quinta-feira, novembro 13, 2008

O Conundrum do Dólar



Rodrigo Constantino

“The typical human inclination is to treat the anomalies as both temporary and reversible. People tend to dismiss the noise as containing no meaningful information.” (Mohamed El-Erian)

O termo conundrum ficou conhecido quando o então presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, usou-o para descrever seu estado de perplexidade diante dos fatos da época. O Fed aumentava os juros de curto prazo, mas as taxas de longo prazo não reagiam como o esperado. Quando estamos diante de um paradoxo desses, onde a história não ajuda muito a explicar a situação, a tendência natural, como afirma Mohamed El-Erian em When Markets Collide, costuma ser ignorar a coisa como um ruído qualquer. Muitas vezes a anomalia será mesmo um ruído. Mas outras vezes pode ser uma mudança estrutural importante, que somente depois ficará mais evidente. Ignorar os paradoxos pode ser muito perigoso. E atualmente, um claro conundrum é a reação do dólar frente às medidas do governo americano.

Se alguém dissesse há apenas dois anos atrás tudo o que o governo americano estaria fazendo agora, provavelmente seria levado para um hospício. Ninguém iria acreditar que em tão pouco tempo o governo americano iria aprovar pacote de US$ 700 bilhões, oferecer linhas de crédito de mais de US$ 1 trilhão através do Fed, expandir a base monetária em 25% num único mês, garantir os depósitos de todos os indivíduos sem lastro para tanto, assumir o controle de seguradoras, bancos e empresas de crédito imobiliário, salvar empresas automotivas em dificuldades, e tudo isso com uma dívida que já passou dos US$ 10 trilhões. Se fosse o governo venezuelano, tudo bem. Se fosse até mesmo o governo brasileiro, isso seria bastante crível. Mas o governo americano tomando passos tão largos rumo ao socialismo? Seria impensável. É o que o desespero de uma crise grave pode fazer. E sem dúvida alguma, se alguém por acaso acreditasse que isso tudo aconteceria mesmo, iria prever uma catástrofe para o valor da moeda americana. No entanto, o dólar tem se valorizado em relação às outras moedas. Eis o grande paradoxo atual.

Do seu patamar mínimo, o dólar já se valorizou cerca de 20% em relação à cesta de moedas usada para calcular o índice. E fez isso justamente durante todos esses anúncios de medidas estatizantes! Quem poderia imaginar que esse seria o resultado da política expansionista sem precedentes? Ignorar esse paradoxo como um simples ruído pode ser fatal. Tentar solucionar o quebra-cabeça é fundamental para uma adequada compreensão do que se passa no mundo. Uma das possíveis explicações pode estar na piada dos dois caçadores na floresta. Eles se deparam com um leão enquanto descansam, e um deles rapidamente coloca seu tênis. O outro, perplexo, pergunta se ele acredita que pode correr mais rápido que o leão. O amigo retruca: “Claro que não! Mas eu posso correr mais rápido que você”. Em outras palavras, não podemos julgar o impacto das ações do governo americano ignorando as ações dos demais governos. Como disse o especulador Martin Zweig, algumas vezes perdemos de vista a floresta quando focamos apenas nas árvores.

As recentes medidas do governo americano sem dúvida colocam o futuro do dólar em xeque, mas os Estados Unidos ainda podem ser vistos como um “porto seguro” se comparados com outros países. Para onde os poupadores vão correr? Para a Europa, numa crise ainda mais grave, com uma carga tributária já absurda e uma previdência totalmente falida? A Alemanha já está em recessão, a França está em decadência faz tempo, e a dívida do governo italiano supera o PIB do país. Vão correr para a China, ficando totalmente na mão do PCC e seu poder arbitrário? Para a América Latina ou para a África? Melhor nem responder. Quando olhamos para a floresta, constatamos que os Estados Unidos, com todas as suas imperfeições, ainda conseguem se destacar perante os concorrentes. Há maior “império da lei” na América, e mesmo com a gastança do governo americano, ele ainda parece mais responsável que outros governos, mais perdulários ainda. Em terra de cego, quem tem um olho é rei.

Outra possível explicação para o puzzle do dólar está num dado mais imediato: o grau de alavancagem em dólar fora dos Estados Unidos foi simplesmente absurdo. A aposta contra o dólar foi vencedora por um longo período, e parecia certo que esta tendência iria continuar. O famoso carry trade passou a incluir o dólar também, além do já tradicional iene japonês. Com uma baixa taxa de juros nos Estados Unidos, e todos apostando na mesma direção do dólar, o mundo inteiro tomou dívida na moeda americana para investir em outros mercados. Foi isso que permitiu uma onda incrível de abertura de capital no Brasil, por exemplo, com forte participação de estrangeiros. O dólar chegou a valer apenas R$ 1,60, e perdeu valor contra praticamente todas as moedas emergentes.

Mas quando a crise chegou, forçando um impressionante movimento de reversão dessa alavancagem em dólar, os investidores descobriram como é perigoso ficar exposto ao risco de escassez da moeda no mundo. Todos aqueles que apostaram contra o dólar nesses últimos anos, com o uso de elevada alavancagem, tiveram que correr ao mesmo tempo para comprar a moeda americana e zerar suas apostas. Isso fez com que o dólar experimentasse uma forte valorização contra essas moedas. A liquidação acelerada de dívida em dólar fez com que a moeda se apreciasse, a despeito da expansão monetária realizada pelo Fed. Essa parece uma razoável explicação para o conundrum do dólar atualmente.

No presente momento, vivemos um conflito de forças: de um lado, a pressão deflacionária por causa da recessão causada pela reversão de uma era de crédito fácil e abundante; do outro lado, os governos levando ao limite seus balanços, imprimindo moeda e ofertando crédito para substituir a função dos bancos, afetados duramente pela crise. Qual será o resultado final desta queda de braço? Não sabemos ao certo. Os mercados parecem precificar uma dura recessão à frente, já que a inflação implícita nos títulos do governo americano está abaixo de 1% ao ano para os próximos dez anos. Ou seja, mesmo com essa alucinada impressão de moeda, drástica redução de juros e expansão fiscal do governo, a inflação não parece ser uma séria preocupação ainda. O foco está todo voltado para a queda da atividade econômica. O desemprego já está em 6,5% nos Estados Unidos, provavelmente rumo aos 10%.

Mas não devemos esquecer que é totalmente possível ter recessão e inflação ao mesmo tempo. Chama-se estagflação, e os Estados Unidos mesmo já viveram isso na década de 1970. Trata-se do pior cenário possível, com desemprego em alta e perda de valor da moeda. Ao tentar evitar a todo custo um ajuste necessário, após anos de excessos causados em parte pelo próprio estímulo do governo, o governo pode estar plantando justamente as sementes da estagflação. O conundrum do dólar pode estar ocultando esse risco no momento, pelos motivos citados acima. Mas quando a poeira baixar, os mercados poderão focar no risco inflacionário também, além do problema da recessão. Serão tempos interessantes – e difíceis – os próximos anos. Nem mesmo o ouro tem sido uma boa proteção, talvez pela venda forçada de muitos investidores que precisam fazer caixa de qualquer maneira para honrar seus compromissos. Será que estamos vivendo uma delicada situação, onde se ficar o bicho pega, e se correr o bicho come?

quarta-feira, novembro 12, 2008

Votar em Paes foi votar no PT!


"Temos uma aliança forte com o presidente Lula, com o PT nacional e local. O Partido dos Trabalhadores tem um papel importante e quadros qualificados para essas funções." (Eduardo Paes, prefeito eleito pelo PMDB em aliança com o PT)

Individualismo Versus Racismo



Rodrigo Constantino

“No longo prazo, a única forma que o racismo pode ser superado é através da filosofia do individualismo, a qual eu tenho promovido por toda a minha vida.” (Ron Paul)

Em seu mais famoso discurso, Martin Luther King Jr. fala do sonho de viver num país onde as pessoas deixem de ser julgadas pela cor da pele, e passem a ser julgadas pelo seu caráter. MLK ressalta a importância das “magníficas palavras” contidas na Declaração de Independência Americana, que defende o direito inalienável à liberdade para todos os indivíduos. Essa é exatamente a postura de Ron Paul, assim como a de vários libertários que rejeitam qualquer tipo de mentalidade coletivista. Como diz Ron Paul em The Revolution, nossos direitos não chegam a nós porque pertencemos a algum grupo, e sim porque somos indivíduos. E como indivíduos é que devemos julgar uns aos outros.

O racismo nada mais é do que um tipo de coletivismo que enxerga a cor da pele como a característica predominante em cada um. Ron Paul afirma: “O racismo é uma forma odiosa particular de coletivismo onde os indivíduos são tratados não pelos seus méritos, mas com base na identidade de grupo”. Para Ron Paul, a filosofia do individualismo é o maior desafio intelectual que o racismo já enfrentou. Por outro lado, a politização do tema pode ser um empecilho para o término desta “desordem do coração”, como Ron Paul chama o racismo. Os “pais fundadores” dos Estados Unidos, entre eles os autores da mesma Declaração de Independência admirada por Martin Luther King Jr., ficariam chocados ao observar como a sociedade americana se tornou politizada, passando a tratar cada assunto no qual há divergências como um problema federal a ser solucionado em Washington. O meio adotado pode ser muitas vezes contraproducente, afastando ainda mais o desejado fim.

Ron Paul explica que o governo exacerba o pensamento racista e ataca o individualismo, porque sua própria existência encoraja a organização das pessoas em linhas raciais para fazer lobby por benefícios e privilégios ao seu grupo. No fundo, isso vale não apenas para a questão racial, mas para todas as outras. Vemos os homossexuais se organizando para demandar privilégios também, e inúmeros outros grupos que ignoram o indivíduo para abraçar algum coletivismo qualquer. Mas o que deveria importar mesmo não é a preferência sexual, ou então a cor da pele de alguém, e sim seu caráter, sua conduta, seus valores e princípios. Uma pessoa pode ser íntegra ou não, e isso claramente não tem relação alguma com a cor da pele ou a preferência sexual.

É espantoso ter de repetir uma obviedade dessas em pleno século XXI, mas infelizmente essa obviedade ainda não é parte do senso comum, mesmo que seja puro bom senso. A mentalidade racista, que separa e julga pessoas usando como critério a cor da pele, ainda é uma triste realidade no mundo em que vivemos. E isso vale para ambos os lados, é importante lembrar. O regime de cotas é uma prova disso. Assim como a postura de muitos americanos dos guetos que “acusam” um negro de estar “agindo como branco” caso ele não aceite as regras locais de conduta, muitas vezes prejudiciais ao indivíduo. Se o negro do gueto rejeita as letras agressivas do rap ou a forma de falar do grupo, ele pode acabar sendo vítima da hostilidade dos demais, um ato claro de racismo com sinal invertido. No Brasil, o mesmo comportamento já pode ser observado em favelas, onde a vulgaridade do funk deve ser a norma seguida para merecer a aceitação do grupo.

Deixo a conclusão com Ron Paul (tradução livre): “Nós não devemos pensar em termos de brancos, negros, hispânicos, e outros grupos do tipo. Este tipo de pensamento apenas nos divide. O único pensamento ‘nós-versus-eles’ que podemos nos permitir é o de povo – todo o povo – versus o governo, que rouba e mente para todos nós, ameaça nossas liberdades, e rasga nossa Constituição”.

segunda-feira, novembro 10, 2008

O Manifesto de Ron Paul



Rodrigo Constantino

“Quando as pessoas temem o governo, isso é tirania; quando o governo teme as pessoas, isso é liberdade.” (Thomas Jefferson)

O candidato democrata Barack Obama foi eleito presidente americano com um repetitivo discurso de mudança. Mas como lembra o senador Ron Paul, o termo “mudança” na política sempre significa mais do mesmo: mais governo, mais inflação, mais guerras desnecessárias e mais centralização de poder. Para quem tem dificuldade de enxergar grandes diferenças entre os Democratas e os Republicanos atualmente – pois ambos passaram a representar o Big Government na prática, o manifesto The Revolution, de Ron Paul, representa uma leitura imprescindível. No fundo, a “revolução” pregada nada mais é do que um retorno às raízes, ou seja, um resgate da Constituição americana, que tem sido jogada no lixo a cada novo mandato. Em outras palavras, Ron Paul defende a postura “radical” de recuperar as lições esquecidas dos “pais fundadores” dos Estados Unidos.

A cada quatro anos, dois candidatos dominam o debate político americano com poucas divergências fundamentais, mas fingindo representar filosofias radicalmente opostas de governo. Até mesmo na questão das guerras não há tanta divergência quanto alguns pensam. Ron Paul lembra que Hillary Clinton e John Kerry, do Partido Democrata, votaram pela guerra do Iraque, sem falar das várias intervenções militares durante o governo de Bill Clinton, como em Kosovo e Somália. As questões fundamentais da política externa americana nunca são trazidas para os debates. Como de praxe, Ron Paul vai buscar nos “pais fundadores” apoio contra esta postura intervencionista americana. O primeiro presidente americano, George Washington, considerava que a grande regra de conduta em relação às demais nações deveria ser uma extensão das relações comerciais, tendo o mínimo necessário de conexões políticas com elas.

A mentalidade de não-intervenção não é a mesma que a de “isolacionismo”. Ao contrário, Ron Paul defende o livre comércio, a diplomacia e a liberdade para viagens. Os isolacionistas verdadeiros são aqueles que pregam embargos, sanções e barreiras comerciais. Ron Paul acredita que a América pode ser um líder através do exemplo, e não da força. Sendo um modelo de liberdade em casa, os Estados Unidos fariam mais pela causa da liberdade no mundo do que tentando “exportar” a democracia. Além disso, Ron Paul se mostra convicto do fracasso dessa postura beligerante americana. É claro que ela não justifica o terrorismo, mas sem dúvida fornece um motivo para a organização de grupos terroristas contra os Estados Unidos. O ressentimento de povos atacados serve como base para o terror. Entre as conseqüências não-intencionais das intervenções militares americanas está justamente o que a CIA chama de blowback, aumentando o perigo de um ataque vingativo contra os americanos.

Além disso, Ron Paul questiona a lógica dos conservadores que desconfiam da eficiência de um governo interventor demais no cenário doméstico, mas depositam enorme fé na capacidade desse mesmo governo apresentar excelentes resultados mundo afora. Sem falar que essa concentração de poder para as metas ambiciosas imperialistas acaba inevitavelmente se voltando contra o próprio povo. Basta lembrar o que o Patriot Act após o atentado de 11 de Setembro representou em termos de perda de liberdades individuais. Os governos sempre procuraram monstros externos para combater, justificando assim seu aumento de poder. Sob as condições de tempos de guerra, as propostas socialistas sempre têm se tornado a regra. Os grandes empresários “amigos do rei” aproveitam essa simbiose entre governo e economia para obter privilégios à custa do povo.

Isso não quer dizer, naturalmente, que nenhuma guerra é justificável. Um país tem total direito de atacar se for atacado. Mas essas situações peculiares que transformam uma guerra em um direito legítimo estão longe de representar a maioria dos casos de envolvimento americano em guerras. Além disso, Ron Paul chama a atenção para o fator inconstitucional cada vez mais freqüente nas guerras que o governo americano entra: o Poder Executivo decide, enquanto o poder de declarar guerra pertence ao Poder Legislativo. Presidentes poderosos costumam apresentar maior risco de uso deste último recurso, enquanto o Congresso, sob maior pressão popular, tem mais dificuldade de apelar para uma guerra. Os povos não gostam de guerras. Com isso em mente que os “pais fundadores” delegaram ao Congresso tal poder, e não ao Executivo.

A política externa americana chegou a um ponto onde seu custo de manutenção excede US$ 1 trilhão por ano. O governo americano possui tropas na Coréia por mais de cinqüenta e cinco anos! Existem tropas americanas na Europa e no Japão pelo mesmo período. Ron Paul pergunta: Quantos anos são suficientes? A presença de tropas americanas nesses locais deveria ser desde o começo, algo temporário. Mas Milton Friedman estava certo quando disse que não há nada tão permanente quanto um programa “temporário” de governo. Ron Paul acredita que esse excesso de extensão militar dos Estados Unidos poderá literalmente quebrar o país, fazer com que sua moeda perca muito mais valor. Ele enxerga o risco do retorno do alistamento obrigatório também, que transforma indivíduos em propriedade do governo. E ele lamenta profundamente o fato de que tais assuntos cruciais não são seriamente debatidos, já que ambos os lados políticos concordam que a nação necessita de tropas em 130 países!

Thomas Jefferson acreditava que a confiança no governo é em todo lugar a mãe do despotismo. A Revolução Americana foi toda feita com base nessa desconfiança em relação aos governantes. A idéia sempre foi limitar o poder central, e estimular o autogoverno dos cidadãos. A mensagem revolucionária de Ron Paul é exatamente essa: preservar a liberdade individual. Os indivíduos têm direito à vida e à liberdade, e a agressão física deve ser utilizada apenas de forma defensiva. O principal argumento contra as invasões governamentais na vida dos indivíduos é moral, e não utilitarista, como a eficiência econômica. Devemos respeitar o próximo como um ser racional, e buscar nossos objetivos através da persuasão e da razão, e não da ameaça e coerção. O governo é força, e não razão. Por isso Ron Paul tenta reacender a chama da liberdade que outrora criou a nação mais livre do mundo. Sua revolução é apenas a continuação pacífica da Revolução Americana e dos princípios dos “pais fundadores”, ou seja, liberdade, autogoverno, a Constituição e uma política externa não-intervencionista. Eis uma revolução que vale a pena defender!

sexta-feira, novembro 07, 2008

As Agências de Risco



Rodrigo Constantino

“O mercado é um ininterrupto plebiscito, onde as preferências e os eventuais erros estão sujeitos a um permanente processo de revisão e ajustamento.” (Roberto Campos)

Eu venho tentando mostrar, em diferentes artigos, que as impressões digitais do governo americano estão em todas as cenas do crime nessa crise. O foco aqui será o evidente fracasso das agências de risco, que deveriam ter antecipado de alguma forma os elevados riscos dos complexos instrumentos financeiros por trás da bolha imobiliária. Muitos críticos do livre mercado aproveitaram essas falhas para condenar o conflito de interesses entre agências de risco e clientes do setor financeiro. De fato, este conflito existe, pois as agências devem avaliar os riscos daqueles que pagam sua conta. Mas, como era de se esperar, as “falhas de mercado” não foram resolvidas pela intervenção estatal. Ao contrário, elas foram agravadas.

Em 1975, surgiu o termo Nationally Recognized Statistical Rating Organization (NRSRO), quando a Securities and Exchange Comission (SEC) promoveu regras sobre a adequação de capital dos bancos e corretoras. A SEC achava que essas instituições financeiras não precisavam manter reservas no mesmo montante do capital para se proteger contra uma possível corrida ao banco, caso elas tivessem investimentos altamente líquidos e seguros. Essa segurança estaria refletida em seus credit ratings, determinados por algumas agências de risco altamente respeitadas. No começo dos anos 1980, existiam sete dessas agências reconhecidas como NRSRO, mas com as fusões, o número caiu para três nos anos 1990. De forma resumida, o setor passou a contar com um “monopólio regulatório”, criado justamente pelo governo.

Vários investidores grandes, como os bancos e fundos de pensão, sofrem restrições regulatórias para suas decisões de alocação de capital. A idéia é controlar o risco de suas posições através de limites impostos pela SEC. Esses investidores não podem, por exemplo, investir em instrumentos cuja nota de crédito está abaixo de certo nível. Como apenas as NRSRO contam na avaliação do crédito para efeito regulatório, o resultado foi uma enorme barreira à entrada de novos players, garantindo o oligopólio das três grandes: Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch. Essa posição de oligopólio, garantida pelo governo, levou a um aumento da negligência dessas agências na avaliação de risco.

Para piorar a situação, o Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de juros artificialmente baixa por longo período, estimulando uma busca desenfreada por mais retorno. Mas, como havia a restrição regulatória da SEC, obrigando uma nota elevada de crédito, logo surgiu uma demanda específica em Wall Street: instrumentos com mais retorno, mas o mesmo grau de risco, segundo as NRSRO. Como dizia Roberto Campos, “tudo o que é rigorosamente proibido é ligeiramente permitido”. Sabemos que não existe almoço grátis, e que retornos mais elevados sempre implicam em riscos maiores também. Mas onde houver demanda, haverá oferta, ainda mais em se tratando dos cérebros jovens e brilhantes de Wall Street. Com o custo de oportunidade a 1% ao ano, graças ao Fed, e com os grandes investidores limitados pelas regras de risco da SEC, as agências de risco apareceram para resolver o problema. Surgiram então os complexos instrumentos de securitização, com notas máximas de risco (AAA), mas com retornos maiores que o normal para este patamar de risco. Os investidores, desesperados por mais yield, resolveram acreditar em almoço grátis. Até eles quebrarem a cara com o estouro da crise imobiliária, descobrindo que tinham comprado gato por lebre.

Como fica claro acima, as tentativas do governo de solucionar as supostas falhas de mercado apenas jogaram mais lenha na fogueira. Qual é o grande ativo de uma agência de risco? Sem sombra de dúvida, é a sua credibilidade. Somente com a confiança dos investidores uma agência de risco pode sobreviver no livre mercado. Se a agência sacrificar sua credibilidade para obter um ganho imediato, concedendo uma nota mais elevada do que deveria para um cliente, ela não irá sobreviver muito tempo, pois ninguém mais levará a sério suas avaliações futuras. No entanto, o governo resolveu blindar as três grandes agências desse risco de mercado, garantindo um monopólio regulatório para elas. Assim, elas podem dar a nota que for, perdendo credibilidade junto aos investidores, que seu negócio está protegido, pois os instrumentos financeiros continuam precisando de suas notas para acessar os grandes investidores.

No mercado financeiro, ninguém mais leva a sério essas agências de risco. Elas são totalmente atrasadas, reduzindo as notas de crédito somente quando a empresa já está à beira da falência e os investidores já puniram suas ações de forma violenta. Ou então concedendo o grau de investimento para um país somente depois que os investidores já anteciparam as melhoras e colocaram tudo no preço. No livre mercado, isso jamais seria possível. Mas como o governo exige o selo dessas agências, elas conseguem não apenas sobreviver, como prosperar. O investidor Warren Buffett, de olho nisso, chegou a investir na Moody’s através de sua Berkshire Hathaway.

As agências são como vigias da qualidade do crédito. Mas quem vigia os vigias? Deveria ser o próprio mercado, punindo aqueles que dormem no ponto. Mas o governo resolveu interferir nesse processo, garantindo o cargo permanente de vigia para três dessas agências, mesmo que elas cometam inúmeras falhas. E quando as falhas não são punidas, pode estar certo de que elas irão ocorrer com mais freqüência.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Sobre a Vitória de Obama - Vídeo

Vídeo caseiro comentando a vitória de Barack Obama nas eleições americanas. Comento a questão racial, as idéias de Obama, quem são os grandes entusiastas dessa vitória, e lamento o culto à presidência, essa mania moderna de tratar o governo como um deus, e o presidente como um "messias salvador" capaz de resolver os males do mundo num passe de mágica.

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quarta-feira, novembro 05, 2008

Essa Turma Comemora a Vitória de Obama!

A Vitória de Obama



Rodrigo Constantino

“Ninguém é mais dogmaticamente insistente na conformidade do que aqueles que advogam a ‘diversidade’”. (Thomas Sowell)

Aquilo que a esquerda no mundo todo sonhava virou realidade: Barack Hussein Obama é o presidente dos Estados Unidos! Sua campanha bilionária foi mesmo de tirar o chapéu. Conseguiu mobilizar muita gente, conquistar através de seu carisma a emoção de milhões de eleitores cansados de um governo medíocre. O repetitivo uso das palavras “mudança” e “esperança” foi uma grande arma, que nos remete ao caso brasileiro nas eleições passadas. Não obstante o fato de que a mudança pode ser para pior, e que a esperança pode ser a “grande falsária da verdade”, como nos ensinou Baltazar Gracian, resta questionar quais as verdadeiras qualidades de Obama que fizeram com que tanta gente ficasse tão empolgada com sua eleição.

Muitos repetem automaticamente a questão racial, comemorando que se trata do primeiro presidente negro americano. Besteira! Os negros já conquistaram inúmeros cargos importantes na política americana, e o simples fato de Obama ter disputado pelo maior partido americano, o Partido Democrata, já seria suficiente para mostrar que a cor da pele não é mais um impeditivo ao cargo máximo da política. Afinal, ele derrotou nas primárias a poderosa família Clinton! Um parêntese: Qualquer um com tanta sede pelo poder é a última pessoa que deveria ter poder. Além disso, aqueles que citam o aspecto racial parecem não notar que estão justamente aderindo ao racismo que dizem combater. Ora, por que devemos comemorar a eleição de alguém por causa da cor da pele? Isso é exatamente aquilo que Martin Luther King Jr. não queria! Seu sonho era uma nação onde as pessoas não fossem julgadas pela cor da pele, e sim pelo caráter. Qual o caráter de Obama? Algum empolgado defensor sabe? Quais são as grandes idéias de Obama? Algum emocionado defensor sabe? Pelo visto, querem Obama porque ele é negro, e isso é racismo puro, ainda que com sinal trocado.

Na verdade, a questão racial serviu desde o começo da campanha para blindar Obama contra críticas. A poderosa agenda “politicamente correta” vem ganhando mais espaço, e se alguém questiona a capacidade administrativa do candidato negro, é logo tachado de “racista”. Os cariocas conhecem bem essa patrulha, usada quando a então governadora petista Benedita se envolveu em escândalo de uso indevido do dinheiro público. O racismo é sempre execrável, mas isso vale para os dois lados. Se alguém deixa de votar num candidato apenas por causa da cor da pele, isso é tão abominável quanto alguém votar num candidato apenas por causa da cor da pele. Infelizmente, creio que isso aconteceu em grande escala nessas eleições americanas. Afinal, quantos eleitores de Obama realmente conheciam suas principais idéias? Qual o grande currículo de Obama, cuja “profissão” na vida sempre foi ser político? Como disse Charles de Gaulle, “a política é um assunto sério demais para ficar nas mãos dos políticos”. Obama nunca quis gerar riqueza no setor privado. Pelo visto, ele tinha algo mais “nobre” em mente: usar a riqueza alheia para pregar a “justiça social”. Não sei quanto ao leitor, mas eu admiro mais a trajetória de um Michael Bloomberg da vida...

As idéias de Obama são claramente intervencionistas, alinhadas com a agenda “progressista” que condena o livre mercado. Qual a coerência da esquerda brasileira, que sempre acusou os americanos de pregar o liberalismo enquanto pratica o protecionismo em casa, em defender Obama? Ora, Obama é o candidato dos subsídios agrícolas, o candidato do protecionismo comercial, justamente tão atacado no Brasil – e com razão. Eu já não cobro coerência da esquerda faz muito tempo. Afinal, os mesmos que condenam esse protecionismo americano adoram quando o próprio governo adota medidas protecionistas, e ainda recebem o francês Bovè, ícone dos subsídios agrícolas da Europa, com tapete vermelho no Fórum Social Mundial. Ou então condenam o embargo americano a Cuba pela miséria da ilha-presídio, ao mesmo tempo em que chamam de “exploração” o comércio com os americanos. Está mais do que na hora da esquerda decidir se o livre comércio é algo bom ou ruim! E poderia aproveitar para resolver se é desejável que o governo tire dinheiro do pagador de impostos para dar aos banqueiros, pois o PROER foi motivo de fúria em nossa esquerda, enquanto hoje ela aprova os pacotes de ajuda do governo aos bancos. Melhor não tentar entender a “lógica” esquerdista...

Algo muito interessante nessa vitória de Obama foi o entusiasmado apoio que ele recebeu de tantos antiamericanos ferrenhos, os mais patológicos de todos. Será que Ahmadinejad, Raúl Castro, Lula e tantos outros que sempre destilaram seu ódio ao “império” americano e seu modus vivendi, repentinamente passaram a gostar dos Estados Unidos? Não parece estranho que os maiores inimigos dos Estados Unidos estavam do lado de Obama? Fora isso, ele recebeu amplo apoio dos maiores inimigos internos dos Estados Unidos também. Os fortes sindicatos, que tentam garantir privilégios à custa dos demais trabalhadores, doaram milhões para a campanha de Obama. A grande imprensa foi toda favorável a Obama. Os “intelectuais”, que costumam ser bajuladores de ditaduras esquerdistas mundo afora, estavam todos com Obama. Os atores de Hollywood, sempre prontos para atacar os Estados Unidos e defender regimes nefastos, deram total apoio a Obama. Enfim, mesmo se não soubesse nada das idéias de Obama, já ficaria contra ele, somente pela lista assustadora de empolgados defensores de sua vitória.

Espero que o governo de Obama não seja um desastre para os Estados Unidos, como foi o governo de Bush. Mas acho difícil evitar um avanço ainda maior do governo nas liberdades individuais. Infelizmente, os pilares ideológicos dos “pais fundadores” da nação estão cada vez mais enterrados por lá também. A própria idolatria ao presidente, o culto ao “messias salvador”, com inúmeras pessoas chorando de tanta emoção com a crença de que os males serão solucionados através da magia estatal, demonstra como o país se afastou dos princípios liberais de seus fundadores. Estes enxergavam com enorme desconfiança o governo, visto como um “mal necessário”, cuja função básica era apenas preservar as liberdades e o direito de propriedade privada. Algo muito diferente da imagem que muitos têm do governo atualmente, uma espécie de Deus capaz de criar riqueza num estalo de dedos. E Obama é seu mais novo profeta, o representante do próprio Deus na Terra.

O que a vitória de Obama realmente representa é isso: a crescente tendência de aumento do governo e concomitante redução da liberdade individual; a vitória da agenda “politicamente correta” que prega a “diversidade” enquanto é totalmente intolerante com certas diferenças; a vitória dos dogmáticos que pregam a “mudança” enquanto desejam apenas mudar os outros; e, por fim, o uso inadequado da questão racial, que não passa de racismo com sinal trocado.

domingo, novembro 02, 2008

Os Defensores da Política Inflacionária



Rodrigo Constantino

“Inflação é o complemento fiscal do estatismo e do governo arbitrário”. (Ludwig von Mises)

Em The Theory of Money and Credit, Ludwig von Mises deixa claro que a inflação não é um ato divino, mas sim um resultado de políticas de governo. Ela é um subproduto das doutrinas que delegam ao governo o poder mágico de criar riqueza do nada e fazer o povo feliz através do aumento da “renda nacional”. O dinheiro é apenas um meio de troca para facilitar o escambo de produtos, através do uso de um denominador comum. Mas o que de fato se troca são bens e serviços, e a riqueza deve, portanto, ser criada pelos indivíduos. O produtor troca seus produtos no mercado para satisfazer suas demandas, recebendo em troca aquilo produzido por outros. Essa divisão de trabalho permite um ganho enorme de produtividade. Mas para consumir é preciso sempre produzir.

Isso parece bastante óbvio, mas infelizmente muitos economistas ignoram este fato da realidade. Estes acabam defendendo a ilusão de que o governo pode aumentar a riqueza real através de um estímulo artificial na atividade econômica, expandindo a circulação de dinheiro. O crédito fácil é visto como um substituto para o capital, e esse caminho leva inexoravelmente a graves crises. O que esses economistas não costumam levar em conta é que a transação de crédito é apenas uma troca de bens presentes por bens futuros. Aqueles que pouparam seu capital emprestam para aqueles que valorizam mais seu uso imediato, e a taxa natural de juros depende das diferentes preferências intertemporais dos agentes. A grande confusão de muitos – economistas e leigos – está na mistura dos conceitos de riqueza e dinheiro. Ambos não são sinônimos.

Mises expõe de forma brilhante os fundamentos monetários que garantem a liberdade de mercado. A doutrina liberal enxerga a economia de mercado como a melhor, se não a única possível, forma de organização da sociedade. A propriedade privada dos meios de produção costuma alocar capital para os mais hábeis em atender a demanda dos consumidores. Sendo um sistema de cooperação pacífica sob a divisão de trabalho, a economia de mercado necessita de instituições que protejam seus membros da agressão violenta de inimigos. A sociedade precisa de um aparato de defesa. Mas automaticamente surge o perigo de abuso desse poder. A força policial do Estado pode se voltar contra o próprio povo, e como evitar isso tem sido o grande problema político da humanidade. No entanto, o abuso de poder não é apenas físico. Ele pode ocorrer no âmbito monetário também. Por isso Mises achava impossível compreender o conceito de “dinheiro sólido” sem levar em conta que ele é um instrumento para a proteção das liberdades civis contra os caminhos despóticos dos governos. Ideologicamente esse conceito pertence ao mesmo grupo das constituições e “bills of rights”.

Nesse contexto, Mises entende que a grande vantagem do padrão-ouro é justamente blindar o poder de compra da moeda contra as políticas governamentais. O controle parlamentar das finanças públicas funciona somente se o governo não puder apelar para gastos não-autorizados através do aumento da circulação de papel-moeda. A política inflacionária costuma ser bastante popular, em grande parte pela compreensão inadequada de seus efeitos. Aqueles que demandam tal política estão sempre focando apenas em um lado da equação – o seu próprio. O que eles desejam é um aumento nos preços daquelas commodities e serviços que eles vendem, enquanto gostariam de ver os demais preços inalterados. Os ingênuos encaram a emissão de moeda pelo governo como uma espécie de milagre econômico. O fiat money é como se fosse um fiat lux! O governo cria algo ex nihilo, num estalo de dedos. O lastro para esse dinheiro não precisa ser mais do que o toner das impressoras do Tesouro. Um papel emitido pelo governo assume automaticamente o poder de ser trocado por qualquer mercadoria desejada. É a alquimia finalmente alcançada. Mises ironiza: como parece tímida a arte das bruxas se comparada com aquela do Departamento do Tesouro!

A ignorância do público é indispensável para esta política inflacionária. Mas, como dizia Lincoln, não é possível enganar todas as pessoas o tempo todo. Quando as massas entendem os esquemas dos governantes, e notam que o aumento dos preços é generalizado e artificial, então os planos inflacionários entram em colapso. O dinheiro só é aceito como tal se o comércio assim desejar. Quando o dinheiro compulsório do governo perde sua credibilidade, o próprio mercado adota algum mecanismo substituto. O papel-moeda passa a não valer mais nada, como aconteceu na Alemanha e Brasil, e ocorre atualmente no Zimbábue.

O padrão-ouro é um concorrente de peso para os governos, justamente porque o ouro quase sempre foi escolhido naturalmente como moeda. Mas os governos não gostam dessa concorrência, pois o padrão-ouro anula sua capacidade de usar o imposto inflacionário como disfarce para mais gastos. Quando muitos críticos do padrão-ouro alegam que ele fracassou, faz-se necessário lembrar que isso não ocorreu espontaneamente, mas sim como resultado de ações deliberadas dos governos. Todos os aparatos coercitivos do governo tiveram que ser usados para abolir o padrão-ouro, incluindo a proibição de compra e venda do ouro ou seu uso como moeda oficial em contratos comerciais. Até mesmo nos Estados Unidos a compra de ouro chegou a ser proibida em 1933. O padrão-ouro não faleceu naturalmente, mas foi assassinado pelo governo.

O padrão-ouro impede a falaciosa política de “pleno-emprego”. Como os salários acabam sendo mais rígidos por conta da pressão de sindicatos e decretos do governo – como o salário mínimo, cria-se artificialmente uma classe de desempregados, que estaria trabalhando se fosse possível cobrar menores salários. O governo adota então uma política de “pleno-emprego” para combater um mal criado por ele próprio. Como já entendia muito bem Keynes em 1936, reduz-se o salário real dos empregados, através do aumento de preços, para impedir uma redução em seu nível nominal. Keynes acreditava que esse caminho ofereceria menor resistência, mas talvez ele estivesse subestimando a capacidade dos trabalhadores de compreender a situação. O foco dos sindicatos nos índices de inflação, em vez de olhar apenas o salário nominal, comprova isso.

Aquilo que os inimigos do padrão-ouro costumam enxergar como seu grande vício pode ser justamente sua grande virtude: ele é incompatível com uma política expansionista de crédito. Qualquer um pode entender que uma maçã para consumo hoje vale mais do que uma maçã disponível para consumo em um ano. Mas os expansionistas acreditam que os juros são um entrave à expansão da produção, e que representam uma criação maligna dos interesses egoístas dos emprestadores. No entanto, é impossível substituir bens de capital inexistentes por papel-moeda ou crédito artificial. A expansão monetária pode causar um boom momentâneo, mas acaba inevitavelmente em recessão ou mesmo depressão. A festa bancada por crédito fácil acaba sempre em ressaca, e se esta for combatida com mais e mais liquidez artificial, pode acabar em cirrose.

O poder da impressão de dinheiro artificial nas mãos do governo sempre foi um enorme risco para a liberdade e prosperidade dos povos. Esse poder foi utilizado de forma abusiva desde quando o imperador romano Diocleciano resolveu reduzir o teor metálico das moedas, fazendo com que perdessem valor real. Em situações mais emergenciais, essa prerrogativa sempre costuma ser usada pelos governos. Em tempos de uma suposta ameaça de guerra ou crise econômica, os governantes acreditam na necessidade urgente de aumento dos gastos públicos, mas muitas vezes a maioria do povo não concorda. O governo então ignora a saída democrática de propor uma votação sobre os necessários sacrifícios momentâneos, preferindo o caminho do engano, através da política inflacionária. Não há transparência sobre os custos reais das medidas, e o governo se aproveita da ignorância das massas. O recurso inflacionário garante ao governo os fundos que ele não conseguiria captar através dos impostos diretos ou por emissão de dívida. Eis o verdadeiro motivo para uma política inflacionária. Seus defensores são inimigos do “dinheiro sólido” e, concomitantemente, da liberdade individual.

PS: A teoria sobre ciclos econômicos da Escola Austríaca nunca foi tão útil como nos dias atuais. Diante da crise financeira que segue fazendo vítimas no mundo todo, eis que o Federal Reserve, o banco central americano, expandiu a base monetária em 25% num único mês! Este aumento não tem precedentes desde que os dados começaram a ser computados. O governo coloca sua impressora de papel-moeda para rodar em um ritmo alucinado, na esperança de evitar uma dolorosa recessão necessária após um longo período de crédito abundante, estimulado pela política de juros artificialmente baixos. Para aqueles que não acreditam na alquimia, em milagres ou no toque de Midas do governo, estes dados são inquietantes. Especialmente para aqueles com poupança em dólar...

sábado, novembro 01, 2008

Governo Lula regulamenta a caipirinha



Finalmente o governo do presidente Luísque Inácio Lula da Silva usa seu típico autoritarismo para algo que ele entende!!! Esse é mesmo o país da piada pronta.

'Diário Oficial' publica regra para fazer caipirinha

O Ministério da Agricultura publicou, no Diário Oficial da União de sexta-feira, um regulamento técnico que estabelece "padrões de identidade e qualidade" para se preparar uma autêntica caipirinha. Segundo a publicação, as regras servem tanto para a bebida produzida no Brasil quanto à feita no exterior.

O regulamento, assinado pelo ministro Reinhold Stephanes, explica que os principais ingredientes são a cachaça, o limão e o açúcar. "O açúcar aqui permitido é a sacarose - açúcar cristal ou açúcar refinado -, que poderá ser substituída total ou parcialmente por açúcar invertido e glicose, em quantidade não superior a 150 g/l e não inferior a 10 g/l, não podendo ser substituída por edulcorantes sintéticos ou naturais", detalha o texto.

Além disso, o regulamento do ministério informa que o limão pode ser usado em sua "forma desidratada". A água pode ser adicionada à bebida alcoólica, mas apenas com objetivo de "padronização da graduação alcoólica do produto final", que deve variar entre 15% e 36%.

Entre as normas, estão também a proibição de "adição de qualquer substância ou ingrediente que altere as características sensoriais naturais do produto final" e da "utilização de corantes". Além disso, é proibido usar "flaconetes, sachês, conta-gotas, spray, ampolas, copos-medidas" na produção da caipirinha.

O ministério também publicou regras para a utilização do licor, bebida alcoólica mista, batida, bebida alcoólica composta, aperitivo e aguardente composta.