segunda-feira, julho 25, 2011

A morte de Amy Winehouse

João Pereira Coutinho escreveu artigo na Folha online sobre a morte de Amy Winehouse, defendendo basicamente que as drogas são uma questão de escolha, e que a cantora fez a sua. Os moralistas de plantão devem lembrar disso, segundo Coutinho. Claro que, uma vez viciado, a questão da escolha não é tão simples. Mas entendo o que Coutinho quer dizer. Amy claramente tinha optado por essa vida destrutiva. As drogas eram sintoma de suas fraquezas. Muitos admiravam sua "rebeldia", e agora lamentam o efeito dela. Hipocrisia.

Por outro lado, Reinaldo Azevedo discorda de Coutinho em artigo no seu blog. Reinaldo é totalmente contra a legalização das drogas, mesmo da maconha. Ele chama a atenção para o fato de que esta postura de Amy Winehouse não fazia mal somente a ela, mas a terceiros, pela influência que exerce, especialmente nos mais jovens.

Ambos apresentam argumentos interessantes. Eu confesso ter mais simpatia pelo ponto de vista de Coutinho. Mas o importante mesmo é o debate civilizado. Com ele, todos ganham.

24 comentários:

Anônimo disse...

coutinho viajou nesse texto... sem danos a terceiros? optar autonomamente pelo seu vicio particular?
concordo mais com o reinaldo nessa discussão...

abs

fejuncor disse...

Nem todas as drogas matam, porque senão os fãs de Restart teriam morrido de overdose de droga ouvindo aquela DROGA.

Anônimo disse...

Muito politico esse post ein Rodrigo.

Anônimo disse...

Então se não tem danos pra terceiros é certo deixar um doente mental se matar?
Se a viciada numa situação dessas fosse a tua filha, Rodrigo, tu preferia deixar ela se matar do que internar à força?

obs: Tio Rei estraçalhou esse cara.

Anônimo disse...

'...também porque ela(liberação das drogas) vem sempre associada às políticas públicas de reabilitação, que custam uma fortuna. Por que os cidadãos não-drogados, os aborrecidos “produtivistas”, que enchem os cofres do estado com parte do seu trabalho, têm de financiar as conseqüências da escolha moral dos viciados?'

E porque os libertários defensores da legalização convenientemente nunca falam isso?

Anônimo disse...

Esse tal de coutinho passa o artigo todo criticando quem é contra a liberação e supostamente idolatrava essa mulher quando ela era viva.
Bullshit.
Pra mim ela era lixo viva e vai continuar sendo lixo morta, e o mundo fica até melhor agora.
E como não tem força no meio então os libertários não vêem uma sociedade cheia de coisas como essa como autodestrutiva.
A MULHER SE MATOU!

Anônimo disse...

Esse Azevedo sempre vai mal no tema.

Para ele é lógico que se a cantora morreu ao abusar de várias substancias, o lógico é proibi-las.

De repente deve achar que um acidente de carro onde um playboy enfiou o pé matando 4 pessoas é justificativa para se proibir carros.

E continua-se a colocar no mesmo balaio um monte de substancias diferentes, chamando-as de "drogas".

Itaguaçú disse...

Não sei porquê, mas, em teoria, imputo quase irrepreensível a tese da liberação. Na prática, tento vislumbrar esse cenário então sinto um medo danado, uma sensação de que, nas circunstancias da sociedade brasileira atual, poderia ser catastrófico.

Kleiton disse...

"E porque os libertários defensores da legalização convenientemente nunca falam isso?"

Simplesmente porque os liberais, pelo menos a meu ver, não concordam que os viciados devam ser reabilitados com o dinheiro do Estado. Como coloca o Coutinho, o drogado é um AGENTE AUTÔNOMO, e dessa forma deve arcar com as consequências de suas escolhas.

Apesar de achar a análise do Reinaldo bem interessante e com muitos pontos perfeitamente corretos, ainda assim sou a favor da liberalização das drogas, como manifestação concreta de liberdade individual.

Rodrigo Constantino disse...

O Kleiton está certo. No mais, por essa linha conseguimos justificar qualquer autoritarismo. O governo paga tratamento para obesos? Opa, o Estado pode impor uma dieta! O governo paga tratamento de doenças causadas pelo fumo? Vamos proibir o cigarro! E por aí vai.

Um erro (saúde pública para todos) não justifica outro (proibir as escolhas individuais do que consumir).

Anônimo disse...

Bem colocado. A maioria das doenças e acidentes são plenamente evitaveis, mas só moralizam o comportamento dos "viciados". Não querem negar atendimento para acidentados, diabeticos, aideticos, obesos e tantas e tantas doenças e acidentes? Hipocritas.

Lembrando que há diferença de usuário e viciado. Ou alguém diria que deve se tratar todos os bebedores como se alcoolatras fossem?

Sem falar que o custo da proibição é altissimo. Isso os reaças não falam. Acham que devem se continuar gastando rios de dinheiro para manter o mercado negro e espalhar corrupção. Eu hein...

Anônimo disse...

Esse Coutinho parece bem decidido e confiante no que escreve; temos certeza de que se um eventual filho(a) dele se apegar (ou não necessariamente) a um símbolo similar a uma Amy e passar a dar rotineiramente cachimbadas de crack ele vai manter o mesmo discurso!

Mauricio Ferrão disse...

Querem que a sociedade se molde de modo a proteger seus filhos, conservadores são hipócritas.

Enquanto isso os filhos dos pobres tem que criá-los do lado da boca que seus filhos vão comprar alguma porcaria para esquecer as mazelas da vida que vocês forneceram a eles.

BurocratoParasiTa da União disse...

Já que eles colocam fotos nos pacotes de cigarro, por que que não põem gente obesa em cada pacote de batata frita, matadouros em cada bandeja de carne, fotos de animais torturados nos cosméticos, acidentes de trânsito nas bebidas alcoólicas, gente sem teto na conta de água e luz e políticos corruptos nas declarações de impostos?

Junkes disse...

Se não vivêssemos em uma sociedade já tão absurdamente violenta e alienada, ou seja, tal idéia aplicada ao hipotético cenário de um país composto por cidadãos muito educados, cujo respeito fosse regra e não exceção, cada um na sua, eu não teria porque não subscrever a posição liberal sobre esse tema. É por apenas defenderem essa medida, ceteris paribus, digo, sem ponderar nossa atual condição social (claramente em estado degenerativo fato constatado pela educação em queda livre, ao contrário da corrupção, da proliferação de igrejas neopentecostais e do tráfico de drogas – afora poucas “ilhas” de prosperidade encontradas em alguns lugares como o interior paulista, SC, serra gaúcha) que ainda concordo com o tio Rei.

Kleiton disse...

Junkes

Eu já pensei como tu, mas hoje vejo as coisas de outra forma; acredito que a sociedade brasileira está desse jeito exatamente pela falta de liberdade individual (e a consequente responsabilização sobre os atos), bem como pelo papel excessivo do Estado, que além de motor do desenvolvimento econômico deve também estabelecer as regras morais e ditar as melhores formas de convívio social.

Se o Estado não se metesse a cuidar de todo mundo, todo mundo ia ter que aprender a cuidar de si mesmo. E só assim, na minha opinião, é que a sociedade pode avançar de forma mais concreta.

Peterson disse...

Que nada Rodrigo...importante mesmo é o MURO, que consegue manter separado os que são contra, os a favor e os que ficam em cima dele!

Bruno disse...

Quando era viva todo mundo adorava o modo de viver dela, achava uma graça, agora esse modo matou a coitada e agoram choram pela sua partida... que coisa mais idiota.

Anônimo disse...

Que isso, a sociedade não precisa se moldar para proteger nossos filhos não, Maurício! Afinal, nossos filhos e os outros filhos são todos prudentes, experientes, conscientes!!! Damos a eles exatamente a vida que eles sonharam, sem nenhuma mazela, afinal somos perfeitos!!! Vc entendeu mal a minha mensagem. Ademais, nesse mundo liberal e evoluído pregado pelo Coutinho, não vai existir tanta pobreza, os ex-pobres poderão vender esses baratos todos e todos serão felizes, afinal estamos em uma sociedade super madura.

Mauricio Ferrão disse...

Caro Anônimo,a questão é sermos ou não conscientes, a questão é cada um pagar o preço de seus atos conscientes.

Quando você quer proteger seu filho você cria um traficante e coloca ele na frente da casa de um cidadão de baixa renda que também tem o direito de proteger seus filhos.

Não estou dizendo que você quis que isso acontecesse, mas somos todos responsáveis no ponto em que apoiamos as ações necessárias para que isso acontecesse.

Anônimo disse...

O assunto é complexo, pois na raiz de tudo está o ser, moralmente falando, com suas convicções, crenças e maturidade.
Por mais que se escrevam artigos, opinando, o espaço é curto.
Liberdade com responsabilidade. Se não se tem responsabilidade, a dor ensina. E ensina ao deliquente, aos pais, aos amigos e a sociedade, que passa a refletir mais.
Os artistas, de uma forma geral, influem comportamentos, fazem a cabeça, etc., etc. A decisão de acatar, concordar, imitar é do ser.
Entretanto, convenhamos, a liberdade de um acaba quando começa a do outro. Para isso existem regras e leis que protegem ambos os lados. Se quero entrar em um restaurante que proibe cigarro e começo a fumar, o que eu espero com isso? Vou ser chamado a me retirar. Lógico e correto.
Um menino, torcedor inveterado do Flamengo, ficou com vergonha de comprar uma camisa do time, logo após o episódio da prisão do goleiro Bruno. Seu pai explicou que ele não precisava se sentir daquele jeito (vergonha alheia), pois a responsabilidade do ato criminoso era do Bruno e não do time. O menino comprou na hora e entendeu de forma mais madura a questão.
O pior dos assassinos ou terroristas podem fazer uma música de eu venha a gostar. Isso não signfica que concorde com seus atos.
Só relembrando ao Rodrigo Constantino, o nosso "querido Governo" proibiu as pessoas de engordar.
Abraço

Mauricio Ferrão disse...

Corrigindo: Caro Anônimo,a questão [b]NÃO[/b]é sermos ou não conscientes, a questão é cada um pagar o preço de seus atos conscientes.

Anônimo disse...

oitenta por cento dos homicídios ligados ao CONSUMO de crack:

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/07/27/crack-ajuda-elevar-estatisticas-de-homicidios-no-pais-924992224.asp

lingvo-shatanto disse...

Concordo que a atuação do Estado não pode ser ilimitada, sob pena de eliminar a liberdade individual.
Nesse caso, o Estado somente pode intervir, através do Poder Judiciário, quando provocado pelo particular ou seus representantes legais, quando este se torna incapaz para gerir os atos da vida civil.

A família da coitada poderia ter pedido à justiça sua interdição, por não mais ter condições de conduzir sua vida e submetê-la a tratamento desintoxicante.

Mas talvez não tenham feito em face da oposição dos empresários dela, que devem ter chamado a atenção para o custo das indenizações por contratos descumpridos (de olho nos lucros que a coitada gerava) e a própria família, por seu turno, talvez tenha pensado que seria melhor não secar aquela mina de ouro.

Dizem mesmo que certos tipos de artista rendem até mais depois de mortos, como é bom exemplo o Michael Jackson e o Elvis Presley.