arte, um galerista queria mostrar poder e pediu a um amigo colecionador que cedesse uma pintura de Alfredo Volpi ao seu estande.

O objetivo não era vender, apenas impressionar. Para convencer o colecionador, o galerista pediu que ele estipulasse um preço impraticável para a obra. Colocada à venda por US$ 1 milhão (R$ 2,2 milhões), a obra acabou saindo logo no primeiro dia do evento.


É uma montanha de dinheiro por aquelas bandeirinhas coloridas! Todo alerta é pouco. Estamos diante de mais um indício de que o país viveu uma fase de excessos insustentáveis, e que a fatura está chegando. Vai machucar todo mundo. Mesmo os artistas descolados, normalmente de esquerda, que "abominam" o capitalismo e o lucro - dos outros.

PS: Com as obras de arte se valorizando, o olho gordo aumenta. Segundo a Folha, os advogados querem criar o "Ecad" das artes visuais: "Num cenário de hipervalorização das obras de arte, advogados querem tentar fazer valer o direito de sequência, ou seja, o repasse de 5% do lucro sobre a peça para o artista ou seus herdeiros a cada vez que ela trocar de mãos". Mais estatização, mais governo, mais impostos ou taxas. 

No mais, escapa-me a compreensão de porque o artista ou seus herdeiros teriam algum tipo de direito sobre a valorização de suas obras no mercado. Quando eles aceitaram vendê-la na primeira vez, isso já foi uma troca voluntária, onde eles julgaram receber um valor suficiente pelo que deram em troca, caso contrário a transação não ocorreria. O ganho posterior é de quem apostou na obra, correu riscos, especulou. O artista, a meu ver, não teria mais direito financeiro algum sobre isso.

Nossos problemas mal começaram...

Rodrigo Constantino

O ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, tem sido um dos maiores críticos do modelo econômico do governo Dilma. Alguns chegaram a atribuir suas duras críticas à demissão do Banco Santander. Ela ocorreu após episódio em que o então presidente da Petrobras ficou constrangido diante das perguntas feitas pelo economista em um evento, expondo os malabarismos contábeis do governo. Tudo seria, então, fruto do "ressentimento".

Como fica claro, não era nada disso. Era uma análise acurada que o economista fazia do quadro econômico. Tenho orgulho de dizer que estive do seu lado esse tempo todo, quando éramos minoria e muitos ainda celebravam as "maravilhas" do "novo" modelo desenvolvimentista. Enquanto a turma soltava fogos de artifícios, nós e mais alguns outros apontávamos para o crescente e visível risco de inflação à frente. 

Agora que os alertas se concretizaram, o governo e os desenvolvimentistas não jogaram a toalha, não admitiram seus equívocos, não fizeram uma mea culpa, nada disso. Eles optaram pela negação da realidade, e insistem no erro. Essa é uma atitude acovardada e perigosa. Por isso é tão importante, do nosso lado, insistir nos alertas. Até a ficha cair de verdade do lado de lá.

Em sua coluna na Folha hoje, Schwartsman vai na mesma linha do meu artigo no GLOBO de ontem, ao mostrar como o governo sofre do que chamei de "fatofobia". Diz o economista:

Desde 2010, a inflação é (bastante) superior à meta (o desvio médio por ano foi de 1,6%), e, pior, espera-se que continue acima dela nos próximos anos: a inflação esperada entre 2014 e 2017 é, em média, 5,5% ao ano.

À luz desses desenvolvimentos, o que se espera da responsável pela política econômica não é a reafirmação do que já sabemos, mas, sim, o que será feito para trazer a inflação para o valor prometido à nação pelo próprio governo.

Nesse aspecto, a fala se encaixou bem no perfil do "Conselhão": entre generalidades e a negação da realidade (o gasto federal, supostamente controlado, está no nível mais alto da história), nada foi dito que sinalizasse uma estratégia consistente para lidar com a inflação alta e o crescimento baixo.

Pelo contrário, incapaz de escapar das armadilhas ideológicas em que se meteu e pressionado pela queda de popularidade, a tendência é de isolamento crescente, uma espécie de "autismo econômico" em que a realidade tem que ser ignorada a todo custo.

Serve para produzir discursos para o "Conselhão"; jamais para resolver um problema de verdade.

Concordo, claro. E por isso repito: nossos problemas não foram resolvidos. Na verdade, posso dizer que eles mal começaram... 

Comunista gosta é de luxo

Rodrigo Constantino

Deu na FolhaMinistro levou família a Cuba em jato oficial

O ministro Aldo Rebelo (Esporte) usou um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para ir a Cuba no Carnaval com a mulher, o filho e assessores.

Ele esteve em Havana em missão oficial e justificou a carona à mulher e ao filho dizendo que ambos também foram convidados pelo governo cubano.

Nenhum dos dois representou o governo brasileiro na missão. Quando o ministério publicou nota sobre a viagem de Aldo, em fevereiro, o nome deles não constava na lista oficial da comitiva.

A mulher do ministro, Rita, é coordenadora na Secretaria da Mulher do governo do Distrito Federal, controlada pelo PC do B, mesmo partido de Aldo. Já o filho, de 21 anos, é estudante universitário e estagiário.

Só o fato de o Brasil ainda ter um partido oficial que leva comunismo no nome é algo assustador. Some-se a isso o fato de tal partido fazer parte do governo, com ministros e tudo, temos um quadro bizarro. É como ter um partido nazista em pleno século 21, fazendo parte da aliança no poder. Coisas de país tupiniquim.

Não bastasse tudo isso, ainda temos que aturar esse ministro desse partido comunista usar o nosso dinheiro para ir visitar Cuba, a ilha-presídio caribenha, a mais longa e cruel ditadura do continente. Isso já é uma afronta, um desrespeito a todos os pagadores de impostos. 

Esses comunistas adoram luxo, e vão passear em Cuba, sob o pretexto de trabalhar parcerias (levando filho e esposa?), com jatinho "particular" e tudo mais que o nosso dinheiro pode pagar.

Eu até aceito o governo bancar a viagem em jato da FAB para o comunista visitar Cuba; desde que seja passagem só de ida!

Guerra entre gerações

Rodrigo Constantino

O Papa Francisco está no Brasil para falar da juventude. Esse foi o tema da coluna de Miriam Leitão hoje no GLOBO. Os jovens sofrem com a falta de um futuro promissor como nunca antes visto. Há o problema cultural, de degradação de valores, e há os riscos de violência. Sem falar da questão gravíssima do desemprego. Esse foi, aliás, o foco do artigo da colunista. Curiosamente, ela não cita o welfare state uma única vez. Vamos aos fatos:

O desemprego de jovens chega ao ponto calamitoso de 54% na Espanha. Na Grécia, quase 60%, em Portugal, 42%. A média da Europa supera 20%. Fora dessa devastação, só a Alemanha, com 7%, um número melhor do que o do Brasil, que, em maio, registrou 13,6% de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos. A taxa geral do país foi 5,8%.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou um estudo recente mostrando que a taxa mundial de desemprego entre quem tem 15 e 24 anos está em 12,6%. Ao todo, são 73,4 milhões de jovens sem emprego. Como as estatísticas só registram os que procuram trabalho, o número é pior porque muitos jovens nem procuraram. O desalento, a gravidez precoce, as drogas são algumas das causas. Um estudo do Ipea registra que em 2010 havia oito milhões e oitocentos mil jovens brasileiros, de 15 a 29 anos, que nem estudavam nem trabalhavam.


Mas por que esse desemprego tão alto, especialmente entre os jovens? A jornalista não arrisca uma resposta, e não menciona "estado de bem-estar social" hora alguma. Só que esse é o cerne da questão: os países desenvolvidos vivem, atualmente, uma guerra entre gerações, e os jovens saem perdendo. Principalmente quando a demografia joga contra.

As crescentes "conquistas" trabalhistas, por exemplo, acabam criando uma enorme barreira de entrada no mercado de trabalho. Os jovens, mais inexperientes, com produtividade menor (pois estão começando suas carreiras), não conseguem competir de igual para igual com os mais velhos, já estabelecidos em seus empregos. Como o custo de demissão é gigantesco, e como o treinamento custa caro, as empresas acabam optando pelos funcionários já empregados.

Salário mínimo, férias remuneradas, vales de tudo que é tipo, tudo isso vai blindando quem já possui emprego à custa de quem pretende entrar no mercado de trabalho. Os sindicatos poderosos são verdadeiras máquinas de proteção daqueles com empregos, em detrimento dos que procuram empregos. Esses são, na maioria dos casos, os mais jovens.

Para piorar, todos os outros gastos explosivos do estado de bem-estar social, que tendem a aumentar com o envelhecimento populacional, recaem sobre os mais jovens indiretamente, por meio de mais impostos. Para sustentar um mecanismo previdenciário que é uma grande pirâmide Ponzi, o governo precisa avançar sobre o bolso de todos, arrecadando parcelas enormes do que é produzido. Esse custo pesado penaliza os mais jovens.

Em resumo, são várias causas dessa situação preocupante em que a juventude se encontra hoje. Uma delas, sem dúvida, tem caráter econômico, e sua origem está no modelo de welfare state. Para bancar tantas regalias dos mais velhos, os mais jovens precisam pagar o pato. O estado de bem-estar social acabou criando um clima de guerra entre as gerações. A saída é resgatar os valores liberais, que depositam a responsabilidade por seu futuro no próprio indivíduo.

Socialismo na saúde

Rodrigo Constantino

O setor de saúde no Brasil está cada vez mais socializado. Segundo matéria no jornal O GLOBO, o Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou que as instituições privadas de ensino que estiverem dispostas a fazer doações ao Sistema Único de Saúde (SUS), na forma de investimentos em prédios ou equipamentos, terão vantagens na disputa para abrir novas faculdades de Medicina no país. 

Diz o jornal: "As doações ao SUS e o preço das mensalidades serão critérios para o governo estabelecer os vencedores dos editais que serão abertos para a criação de cursos privados de Medicina".

O MEC mudou o sistema de criação de faculdades de Medicina no país. Pelo modelo anterior, considerado pelo MEC um "balcão de negócios", cabia às instituições de ensino indicar o local onde gostaria de abrir cursos, e o ministério se limitava a avaliar a qualidade das propostas. 

Pelo novo sistema, "só poderão ser criadas faculdades de Medicina em municípios determinados pelo governo, que levará em conta a demanda por médicos e a infraestrutura de saúde disponível". 

Isso é um absurdo. Isso é um regime praticamente socialista. O livre mercado passa mais longe desse modelo do que Plutão da Terra. Pela ótica liberal, como deveria funcionar? Ora, abre faculdade de Medicina quem quiser, inclusive grupos estrangeiros. Cabe ao MEC, se for o caso, somente avaliar a qualidade técnica do curso, e olha lá. 

Normalmente, o próprio mercado é melhor juiz, pois a faculdade "caça-níquel" que oferecer curso de péssima qualidade será punida pelos próprios usuários. Médicos "formados" nesses cursos não vão conseguir bons empregos em lugares decentes, tampouco passar em concursos públicos.  

Mas o governo detesta a liberdade do mercado. Ele quer não só dizer quem pode abrir um curso, como onde abri-lo, usando ainda por cima um critério absolutamente ridículo de exigir contrapartida de investimento no SUS (chantagem financeira, o que só favorece grandes grupos e prejudica a concorrência, criando cartéis no setor).

O Brasil caminha cada vez mais, sob o governo do PT, na direção socialista. O governo quer controlar tudo, intervir em tudo, nos mínimos detalhes. Sabemos que isso não tem como funcionar. Já conhecemos de antemão o resultado dessas medidas: a deterioração na qualidade do ensino, o aumento da corrupção, decisões eleitoreiras na hora de conceder o direito de abrir um novo curso etc.

Socialismo nunca funcionou nem na produção de papel higiênico. Não é diferente para produzir bons cursos de Medicina. A socialização da Medicina é a pá de cal que faltava para piorar ainda mais esse sensível setor. A sociedade vai pagar o preço, como sempre.

terça-feira, julho 23, 2013

Enxugar ministérios

Rodrigo Constantino

Deu no Valor: Gerdau quer 'superpasta' para área de transportes

O empresário Jorge Gerdau, um dos principais conselheiros da presidente Dilma Rousseff na iniciativa privada, preparou um rascunho de diminuição do número de ministérios que atinge em cheio a área de infraestrutura logística. A ideia de Gerdau é enxugar radicalmente as pastas que lidam com essa área e juntar suas funções em um "superministério dos transportes". Na sexta-feira passada, ele se reuniu com a presidente, no Palácio do Planalto.

A superpasta imaginada pelo empresário agruparia as responsabilidades hoje dispersas entre o próprio Ministério dos Transportes, a Secretaria de Aviação Civil e a Secretaria de Portos. Também poderia gerenciar questões relativas à mobilidade urbana, atualmente a cargo do Ministério das Cidades. Três agências reguladoras ficariam vinculadas ao superministério: a ANTT (transportes terrestres), a Antaq (transportes aquaviários) e a Anac (aviação).

Interlocutores de Gerdau não souberam informar se, na reunião com Dilma, ele chegou a apresentar esse esboço de reforma ministerial. O empresário criticou recentemente o inchaço da Esplanada dos Ministérios e defendeu uma estrutura administrativa mais enxuta, chegando a dizer que "tudo tem o seu limite", em referência à proliferação de pastas para atender às demandas de partidos da base aliada.

[...]

No esboço de Gerdau, cada uma dessas áreas - aviação civil, portos e mobilidade urbana - poderia ganhar secretarias específicas, com estruturas fortes, mas sempre dentro do mesmo "Superministério dos Transportes".

O empresário Jorge Gerdau, que há anos colabora com movimentos liberais no campo das ideias, tem tentado levar a racionalidade e o bom senso típicos da iniciativa privada para a esfera pública. A luta é louvável, sem dúvida. Infelizmente, como o próprio empresário deve ter notado, os obstáculos são gigantescos. O mecanismo de incentivos não é adequado, os interesses são conflitantes, e faltam a agilidade e a meritocracia tradicionais das empresas particulares.

Gerdau causou forte reação quando disse que era "burrice" ter tantos ministérios. De fato, chegamos a praticamente 40 durante o governo Dilma. Isso é absurdo! Nenhum CEO de uma empresa conseguiria gerir com sucesso tantos "ministros"; quanto mais uma política sem experiência na atividade empresarial. É urgente reduzir essas camadas de poder e agrupar funções em um mesmo ministério, para simplificar a estrutura do governo.

Por isso a iniciativa de Gerdau merece aplausos. Se ele vai conseguir abrir as janelas ideológicas do Planalto para entrar um pouco de ar fresco de racionalidade, isso já é outra história...

Hezbollah na lista negra

Rodrigo Constantino

A União Europeia decidiu colocar a ala militar do Hezbollah na "lista negra". Diz a reportagem:

A pressão de Reino Unido, Holanda, França e Alemanha funcionou - pelo menos em parte. Depois de meses de deliberações e divergências, os 28 ministros da União Europeia concordaram em colocar na lista negra o grupo xiita libanês Hezbollah. Mas a determinação foi feita com uma ressalva: apenas o "braço militar" do Hezbollah passará a figurar na lista de grupos terroristas banidos do território europeu. Na prática, a distinção entre uma "ala militar" e uma "ala política" vai permitir que autoridades e diplomatas europeus mantenham contatos com líderes políticos do grupo que hoje domina a política libanesa ao mesmo tempo em que é a maior força militar do país e a mais bem treinada milícia armada do mundo.

Confesso não ver tanto motivo assim para celebração. Primeiro, pois já foi tarde tal decisão; segundo, porque os países europeus insistem em uma separação que não existe de fato. Escutemos quem mais conhece os inimigos em questão:

Em Jerusalém, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu criticou a diferenciação entre as alas do grupo xiita, arqui-inimigo de Israel, com quem travou uma batalha de 34 dias em 2006.

- Para Israel, o Hezbollah é uma organização unitária e sem diferença entre alas. Eu espero que a decisão provoque medidas concretas contra a organização - queixou-se o premier.

Eu fecho com Netanyahu. O Hezbollah, militar ou político, quer a mesma coisa, uma única coisa: impor a sharia ao resto do mundo. A "democracia" é apenas mais um meio que encontraram para esse objetivo totalitário e autoritário. Uma "farsa" que serve a seus propósitos. 

Escrevi nesta segunda-feira uma resenha do ótimo livro de Andrew McCarthy sobre o assunto. Recomendo a leitura de ambos. É preciso acordar para a realidade e para a ameaça islâmica o quanto antes.

Brasil: um país para ricos

Rodrigo Constantino

Uma matéria do NYT tem circulado bastante nas redes sociais hoje, mostrando como as coisas são caras no Brasil. Nada que não soubéssemos, mas é sempre bom ver os gringos expondo essa nossa triste realidade; aumenta a pressão por mudanças.

Quer comprar um Galaxy da Samsung? Terá que pagar o dobro do valor pago pelo americano, lembrando que a renda média lá é quatro vezes maior. Ajustando, portanto, para esse fato, podemos concluir que um brasileiro médio paga oito vezes mais para obter o device. Luxo? Na era da informação, estamos falando de produtividade!

As comparações seguem humilhando os brasileiros. Tok & Stok versus Ikea, por exemplo. Eu sou do tempo em que a Tok & Stok era loja barata. Hoje, quando preciso de algo para a casa, sou forçado a lembrar de como tudo é absurdamente caro por aqui.

A reportagem mostra que até uma simples pizza de queijo pode custar US$ 30. Com esse valor, é possível comer em um restaurante bem razoável nos States. Como somos ricos, não? A inflação alta tem piorado o que já era ruim. Com mais informação disponível na era da internet, e com mais gente tendo acesso a ela, essa discrepância ridícula produz mais revolta em mais gente.

O Brasil é um país bastante fechado ainda, com impostos escandinavos, e péssima infraestrutura. Isso tudo explica tanta diferença nos preços. Somos obrigados a pagar valores astronômicos por produtos que os estrangeiros compram por uma parcela do preço. Lembrando, sempre, que eles são bem mais ricos do que nós...

Até quando vamos aguentar isso? Até quando as autoridades e o governo vão explorar o povo brasileiro dessa forma abjeta? Precisamos de um choque de liberalismo no Brasil. Chega de bancar o otário dessa forma. 

Para Safatle, EUA = Alemanha Oriental

Rodrigo Constantino

Vladimir Safatle não costuma perder a oportunidade de atacar os Estados Unidos. Hoje, em sua coluna da Folha, não foi diferente. Ele até usou no título o nome do livro de Étienne de La Boétie: Servidão Voluntária. Descobrimos, com o professor, que os Estados Unidos não são mais uma democracia, e que se assemelham muito ao regime comunista da Alemanha Oriental. Vejamos:

"Eu não tenho nada para esconder. Por isso, pouco me importa que os EUA vejam meus e-mails, desde que isso nos permita vivermos em um mundo mais seguro."

Eu encontrei tal afirmação em um "post" no qual seu autor comentava uma notícia sobre o caso Edward Snowden. A primeira coisa que me veio à mente foi a lembrança de ter ouvido essa frase antes, mas em um contexto relativamente diferente.

Décadas atrás, um conhecido que estudava na antiga Alemanha Oriental, dissera: "Pouco me importa saber que a Stasi [polícia secreta da antiga Alemanha Oriental] me espione. Esse é o preço para defender o socialismo".

[...]


Hoje, quase 25 anos depois [da queda do Muro de Berlim], impressiona perceber quão parecidos são, em sua cegueira ideológica, essas duas pessoas que julgam defender mundos diferentes. É engraçado perceber como, no fundo, eles querem a mesma coisa: sacrificar, de uma vez por todas, a liberdade no altar de seus medos e obsessões.

[...]

Em um mundo onde até mesmo um louco assassinando alguém a machadinha transformou-se em um atentado terrorista, não é difícil imaginar como viveremos em um Estado de exceção permanente. O que me intriga é por que ainda chamar de "democracia" a uma situação assim.

E eis que chegamos à conclusão, segundo Safatle, que os Estados Unidos não são uma democracia, vivem sob um regime totalitário tal como a Alemanha comunista, onde não há mais privacidade alguma ou qualquer resquício de liberdade individual. 

Com todas as críticas que o governo americano merece, especialmente sob a gestão do esquerdista Obama (não custa lembrar), tal afirmativa é um disparate, explicado somente por uma agenda de quem deseja desqualificar a nação norte-americana custe o que custar.

Jabor segue avançando

Rodrigo Constantino

Arnaldo Jabor tem tido a coragem de mudar, de rejeitar seu passado comunista, de reconhecer as tolices de sua juventude, e de abraçar bandeiras cada vez mais capitalistas. É verdade que ainda faz isso com certa timidez, e mantém o ranço antiamericano latente. Mas o progresso é inegável. Em sua coluna de hoje isso ficou mais evidente ainda. Nela, ele diz:

Na tradição do “ideologismo” brasileiro entranhado nas mentes, a ideia de complexidade é vista como “frescura” — macho mesmo seria simplista, radical, totalizante. Mas, no mundo atual, a inovação está justamente no parcial, no pensamento indutivo, em descobrir o Mal entranhado em aparências de Bem.

A ideia de uma solução “geral”, total para o crescimento da economia brasileira é a herança dos velhos tempos da esquerda centralizadora. Para haver progresso, há que esquecer “planos” ou algo assim; temos de abandonar a ideia de uma política central, como nos planos quinquenais da URSS ou nos “saltos para a frente” da China de Mao. Somente uma política econômica indutiva, descentrada e pragmática com mudanças possíveis, pode ir formando um tecido de parcialidades que acabem por mudar o conjunto. É isso que os jovens propõem.

A chave é: “ações indutivas”, conceito que é a fobia do pensamento filosófico de tradição europeia, continental. Bom mesmo sempre foi um doce silogismo aristotélico, com premissas e conclusão. Ou então uma boa causa universal que abranja tudo, o todo, o uno, do qual se deduz o particular. É uma herança da religião e do mito. Já o pensamento pragmático tem uma tradição mais anglo-saxônica (Hume, Locke, J.S. Mill), principalmente Francis Bacon e depois William James. Não é por acaso que o pensamento pragmático nas ciências e na filosofia acelerou muito mais o progresso, saído de dentro do ventre da revolução comercial e conceitual inglesa. Esta, sim, foi a nascente do moderno pensamento filosófico e político. Suas ideias regeram o ritmo do capitalismo e dominaram o mundo.

Tenho ressalvas em relação ao Pragmatismo enquanto filosofia, mas admiro a visão de gradualismo por tentativa e erro do progresso institucional presente no pensamento de David Hume, citado pelo autor. Este, assim como Vico, iria influenciar as ideias de um gigante do liberalismo moderno: Hayek. Esta linha de pensamento rejeita as utopias, as certezas absolutas que vão solucionar todos os males da sociedade, as respostas prontas, definitivas.

Popper iria resumir a ideia em seu conceito de a Grande Sociedade Aberta. Algo em construção, eliminando erros mais do que apresentando fórmulas perfeitas. Esse intercâmbio com o mundo nos beneficia. Jabor finalmente parece ter entendido isso, ainda que não consiga deixar de dar uma espetada no "mercado", ou na "globalização". Ele diz:

A chamada globalização da economia é um bonde carregado de problemas? Sim. Pode nos jogar num vazio de excluídos? Pode. Mas teve a vantagem de nos botar em contato com um pensamento mais livre. Isso foi a maior novidade: abandonar o simplismo totalizante e paranoico da tradição do marxismo vulgar que nossa esquerda adotou. A globalização rompeu as paredes da “taba” imaginária em que vivíamos. Eu tinha um orientador comunista que dizia que tudo era culpa do “imperialismo americano”. Nós éramos vira-latas tupiniquins à mercê do temível mundo externo. Hoje sabemos que a causa de nossa miséria somos nós mesmos.

O apagamento de fronteiras culturais com o mundo nos tirou de um sonho de futuro e nos colocou mais no presente.

A esquerda costuma ser fechada, protecionista, rejeitar a liberdade presente nessas trocas voluntárias entre indivíduos do mundo inteiro. Ela gosta de olhar para fora em busca de culpados por nossos problemas. Mas os culpados somos nós mesmos! E a mudança começa por aqui, justamente se abrindo mais e mais para o mundo, para absorver as boas ideias. Jabor conclui em tom mais otimista do que seu padrão recente:

Melhoramos muito com a ideia do “possível”, em vez da bravata das utopias. E isso não é covardia ou omissão; é sabedoria e prudência.

A tal “mão invisível” do mercado pode nos dar bananas, claro, mas “mercado” pode ser um termômetro dos perigos de gestões voluntaristas como temos hoje no Brasil e pode questionar certezas burras e relativizar um poder público que tende para o autoritarismo. Mudar o país tem de ser por dentro, e não uma intervenção mágica ou ditatorial.

A democracia brasileira, se for mantida, vai expelindo os micróbios que a atacam.

Por isso, neste artigo-cabeça há esperança e otimismo. Muitas novidades que nos parecem detestáveis podem estar trazendo novos conceitos operadores que ajudarão a modernizar o país.

Tarde demais

Fonte: GLOBO
Rodrigo Constantino

O editorial do GLOBO hoje faz um alerta importante, de que a presidente Dilma está sob pressão para ser cada vez mais candidata do partido e menos presidente do país. Os motivos são evidentes, pois há muita coisa em jogo, e os petistas estão desesperados com a possibilidade de perder suas "boquinhas":

À medida que saem pesquisas que mostram redução de apoio popular a Dilma Rousseff e cresce a possibilidade de segundo turno nas eleições do ano que vem, o PT se agita e a relação com a presidente fica tensa, enquanto cresce no partido a turma do “queremismo”, pela volta de Lula. Muita coisa, afinal, está em jogo: 22 mil cargos de confiança, usados no aparelhamento da máquina pública, controle de estatais com ambicionados orçamentos etc.

É neste contexto que a presidente, no fim de semana, não foi à reunião da executiva nacional do partido, alegando uma agenda de trabalho sobre a visita do Papa Francisco. Em carta aos militantes, defendeu as “ruas”, o plebiscito da reforma política e se colocou ao lado de Lula. Dilma está entre o partido e a Presidência. Como a reeleição entrou em zona de risco, surgem pressões de alas petistas para que ela seja mais militante e menos presidente do Brasil. É uma armadilha, na qual Dilma cairá se não agir como chefe da nação. Ela não deve se impressionar com pesquisas feitas a mais de um ano das urnas. Neste momento, elas refletem o clima detectado nas manifestações. A presidente deve é se concentrar em governar, ser intransigente com a corrupção, levar a inflação o mais rapidamente possível para a meta (4,5%), recuperar, enfim, a credibilidade da política econômica, por ações como a restauração da seriedade na apresentação das contas públicas.

Onde acho que o editorial erra é na esperança de que isso ainda não aconteceu, e que Dilma está realmente dividida entre as duas funções, tentando resistir às pressões de seu partido. Gostaria de crer nisso, mas não consigo. As atitudes da presidente demonstram que ela já fez sua escolha, e essa foi pelo partido. A insistência no plebiscito, a campanha antecipada, os discursos eleitoreiros, inclusive de forma grosseira na frente do Papa Francisco, tudo isso me leva a crer que Dilma só pensa nas urnas de 2014, e largou sua função de presidente da nação inteira. O editorial diz:

Ela precisa fugir da agenda de confronto a que petistas tentam levá-la. A ideia do plebiscito surgiu da inviabilidade legal da “constituinte exclusiva”, sonho de consumo destas alas do partido, para, numa assembleia sem a barreira da maioria qualificada, poder-se alterar regras eleitorais e, com facilidade, contrabandear para a Carta mecanismos de “democracia direta” de inspiração chavista.

Querer forçar Dilma e aliados a entrar em rota de colisão com o Poder Judiciário, em nome do tal plebiscito, é um desvario. Fingem esquecer a nota do Tribunal Superior Eleitoral, em que é reafirmada a barreira da anualidade para qualquer alteração na legislação eleitoral entrar em vigor. A tese de facções petistas está isolada. O deputado Candido Vaccarezza, de São Paulo, escolhido pelo presidente da Câmara, Henrique Alves, para presidir a comissão da reforma, foi alvo de manifesto de um grupo do partido por não ser muito firme na defesa do plebiscito. O PMDB, o maior aliado, nunca embarcou no projeto. Mesmo assim, forçam Dilma a tomar o rumo de uma crise político-institucional.

Não consigo enxergar a presidente Dilma como uma marionete nas mãos dos petistas. Não acho possível isentá-la de responsabilidade por tudo que fez de errado até aqui, inclusive no desrespeito aos poderes e no tom autoritário. A crise político-institucional, a meu ver, tem as impressões digitais da presidente. Ela não é vítima nessa história; ela é parte do problema. É tarde demais para esperar que ela se decida pelo Brasil em vez do PT.

Fatofobia

Meu artigo de hoje no GLOBO, sobre essa dura realidade econômica que a presidente Dilma e sua equipe insistem em ignorar.

segunda-feira, julho 22, 2013

O discurso proselitista de Dilma

Rodrigo Constantino

Vergonha de ser brasileiro. Eis o sentimento que tive após ver o discurso proselitista da presidente Dilma diante do papa Francisco. Por sorte, Vossa Santidade é argentino e, portanto, está ciente do típico populismo demagógico dos latino-americanos. Ainda assim foi algo constrangedor.

Dilma louvou as grandes "conquistas" dos últimos dez anos de governo. Aproveitou para fazer campanha eleitoral na cerimônia, tentando surfar na popularidade do papa. Mas, se o papa é pop, Dilma não é. Recebeu vaias no estádio de futebol, e hoje mereceu novas vaias, mas o protocolo do evento não permitiu, em respeito ao papa. Só por isso.

Não satisfeita, Dilma ainda olhou diretamente para o papa para lhe dar lições de democracia, explicando que o povo toma gosto e quer mais. Ela estava apenas seguindo a estratégia de seu mentor, o ex-presidente Lula, que recentemente adotou essa desculpa esfarrapada em artigo no site do NYT: as manifestações nas ruas são fruto do sucesso do governo petista!

Enfim, a cena toda foi patética, e Dilma saiu ainda menor da ocasião. Não deveria ter se aproveitado da visita do papa de forma tão escancarada, tão sensacionalista, para vender o peixe (podre) de sua gestão e de seu antecessor, de olho somente nas urnas de 2014. Isso foi feio. Muito feito! Dilma perdeu uma ótima oportunidade de ficar calada.

Só não foi a coisa mais constrangedora do primeiro dia da visita do papa ao Brasil porque a turma do movimento gay veio resgatar Dilma, colocando-se como merecedora do prêmio patetice do dia. Realizar um "beijaço" seminus em frente aos religiosos e à igreja foi um ato deveras infeliz, de quem acha que está chocando os outros, mas está apenas despertando o sentimento de pena, por algo tão mesquinho e ridículo.

A tentativa de ofender os religiosos demonstra apenas como essa gente necessita da aceitação daqueles que julgam "medievais". Querem a aprovação do "papai" cuja autoridade não reconhecem. De fato, patético.