por Dom Armentano (dezembro de 2010)
Podem os gastos de um governo federal, e consequentemente seu déficit orçamentário, serem de fato reduzidos substancialmente sem fazer com que o PIB entre em uma espiral descendente e o desemprego aumente a níveis extraordinários?
Social-democratas e economistas com simpatias keynesianas sempre argumentaram que reduções substanciais no gasto federal quando a atividade econômica está fraca (como atualmente nos países desenvolvidos) são medidas desastrosas. Será mesmo? Vejamos o que realmente aconteceu na última vez em que o governo de um país desenvolvido realmente reduziu seus gastos de maneira substancial.
O país é os EUA e o período é de 1945-1950. Tal período é (praticamente) um teste científico de uma hipótese keynesiana. Não obstante os repetidos alertas de vários economistas convencionais de que cortar gastos ao fim da Segunda Guerra Mundial traria de volta a Grande Depressão, o Congresso americano reduziu dramaticamente os gastos governamentais entre 1945 e 1950.
Os gastos do governo federal caíram de US$ 106.9 bilhões em 1945 para US$ 44,8 bilhões em 1950. Os gastos com defesa sofreram o maior corte de todos, caindo de US$ 93,7 bilhões em 1945 para apenas US$ 24,2 bilhões em 1950. Em apenas 5 anos, os gastos do governo caíram (em porcentagem do PIB) de 45% em 1945 para apenas 15% em 1950, e o déficit orçamentário anual do governo federal caiu de US$ 53,7 bilhões em 1945 para apenas US$ 1,3 bilhão em 1950.
Porém, o que aconteceu com a produção econômica e o desemprego? Não obstante as maciças transições econômicas por que passava a economia, que rearranjava sua estrutura até então voltada para o esforço de guerra para a produção doméstica, o PIB na verdade aumentou (confundindo todos os keynesianos) de US$ 223 bilhões em 1945 para US$ 244,2 bilhões em 1947 e então para US$ 293,8 bilhões em 1950. E mesmo com os milhões de soldados voltando para casa após a guerra, a taxa de desemprego ficou na média extremamente baixa de 4,5% entre 1945 e 1950. Desastre econômico? Dificilmente.
A história, obviamente, nunca se repete da mesma maneira, e 2010 não é 1945. Porém, uma coisa é clara: cortar os gastos e os déficits do governo federal americano no período imediatamente após a Segunda Guerra Mundial não foi nenhuma obstrução à economia; longe disso. Com efeito, à medida que os gastos do governo e os controles de preço da época da guerra recuaram, a economia do setor privado expandiu-se robustamente e o desemprego permaneceu sensivelmente baixo. Os keynesianos, completamente errados na teoria, estavam completamente errados na prática também.
Idéias de um livre pensador sem medo da polêmica ou da patrulha dos "politicamente corretos".
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quinta-feira, agosto 11, 2011
quarta-feira, agosto 10, 2011
O que deu errado?
Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal
Em agosto de 2010, o presidente do Fed, Ben Bernanke, sinalizou novos estímulos para a economia. Nascia o QE2, a segunda rodada de estímulos monetários, que totalizou US$ 600 bilhões. Além disso, a taxa de juros foi mantida em praticamente zero no período todo, e agora o Fed já disse que assim ela permanecerá até meados de 2013, pelo menos.
Por outro lado, o governo Obama não quis saber de corte de gastos. Ao contrário, quase que não sai acordo para subir o teto do endividamento justamente porque o presidente não quer reduzir os gastos sociais insustentáveis do governo. Para piorar, sua retórica é totalmente contra os negócios, a regulação tem sido crescente e arbitrária e Obama ainda insiste em taxar mais os “ricos”, espantando investidores.
Com este manual keynesiano, o que a dupla dinâmica Bernanke e Obama conseguiu? O desemprego segue acima de 9%, a economia está ameaçando entrar em nova recessão, e o S&P 500 está voltando para o mesmo patamar que estava à época do QE2. Os bônus em Wall Street podem até ter sido salvos, mas parece que os estímulos não foram tão bons para o Main Street. Já o ouro subiu outros 50%, e já vale $ 1.800 por onça troy, expondo a descrença generalizada no dólar.
Mas parece que nada é suficiente para despertar os keynesianos de seus sonhos de alquimia. Se tanto estímulo não está funcionando, então é preciso aumentar a dose! Paul Krugman está alucinadamente implorando por isso. Ele pediu também uma bolha imobiliária para curar o crash da internet em 2001. Insanidade, já ensinava Einstein, é fazer tudo igual e esperar resultados diferentes.
Os insanos estão no poder. Não passa pela cabeça-de-bagre dessa gente uma única questão: será, talvez, que este modelo pode estar eventualmente errado, e o remédio está causando mais doença ainda?
Em agosto de 2010, o presidente do Fed, Ben Bernanke, sinalizou novos estímulos para a economia. Nascia o QE2, a segunda rodada de estímulos monetários, que totalizou US$ 600 bilhões. Além disso, a taxa de juros foi mantida em praticamente zero no período todo, e agora o Fed já disse que assim ela permanecerá até meados de 2013, pelo menos.
Por outro lado, o governo Obama não quis saber de corte de gastos. Ao contrário, quase que não sai acordo para subir o teto do endividamento justamente porque o presidente não quer reduzir os gastos sociais insustentáveis do governo. Para piorar, sua retórica é totalmente contra os negócios, a regulação tem sido crescente e arbitrária e Obama ainda insiste em taxar mais os “ricos”, espantando investidores.
Com este manual keynesiano, o que a dupla dinâmica Bernanke e Obama conseguiu? O desemprego segue acima de 9%, a economia está ameaçando entrar em nova recessão, e o S&P 500 está voltando para o mesmo patamar que estava à época do QE2. Os bônus em Wall Street podem até ter sido salvos, mas parece que os estímulos não foram tão bons para o Main Street. Já o ouro subiu outros 50%, e já vale $ 1.800 por onça troy, expondo a descrença generalizada no dólar.
Mas parece que nada é suficiente para despertar os keynesianos de seus sonhos de alquimia. Se tanto estímulo não está funcionando, então é preciso aumentar a dose! Paul Krugman está alucinadamente implorando por isso. Ele pediu também uma bolha imobiliária para curar o crash da internet em 2001. Insanidade, já ensinava Einstein, é fazer tudo igual e esperar resultados diferentes.
Os insanos estão no poder. Não passa pela cabeça-de-bagre dessa gente uma única questão: será, talvez, que este modelo pode estar eventualmente errado, e o remédio está causando mais doença ainda?
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