Um artigo na Folha de hoje, assinado pela professora de filosofia da Unicamp Maria Sylvia Carvalho Franco, mostra como ainda precisamos resgatar os verdadeiros significados de capitalismo e liberalismo no Brasil. Espalha-se por aqui, ainda, uma visão totalmente distorcida do que quer dizer tal sistema, o capitalismo liberal, ou de livre mercado. A professora diz:
Destaca-se na origem da sociedade brasileira a exploração de riquezas baseadas na escravidão moderna, instituição constitutiva do capitalismo, articulada às mudanças socioeconômicas, inclusive o trabalho livre, em curso na Europa. Não por acaso, J. Locke deu forma teórica às práticas capitalistas, fundamentou o pensamento liberal e legitimou a escravidão moderna, alicerçando-os no direito natural e individual à propriedade: só o proprietário pertence ao gênero humano. Os sem posses convertem-se em inferiores, justificando-se o seu jugo e a pena de morte para quem atenta contra a propriedade, "ipso facto", contra a vida e a liberdade.
Não obstante parágrafo um tanto confuso, extrai-se daí que o capitalismo é sinônimo de escravidão, e que os "sem posses" são seres inferiores sob esse sistema. Nada mais longe da verdade! Foi com base na ideia de John Locke, diga-se de passagem, que os "pais fundadores" dos Estados Unidos criaram a nação mais livre do planeta. Nesse artigo eu explico melhor esse legado de Locke.
Foi o capitalismo que colocou um fim na escravidão! E os mais pobres foram justamente os maiores beneficiados por esse sistema. Hayek chegou a afirmar que se não tivesse propriedade alguma, aí mesmo que ele desejaria viver sob o capitalismo liberal, para pegar carona do progresso criado por outros. A professora segue com seus ataques infundados:
Nada mais absurdo! Quer dizer que países como Austrália, Nova Zelândia, Suíça, Inglaterra e Estados Unidos, com mais lucro ainda, são países com escravidão? Na Coreia do Norte e em Cuba, dois remanescentes do sonho socialista, aboliram-se o "pecaminoso" lucro, e deu no que deu: lá sim, temos escravidão, miséria e terror. Como pode alguém, em pleno século 21, ainda condenar o lucro, mola propulsora do progresso, da criação de riqueza? A professora ataca Dilma, como se ela fosse ícone do capitalismo liberal:
Ora, quem acompanha meus textos sabe que a primeira coisa que um liberal faz é condenar essa simbiose entre estado e grandes empresas. Isso não é liberalismo! Subsídios do BNDES merecem críticas dos liberais, e já cheguei a defender o fim do banco estatal. A crise atual não tem ligação alguma com capitalismo liberal, e sim com o modelo desenvolvimentista defendido pela esquerda. Será que professora não sabe disso? Será que ela não entende que a inflação é um processo deliberado do governo, pois não quer cortar seus gastos?
O Peru, seguindo modelo mais liberal, tem crescido mais de 5% ao ano, com inflação bem menor. Como fica? A professora vai culpar o capitalismo agora? Segue a professora:
E então, vamos combater esses males em suas raízes? Que tal defender a redução do poder estatal, para que os lobbies não tenham tanto poder também? Que tal defender menos recursos passando pelo governo, para que não seja mais interessante para as empresas "investir" em amizade com o "rei" em vez de investir em produtividade e eficiência? Isso é capitalismo liberal. Mas a professora condena a solução!