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terça-feira, julho 02, 2013

Caiu a ficha?

Rodrigo Constantino

Deu no Globo: Ibovespa fecha em queda de 4,24%

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), teve um dia de perda expressiva, provocado por perspectiva de crescimento menor da economia brasileira, pelo tombo das ações do Grupo EBX e por um movimento mais forte de venda de ações por investidores estrangeiros. O índice se desvalorizou 4,24% aos 45.228 pontos, puxado por blue chips como Vale, Petrobras e OGX. É o menor patamar da Bovespa desde 22 de abril de 2009. O volume negociado no pregão foi de R$ 8,7 bilhões. Somente duas ações terminaram o dia em alta: os papéis ON da B2W Digital, com alta de 6,64% a R$ 6,75 e os papéis ON da Dasa, com valorização de 2,14% a R$ 11,95.

No mercado de câmbio, o dólar voltou a ganhar força frente ao real, seguindo o movimento da divisa no exterior em relação a outras moedas. A moeda americana fechou em alta de 0,85% sendo negociada a R$ 2,248 na compra e R$ 2,250 na venda. É o maior valor do dólar desde 20 de junho, quando a moeda americana fechou em R$ 2,258. Na máxima do dia, a moeda americana atingiu R$ 2,255, enquanto na mínima foi negociada a R$ 2,235. Apesar da alta, não houve intervenção do Banco Central para frear a escalada da moeda.


Comento: Agora parece que a ficha caiu de vez (e demorou, né?). Os investidores, principalmente os estrangeiros, estão apavorados com a incompetência do governo, com sua negação da realidade, com sua reação totalmente absurda diante dos desafios que o país enfrenta, em boa parte devidos justamente aos erros do modelo econômico desse governo. Cabeças não só não rolam, como ocorreria no setor privado, como aparecem na imprensa para reforçar as idéias erradas, para insistir em um diagnóstico fantasioso que não engana mais nem mesmo um petista. 

O inverno chegou para o Brasil. Em parte fruto do ciclo das estações financeiras mundiais; mas em boa parte, pelas próprias burradas do governo, que fez tudo errado, que não só não se preparou para a chegada do inverno, como colocou todos com sungas e biquínis na rua, vendendo a ilusão de que o verão era eterno. 

Crédito farto, estímulos, gastos públicos crescentes, taxa de juros artificialmente reduzida, tudo isso com os aplausos de economistas da USP, de Delfim Netto, de "intelectuais" e até de empresários oportunistas. Deu nisso. O brasileiro médio nem sabe o que lhe aguarda ainda. Afinal, o mercado financeiro vem antes. O desemprego ainda está nas mínimas históricas, a inadimplência ainda não subiu e o crescimento do PIB é baixo, mas positivo por enquanto. Vai continuar assim?

O tempo dirá. Mas, como venho alertando faz tempo, o modelo era insustentável e o cenário conjuntural permitiu que muitos esqueletos fossem escondidos. Não mais. O cobertor é curto, e o governo, para resolver um problema, terá de criar outro - ou vários outros. Isso tudo em meio à convulsão social, com manifestações constantes nas ruas, e um clima político cada vez pior. Argentina? 

Bom, ainda dá tempo de colocar esses petistas para fora do governo e evitar tal destino. A ficha para os investidores já caiu. E a sua?


sexta-feira, outubro 26, 2012

O peso do governo na bolsa

Dilma e o Ibovespa

Quando Dilma assumiu o governo, o Ibovespa estava em 70.000 pontos (e graças aos estímulos artificiais de Lula para eleger seu "poste"). À exceção de um curtíssimo período em que o índice bateu nos 73.000 pontos, ele jamais voltou ao patamar em que a "presidenta" encontrou quando chegou ao poder. Hoje, encontra-se quase 20% ABAIXO daquele patamar, isso mesmo lembrando que a inflação acumulada neste período foi de quase 20%. Ou seja, as empresas brasileiras, medidas pelo Ibovespa, perderam quase 40% de seu valor real de mercado até agora na gestão Dilma! O desempenho de nossa bolsa é um dos piores do mundo! Mas ainda há quem celebre o nacional-desenvolvimentismo dessa turma. Vai gostar do fracasso assim lá em Cuba...


segunda-feira, abril 09, 2012

Ibovespa não sai do lugar


Rodrigo Constantino

O Ibovespa, perto dos 62 mil pontos, volta ao patamar que atingira em maio de 2007. Ou seja, 5 anos oscilando muito, mas sem sair do lugar, em valores nominais! A inflação acumulada no período, medida pelo IPCA, foi de 30%. Em outras palavras, o investidor que comprou o índice de ações brasileiras naquela época e carregou a posição já perdeu quase 30% em termos reais, sem falar do elevado custo de oportunidade (CDI).

O mercado tem sido favorável ao trader que opera esta volatilidade, ou ao stock picker que seleciona bem os ativos e encontra alfa. Mas, em geral, a bolsa não se mostrou um bom investimento nos últimos anos. E, no que depender deste desgoverno, é bom não nutrir tantas esperanças em relação aos próximos anos também...

Neste artigo publicado no jornal Valor, comentei este fenômeno e concluí:

A bolsa brasileira tem sido veículo bom apenas para especuladores ágeis ou aqueles que sabem garimpar muito bem os ativos. Para o típico investidor médio, que compra as "blue chips" e "casa" com elas, tem sido puro sofrimento. O CDI tem dado um banho no Ibovespa, graças basicamente ao governo.

Infelizmente, nada mudou desde então.

sexta-feira, setembro 02, 2011

A decisão do Copom: medida ousada ou irresponsável?

Por Rodrigo Constantino, Valor Econômico

Em uma decisão que surpreendeu quase todos os agentes do mercado - à exceção de alguns bancos que montaram grandes apostas na véspera do evento -, o Copom cortou a taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual na quarta-feira.

Trata-se de medida inesperada, principalmente quando levamos em conta a comunicação com o mercado pelas atas anteriores e o fato de que a inflação, corrente e esperada, encontra-se acima da meta.

Foi uma virada repentina no rumo da Selic, celebrada ontem pelos investidores, que partiram para as compras de ações brasileiras, especialmente as mais sensíveis ao patamar de juros, como as construtoras. O Ibovespa subiu quase 3% no dia, descolando-se das bolsas internacionais. Mas se tal decisão se mostrará correta no longo prazo, ainda é muito cedo para dizer.

O mercado ainda terá de aguardar a nova ata para saber dos pormenores da decisão, que contou com duas dissidências. Mas a linha de argumentação parece ser a deterioração do quadro externo. Afinal, o arrefecimento da economia brasileira não foi forte o suficiente para justificar tal medida. Ou será que o Banco Central sabe de mais coisa que o mercado ignora? Essa leitura, comum quando ocorre dissonância entre o que se espera e o que é feito, produz novas incertezas no mercado. Por isso a transparência do BC é vista como um importante ativo em sua credibilidade.

Aceitando-se a versão de que o foco foi mesmo a piora do cenário internacional, trata-se de muita ousadia do BC. Alguns dados, de fato, mostraram aumento no risco de um duplo mergulho da economia americana, e os fundamentos da Europa também apresentaram piora. Mas ainda é cedo para afirmar que o desenrolar dos fatos será na direção catastrófica. O Copom, portanto, teria especulado ao apostar suas fichas nesse cenário, claramente se antecipando aos possíveis eventos. Será que o BC agora virou um "hedge fund" com Tombini à frente?

Há um fator que não pode ser ignorado de forma alguma nesta equação: a pressão política. Não passou despercebido por ninguém o fato de que a presidente Dilma, na véspera da decisão, afirmou que gostaria de ver uma redução na taxa de juros. A imagem que fica, verdadeira ou não, é a de um BC politizado, sem independência de ação. Institucionalmente, trata-se de algo preocupante, que poderá cobrar elevado preço no futuro. Poucas coisas são tão perigosas para a inflação quanto um BC capturado pelos interesses do governo. O guardião da moeda se transforma em cúmplice do populismo eleitoreiro, alimentando o dragão inflacionário.

Os recentes discursos da presidente apontam na direção correta de maior austeridade fiscal e reformas. Mas, por enquanto, tudo que se tem é pura retórica e intenção anunciada. Se o corte da Selic se deu por conta dessas promessas, então a medida deixa de ser ousada e passa a ser irresponsável. Primeiro, porque sabemos como há um abismo de distância entre desejar o corte de gastos e aprová-lo no Congresso. Ainda mais num Congresso cada vez mais hostil por causa da "faxina" na corrupção. Segundo, porque aquilo colocado na mesa está muito aquém do necessário.

Foi feito grande alarde por causa de R$ 10 bilhões de aumento no superávit primário esperado pelo governo. Isso se levando em conta que houve receita extra quase do mesmo montante, ou seja, é somente uma economia daquilo que entrou a mais. Sem falar que a magnitude da economia é pífia quando se observa o montante dos gastos públicos. Um governo que gasta mais de R$ 1 trilhão falar em economizar R$ 10 bilhões extras é como uma família que gasta R$ 10 mil tentar convencer o credor que será responsável por poupar R$ 100 a mais. É uma piada de mau gosto!

Quanto às reformas, parecem seguir na direção certa, especialmente no que diz respeito à aposentadoria dos funcionários públicos. Mas, novamente, ainda é muito pouco perto do necessário, sem mencionar os enormes obstáculos políticos para sua aprovação. A Previdência Social continua sendo uma bomba-relógio que não explodiu apenas por causa da demografia favorável. Mas a população está envelhecendo, e o governo precisa agir rápido.

O que o afrouxamento monetário prematuro fez foi colocar enorme pressão no Congresso e no Executivo por maior austeridade fiscal. Mas contar com isso é mais do que arriscado; é irresponsável. A decisão do Copom só terá se mostrado acertada se a economia mundial realmente mergulhar em recessão. Caso contrário, foi um grande passo na direção errada, elevando os riscos do descontrole inflacionário. Remediar o erro será bem mais doloroso depois.

Rodrigo Constantino é sócio da Graphus Capital

quinta-feira, junho 30, 2011

Será que está na hora de apostar na bolsa brasileira?

Rodrigo Constantino, Valor Econômico

Há quase quatro anos, o Ibovespa atingiu o mesmo patamar em que se encontra atualmente. No período, o lucro operacional das principais empresas do índice experimentou um crescimento expressivo. Será que chegou a hora de fazer uma aposta mais agressiva em ações?

Antes de tentar responder essa difícil questão, pretendo desmistificar uma repetida falácia no mundo dos investimentos: a de que bolsa é um ótimo investimento, desde que o horizonte seja de longo prazo. Com o intuito de averiguar essa crença, fiz uma análise do retorno do Ibovespa em janelas de cinco anos. O resultado não é tão animador para quem acredita na tese de que "comprar e segurar" é a melhor estratégia.

Utilizei dados mensais a partir de 2000, pegando o retorno anualizado de cinco anos. Cheguei a um total de 138 observações, das quais em apenas 55% delas o Ibovespa superou o CDI. O Ibovespa rendeu algo perto de 20% ao ano nas janelas quinquenais, contra retorno de aproximadamente 19% do CDI. A mediana do retorno da bolsa ficou em parcos 105% do CDI na amostra analisada.

Quando a volatilidade é computada, percebe-se que não foi nenhuma maravilha apostar em bolsa de forma geral. Se por um lado o retorno máximo de uma janela de cinco anos do Ibovespa foi quase 48% ao ano, contra 31% do CDI, por outro lado a pior janela rendeu assustadores 6% ao ano, negativos! Isso significa que o investidor teria perdido um terço de seu capital, em termos nominais. A pior janela do CDI, em contrapartida, rendeu mais de 11% ao ano.

No período inteiro, o Ibovespa rendeu pouco mais de 270%, enquanto o CDI rendeu mais de 400%! Nesse longo horizonte superior a uma década, o Ibovespa, tirando o sono dos investidores durante inúmeras crises assustadoras, rendeu menos de 75% do CDI. Como fica evidente, o "timing" de entrada na bolsa é crucial para determinar o retorno, mesmo no longo prazo.

Essa não é a realidade brasileira apenas. O investidor que comprou S&P 500 em 2000 amarga um retorno pior que medíocre. Ele perdeu 10% de seu capital, quase 12 anos depois! No Japão a situação é muito pior: o investidor que comprou o índice Nikkei no auge da bolha, no final da década de 1980, possui hoje somente 25% do valor investido. Após duas décadas aturando a elevada volatilidade da bolsa, a senhora Watanabe teria perdido 75% de seu capital. Viva a bolsa no longo prazo?

O caso brasileiro, apesar de não ser único, possui um agravante: seu elevado custo de oportunidade. Como nenhum governo faz as reformas estruturais necessárias para colocar o país na rota do alto crescimento sustentável, nossa taxa real de juros continua em patamares elevados. A economia acaba experimentando voos de galinha. As apostas em renda variável acusam o golpe, fracassando em entregar um retorno satisfatório, quando ajustado pelo risco.

Essa tem sido a história do Brasil, e não mudou muito nos últimos anos. O fator China, que puxou o preço das commodities e permitiu um ganho gigantesco em nossos termos de troca, alongou e ampliou a fase da bonança. Mas foi só, pois novamente as reformas ficaram a ver navios. A inflação subiu de forma preocupante, o crédito sem lastro cresceu de forma muito acelerada, e aqueles que apostaram num voo de águia tiveram que encarar a dura realidade. O Ibovespa já acumula uma queda de 15% desde o pico em novembro de 2010.

Com isso, podemos retornar à questão inicial: será que está na hora de comprar bolsa? Claro que a resposta vai depender de muitos fatores. O mundo ainda vive uma fase de enormes riscos, como a possível queda abrupta do crescimento chinês, a bancarrota da Grécia e outros países europeus ou a desaceleração da economia americana. Mas, assumindo um cenário base de estabilidade externa, arrisco responder a pergunta de forma afirmativa.

À primeira vista, isso pode parecer estranho, após tanto pessimismo. Mas meu ponto central é que a hora da aposta é justamente aquela em que muitos estão desanimados. E, de fato, os investidores estrangeiros já jogaram a toalha em relação ao Brasil, os fundos locais estão leves, com muito caixa, e os analistas parecem entediados.

Ao contrário de muitos investidores, minha aposta não é no longo prazo, pois neste período o CDI dificilmente perde. Mas acredito que para um prazo mais curto, de 6 a 12 meses, este pode ser um bom momento para acrescentar risco e comprar bolsa. Muito pessimismo parece precificado, e qualquer alívio nas principais preocupações dos investidores pode levar a um interessante rali. Um bom ativo pode ser uma má aposta, e vice-versa.