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quarta-feira, julho 24, 2013

Bolha nas artes?

Tela de Beatriz Milhazes vendida por US$ 2,1 milhões

Rodrigo Constantino

Uma reportagem da Folha mostra como teve crescimento rápido o mercado de artes no Brasil, e que ele pode ter chegado ao seu pico de euforia. Diz a matéria:

Novos números comprovam a sensação de euforia no mercado de arte brasileiro, que cresceu 22,5% em 2012, três vezes a média mundial, de 7%, segundo um último levantamento de dados. As galerias de arte contemporânea chegaram à arrecadação de R$ 250 milhões ao ano, enquanto preços de obras subiram em média 15%, bem acima da inflação do período.

Outro dado também surpreende. Segundo um relatório da secretaria paulista da Fazenda obtido pela Folha, a última edição da feira SP-Arte, em abril, declarou R$ 99 milhões em vendas, mais do que o dobro de 2012, quando registrou R$ 49 milhões.


Essa é apenas uma fração do total dos negócios da feira, já que só as comercializações com isenção de impostos estaduais --no caso, as vendas de algumas obras importadas-- precisam ser declaradas dessa forma. O faturamento total pode ter superado R$ 300 milhões porque essas transações respondem por pouco menos de um terço do total das galerias.

[...]

"As vendas têm sido bem firmes, mas é fato que o gelo da festa acabou", diz Marcia Fortes, sócia da galeria Fortes Vilaça. "Artistas jovens no Brasil custam muito caro, então a tendência é estabilizar."

Ou seja, após atingir um pico, o mercado está mais maduro, com crescimento "consistente e linear", segundo Ana Letícia Fialho, do projeto Latitude. Mas galeristas preveem uma desaceleração.


O preço de uma obra de arte costuma ser um bom sinal para bolhas especulativas, pois se trata de um ativo difícil de mensurar o valor, uma vez que ele não tem yield, fluxo de caixa. Além disso, esse é um mercado visto por muitos como "reserva de valor", especialmente quando se trata de artista renomado. Há, ainda, facilidade em lavagem de dinheiro por meio desse mercado, justamente porque ninguém sabe ao certo qual seria o valor justo de uma obra de arte.

Enfim, a valorização excessiva e rápida demais de obras de arte costuma estar atrelada ao ciclo de bolhas especulativas, quando há fartura de crédito e abundância de recursos em busca de retorno extra. É cedo dizer se foi isso que ocorreu no Brasil. Mas há sinais preocupantes, como este, retratado em outra matéria do jornal:

Na última edição da feira SP-Arte, um galerista queria mostrar poder e pediu a um amigo colecionador que cedesse uma pintura de Alfredo Volpi ao seu estande.

O objetivo não era vender, apenas impressionar. Para convencer o colecionador, o galerista pediu que ele estipulasse um preço impraticável para a obra. Colocada à venda por US$ 1 milhão (R$ 2,2 milhões), a obra acabou saindo logo no primeiro dia do evento.


É uma montanha de dinheiro por aquelas bandeirinhas coloridas! Todo alerta é pouco. Estamos diante de mais um indício de que o país viveu uma fase de excessos insustentáveis, e que a fatura está chegando. Vai machucar todo mundo. Mesmo os artistas descolados, normalmente de esquerda, que "abominam" o capitalismo e o lucro - dos outros.

PS: Com as obras de arte se valorizando, o olho gordo aumenta. Segundo a Folha, os advogados querem criar o "Ecad" das artes visuais: "Num cenário de hipervalorização das obras de arte, advogados querem tentar fazer valer o direito de sequência, ou seja, o repasse de 5% do lucro sobre a peça para o artista ou seus herdeiros a cada vez que ela trocar de mãos". Mais estatização, mais governo, mais impostos ou taxas. 

No mais, escapa-me a compreensão de porque o artista ou seus herdeiros teriam algum tipo de direito sobre a valorização de suas obras no mercado. Quando eles aceitaram vendê-la na primeira vez, isso já foi uma troca voluntária, onde eles julgaram receber um valor suficiente pelo que deram em troca, caso contrário a transação não ocorreria. O ganho posterior é de quem apostou na obra, correu riscos, especulou. O artista, a meu ver, não teria mais direito financeiro algum sobre isso.

segunda-feira, julho 22, 2013

Crédito murchando

Rodrigo Constantino

Deu na FolhaDemanda de crédito empresarial tem pior 1º semestre desde 2009, diz Serasa

A demanda das empresas por crédito diminuiu 4,7% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a Serasa Experian. Foi o segundo pior desempenho para um primeiro semestre desde 2007, início da série histórica do indicador. Antes desse resultado, o pior tinha sido o de 2009, quando a queda chegou a 6,7%.

Tomando apenas o mês de junho houve uma pequena recuperação na demanda por crédito, com aumento de 0,6%, ante queda de 9% em maio.

No semestre, a queda se concentrou nas micro e pequenas empresas (menos 6,8%), já que entre as médias e grandes houve avanço, de 6,3% e de 18,6%, respectivamente.

Para a Serasa, a inflação elevada, as incertezas quanto à recuperação da atividade econômica doméstica e a alta dos juros afetaram a busca das empresas por recursos neste ano.

Na análise por setor, a demanda caiu mais entre as empresas comerciais (menos 7,4%), seguidas pela indústria (queda de 6,2%). Entre as empresas de serviços o recuo foi bem menor, de 1,0%.
Como sabemos, para o crescimento do crédito ser sustentável, ele precisa ter lastro na poupança, ou seja, empresta-se aquilo que antes foi poupado. Não é possível emprestar indefinidamente acima da taxa de poupança, pois a fatura terá de ser paga algum dia. Compensar isso com empréstimos externos tampouco é solução, pois os credores estrangeiros também vão querer seu dinheiro de volta eventualmente.

No Brasil, o governo tem sido o grande responsável pelo aumento do crédito. Os bancos privados, receosos com a inadimplência, pisaram no freio, enquanto o governo pisou fundo no acelerador. A Caixa expandiu sua carteira total de crédito em 45% em 2012. Os bancos públicos já respondem pela metade de todo o crédito no país. A decisão, com certeza, não é econômica, e sim política. 

Isso não pode acabar bem. Os próprios tomadores de empréstimo vão acusar do golpe e recuar, como pode estar acontecendo, ou então o governo vai criar - se já não criou - uma bolha creditícia, que quando estourar deixará um rastro de desgraça. Não podemos fugir das inexoráveis leis econômicas. O alerta de Mises é sempre atual e válido:

Não há meio de evitar o colapso final de um boom de expansão provocado pela expansão do crédito. A alternativa é apenas se a crise deve vir mais cedo, como o resultado de um abandono voluntário de mais expansão de crédito, ou mais tarde, como uma catástrofe definitiva e total do sistema monetário envolvido.

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Crédito Vapt Vupt


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Deu no GLOBO: “O governo vai usar os bancos públicos para estimular investimentos e aumentar o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos). A ordem é acelerar o financiamento de grandes projetos de infraestrutura. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reuniu com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho; da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda; e do Banco do Brasil (BB), Aldemir Bendine, para pedir agilidade na aprovação de financiamentos, acelerando, por exemplo, a análise de risco”.

No afã de ver o PIB crescer no curto prazo, eis que o governo “pede” aos bancos públicos, responsáveis pela metade do crédito no país, para “acelerar” a análise de risco. Traduzindo: isso quer dizer afrouxar os critérios de risco. O importante é dar o financiamento, mesmo que aumentando os riscos. Se a coisa ficar feia, se a inadimplência aumentar muito, isso será mais à frente. Pode ser que a presidente Dilma já tenha até sido reeleita. Quem liga para os pepinos lá no futuro “distante”, após as eleições?

Na mesma matéria, consta que “Fontes da área econômica avaliam que o ciclo econômico baseado na expansão do consumo está esgotado e que apenas o retorno dos investimentos é capaz de reativar a economia”. Se for verdade, é boa notícia, ainda que bem tardia. Resta avisar aos membros da equipe que suas medidas contribuem para afastar investimentos. E também resta explicar o motivo pelo qual a Caixa resolveu aceitar até prata agora na penhora de bens para novos financiamentos, como relatou a rádio CBN. Em breve, o banco estatal aceitará latão para expandir o crédito popular!

O que fica disso tudo é o alerta de que governos cuidando do crédito são como raposas vigiando o galinheiro. Muitos ainda acusam o mercado pela bolha de crédito americana. Ignoram que as impressões digitais do governo estavam em todas as cenas do crime. No Brasil, estamos vendo dia a dia como o próprio governo faz de tudo para criar uma bolha creditícia. Quando ela estourar, não venham jogar a culpa no mercado!

quinta-feira, outubro 11, 2012

Beware the ‘central bank put’ bubble

By Mohamed El-Erian, Financial Times

The Federal Reserve remains the best friend of many investors. It is among several key western central banks that are supporting asset prices not as an end in itself but as a means to promote growth and jobs.

In the midst of the global financial crisis, the Fed aggressively injected emergency liquidity and intervened to fix disrupted and malfunctioning markets. In the process, it rescued investors from what would have been irrecoverable losses.

Essentially, the Fed is inserting a sizeable policy wedge between market values and underlying fundamentals. And investors in virtually every market segment – including bonds, commodities, equities, foreign exchange and volatility – have benefited handsomely. In the process, many asset prices have been taken close to what would normally be regarded as bubble territory, with some already there.On several other occasions, the Fed acted to counter the disruptive “left tail” of deflation and recession. Market valuations responded favourably as the institution successfully offset both internal and external risks.

Now the Fed is attempting to meet a more ambitious objective: to deliver better economic outcomes, defined as more robust growth, lower unemployment, and stable low inflation. And last week’s release of the minutes of the last policy meeting leaves little doubt: the Fed intends to keep its foot on the policy accelerator well into an economic recovery.

Central bank action, both real and perceived, rules the investment day, and will continue to do so for now. This is also the case in Europe.

Judging from last week’s policy announcements, the European Central Bank will not hesitate to buy unlimited government securities provided the targeted countries apply for help and deliver on the policy front. It is committed to countering unwarranted risk premia related to currency convertibility risk and financial market fragmentation. Even though it is yet to be made operational, this has already translated into a major boost to investors in most European assets; and it will continue to do so if governments also come through.

Yet with the recent surge in markets, investors would be well advised to remember some basic truths as they continue to position their portfolios (and scale their risk exposures) on the basis of unusual central bank activity:

• The assets likely to be impacted the most and longest are those under the immediate influence of central bank measures – namely the securities they buy directly.

• The more investors venture beyond these assets (and the larger and more illiquid their risk positions), the greater their conviction that unconventional central bank policies will eventually succeed in engineering more robust economic and financial fundamentals.

• It is hard to pin such conviction on detailed analytics or historical experience.Central banks are neck deep in extreme policy experimentation mode, and getting inadequate support from other government entities.

• The longer this persists, the higher the risk that policy benefits will be offset by collateral damage and unintended consequences; and the greater the political heat on central banks.

• If the critical hand-off to fundamentals does not materialise, the reaction of markets will not be pleasant. Positioning on the basis of the “central banks’ put” is a particularly crowded trade. Also, it involves some investors being overconfident in the powerful omnipresence of these institutions, some believing in immaculate economic recoveries, and some feeling they can wait for markets to peak decisively and then exit smoothly.

The summary takeaways for investors are quite straightforward, and important for both generating returns and managing risk.

Investors should definitely pay attention to western central banks and respect the market influence of unconventional policies. But they should do so while keeping a wary eye on how far, and for how long, valuations can be divorced from fundamentals.

Risk exposures should evolve accordingly. Differentiation, both within and between asset classes, should increasingly underpin portfolio construction – with emphasis on companies and countries with both strong balance sheets and positive cash flow. And this need not crowd out exposures to other parts of the world, particularly emerging economies (such as Brazil, Indonesia and Mexico) where central banks are less active but markets are better supported by solid economic and financial fundamentals.

Finally, investors should take with a pinch of salt the operational feasibility of maintaining a maximum “risk-on” position until the markets turn, then making a quick exit. It is an idea that risks sounding better in theory than it works in practice.

Mohamed El-Erian is chief executive and co-chief investment officer of Pimco

terça-feira, setembro 25, 2012

O perigo silencioso

Miriam Leitão, O GLOBO

A gestão do ministro Guido Mantega no Ministério da Fazenda está destruindo o patrimônio fiscal que levou uma década e meia para ser construído. Dentro dessa categoria, de demolição da ordem fiscal duramente edificada, encaixa-se a decisão de o Tesouro se endividar em R$ 21 bilhões para a Caixa Econômica e o Banco do Brasil aumentarem a oferta de empréstimos.

Por 15 anos, entre o fim da ditadura militar e o ano 2000, o país executou uma enorme tarefa para acabar com os orçamentos paralelos, a conta movimento, os ralos e as fantasias contábeis até chegar à aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal.

É esse arsenal que tem sido furtivamente recriado. A operação autorizada por Medida Provisória na sexta-feira é parecida com as que foram feitas para o BNDES. A dívida aumentará, porque o Tesouro tem que lançar papéis no mercado, mas a operação é mascarada como empréstimo a esses bancos. Não se sabe quando eles pagarão a dívida, por isso é impossível calcular o custo disso para os cofres públicos.

O custo médio de financiamento da dívida pública interna este ano está em 11,85%. A Selic está em 7,5%, mas o custo real é impactado pelos juros que incidem sobre títulos antigos. O Tesouro receberá do Banco do Brasil os 5,5% da TJLP nos R$ 8,1 bilhões que irão para a instituição. Haverá custo para o governo, mas ele não estará no Orçamento. Criar despesas de forma disfarçada e não registrá-la no Orçamento é contornar a obrigatoriedade de que não se criem despesas sem a definição de receitas.

A conta movimento parecia um gasto sem ônus e sem limite. O Banco do Brasil sacava no Banco Central para cobrir seu balanço. Agora, os bancos públicos têm recebido recursos de uma forma semelhante.

O objetivo da operação, segundo a nota do Ministério da Fazenda, é "manter a capacidade de expansão da carteira de crédito, garantir a continuidade do aumento da participação no mercado".

Há sinais fortes de que o ciclo de empurrar as famílias para o endividamento está se esgotando. O crédito nos bancos públicos cresceu 27%, e a inadimplência subiu 22%, em 12 meses até julho.

Se o BB e a Caixa crescerem no mercado via competição normal com bancos privados, isso é saudável. O erro é o governo estabelecer como objetivo de política pública que eles tomem mercado à custa de subsídio público, ainda mais porque um dos bancos, o Banco do Brasil, tem sócios privados.

Se esse crescimento der lucro, será transferência de recursos públicos para particulares; se der errado, o acionista do BB pagará a conta em forma de queda de redução de dividendos. Se for capitalização, vai diluir o capital do minoritário, e isso tem que ser comunicado previamente à CVM.

O Tesouro se comporta como se tivesse descoberto a fórmula mágica da multiplicação dos recursos sem ônus. Lança títulos ao mercado e transfere o dinheiro para os bancos públicos, e eles, por sua vez, pagarão com juros baixos e no prazo que quiserem. Se é que pagarão. Há gasto público embutido aí, mas não há registro como despesa em lugar algum, e por isso o impacto fiscal é escondido. Já foram emprestados assim mais de R$ 300 bilhões ao BNDES. Agora, o mesmo acontecerá com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica.

Equívocos na política econômica pesam muito tempo sobre o país. Durante anos pagamos o preço dos erros da bagunça fiscal do governo militar, em forma de inflação. São esses mecanismos, aparentemente engenhosos, que estão silenciosamente voltando a ser criados. Parece que os economistas do governo não aprenderam a lição número um: a de que não existe almoço grátis.

quarta-feira, setembro 19, 2012

O debate do século


Rodrigo Constantino

Paulinho era um neokeynesiano fanático, defensor incondicional de mais estímulos monetários e fiscais para recuperar a demanda agregada e produzir crescimento econômico e emprego. Já Frederico tinha visão diferente. Ele acreditava que injetar mais do veneno que causara os males iria apenas aumentar o tamanho da crise posterior. Eis o debate que eles travaram em sala de aula:

Paulinho: O banco central tem que manter as taxas de juros nulas até perder de vista, e injetar dezenas de bilhões no mercado para estimular a economia. ‘Compradores de imóveis em potencial se sentirão estimulados pelo prospecto de uma inflação moderadamente mais alta que facilitará o pagamento de suas dívidas; as corporações se sentirão encorajadas pelo prospecto de mais vendas no futuro; as ações subirão, elevando a riqueza, e o dólar vai cair, tornando as exportações americanas mais competitivas’.

Frederico: Como você pode chamar de riqueza a elevação artificial e nominal do preço dos ativos? Isso é transferência de riqueza, dos mais pobres para os mais ricos, que possuem maior quantidade desses bens. No mais, esta política serve apenas para manter as distorções do mercado e evitar ajustes necessários para liquidar os excessos produzidos pela bolha anterior. Não foi você que em 2002 defendeu exatamente o mesmo remédio para curar a recessão causada pelo estouro da bolha do Nasdaq?

Paulinho: Não me lembro bem... Mesmo assim, agora é diferente! Falta demanda agregada, e só o Fed tem bala na agulha para estimular essa demanda por meio do efeito riqueza...

Frederico: Isso foi justamente o argumento que você usou naquela época, eu me lembro bem. Mas o resultado não foi crescimento sustentável, e sim uma bolha imobiliária que estamos tendo que digerir agora. Você não teme a criação de novas bolhas? Desde quando riqueza se cria com impressão de papel moeda? Olha a República de Weimar, o Zimbábue...

Paulinho: Você é um conservador paranóico com a inflação e com bolhas. O importante é observar a inflação corrente e...

Frederico: A inflação corrente é a última que sente os impactos dos estímulos, que antes inflam o preço dos ativos, dando a falsa impressão de maior riqueza. Foi isso que aconteceu entre 2002 e 2007, e sabemos o resultado depois. É como tentar curar a ressaca de um bêbado oferecendo mais bebida ainda para ele. Claro que ele pode postergar a sensação de euforia, mas que médico em sã consciência diria que isso é saudável? O coitado vai acabar com uma cirrose hepática...

Paulinho: Não seja tão negativo. As autoridades precisam colocar a roda para girar, e com mais consumo, haverá mais produção, e com o tempo o endividamento será diluído.

Frederico: Como no Japão, que tem mais de 200% de dívida pública sobre o PIB?

Paulinho: Por que falar de Japão agora? Esquece isso...

Frederico: Creio que você coloca a carroça na frente dos bois, e pensa que o rabo é que balança o cachorro. Para aumentar a produção, os investidores precisam de maior confiança no futuro, e de poupança, claro. Nenhuma dessas coisas melhora com essa intervenção estatal. Pelo contrário. Isso gera mais insegurança, pois eles sabem que não existe almoço grátis. Os investidores acabam virando especuladores de curto prazo e correm para commodities, como o ouro, em busca de proteção. A “relíquia bárbara” já triplicou de preço desde o começo do primeiro afrouxamento monetário.

Paulinho: Quem liga para o preço do ouro? Vivemos na era das moedas fiduciárias sem lastro.

Frederico: Talvez por isso os ciclos econômicos tenham se intensificado e a concentração de riqueza, aumentado. E você ainda se diz defensor dos mais pobres, eleitor empolgado de Obama? Essa política agrada a turma de Wall Street mais que a qualquer outro grupo. Olha o Goldman Sachs (ou seria Government Sachs) aplaudindo efusivamente as loucuras do Bernanke...

Paulinho: Que dia bonito de sol hoje, não?

Frederico: Sabe o que mais me impressiona? É que vocês realmente parecem cigarras preocupadas apenas com o curto prazo, e nunca levam em conta os efeitos perversos desses estímulos no longo prazo. Vão acabar implodindo totalmente o sistema monetário, com a completa perda de confiança no dólar...

Paulinho: No longo prazo estaremos todos mortos. Relaxa e goza. Viu a alta do S&P 500 essa semana?

terça-feira, agosto 21, 2012

Caixa de Pandora


Rodrigo Constantino, O GLOBO
Agora que os principais bancos divulgaram seus balanços do primeiro semestre de 2012, podemos fazer uma análise melhor dos rumos do setor. O que vemos em relação à expansão creditícia, especialmente nos bancos estatais, é inquietante. Não é trivial dizer se há ou não uma bolha de crédito no Brasil. Mas, se o governo seguir na tendência atual, isso claramente será um risco concreto.
A Caixa Econômica Federal expandiu em 45% sua carteira de crédito em apenas 12 meses. Trata-se de um crescimento espantoso, boa parte voltada para o programa "Minha Casa, Minha Vida". O Banco do Brasil, por sua vez, aumentou em 20% a carteira no mesmo período. Juntos, esses dois bancos possuem uma carteira acima de R$ 750 bilhões!
Os bancos privados seguem em mão contrária, reduzindo o ritmo de crescimento. Itaú Unibanco e Bradesco expandiram, na média, em apenas 12% a carteira de crédito nos últimos 12 meses. A inadimplência em alta acendeu o sinal de alerta, e os banqueiros decidiram pisar no freio, apesar da pressão do governo.
O grau de alavancagem dos bancos públicos é bem maior. O Banco do Brasil e a Caixa possuem, somados, mais de R$ 1,6 trilhão em ativos, para míseros R$ 83 bilhões de patrimônio líquido. Ou seja, uma alavancagem de quase 20 vezes! Por outro lado, os três maiores bancos privados possuem, juntos, alavancagem de 10,5 vezes.
Em outras palavras, os bancos públicos apresentam o dobro de risco. A Caixa é o mais agressivo de todos, com quase R$ 600 bilhões em ativos para singelos R$ 21,4 bilhões de patrimônio. Uma alavancagem assustadora de quase 28 vezes! Para explicar de outra forma, basta uma perda de 4% nos ativos para reduzir todo o patrimônio da Caixa a pó.
Ciente do enorme risco, o governo já fala em injetar mais capital no banco. Isso significa, em linguagem clara, que os "contribuintes" serão chamados para pagar pela farra de crédito dos mais endividados. A prudência é punida, enquanto o comportamento de cigarra irresponsável é premiado. O show precisa continuar.
Quando observamos esses dados, a incômoda pergunta feita séculos atrás pelo poeta romano Juvenal vem à tona: Quis custodiet ipsos custodes? Traduzindo: quem vigia os vigias? Se o próprio governo deve cuidar da saúde do sistema financeiro, como garantir que ele não será o grande responsável pela criação de bolhas com foco no curto prazo?
Muitos culpam a desregulamentação pela crise americana recente. Ignoram que o epicentro da crise estava justamente em um setor bastante regulamentado: o de hipotecas. Dois gigantes do setor, empresas semiestatais, bancaram verdadeira orgia de crédito imobiliário, principalmente para as classes mais baixas, com os famosos "subprimes".
Tanto a Fannie Mae como a Freddie Mac sofreram intensa pressão de Washington para expandir a carteira de crédito voltada para os mais pobres. É muito popular o governante que ajuda no sonho da casa própria, independentemente da capacidade futura de pagamento.
Essas empresas, atreladas até a alma ao governo, contavam com um órgão regulador exclusivo, cuja única missão era assegurar sua saúde financeira. Isso não impediu que seu grau de alavancagem chegasse a 50 vezes! O resultado agora é conhecido: os pagadores de impostos foram obrigados a cobrir o rombo bilionário.
É muito tentador para um governante usar bancos públicos para financiar uma farra de crédito sem lastro. Ele colhe os louros no curto prazo, com mais crescimento econômico, enquanto os problemas só aparecem lá na frente, no mandato de outro. Estamos cansados de saber disso com os históricos fracassos do BNH, Banco do Brasil, Banerj, Banespa, etc.
O brasileiro já se encontra bastante endividado. O modelo de consumo calcado em crédito se esgotou. A economia não cresce e a inflação segue elevada. O inverno chegou para as cigarras. Os bancos privados percebem isso, mas sofrem forte pressão do governo para expandirem ainda mais o crédito.
Os bancos públicos assumem a iniciativa, roubando mercado de forma irresponsável. Já correspondem a quase metade do total de crédito do país, lembrando que Marx e Engels defendiam o controle estatal do crédito como instrumento para a revolução comunista.
Quando Pandora abriu a caixa que ganhara de presente, contra todos os alertas, ela espalhou pelo mundo vários males. Sobrou na caixa a esperança, a última que morre. Espera-se que o governo saiba parar com essa política inflacionária a tempo. Caso contrário, teremos muito sofrimento depois. Assim diz Cassandra, cuja maldição era prever o futuro, mas não ser escutada...

segunda-feira, abril 16, 2012

What's Behind Brazil's Slow Growth?

By MARY ANASTASIA O'GRADY, WSJ

Along with Russia, India and China, Brazil is supposed to be a 21st century economic tiger. So how come it grew a measly 2.7% last year?

President Dilma Rousseff would have you believe that it is because the Federal Reserve's low interest rate policy is making her country uncompetitive and thus "impairing growth." She said so on a visit to Washington last week and again over the weekend at the Summit of the Americas in Cartagena.

It is not a new charge. Brazil has been complaining about Fed Chairman Ben Bernanke's easy money policy for some time. Brazilian finance minister Guido Mantega is credited with coining the term "currency wars" to describe the export advantage a country gains by debasing its national money.

To be sure the Fed's "quantitative easing" and near-zero interest rate policies have meant that there are many dollars seeking better returns in energy markets. This has fueled a rush into Brazil, where plentiful offshore reserves have been discovered and, in contrast to reserves in the U.S., have been targeted for exploitation. Unlike Mexico, Brazil is allowing foreign companies to be part of the process. In agriculture too, Brazil has tapped the highest technology available and used it to become a world-class producer during a time of rising food prices.

When investors pile into these profitable Brazilian assets, the value of the real goes up. So Mrs. Rousseff is right that "helicopter Ben" is playing a key role in the Brazilian economy. Investors are also right to be wary of a commodity play that is heavily dependent on the Fed's free credit policy.

A bubble could be in the making. If production would not be profitable at lower prices, a bust could follow.

Yet a strong currency makes Brazilians richer, something the president ought to celebrate. So why is she mourning it? The answer lies in the political power of domestic manufacturers.

Think of what would happen if policy makers allowed the real to appreciate. As dollars flowed into the country and were used to purchase reais, the exchange rate would appreciate. The stronger real would give Brazilians more purchasing power around the world to modernize production facilities, increasing productivity and thus competitiveness.

This would be a wealth-building process. But Brazilian central planners have other ideas. They have always envisioned the country as a manufacturing giant, and the government has long subsidized domestic producers—think of the theory of infant industries—and provided protection from foreign competition. That was easier when the local currency was weak. Brazilians could not afford imports and the country's exports looked more attractive to foreigners.

Today the strong real is exposing the weakness of Brazilian manufacturing, which even before the Bernanke boom was shrinking in economic importance. According to Brazilian economist Raúl Velloso, manufacturing as a percent of Brazilian gross domestic product is now half of what it was in the late 1980s. Fully 65% of the economy is now services and the service sector employs four times as many Brazilians as manufacturing does.

Even so, domestic producers remain politically powerful and they are putting pressure on Brasilia to stop the appreciation of the real. To do that the central bank has to buy up the dollar inflows, issue new reais and then issue bonds to remove those reais from circulation so they do not generate inflation. The bank now has over $400 billion in dollar reserves and bond issuance has pushed up interest rates.

Higher interest rates attract more buyers of reais looking for higher yields. So rather than weakening the currency, the bank's intervention makes it stronger. Higher rates also make holding reserves expensive. Another problem is that investors may be more likely to put their money in government bonds rather than investments needed to boost productive capacity.

The government is also devouring savings needed for investment by pushing up consumption in a variety of ways. The consumption push, including the expansion of subsidized credit from BNDES, the national development bank, is perilous.

As demand heats up Brazil's low investment-rate-to-GDP of 18% (versus China's at 50%) means imports are needed. Protectionism blocks imports, so prices of tradable goods rise. Prices of services, which are not imported, also rise.

The higher consumption without the corresponding production capacity provokes inflation, raising wage costs for those domestic manufacturers the government is supposed to be helping. The central bank has to rely on high interest rates to control the situation. Growth suffers.

The way out of this trap is to embrace the strong real and the nation's comparative advantages in services and commodities. Allowing the centrally planned manufacturing industry to restructure won't be painless. But better to do it now, alongside pro-growth reforms in tax and regulation, than to wait for the inevitable crisis.

sexta-feira, abril 06, 2012

Apertem os cintos que o piloto chegou!

Rodrigo Constantino

O governo Dilma parece ter perdido qualquer resquício ínfimo que sobrava de bom senso. As últimas medidas econômicas demonstram desespero e irresponsabilidade. O uso dos bancos estatais como instrumento de estímulo de crédito já foi testado no passado, sempre com resultados lamentáveis. O editorial econômico do Estadão toca no ponto:

A história do Banco do Brasil está cheia de exemplos que comprovam como o uso de um banco público para forçar as instituições privadas a reduzirem o custo do dinheiro acaba por enfraquecer os próprios bancos públicos.

Não satisfeito com o uso irresponsável do Banco do Brasil para estimular mais o crédito e pressionar mais a inflação, foi a vez da Caixa ser usada da mesma forma, sob comando central do governo Dilma. Como relata a Folha, o juro cobrado no cheque especial vai cair de 8% para pouco mais de 1% ao mês, como se bastasse o desejo político para fornecer mais crédito sem impacto inflacionário.

O que estamos vendo é a bolha brasileira de crédito em gestação, incentivada pelo próprio governo e o Banco Central, suposto guardião do poder de compra da moeda. Quando estourou a bolha de crédito nos EUA, a esquerda logo culpou o mercado, e pediu mais controle estatal. Os liberais apontaram que o próprio governo e o Fed estimularam a bolha. Liberais sempre perguntam "quem vigia o vigia?", pois desconfiam da concentração de poder e dos incentivos no setor público. Governantes costumam focar no curto prazo, pois estão de olho nas próximas eleições.

Pergunto então: Quando a bolha de crédito no Brasil, hoje em formação, estourar, de quem será a culpa? Do mercado? Ou do governo, que derruba a taxa de juros na marretada, com intuito demagógico?

Apertem o cinto, pois o piloto não sumiu; pior que isso!, ele chegou cheio de vontade, mas é um doido alucinado que não liga para os limites físicos do "avião" que comanda. Quando o cenário benigno externo mudar, os esqueletos que estão sendo jogados para baixo do tapete vão emergir com todo seu odor putrefato e sua feiúra assustadora.

Alguns sinais de esgotamento já começam a aparecer. Como mostra reportagem de O Globo, pesquisa da KPMG diz que o Brasil é o país mais caro para se fazer negócio entre os emergentes. Diz a matéria:

A KPMG afirma que além de ser menos competitivo entre os emergentes analisados, os custos empresariais no Brasil se aproximam dos níveis de países desenvolvidos. Por exemplo, os custos no Brasil são apenas 7% mais baixos em relação aos Estados Unidos, enquanto a China, que lidera a lista, tem custos 25,8% menores que os dos americanos, seguida pela Índia (-25,3%), México (-21%) e Rússia (-19,7%).

As cigarras brasileiras estão comemorando, pensando que o verão vai durar para sempre, que a vida melhorou e os pilares das mudanças são sólidos e estruturais. Doce ilusão! O enriquecimento tem muito mais ligação com fatores exógenos (China e custo de capital negativo nos países desenvolvidos), e com o aumento de crédito sem lastro (sem respaldo em aumento de poupança doméstica). Quando chegar o inverno, o sofrimento não vai ser um espetáculo bonito. As cigarras terão um duro encontro com a realidade.

O governo petista está plantando as sementes de uma grande crise à frente. É um dos governos mais irresponsáveis que já se viu. Está ameaçando as importantes conquistas dos últimos anos, como o controle inflacionário. Quem viver, verá.

sexta-feira, março 09, 2012

Tsunami monetário


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

O Banco Central reduziu a taxa Selic para 9,75% na última reunião do Copom, e o mercado já projeta uma queda até 8,5%. O governo Dilma avisa que conta com um “arsenal infinito” de medidas para impedir a apreciação do real e proteger a indústria nacional do “tsunami monetário”. Enquanto isso, os dados do crescimento econômico de 2011 ficaram abaixo do esperado, sendo que o consumo ajudou a segurar uma desaceleração ainda maior.

Eis, de forma muito resumida, o cenário atual: os países desenvolvidos, administrando o crash de crédito após o estouro da bolha, tentam reflacionar seus ativos com forte expansão monetária. A taxa de juros negativa em termos reais nesses países faz com que os investidores corram para países emergentes, para arbitrar juros. As moedas desses países se valorizam, beneficiando os consumidores, mas machucando os produtores industriais. A avalanche de divisas cria um ambiente propício à expansão de crédito, ameaçando o controle inflacionário.

Durante o processo, os cidadãos em geral e a classe média em particular se sentem mais ricos. Um apartamento no Recreio passa a valer a mesma coisa que um apartamento em Miami, perto da praia, se calculado por metro quadrado em dólares. Os governantes colhem os louros da bonança, mas os fundamentos são frágeis. E como não é possível agradar a todos, medidas paliativas são adotadas para acalmar os industriais em pânico. A escalada protecionista tem início, fechando mais o país. O BNDES segue distribuindo bilhões por ano, com taxas subsidiadas, para aliviar o sofrimento dos grandes grupos nacionais.

As únicas medidas efetivas para blindar o país contra uma bolha artificial seriam reformas estruturais que reduzissem o Custo Brasil. Elevar a produtividade da indústria, reduzir a carga tributária, flexibilizar as leis trabalhistas, aliviar a burocracia asfixiante, acelerar a justiça, sinalizar o estancamento do rombo previdenciário à frente, cortar gastos públicos e investir em infraestrutura, etc. Sabemos que o governo não vai fazer nada disso. Resta, então, apelar para a retórica e tomar medidas pontuais, que nada resolvem.

Enquanto isso, o real segue apreciando com a entrada de dólares, o crédito continua “bombando”, com o estímulo do próprio governo, e os consumidores ficam felizes com a aparência de maior riqueza repentina. Os produtores recebem alguns afagos (protecionismo e subsídios) para sobreviver. Mas o crescimento é cada vez mais frágil, e o risco inflacionário cada vez maior. A espuma cresce, podendo se tornar uma bolha. O problema é que bolhas inexoravelmente estouram algum dia.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

segunda-feira, agosto 15, 2011

A próxima bolha

Paulo Guedes, O Globo

A crise política em Washington, o vácuo na liderança presidencial e os choques entre republicanos e democratas foram o disparo para um mergulho sincronizado das bolsas em escala planetária.

Abaixo da superfície, em águas profundas, o vertiginoso colapso dos preços das ações em uma pequena janela de tempo era o reflexo de uma deterioração dos fundamentos na economia mundial. Pois prossegue a desaceleração do crescimento global. Permanecem elevadas as taxas de desemprego nos países avançados. E os gigantes emergentes, Brasil, China e Índia, subiram os juros para frear a inflação.

Com os mercados em pânico pela queda nas bolsas e pelo aumento dos prêmios de risco soberano dos dois lados do Atlântico, foi providencial a reunião de terça-feira da semana passada do Comitê de Operações de Mercado Aberto do banco central americano, o Federal Reserve (Fed). Seu presidente, Ben Bernanke, anunciou que as taxas de juros sob seu controle continuarão próximas de zero pelo menos até meados de 2013.

Essa perspectiva de juros baixos anunciada para um longo período de tempo futuro é sempre um fenômeno inebriante. E funcionou mais uma vez, interrompendo e revertendo a queda fulminante dos mercados acionários globais. O problema é que age como uma droga fornecida pelo banco central para realimentar o vício do dinheiro barato. “Vou dar outra dose de uísque para a bolsa”, dizia Benjamin Strong, presidente do Fed de Nova York, ao reduzir mais uma vez os juros em julho de 1927, um pouco antes da Grande Depressão.

A expansão excessiva de crédito esteve sempre por trás das maiores crises financeiras da história moderna: o crash de 1929 e a Grande Depressão dos anos 1930 nos Estados Unidos, o crash de 1989 e duas décadas de estagnação no Japão, e agora esta gigantesca crise, após o “big bang” da liquidez global no período 2003-2007. Em 2008, implodiram os bancos. E, em 2010-2011, os governos que os socorreram.

Assistimos aos desdobramentos financeiros de um mesmo fenômeno: tentativas frustradas de evitar artificialmente o fim de um longo ciclo de crescimento. A munição do Fed está acabando. Mas há sinais de que vai afundar atirando. Sua política de dinheiro barato no momento em que o tema do desaquecimento global captura a psicologia dos investidores alimenta a próxima bolha: a dos títulos públicos americanos.