quarta-feira, novembro 21, 2007

O Espírito Socrático



Rodrigo Constantino

"O principal antídoto para a credulidade é, numa era de emancipação individualista, a ação completa e livre do espírito crítico." (Irving Babbitt)

Em Democracia & Liderança, Irving Babbitt defende uma maior responsabilidade moral dos indivíduos, alegando que a postura crítica diante dos "ideais" se faz fundamental para resgatar os padrões e evitar os conceitos vazios. Para Babbitt, se os "revolucionários modernos experimentaram desilusões de severidade quase sem paralelo, foi com freqüência porque emprestaram suas imaginações às palavras, sem se assegurarem de que essas palavras tinham correspondência com as coisas". A Revolução Francesa e seu famoso slogan "liberdade, igualdade e fraternidade" são bons exemplos disso. A definição correta dos conceitos é fundamental para qualquer civilização. Quem deseja atacar uma civilização, costuma sempre adulterar os conceitos básicos de certas palavras, atribuindo sentidos muitas vezes opostos a elas.

No mundo moderno, essa inversão de conceitos parece cada vez maior. O adjetivo "social", por exemplo, costuma ser aplicado de forma insistente em tudo que é expressão, conquistando uma legião de autômatos através das emoções. Nos Estados Unidos, foco das preocupações de Babbitt, a esquerda foi tão eficiente na manipulação de conceitos que até o termo "liberal" passou a ser associado a políticas claramente antiliberais, que pregavam sempre maior intervenção estatal na economia. Para ele, "o sofista e o demagogo florescem numa atmosfera de definições vagas e imprecisas". Um dos conceitos mais deturpados de todos é, sem dúvida, o conceito de justiça. Adicionando-se o termo mágico "social" à palavra justiça, tem-se a morte da verdadeira justiça e sua substituição por algo totalmente diferente, arbitrário e vago, que costuma levar a grandes injustiças. Justiça social, como muito bem coloca Babbitt, "significa na prática justiça de classes, justiça de classes quer dizer luta de classes, e luta de classes, levando-se em conta toda a experiência do passado e do presente, significa o inferno".

Babbitt se mostrava bastante cético com a democracia num ambiente sem respeitáveis lideranças nas minorias. Ele via o homem médio como naturalmente indolente do ponto de vista espiritual, ou seja, as massas não teriam o desejo de reconhecer padrões nem se disciplinar com referência a eles, preferindo "se expandir livremente de acordo com seu desejo dominante". Nesse contexto, o homem "se apega avidamente a qualquer coisa que pareça favorecer seu desejo". A "vontade popular" acaba levando ao imperialismo, significando "a vontade de uma multidão de homens que mais e mais se emanciparam dos padrões tradicionais" e cada vez mais se entregam à busca irresponsável de emoções. Essa simpatia pelo homem comum pode ser, no fundo, demagógica: "O idealista democrático, todavia, quando recorre ao homem comum, não o faz pensando na sobriedade de seu julgamento. Ele raciocina sempre com a vontade imediata de uma maioria numérica". Para Babbitt, "a noção de que a sabedoria está na maioria popular num determinado momento deveria ser a mais desacreditada de todas as falácias". Babbitt especula que Jesus teria sido escolhido, pelo voto, para morrer na cruz em vez de Barrabás, tivesse ocorrido um plebiscito em Jerusalém. Sócrates recebeu o veneno de cicuta como castigo por "corromper a juventude e crer em deuses diferentes", praticamente num referendo popular.

Falando em Sócrates, eis justamente o que Babbitt considera um bom escudo contra essa "psicologia das massas", que coloca as emoções acima do julgamento crítico: o questionamento socrático. Com a ajuda do crítico socrático, segundo Babbitt, "o povo poderia ter alguma oportunidade de distinguir entre amigos e bajuladores". Afinal, como é sabido, o diabo não é muito perigoso a menos que passe por um anjo. O alerta de Schopenhauer seria importante aqui: "Quem espera que o diabo ande pelo mundo com chifres será sempre sua presa". Muitas vezes o diabo reveste seus chifres com a capa do altruísmo, ou então manipulando conceitos e dando significado contrário às palavras, bem ao estilo orwelliano do "duplipensar". A fórmula revolucionária contida no slogan da Revolução Francesa, já citado acima, é em si "apenas um portentoso jogo de palavras". Em vez de liberdade, veio a escravidão; em vez da igualdade, vieram os novos privilégios; e em vez da fraternidade, veio o Grande Terror de Robespierre. Fraternidade passava a significar guilhotina. Os fins justificam os meios. O monopólio da virtude supostamente presente nos revolucionários fornece uma carta branca para as mais espantosas atrocidades. Não foi diferente na revolução bolchevique liderada por Lênin.

É importante destacar que os inimigos da verdadeira liberdade não são apenas diabos com chifres que deliberadamente desvirtuam conceitos. O caminho do inferno está repleto de bem-intencionados. Como lembra Babbitt, "acreditar que as boas intenções são suficientes para lidar com os homens é o mesmo que achar que elas bastam para um químico que trabalha com altos explosivos". Afinal, "sob certas condições, a própria natureza humana pode se transformar no mais poderoso dos explosivos". A fé num messias salvador, no "bom revolucionário", costuma representar justamente isso: o imperialismo como fruto da boa intenção. Muitos homens se sensibilizam com uma personalidade impressionante, "ao passo que poucos são capazes de pesar as tendências fundamentais das idéias". Novamente, as emoções solapam o julgamento crítico dos indivíduos, levando ao caos e a resultados opostos àqueles intencionados.

Os demagogos, aproveitando-se das emoções das pessoas e manipulando o conceito das importantes palavras, acabam direcionando a nação rumo à tirania, caso não haja uma mentalidade mais crítica no povo e, principalmente, nas lideranças. Babbitt alerta: "A disputa democrática, a que todos deveriam ter chance, é excelente, desde que cada um tenha a oportunidade de se igualar aos padrões elevados. Se a extensão democrática da oportunidade for, por outro lado, um pretexto para rebaixar os padrões, a democracia será, então, incompatível com a civilização". Babbitt, que era americano, escrevia basicamente para o público americano. Todos aqueles que vivem na América Latina tem a obrigação de levar ainda mais a sério o seu alerta. A "justiça social" nessa região parece um conceito divino, que permite qualquer tipo de agressão à propriedade e à verdadeira justiça. Por outro lado, o espírito socrático da população – inclusive das lideranças – é praticamente inexistente.

terça-feira, novembro 20, 2007

Feriado Racista


Rodrigo Constantino

Comemora-se hoje o “Dia da Consciência Negra”, mais um feriado num país recordista de feriados – como se o país fosse rico o bastante para se dar este luxo. Entendo que políticos foquem sempre em grupos de minorias, buscando garantir privilégios em troca de votos. Entendo também que os demais não se importam, pois afinal, trata-se de mais um dia de ócio nada criativo, para um povo que idolatra a preguiça. Mas é preciso constatar o óbvio, mesmo contra a ditadura do politicamente correto: este é um feriado claramente racista!

No seu famoso discurso “My Dream”, Martin Luther King Jr. enalteceu as passagens da Declaração de Independência americana, que prega um tratamento isonômico das pessoas, considerando que todos são iguais perante a lei. Depois ele condena os atos de violência contra os negros, que eram, de fato, vítimas de absurdos nos Estados Unidos. O racismo intencional era combatido, portanto. E a passagem mais famosa e importante diz que ele tinha um sonho, de que seus quatro filhos iriam um dia viver em uma nação onde não seriam julgados pela cor da pele, mas sim pelo conteúdo do caráter. Perfeito! Justo, íntegro e admirável. Devemos julgar indivíduos por suas ações individuais, por suas crenças morais e sua conduta, por seu caráter enfim. Palavras de um dos maiores líderes negros da América.

Mas tanto o regime de cotas raciais adotados no Brasil como o feriado do “Dia da Consciência Negra” vão à contramão dessa mensagem. Estão fomentando cada vez mais o racismo no país que, até então, convivia bem com sua miscigenação “racial”. Um branco que for barrado de uma universidade por conta do regime de cotas racistas terá o ressentimento alimentado contra os negros. O caso dos irmãos gêmeos foi sintomático, onde um deles entrou pelo regime de cotas e o outro foi vetado. É isso que estão estimulando no país: abandonar totalmente os conceitos de mérito individual e adotar como critério a cor da pele, ainda sujeito a erros grosseiros como este. Se o indivíduo é negro, amarelo, pardo ou branco, isso não diz absolutamente nada acerca de seus valores e caráter. Existem negros admiráveis e negros pérfidos, assim como brancos admiráveis e brancos pérfidos. Mas ninguém é admirável apenas por ser negro, até porque não há escolha moral nisso. Seria como admirar alguém por ser alto ou baixo. Não faz sentido algum.

Sei que nem todos na esquerda aprovam as cotas racistas ou este tipo de feriado, mas são bandeiras claramente esquerdistas. Afinal, a esquerda adora disseminar o ódio entre grupos, pregar a luta entre patrões e empregados, brancos e negros, mulheres e homens, heterossexuais e homossexuais etc. Nossa esquerda parece um abutre, que vive da carniça dos outros, e propaga idéias que dividem em vez de unir. Em breve, poderão sugerir o “Dia da Consciência Gay”, ou quem sabe o “Dia da Consciência Proletária”. Um esquerdista típico não consegue julgar isoladamente os indivíduos, apelando sempre para um coletivismo tribalista. E vai assim disseminando um clima de disputa constante entre grupos, ignorando que quem age, de fato, são sempre indivíduos. É nesse contexto que se tem o “Dia da Consciência Negra”, um feriado totalmente racista.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Deus é Brasileiro?


Rodrigo Constantino

"I don't know if God exists, but it would be better for His reputation if He didn't." (Jules Renard)

Einstein qualificava o nacionalismo como a "doença infantil da humanidade". Quando vejo as reações de muitos brasileiros a esta nova "descoberta" do poço gigante Tupi, lembro desse alerta. Até a respeitada revista The Economist fez uma brincadeira com o ditado popular "Deus é brasileiro", alegando que, além de toda a beleza e recursos naturais aqui presentes, o Brasil ainda tem muito petróleo. Mas será que isso é realmente algo fantástico, a ser comemorado por todos os brasileiros?

Os seis maiores exportadores de petróleo do mundo, segundo a CIA World Fact Book, são: Arábia Saudita, Rússia, Noruega, Irã, Emirados Árabes e Venezuela. Por outro lado, os seis maiores importadores de petróleo do mundo são: Estados Unidos, Japão, China, Alemanha, Coréia do Sul e Holanda. Em qual dos dois grupos o leitor preferiria estar? Na verdade, a existência de vastos recursos naturais, especialmente o petróleo, pode até mesmo prejudicar o progresso de uma nação, caso não existam instituições adequadas e educação. Pode-se até falar em "maldição do ouro negro", pela caótica situação em que muitos países produtores de petróleo se encontram. A enxurrada de petrodólares incentiva a corrupção e a concentração de poder político. Além disso, existe o risco da "doença holandesa", quando a exportação de uma única commodity em grande escala pode pressionar a valorização do câmbio, afetando negativamente o restante das indústrias do país. A riqueza de um povo não é fruto de seus recursos naturais, mas sim de sua conduta, do capital humano. Se isso já era verdade antes, imagine na era da informação, onde a Google vale quase US$ 200 bilhões!

A renda per capita média dos seis maiores exportadores de petróleo está na faixa dos US$ 23 mil, contando ainda com a presença da Noruega, país com pequena população e bastante educada, e dos Emirados Árabes, com população também minúscula e razoável abertura econômica. A renda per capita dos seus maiores importadores de petróleo, por outro lado, está na casa dos US$ 29 mil, mesmo abrigando a China, país pobre pela terrível herança comunista. Mesmo assim, temos que a renda per capita dos importadores é 25% maior que a dos exportadores. Se retirarmos a Noruega e os Emirados Árabes do primeiro grupo, e a China do segundo, temos uma diferença de mais de 300%! Em outras palavras, a renda per capita média dos principais importadores de petróleo é três vezes maior que a renda média dos principais exportadores, com algumas exceções. E não resta dúvida que o Brasil, por todas as suas características, parece mais uma Venezuela do que uma Noruega!

Com esses dados em mente, podemos perguntar: Deus é mesmo brasileiro? Assumindo que Deus existe, teríamos que atribuir a Ele toda a beleza e recursos naturais do país, mas sem deixar de lado os 50 mil homicídios por ano, a miséria, a corrupção, Brasília etc. E não podemos esquecer de Lula, é claro! Se Deus é brasileiro, por que o presidente do Brasil é o Lula? Como diz a frase da epígrafe, não sei se Deus existe, muito menos se é brasileiro, mas com certeza seria muito bom para Sua reputação que ele não fosse brasileiro! Eu é que não gostaria de ser o responsável por um país como esse...

Em resumo, a riqueza de uma nação não depende de seus recursos naturais, e vários exemplos comprovam isso. Cingapura e Hong Kong são lugares ricos, sem um único recurso natural. O Japão é um país rico, tendo que importar todo o seu petróleo. Por outro lado, Venezuela, Nigéria, Rússia e Irã são países repletos do ouro negro, mas pobres. A Petrobrás já é um antro de corrupção, usada como veículo político pelo PT. Financia empresários corruptos, artistas engajados na defesa do socialismo, e até mesmo o MST, através de propaganda em sua revista. Enquanto a Petrobrás for estatal, não vejo motivo para comemorar mais reservas em seu poder. Isso significa mais poder para o PT de Lula. O brasileiro, enquanto repete com orgulho "o petróleo é nosso", paga uma das gasolinas mais caras do mundo. E por conta de um ufanismo boboca, aplaude o anúncio do poço Tupi feito de forma espalhafatosa pela ministra Dilma, ao lado do presidente Lula.

Schopenhauer dizia: "A individualidade sobrepuja em muito a nacionalidade e, num determinado homem, aquela merece mil vezes mais consideração do que esta". O Brasil ainda é dominado por uma mentalidade extremamente coletivista e nacionalista. A nação passa a ser um ente concreto, com interesses próprios, um fim em si, transformando os "cidadãos" em meios sacrificáveis. Os súditos de Brasília seguem cada vez mais no caminho da servidão, mas vibram com o pão e circo oferecido pelo governo paternalista. Voltando a Einstein, o físico dizia também que tanto o universo como a estupidez humana eram infinitos, mas ele não estava certo quanto ao universo. E olha que ele nem era brasileiro, diferente de Deus...

sábado, novembro 17, 2007

A Culpa do Ocidente - Vídeo

A miséria dos países pobres pode ser explicada através da riqueza dos países ricos? Seria o progresso de uns fruto da exploração de outros? Em resumo: o Ocidente tem culpa pela situação de pobreza no Terceiro Mundo? Esse vídeo pretende responder essas questões, derrubando as falácias esquerdistas através dos argumentos de Lord Bauer, economista da London School of Economics.

http://www.youtube.com/watch?v=w4hLCl0oZEo

segunda-feira, novembro 12, 2007

A Petrobrás para os Pobres!


Rodrigo Constantino

Tenho uma sugestão a fazer: dar a Petrobrás para os pobres e acabar com o Bolsa-Família! Pretendo sustentar minha proposta com números a seguir, mostrando como essa medida seria vantajosa para quase todos os brasileiros, excluindo apenas uns poucos privilegiados que abusam da condição de estatal da empresa.

Em valores aproximados, o governo gasta algo como R$ 10 bilhões por ano com o Bolsa-Família, beneficiando cerca de 11 milhões de famílias. Supondo que esse gasto não irá sofrer aumento real, apenas acompanhando a inflação, podemos calcular seu valor presente através do fluxo futuro por uma taxa de desconto. Os títulos do governo com prazo mais longo, para 2045, oferecem um retorno real de aproximadamente 6,5% ao ano. Utilizando esta taxa, temos que o valor presente do gasto com o Bolsa-Família, partindo da premissa que ele não irá aumentar mais que a inflação, supera um pouco os R$ 150 bilhões. Em outras palavras: se o governo fosse aplicar uma quantia nos seus próprios títulos e usar o retorno para bancar o programa social do Bolsa-Família, seriam necessários esses R$ 150 bilhões hoje.

A Petrobrás, por sua vez, tem um valor de mercado de aproximadamente R$ 370 bilhões, já considerando a alta das ações após o anúncio da "descoberta" de Tupi, o poço gigante. O governo detém, através da União Federal, 32,2% do capital total da empresa. Não vou levar em conta a participação expressiva que ele possui através do BNDES. O valor da parcela estatal na Petrobrás é, portanto, de aproximadamente R$ 120 bilhões. Ou seja, se o governo vendesse sua participação na empresa ao valor de mercado atual e aplicasse o montante todo nos seus próprios títulos, ele não seria capaz de pagar o Bolsa-Família "somente" com estes recursos. O Bolsa-Família custa mais para o governo do que a Petrobrás vale para ele!

No entanto, a quantia que o governo realmente recebe como acionista da empresa por ano é bem menor, através dos dividendos. No ano passado, por exemplo, a Petrobrás pagou algo próximo a R$ 7 bilhões como dividendos, e a parcela do governo seria de uns R$ 2,2 bilhões. Supondo que este dividendo fosse mantido constante em termos reais, seu valor presente, descontado pela mesma taxa usada para o Bolsa-Família, seria de R$ 35 bilhões. Ou seja, se a Petrobrás não aumentar muito seus dividendos, o governo irá receber em dinheiro dela apenas um quarto do que gasta todo ano com o Bolsa-Família. Podemos dizer ainda: o governo necessitaria de 4 Petrobrás para bancar o Bolsa-Família através dos dividendos que recebe como acionista.

Eis porque minha proposta faz muito sentido. O governo distribui suas ações na Petrobrás de forma igual entre todos os cadastrados no Bolsa-Família hoje, e anuncia o fim do programa Bolsa-Família. Como conseqüência, cada família irá meter a mão em quase R$ 11 mil imediatamente. Esse é o valor atual da participação estatal na empresa dividido pelos 11 milhões do Bolsa-Família. Esse valor corresponde a quase 150 meses de recebimento do Bolsa-Família, ou mais de 12 anos! Cada família pobre teria acesso a este capital para investir como quisesse, bastando vender as ações para quem desejasse comprá-las. Esta seria uma decisão individual. Se a Petrobrás é "nossa", nada mais justo do que cada um escolher o que fazer com a sua própria parte. No caso, o restante do povo abre mão da sua parcela para ajudar os mais pobres. Não é preciso apelar para o altruísmo para defender isso.

A classe média ganha muito com essa medida também, pois o governo acaba com o Bolsa-Família, cuja burocracia custa caro, sem falar do foco de corrupção e da compra de votos. Além disso, a classe média já não vê a cor do dinheiro no fato da Petrobrás ser "nossa" mesmo, pois paga uma das gasolinas mais caras do mundo. Quem se beneficia da Petrobrás como estatal são apenas os políticos, que a utilizam como moeda de troca, os empresários corruptos, que fornecem produtos para a estatal pela amizade com o governo a preços super-faturados, os artistas "engajados", que recebem verba da estatal para fazer proselitismo, e os incompetentes burocratas, que não seriam aceitos nem como gerentes numa Exxon, mas assumem o comando da empresa por pura afinidade política com o governo. Além disso, o governo iria arrecadar muito mais dinheiro através de impostos, pois a Petrobrás privatizada teria uma gestão mais profissional e seria muito mais eficiente, como comprovam todas as privatizações já realizadas. O governo passou a receber muito mais em forma de impostos quando a Usiminas, CSN, Embraer, Telebrás e ferrovias passaram para as mãos do setor privado. Não há um único motivo para achar que seria diferente com a Petrobrás.

Em resumo, minha sugestão seria benéfica para a grande maioria do povo brasileiro. Como os esquerdistas nacionalistas costumam apelar para a retórica de que "o petróleo é nosso", minha proposta não deixa saída lógica para eles a não ser aceitar, pois nada mais justo que o próprio povo assumir o controle da empresa diretamente. Esse controle só iria parar em mãos estrangeiras se o próprio povo assim desejasse, cada um votando diretamente com sua própria ação. Além disso, a retórica esquerdista de que os mais ricos devem sustentar os mais pobres também é atendida nesse caso, não deixando escapatória para a esquerda. Os "mais ricos" abrem mão de sua parte, doando toda a empresa para os mais pobres, hoje dependentes do Bolsa-Família. Como algum esquerdista terá a coragem de ser contra esta proposta? Vamos dar a Petrobrás para os pobres!

quinta-feira, novembro 08, 2007

O Massacre na Finlândia


Rodrigo Constantino

Após o choque inicial por mais um caso de desgraça causada por um maluco qualquer, alguns pontos ficam como reflexão desta chacina realizada na Finlândia. Em primeiro lugar, trata-se de um país pequeno e rico, com pouco mais de cinco milhões de habitantes e renda per capita acima de US$ 30.000. Além disso, demonstra pouca desigualdade, com um índice Gini abaixo de 30, e desponta como o 11º no ranking de IDH. Não obstante, um maluco admirador dos ditadores Hitler e Stalin saiu atirando nos colegas, matando 8 pessoas na escola. Uma das primeiras questões que surgem é: como a mídia em geral iria encarar o fato ocorrido fosse ele numa escola dos Estados Unidos?

Como todos sabem, boa parte da mídia tenta passar a (falsa) idéia de que massacres deste tipo ocorrem com grande freqüência nos Estados Unidos, como se fosse algo extremamente comum, parte do cotidiano americano. E claro que não afirmam se tratar de casos isolados de desequilibrados com sérios problemas mentais. Os antiamericanos de plantão tentam culpar a "cultura da violência" supostamente existente lá, ou então a facilidade em se obter armas. Mas não há nem mesmo correlação entre posse de arma per capita e índice de violência. Como podem alegar causalidade entre uma coisa e a outra então? A própria Finlândia, que costuma ser um país tranqüilo, conta com elevado índice de posse de armas. Além disso, será que essa gente faz cálculos de quantos atos bárbaros desses ocorrem em relação ao tamanho da população? Não vamos esquecer que já vivem mais de 300 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Michael Moore é um que parece não estar interessado nos fatos, mas sim em manipulá-los, adicionando mentiras grosseiras, para pintar um quadro terrível do país onde vive. Como será que o mundo iria ver a Finlândia se lá existisse alguém pérfido e oportunista como Moore, que recentemente chegou até a defender a "saúde" cubana?

Uma segunda coisa que chama a atenção é o fato de o assassino ser um admirador de Hitler e Stalin. Para as pessoas normais, não há nada demais aqui: Hitler e Stalin eram muito parecidos em vários aspectos, farinha do mesmo saco podre. Mas é preciso explicar isso para aqueles que se pegam dogmaticamente nos rótulos, e por ser Hitler de "extrema direita" e Stalin de "extrema esquerda", consideram o nazismo e o comunismo extremos opostos. Ora, Thatcher era de "direita", e por acaso isso a coloca mais perto de Hitler do que este de Stalin? Claro que não. No fundo, os socialistas fazem de tudo para dissociar o nacional-socialismo dos demais tipos de socialismo, e a cara-de-pau é tanta que chegam a colocar o nazismo no mesmo saco do liberalismo! Alguém poderia imaginar um louco desses se dizendo seguidor de Mises e Hitler, ou Hayek e Hitler? Seria piada. Não vamos esquecer que o assassino era louco, mas não necessariamente burro.

Em resumo, é sempre triste ver o que alguns "seres humanos" são capazes de fazer. Essas tragédias chocam o mundo, justamente porque são incomuns, atos bárbaros de verdadeiros monstros. Não importa se elas ocorrem nos Estados Unidos, na Alemanha, na Rússia ou mesmo na Finlândia, são chocantes, pois são obras de delinqüentes sem nenhum resquício de empatia pelos outros homens. São verdadeiros psicopatas, e é muita safadeza dos antiamericanos, sempre que algo assim se passa no quintal americano, tentar colocar a culpa no modus vivendi deles. Tamanho grau de antiamericanismo é totalmente patológico. E o único objetivo desses doentes é culpar os Estados Unidos por todos os males do mundo. Talvez tentem fazer isso até mesmo no massacre da Finlândia. Podem sempre alegar que a culpa, no fundo, reside nos filmes violentos americanos, ignorando os desenhos superviolentos japoneses, por exemplo. Quando o único fim é massacrar os americanos e seu estilo de vida, esses antiamericanos parecem agir como o psicopata do massacre finlandês: movidos por pura patologia!

quarta-feira, novembro 07, 2007

A Influência da Política nos Mercados Financeiros



Rodrigo Constantino

O poder dos políticos é enorme em relação aos mercados financeiros. Num mundo onde os governos chegam a arrecadar metade da riqueza gerada em forma de impostos, dita as regras dos mercados nos mínimos detalhes, controla uma burocracia onipresente e cria inúmeras barreiras protecionistas, parece óbvio que os impactos indiretos nos mercados financeiros são absurdamente elevados. Mas este texto irá tratar de um caso específico e mais recente, que permite uma influência grande e direta nos mercados por parte de poucos políticos: o acelerado crescimento das reservas sob a gestão dos países emergentes.

De forma bastante resumida, temos que o despertar do dragão chinês, aderindo parcialmente ao capitalismo global, e uma profunda revolução tecnológica e financeira mundial fizeram com que a economia global experimentasse anos seguidos de forte crescimento. O caso chinês é especial pela sua magnitude. Com o afrouxamento do controle centralizado e uma gradual abertura econômica, a China vem mostrando um crescimento de dois dígitos faz tempo. Isso tem pressionado muito o preço das commodities, já que a China é grande importadora da maioria desses produtos. Um exemplo típico está no petróleo, que a China, maior importadora do mundo na margem, tem pressionado para cima, fazendo o preço do barril ultrapassar os US$ 90. O mesmo vale para o minério-de-ferro, beneficiando a brasileira CVRD. Em geral, o crescimento econômico puxado em boa parte pela pujança chinesa fez o preço das commodities disparar nos últimos anos. O CRB, índice composto por várias dessas commodities, praticamente dobrou desde 2001.

Um dos resultados disso é o fato de que os países emergentes, normalmente exportadores de matérias-primas, têm acumulado muito dinheiro em reservas. A Rússia, grande exportadora de petróleo e gás, já possui mais de US$ 400 bilhões em reservas internacionais. O Brasil conta com mais de US$ 160 bilhões. Os países árabes sentam em cima de uma outra pilha bilionária de dólares, cada vez maior por causa do aumento no preço do ouro negro. O Goldman Sachs estima que, desde 2001, os países importadores de petróleo já transferiram um valor adicional de US$ 3 trilhões para os produtores de petróleo, por causa do aumento de preço. A própria China, que apresenta um superávit crescente pela sua competitividade no custo de mão-de-obra aliada a uma moeda artificialmente desvalorizada, já tem quase US$ 1,5 trilhão em reservas. A Índia, que vive algo similar, aproveitando sua elevada competitividade no setor de serviços, possui mais de US$ 200 bilhões em reservas. Em resumo, países emergentes, ainda sob forte controle estatal, são detentores de trilhões de dólares em reservas cambiais. A decisão de poucos políticos e tecnocratas desses países pode influenciar tremendamente o rumo dos mercados.

O bom funcionamento dos mercados depende da interação de milhões de indivíduos em busca dos próprios interesses, tentando maximizar suas utilidades de forma racional. Será que esta premissa continua valendo quando alguns poucos políticos, por interesses que não são econômicos, direcionam bilhões através de uma canetada? Quando Warren Buffett decide apostar numa moeda, numa ação ou num título de governo, com certeza ele leva em consideração todos os riscos e benefícios esperados na aposta. É evidente que indivíduos e investidores do setor privado erram, e muito. Mas o funcionamento dos mercados é infinitamente mais eficiente quando estes investidores tomam suas decisões com base nos fatores econômicos conhecidos. Além disso, são tantos investidores e especuladores buscando acertar que os erros de uns acabam compensados pelos acertos dos outros, ao longo do tempo. Excessos irão ocorrer, sem dúvida. Movimentos de manada são comuns nos mercados financeiros, cujo contágio psicológico ocorre com alguma freqüência. Mas nada disso se compara ao risco de um poderoso político, interessado apenas em questões políticas, ter o controle sobre bilhões de dólares para alocação.

Por isso os mercados reagem tanto aos comentários desses políticos. Quando um oficial do governo chinês afirma que considera o dólar uma moeda sob forte ameaça de perder valor, vários investidores correm para comprar euros. Faz sentido: o governo chinês, resolvendo diversificar suas reservas e reduzir a parcela em dólares, pode afetar razoavelmente seu preço. A decisão desses governos não necessariamente é econômica. Muitas vezes é uma estratégia geopolítica. Hugo Chávez, por exemplo, controla bilhões de dólares oriundos do petróleo venezuelano, e todos sabem que as decisões de alocação desta montanha de dinheiro têm sido puramente políticas. As compras de títulos do governo argentino, investimentos no Brasil (inclusive no nosso carnaval), e compras de jatos militares são provas disso, mostrando que o caudilho busca apenas mais poder político na região. Alguém consegue acreditar que o líder do Irã, Ahmadinejad, toma decisões razoáveis na alocação dos seus petrodólares? Um país repleto de petróleo investir tanto no enriquecimento de urânio não parece ser uma decisão racional do ponto de vista econômico. Claro que no fundo o governo iraniano deseja ter uma bomba atômica, algo que não ajuda em nada a economia mundial.

Os exemplos não acabam aqui. Dubai tem investido bastante em turismo, mas com certeza não parece fazer muito sentido construir uma enorme pista de ski artificial no meio do nada. Putin tem feito de tudo para manter seu poder na Rússia, assim como o poder da Rússia nos países vizinhos, e uso como arma para tanto seus recursos naturais. Até mesmo o Japão, que conta com quase US$ 1 trilhão de reservas, sofre pesada influência de poucos políticos, já que o Ministério das Finanças é quem investe a maior parte dessas reservas. O meio político sempre irá contar com menor transparência e responsabilidade pelas decisões, pois o dinheiro é da "viúva". Os incentivos simplesmente não são adequados, e a corrupção é sempre um grave problema.
Para concluir, entre as várias mudanças que o mundo vem experimentando nos últimos anos, essa transferência de poder econômico do setor privado para o setor público, particularmente para os governos de países emergentes, é algo que deve ser monitorado de perto. Não resta dúvida de que esse maior poder político nos mercados financeiros aumenta os riscos de distorções nos preços dos ativos. Afinal, ninguém em sã consciência iria escolher Chávez como gestor de portfolio em vez de Buffett.

domingo, novembro 04, 2007

A Politização dos Empregos


Rodrigo Constantino

“O poder sindical é essencialmente o poder de privar alguém de trabalhar aos salários que estaria disposto a aceitar.” (Hayek)

O debate sobre o sindicalismo está de volta, com uma escancarada luta pela manutenção de privilégios à custa do povo. Os reacionários que desejam manter o imposto obrigatório para sustentar os sindicatos utilizam até ameaça de violência. Muita gente acredita que os sindicatos são benéficos para os trabalhadores. Por uma visão distorcida de que patrões pretendem explorar empregados, essas pessoas acham que esses poderosos sindicatos fortalecem o lado mais fraco dessa “luta de classes”, possibilitando ganhos maiores para os “explorados”. Nada mais longe da verdade.

Em primeiro lugar, os empresários, em um ambiente competitivo, terão total interesse na boa qualidade de vida dos seus empregados. Afinal, funcionário feliz é produtividade maior. Várias empresas foram inovando nesse sentido, para melhorarem o ambiente de trabalho dos seus empregados, ganhando muito em eficiência com isso. A Souza Cruz, por exemplo, possui uma grande academia para funcionários, enquanto a Embraco estimula a união dos empregados com enormes centros esportivos. No Vale do Silício, as empresas de internet são totalmente informais, e depositam grande foco na questão do bem-estar dos empregados. Várias empresas criaram espontaneamente creches, para que as mães pudessem trabalhar perto dos filhos pequenos. Os exemplos são infindáveis. A competição capitalista e a busca do lucro fazem com que os empresários gastem bastante energia na questão da produtividade da mão-de-obra, e esta depende muito da satisfação e qualidade de vida dos empregados.

Na contramão desse interesse mútuo de patrão e funcionário, estão os sindicalistas, que objetivam somente poder político, para que poucos poderosos usufruam de regalias desmerecidas. Vários líderes sindicais levam uma vida de verdadeiro luxo, graças ao poder político que têm nas mãos. Esses sindicatos monopolizam a oferta de emprego, via coerção, e passam a ser os contratantes, inviabilizando que empregados negociem diretamente com o patrão. Em nome dos interesses dos funcionários, esses poucos sindicalistas poderosos maximizam seus interesses particulares, muitas vezes em detrimento dos interesses reais dos trabalhadores.

A lei atual que trata dos sindicatos foi inspirada no fascismo de Mussolini, e garante um poder absurdo a tais entidades. Alguns sindicalistas são tão ricos que possuem até aviões, lanchas e carros blindados, fruto de uma concentração de poder enorme que pressiona os empresários, não a melhorarem a qualidade de vida dos empregados, mas sim a dos próprios sindicalistas. Os sindicatos assumem o poder de patrão de facto, não pelas vias competitivas econômicas, mas sim pela via política. Quem paga o preço é o restante do país, como os consumidores que pagam preços maiores pela menor eficiência das empresas, os desempregados que aceitariam outras condições de trabalho se fossem livres para negociar diretamente com os patrões, ou os empresários que são forçados a reduzir a eficiência operacional para bancar a festa dos sindicatos poderosos. Todos perdem, os poderosos sindicalistas ganham.

Para quem acredita mesmo que os sindicatos que trouxeram as vantagens atuais existentes em vários empregos, vale lembrar quem é responsável pelas inovações nas empresas. Imaginem voltarmos um século no tempo e darmos total poder aos sindicatos. Alguém acha que essas pessoas seriam capazes de criar a décima parte que foi criado por empreendedores, criações que facilitaram e muito a vida dos trabalhadores? Alguém acredita que Luizinho iria inventar o ar condicionado ou o microondas? Alguém acha que o Paulinho teria a idéia de criar o programa de stock options para estimular a produtividade? Alguém acha que o pessoal da CUT teria capacidade de inventar o Modelo T da Ford, e todos os demais carros que se seguiram? Algum líder sindical teria a capacidade de criar a Internet?

Todos os avanços obtidos na produção de bens e serviços foram possíveis através da mente inovadora de alguns, e é o processo competitivo do capitalismo que permite que tal progresso chegue às massas. Os sindicatos não passam de uma barreira artificial nesse processo natural, cobrando um enorme pedágio para que o gargalo seja desobstruído. Monopolizando a oferta de trabalho na marra, através do poder político, os sindicatos exploram os trabalhadores e empresários em nome da luta contra a exploração. Os verdadeiros ganhos dos trabalhadores vêm da competição livre entre empresas. Os sindicatos poderosos acabam muitas vezes sendo um entrave neste caminho, representando a politização dos empregos. Limitar o estrago causado pelos sindicatos é fundamental para a liberdade dos trabalhadores.

Foi o que Thatcher fez na Inglaterra. Os sindicatos mafiosos conquistavam cada vez mais poder, paralisando a nação através de violentas greves, onde os trabalhadores não eram livres para não aderir. A Primeira-Ministra enfrentou com determinação esse grupo de privilegiados, para o grande benefício da economia inglesa e, por conseqüência, dos trabalhadores ingleses. Reagan foi pela mesma linha nos Estados Unidos, no famoso caso da greve dos controladores de vôo. Quando os sindicatos se transformam num poder paralelo, abusando inclusive do poder de violência ou ameaça de seu uso, faz-se necessário combater com firmeza este mal, pois são justamente os trabalhadores, supostamente os defendidos pelos sindicatos, que mais perdem. Não é por acaso que a contribuição sindical costuma ser compulsória. Ora, se os sindicatos são realmente úteis e desejáveis por parte dos trabalhadores, nada mais justo do que a colaboração ser voluntária. Quem defende a manutenção do imposto sindical está dando um atestado de que reconhece a ineficiência deste meio para atender as demandas dos próprios trabalhadores. Quando vemos os métodos usados na defesa da manutenção do privilégio, extremamente violentos, isso fica ainda mais evidente.

sábado, novembro 03, 2007

Chega de Impunidade! - Vídeo

A impunidade é uma das principais causas da criminalidade. É preciso dar uma basta a isso. Chega da cultura do "coitadismo", como se os criminosos fossem as vítimas. Chega de impunidade! A impunidade é uma das principais causas da criminalidade. É preciso dar uma basta a isso. Chega da cultura do "coitadismo", como se os criminosos fossem as vítimas. Chega de impunidade!

Vídeo no YouTube:

http://www.youtube.com/watch?v=gqZkZq8p_a0