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quarta-feira, julho 10, 2013

Artistas estatizados

Fonte: G1
Rodrigo Constantino

Deu no Ancelmo Gois hoje: O fuzilamento de Brant

Fernando Brant distribuiu entre amigos o texto intitulado "O golpe que chamam de diálogo". Confirma que, a convite de Caetano Veloso, se reuniu em junho com o grupo de artistas que defende a mudança na lei de direito autoral e que esteve estes dias em Brasília. O compositor diz que assim que chegou foi deslocado para um banco no fundo da casa. "Felei que, se queriam fiscalizar o Ecad, eu aceitaria... Mas a verdadeira e mais eficiente fiscalização deveria ser feita pelos autores e artistas, os donos do Ecad". Ou seja, não seria preciso "a tutela do Estado". A partir daí, o autor de "Canção da América", entre outras músicas, conta que o chumbo veio grosso. "Senti-me, e a posição em que me colocaram na sala acentuou essa impressão, como alvo de tiros do quadro 'O fuzilamento de Goya'". O quadro, como se sabe, retrata, em 1808, um pelotão de fuzilamento executando madrilenhos.

Isso chama-se "pressão de grupo", "bullying ideológico", como descrevi em artigo recente. É assim que essa gente costuma agir para defender seus interesses. Em alguns casos, o ostracismo daquele que discorda é absoluto. Esse tipo de postura apenas acende mais ainda a luz amarela sobre as mudanças do Ecad. Observando quem está a favor delas, como lutam para consegui-las, e quem fica excluído, a conclusão só pode ser negativa. Vem malandragem estatizante aí.

O músico Lobão, um dos "renegados" desse grupo, escreveu um artigo exclusivo para o meu canal levantando questões relevantes sobre o tema, pouco debatido. A Câmara aprovou as novas regras para a arrecadação de direitos autorais.  Pelo texto relatado pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a arrecadação de direitos autorais na música permanece concentrada no Ecad e nas associações de autores. O projeto aprovado na Câmara e no Senado prevê que órgão fiscalizador dos repasses deve ser ligado ao governo federal, mas não necessariamente o Ministério da Cultura, conforme previa o projeto original.

Quem dorme tranquilo com isso? Mais recursos e mais poder concentrados no Estado. Há o que celebrar? São os artistas estatizados, sob aplausos daqueles mais influentes, "amigos do rei", que sempre se beneficiam da simbiose nefasta entre classe artística e governo.

segunda-feira, julho 08, 2013

Lobão contra os lobos vestidos de cordeiro

Lobão *

Título Original: CARTA ABERTA AOS QUE PARTICIPARAM DA PLS129/12

Venho por meio desta carta aberta insistir em algumas perguntas que ficaram órfãs de respostas durante o período de implementação desse urgente, instigante e misterioso projeto de lei.

Perguntas que tiveram suas respostas negadas ou, simplesmente, ignoradas por esse grupo como se o restante da classe não existisse e que,ungidos por um direito divino, tomaram para si a sagrada incumbência de, num golpe só, salvar o direito autoral no Brasil, mesmo que para isso pagassem o alto custo de evitar o debate amplo com seus colegas tratando-nos de forma desrespeitosa e truculenta, nos enfiando  reformas profundas goela abaixo, designando uma insólita interferência governamental no funcionamento das entidades privadas de classe que administram os direitos autorais do país.

Gostaria muito de saber por que essa aventura assimétrica pela nossa exclusão e irresponsável pela associação com o governo vem acontecer justamente na hora em que a EBC (Empresa Brasileira de Comunicação, vinculada ao governo federal e responsável pela execução musical em várias TVs e rádios públicas) está sendo posta no Judiciário pelo ECAD, pois não paga nem jamais pagou os direitos autorais devidos? A cifra já ultrapassa 1 bilhão de reais.

Fiscalização? Todos queremos mais fiscalização e transparência, mas como ter mais fiscalização e transparência com atitudes tão intrigantes? Colegas à procura de esclarecimentos foram ao encalço da Ministra da Cultura, Marta Suplicy, do PT e do Senador Randolfe Rodrigues, do PSOL, e eles não souberam dar explicações mais detalhadas sobre a tal estatização.

Então a lógica seria essa: procurar o governo que nos é devedor e instalá-lo no nosso galinheiro para “controlar” a arrecadação? Não faz o menor sentido, principalmente sendo público e sabido termos um dos governos mais corruptos da história.

Quer dizer que a partir desse projeto, o Ministério da Cultura é que arbitrará as regras de gestão das associações, retirando dos legítimos titulares o direito de definirem como deverão ser administradas as associações que criaram? Isso é anticonstitucional!

A intervenção governamental em uma esfera privada fere a Constituição Federal que reserva ao criador intelectual, às suas associações de classe ou sindical, a exclusiva gestão e fiscalização do aproveitamento econômico de suas criações.

E toda essa festa acontecendo no momento em que o governo vem recebendo severas críticas populares, com manifestações de protesto de todos os espectros e de todos os feitios, numa queda de popularidade sem parâmetros na história brasileira. Num momento em que o governo, desesperadamente tenta enxugar seus gastos astronômicos, aparece no Ministério do Planejamento um organograma do novo órgão regulador, repleto de diretorias e com dezenas de cargos comissionados!

E tem mais... A promulgação da lei e a instituição deste critério causarão grande instabilidade no sistema de cobrança, podendo causar imprevisíveis resultados nos rendimento dos autores.
Gostaria muito de saber o que significa algo como: “...a cobrança será sempre proporcional ao grau de utilização das obras e fonogramas pelos usuários no exercício de suas atividades”. Como será aferido? O usuário vai executar primeiro e depois pedir autorização e pagar? Isso, pelo que tudo indica só favorece as rádios, TVs, telefônicas, grupos da internet.
Não sou contra modificações no ECAD, mas esse projeto nos congela como aconteceu com a famigerada OMB que não sai de cima desde 1960 (se acabarem com ela os músicos perdem direitos adquiridos na lei federal).

E não é por coincidência cósmica que um dos autores da PLS129 é Ronaldo Lemos, que trabalha na FGV, uma fundação que recebe rios de dinheiro da União e que representa no Brasil o Creative Commons e muitos outros grupos que não querem pagar nada.Todos esse grupos são muito ricos e muito agressivos, daí esse confusão toda: Como  nossos ilustres colegas vão se aliar àqueles que não querem nos pagar? Podem explicar?

Outro aspecto que não poderia deixar de nos intrigar é a ausência do jabá (propina paga aos usuários, rádios e TVS para execução massiva) nisso tudo: se existe esse ímpeto incontrolável de moralização da arrecadação, por que cargas d’água isso não acontece na seara da execução?

Sim, pois se temos uma execução fraudulenta, com 99% delas acontecendo sob a égide desse tenebroso JABÁ, como poderemos ter arrecadações não fraudulentas?

Por que esse item fundamental foi excluído? Por que o então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, acabou por engavetar um projeto de lei anti jabá que estava sendo redigido pelo deputado federal do PT (PE), Fernando Ferro, lá pelos idos de 2003? Isso faz algum sentido?

E faz algum sentido um ex-ministro da Cultura assim que deixa o ministério se beneficiar da Lei Roaunet para um projeto de um novo disco? E continuar se beneficiando ao longo desses anos com outros tantos estapafúrdios projetos assim como a maioria  esmagadora de seus colegas consagrados?

Conviver com essa realidade asquerosa é, no mínimo, constrangedor. Não é interessante perceber que o núcleo desse grupo que tomou a dianteira do PLS129/12 é justamente o mesmo que anda mamando na Lei Roaunet? Paula Lavigne, Flora Gil, Gilberto Gil, Caetano Veloso entre muitos...

É curioso verificar um grupo constituído por artistas tão chegados à Rede Globo, outra que está nos devendo milhões (o Roberto Carlos tem seu programa anual, os outros, com execuções massivas em telenovelas e alguns tantos, em negócios vários com a Globo Filmes), esteja com todo esse ímpeto de nos doar prometeicamente a alforria dos direitos autorais, quando, ao mesmo tempo, nos manda de forma imperiosa calar a boca sempre usando daquele cacoete sórdido de ridicularização do meu discurso e atacando a reputação de quem quer que venha causar algum tipo de obstáculo aos seus interesses pessoais.
E no episódio da numeração de CDs?

Recorri na época, de imediato, a Gil e Caetano por saber de nossas diferenças e por isso mesmo os coloquei a par do processo todo, obtendo a palavra dos dois em assinar o manifesto e caminharmos junto em benefício de um projeto histórico da nossa classe, de anos de luta e na semana seguinte, sem nenhum aviso, sem nenhum motivo aparente, os dois vão a público me defenestrar me chamando de maluco e.... comunista! Caetano escreveu um artigo dizendo que “não fazia parte daquela turma”. Lastimável. Isso não é atitude que se espera de um Homem.

Pois são essas mesmas figuras que protagonizam essa mais recente patuscada, que adentraram o Congresso Nacional com seus asseclas, desavisados e cupinchas, causaram frisson entre os senadores, conversaram a portas fechadas com o ilustre Renan Calheiros, posaram para a posteridade e depois foram beijar a mão de uma Dilma Rousseff que, incrédula e embevecida por receber apoio tão improvável em hora tão difícil , declara mui oportunamente ter se espelhado naquelas impolutas criaturas (no caso, Caetano Veloso e Roberto Carlos). Eles mereceram ouvir isso.

Além desse compositor que escreve essa carta, gostaria de deixar claro ao público em geral não se tratar de uma atitude isolada, solitária, como alguns podem imaginar. Somos muitos, entre veteranos e iniciantes, famosos e anônimos, todos profissionais da canção. Entre eles estão Aldir Blanc, Martinho da Vila, Paulo Cezar Pinheiro,Toquinho, Dory Caymmi, Carlos Lyra, Ferreira Gullar, Joyce, Beth Carvalho, Capinan, MPB4, Chico Cézar, Flora Purim, Airto Moreira, Maurício Einhorn, Antonio Adolfo, entre tantos outros.

E para encerrar, gostaria de dar voz a um autor anônimo que escreveu a sua contundente recomendação ao grupo:

Senhores artistas que participaram da campanha de aprovação da PLS 129:
Sou um simples músico e compositor brasileiro, não sou famoso, não apareço na tv e meu nome é apenas mais um entre milhares de outros que não fazem parte da constelação de grandes nomes da música popular brasileira que, essa noite, defenderam com tanto empenho a aprovação da PSL 129 no senado.
Quero lembrá-los, que os senhores tomaram uma decisão em nome de milhares de pais de família, trabalhadores que dependem exclusivamente da atual, insatisfatória ou não, arrecadação de seus direitos pelo ECAD. "Grandes artístas" não significa, como tentaram usar, "Todos os Artistas". Muita calma nessa hora ! Queremos mudanças. Mas também queremos SEGURANÇA !
Quero que fique bem claro que serão reconhecidos, aplaudidos e seremos eternamente agradecidos se realmente, essa luta de vocês refletirem em nossos demonstrativos. Por outro lado, serão, também, igualmente responsáveis por quaisquer prejuízos em nossos faturamentos e, consequentemente, em nossa já difícil sobrevivência. 
Hoje, no senado, foi difícil imaginar um representante legítimo da grande massa de autores e músicos que compõe o ECAD. Ali, vi grandes estrelas, grandes nomes da mídia, vi grandes ídolos. Não vi o compositor que perde noites em portas de hotel e leva tapa de seguranças brutamontes em filas de camarins; carregando o sonho debaixo do braço em forma de CD. Isso mesmo! Aquele CD com o nome e o telefone do compositor escrito na capa que vocês vivem recebendo. Não vi, ali, esse autor surrado sem visibilidade nos grandes meios de comunicação e que mesmo assim insiste no sonho de fazer música. Caros amigos, vocês não levaram para o plenário hoje, apenas suas convicções. Vocês levaram nossas famílias junto com vocês. Se apoderaram da nossa tímida voz. Então, durmam com essa responsabilidade, durmam com meus filhos, comam da minha comida e bebam da minha água a partir de hoje. Espero e rezo para que tudo melhore. Mas, se piorar, não verão o brilho de grandes estrelas como vocês. Mas sentirão na pele uma tempestade de pequenos grãos de areia que somos nós.
Boa noite.
Assinado: O primeiro grão de areia.
Bem, todos nós estaremos de olhos bem abertos em todos vocês...nós e a História.

* Artigo que o músico Lobão mandou com exclusividade para meu canal, como presente de aniversário por mim solicitado.

sábado, julho 06, 2013

Lobão detona na Flip

Fonte: O GLOBO
Rodrigo Constantino

O cantor Lobão arrasou na Flip. Segundo reportagem do GLOBO, Lobão lotou o auditório, e depois disparou sua metralhadora giratória e irreverente. Sobre as novas regras do Ecad, Lobão disparou:

O MinC vai ser inflado com cargos de confiança. Esse projeto de lei é um golpe, não representa a classe, mais de 14 mil músicos são contra ele. Ninguém me pediu opinião, por exemplo. Todo mundo essa semana tirou foto com a Dilma Rousseff e o Renan Calheiros, essa lei vai ter volta, hein?

Confesso ainda não ter tido tempo para me aprofundar muito na questão, mas se Chico Buarque está de um lado, e Lobão do outro, eu já tenho quase certeza de qual será o meu lado, e ele terá som de guitarra elétrica. Inclusive, adianto que pedi a Lobão um artigo de sua autoria sobre o tema, para eu publicar no meu canal, e ele aceitou o pedido. Em breve...

No mais, a foto dos puxa-sacos com a presidente Dilma foi algo realmente patético. O rei Roberto Carlos, então, foi o mais ridículo de todos, ao se reunir sozinho com a "presidenta" para defender sua visão autoritária contra biografias não-autorizadas, as únicas que prestam (as autorizadas são instrumento de marketing pessoal).

Sobre as manifestações nas ruas do país, o perfeito "Manifesto do Nada na Terra do Nunca" (último livro do Lobão e que recomendo), Lobão fez um bom resumo do clima atual, a meu ver:

Fui muito criticado quando lancei meu livro, mas as manifestações são a verdadeira terra de ninguém na terra do nunca. O começo foi legal, agora o movimento parece mais a revista “Capricho”, uma coisa “como fazer um penteado para conquistar o gatinho da manifestação”. É um clima de micareta.

No livro, Lobão lembra que o rock era visto como produto importado do "império estadunidense", e por isso sofria preconceito e ataque por parte de nossos músicos da MPB, engajados em ideologias esquerdistas. Ele volta ao tema na entrevista:

Essa história de resistência à guitarra é a pura inveja do falo norte-americano. O ranço da MPB é ser desprovida de virilidade, é pau molengo. Quanto mais pau molengo, mais MPB.

É isso. Lobão merece o meu respeito, pois nesse meio musical, infelizmente, a mentalidade esquerdista é predominante. Por isso é importante ter alguém falando uma linguagem diferente para a garotada...

terça-feira, maio 14, 2013

Mais Lobão e menos Chico Buarque


Rodrigo Constantino, O GLOBO

“A bundamolice comportamental, a flacidez filosófica e a mediocridade nacionalista se espraiam hegemônicas. Todo mundo aqui almeja ser funcionário público, militante de partido, intelectual subvencionado pelo governo ou celebridade de televisão, amigo”. É o músico Lobão com livro novo na área. Trata-se de “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, e sua metralhadora giratória não poupa quase ninguém.

Polêmico, sim. Irreverente, sem dúvida. Mas necessário. As críticas de Lobão merecem ser debatidas com atenção e, de preferência, isenção. O próprio cantor sabia que a patrulha de esquerda viria com tudo. Não deu outra: fizeram o que sabem fazer, que é desqualificar o mensageiro com ataques pessoais chulos, com rótulos como “reacionário” ou “roqueiro decadente”. Fogem do debate.


Leia mais no GLOBO.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Agência Nacionalista de Petróleo


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

A postura do governo de forma geral e da Agência Nacional de Petróleo (ANP) em particular, merece duras críticas no trato do vazamento de óleo no Campo de Frade. Há um forte cheiro de nacionalismo xenófobo no ar, somado ao típico sensacionalismo do governo. Acidentes neste setor acontecem, e não pretendo eximir a Chevron de responsabilidade ou mesmo de reações condenáveis após o vazamento. Mas é fundamental ter regras claras e, principalmente, isonômicas no setor.

O encontro entre o presidente para a América Latina da empresa americana, que opera no país há décadas, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, teria sido tensa, segundo fontes. O presidente teria reclamado que soube da suspensão da autorização para novas perfurações por meio da imprensa, antes de ser notificado oficialmente. "A manchete da CNN foi: Chevron não pode mais operar no Brasil. Uma empresa do nosso porte não pode ser tratada dessa forma", disse o presidente. O executivo teria reclamado ainda das acusações da Polícia Federal de que a companhia tinha empregados no país sem visto de permanência.

Lobão teria dito que a empresa tem o direito de se defender, mas que o governo “tem que dar uma resposta à opinião pública”. Esta é uma rota perigosa, que costuma levar ao linchamento em praça pública de algum bode expiatório para acalmar as massas. O governo tem é que aplicar as leis de forma objetiva, procurar meios de conter o problema e depois adotar medidas para prevenir novas ocorrências do tipo. Sem sensacionalismo ou irresponsabilidade.

A Chevron é uma empresa que atua em vários países, com um valor de mercado de quase US$ 200 bilhões, milhares de acionistas e tinha inclusive a Petrobras como sócia minoritária no Campo de Frade, onde ocorreu o desastre. A notícia de que a empresa não poderia mais operar no Brasil fez suas ações despencarem. O que o governo pretende com este tipo de “vingança” infantil? Acabar de vez com a segurança dos negócios no setor, para a Petrobras reinar absoluta e monopolista novamente? Ou será que a ANP reagiria da mesma forma se o poço vazado fosse operado pela própria Petrobras?

O setor de petróleo é bastante estratégico. Esta costuma ser a desculpa utilizada para se defender maciça intervenção estatal em todas as etapas do negócio (incluindo financiamento multimilionário do BNDES para a Lupatech, prestes a falir). Penso justamente o contrário: o setor é estratégico demais para ficar tanto em mãos estatais!