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sexta-feira, julho 13, 2012

Em defesa de Olavo de Carvalho e contra a ditadura gaysista

O artigo foi retirado do site pois o Mídia Sem Máscara postou o seguinte aviso:

"O deputado Jean Wyllys nega ter sido o autor dos e-mails ameaçadores enviados a Olavo de Carvalho. Uma rápida averiguação parece confirmar o que ele diz. Pelo menos os e-mails não foram enviados pelo sistema de e-mail da Câmara. Vieram pelo Emkei's Fake Mailer, um site que oferece serviço de envio de e-mails com remetentes falsos. http://emkei.cz/. O que vamos fazer agora é por em ação a Polícia Federal para rastrear a identidade do remetente e tomar contra ele as providências cabíveis."

Lamento que tal "rápida averiguação", ainda mais sendo rápida, não tenha sido feita antes. Ao deputado Jean Wyllys, de quem discordo de praticamente todas as posições políticas, fica meu pedido de desculpas por ter ajudado a divulgar sua suposta afirmação sobre o direito de crianças fazerem o que quiserem com seus corpos.

quinta-feira, maio 10, 2012

Um astrólogo desesperado

Rodrigo Constantino

Como tenho muitos "amigos" em comum com o "filósofo" Olavo de Carvalho no Facebook, acabo sabendo que este senhor dedica boa parte de seu tempo para me atacar. Em mais um artigo em seu espaço no Diário do Comércio, Olavo começa logo me dando uma aula de português. Alguns leitores novos podem ter ficado perplexos com tanto esforço para detalhe tão insignificante. Mas eu explico.

É que Olavo é um sujeito muito vaidoso, tão vaidoso a ponto de estimular a reverência e idolatria de seus seguidores, os "olavetes", que tratam o "mestre" como uma espécie de profeta. Tamanha reverência patética (quem quiser ter uma idéia do nível da turma basta uma rápida visita no meu canal do YouTube) acabou afetando o "filósofo", que já tinha um ego gigantesco. E na época do "debate" no Orkut, eu cometi a ousadia de consertar um erro seu de português, quando ele disse "entre eu e você". O correto, como hoje ele deve ter aprendido, seria "entre mim e você". Essas coisas acontecem, ainda mais no calor de uma discussão. Desde então, entretanto, Olavo não perdoa este erro que apontei em público. Mas como não sou como ele, até agradeço pela aula de gramática. Confesso que escrevi com pressa, pois o tempo é escasso e valioso, como eu disse.

Noto que Olavo de Carvalho, como eu já esperava, vai continuar mendigando minha atenção até, quem sabe?, eu ocupar meu espaço no GLOBO para falar de sua pessoa. Sonhar é bom. Olavo, que já teve trabalhos razoavelmente importantes, foi ficando esquecido, esquecido, acusando conspirações da esquerda para a perda de seu espaço na grande imprensa, até lhe (acertei?) restar um programa (humorístico?) de rádio, repleto de palavrões que o autor confunde com argumento e masculinidade. Parece que ele invoca um santo no começo, e depois desanda a xingar todo mundo. Uma espécie de Bispo Macedo misturado com Walter Mercado. Ou seria Alborguetti?

Mas vamos ao raro conteúdo do texto novo, pois Olavo prefere focar bastante na forma (eu entendo, quando se está desesperado pela falta de argumentos, apela-se aos detalhes da escrita errada). Olavo acha que é afetação minha de superioridade falar que não lhe (acertei novamente?) dou muita atenção. Afinal, eu até chamei um personagem de um romance que escrevi (ainda não publicado) de Otávio de Ramalho, não é mesmo? Vamos aos fatos: Olavo foi solenemente ignorado por mim durante alguns anos, enquanto citava meu nome com frequência neste seu programa de rádio, como soube por terceiros (e em alguns casos fui checar, apenas para ver uma espécie de riso de hiena por trás do vídeo quando o "mestre" tascava um palavrão no ar - o que é aquilo?). Até que resolvi dar uma resposta.

Aqui cometi um erro que gostaria de reparar. Dei importância exagerada à influência de Olavo na direita brasileira, confesso. Ele mesmo apontou esta falha, e frisou sua completa insignificância (exagerando, por sua vez, a importância do Instituto Millenium e outras entidades do tipo). Mas deve ter sido um viés pela interseção enorme de "amigos" no Facebook. Eu realmente fiquei com a impressão de que Olavo ainda era uma voz influente em nossa parca direita. Por isso reagi. Além disso, sua postura na questão específica do aborto de fetos anencéfalos é exatamente a mesma dos evangélicos ignorantes, que ninguém vai negar enorme peso na política nacional. Logo, fiquei com a impressão de que os "olavetes" eram mais do que alguns gatos pingados que gostam de xingar os outros e idolatrar um guru ex-astrólogo, ex-marxista e agora sei lá o que.

Voltando ao Otávio de Ramalho, creio que Olavo terá de concluir que tenho certa obsessão por Marta Suplicy também. Explico. É que um dos personagens do livro é a mulher do trabalhador, e seu nome é Marta em homenagem a esta senhora petista. Não, eu não passo meus dias pensando nela. Tampouco tenho alguma tara oculta por sua pessoa. Era apenas alguém do lado de lá que eu usei como inspiração para a personagem. O mesmo vale para o padre. Virou Otávio de Ramalho pois é o tipo que conheço que invoca santos e apela para a religião nos debates. Confesso que para certas falas do personagem, a inspiração nem veio de Olavo, quem eu passei a ignorar por longo período, como já citado, mas sim de Nivaldo Cordeiro, colega meu de debate na Rede Liberal, e "olavete" fanático. Olavo nem mesmo leu meu livro, mas sabe exatamente, com base em uma frase minha, o que eu criei ali e qual o motivo psicológico disso (se ele fosse mesmo psicólogo, o CRP já teria confiscado sua carteira). É assim que funciona um embusteiro...

Mas entendo a alegria de Olavo por ter recebido esta homenagem. Se soubesse que teria esta reação, eu teria lhe (é isso mesmo?) contado antes. Ele, pelo visto, precisa de mais atenção da minha parte. Afinal, ele tem um dever "jornalístico" (isso foi piada?) de analisar o estado mental das classes influentes (eu não sabia que tinha esse peso todo, e o próprio Olavo, contradizendo-se, tenta me acusar de ter poucos seguidores, alegando que meu vídeo sobre sua pessoa só disparou quando ele o citou - o que é mentira). E fez tal análise, convenhamos, da mesma forma que fazia mapa astral antigamente. Ou seja, sem um pingo de responsabilidade e seriedade. Uma vez embusteiro, sempre embusteiro. Esse é Olavo de Carvalho, o ícone de uma ala (minoritária?) da nossa direita.

PS: Sobre eu depositar no estado o poder de decidir quando começa a vida e, portanto, não ser um liberal, já respondi aqui. Na verdade, é o Olavo quem quer que o estado diga que a vida humana começa na concepção, e quer isso com base em sua crença religiosa. Os países MAIS liberais adotam minha postura, enquanto as teocracias autoritárias adotam a dele. Mas ele insiste que tem a razão nesse ponto ainda, apelando para uma falácia escancarada.

quinta-feira, maio 03, 2012

O mapa astral do "filósofo"

Rodrigo Constantino

Soube que o "filósofo" Olavo de Carvalho, não satisfeito em usar seu espaço todo no Diário do Comércio para me atacar, dedicou boa parte de seu "talk show" (humorístico) ao mesmo fim. Soube ainda - e confesso que não fui checar, pois me falta estômago para aturar aquele show de horror -, que ele disse no programa que foi apenas um estudioso de Astrologia, e que eu nada sabia sobre seus trabalhos nessa área. Segundo o leitor que me passou tais informações, ele também assevera que a relação dele com a astrologia diferiu abissalmente dos astrólogos “de mídia” ou os calculadores de horóscopo de jornal. Se ele disse isso tudo mesmo, mentiu, como de praxe.

E como eu gosto de apresentar as provas, segue a reportagem que saiu na revista VEJA, 9 de abril de 1980, com o título "Alto Astral: Já se faz horóscopo por computador". A matéria é até favorável ao astrólogo... Olavo de Carvalho cobrava caro por suas "aulas". Para o "mestre", a astrologia era um "valioso campo de conhecimento para ser aplicado nas mais diversas áreas". A VEJA testou o Astroflash e o astrólogo Olavo de Carvalho, fornecendo os mesmos dados sobre uma pessoa conhecida, sem dizer seu nome. Ambos, computador e astrólogo Olavo de Carvalho, disseram coisas interessantes sobre o sujeito em questão, que era Fernando Gabeira.

Para mim, tudo não passa de embuste (e, uma vez embusteiro, sempre embusteiro). Mapa astral é baboseira pura (e não custa lembrar aos "olavetes" o que a Bíblia diz da astrologia*). Mas que o "filósofo" não venha me acusar de ignorância ou mentira sobre suas aptidões de astrólogo! Até a revista VEJA o levou bastante a sério como um dos "astrólogos de mídia". Ele deveria saber melhor que quando Júpiter se alinha a Marte, nunca é bom provocar um liberal apaixonado pela verdade...

* Em Isaías 47.13-14, Deus afirma: "Já estás cansada com a multidão das tuas consultas! Levantem-se pois, agora os que dissecam os céus e fitam os astros, os que em cada lua nova te predizem o que há de vir sobre ti. Eis que serão como restolho, o fogo os queimará; não poderão livrar-se do poder das chamas; nenhuma brasa restará para se aquentarem, nem fogo para que diante dele se assentem."

quarta-feira, maio 02, 2012

Culpado como um bandido

Rodrigo Constantino

O "filósofo" Olavo de Carvalho dedicou seu espaço inteiro no Diário do Comércio à minha pessoa. Como não o dou a mesma importância, não pretendo respondê-lo em meu precioso espaço de O Globo (que reservo para coisas mais sérias), mas sim aqui mesmo, no meu blog. Farei isso de forma breve, pois o tempo é escasso e existem outras prioridades. Mas é preciso fazê-lo, pois como este senhor ainda engana muitos inocentes úteis e fala em nome da direita, faz-se necessário desmascarar o embuste de vez em quando.

Olavo diz:

Num de meus últimos programas de rádio, critiquei en passant o sr. Rodrigo Constantino por conceder ao Estado, cujo poder ele abomina e diz querer limitar por todos os meios, o mais alto e presunçoso dos poderes – que é o de conceder ou negar a condição de ser humano a uma criatura proveniente de pai e mãe humanos.

A mentira já começa no "en passant", onde o autor tenta passar a imagem de que quase não se ocupou com ataques chulos e mentirosos a mim. Na verdade, Olavo de Carvalho me citou algumas vezes, e em vários "programas de rádio" (eu chamo aquilo de outra coisa, mas deixa para lá) nos últimos meses. Como foi ignorado solenemente, insistiu na esperança de receber alguma atenção recíproca. Foi o que fiz no vídeo citado. Ele deveria ser grato ao menos a isso.

Sim, é verdade que eu abomino o excesso de poder concentrado no estado (que escrevo com letra minúscula, ao contrário de Olavo de Carvalho). Mas não sou um anarquista. Reconheço que a vida em sociedade demanda a existência do estado, especialmente para cuidar da justiça. Tampouco sou jusnaturalista, ainda que tenha alguma simpatia pelo conceito. Logo, entendo que é função precípua do estado definir as leis, ainda que muitas possam ser consideradas injustas. O problema é que não acredito na viabilidade das alternativas (mercado de leis privadas, direito natural etc).

Isso não é o mesmo que afirmar, como quer Olavo de Carvalho, que eu penso que cabe ao estado dizer o que é certo ou errado. Não! Eu acho errado a escravidão, mas estados já a consideraram legal no passado. Eu também acho errado alguém ser obrigado a pagar 40% do que ganha em impostos, mas nem por isso sou anarquista (seria a lógica dedutiva, como diz Olavo de Carvalho, da premissa de que não aceito o estado impor qualquer valor arbitrário de imposto). 

Aliás, esta é a mesma tática que usam os anarquistas: oito ou oitenta, tudo ou nada. Se você acha errado imposto de 40%, então você deve achar errado qualquer imposto, para não cair em contradição lógica. Será que Olavo de Carvalho é um anarquista? Ou ele aceita o estado dizer quanto ele deve pagar de imposto? Mas nesse caso o estado poderia lhe impor 100% de imposto! Logo, ele defende ou o socialismo ou a anarquia. Qual será o caso?

Como fica claro acima, o que Olavo de Carvalho fez foi apenas apelar para uma retórica vazia, um reductio ad absurdum (ele comenta um livro de Schopenhauer sobre estratagemas de erística, e aprendeu a usá-los muito bem). Quem vai dizer quando o feto é um ser humano? Ora, como eu deixei claro no vídeo sobre o assunto, essa é a questão cabeluda! Cientistas discutem isso sem resposta adequada. E eu não tenho a pretensão de ter tal resposta sem margem a erros (ao contrário do que afirma Olavo, eu não me arrogo o monopólio da razão). 

O que eu sei é que não considero correto a imposição de uma visão religiosa sobre o tema. A resposta pode ser a sociedade de forma geral, o indivíduo de forma subjetiva. Isso não quer dizer que o estado tem a palavra definitiva sobre o assunto. Quer dizer apenas que nem todos são obrigados a aceitar a visão religiosa, e que nem todos que aceitam uma zona cinzenta nesta questão depositam fé messiânica no estado.

E, de fato, é a resposta que a maioria dos países civilizados e desenvolvidos deu ao dilema. Tanto é verdade que em praticamente todos eles o aborto é permitido no começo da gestação, e em casos especiais. Logo, à exceção das teocracias islâmicas e de países subdesenvolvidos (muitos com forte predominância católica), as sociedades chegaram à conclusão de que um feto de um dia não é o mesmo que um bebê de um ano. Conclusão esta, aliás, que está de acordo com o bom senso, excluindo aqueles mais fanáticos em suas crenças religiosas. 

Eis o que Olavo de Carvalho precisa necessariamente defender para manter sua proclamada lógica dedutiva: que em nenhum caso o aborto é defensável, incluindo aí feto anencéfalo, fruto de estupro ou com risco de vida para a mãe, e que tomar a pílula do dia seguinte é análogo a enforcar um bebê no berço, assassinato de um ser humano puro e simples. Pergunto quantas pessoas estão dispostas a sustentar esta bandeira, e quantas delas são fanáticos religiosos... Eu prefiro ficar com a imperfeita alternativa de que cabe à sociedade, de alguma forma, legislar sobre o assunto, reconhecendo que um feto de um dia não é um ser humano, e que direitos, valores e princípios conflitantes estão em jogo, demandando escolhas difíceis. 

Olavo conclui:

Serei um malicioso, um conjeturador de hipóteses rebuscadas, um "teórico da conspiração", ao supor que o estado terminal em que se encontram os partidos "de direita" do Brasil deve algo ao fato de aceitarem como doutrinários pessoas da estatura intelectual do sr. Constantino?

Aqui há uma confusão. Olavo não é malicioso, conjeturador de hipóteses rebuscadas e teórico da conspiração por causa do seu último "programa de rádio", e sim porque já o conheço de longa data e sei que ele é exatamente isso. A crença de que o desmantelamento da URSS foi obra arquitetada pela própria KGB, o excesso de poder mirabolante atribuído ao Foro de SP, a paranoia com o movimento homossexual, a acusação de que a ONU quer controlar o mundo por meio de um governo mundial, a obsessão com a Rede Globo como veículo da revolução cultural gramsciana, enfim, a lista é grande e o astrólogo sabe como teorias conspiratórias seduzem por simplificar um mundo complexo e fornecer bodes expiatórios para os males do mundo. Quem quiser ter uma palhinha do que estou falando, veja aqui o "filósofo" acusando a Pepsi de usar células de fetos abortados como adoçante.

Além disso, ele considera que a "direita" no Brasil está frita porque conta com intelectuais da minha estatura. Pergunto então: em quais países a "direita" está melhor representada e consegue resultados práticos melhores? Pois como citei acima, os países mais avançados do mundo permitem, em sua totalidade, o aborto em situações extremas e no começo da gestação. Será que o problema da nossa "direita" é o pensamento liberal que eu defendo? Ou será que a direita tacanha e saudosista de uma Idade Média idealizada, como aquela que Olavo de Carvalho representa, é que ilustra a decadência de nossa oposição "direitista"? Entre Bolívia, Brasil e Venezuela, ou Holanda, Austrália e Nova Zelândia, qual grupo possui mais liberdade individual e prosperidade? Será que a direita está melhor no Afeganistão e no Haiti do que na Inglaterra?

Pois no primeiro grupo há muito mais gente que pensa como Olavo de Carvalho, a ponto de o aborto ser vetado em todos os casos (agora o Brasil deu um passo à frente, sob duros ataques de Olavo de Carvalho e seus seguidores, permitindo o aborto de fetos anencéfalos para permitir que gestantes coloquem um fim, se assim desejarem, ao fardo de carregar no útero um feto que jamais será um ser humano de fato), enquanto no segundo grupo a minha postura é predominante nesse caso (e em outros). Logo, soa um tanto estranho e contraditório o "filósofo" acusar o liberalismo que eu defendo como causa da miséria de nossa oposição e da "direita" no país. Será que ele preferia o Talibã como ícone da nossa direita?  

Não, sr. Olavo de Carvalho, o principal problema da nossa "direita" (ao menos a parcela que você representa) é que ela ainda não saiu da Idade Média! Felizmente, o mundo saiu, e vocês não podem mais calar os "hereges" na marra. Se você pensa que há mais liberdade nos países que adotam sua postura extremista e proíbem o aborto em qualquer caso, tenho certeza que muitos vão concordar que Estados Unidos, Holanda, Austrália, Inglaterra e Nova Zelândia representam opções bem melhores que Afeganistão, Brasil, Haiti, ou Venezuela, onde o fanatismo religioso ainda não foi extirpado pelo iluminismo.