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quarta-feira, outubro 31, 2012

Joguem uma bomba atômica logo!

Rodrigo Constantino

Sempre que uma desgraça natural se abate sobre um país, logo aparecem "especialistas" para apontar o lado bom da coisa: a reconstrução vai permitir uma expansão no PIB. A falácia da janela quebrada já foi derrubada por Bastiat no século 19, mas vários são os que nunca aprendem com a História. 

Entre vários exemplos, inclusive entre os nossos "especialistas", esse na CNBC se sobressai pela empolgação. Ele estima em cinco vezes o "multiplicador" dos gastos públicos com a reconstrução:


The positive multiplier effect of reconstruction after Sandy could be as much as five times, according to Frank Holmes, CEO and CIO of money manager U.S. Global Investors. If the cost of the damages comes up to $20 billion, the economic boost in terms of spending and activity could be $100 billion, he said.

Diante de tanta sapiência, resta-nos apenas divagar sobre o quão fantástico seria para a economia americana se alguém jogasse logo uma bomba atômica em Nova York. Deixando as perdas humanas de lado por um momento, e focando somente no aspecto econômico, quantos trilhões de dólares não seriam gerados no PIB se a cidade inteira fosse toda devastada?

É triste viver em um mundo em que este tipo de estupidez econômica, lastreada por muitos neokeynesianos, ainda encontra eco nas cabeças ocas dos nossos "especialistas", inclusive alguns com Prêmio Nobel na área. Não é verdade, Paul Krugman? 

quarta-feira, setembro 19, 2012

O debate do século


Rodrigo Constantino

Paulinho era um neokeynesiano fanático, defensor incondicional de mais estímulos monetários e fiscais para recuperar a demanda agregada e produzir crescimento econômico e emprego. Já Frederico tinha visão diferente. Ele acreditava que injetar mais do veneno que causara os males iria apenas aumentar o tamanho da crise posterior. Eis o debate que eles travaram em sala de aula:

Paulinho: O banco central tem que manter as taxas de juros nulas até perder de vista, e injetar dezenas de bilhões no mercado para estimular a economia. ‘Compradores de imóveis em potencial se sentirão estimulados pelo prospecto de uma inflação moderadamente mais alta que facilitará o pagamento de suas dívidas; as corporações se sentirão encorajadas pelo prospecto de mais vendas no futuro; as ações subirão, elevando a riqueza, e o dólar vai cair, tornando as exportações americanas mais competitivas’.

Frederico: Como você pode chamar de riqueza a elevação artificial e nominal do preço dos ativos? Isso é transferência de riqueza, dos mais pobres para os mais ricos, que possuem maior quantidade desses bens. No mais, esta política serve apenas para manter as distorções do mercado e evitar ajustes necessários para liquidar os excessos produzidos pela bolha anterior. Não foi você que em 2002 defendeu exatamente o mesmo remédio para curar a recessão causada pelo estouro da bolha do Nasdaq?

Paulinho: Não me lembro bem... Mesmo assim, agora é diferente! Falta demanda agregada, e só o Fed tem bala na agulha para estimular essa demanda por meio do efeito riqueza...

Frederico: Isso foi justamente o argumento que você usou naquela época, eu me lembro bem. Mas o resultado não foi crescimento sustentável, e sim uma bolha imobiliária que estamos tendo que digerir agora. Você não teme a criação de novas bolhas? Desde quando riqueza se cria com impressão de papel moeda? Olha a República de Weimar, o Zimbábue...

Paulinho: Você é um conservador paranóico com a inflação e com bolhas. O importante é observar a inflação corrente e...

Frederico: A inflação corrente é a última que sente os impactos dos estímulos, que antes inflam o preço dos ativos, dando a falsa impressão de maior riqueza. Foi isso que aconteceu entre 2002 e 2007, e sabemos o resultado depois. É como tentar curar a ressaca de um bêbado oferecendo mais bebida ainda para ele. Claro que ele pode postergar a sensação de euforia, mas que médico em sã consciência diria que isso é saudável? O coitado vai acabar com uma cirrose hepática...

Paulinho: Não seja tão negativo. As autoridades precisam colocar a roda para girar, e com mais consumo, haverá mais produção, e com o tempo o endividamento será diluído.

Frederico: Como no Japão, que tem mais de 200% de dívida pública sobre o PIB?

Paulinho: Por que falar de Japão agora? Esquece isso...

Frederico: Creio que você coloca a carroça na frente dos bois, e pensa que o rabo é que balança o cachorro. Para aumentar a produção, os investidores precisam de maior confiança no futuro, e de poupança, claro. Nenhuma dessas coisas melhora com essa intervenção estatal. Pelo contrário. Isso gera mais insegurança, pois eles sabem que não existe almoço grátis. Os investidores acabam virando especuladores de curto prazo e correm para commodities, como o ouro, em busca de proteção. A “relíquia bárbara” já triplicou de preço desde o começo do primeiro afrouxamento monetário.

Paulinho: Quem liga para o preço do ouro? Vivemos na era das moedas fiduciárias sem lastro.

Frederico: Talvez por isso os ciclos econômicos tenham se intensificado e a concentração de riqueza, aumentado. E você ainda se diz defensor dos mais pobres, eleitor empolgado de Obama? Essa política agrada a turma de Wall Street mais que a qualquer outro grupo. Olha o Goldman Sachs (ou seria Government Sachs) aplaudindo efusivamente as loucuras do Bernanke...

Paulinho: Que dia bonito de sol hoje, não?

Frederico: Sabe o que mais me impressiona? É que vocês realmente parecem cigarras preocupadas apenas com o curto prazo, e nunca levam em conta os efeitos perversos desses estímulos no longo prazo. Vão acabar implodindo totalmente o sistema monetário, com a completa perda de confiança no dólar...

Paulinho: No longo prazo estaremos todos mortos. Relaxa e goza. Viu a alta do S&P 500 essa semana?

sábado, março 31, 2012

Papai Krugman sabe o que é melhor para você!


Rodrigo Constantino

Se alguém for apontar cada absurdo que sai do teclado do prêmio Nobel de economia, Paul Krugman, esta pessoa não fará outra coisa da vida! É tanta falácia, tanta mentira, que espanta como este senhor, que demandou uma bolha imobiliária para "curar" o crash de tecnologia e hoje posa como detentor da "cura" para a nova crise - naturalmente, mais uma bolha produzida artificialmente pela impressão desenfreada de papel-moeda para financiar gastos públicos (ainda que contra alienígenas), como eu dizia, espanta que este senhor ainda tenha tanto espaço na imprensa, inclusive a nossa.

Eis que em artigo publicado hoje na Folha, Krugman ataca os juízes que Suprema Corte americana que ousam, vejam só!, preservar a Constituição do país. O governo americano não pode impor a compra de algum produto, mas o governo Obama não quer saber desses detalhes insignificantes, e seu ObamaCare pretende impor a compra de um seguro-saúde a todos os cidadãos (ou súditos?) do país. Um dos juízes disse que, se hoje o governo pode fazer isso, amanhã poderá obrigar todos a comprar brócolis. Claro que o juiz estava forçando a barra para fazer seu ponto, que ficou claro: quando a idéia de que o indivíduo sabe o que é melhor para si próprio se perde, dando lugar à premissa de que cabe ao governo decidir por todos, então por que parar no seguro de saúde? O governo poderia muito bem avançar e "proteger" ainda mais cada um, impondo, sim, uma dieta mais saudável.

Mas Krugman, democrata (leia-se esquerdista por lá) fanático, não quer saber dessas coisas bobas. No artigo, ele diz que é má-fé comparar as duas coisas, e explica o motivo: "Quando as pessoas optam por não comprar brócolis, não tornam o produto indisponível para aqueles que o desejam. Mas, quando as pessoas não fazem um plano a não ser que adoeçam - que é o que ocorre se a compra não for obrigatória -, o agravamento do paiol de risco resultante dessa decisão torna os planos mais caros, e até inacessíveis, para os demais". Vejam só que coisa interessante! Não obstante o coletivismo, as falácias são enormes. Vamos a elas.

Em primeiro lugar, a demanda mais escassa costuma afetar qualquer produto, não apenas plano de saúde. Se ninguém mais quiser comer brócolis, a verdura ficará indisponível também, ou muito cara pela perda de escala na produção, prejudicando aqueles que a consomem pensando na melhor saúde. Krugman, um prêmio Nobel de economia, deveria saber que as leis de oferta e procura se aplicam a todos os bens e produtos.

Em segundo lugar, a premissa do economista é interessante: ninguém faz plano de saúde saudável, apenas quando já está doente. Atenção, pois esta é a parte mais importante: Krugman, como todo esquerdista, sempre trata os indivíduos consumidores como mentecaptos, incapazes de escolher algo bom para si. É exatamente isso que Krugman está dizendo: que o povo, se puder escolher, não vai fazer plano de saúde porque não valoriza tal seguro. Afinal, ninguém faz seguro de carro, não é mesmo? Só quando bate de carro! É o que o prêmio Nobel assume como premissa para defender o avanço do governo sobre o indivíduo, inclusive rasgando a Carta Magna para tanto!

Esquerdistas paternalistas são sempre arrogantes e autoritários. Pensam ter uma visão holística da coisa, e encaram indivíduos como peças de xadrez no tabuleiro que eles, como mestres clarividentes e altruístas, vão mexer ao seu bel prazer em nome do "bem geral". Portanto, fiquem tranquilos: o papai Krugman sabe o que é melhor para você. E ainda que você discorde, isso não vem ao caso. Ele vai te obrigar a fazer aquilo que é "certo".

sexta-feira, dezembro 16, 2011

O alarme de Krugman e a austeridade


Por Amity Shlaes, Valor

Então, é oficial. O "The New York Times", ou pelo menos o colunista Paul Krugman, declarou que estamos em uma depressão mundial. E chegou bem a tempo para o Natal.

A democracia está em jogo, sustentou Krugman em sua coluna de 11 de dezembro e a Europa, social e economicamente, se inclinará ao fascismo, se não deixar de buscar uma "austeridade cada vez mais rigorosa, sem esforço de contrabalanço para promover o crescimento".

São suposições importantes e previsões assustadoras. Krugman, no entanto, sente-se à vontade em fazê-las porque diz ter evidências. Sua evidência de que a democracia europeia cambaleia em favor de uma repressão é o caso da Hungria, membro da União Europeia (UE), mas que ainda tem sua própria moeda, o florim. No país, o partido governista Fidesz defende políticas que suprimem a liberdade de expressão, a independência judicial e a mídia jornalística.

Quanto à teoria de que a austeridade desacelera o crescimento, Krugman evoca a Grande Depressão. Fazê-lo traz autoridade por si só, já que a Grande Depressão é misteriosa e sua força na imaginação pública é forte.

O colunista, frequentemente, faz referências ao relato em três estágios. No fim dos anos 20 ou início dos 30, o presidente dos Estados Unidos, Herbert Hoover, cometeu um erro fatal e impôs medidas de austeridade, na forma de aumentos de impostos e cortes orçamentários. A economia dos EUA faliu. O presidente Franklin Roosevelt veio, gastou e começamos a nos recuperar. Depois de 1936, Roosevelt hesitou e apertou o cinto governamental - de novo, a austeridade. Caímos em depressão econômica. A economia não voltou às taxas de crescimento de 1929 até o aumento de gastos da Segunda Guerra Mundial.

Nem todos entre nós concordam com os detalhes desse roteiro. Hoover, por exemplo, aumentou os gastos. Argumentar, no entanto, que a austeridade, caso tivesse sido promovida em grau suficiente, teria promovido o crescimento e a recuperação nos anos 30 é embarcar em uma aventura condicional vulnerável.

Há evidências de que a austeridade promoveu o crescimento no passado e não o fascismo. Esses exemplos podem ser menos conhecidos, mas sugerem que a austeridade pode trazer a recuperação com mais velocidade do que quando se gasta.

Um forte exemplo na história dos EUA é a recessão no início dos anos 20. O governo reagiu à desaceleração sem gastar; cortou-se pela metade. A recuperação foi tão rápida que poucas pessoas se lembram dessa recessão.

Para seguir o modelo de Krugman de selecionar um único país, podemos observar a Austrália dos anos 30. No início da década, a Austrália, assim como os EUA, sofria de deflação e desemprego acentuado. A renda nacional havia encolhido em todos os anos entre 1925 e 1932. Nesse ano, o índice de desemprego chegou a 19,7%. O governo considerou substituir o padrão-ouro com um "padrão-mercadorias", atrelado às commodities.

Os australianos se perguntavam se os gastos poderiam trazer a recuperação. O poderoso premiê de Nova Gales do Sul, J.T. Lang, procurou focar seus eleitores em um projeto de obras públicas, a grande ponte Sydney Harbour Bridge, que foi completada em 1932. Muitas autoridades imaginaram que ainda mais liquidez seria a resposta para os problemas da Austrália.

Como a escritora Anne Henderson destaca na nova biografia de Joseph Lyons, o primeiro-ministro do país na época, o governo federal australiano afastou-se da política de gastos e optou pela austeridade. A partir de 1932, Lyons liderou o país em meio a uma campanha de corte de orçamento para reduzir em 20% todos os gastos desvinculados, que o governo pode usar livremente, o que incluiu os salários do setor público. Lyons e outros líderes se comprometeram a pagar dívidas australianas, no que ficou conhecido como o "plano dos premiês".

"A Austrália converteu empréstimos imensos em Londres" e recomprou dívidas "para assegurar, aos que emprestavam dinheiro, a solidez da política da Austrália", contou-me Henderson, por e-mail. Os impostos foram elevados em uma campanha total para transformar o déficit federal em superávit. A Austrália permitiu-se apenas um ano de déficit.

De início, as pessoas disseram que Lang, e não Lyons, estava certo. De 1933 em diante, no entanto, a Austrália começou a recuperar-se. Em 1936, o desemprego havia recuado para cerca de 11%. E continuou em queda. A Austrália recuperou-se com muito mais velocidade que os EUA.

Em 1935, um Lyons triunfante navegou aos EUA, no cruzeiro italiano Renault, para relatar o sucesso de seu governo: "Tivemos de cortar salários e aposentadorias cruelmente durante o auge da Depressão", disse Lyons a repórteres no píer, em Nova York. Naquele momento, contudo, já estava recuperando as aposentadorias. Ao cortar, a Austrália deu à sua economia a chance de crescer e, à sua moeda a crucial credibilidade. Lyon pode ter elogiado Mussolini, mas a Austrália não virou fascista.

Outros contam a história da Austrália de forma diferente. Enfatizam a depreciação da libra australiana e a resultante melhora das relações de troca. Ou argumentam que a Austrália, pequena, e os EUA, um país poderoso, não são comparáveis.

A questão é, contudo, que esses tipos de dados, da Hungria à Austrália, precisam ser examinados cuidadosamente. Os roteiros normalmente conhecidos nem sempre são os certos.

E nem sempre são análogos ao presente. O experimento de austeridade de David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, é recente demais para ser declarado como um fracasso. A recuperação pode ser lenta, como foi a da Austrália. O Reino Unido, no entanto, verá os benefícios a sua competitividade relativa criados pelos cortes mais cedo do que tarde. O dinheiro que evita a incerta área do euro fluirá para o Reino Unido.

Em resumo, só porque alguém evoca a Grande Depressão não significa que uma nova era fascista esteja sobre nós. Ou que é hora de uma "suspensão da descrença".

(Tradução de Sabino Ahumada)

Amity Shlaes é colunista da Bloomberg News e diretora do Four Percent Growth Project, no Bush Institute.

terça-feira, agosto 16, 2011

Lesson From Europe

By BRET STEPHENS, WSJ

'The real lesson from Europe," wrote Paul Krugman in January 2010, "is actually the opposite of what conservatives claim: Europe is an economic success, and that success shows that social democracy works." Here are some postcards from the social democracy that works.

• In Britain, 239 patients died of malnutrition in the country's public hospitals in 2007, according to a charity called Age U.K. And at any given time, a quarter-million Britons have been made to wait 18 weeks or longer for medical treatment. This follows a decade in which funding for the National Health Service doubled.

• In France, the incidence of violent crimes rose by nearly 15% between 2002 and 2008, according to statistics provided by Eurostat. In Italy violent crime was up 38%. In the EU as a whole, the rate rose by 6% despite declines in robbery and murder.

• As of June 2011, Eurostat reports that the unemployment rate in the euro zone was 9.9%. For the under-25s, it was 20.3%. In Spain, youth unemployment stands at 45.7%, which tops even the Greek rate of 38.5%. Then there's this remarkable detail: Among Europeans aged 18-34, no fewer than 46%—51 million people in all—live with their parents.

• In 2009, 37.4% of European children were born outside of marriage. That's more than twice the 1990 rate of 17.4%. The number of children per woman for the EU is 1.56, catastrophically below the replacement rate of 2.1. Roughly half of all Europeans belong in the "dependency" category on account of their youth or old age. Just 64% of the working-age population actually works.

I could go on in this vein for pages, but you get the point. Europe is not a happy place and hasn't been for nearly a generation. It's about to get much worse.

This isn't simply because Europe's economic crisis is still in its infancy, although it is. The tab for bailing out Greece, Portugal and Ireland alone—which together account for about 5% of euro-zone GDP—already runs to hundreds of billions of euros, with no resolution in sight. By contrast, Italy's GDP is more than seven times as large as Greece's. Italy is too big to fail—and too big to save. If the so-called PIIGS wind up leaving the euro zone (or if Germany beats them to it by returning to a Deutsche mark), the dislocations will take years to sort through.

Even then, Europe will still have to address the more profound challenges of economic growth, demography and entitlement reform. But in order for it to do so it must have a clear idea of the nature of the challenges it faces. It doesn't. It also requires political resources to overcome the beneficiaries—labor unions, pensioners, university students, farmers, Brussels technocrats and so on—of the current system. That's not going to happen.

Politics, for starters, prevents it. Whenever a supposed "neo-liberal" comes to power—whether it's Nicolas Sarkozy or Silvio Berlusconi or Angela Merkel—they typically wind up doing no more than tinkering around the edges of regulatory or tax reform. That's because they are stymied by coalition compromises at home, or by European compromises in Brussels, or by some deeper failure of will and character.

Margaret Thatcher was the exception to this rule. But in both Britain and Europe she has had neither equals nor heirs.

Demography also prevents reform. The median age in the EU is 40.6 years. (In the U.S. it's 36.9). Older populations typically resist change, demand the benefits they've been taxed all their working lives for—and vote. The demographic balance is only going to tip further in their favor, and it will change only when younger Europeans decide that children, plural, are worth having. What that will take, only a faith in future prosperity—and in God—can provide. Outside of its growing Muslim population, Europe has neither.

Finally, there is ideology. For the past four decades, "Europeanism" has been an amalgam of Keynesian economics, bureaucratic centralization, and welfarism, corporate and social. Even now, the ideology remains unshaken by events. Though there is plenty of talk about getting spending under control and balancing budgets (typically by way of tax increases), nobody in Europe is proposing a serious growth agenda. At the beginning of the Greek crisis I asked a visiting official from Athens what his ideas were for growth: He suggested olive tree plantations and wind farms. He might as well have thrown a Sicilian Expedition into the mix.

For the U.S., none of this is yet in our cards: That's guaranteed by the tea party that so many Europeans (and Paul Krugman) find so vulgar. But it's worth noting what the fruits of social democracy—a world in which, as Kipling once wrote, "all men are paid for existing and no man must pay for his sins"—really are. And in the wake of the U.K. riots, the rest of his prophecy also bears repeating:

As surely as Water will wet us, as surely as fire will burn,

The Gods of the Copybook Headings with terror and slaughter return!

segunda-feira, agosto 08, 2011

Negando a realidade

Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Os fatos não deixam de existir porque são ignorados. O presidente Obama deveria ter lembrado deste alerta de Aldous Huxley, quando foi à imprensa comentar o rebaixamento da nota dos títulos americanos pela agência de risco Standard & Poor’s. Mas o populista presidente americano preferiu o caminho mais fácil de atacar o mensageiro das más notícias. Fez um discurso sensacionalista, desprovido de substância e evasivo.

O rebaixamento do Treasury americano, fato único nos últimos 70 anos, ocorreu com base em fundamentos, e apenas fez eco àquilo que todos já sabem: que a trajetória fiscal do Tio Sam é insustentável. O governo americano gasta muito mais do que deveria. O presidente Obama não criou esta situação, mas ajudou muito a agravá-la. Sua liderança é medíocre, e sua agenda vai à contramão do que deveria. Obama claramente acredita em um modelo mais socializante, na linha do “welfare state” europeu. E sua reforma do Medicare representa um dreno crescente dos cofres públicos.

Diante deste quadro, o que faz o presidente? Vem à público comunicar mudanças drásticas em seus programas sociais insustentáveis? Claro que não. Ele vem falar em aumento de impostos para os “ricos” (lembrando que 1% dos mais ricos já pagam mais de 30% do total de impostos), e em dar dinheiro para os desempregados para “estimular” a economia e gerar emprego. Parece inacreditável, mas foi exatamente isso que Obama fez.

Na verdade, Obama é apenas o ator da peça, enquanto os roteiristas são os keynesianos como Paul Krugman. Essa turma realmente parece acreditar nas maluquices que defendem, apesar de cada nova medida provar o contrário. Depois de trilhões em estímulos fiscais e monetários, eis que o desemprego continua perto de 10% e a economia aponta para nova recessão. O que fazer? Mais estímulos, naturalmente!

São os alquimistas que se negam a crer que há algo estrutural na incessante tentativa fracassada de transformar chumbo em ouro. Se ao menos um pouco mais de magia for feita, quem sabe desta vez a coisa não sai direito?