segunda-feira, novembro 07, 2011

Geração Capitão Planeta

LUIZ FELIPE PONDÉ, Folha de SP

Como ficam as alunas da USP violentadas? Devem pedir ajuda para o fantasma de Foucault?

Você se lembra do desenho "Capitão Planeta"? Nele um grupo de jovens de várias etnias (brancos, negros, amarelos, vermelhos, enfim, todas as "cores do arco-íris") defendia o planeta.
Acho que "Capitão Planeta" deveria ser o patrono dos "novos jovens" que invadiram Wall Street , o Viaduto do Chá e a USP. Estes, então, são ridículos, se acham acima da lei e não querem polícia no campus. Como ficam as alunas violentadas? Devem pedir ajuda para o fantasma de Foucault?
Muito professor-cheerleader é culpado por isso quando fala de "jovens que lutam por um mundo melhor".
Este "mundo melhor" é o que eles têm na cabeça e que implica sempre eliminar quem não concorda com eles (o movimento estudantil sempre foi extremamente autoritário).
E não existe "o jovem", jovens são múltiplos e muitos não concordam com os baderneiros que invadiram a Faculdade de Filosofia da USP.
Quando você tem 12 anos, um desenho como esse "emociona". Depois dos 18 anos, se você ainda acredita "no mundo do Capitão Planeta", é porque não fez os passos naturais do amadurecimento mental.
A diferença entre eles e a última geração revolucionária de fato (Fidel Castro e Che Guevara) é que enquanto "los hermanos" de Cuba, enfrentaram inimigos à bala, essa moçadinha, que acha que "todas as diferenças podem conviver lado a lado" (até a primeira briga de ciúme entre dois caras pela menina mais gostosa do grupo, aliás, coisa rara nesse meio), ao primeiro tiro correria para casa para brincar com o seu iPad.
A mídia ideológica, cansada do marasmo desde maio de 1968 (aquela "revolução francesa" dos estudantes entediados que acabou numa noite gostosa de queijos e vinhos), abraçou esses "movimentos" como um novo "partido mundial dos jovens".
Engraçado como gente (os "jovens") que não paga suas contas (papai as paga ou alguma instituição) acha que pode "resolver" o mundo.
Para provar a piada, basta lembrar que Wall Street é um reduto do Partido Democrata americano, logo, do Obama, o "Messias avatar" dessa moçada, fato que a maioria desses "invasores" do templo capitalista não sabe.
Esta "invasão" de Wall Street foi uma modinha das grandes cidades da costa americana, assim como seus desfiles de moda, seus chefs de cozinha étnica e seu gosto por clássicos da literatura somali, sem os quais o mundo não seria a mesma coisa...
A "invasão" marca o descontentamento de desempregados e a irritação com os ganhos dos bancos nos últimos anos em meio à crise.
No caso dos EUA, ninguém deu ouvidos a eles na "América profunda". A mídia tentou fazer deles representantes da América porque a maior parte da mídia é "Capitão Planeta".
Um objeto fetiche desses caras é a Primavera Árabe. Assim como o restante desses movimentos dos últimos meses, todos diferentes entre si, o árabe pode ter diferenças importantes internas ao próprio mundo árabe.
Peguemos a "secular" Tunísia como exemplo. Berço da "Primavera Árabe", conforme muitos previram, ela deu a primeira vitória das urnas a um partido islâmico (como queríamos demonstrar... Aliás, ao contrário do que a geração de intelectuais "Capitão Planeta" dizia sobre "não haver risco de os islamitas ganharem as eleições"). Islamita é o nome técnico para fundamentalismo islâmico político e/ou "militar".
Apesar de o partido em questão, Nahda, jurar que abandonará suas propostas fundamentalistas (ele era ilegal durante a ditadura "secular" da Tunísia justamente por ser fanático), veremos se suas juras serão verdadeiras.
Especialistas esperam que esses islamitas, quando chegarem ao poder, usem como modelo o partido islâmico moderado da Turquia.
Na Turquia, índices como a presença de mulheres nos quadros funcionais do governo diminuíram significativamente nos anos em que o islamismo moderado turco tem estado no poder. Isso significa uma "islamização" da máquina administrativa. Islamitas tratam as mulheres como animais de estimação.
Ocidentais que não conhecem o Oriente Médio pensam que a maioria da população lá é do tipo "paz, amor e viva a diferença". Pura ignorância.

4 comentários:

Anônimo disse...

Esses revolucionário de m...da USP não resistem a 10 segundos de gás lacrimogênio ou de pimenta da PM.

AustinPowersRJ disse...

Bom, vamos por partes, primeiro, esses jovens estão nesse nível por falta de orientação dos pais que se preocupam em ganhar dinheiro, pagar os mimos dos filhos e pronto, pouco se preocupam com o que o filho lê, aprende e faz na sua vida, logo se torna uma massa de manobra, duvido que esse povinho não é metidinho a comunista, contra o tal capitalismo que os colocou lá. Espero que a polícia faça a sua parte, retire eles de lá e se possível prenda os que tinham drogas e os expulsem da faculdade.

Anônimo disse...

Acho engraçado as feministas defenderem os maconheiros da filosofia e não falarem nada dos ESTUPROS nas alunas USP no tempo que não tinha polícia por lá
ntsr

CássiusBSVP disse...

Rodrigo, concordo plenamente com a parte sobre a USP (alias, fico feliz em ver que Pondé, ao falar que os jovens são muitos e diversos, demonstra parecer não compartilhar da "juventofobia" bastante presente entre a maioria dos conservadores e até entre alguns liberais) e sobre o Ocupe Wall Street; mas fiquei bastante incomodado quanto a parte sobre a Primavera Arabe. O que compreendo do texto é que, segundo ele, sendo os muçulmanos uma massa indistinta de barbaros (subentendido), o melhor para o mundo é que fiquem indeterminadamente sob o julgo de ditadores pró-ocidente, pois só saberiam entender o chicote.
Pois bem, sou um ocidental (ou ao menos penso ser, segundo Huntington não sou) e conheço alguns países do Oriente Medio islâmico (Egito e Palestina), e assim posso dizer que ainda que tenha visto coisas que certamente condeno (onipresença do véu, por ex.), em momento algum fui hostilizado por quem quer que fosse por ser um "infiel"; pelo contrario, a maior parte das pessoas que conheci mostraram-se amigabilissimas, até bem mais abertas do que a maioria das que conhecí nos países do 1° mundo ocidental onde já estive (Alemanha, Reino Unido e Israel).
Considero sim que há muitas coisas erradas na cultura islâmica, mas de maneira alguma acredito que sera o chicote dos ditadores que trara as mudanças necessarias; pelo contrario estes apenas piorarão a situação, pois ninguem gosta de ser forçado a fazer algo. Evidencia clara para isso é o próprio Brasil, onde decadas de uma ditadura militar de direita não tornaram o povo menos propenso a apoiar o populismo esquerdista, uma vez que tivissem liberdade para tal. Desse modo, tais ditaduras só seriam defensaveis partindo do princípio de que certos povos são "incorrigiveis"; idéia que repudio como sendo de um coletivismo e determinismo nojentos.
Termino este post penguntando-te afinal qual é tua opinião quanto a Primavera Árabe, pois até agora não a deixou muito clara.