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segunda-feira, janeiro 02, 2012

Eles não morreram de overdose

João Luiz Mauad, O GLOBO

A repercussão da morte de Steve Jobs e as merecidas homenagens a ele prestadas, inclusive e principalmente aqui no Brasil, são dignas de registro, pois mostram talvez uma mudança profunda na opinião pública, historicamente avessa ao capitalismo em geral e aos capitalistas em particular. Devido a uma persistente cultura de privilégios e do intenso compadrio entre agentes públicos e privados, vigente por aqui desde priscas eras, a imagem dos empresários sempre foi a pior possível, não raro considerados ladrões, sonegadores ou exploradores do trabalho alheio.

O egoísmo é outra pecha frequentemente lançada contra os empreendedores para desmerecer seu trabalho e as realizações. Os detratores anticapitalistas esquecem que quase todos nós trabalhamos somente em proveito próprio. A única diferença é que a compensação pelo trabalho, seja ele de um humilde servente ou de um renomado cientista, é o salário, enquanto a dos empresários é o lucro. Aliás, há outra importante diferença: o risco. Os assalariados recebem pelo trabalho executado independentemente do resultado alcançado, mas os capitalistas serão recompensados apenas caso os seus investimentos e esforços se tornem lucrativos.

No verdadeiro capitalismo - onde a eficiência é recompensada, a ineficiência é punida e os favores do Estado estão fora do alcance -, a luta pela sobrevivência é tão dura que o bom empresário não pode se dar ao luxo de olhar o interesse social, mas unicamente os seus próprios interesses, sob pena de sucumbir ante a concorrência alheia ou a ineficiência própria. Contudo, foi justamente este famigerado "egoísmo" o responsável pela criação de produtos e serviços que transformaram o mundo num lugar muito melhor para viver.

Por mais que possa parecer estranho, foi graças à ambição de homens como Steve Jobs que a imensa maioria dos nossos contemporâneos goza hoje de um padrão de vida bem acima do que, há apenas poucas gerações, era impossível até aos mais abastados. Ou alguém duvida que o autointeresse dos capitalistas está por trás de quase todas as inovações tecnológicas que, de alguma forma, concorreram para satisfazer boa parte das carências humanas?

Convido-o a pensar algumas das maravilhas já criadas pelo engenho humano. Pense nos automóveis, locomotivas, navios e aviões, que possibilitam deslocamentos cada vez mais rápidos e seguros. Pense nos eletroeletrônicos que facilitam a vida e entretêm bilhões de indivíduos: geladeiras, televisores, máquinas de lavar, micro-ondas, condicionadores de ar, computadores, telefones celulares. Pense nos equipamentos que ajudam a tornar a medicina muito mais eficiente e prática, como tomógrafos, centrífugas, aparelhos de ultrassonografia, de ressonância magnética, microscópios eletrônicos, microchips, marca-passos. Pense na indústria farmacêutica, seus avanços e descobertas. Pense, por exemplo, que, há poucos anos, a maior parte dos doentes com úlcera gástrica terminava numa mesa de operações e hoje aquela é uma doença facilmente tratável com medicamentos. Pense na agricultura e nos avanços de produtividade que permitem alimentar um contingente humano que cresceu de forma geométrica, contradizendo as previsões catastróficas de Thomas Malthus e seus seguidores.

Esses avanços, e toda a fantástica geração de riquezas conseguida pelo homem, foram obtidos graças à divisão e à especialização do trabalho e, acima de tudo, ao interesse pessoal dos indivíduos, principalmente dos execrados capitalistas. Sem isso, talvez a maior parte da população ainda estivesse labutando de sol a sol, morando sem qualquer conforto e sujeita a condições extremas de insalubridade. Sem falar do cotidiano monótono, restrito a atividades básicas de sobrevivência.

Sem a recompensa pessoal, seja ela fruto da remuneração do trabalho ou do capital (lucro), não há incentivo para que os indivíduos produzam, invistam, pesquisem, desenvolvam novas tecnologias, criem e coloquem novos produtos e serviços à disposição dos demais. Analisem a relação de ganhadores do Prêmio Nobel nas áreas de ciência e tecnologia. Onde está (ou esteve) domiciliada a imensa maioria deles? Sem dúvida, em países onde há liberdade econômica (capitalismo) e, consequentemente, a busca pelo lucro. Será que isso acontece por acaso?

sexta-feira, outubro 21, 2011

How Steve Jobs Saved the Music Industry


By ED NASH, WSJ

Before iTunes, the stealing of MP3 files was rampant and seemingly unstoppable

As I write this, I am aware that I will undoubtedly take a lot of criticism from fellow music-industry professionals. But it's important to tell the truth and examine the facts dispassionately. And the truth is that Steve Jobs saved the music industry.

In the late 1990s, computer and Internet technology had reached a point that made the transfer of reasonably sized, high-quality MP3 files extremely easy and inexpensive for millions of people. Once that point was reached, the music industry was set on a collision course with modern technology.

In 1999, on the heels of the initial success of peer-to-peer file sharing sites like Napster, lawsuits were filed. But lawsuits would not solve the overwhelming issue: Music had become broadly available online, and access was easy—not to mention free. Sure, it was technically illegal, but the new technology was breaking unprecedented legal ground, and a population that was largely uneducated on intellectual-property law ultimately took advantage of this access. You could say that the downloaders were ignorant opportunists.

The legal brawls would multiply—record labels, publishers, the Recording Industry Association of America, everyone got in on the fight, suing the file-sharing services, suing the college kids in dorm rooms who were utilizing them, even suing the Internet service providers. At various points, injunctions were granted, settlements were offered and accepted, but the sharing continued. The stealing of music was rampant and seemingly unstoppable.

As technological advances continued, the innovations that made this "sharing" possible grew in sophistication. The genie would not go back into the bottle. The lawsuits were costly and cumbersome, and they weren't solving the problem. The music industry wasn't coming up with a viable solution either.

That shouldn't be surprising. After all, the music industry was not equipped for—or even conscious of—the idea of selling directly to the public. The industry was built on the model of creators under contract to labels who push distribution to retailers who ultimately sold product to consumers. The downloading was bypassing the retailers (and in some cases the labels) and going straight into the hands of the consumers, cutting out the traditional distribution chain that existed with physical product like CDs and cassettes.

The problem was clear, but a solution would require nothing short of a paradigm shift in the industry. There would need to be changes in licensing from the major labels, technological implementation, a strong marketing plan and—perhaps most importantly—all delivered at a price that would entice illegal downloaders to pay for music that was already free for the taking.

Steve Jobs presented the answer. Jobs and Apple introduced the iPod and iTunes software in 2001 to marginal success. But the real shift came in 2003 with the launch of the iTunes Store. Jobs not only had a vision, he had a plan—a plan that the music industry was initially reluctant to take part in.

Jobs was intent on a singles-based sales structure with optional pricing for full albums. He determined that 99 cents per single song would be the standard price point—a suggestion that rankled many industry traditionalists. Nonetheless, Jobs eventually negotiated licensing agreements with all of the major labels. Of course in hindsight we see that there were few other options, but to his credit Jobs could already see what was ahead.

In a 2003 interview with Rolling Stone magazine, Jobs spoke openly about the problems that faced the major labels: "When the Internet came along, and Napster came along, they didn't know what to make of it. A lot of these folks didn't use computers—weren't on e-mail; didn't really know what Napster was for a few years. They were pretty doggone slow to react. Matter of fact, they still haven't really reacted, in many ways." Jobs recognized the path that technology was taking and the effect it would continue to have on the music industry and, more importantly, on music itself.

He also understood intellectual property, and this may have been the most important piece of the strategy that saved the music industry. In that same Rolling Stone interview, Jobs said, "If copyright dies, if patents die, if the protection of intellectual property is eroded, then people will stop investing. That hurts everyone. People need to have the incentive that if they invest and succeed, they can make a fair profit. Otherwise, they'll stop investing. But on another level entirely, it's just wrong to steal. Or, let's put it another way: it is corrosive to one's character to steal. We want to provide a legal alternative."

With iTunes, Jobs not only provided a legal alternative but a more convenient alternative. He understood that people would pay 99 cents a song if it were easier than stealing, and of equal importance he understood that the vehicle—the iTunes application itself—would need to be free. And so iTunes didn't just carry Jobs's vision to fulfillment, it created a commercial superhighway that connected the artist to the consumer and rescued the industry.

A true innovator gives the market what it wants before the market knows what it wants. Steve Jobs was a true innovator. The music industry is still refining its models for business and is taking a hell of a long time to let the old models go. But music is being consumed more than ever, songs are delivered faster, and there is more variety at our fingertips than ever before. It is a special time—uncertain, exciting, scary and quite exhilarating in its potential.

I am so thankful that Steve Jobs was a music fan, because he believed that its value was intrinsic when delivered effectively. He showed the music industry how to capture the value that was quickly being eroded by old-world ideals. He developed the technology and then built the marketplace that would allow music creators to communicate value and reap the benefit of their work. It's not the world I imagined when I first entered this business, but in many ways it's better.

Thank you, Steve Jobs, for saving our industry. We owe you one.

Mr. Nash is president of Altius Management in Nashville, Tenn.

terça-feira, outubro 18, 2011

Inovação e progresso

Rodrigo Constantino, O GLOBO

Há exatos 80 anos morria Thomas Edison, um dos ícones da revolução tecnológica. Entre suas principais invenções, encontra-se a lâmpada elétrica, o gramofone e o cinescópio. Edison é considerado um dos inventores mais prolíficos de seu tempo, tendo registrado mais de duas mil patentes. A data é propícia, portanto, para a reflexão acerca de quais são as principais causas do progresso tecnológico.
Como reconhecia o próprio Edison, “A genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração”. Steve Jobs, que faleceu recentemente, é outra prova disso. Ele trabalhava duro, era persistente, acreditava no que fazia e estava mais preocupado com a jornada em si do que com o destino final. A Apple e a Pixar são empresas inovadoras em suas respectivas áreas, que contribuíram para um mundo melhor. A filantropia de Jobs foi sua própria empresa. Ele mereceu cada centavo de sua fortuna.
Jobs nunca fez o que fez pelo dinheiro; este foi um subproduto de sua paixão. Por isso o sucesso. Ele perguntava: “Quem agüenta a barra se não for movido por amor?”. No âmbito individual, portanto, a inovação depende da centelha criativa de alguns indivíduos diferenciados, que enfrentam desafios árduos para romper com o status quo e deixar seu legado à humanidade.
Mas, e no campo coletivo? Se estas inovações fantásticas dependessem somente do indivíduo, então seria razoável supor que há uma distribuição aleatória entre os diferentes países. Não é o caso. Os EUA, por exemplo, dominam o mercado de patentes. A lista de inovações que marcaram a era moderna aponta com claro viés para os anglo-saxões. Alguns exemplos ilustram isso.
Em 1802, corria nos trilhos do País de Gales a primeira locomotiva a vapor. Em 1818, cruzava os mares do mundo o primeiro barco a vapor construído pelo americano Moses Rogers. Henry Ford massificou a indústria automotiva em 1908. O motor a jato foi uma invenção de um piloto da Royal Air Force inglesa, em 1930. O primeiro jato que inaugurou vôos comerciais foi o americano Boeing 707.
O ar condicionado foi uma criação de Willis Carrier em Nova Iorque. As máquinas de lavar roupa e louça também foram inventadas nos EUA. O aspirador de pó elétrico foi criado em Londres.
No setor de saúde ocorre o mesmo fenômeno. A vacinação foi aplicada pela primeira vez em Massachusetts. A anestesia geral seria testada pela primeira vez nos EUA em 1842. Em 1943, no estado americano de Illinois, finalmente foi resolvido o problema da curta duração da penicilina. No final do século 20, a americana Pfizer presentearia a humanidade com seu Viagra.
Eu poderia continuar com vários outros exemplos, mas acredito que o ponto está claro: o mundo, tal qual o conhecemos, com um conforto material impensável para o mais rico dos nobres medievais, foi obra de uma minoria, em poucos países. A pergunta-chave, aqui, é justamente o porquê disso.
Praticamente todas as importantes inovações modernas ocorreram em países capitalistas com sólido respeito à liberdade individual. O economista Mises dizia: “Só uma pequena minoria faz uso da liberdade de criação artística e científica, mas todos se beneficiam dela”. Eis o primeiro pilar necessário: um arcabouço institucional e cultural que estimule a meritocracia individual.
Somente quando o sucesso for visto como louvável, e não um pecado, haverá tolerância para as desigualdades inerentes ao progresso. Nem todos possuem as mesmas habilidades e dons. O respeito ao lucro e à propriedade privada, portanto, são fundamentais. O império da lei também, para preservar as recompensas das criações.
Um mercado financeiro desenvolvido é necessário, pois é a fonte do capital de risco para as novas empreitadas. Basta pensar na quantidade de empresas que nasceram em garagens na Califórnia, e se tornaram gigantes graças ao acesso a este capital. A “destruição criadora” é crucial: os ineficientes devem ir à bancarrota.
O capitalismo liberal é claramente o melhor sistema para prover inovações tecnológicas, inclusive no campo da saúde. Nem os mais jurássicos esquerdistas conseguem resistir aos seus produtos. Já o socialismo “igualitário”, sob o manto da retórica altruísta, conseguiu produzir apenas miséria, escravidão e fuzis. Muitos fuzis.
Gostaria de destacar outro ponto: é a mente humana, não o trabalho braçal, o grande responsável por este avanço tecnológico. Como disse um dos personagens de Ayn Rand: “Tente obter alimentos usando apenas movimentos físicos, e descobrirá que a mente do homem é a origem de todos os produtos e de toda a riqueza que já houve na terra”.

sexta-feira, outubro 07, 2011

Ainda Steve Jobs


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

O ministro da Ciência e Tecnologia Aloizio Mercadante, que nada entende de ciência e tecnologia, disse sobre Steve Jobs: "Ele era um visionário. Um símbolo de talento, criatividade e um grande inovador. Espero que a Apple consiga superar a perda desse gênio, e não perca o espírito". Mercadante disse ainda que o Brasil precisa de pessoas com o talento e a inspiração de Jobs: "Espero que o exemplo dele inspire jovens de todo o mundo. No Brasil, precisamos muito de pessoas talentosas e inovadoras. São elas que impulsionam o processo de desenvolvimento de uma nação”, afirmou o ministro.

Ora, ministro, são pessoas assim que, de fato, impulsionam o desenvolvimento. E não o governo! Portanto, saia da frente, retire os obstáculos todos do governo que impedem o surgimento de inovadores capitalistas. Não vamos esquecer que Steve Jobs não se interessava muito pelo Brasil, um país com quase 200 milhões de habitantes, justamente por causa das barreiras estatais. Sequer somos livres para consumir seus produtos, como as músicas do iTunes. Sem falar do preço que, graças aos escorchantes impostos, chega a ser mais que o dobro do que pagam os “pobres” americanos. Se Steve Jobs fosse brasileiro sob seu governo, ministro, ele nunca teria saído daquela garagem!

Se, de um lado, quem não devia elogiou Steve Jobs, por outro lado surgiram aqueles jurássicos esquerdistas para atacá-lo. O argumento, que circula na internet, diz basicamente que não foi Jobs quem produziu o iPad e demais produtos da Apple, e sim as crianças asiáticas. O que essa turma ainda não compreendeu é que o valor gerado, ainda mais na era da informação, depende da mente, e não dos braços. Trabalho mecânico qualquer um faz, e há que se agradecer a Apple por levar empregos a estes pobres trabalhadores da Ásia. Mas o verdadeiro valor está na inteligência. Como disse um personagem de Ayn Rand em sua novela “A Revolta de Atlas”:

“Olhe para um gerador de eletricidade e ouse dizer que ele foi criado pelo esforço muscular de criaturas irracionais. Tente plantar um grão de trigo sem os conhecimentos que lhe foram legados pelos homens que foram os primeiros a plantar trigo. Tente obter alimentos usando apenas movimentos físicos, e descobrirá que a mente do homem é a origem de todos os produtos e de toda a riqueza que já houve na terra.”

Alguns também criticam Jobs por não ser engenheiro, não ser aquele que realmente criava a tecnologia. Também erram o alvo: o valor do empreendedor é justamente esta visão mais holística, que sabe pegar as partes separadas e juntá-las num produto final fantástico e demandado por todos. Os críticos podem dizer o que quiserem, mas o fato é que a genialidade de Steve Jobs entrou para a história. A maçã de Eva, a maçã de Newton e a maçã de Jobs: três maçãs que mudaram o mundo para sempre.

quinta-feira, outubro 06, 2011

O legado de Steve Jobs


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Todos aqueles que admiram o empreendedorismo e o progresso capitalista estão de luto hoje. Morreu Steve Jobs, arrancado prematuramente da vida por conta de uma doença rara, que todos os seus bilhões não foram capazes de reverter. Tratava-se de um visionário, de um empresário perfeccionista e apaixonado pelo que fazia. Algumas lições importantes sobre este gigante da tecnologia merecem destaque.

Em 1983, Jobs perguntou para o então presidente da Pepsi, John Sculley: “Você quer passar o resto da vida vendendo água com açúcar ou quer ter a chance de mudar o mundo?”. Esta ambição ousada seria seu marco. Jobs queria mudar o mundo para melhor, e conseguiu. Pegou uma ferramenta exclusiva para especialistas e a levou até milhões de consumidores do mundo todo, facilitando suas vidas. Para Jobs, o computador era “o equivalente à bicicleta para nossa mente”. A Apple nos ajudou a “pedalar” mais que qualquer outra.

Steve Jobs trabalhava duro, era persistente, acreditava no que fazia e estava mais preocupado com a jornada em si do que com o destino final. A Apple e a Pixar são empresas inovadoras em suas respectivas áreas, e contribuíram para um mundo mais rico. Quando a Apple enfrentou dificuldades, após Steve Jobs ter sido demitido da empresa que ajudara a criar, muitos previram seu fim. Mas ela deu a volta por cima, sob o comando de Jobs, para se tornar a empresa mais valorizada do planeta. Hoje, são US$ 350 bilhões de valor de mercado!

Steve Jobs nunca fez o que fez pelo dinheiro; este foi um subproduto de sua paixão e genialidade. Por isso o sucesso. “Quem agüenta a barra se não for movido por amor?”, perguntava ele. Suas inovações criaram muito valor para os consumidores, e Jobs mereceu cada centavo que ganhou. Na verdade, seu legado é tão grande que faz sua fortuna parecer secundária. Empresários assim jamais deveriam sentir culpa pela riqueza, muito menos repetir o mantra filantrópico de “devolver” para a sociedade alguma coisa. Nada foi tirado. Ao contrário, Steve Jobs criou muita riqueza, e é absolutamente legítima a fortuna pessoal que veio como conseqüência. Absurdo é defender impostos extorsivos sobre estas riquezas.

Por fim, resta uma reflexão para nós brasileiros. Infelizmente, com este arcabouço institucional e cultural que temos, dificilmente seríamos capazes de “produzir” um Steve Jobs, ou algo parecido. Tivesse nascido por aqui, mesmo com toda a sua visão inovadora e sua incrível persistência, provavelmente Jobs seria massacrado pelos obstáculos criados pelo governo no processo. Que o legado de Steve Jobs nos sirva como alimento para esta reflexão necessária.

PS: Mesmo sendo um gênio da tecnologia, Steve Jobs sabia apreciar as coisas realmente importantes na vida. Em 2001, ele disse: "Eu trocaria toda a minha tecnologia por uma tarde com Sócrates".