quarta-feira, março 31, 2010

O Despertar dos Vigilantes



Rodrigo Constantino

Durante décadas, os investidores dos bonds americanos foram conhecidos como "vigilantes". Sempre alertas aos excessos na gastança governamental, esses investidores costumavam ser os primeiros a "acusar o golpe" quando um governo se empolgava demais na irresponsabilidade fiscal. Nos últimos anos, entretanto, alguns chegaram a questionar se os "vigilantes" estavam dormindo, hibernando após um longo período de elevado crescimento econômico com baixa inflação.

Vários fatores estruturais e conjunturais podem explicar, em parte, este "conundrum", como chamou Greenspan. A entrada de bilhões de trabalhadores indianos e chineses no mercado, aceitando baixos salários, pressionou os preços finais para baixo. A revolução tecnológica gerou enormes ganhos de produtividade, permitindo elevado crescimento sem aumento dos preços finais. O "savings glut", segundo Bernanke, ajudou a manter a taxa de juros reduzida nos Estados Unidos, pois haveria um "excesso de poupança" nos países emergentes, sem a devida segurança para aplicarem nos títulos de seus próprios governos. O "flight to quality" (ou "flight to liquidity") durante a crise mundial fez com que os títulos do governo americano fossem o refúgio natural para todos os investidores assustados. O receio de que o "credit crunch" poderia gerar um longo período de deflação, como ocorreu no Japão, também é uma possível explicação.

Cada um apresentou a sua explicação para o fenômeno aparentemente estranho. O fato é que as taxas longas de juros dos títulos do governo americano não mostravam preocupação com o risco de inflação, mesmo com um governo cada vez mais irresponsável nos gastos, e um banco central (Fed) emitindo moeda e crédito de forma alucinada. Será que esta fase chegou finalmente ao fim? Será que a aversão ao risco está aumentando agora? Será que os "vigilantes" acordaram e começaram a exigir maiores retornos de um devedor cada vez mais cigarra e menos formiga? A taxa de juros de 10 anos, por exemplo, já se aproxima de 4% ao ano.

Se for este o caso, a conta vai ficar cada vez mais salgada para os pagadores de impostos americanos. A dívida do governo cresceu de forma assustadora, o déficit fiscal explodiu, e a perspectiva futura não é muito animadora. Enquanto isso, Obama “brinca” de fazer caridade com o chapéu alheio, impondo planos de saúde para todos e jogando o custo nas empresas. Os Estados Unidos estão cada vez mais parecidos com um típico país europeu, adepto do welfare state coletivista. Essa trajetória não costuma acabar nada bem. Investidores não ficam confortáveis – com razão – ao emprestar suas poupanças para governos que colocam o “social” acima de tudo, ignorando as calculadoras.

O avanço do governo americano sobre a economia vai criar um peso sob a iniciativa privada que poderá limitar o crescimento futuro. A emissão de mais dívida do governo poderá causar o conhecido “crowding out”, ou seja, quando o governo espanta investimentos privados por absorver o capital escasso com seus “investimentos”, inevitavelmente piores, pois realizados com critérios políticos. Em suma, os Estados Unidos, mais e mais parecidos com a França, poderão ser forçados a pagar juros maiores à frente. O mercado, por meio dos “vigilantes” dos bonds, pode ter finalmente acusado o golpe. Melhor o governo prevenir agora, encolhendo de tamanho e reduzindo suas ambições “socialistas”, do que remediar depois, como a Grécia está sendo obrigada a fazer. There is no free lunch!

terça-feira, março 30, 2010

Google x China

Rodrigo Constantino, O GLOBO

Aqueles que abandonariam a liberdade essencial para comprar um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade, nem segurança.
Benjamin Franklin

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Governo algum gosta da liberdade de imprensa. As críticas, a exposição de fatos incômodos, a investigação, a disseminação de mais informação, tudo isso representa uma ameaça aos governantes. A internet é uma poderosa arma em prol da liberdade de expressão e, por isso, governantes do mundo todo pensam numa forma de controlá-la. Claro que esta tarefa fica bem mais fácil sob uma ditadura.
Em Cuba, a internet é item de luxo para poucos, e corajosos blogueiros se arriscam clandestinamente para mostrar a lamentável realidade da ilha-presídio. Na Venezuela, o caudilho Hugo Chávez já declarou que pretende controlar a internet, após ter calado os jornais, rádios e televisões com o uso da máquina opressora do Estado. Na China não seria diferente, e o Partido Comunista Chinês vem tentando controlar a internet a cada dia. Mas a ditadura finalmente encontrou um obstáculo: a ética do maior site de busca do mundo.
O debate sobre o que fazer em relação à presença na China tem dominado a agenda dos principais executivos do Google, desde que o governo intensificou a censura na internet. Sergey Brin, o jovem bilionário fundador da empresa, resolveu comprar uma briga com o regime. Seus pais tiveram que fugir com ele da União Soviética, justamente por não suportarem mais viver sob uma ditadura comunista. Brin aprendeu com seu pai a valorizar a liberdade de buscar seus “próprios sonhos de empreendimento”. O Google representa uma fantástica ferramenta no auxílio de milhões de pessoas buscando justamente isso. É uma estupenda conquista do empreendedorismo no livre mercado.
Para todos aqueles que insistem em repetir o credo marxista de que o poder está todo no capital, o caso da guerra entre Google e governo chinês é sintomático. O Google é uma empresa com cerca de US$ 180 bilhões de valor de mercado. Entretanto, parece impotente diante do poder do governo chinês. É a luta entre Davi e Golias. Na Rússia, o mais rico dos oligarcas foi esmagado em poucas semanas pelo Kremlin de Putin, quando se mostrou interessado pelo destino da política no país. Quando o governo concentra tanto poder assim, qualquer empresário é um simples refém seu. O alerta deveria ser levado a sério por aqueles que acreditam que podem alimentar o monstro estatal na esperança de controlá-lo depois: acabam sempre devorados pela criatura.
Sergey Brin disse que espera a liberalização da internet na China como solução de longo prazo para o impasse. Todos aqueles que valorizam a liberdade torcem pelo mesmo resultado. Mas a luta será árdua, desigual, e o governo chinês conta com ampla vantagem no momento. Preservar a liberdade é uma tarefa hercúlea neste mundo repleto de autoritarismo. Mas é uma luta que vale a pena. Não desejamos mártires que sacrifiquem tudo por este ideal. Entretanto, não deixa de ser estimulante ver uma empresa deste porte disposta a sacrificar uma fortuna em faturamento, por compreender que ultrapassaram seu “limite de conforto”. Na batalha entre Google e governo chinês, entre capitalismo e socialismo, entre empreendedor e parasita, entre liberdade e tirania, não resta dúvida de qual partido tomar.
Em tempo: o Brasil ainda não está sob uma ditadura, mas o caso serve como alerta, principalmente quando o governo tenta impor nova censura à imprensa, sob o eufemismo de “controle social”. Algumas pessoas sonham até hoje com o modelo cubano.

Riscos e gargalos condenam país a voo de galinha

Palavra do gestor, Valor Econômico

Rodrigo Constantino
30/03/2010

A economia brasileira recuou 0,2% em 2009, o pior resultado desde 1992. O investimento caiu quase 10% no ano, enquanto o consumo - tanto das famílias como do governo - puxou o resultado para cima, com aumento de aproximadamente 4%.

A transferência de recursos do governo e o crédito público fizeram com que a queda na atividade econômica não fosse um tsunami. Em termos relativos ao resto do mundo, até que o Brasil não ficou mal na foto, e o índice de ações da Bovespa mostra que os investidores voltaram a apostar no crescimento do país.

O problema é que tais estímulos artificiais não são sustentáveis; a inflação já começa a incomodar, com o mercado esperando mais de 5% no ano, o que gera a necessidade de aumento dos juros. Além disso, os gargalos de sempre permanecem, fazendo com que nossa economia experimente apenas voos de galinha.

Alguns dados produzem extremo desconforto nos investidores de longo prazo. A dívida pública já chega a R$ 1,5 trilhão, e o endividamento bruto cresce em ritmo acelerado. O governo apresenta déficit nominal crescente, parte explicada pelas medidas durante a crise.

O crédito público já representa quase a metade do total de financiamento no país: ele saiu de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) em meados de 2008 para quase 20% no final de 2009. O grau de alavancagem dos bancos estatais experimentou um crescimento assustador, ainda mais se comparado ao ocorrido nos bancos privados, que reduziram seu risco.

O crédito imobiliário foi o que mais cresceu, com aumento de 40% em 2009. A base ainda é pequena, mas o crescimento na margem, principalmente por meio do programa "Minha Casa, Minha Vida", eleva o risco do sistema de crédito como um todo.

O prazo médio do empréstimo para pessoa física cresce sem parar, tendo saído de pouco mais de 300 dias corridos no começo de 2006 para mais de 500 dias corridos atualmente. Os desembolsos do BNDES dispararam, saltando de cerca de R$ 50 bilhões em 2006 para quase R$ 140 bilhões ano passado. Algo como 85% desses desembolsos vão para grandes empresas.

A despesa com pessoal da União subiu R$ 25 bilhões em apenas dois anos. As transferências por meio do programa Bolsa Família aumentam a cada ano. Tais medidas não são anticíclicas como alega o governo, pois não serão desfeitas com a recuperação já em curso da economia.

Elas estimulam o crescimento no curto prazo, mas sob pilares de areia, uma vez que a poupança e os investimentos em capital produtivo não crescem praticamente nada. Com uma poupança de pouco mais que 15% do PIB, o país não consegue plantar as sementes de um crescimento mais sustentável.

Para agravar as perspectivas de longo prazo, o rombo previdenciário superior a R$ 40 bilhões por ano parece uma bomba-relógio, apesar da demografia favorável no país. A carga tributária já está em patamares escandinavos, apesar dos serviços "africanos".

A concentração da arrecadação tributária em Brasília aumenta a cada ano, matando na prática o federalismo. Isso serve para reduzir a eficiência na alocação dos recursos escassos, uma vez que as decisões acabam sendo políticas, e a corrupção drena boa parte das verbas. Os investimentos necessários não são realizados, e os gargalos, como infraestrutura, energia e qualificação da mão de obra, impedem um voo de águia em nossa economia.

Uma sociedade de cigarras, sem tantas formigas, acaba sempre se dando mal quando a conta chega. A Grécia pode atestar isso de forma lamentável. A realidade não pode ser ignorada por muito tempo.

Crescer só com base no crédito estatal e no consumo, sem a contrapartida de mais poupança e investimento, não é um modelo de desenvolvimento sustentável. Sem reformas estruturais, e sem uma drástica redução do governo na economia, o país estará sempre vulnerável aos choques externos e aos limites internos. Não podemos nos deixar enganar pela aparente tranquilidade, achando que a "marolinha" passou. O crescimento atual conta com muitos fatores artificiais e cíclicos, ou seja, insustentáveis. Precisamos de mais formigas e menos cigarras.

O Ibovespa surfa a boa onda do momento brasileiro, principalmente diante de um mundo em frangalhos. Mas até quando este cenário pode durar ninguém sabe. O risco de um superaquecimento chinês ainda existe, assim como a delicada questão europeia. Nos Estados Unidos, tudo indica que a recuperação econômica será bastante lenta, justificando a manutenção da taxa de juros em quase zero. Mas no dia em que esta moleza acabar, seria crucial que o Brasil estivesse preparado para crescer sem depender dos estímulos artificiais do governo.

segunda-feira, março 29, 2010

A matéria do WSJ

Rodrigo Costantino

Em matéria sobre o Brasil, o renomado The Wall Street Journal conclui, de forma bastante otimista, que o amanhã chegou para o "país do futuro". Naturalmente, alguns esquerdistas já correram para soltar fogos de artifício: viva Lula! Seria bom mais cautela para esta turma, que já se queimou com a comemoração precipitada da matéria da The Economist com o Cristo Redentor na capa. Fica parecendo que essa gente nem sequer lê as matérias, e que o complexo de vira-lata é tão forte que eles vibram de emoção sempre que algum ícone do capitalismo faz elogios ao país. Se ao menos lessem a reportagem, evitariam tanto constrangimento. Tentarei facilitar a tarefa deles, colocando alguns trechos da matéria (em itálico), comentados em seguida por mim (em negrito).

"But the country has enormous challenges it must overcome before it can fully live up to its potential. Its public sector is bloated and riddled with corruption. Crime is rampant. Its infrastructure is badly in need of repair and expansion. The business environment is restrictive, with a labor code ripped from the pages of Benito Mussolini's economic playbook. Brazil also risks patting itself on the back so much that it fails to see the colossal work that remains to be done."

Logo no começo, o WSJ faz um caveat: os desafios que o país ainda enfrenta são enormes! E quais seriam esses desafios? Ora, justamente aquilo que a esquerda defendeu a vida inteira! O que ainda temos de ruim, de empecilhos ao progresso, é exatamente aquilo que figuras como Lula e Dilma sempre defenderam. Abaixo, maiores detalhes desses pontos.

"Things started changing in the 1990s. The government adopted strict monetary policies and a laser-like focus on balancing the books. That fiscal prudence has given the country remarkable cash reserves—and breathing room during crises."

O que aconteceu com a "herança maldita"? O WSJ parece pensar diferente do PT: o que veio ANTES é o que foi responsável pelas mudanças mais estruturais, e justamente aquilo que o PT lutou para impedir: estabilidade da moeda, responsabilidade fiscal, abertura comercial etc.

"Even a pledge for a bigger state role in the economy by Dilma Rousseff, Mr. da Silva's outgoing chief of staff and his hand-chosen successor as the party's candidate, isn't scaring off the business community. "It's refreshing to have an election and see there's no fuss about either outcome," says Andrew Béla Jánszky, a Brazilian investment lawyer in the São Paulo office of Shearman & Sterling LLP. "For once, stability is almost a given.""

Ou seja, ATÉ MESMO uma Dilma da vida não assusta tanto, porque eles acreditam que ela não vai fazer... o que sempre defendeu na vida! Aqui está o maior ponto de discordância entre mim e o WSJ: considero a visão deles bastante ingênua. A Dilma não é "mais do mesmo"; ela é uma ameaça enorme de retrocesso, de mais autoritarismo ainda, de passos largos rumo ao modelo venezuelano. Souberam iludir o jornalista do WSJ direitinho com a retórica deles. Para cada público, um discurso diferente. Acorda, minha gente!

"For one thing, even after sweeping reforms, the government's role in the economy remains relatively big. Government spending totals more than 20% of the country's gross domestic product, compared with about 15% in the U.S., 13% in China and 7% in Indonesia, another fast-growing emerging market, according to data compiled by Mosaico Economia Política, a Brazilian consultancy."

Ops! Um dos maiores problemas do país: o tamanho excessivo do governo! E o que Dilma defende? Justamente mais governo ainda, um Estado "forte", ou seja, um monstrengo inchado que se mete em tudo na economia e nas nossas vidas. O que o país tem de pior é aquilo que Dilma mais gosta!

"Another problem is the restrictive business environment, especially strict labor laws that date back to the 1940s and were originally modeled on the statist policies of Mussolini."

Pois é... um dos piores pontos para o Brasil é a nossa lei fascista trabalhista, aquela que garante infindáveis privilégios aos sindicatos, aquela que dificulta a vida dos empresários, que gera desemprego e informalidade, e sim, que a esquerda adora e não aceita mudar! O país precisa de reformas liberais trabalhistas. A esquerda defende isso?

"Yet another obstacle to growth is a lack of infrastructure—from roads, railways and bridges to docks, airports and pipelines."

E o PAC?! Ah sim, Lula já vai lançar o segundo PAC, e o primeiro mal começou! Os setores que ficam sob a responsabilidade do governo são os mais caóticos? Não acredito!

"Crime is still a big problem in most cities and in lawless rural areas where ruthless prospectors, loggers and landowners at times ride roughshod over their neighbors."

Acho que o WSJ não defenderia muito o "movimento social" chamado MST, tão próximo do PT.

Em resumo, a matéria do WSJ se mostra bem otimista com o Brasil, é verdade. Mas aponta os pricipais obstáculos, todos eles bandeiras que os esquerdistas defenderam a vida toda. Para superá-los, o país necessita de muitas REFORMAS LIBERAIS. Mas não há partido que defenda tais reformas, muito menos o PT. Ao contrário: Dilma representa um retrocesso em relação a todas essas mudanças necessárias. E eis o maior erro do WSJ, em minha opinião: ignorar este risco, aceitar a premissa de que Dilma é apenas "mais do mesmo". Não é! Dilma é a candidata de Chávez. Ela representa, mais ainda que Lula, uma guinada rumo ao modelo autoritário venezuelano.

O segundo erro do jornal é pegar a foto relativamente favorável da economia brasileira, e ignorar seus pilares de areia. Aumento de transferências do governo para os mais pobres, crédito público explodindo, aumento de gastos públicos, nada disso representa um modelo de crescimento sustentável. Sem as reformas estruturais, o país terá apenas vôos de galinha, e continuará sim sendo o eterno "país do futuro". O WSJ tem a obrigação de saber bem disso. Afinal, ao lado do Heritage Foundation ele publica o Índice de Liberdade Econômica todo ano, que coloca o Brasil entre os menos livres do mundo. Sem liberdade econômica, não há progresso de longo prazo. O governo Lula e sua candidata Dilma, por acaso, defendem mais liberdade econômica ou mais Estado gerindo a economia? Pois é...

sexta-feira, março 26, 2010

O Socialismo na Saúde



Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

O governo Obama finalmente conseguiu aprovar sua reforma na saúde americana. Em poucas palavras, trata-se da socialização do setor, com aumento da intervenção estatal obrigando todos a comprar um plano de saúde, e oferecendo subsídios em troca. Muitos tentam monopolizar a virtude neste debate, alegando que somente o meio estatal pode garantir o acesso dos mais pobres aos tratamentos medicinais. Mas a realidade é diferente: a pesada mão estatal costuma prejudicar a qualidade e o acesso de todos aos tratamentos disponíveis.

Como dinheiro verdadeiro não nasce em árvore, apesar de o Fed acreditar que sim, alguém terá que pagar por estes novos benefícios. Além disso, os incentivos nunca são adequados quando o governo está metido no meio. O resultado será o aumento dos custos da saúde nos Estados Unidos, e a piora de sua qualidade. No Canadá, a socialização da medicina criou inúmeros problemas, como o aumento da fila e do tempo de espera para atendimentos, escassez de pessoal qualificado, burocracia galopante e a fuga de canadenses que atravessavam a fronteira para buscar tratamento nos Estados Unidos. No filme “Invasões Bárbaras” dá para ter uma idéia do que aconteceu na saúde canadense.

No Brasil, a socialização da saúde foi realizada em 1988, com a “constituição besteirol”. O Sistema Único de Saúde, o SUS, “garantia” acesso universalizado à saúde no país. Claro que basta fazer uma visita a qualquer hospital público para ver, na prática, este atendimento público de saúde. O governo costuma ter o contrário do toque de Midas: tudo que ele mete a mão apodrece, em vez de virar ouro. Os setores com maior controle estatal são justamente os mais ineficientes. As estradas são cheias de buracos, a segurança é precária, a educação é péssima e a saúde é terrível. Governo e eficiência com custo baixo não se misturam, como água e óleo.

Como comemorar então a criação do SUS americano? Será que os americanos realmente vão se beneficiar desta reforma? Para resumir a questão, o alerta de um liberal americano: “Se você acha que a saúde é cara agora, espere até ela ficar grátis!”

quinta-feira, março 25, 2010

Google versus China



Rodrigo Constantino

“Aqueles que abandonariam a liberdade essencial para comprar um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.” (Benjamin Franklin)

Nas últimas décadas, centenas de milhões de chineses saíram da miséria. O crescimento econômico tem sido espetacular. Muitas pessoas ficaram encantadas com o “modelo chinês”. Faz-se necessário, portanto, elucidar alguns pontos importantes, separar o joio do trigo quando se trata de China. Há muito joio ainda no meio dos trigos e, para piorar, algumas pessoas creditam justamente o que há de podre pelo “sucesso” chinês.

De forma bastante reduzida, a China entrou numa era de mais prosperidade (ou menos miséria) quando Deng Xiaoping abandonou parte das receitas socialistas de antes, alegando que o importante não era a cor do gato, mas sim que ele pegasse o rato. Este pragmatismo fez com que o poder central fosse relativamente reduzido em prol de mais liberdade econômica, ainda que muito pouca no geral. Mas bastou esta mudança para colocar em ritmo acelerado a máquina de exportações chinesa, calcada na mão-de-obra barata. A China entrou para a OMC em 2001, e aproveitou a onda da globalização como poucos. A parcela das exportações no PIB chinês quase dobrou em poucos anos, saindo de 20% em 2001 para 36% em 2007.

Dito de outra forma, a China vem experimentando a sua tardia “revolução industrial”, com forte foco mercantilista. Seu objetivo tem sido “conquistar” o mundo por meio das exportações baratas, graças ao gigantesco contingente de trabalhadores. Algo como 750 milhões de chineses ainda vivem nas pobres zonas rurais, em condições precárias. Os ganhos de produtividade com a migração desses trabalhadores para a indústria permitem a manutenção da competitividade chinesa mundo afora, especialmente em produtos intensivos em mão-de-obra. A simbiose tem sido interessante para todos, já que os produtos baratos chineses seguram os índices de preços finais aos consumidores nos países desenvolvidos.

Mas este modelo apresenta inúmeras falhas, que podem expor seus pilares insustentáveis com o tempo. O câmbio não é livre na China, sendo artificialmente controlado pelo governo para permanecer desvalorizado. O crescimento da base monetária tem criado pressões inflacionárias cada vez maiores. O crédito é controlado basicamente por quatro bancos estatais, com critérios políticos em seus empréstimos. O foco excessivo no crescimento do PIB tem feito com que governantes locais estimulem investimentos claramente ruins, apenas para apresentar bons números agregados. Até algumas cidades “fantasmas” já existem na China, com novas casas construídas, mas nenhum morador. O meio-ambiente acaba totalmente ignorado, e as cidades mais poluídas do mundo se encontram na China. A dependência dos consumidores de países mais ricos coloca a China numa situação frágil caso não haja crescimento mundial nos próximos anos. O risco protecionista é uma espada de Dâmocles para o mercantilismo chinês.

Esses são apenas alguns problemas e riscos para a China na próxima década. Há outro ponto que jamais deveria ser ignorado por todos aqueles que valorizam a liberdade: a China ainda vive sob uma ditadura. É verdade que o crescimento exponencial da classe média coloca pressão por mais liberdade civil no país, mas a reação do governo é igualmente forte. O PCC não pretende largar o osso facilmente. O massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989, ainda arde na memória de muitos. Ninguém sabe até onde o governo estaria disposto a ir atualmente para preservar seu poder, mas o medo continua dominando muitas pessoas. E é nesse contexto que a “anárquica” internet precisa ser controlada.

Governo algum gosta da ampla liberdade de expressão e imprensa. As críticas, a exposição de fatos incômodos, a disseminação de mais conhecimento e informação, tudo isso representa uma ameaça aos governantes. A internet é a mais nova e potente arma em prol da liberdade e, por isso, governantes do mundo todo pensam numa forma de controlá-la. Claro que esta tarefa fica muito mais fácil sob uma ditadura. Em Cuba, a internet é item de luxo para poucos, além de corajosos clandestinos que se arriscam para mostrar a realidade da ilha presídio. Na Venezuela, o caudilho Hugo Chávez já declarou que pretende controlar a internet. Na China não seria diferente. Acontece que a tirania chinesa encontrou um obstáculo: a ética do maior site de pesquisas do mundo.

O debate sobre o que fazer em relação à presença na China tem dominado a agenda dos principais executivos da Google, desde que o governo intensificou a censura na internet. Sergey Brin, o bilionário fundador da empresa, com apenas 36 anos, resolveu comprar uma briga com o regime autoritário chinês. Seus pais tiveram que fugir com ele da União Soviética, justamente por não suportarem mais viver sob uma ditadura comunista. Seu pai valoriza a liberdade de buscar seus “próprios sonhos de empreendimento”, segundo Brin. O Google representa uma fantástica ferramenta no auxílio de milhões de pessoas buscando justamente isso. É uma estupenda conquista do empreendedorismo, do livre mercado.

Para todos aqueles que insistem em repetir o mantra marxista de que o poder está no capital, o caso da guerra entre Google e governo chinês é sintomático. O Google é uma empresa com cerca de US$ 180 bilhões de valor de mercado. Entretanto, parece impotente diante do poder do governo chinês. É a luta entre Davi e Golias. Na Rússia, o mais rico dos oligarcas foi esmagado em poucas semanas pelo Kremlin de Putin, quando se mostrou interessado pela política do país. Quando o governo concentra tanto poder assim, qualquer empresário é um simples refém seu.

Sergey Brin disse que espera a liberalização da internet na China como solução de longo prazo para o impasse. Todos aqueles que valorizam a liberdade torcem pelo mesmo resultado. Mas o realismo nos faz crer que a luta será árdua, desigual, e que o governo chinês conta com ampla vantagem no momento. Preservar a liberdade é uma tarefa hercúlea neste mundo repleto de autoritarismo. Mas é uma luta que compensa. Não desejamos mártires que sacrifiquem tudo por este ideal. Só que não deixa de ser estimulante ver uma empresa deste porte disposta a sacrificar uma fortuna em receitas, por compreender que ultrapassaram seu “limite de conforto”. Na batalha entre Google e governo chinês, entre capital e governo, entre empreendedor e parasita, entre liberdade e tirania, não resta a menor sombra de dúvida de qual partido tomar.

quarta-feira, março 24, 2010

PT monta campanha milionária para Dilma



O Globo - 24/03/2010

O PT montou estrutura milionária para a pré-campanha de Dilma. Assim que deixar o Ministério, ela receberá salário de R$ 17.800. O partido está fechando contrato com uma empresa para que Dilma tenha jatinhos à disposição.

Apesar de ter dívida de R$ 35 milhões, PT monta pré-campanha milionária para Dilma

A uma semana de deixar o palanque oficial do governo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fechou ontem à noite, com o comando do PT, detalhes da megaestrutura que está sendo montada pelo partido para os três primeiros meses da pré-campanha à Presidência.

Nessa primeira fase, antes do início da campanha oficial em julho, Dilma terá todas as despesas custeadas pelo PT, que ainda paga por mês cerca de R$ 700 mil da dívida de R$ 35 milhões, remanescente da campanha de 2006, renegociada recentemente. A receita do PT é formada por recursos do Fundo Partidário e pagamento da contribuição de filiados, além de doações para campanhas eleitorais.

As despesas com a pré-campanha incluem o aluguel de uma casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, por R$ 12 mil mensais, contrato com empresa de jatos executivos para deslocamento por todo o país, aluguel de carros e pagamento de seguranças, além de salários para a candidata e pelo menos mais cinco assessores que ela levará da Casa Civil para a campanha. Só com esses salários e o aluguel da casa, as despesas chegarão a mais de R$ 250 mil entre abril e final de junho.

O salário da pré-candidata ultrapassará os pagos aos dirigentes petistas, porque, além dos R$ 12.500 que ela recebe como ministra, o partido deverá incorporar mais R$ 5.300 que Dilma recebia como integrante do Conselho de Administração da Petrobras.

[...]

Comentário: para o "partido dos trabalhadores", capital é o que não falta!

Prisão política na terra de Chávez



Ex-governador e candidato presidencial é preso na Venezuela acusado de 'conspiração' contra Chávez

Publicada em 23/03/2010 às 11h39m

Reuters

CARACAS - O ex-governador e candidato presidencial Oswaldo Álvarez Paz foi preso na Venezuela depois de ter acusado o presidente Hugo Chávez de ter ligações com grupos subversivos na América Latina, afirmaram nesta terça-feira autoridades judiciais.

Álvarez Paz foi acusado de conspiração, divulgação de informação falsa e incitação ao ódio. O opositor direitista, detido em sua própria casa na noite de segunda-feira, foi governador de Zulia, importante polo de extração de petróleo, nos anos 90. Em 1993, ele concorreu à Presidência pelo partido da oposição COPEI.

Uma investigação federal foi lançada no início deste mês depois que Álvarez Paz acusou, em entrevista ao canal pró-oposição Globovision, Chávez se estar envolvido com organizações ilegais.

"O regime venezuelano tem relações com estruturas que servem ao narcotráfico, como as Farc (grupo rebelde colombiano) e outros que existem no continente e no mundo", afirmou à época.

As acusações podem levar o político a cumprir pena de dois a 16 anos de prisão. Omar Estancio, advogado de Álvarez Paz, declarou que a detenção do ex-governador é "desproporcional e politizada".

A prisão de Álvarez Paz dará mais combustível à oposição, que acusa Chávez de conduzir a Venezuela de modo ditatorial. Vários oponentes do presidente estão presos, vivendo no exílio ou enfrentando processos. Chávez afirma que os seus opositores estão ferindo as leis na tentativa de tirá-lo do poder.

Comentário: Como acontece em todo regime autoritário, calar os opositores é uma prioridade no governo Chávez. Existem vários métodos disponíveis para isso, e Chávez usa e abusa de todos eles. No Brasil, o PT demonstra carregar este DNA autoritário, típico de todo partido socialista. O presidente Lula quis expulsar um jornalista estrangeiro apenas porque esse constatou um fato: a queda do presidente pela cachaça. Essa gente é assim mesmo: odeia crítica, e pretende calar o mensageiro que traz a notícia ruim, que mostra os fatos incômodos. A imprensa deve ser censurada, submetida ao "controle social", para que esses ditadores em potencial possam reinar absolutos. Chávez já tem uma escolha nas eleições brasileiras deste ano: Dilma, o "poste" do presidente Lula. Os semelhantes regozijam-se entre si. O PT representa o projeto "bolivariano" no Brasil. A todos aqueles que prezam a liberdade, cabe barrar esta corja nas urnas!

terça-feira, março 23, 2010

Frase do dia

If you think health care is expensive now, wait until you see what it costs when it's free."
(P.J. O´Rourke)

sábado, março 20, 2010

Voto nulo, ou política do avestruz

Vídeo onde critico a postura de "avestruz" de quem escolhe anular o voto, ignorando que o momento histórico pede uma ação contra a continuidade do projeto bolivariano dos petistas.