terça-feira, novembro 09, 2010

O demolidor de utopias



Rodrigo Constantino, para a Revista Banco de Idéias (IL)

Dono de incrível talento literário, agora reconhecido pelo Prêmio Nobel, o peruano Mário Vargas Llosa é também um ótimo escritor de crônicas políticas. E, ao contrário de muitos de seus colegas, ele não é um puxa-saco de caudilhos de esquerda, e sim um incansável defensor da democracia liberal. A coletânea de artigos reunida no livro “Sabres e Utopias” demonstra todo o bom senso e a racionalidade deste grande escritor. Tratam-se de qualidades raras entre os romancistas latino-americanos.

Sob a influência de grandes pensadores como Popper, Mises e Isaiah Berlin, Vargas Llosa defende a sociedade aberta, um modelo liberal de pluralidade e tolerância, contra todos os tipos de coletivismos autoritários. Para ele, não existem soluções definitivas para os males que assolam a humanidade. Podemos apenas evoluir, mas devemos sempre evitar as tentações utópicas, aquelas que prometem um paraíso terrestre e costumam entregar, na realidade, o inferno.

Vargas Llosa considera a liberdade política e a liberdade econômica dois lados da mesma moeda. Isso fez com que ele rejeitasse os autoritarismos de “direita” também. A economia de mercado deve sempre andar de mãos dadas ao Estado de Direito, com garantias individuais, como a liberdade de expressão e artística. Sua desconfiança em relação aos militares, que colocariam fim às ameaças marxistas no continente, sempre foi total. Pinochet, por exemplo, era visto como um “assassino e ladrão”. Não existem dois pesos e duas medidas, como acontece com muitos de seus colegas de esquerda.

A covardia “politicamente correta”, típica dos intelectuais da região, simplesmente não faz parte da personalidade de Vargas Llosa. Seus princípios liberais são seu único norte. Quando o presidente Lula abraçou o ditador Fidel Castro, enquanto o cadáver do dissidente Orlando Zapata ainda esfriava, Vargas Llosa escreveu sobre a sensação de asco que vivenciara. O escritor lamentou ainda as amizades do presidente brasileiro com a “escória da América Latina” e com a teocracia iraniana. A popularidade de um governante não representa obstáculo algum para o julgamento imparcial de Vargas Llosa.

A insistência das crenças utópicas abaixo da linha do Equador é um tema recorrente em suas crônicas. Para Vargas Llosa, não há problema se a busca pela utopia for uma aventura individual, por meio das artes e da literatura. O perigo é quando tentam transportar tal busca para o campo da política social. Querer “moldar a sociedade ignorando as limitações, contradições e variações do ser humano, como se homens e mulheres fossem uma argila dócil e manipulável capaz de se ajustar a um protótipo abstrato, concebido pela razão filosófica ou pelo dogma religioso com total desprezo pelas circunstâncias concretas, pelo aqui e agora, isso contribuiu, mais do que qualquer outro fator, para incrementar o sofrimento e a violência”.

O nacionalismo foi um dos maiores entraves ao desenvolvimento da América Latina, e por isso mesmo um alvo incessante de Vargas Llosa. O “outro”, um estrangeiro, sempre foi utilizado como bode expiatório para os nossos infortúnios. Os ataques aos “imperialistas” sempre alimentaram a retórica dos oportunistas. O antiamericanismo é a marca registrada de inúmeros intelectuais latino-americanos. Vargas Llosa se destaca neste mar de estupidez, reconhecendo que “o nacionalismo é a cultura dos incultos”. A globalização, econômica e cultural, tem sido uma bandeira constante do escritor.

Em suma, Vargas Llosa tem lutado a boa luta, consciente de que os liberais precisam vencer batalhas no campo das idéias, mas que a guerra jamais acabará. Não existem panacéias neste mundo. Devemos sempre evitar o fanatismo, as utopias, as soluções mágicas. Precisamos disseminar uma cultura da liberdade. Ele tem feito sua parte, sem dúvida, de forma brilhante.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Contra o retorno da CPMF

Acabei de assinar a petição online do Movimento Endireita Brasil contra o retorno da CPMF. É um verdadeiro ultraje o governo já articular a volta deste nefasto imposto. No governo Lula, a derrubada da CPMF foi uma de suas maiores derrotas e, por tabela, uma das grandes vitórias do povo brasileiro. Vamos repetir a dose no governo Dilma, para esses governantes famintos por nossos recursos compreenderem que é chegada a hora de dar um basta a tantos impostos! Não acreditem na desculpa esfarrapada de necessidade de recursos para a saúde. O que falta não é dinheiro, que tem de sobra nos cofres públicos. Dinheiro não tem carimbo. O que falta é vergonha na cara dos governantes, que deveriam reduzir a corrupção, a gastança irresponsável, os privilégios, os repasses para vagabundos do MST e parasitas de ONGs esquerdistas, os subsídios para grandes empresários por meio do BNDES, e tantos outros destinos absurdos para nossos impostos. XÔ, CPMF!

Analfabetos votaram na Dilma



Rodrigo Constantino

Gostaria de deixar bem claro que abomino qualquer tipo de preconceito contra nordestinos. Os ataques que se espalharam pela internet merecem total repúdio dos liberais, defensores do indivíduo como um fim em si mesmo e, portanto, inimigos de qualquer forma de coletivismo. O problema não é o nordestino em si. O problema é cultural. O problema é a miséria e a ignorância. E isso não tem nada a ver com a origem geográfica.

Existem nordestinos esclarecidos, e existem paulistas e cariocas ignorantes. O fato que não pode ser negado por covardes vítimas da ditadura do "politicamente correto" é que, atualmente, o nordeste concentra muito mais gente, em termos relativos, que padece de má formação educacional e baixa renda. Os caudilhos populistas fazem a festa por lá justamente por conta desta característica lamentável. Não interessa oferecer boa educação quando promessas demagógicas e esmolas podem comprar milhões de votos.

O clã Sarney, por exemplo, concentra poder há décadas, enquanto Maranhão é um dos estados mais miseráveis do país. Esta tem sido a regra na região, infelizmente. Os coronéis nordestinos abusam faz tempo do povo pobre e ignorante. E tais caciques estavam todos com o PT de Dilma!

O PT aproveitou justamente esta realidade e explorou a ignorância e a miséria para conquistar eleitores. O gráfico mostra claramente a enorme correlação entre analfabetismo e voto na Dilma. No Rio, aconteceu a mesma coisa. Os bairros mais pobres e com menor escolaridade foram os grandes bolsões de voto no PT. A conclusão salta aos olhos: quanto mais pobre e ignorante for a pessoa, maior a probabilidade de ela ser uma eleitora de Dilma.

A não ser, claro, que se trate de um empresário ricaço que depende do BNDES e do CADE, do governo de forma geral, para preservar privilégios e espantar a livre concorrência. Neste caso, é bem possível que o rico culto tenha votado no PT, em busca da simbiose entre Estado e grandes empresas, tão característica dos regimes fascistas.

Resumo: a miséria, a ignorância e a safadeza são os maiores aliados do PT.

Jornada pela Liberdade



Rodrigo Constantino

Acabo de ver um filme imperdível. Trata-se de "Jornada pela Liberdade" (Amazing Grace), baseado em fatos verídicos sobre a luta de Wilberforce e alguns outros amigos pela abolição da escravidão na Inglaterra. O filme é belíssimo, e bastante fiel aos fatos, que eu já conhecia por meio do também imperdível livro "Enterrem as Correntes", de Adam Hochschild. Alguns quackers liderados por Thomas Clarkson, o ex-escravo Equiano, o jovem que se tornou Primeiro Ministro William Pitt, e o incansável William Wilberforce foram indivíduos fundamentais nesta batalha pela liberdade, que colocou finalmente um ponto final nesta nefasta instituição do tráfico de escravos na Inglaterra. Uma vez abolido o comércio na maior potência mundial, foi questão de tempo acabar com a escravidão em praticamente todo o mundo.

Alguns indivíduos, movidos pela paixão pela Justiça, imbuídos de um forte sentimento de ética, abraçaram uma causa que parecia impossível, e que de fato bateu de frente com opositores extremamente poderosos. Mas apesar do desespero e até da falta de esperança em alguns momentos, eles seguiram em frente, para o bem da humanidade. Idéias fazem a diferença. Indivíduos fazem a diferença.

Algumas pessoas, vítimas de ranço marxista, pensam que a abolição da escravidão foi fruto apenas dos interesses comerciais da Inglaterra na época. Nada mais falso! Quando a escravidão foi abolida, sua relevância econômica ainda era grande, e inúmeros grupos de interesse se organizaram para preservar o status quo. Quem derrotou a escravidão foi um ideal, aquele que fazia pouco tempo tinha inflamado o povo americano por sua libertação, qual seja, a crença iluminista de que todos são iguais perante as leis.

Por falar na revolução americana, Benjamin Franklin dizia: "Aquele que é da opinião de que o dinheiro fará qualquer coisa, pode muito bem ser suspeito de fazer qualquer coisa por dinheiro". Bingo! Há mais que dinheiro no mundo, e devemos sempre ter em mente que nossos princípios mais básicos, nossos valores essenciais, estes não podem estar à venda jamais. Aluguem o filme na locadora e aproveitem: tenho certeza de que não vão se arrepender!

domingo, novembro 07, 2010

Os "austríacos" brasileiros



Rodrigo Constantino

Eis a turma de "austríacos" que deu uma surra nos ilustres colegas de Chicago no Colóquio do Liberty Fund sobre a Teoria dos Ciclos Austríacos, no Hotel Rosa dos Ventos em Teresópolis. Brincadeiras à parte, o nível do evento foi excelente. Eu já participei de uns dez colóquios do Liberty Fund, sempre aprendo muito, mas este foi fora de série. Debates de ótima qualidade com foco nos argumentos. Ah, se a discussão sobre economia no mundo fosse entre Chicago e Viena! O problema é que vivemos num mundo onde os keynesianos são os "liberais", e marxistas ainda são levados a sério! Depois querem saber porque temos tanta miséria e tantas crises...

Obrigado ao Liberty Fund, ao Instituto Liberal e ao Instituto Mises Brasil por ter propiciado esta experiência que tanto valor agregou aos meus parcos conhecimentos. E vamos em frente, porque os liberais estão crescendo no Brasil, com cada vez mais gente compreendendo coisas importantes de economia e rejeitando os misticismos de escolas retrógradas que delegam ao governo o poder de "criar empregos" e estimular o crescimento econômico. Não existe almoço grátis!

(Na ordem: Ricardo Gomes Santos, Antony Mueller, Lucas Mendes, Alfredo Peringer, Fábio Barbieri, Hélio Beltrão, Fernando Ulrich, Rodrigo Constantino, Ubiratan Iorio)

quinta-feira, novembro 04, 2010

IDH vergonhoso

Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

"Não espere que a solução venha do governo. O governo é o problema." (Ronald Reagan)

O novo relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para 2010 foi divulgado, e mostra o Brasil no 73º lugar do ranking entre 169 países. Em que pesem todas as falhas deste indicador, o fato é que o Brasil passa vergonha até mesmo quando comparado aos demais países latino-americanos. O Chile, por exemplo, está no 45º lugar, seguido logo depois pela Argentina, enquanto Uruguai está no 52º lugar. A péssima qualidade da educação no Brasil foi citada como um dos principais pontos fracos.

Os primeiros colocados são Noruega, Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Irlanda. Quando comparamos os 20 países com maior IDH com o Índice de Liberdade Econômica do Fraser Institute, do Canadá, vemos uma enorme interseção. O Brasil, por sinal, está no 102º lugar no ranking de liberdade econômica, mostrando como o liberalismo passou mais longe do país que Plutão da Terra. Não há muito como fugir da regra: somente com mais liberdade para a iniciativa privada teremos um significativo aumento no desenvolvimento humano. O social não pode ser dissociado do econômico.

Como dizia o então presidente americano Ronald Reagan, o governo é parte do problema, e a solução é menos, não mais governo. Infelizmente, a crença de que todas as soluções passam pela mão visível do governo é quase religiosa no Brasil. Todos esperam “milagres” por meio das canetadas do presidente, visto como um “messias salvador”. Enquanto perdurar esta mentalidade, vamos patinar com nosso IDH, vendo países emergentes deslanchando, como foi o caso da Coréia do Sul. É uma vergonha um país, com o potencial do Brasil, ficar numa posição tão ridícula no desenvolvimento humano. Até quando?

Pausa no blog para reflexão



Caros leitores, saio agora para um retiro na serra carioca. Vou participar de mais um colóquio (meu décimo) do Liberty Fund, ao lado de ilustres colegas liberais. Um excelente time de pensadores vai debater a teoria dos ciclos econômicos da Escola Austríaca, tema bastante atual. Creio que todos (os seis) economistas "austríacos" brasileiros estarão presentes! Pretendo, como sempre ocorre nestes eventos, escutar muito e aprender bastante. O blog ficará com poucas atualizações. Até a volta!

Tio Ben vale ouro!



Rodrigo Constantino

O Fed anunciou ontem recompra de US$ 600 bilhões de títulos do Tesouro para tentar injetar mais liquidez (ainda!) nos mercados. Trata-se de mais uma rodada de "bebida grátis" para os alcoólatras, na esperança de forçar uma recuperação econômica. O desemprego nos EUA continua perto de 10%, apesar de várias rodadas de estímulos fiscal e monetário.

A humilhante derrota de Obama e dos Democratas nas urnas foi um recado de que os americanos não estão gostando do que está acontecendo no país. O movimento Tea Party, tratado por nossos jornalistas como "hiperconservador" ou "radical", quer menos governo, menos gasto público, menos intervenção na economia, ou seja, quer resgatar o ambiente que permitiu com que os EUA se tornassem esta potência internacional.

Mas, infelizmente para os americanos, os filhotes de Paul Krugman venceram. O dólar virou a Geni, por política deliberada de seu governo. Os burocratas pensam que prosperidade e empregos se criam imprimindo moeda de papel e estimulando a gastança e o crédito. As lições históricas são sempre ignoradas. Robert Mugabe está até hoje tentando entender o que deu errado em seu Zimbábue...

Enquanto Ben Bernanke injeta mais droga nas veias dos viciados, a euforia se desloca. Afinal, dinheiro não tem carimbo! Você pode levar à força o cavalo para a beira do rio, mas não pode fazê-lo beber a água. Quando o piscinão americano recebe mais liquidez, esta transborda pelos vasos comunicantes para outros mercados e ativos. Tio Ben está ajudando a criar uma possível bolha nos mercados emergentes.

Aliás, Dilma e os petralhas deveriam acender velas para Tio Ben, pois as medidas do Fed tem tanto peso quanto o crescimento chinês no cenário favorável da economia brasileira. E ambos têm muito mais peso que qualquer medida do governo Lula. Tio Ben e Wen Jiabao são os grandes responsáveis pela vitória petista. Mas seria pedir demais que petralhas compreendessem isso...

Como consolo, resta apenas surfar (com cautela) a onda do ouro, que pode muito bem já estar adentrando uma zona de bolha. Até onde vai o rali da "relíquia bárbara", como era chamado o ouro por Keynes? Bem, isso vai depender de até quando as idéias (um tanto deturpadas) do próprio Keynes dominarem a mente dos donos do poder. Se dependesse do seu herdeiro mais fanático, Paul Krugman, acho que US$ 3.000 seria um alvo fácil para o preço da onça do metal dourado. Dá-lhe, tio Ben!

Polícia fecha bingo em mansão na Barra



Gabriel Mascarenhas, O Globo

RIO - Um bingo clandestino que funcionava numa mansão de três andares dentro do condomínio Novo Leblon, na Barra da Tijuca, foi fechado no fim da tarde desta quarta-feira por policiais civis da 16ª DP (Barra). Ao todo, foram apreendidas 114 máquinas caça-níqueis que ficavam em dois grandes salões do imóvel de luxo que conta ainda com 12 quartos, sendo nove suítes, duas cozinhas, ar-condicionado central, câmeras de segurança e piscina com cascata. O aluguel custa R$ 65 mil.

Os policiais chegaram à casa no momento em que estava ocorrendo um coquetel de inauguração. Cerca de 80 pessoas foram detidas, quatro seriam funcionárias do local. O delegado responsável pela operação, Rafael Willis, estima que casa esteja avaliada em R$ 10 milhões, e a polícia calcula que foi investido ao menos R$ 1 milhão para que o estabelecimento começasse a funcionar.

O delegado afirmou já ter identificado, além dos funcionários detidos, um integrante da quadrilha responsável pela casa de jogos. De acordo com ele, os suspeitos são de São Paulo.

Comento: Vamos refrescar a memória dos motivos pelos quais o bingo passou a ser proibido no país. Tem a ver com um tal de Waldomiro Diniz, sujeito de confiança de José Dirceu. Lembram dele? Leiam meus artigos sobre o tema: Bingo! e Jogos de Azar.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Dirceu no Roda Viva

Vejam, eleitores de Dilma, o que vocês trouxeram de volta com mais força ainda! A cara-de-pau deste senhor é mesmo impressionante. Essa é a cara do PT! José Dirceu consegue se fazer de vítima no programa Roda Viva, "indignado" por ter sido condenado pela imprensa antes do STF julgá-lo. Pela lógica dele, nenhum político no país é culpado de nada. Viva Maluf! Viva Collor! Ainda tem a insistência de resumir o mensalão num caso de caixa dois, e nada mais. Alerta: tomem um Engov antes de assistir o vídeo. E olha que os entrevistadores não foram mais a fundo. Tinham que ter chamado o Ivo Patarra, autor do livro "O Chefe", que relata o mensalão em detalhes.