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domingo, julho 07, 2013

A lição de Anderson Silva

Fonte: O GLOBO
Rodrigo Constantino

Que decepção! Fiquei acordado até tarde neste sábado para ver a luta mais esperada da noite: Anderson Silva x Chris Wiedman. E tudo se acabou rapidamente, após excessiva provocação e palhaçada por parte do brasileiro.

Qual lição essa luta passa para o outro campo de batalha, a política? Para os petistas, defensores do cinturão, a clara ideia de que não devem brincar com o inimigo. E eles parecem ter absorvido a mensagem. 

A presidente Dilma vai se reunir com blogueiros, para "reatar o relacionamento". Sakamoto, motivo de piada nas redes sociais, será um deles. Os representantes do governo mal tentam usar eufemismos: a tática é escancarada mesmo, e significa soltar verbas para blogueiros chapa-branca. É o governo comprando apoio nas redes sociais, para tentar levantar sua péssima reputação.

Os tucanos deveriam compreender a lição também. Até porque em 2005 cometeram o mesmo erro. Acharam que o mensalão tinha nocauteado o oponente, e ficaram dançando no ringue, achando que bastava aguardar o outro sangrar até cair duro. Deu no que deu. O diagnóstico foi precipitado demais, o moribundo se reergueu e derrotou o favorito. 

Desta vez os golpes vieram das ruas, da economia, e a presidente Dilma, defendendo seu cinturão, caiu no chão. Sua aprovação desabou 30 pontos! O que vão fazer os tucanos? Aguardar a possibilidade de recuperação da oponente? Rebolar diante dele? Oferecer a face, chamar para um direto no rosto, sorrindo? Vai dar uma de Anderson Silva, e brincar com o desafiante? 

Claro que o PSDB não deve fazer o jogo sujo do PT. Mas isso não quer dizer que ele não possa atacar mais, com seriedade, determinação, dentro das regras do jogo. O PT usa golpes baixos, dedo no olho, cotovelada na nuca. Usa a máquina estatal para comprar apoio de "jornalista" vendido. Cabe ao PSDB reagir, expor aos juízes os abusos do oponente, e partir para cima, "cair dentro" e tentar finalizar a luta logo de uma vez.

Se ficar sambando na frente do inimigo, achando que será moleza vencê-lo, vai acabar levando um direto de esquerda e desmontar no chão. E o público, com toda razão, ficará achando que o lutador quis perder, entregar de bandeja a vitória ao outro. Reajam, tucanos!

sexta-feira, setembro 28, 2012

Luta livre e eleições


Luta livre e eleições

Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Faleceu nesta quinta Ted Boy Marino, o “avô” da luta livre. Ele foi um dos ícones daquelas “lutas” da década de 70, que mais pareciam um show cômico. Eu era muito novo no começo dos anos 80, mas ainda me lembro de algumas tardes vendo o espetáculo. E uma coisa nele sempre me incomodou profundamente: era “fake”.

Os gostos mudaram, os “reality shows” estouraram (até em demasia), e hoje parece impensável tanto sucesso para uma luta armada daquelas. Estamos na era do MMA, da pancadaria real que pode mandar alguém direto ao hospital, quiçá cemitério.

É verdade que a quase completa ausência de regras no começo do “vale-tudo”, nos tempos de Tank Abbott e dos Gracie, também era um impeditivo ao grande público. Era “tosco” demais, e para o MMA atingir milhões de espectadores, foi preciso suavizar um pouco a coisa e criar regras mais rígidas e civilizadas.

Mas por que falo disso tudo aqui? Porque, ao escutar sobre a morte de Ted Boy, pensei nas eleições. Se as lutas evoluíram para algo mais realista, as eleições brasileiras continuam um jogo de cena, pura armação. Não temos uma oposição legítima, séria, disposta a encarar de verdade os vilões da democracia e da liberdade. Temos “opositores” que simulam ataques, e provavelmente saem para bebericar juntos depois. São atores canastrões fazendo um teatro de quinta categoria para o “respeitável” público.

Está na hora de trocar a “luta livre” ensaiada pelo “vale-tudo” no ringue das eleições nacionais. Não é preciso liberar geral, com direito a dedo no olho e baixo nível. Mas é necessário tornar o evento mais realista sim, com disputas legítimas. E quem pretende ter vida pública e viver do dinheiro dos nossos impostos, deve saber que temos o direito de esmiuçar os detalhes de sua vida privada, pois o decoro é um dos quesitos importantes para a liderança política. Ou deveria ser.

Nas eleições de 2006, por exemplo, no auge do mensalão, a grande sorte de Lula e do PT foi ter no outro lado do ringue uma espécie de Ted Boy, pois fosse um Anderson Silva da vida, era nocaute na certa!