Deu na Folha: Presidente da Câmara usa avião da FAB para levar noiva e parentes ao Maracanã
O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), usou um avião da Força Aérea Brasileira para levar a noiva, parentes dela, enteados e um filho ao jogo da seleção no Maracanã no domingo.
Um jato C-99 da FAB foi buscar a turma em Natal, terra do deputado. Decolou às 19h30 de sexta-feira rumo ao Rio de Janeiro e retornou no domingo, às 23h, após o jogo.
Ao pedir o avião, Alves informou que 14 passageiros poderiam viajar. Pegaram carona com o deputado sete pessoas: sua noiva, Laurita Arruda, dois filhos e um irmão dela, o publicitário Arturo Arruda, com a mulher Larissa, além de um filho do presidente da Câmara. Um amigo de Arturo entrou no voo de volta.
Isso pode parecer fichinha perto dos escândalos que vemos por aí, mas é assunto da maior gravidade. É sintomático do patamar de confusão entre público e privado do Brasil. Somos um país patrimonialista, onde a "res pública" é vista como "cosa nostra" por aqueles no poder. Esse tipo de abuso deve ser coibido com firmeza. Precisamos de algo como "tolerância zero", punindo com severidade os "pequenos" delitos, para passar a mensagem. Se os abusos menores passarem impunes, isso será um convite para abusos cada vez maiores.
O estado brasileiro não pertence aos políticos. Eles são nossos empregados, foram eleitos para administrar a coisa pública, e não podem se valer disso para benefícios particulares. O avião da FAB é para fins estatais, não para uma família inteira agir como se fosse a bilionária proprietária de um jatinho particular, para curtir um jogo emocionante. Chega! Basta! Está na hora de criarmos uma clara divisão entre o que é público, e o que é privado.
