Rodrigo
Constantino
O
deputado do PSOL Chico Alencar publicou hoje um texto na Carta dos Leitores do jornal O Globo, em resposta ao meu artigo “A esquerda caviar”. Vamos rebater
um a um os pontos abordados pelo socialista.
Em
primeiro lugar, ele afirma que eu agredi cineastas, músicos e artistas em
geral, além de ecologistas e representantes políticos. Não! Eu apenas apontei a
hipocrisia de muitos desses artistas e intelectuais, que defendem as “maravilhas”
do socialismo, mas gostam mesmo é das coisas que só o capitalismo pode
oferecer. O que foi apontado no meu artigo é a esquizofrenia dos admiradores de
Fidel Castro que, no fundo, querem mesmo é acumular muita riqueza e despertar o
consumismo burguês sem censura.
Depois
Chico Alencar diz que eu ofendi a cidadania, ao indagar “o que se pode esperar
de um povo que elegeu Saturnino Braga em vez de Roberto Campos para o Senado?”
Como assim? Quer dizer que afirmar que os cariocas possuem um histórico de
péssimos votos é “ofender a cidadania” agora? Que doideira. Não posso nem mesmo
lamentar as péssimas escolhas de meus conterrâneos? Será que Chico Alencar
estaria ofendendo a cidadania ao reclamar dos votos que levaram Collor ao
poder?
Mas
ele continua. Afirma que, para mim, servir ou combater a ditadura não são
critérios respeitáveis para o voto. O que? O problema é outro, deputado. Muitos
da esquerda a qual o senhor faz parte combateram os militares sim, mas vamos
contar a história toda? Eles lutavam por qual causa? A liberdade democrática,
por acaso? Nem aqui, nem na China! José Dirceu, o “chefe de quadrilha”, era um
defensor da democracia?
A
turma que o senhor defende queria era implantar uma ditadura do proletário no
Brasil, nos moldes cubanos. Tanto que o ídolo dessa rapaziada era Fidel Castro,
simplesmente o mais sanguinário e duradouro ditador da América Latina! Aproveito
para lhe perguntar, deputado: o que o senhor pensa de Castro? O que o senhor
acha do regime cubano? Satisfeito com a liberdade do socialismo? Poderia
apontar um único caso de sucesso do
socialismo?
Chico
Alencar ainda diz que eu falseei a posição de Freixo sobre as escolas de samba.
Eu vi a entrevista do candidato no RJTV. Ele foi bem claro: para ter verba
municipal, tem de haver contrapartida cultural. E quem decide isso? Os
burocratas apontados pelo governo! Logo, é exatamente como eu disse: o PSOL quer
controlar até mesmo conteúdo de samba! Onde está a mentira?
Ainda
foi dito pelo deputado que eu preciso me informar melhor sobre a questão de
Israel. Ora, eu li o texto do deputado Babá “justificando” seu ato de queimar a bandeira de Israel em praça pública. Portanto, não estou desinformado. E repito
o que disse: é uma demonstração de intolerância e desrespeito ao povo judeu
queimar a bandeira de Israel dessa forma. Os socialistas acusam a única
democracia do Oriente Médio de fascista. Foi por isso que recomendei o livro “Fascismo
de esquerda” no meu artigo. O deputado deveria lê-lo...
Para
Alencar, eu ataquei todos os que defendem o meio-ambiente. Não! Eu ataquei os
ecoterroristas, os alarmistas oportunistas com uma agenda política por trás do
movimento ambiental, usado somente como desculpa para mais concentração de
poder no estado. Por isso, inclusive, recomendei o livro “Os Melancias”, de
James Delingpole. O deputado deveria lê-lo...
Por
fim, o deputado apela para o sensacionalismo e tenta monopolizar as virtudes,
alegando que liberdade não é apenas a dos donos do capital. E quando foi que eu
disse isso? Justamente, a liberdade é muito mais que isso; é, por exemplo, não
ter que entregar metade do que ganha para um governo perdulário e corrupto; não
ser tratado como um súdito pelos burocratas “iluminados”; enfim, tudo aquilo
contrário ao socialismo que Chico Alencar defende.