Por Dr. José Nazar
Mas, meu Deus, o que fazer com o sintoma desse homem? Vocês não veem que ele só consegue cantar suas óperas quando está tomando banho no chuveiro! O que fazer, ficamos paralisados, sem nada fazer?
Nada disso, temos de encontrar uma saída para este impasse, pois eu me lembro muito bem que Picasso certa vez disse: “eu não procuro, acho”. Sim, vamos pois achar uma saída, um meio para que esse desejo se realize, para que uma voz venha ser cantada, exaltada, sem medo de um sucesso, em sua revelação pública.
Mas ele só consegue cantar....
Ora, bolas, inventa-se alguma coisa, pense, algo deve ser possível. É isso, vamos colocá-lo em cena, cantando as suas mais lindas óperas, tomando banho num chuveiro, em público. Mas que escândalo!
Quem poderia pensar numa loucura, tão criativa quanto iluminada, senão alguém que, certamente, fora levado em sua vida, a construir algumas saídas tão exuberantes como esta?
O que falar sobre este fantástico deslocamento, disso que leva alguém a ultrapassar suas inibições, rumo ao sucesso de uma realização? O sujeito não vai mais se acovardar diante de seu desejo, ele passa a aprender a fazer um bom uso das suas dificuldades, chega de acomodações!
Esta cena se passa no último filme de Woody Allen, “Para Roma, com amor”, onde ele diz que desejar é preciso. E ela somente foi possível em função do transcurso da vida psicanalítica. O diretor e ator, Woody Allen, submete-se à psicanálise desde sua infância. Por sofrer, ele pode criar, passar para outra coisa.
O seu entendimento do psiquismo humano permitiu a ele mostrar que é possível realizar mudanças significativas na vida de alguém, que é possível fazer algo positivo, criativo, com o sofrimento humano, no sentido de transformá-lo no melhor, mais livre, de enfrentar as angústias, os emperramentos que acometem o sujeito no mais fundo de seu ser, quebrar as amarras dos sintomas, das inibições, olhar no olho do lobo, olho no olho do furacão, dos transtornos que o abatem, aí, sim, ele pode mostrar, com todas as letras, como fazer um bom uso de seu sintoma. Isso que o molestava agora trabalha a seu favor.
O desenrolar do filme transcorre sob o matiz da busca de um certo desejo daquilo que já está ali. Um desejo que mais tarde será colocado, em sua arte de viver, na voz de um pai, que sob o manto de todas as resistências, sociais e familiares, explode ao olhar do público.
O personagem central do filme é um homem, já aposentado, que é obrigado a ouvir os absurdos insistentes da sua mulher, uma psiquiatra, que não faz outra coisa senão repetir uma mesma interpretação: “você está doente, vive associando sua aposentadoria com a morte”.
Uma crítica séria mas, ao mesmo tempo, ilustrativa de uma realidade humana. Mas, ele estava ali, mais vivo do que nunca, e somente ele pode escutar que, por trás do ambiente cerceado pelos fantasmas de morte, a vida emerge como uma gigantesca fome de viver. É coisa de pai para pai!
Ele e a sua mulher partem para Roma para conhecer o noivo de sua filha e, de saída, sua família. O noivo é um belo italiano, jovem advogado, cujo sintoma é se esconder numa farsa do capitalismo, se acoberta nos bastidores de uma falsa ideologia de esquerda, ligada aos sindicatos trabalhistas. É evidente que o jovem não faz outra coisa senão justificar, com a sua acirrada posição socialista, o grande medo que ele e, portanto, sua família, tinha do sucesso.
O sucesso do pai que cantava belíssimas óperas no chuveiro tomando seu banho ao entardecer. O sintoma, que se fazia recobrir de medos e fartas justificativas, o sucesso que vivia na sua alma, ao seu lado, dentro de sua casa, e que fazia tanto barulho, que era impossível não escutá-lo... na voz do pai.
Woody Allen, o aposentado, especialista em óperas, deixa transparecer seu sintoma obsessivo, é lógico, que já por demais analisado, com seus temores de contaminação. O pai do noivo lida diretamente com a morte. Ele é proprietário de uma agência funerária, sua vida caminha às custas da morte, mas seu desejo estava à espera de uma escuta.
José Nazar é psiquiatra e psicanalista.
Artigo publicado no Jornal A Tribuna - ES
Idéias de um livre pensador sem medo da polêmica ou da patrulha dos "politicamente corretos".
Mostrando postagens com marcador sucesso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sucesso. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, setembro 06, 2012
domingo, março 04, 2012
Os arruinados pelo êxito!
Doutor José Nazar *
Pessoas se matam, diariamente, das mais diversas maneiras. E isso não vai parar. É gente rica, é gente humilde, é gente famosa, é gente de todas as classes sociais. Para dizer a verdade, é gente que sofre os efeitos de angústias avassaladoras! E cada um carrega consigo uma verdade que, por si só, não explica as razões de uma tal desistência da vida.
O suicídio da musa Whitney Houston coloca-nos diante de uma questão: o sucesso pode matar?
Este doloroso acontecimento rememora o trágico horror de tantas outras mortes de artistas famosos como, por exemplo, Marylin Monroe, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Elis Regina, Cassia Eller, Amy Winehouse, etc..
Olhando de fora, quase sem nada compreender, pensamos tratar-se de uma simples banalização da morte. Mortes desnecessárias, esvaziadas de sentido, sem nenhuma razão de ser. Mas a causa está bem ali, no interior da vida íntima de cada um, que vivem uma luta incessante contra uma angústia de morte. Vidas partidas, vidas sofridas, vidas melancolizadas! O sucesso os leva a um confronto com fracasso com suas histórias de vida de seu passado. Mesmo fazendo tanto sucesso na vida artística, são sujeitos que não se acham merecedores de suas conquistas, não suportam mais tanto sucesso?
Inclusive, chega-se a imputar a causa destas mortes a um uso abusivo de drogas e álcool. Mas, não é desta maneira que devemos entender estas questões, que são provocadas pelos próprios sujeitos e que têm, como triste final, vidas interrompidas. As drogas e o álcool são fachadas, álibis, meios sancionados pelos próprios, para desencadear um desejo de morte, no intuito de acabar com tudo. Por isso mesmo pode-se afirmar que a reciproca é que é verdadeira, para se matar, droga-se, bebe-se. Chega, acabou, vamos colocar um ponto final nisto tudo, não aguentamos mais viver esta dor, chega de sofrer!
Em todo caso, uma pergunta que fica no ar: Por quê algumas pessoas famosas se matam justo quando se encontram no auge do sucesso em sua carreira profissional? Muitas outras não desistem da vida, conseguem, além de alcançar seu sucesso, administrá-lo muitíssimo bem. São pessoas que “têm” tudo para viver uma vida solene, de deuses, muita grana, sucesso para dar e vender, sem contar o calor mágico dos fãs que externam, de uma maneira exuberante, sua paixão delirante. Isso tudo não bastaria? Será que o problema estaria em como cada um lida com seus ideais? Sim!
Seria então o sucesso, para alguns, algo tão insuportável? Sabe-se que o sucesso tem um peso e que cada um irá lidar como pode, e não como deve. O sucesso é perigoso, sim, ele acirra as exigências internas do sujeito consigo mesmo, alimentando um sentimento inconsciente de culpa, fazendo viger um profundo estado de recriminação, insensata e cruel contra o próprio. E não se trata apenas da sua conquista, parece que o problema maior está em como mantê-lo de pé, vivo, sendo sustentado diante do público.
É Freud falando, sobre algo que se aplica a tantos e tantos personagens brilhantes que, no auge da sua carreira decide, impensadamente, acabar com a própria vida : “Parece ainda mais surpreendente, e na realidade atordoante, quando, na qualidade de médico, se faz a descoberta de que as pessoas ocasionalmente adoecem precisamente no momento em que um desejo profundamente enraizado e de há muito alimentado atinge a realização. Então, é como se elas não fossem capazes de tolerar sua felicidade, pois não pode haver dúvida de que existe uma ligação causal entre seu êxito e o fato de adoecerem”.
De todo modo, temos que olhar os impasses da relação de cada um com seu desejo. O ser humano têm uma dificuldade nata de lidar com suas realizações: ele sofre um embate, ele quase sempre não quer aquilo que deseja. Eis aí sua depressão original, sua dificuldade de suportar a necessidade de insistir, cada vez mais, no caminho de seu desejo. Trata-se de uma análise no mínimo genial do mestre vienense, sobre os paradoxos que regem a mente humana: como posso adoecer ou, até mesmo, acabar com minha própria vida quando me aproximo de algo tão desejado? Isso vai depender da história de cada um, do desejo que habita a origem de sua vida.
Portanto, meus caros, parem, reflitam, e tomem essa afirmação, não como simples conhecimento estéril, mas como uma profunda reflexão, que possa produzir consequências cruciais nos desígnios de uma vida. Pergunte-se como você lida com seus valores, seus ideais, com o que recebeu de herança dos pais, dos avôs, das palavras que lhes transmitiram e o peso que elas carregam, que engraçaram a educação que seus pais lhe passaram. Os ideais, quando muito acirrados, podem deixar um sujeito sem saída!
Se todos desejamos o sucesso, porque que a sua conquista, pode vir a fazer tanto mal a alguém. Sim, o sucesso pode levar um sujeito a acabar com a própria vida. É isso mesmo, existem sujeitos que não suportam o sucesso, pois vivem o drama de um enlouquecimento existencial, que a própria razão lógica consciente, não consegue explicar.
* Escola Lacaniana de Psicanálise
Pessoas se matam, diariamente, das mais diversas maneiras. E isso não vai parar. É gente rica, é gente humilde, é gente famosa, é gente de todas as classes sociais. Para dizer a verdade, é gente que sofre os efeitos de angústias avassaladoras! E cada um carrega consigo uma verdade que, por si só, não explica as razões de uma tal desistência da vida.
O suicídio da musa Whitney Houston coloca-nos diante de uma questão: o sucesso pode matar?
Este doloroso acontecimento rememora o trágico horror de tantas outras mortes de artistas famosos como, por exemplo, Marylin Monroe, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Elis Regina, Cassia Eller, Amy Winehouse, etc..
Olhando de fora, quase sem nada compreender, pensamos tratar-se de uma simples banalização da morte. Mortes desnecessárias, esvaziadas de sentido, sem nenhuma razão de ser. Mas a causa está bem ali, no interior da vida íntima de cada um, que vivem uma luta incessante contra uma angústia de morte. Vidas partidas, vidas sofridas, vidas melancolizadas! O sucesso os leva a um confronto com fracasso com suas histórias de vida de seu passado. Mesmo fazendo tanto sucesso na vida artística, são sujeitos que não se acham merecedores de suas conquistas, não suportam mais tanto sucesso?
Inclusive, chega-se a imputar a causa destas mortes a um uso abusivo de drogas e álcool. Mas, não é desta maneira que devemos entender estas questões, que são provocadas pelos próprios sujeitos e que têm, como triste final, vidas interrompidas. As drogas e o álcool são fachadas, álibis, meios sancionados pelos próprios, para desencadear um desejo de morte, no intuito de acabar com tudo. Por isso mesmo pode-se afirmar que a reciproca é que é verdadeira, para se matar, droga-se, bebe-se. Chega, acabou, vamos colocar um ponto final nisto tudo, não aguentamos mais viver esta dor, chega de sofrer!
Em todo caso, uma pergunta que fica no ar: Por quê algumas pessoas famosas se matam justo quando se encontram no auge do sucesso em sua carreira profissional? Muitas outras não desistem da vida, conseguem, além de alcançar seu sucesso, administrá-lo muitíssimo bem. São pessoas que “têm” tudo para viver uma vida solene, de deuses, muita grana, sucesso para dar e vender, sem contar o calor mágico dos fãs que externam, de uma maneira exuberante, sua paixão delirante. Isso tudo não bastaria? Será que o problema estaria em como cada um lida com seus ideais? Sim!
Seria então o sucesso, para alguns, algo tão insuportável? Sabe-se que o sucesso tem um peso e que cada um irá lidar como pode, e não como deve. O sucesso é perigoso, sim, ele acirra as exigências internas do sujeito consigo mesmo, alimentando um sentimento inconsciente de culpa, fazendo viger um profundo estado de recriminação, insensata e cruel contra o próprio. E não se trata apenas da sua conquista, parece que o problema maior está em como mantê-lo de pé, vivo, sendo sustentado diante do público.
É Freud falando, sobre algo que se aplica a tantos e tantos personagens brilhantes que, no auge da sua carreira decide, impensadamente, acabar com a própria vida : “Parece ainda mais surpreendente, e na realidade atordoante, quando, na qualidade de médico, se faz a descoberta de que as pessoas ocasionalmente adoecem precisamente no momento em que um desejo profundamente enraizado e de há muito alimentado atinge a realização. Então, é como se elas não fossem capazes de tolerar sua felicidade, pois não pode haver dúvida de que existe uma ligação causal entre seu êxito e o fato de adoecerem”.
De todo modo, temos que olhar os impasses da relação de cada um com seu desejo. O ser humano têm uma dificuldade nata de lidar com suas realizações: ele sofre um embate, ele quase sempre não quer aquilo que deseja. Eis aí sua depressão original, sua dificuldade de suportar a necessidade de insistir, cada vez mais, no caminho de seu desejo. Trata-se de uma análise no mínimo genial do mestre vienense, sobre os paradoxos que regem a mente humana: como posso adoecer ou, até mesmo, acabar com minha própria vida quando me aproximo de algo tão desejado? Isso vai depender da história de cada um, do desejo que habita a origem de sua vida.
Portanto, meus caros, parem, reflitam, e tomem essa afirmação, não como simples conhecimento estéril, mas como uma profunda reflexão, que possa produzir consequências cruciais nos desígnios de uma vida. Pergunte-se como você lida com seus valores, seus ideais, com o que recebeu de herança dos pais, dos avôs, das palavras que lhes transmitiram e o peso que elas carregam, que engraçaram a educação que seus pais lhe passaram. Os ideais, quando muito acirrados, podem deixar um sujeito sem saída!
Se todos desejamos o sucesso, porque que a sua conquista, pode vir a fazer tanto mal a alguém. Sim, o sucesso pode levar um sujeito a acabar com a própria vida. É isso mesmo, existem sujeitos que não suportam o sucesso, pois vivem o drama de um enlouquecimento existencial, que a própria razão lógica consciente, não consegue explicar.
* Escola Lacaniana de Psicanálise
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
Desejo de sucesso!
Doutor José Nazar *
Você quer o sucesso? Pergunte-se, então, até que ponto está disposto a se sacrificar por ele. Trata-se de um querer verdadeiro, decidido? Pode ser que sim, pode ser que não. Pois você pode dizer a si mesmo que o deseja, mas não se dispõe a pagar por ele, pagar o preço justo de uma possível conquista.
O sucesso requer de cada um disciplina e esforços. Fundamentalmente, exige de você constantes questionamentos. São muitas renúncias que se interpõem no meio do caminho. Como construir o edifício do sucesso, como mantê-lo sem se atrapalhar com ele? Mesmo porque, o caminho em direção ao sucesso, é o de uma obra que carrega consigo o estilo particular de cada um. Não se trata de ganhar dinheiro ou ficar rico. Isso pode ser uma consequência. O que importa é o seu nome atrelado à uma realização que produz uma marca diferencial.
O sucesso em sua vida depende de um desejo. Que lugar você ocupou no desejo de seus pais, de seus antepassados? De quê maneira você vai lidar com o que herdou? Como você vai responder com dignidade ao desejo que o habita? Isso não é qualquer coisa, pois requer um movimento vivo de uma insistência tenaz, específica. O pai ou a mãe podem ter faltado como presença física, mas o lugar do desejo já estava colocado em sua origem. Bem como um outro pode ter dado algum suporte para que ele vigorasse. Muitos reagem mal diante de uma falta, gozam de pobres coitados, tornam-se vítimas eternas, necessitando de ajuda. Outros, reagem de uma maneira distinta, tomam a falta como causa de seu desejo, insistem num movimento de progresso e respondem dizendo não à posição de vitimização. O vazio da falta, o som mudo de uma perda servem de fonte de ensinamentos. A vida é uma eterna escola para aqueles que desejam sucesso! Deixe de lado o orgulho e a arrogância, abandone a posição de querer ser amado, seja desejante.
Em outras situações, pode ser que você não se lembre de um desejo específico de seu pai ou de sua mãe, querendo que você fosse bem sucedido, nisto ou naquilo. Por exemplo, que você fosse um grande médico, que se tornasse um engenheiro magistral, que se realizasse como um famoso homem público, etc.. Ou seja, alguém bem realizado na vida.
Hoje, mais do que nunca, pais querem filhos vitoriosos. Eles educam seus filhos com muito sacrifício, tendo como meta o sucesso. Os pais se tornaram reféns do futuro de seus rebentos. Os pais não gozam de tranquilidade, pois não deixam muito espaço para que seus filhos cumpram sua parte nessa empreitada que, diga-se, não é nada fácil. Os pais estão sempre de prontidão. Eles se antecipam quanto aos passos dos filhos rumo a um possível sucesso, muito mais no âmbito profissional, que na vida amorosa. Por isso mesmo, a distância entre o sucesso e o fracasso tem estado cada vez menor, são vizinhos, separados por uma tênue linha onde reside o perigo. Exigências excessivas, fracassos iminentes!
O sucesso pleno é muito difícil. Talvez ele não exista. Quase sempre perde-se alguma coisa. Você pode ser muito bom naquilo que faz mas, e sua vida amorosa, sexual? Tem sobrado tempo para ser um bom amante?
Uma coisa é importante. Devemos ter clareza sobre o desejo que habita cada um de nós. Você deve mergulhar fundo em si mesmo e arrancar as letras deste desejo que o constituiu. O desejo carrega as marcas da historicidade de um passado que determinará nossos rumos na vida. O melhor e o pior, os acertos e os erros, os sucessos e os fracassos. Pode ser que você não se dê conta de que o encaminhamento de sua vida é sediada por medos e preocupações. Isso pode acarretar impedimentos em direção a um possível sucesso.
Desejo é algo carnal que sustenta uma vida em todas as direções. Até mesmo em direção ao fracasso, à morte. Portanto, meu caro, não existe nenhum modelo prévio , cartilha, ou código de rota para o sucesso.
Com frequência, encontramos pessoas que dizem não querer repetir a história de seu pai ou sua mãe. Procuram tomar rumos distintos e quando se dão conta, estão repetindo os mesmos erros, os mesmos fracassos. Há variações de desejos, apostas e desistências! De toda maneira, temos desejos contrariados. Como retificá-los? Pensar, sempre pensar, este ainda é o caminho.
É difícil, mas não é impossível, você delinear um caminho próprio que torne possível a construção sucessiva de boas realizações. Acredite, insista, realize diálogos com os mais velhos, os mais experientes. Até mesmo um livro, pode ser um bom interlocutor. Insista, ainda é possível.
* Escola Lacaniana de Psicanálise - RJ
Você quer o sucesso? Pergunte-se, então, até que ponto está disposto a se sacrificar por ele. Trata-se de um querer verdadeiro, decidido? Pode ser que sim, pode ser que não. Pois você pode dizer a si mesmo que o deseja, mas não se dispõe a pagar por ele, pagar o preço justo de uma possível conquista.
O sucesso requer de cada um disciplina e esforços. Fundamentalmente, exige de você constantes questionamentos. São muitas renúncias que se interpõem no meio do caminho. Como construir o edifício do sucesso, como mantê-lo sem se atrapalhar com ele? Mesmo porque, o caminho em direção ao sucesso, é o de uma obra que carrega consigo o estilo particular de cada um. Não se trata de ganhar dinheiro ou ficar rico. Isso pode ser uma consequência. O que importa é o seu nome atrelado à uma realização que produz uma marca diferencial.
O sucesso em sua vida depende de um desejo. Que lugar você ocupou no desejo de seus pais, de seus antepassados? De quê maneira você vai lidar com o que herdou? Como você vai responder com dignidade ao desejo que o habita? Isso não é qualquer coisa, pois requer um movimento vivo de uma insistência tenaz, específica. O pai ou a mãe podem ter faltado como presença física, mas o lugar do desejo já estava colocado em sua origem. Bem como um outro pode ter dado algum suporte para que ele vigorasse. Muitos reagem mal diante de uma falta, gozam de pobres coitados, tornam-se vítimas eternas, necessitando de ajuda. Outros, reagem de uma maneira distinta, tomam a falta como causa de seu desejo, insistem num movimento de progresso e respondem dizendo não à posição de vitimização. O vazio da falta, o som mudo de uma perda servem de fonte de ensinamentos. A vida é uma eterna escola para aqueles que desejam sucesso! Deixe de lado o orgulho e a arrogância, abandone a posição de querer ser amado, seja desejante.
Em outras situações, pode ser que você não se lembre de um desejo específico de seu pai ou de sua mãe, querendo que você fosse bem sucedido, nisto ou naquilo. Por exemplo, que você fosse um grande médico, que se tornasse um engenheiro magistral, que se realizasse como um famoso homem público, etc.. Ou seja, alguém bem realizado na vida.
Hoje, mais do que nunca, pais querem filhos vitoriosos. Eles educam seus filhos com muito sacrifício, tendo como meta o sucesso. Os pais se tornaram reféns do futuro de seus rebentos. Os pais não gozam de tranquilidade, pois não deixam muito espaço para que seus filhos cumpram sua parte nessa empreitada que, diga-se, não é nada fácil. Os pais estão sempre de prontidão. Eles se antecipam quanto aos passos dos filhos rumo a um possível sucesso, muito mais no âmbito profissional, que na vida amorosa. Por isso mesmo, a distância entre o sucesso e o fracasso tem estado cada vez menor, são vizinhos, separados por uma tênue linha onde reside o perigo. Exigências excessivas, fracassos iminentes!
O sucesso pleno é muito difícil. Talvez ele não exista. Quase sempre perde-se alguma coisa. Você pode ser muito bom naquilo que faz mas, e sua vida amorosa, sexual? Tem sobrado tempo para ser um bom amante?
Uma coisa é importante. Devemos ter clareza sobre o desejo que habita cada um de nós. Você deve mergulhar fundo em si mesmo e arrancar as letras deste desejo que o constituiu. O desejo carrega as marcas da historicidade de um passado que determinará nossos rumos na vida. O melhor e o pior, os acertos e os erros, os sucessos e os fracassos. Pode ser que você não se dê conta de que o encaminhamento de sua vida é sediada por medos e preocupações. Isso pode acarretar impedimentos em direção a um possível sucesso.
Desejo é algo carnal que sustenta uma vida em todas as direções. Até mesmo em direção ao fracasso, à morte. Portanto, meu caro, não existe nenhum modelo prévio , cartilha, ou código de rota para o sucesso.
Com frequência, encontramos pessoas que dizem não querer repetir a história de seu pai ou sua mãe. Procuram tomar rumos distintos e quando se dão conta, estão repetindo os mesmos erros, os mesmos fracassos. Há variações de desejos, apostas e desistências! De toda maneira, temos desejos contrariados. Como retificá-los? Pensar, sempre pensar, este ainda é o caminho.
É difícil, mas não é impossível, você delinear um caminho próprio que torne possível a construção sucessiva de boas realizações. Acredite, insista, realize diálogos com os mais velhos, os mais experientes. Até mesmo um livro, pode ser um bom interlocutor. Insista, ainda é possível.
* Escola Lacaniana de Psicanálise - RJ
Assinar:
Postagens (Atom)