quarta-feira, junho 17, 2009

Grande Paul Krugman, Nobel de Economia!



"To fight this recession the Fed needs more than a snapback; it needs soaring household spending to offset moribund business investment. And to do that, as Paul McCulley of Pimco put it, Alan Greenspan needs to create a housing bubble to replace the Nasdaq bubble." (Paul Krugman, writing in August of 2002)

Mas quem vai cobrar explicações do que essa turma escreve?
Alguém amanhã vai cobrar do Krugman as besteiras que ele defende hoje?
Bastaria acompanhar um pouco o histórico de previsões e recomendações desses keynesianos para nunca mais levá-los a sério. O problema é que muitos idolatram o fracasso... e sucumbem ao apelo à autoridade. Se o cara ganhou o Prêmio Nobel, então não preciso mais focar em seus argumentos e cobrar lógica deles! E todos querem saber o que o grande Krugman tem a dizer sobre como resolver os problemas dessa crise agora...

Seria cômico, não fosse trágico!

terça-feira, junho 16, 2009

Os Heróis do Frei



Rodrigo Constantino

“É sumamente melancólico - porém não irrealista - admitir-se que no albor dos anos 60 este grande país não tinha senão duas miseráveis opções: ‘anos de chumbo’ ou ‘rios de sangue’...” (Roberto Campos)

Em artigo publicado hoje em O GLOBO, Frei Betto tenta reescrever a História da esquerda atualmente no poder. Usando o recurso da “vitimização”, ele fala dos horrores da ditadura militar, como se aqueles grupos terroristas de esquerda realmente lutassem pela democracia. Frei Betto enaltece figuras como Carlos Marighella, Franklin Martins e Dilma Rousseff, guerrilheiros com fichas criminais bastante extensas.

Não obstante o fato de que os fins não justificam os meios (seqüestros, assaltos e ataques terroristas devem ser sempre condenados, independente da causa usada para justificá-los), devemos questionar quais fins esses comunistas almejavam. Afinal, Frei Betto, que também foi guerrilheiro, acha que os brasileiros devem a redemocratização a estas pessoas, enquanto elas, na verdade, lutavam para implantar no país um regime como o cubano, que até hoje é admirado por muitos deles.

E se tem uma coisa que não existe nem de perto em Cuba, essa coisa é justamente a democracia. Como disse Roberto Campos, “comparados ao carniceiro profissional do Caribe, os militares brasileiros parecem escoteiros destreinados apartando um conflito de subúrbio”. Os admiradores do ditador Fidel Castro não defendiam democracia alguma; muito pelo contrário. Fernando Gabeira, um desses guerrilheiros na época, chegou a confessar: "Estávamos lutando para substituir um sistema totalitário por outro sistema totalitário".

Vamos abrir todos os documentos da época da ditadura sim. Inclusive aqueles que mostram a verdadeira face desses que agora posam de paladinos da democracia, mas que sempre reverenciaram os regimes mais ditatoriais e nefastos que o mundo já viu.

sábado, junho 13, 2009

sexta-feira, junho 12, 2009

Cotas para Baixinhos



Rodrigo Constantino

“A menor minoria de todas é o indivíduo; aqueles que negam direitos individuais, não podem alegar serem defensores de minorias.” (Ayn Rand)

Em artigo hoje no jornal Valor Econômico ("Altura e desempenho no mercado de trabalho"), Naércio Menezes Filho mostra que a altura tem correlação com o salário: "Mesmo entre pessoas com o mesmo nível educacional, as mais altas ganham mais. Os dados mostram que 1% a mais de estatura entre os homens, eleva o salário em cerca de 2%". Mas o próprio autor reconhece que correlação pode não ser causalidade, lembrando que a explicação mais plausível é que “a altura das pessoas está refletindo, em parte, as condições sócio-econômicas de suas famílias na infância e até no ambiente uterino”. Ainda assim, ele afirma que “não se pode descartar a possibilidade de discriminação contra os mais baixos no mercado de trabalho, assim como ocorre com as mulheres e os negros”.

Creio que isso é o suficiente, no momento atual em que vive o país, para se criar um movimento em prol das cotas para os baixinhos. A primeira medida, entretanto, deve ser a mudança do termo, para se adaptar à era do politicamente correto, onde eufemismos predominam. Logo, “baixinho” não parece um adjetivo adequado, tampouco “nanico” seria desejável. A luta deve ser pelas cotas dos “verticalmente prejudicados”, assim como “negros” viraram “afro-descendentes”, mesmo que inúmeros descendentes da África possam ser brancos. Esses detalhes não vêm ao caso. O importante é criar um novo privilégio, pois essa é a demanda da mentalidade brasileira: o governo vai solucionar todos os males do mundo com uma canetada milagrosa. Baixinhos do mundo todo, uni-vos!

Qual será o argumento para condenar esse novo privilégio pela altura, se defendem a mesma medida por causa da cor? E naturalmente, não devemos parar aqui: os gorduchos deveriam se unir para reivindicar cotas também. Afinal, existe preconceito contra aqueles “com peso avantajado”. Os carecas, sem dúvida, merecem alguma compensação pela discriminação que sofrem. Não deve ser fácil ser um portador de “insuficiência capilar”. E por aí vai...

Ou entendemos que cada indivíduo, com suas características particulares, merece um tratamento igual perante as leis, ou abrimos espaço para todo tipo de privilégio arbitrário. A primeira postura é uma bandeira tipicamente liberal, que rejeita privilégios com base na cor, no credo, no sexo, na renda, na altura, no peso, etc. A alternativa é uma eterna luta por privilégios, onde indivíduos desaparecem, dando lugar a grupos coletivistas que selecionam uma das várias características da pessoa, e a usam como o fator predominante, ignorando o resto todo. O indivíduo deixa de ser quem ele é, e passa a ser um “negro”, ou um “baixinho”, ou um “careca”, pois essa específica característica passa a ser dominante, garantindo seu privilégio. Isso sem falar, evidentemente, que cada privilégio gera um discriminado, ou seja, todo tipo de cota fomenta a segregação com base na característica usada para o privilégio.

É nesse mundo que queremos viver? A única solução justa é a igualdade perante as leis, ou seja, abolir todo e qualquer tipo de privilégio, mantendo a isonomia das leis. Caso contrário, o caminho da servidão será inevitável.

quarta-feira, junho 10, 2009

A Democratização da Cultura



Rodrigo Constantino

“São os consumidores e não os empresários que determinam o que deve ser produzido.” (Mises)

O governo apresentou uma proposta de reforma para a Lei Rouanet, a lei de incentivo à cultura. A proposta é mais uma demonstração de que nada é tão ruim que não possa piorar. A essência da reforma, de forma resumida, é concentrar mais poder nas mãos do governo. A grande insatisfação por parte do ministro Juca Ferreira (o leitor sabia quem era o poderoso ministro da Cultura?) e demais membros do governo é a atual concentração de recursos provenientes dos incentivos fiscais no eixo Rio - São Paulo. Eles apelam para o termo mágico em moda, “democratização”, que no fundo quer dizer apenas mais governo e menos liberdade na hora de escolher os espetáculos preferidos.

Explico melhor: no livre mercado, os produtores, inclusive de eventos culturais, precisam atender a demanda dos consumidores. É por esta lógica que filmes de Hollywood conquistam tanto público, enquanto os arrastados filmes franceses, feitos para agradar os produtores “intelectuais” amigos dos burocratas poderosos, costumam ficar com salas vazias. É o público que manda, gostemos ou não de sua escolha. Como explicou o economista Mises, “a economia de mercado tem sido denominada democracia dos consumidores, por determinar através de uma votação diária quais são suas preferências”. A verdadeira democracia, portanto, é garantir a liberdade de escolha dos consumidores.

Quando o governo fala em “democratizar” a cultura, ampliando compulsoriamente o financiamento para o interior do nordeste, por exemplo, ele está afirmando que são os burocratas do governo que devem decidir onde investir, e não o próprio consumidor. Algum cineasta engajado do Acre receberá uma gorda verba para fazer um filme que ninguém quer assistir, provavelmente fazendo propaganda do próprio governo. O ministro ataca a “lógica do mercado”, que nada mais é do que a liberdade de escolha de cada um. A alternativa é o fascismo, com o foco voltado para o produtor, e não o consumidor. No fascismo, são os produtores influentes, amigos do rei, que mandam. Esse parece o caminho defendido pelo governo atual.

O cão não morde a mão que o alimenta. Quando as verbas culturais dependem da aprovação de algum burocrata poderoso, a liberdade cultural foi para o espaço. Será o mecenas quem decidirá o conteúdo do projeto. Na melhor das hipóteses, teremos projetos culturais de péssima qualidade, que o público não tem o menor interesse de ver. No caso mais provável, teremos uma máquina de doutrinação ideológica sendo utilizada pelo governo, com recursos provenientes dos nossos impostos. Basta ver que tipo de filme é produzido em Cuba. É a morte da cultura propriamente dita, que dá lugar a algo completamente diferente.

A vida do gênio Mozart ilustra bem a luta de um artista pela sua liberdade. Como diz Norbert Elias em sua biografia do músico, “Mozart lutou com uma coragem espantosa para se libertar dos aristocratas, seus patronos e senhores”. A decisão de Mozart de largar o emprego estável em Salzburgo significava o abandono de um patrono, tendo que ganhar a vida como um “artista autônomo”, vendendo sua obra no mercado. Era algo bastante ousado e inusitado na época, cuja estrutura social ainda não oferecia lugar para músicos ilustres e independentes. O risco assumido por Mozart era extraordinário. Ele antecipou as atitudes de um tipo posterior de artista, com confiança acima de tudo na inspiração individual. A reforma proposta pelo governo parece um retrocesso aos tempos anteriores a Mozart, onde o patrono dá as cartas.

Naturalmente, o mercado é eficiente em atender a demanda das massas. Existirão nichos para mercados de luxo, mas a grande recompensa vem para aqueles que conseguem satisfazer os desejos da grande maioria. Por isso o Big Brother Brasil consegue tanta audiência, enquanto uma peça de Shakespeare atende um público bem mais restrito. Entre Kafka ou Paulo Coelho, as massas optam pelo último. Essas escolhas incomodam muitos membros da elite, inconformados com os critérios de escolha da multidão. Mas a solução não é concentrar poder de decisão em algum “rei filósofo”. Não é possível impor de cima para baixo um apreço pela cultura. Forçar alguém que deseja escutar funk a bancar um concerto de música clássica é o caminho certo do desperdício de recursos públicos. E obrigar aqueles que admiram uma boa ópera a financiar documentários propagandísticos do governo é um grande abuso de poder, uma enorme injustiça.

A liberdade individual de escolha é a única forma justa de canalizar recursos para a cultura. E se as escolhas do povo serão “erradas” pela ótica da elite do governo, paciência. Somente a gradual educação fará com que o público em geral melhore seus padrões de gosto, lembrando sempre, porém, da máxima de gustibus non est disputandum. Gosto não se discute; apenas se lamenta!

terça-feira, junho 09, 2009

Morre ditador admirado por Lula



Morreu o ditador do Gabão Omar Bongo, que estava no poder havia 41 anos. O governo fechou as fronteiras e colocou militares na rua.

Depois da "aposentadoria" de Fidel Castro, camarada de Lula que passou o controle de sua ilha particular para seu irmão, Bongo era o ditador mais antigo no poder. E pasmem!, tinha a admiração do presidente Lula, que certa vez, em visita ao Gabão, disse que fora lá "aprender como ficar 37 anos no poder".

Alguém lembra?

Lula, PT, ditadores assassinos, tudo a ver!

domingo, junho 07, 2009

A Atualidade de Mencken



Rodrigo Constantino

“A democracia é a arte e ciência de administrar o circo a partir da jaula dos macacos.” (H. L. Mencken)

Henry Louis Mencken foi um iconoclasta difícil de ser reduzido a algum rótulo simplista. Chamado por alguns de “Nietzsche americano”, Mencken não poupava ninguém de sua ácida pena. Religiosos, democratas, poetas, artistas, todos eram ridicularizados por ele, que considerava o homem médio um grande idiota e covarde. A obra O Livro dos Insultos, que fora publicada em 1988 no Brasil, recebe agora uma segunda edição, com a seleção e tradução dos artigos por Ruy Castro. Trata-se de uma verdadeira metralhadora giratória, com especial valor na era do ápice da ditadura do politicamente correto. Apesar de escritos na década de 1920, seus artigos parecem bastante atuais, principalmente quando pensamos no caso brasileiro. Mas mesmo nos Estados Unidos, a idolatria que Obama despertou seria material farto para a ironia e desprezo de Mencken.

Vejamos, por exemplo, essa afirmação: “A civilização torna-se cada vez mais histérica e babona e, especialmente sob a democracia, tende a degenerar num mero bate-boca entre dementes. O único objetivo da prática política, por exemplo, é manter o povo alarmado (e, portanto, clamando por ser conduzido em segurança) por uma galeria interminável de capetas e papões, todos, claro, imaginários”. Como ler essas linhas e não pensar na histeria com o aquecimento global, que tomou conta da humanidade? Como ignorar o pânico freqüente com epidemias, como a SARS, a vaca louca, a gripe suína? Até mesmo a crise econômica é utilizada para alastrar pavor nos leigos, passando-se logo em seguida o chapéu dos impostos e concentrando mais poder nos governos. Num mundo habitado por covardes, os charlatões fazem a festa.

Os ataques de Mencken ao governo jamais perderão validade. Ele disse, por exemplo: “Todo governo, em essência, é uma conspiração contra o homem superior: seu objetivo permanente é oprimi-lo e manietá-lo”. Como ler isso e ignorar o que se passa no Brasil, onde a mediocridade é alçada ao patamar de deus? A meritocracia tem seus dias contados num país onde a amizade com os governantes vale mais que qualquer coisa para subir na vida, e onde características como a cor da pele, são determinantes para abrir as portas das universidades. Mencken acrescenta: “Para o governo, qualquer idéia original é um perigo potencial, uma invasão de suas prerrogativas, e o homem mais perigoso é aquele capaz de pensar por si próprio, sem ligar para os tabus e superstições em voga”. Experimentem fazer declarações contra o consenso da manada hoje em dia para ver a reação da turba! Se algo mudou desde os tempos de Mencken, com certeza não foi para melhor nesse sentido...

“Revoluções políticas quase nunca realizam nada de verdadeiro mérito; seu único efeito indiscutível é enxotar uma chusma de ladrões e substituí-la por outra”, escreveu Mencken. Se considerarmos a chegada do PT de Lula ao poder uma “revolução”, tais palavras não servem como uma luva? Nem mesmo todos os ladrões foram enxotados, pois muitos simplesmente mudaram de lado, e se aliaram ao novo governo. Os caudilhos nordestinos, antes alvos dos mais terríveis ataques morais dos petistas, agora são todos membros do governo, beijando as mãos do presidente Lula e seus camaradas. Para Mencken, “o governo ideal de qualquer homem dado à reflexão, de Aristóteles em diante, é aquele que deixe o indivíduo em paz – um governo que praticamente passe despercebido”. Mas ele era realista o suficiente para saber que esse ideal levará uns vinte ou trinta séculos para se concretizar, dependendo de homens tão covardes que necessitam do governo como uma espécie de pai.

Os ataques ao governo continuam: “Todo governo é composto de vagabundos que, por um acidente jurídico, adquiriram o duvidoso direito de embolsar uma parte dos ganhos de seus semelhantes”. No Brasil, essa “parte” já chega a praticamente metade de tudo gerado pelos indivíduos. Em um país onde o discurso patético de pagar impostos para “comprar cidadania” ainda encontra forte eco, o alerta de Mencken não poderia ser mais útil: “O homem inteligente, quando paga os seus impostos, não acredita estar fazendo um investimento prudente e produtivo de seu dinheiro; ao contrário, sente que está sendo multado em nome de uma série de serviços que, em sua maior parte, lhe são inúteis e, às vezes, até prejudiciais”. Num país onde o governo financia até vagabundos invasores de propriedade privada, como o MST, poderíamos dizer que Mencken foi bondoso demais em sua análise...

O objetivo do governo é o mesmo de todo parasita: extrair o máximo possível do hospedeiro. “Esses predadores constituem um poder constante sobre sua cabeça, sempre alerta para novas chances de espremê-la”, diz Mencken. E conclui: “Se pudessem, reduziriam-no à roupa do corpo. E, se deixam alguns trocados com ele, é apenas por prudência, assim como o fazendeiro deixa à galinha alguns de seus ovos”.

Para finalizar, demonstrando o caráter atemporal da percepção de Mencken, um sucinto resumo da situação atual brasileira: “Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive”.

sexta-feira, junho 05, 2009

Urubus e Políticos



Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Existem duas espécies de animal que começam a circundar cadáveres ainda frescos: urubus e políticos. A tentação que um político sente de explorar tragédias alheias para benefício próprio é quase irresistível. São como urubus sobrevoando a carniça. Eles exploram da forma mais nefasta o sofrimento das pessoas, tentando cacifar dividendos políticos com isso. Com o trágico acidente do AirBus não poderia ser diferente.

O presidente Lula chegou a fazer uma propaganda da Petrobrás, que tem sido alvo de ataques com a tentativa de se instaurar uma CPI. Ele disse que “um país que acha petróleo a seis mil metros de profundidade pode achar um avião a dois mil”. Perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado! A presença do presidente na missa que ocorre hoje no Rio em homenagem às vítimas do acidente estava confirmada, mas o Palácio do Planalto avisou que Lula não irá mais participar do evento. Talvez seja medo de receber vaias, como aconteceu no Maracanã. Se for isso mesmo, faz sentido...

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, é outro que tem aproveitado a ocasião para aparecer. Tem feito mais declarações do que devia, tentando aparentar eficiência. O governo chegou a afirmar que tinha encontrado os destroços do avião, se precipitando de forma irresponsável, pois ficou provado depois que não era o caso. Enquanto isso, a dor dos parentes parece ser a última preocupação dos políticos, focados demais em extrair alguma vantagem eleitoral com a desgraça dos outros.

Deveriam, esses políticos no poder, se preocupar mais com as desgraças que podem ser evitadas, como o caso da enchente no Piauí que desabrigou mais de 30 mil pessoas. Por negligência do governo petista, famílias retornaram para a região achando que era segura, apenas para terem suas casas tragadas pela chuva. Mas isso não merece tanta atenção dos políticos, pois joga contra sua imagem. Fica cada vez mais difícil distinguir um político de um urubu.

quinta-feira, junho 04, 2009

A Alquimia do ‘Reflation’



Rodrigo Constantino

“There is no means of avoiding the final collapse of a boom expansion brought about by credit expansion. The alternative is only whether the crisis should come sooner as the result of a voluntary abandonment of further credit expansion, or later as a final and total catastrophe of the currency system involved.” (Ludwig von Mises)

A turma de Wall Street está feliz novamente. Os investidores celebram a recuperação das bolsas, principalmente dos mercados emergentes. Os pagadores de impostos foram “convidados”, sob a mira de uma bazuca, a emprestar trilhões de dólares aos bancos insolventes, às seguradoras irresponsáveis, às financiadoras hipotecárias populistas e até para as montadoras ineficientes (GM deveria significar agora Government Motors). A impressionante injeção de liquidez nos mercados, aliada à taxa de juros colocada artificialmente em zero, tem acarretado no “reflation” dos principais ativos. Muitos já começam a falar no fim da crise. Aliás, que crise?

Se ao menos as coisas fossem tão simples assim... Aqueles que depositam fé inabalável na capacidade de o governo gastar o suficiente para sair da crise estão eufóricos. A reação dos mercados, segundo acreditam, corrobora com tal crença. O poder da alquimia finalmente foi descoberto! Basta o governo assumir empresas quebradas, aumentar seus gastos e financiar a festa toda com a impressão de papel que não precisamos mais encarar os incômodos efeitos da ressaca. O governo, com seu toque de Midas, liga as impressoras da Casa da Moeda e transforma papel em ouro, ou capital. Não é preciso reduzir o consumo excessivo, poupar mais e enfrentar os ajustes necessários após uma fase de bonança artificial através do crédito fácil. Basta espalhar os “brotos verdes” – na verdade notas de dólares feitas com papel, que logo o crescimento sustentável será colhido. A realidade não funciona bem assim.

Qualquer crescimento sustentável deve estar calcado em investimentos feitos pela iniciativa privada e lastreados por poupança real. Quando temos uma crescente estatização da economia, com decisões de alocação de capital feitas por burocratas e políticos, e financiadas através da emissão de moeda, a prosperidade será apenas ilusória. A recessão pode até ser postergada, mas também será ampliada. Novas distorções irão ocorrer, e no futuro a conta a ser paga será ainda maior. Os preços distorcidos pela injeção de liquidez do governo vão dar sinais falsos aos empresários, que irão retomar projetos ruins de investimento, que deveriam ser simplesmente abandonados.

O foco será nas fases iniciais de produção, ou seja, os setores mais intensivos em capital serão os líderes da “recuperação” artificial. Apenas com o tempo essas medidas chegarão aos setores mais próximos do varejo, impactando o índice geral de preços. Essa defasagem do impacto nos preços finais causa a impressão de que a inflação não é um risco iminente. Quando ficar claro que não existe poupança de capital real suficiente para financiar todos os projetos, uma nova crise será inevitável, e provavelmente mais grave também. Esse é o preço de se combater os efeitos, e não as causas verdadeiras da crise. Querem acabar com a febre do doente manipulando o termômetro. Acham que a cura para o veneno é mais veneno ainda. Se os problemas foram gerados por excesso de crédito sem lastro, vamos usar o governo para estimular mais crédito ainda!

Como afirma o economista austríaco Mises na epígrafe, isso não funciona. O mensageiro da notícia ruim é sempre um estraga-prazeres, um chato. Mas a boa teoria econômica não pode ser substituída por wishful thinking, pois a realidade não é alterada por simples desejos. No extremo, o resultado da estatização da economia e da emissão descontrolada de moeda pode ser observado no Zimbábue atualmente. Claro que a comparação ainda é absurda, e destaco o “ainda”. Mas ela serve para dar uma idéia das conseqüências nefastas que este rumo representa. Obama não é Mugabe, e os Estados Unidos estão muito longe de ser o Zimbábue. Mas a crescente intervenção estatal na economia e a expansão monetária são sinais perigosos. Alguns acreditam que são drásticas, porém necessárias medidas temporárias, e que logo serão desfeitas se a economia se estabilizar. Mas poucas coisas são tão permanentes como medidas temporárias de governo. O avanço assustador do governo na economia durante a gestão Roosevelt pode ser sentido ainda hoje.

Em resumo, muitos estão dançando sob a música do “reflation”, sem perceberem que estão próximos demais de um precipício. O futuro do dólar está em xeque. Se a moeda ainda apresenta razoável estabilidade, isso se deve ao fato de que suas concorrentes estão mal das pernas também. Trata-se de um concurso de feiúra, onde o menos horroroso vence. A Europa vive uma crise enorme, com a falência do modelo de welfare state. Os principais governos estão muito endividados, a carga tributária já é elevada demais e a dinâmica das contas públicas é preocupante. A Ásia vive uma situação relativamente melhor, mas quem vai confiar toda sua poupança a governos ditatoriais como o chinês? Em uma canetada, tudo pode ir pelos ares. Portanto, o governo americano surfa a onda de sua credibilidade conquistada ao longo dos anos, agora cada vez pior. O império da lei e a maior liquidez têm garantido sobrevida ao dólar. Os investidores estão dando um voto de confiança ao governo americano. Até quando isso vai durar, ninguém sabe.

Mas uma coisa é certa: os problemas estão longe do fim nos Estados Unidos. Os keynesianos podem discordar, mas o fato é que a arte da alquimia ainda não foi descoberta. Inflar os preços dos ativos inundando os mercados com moeda de papel nunca foi solução real para recessões. E não será dessa vez também.