sexta-feira, fevereiro 03, 2012

O fenômeno Facebook


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

O Facebook realizará este ano sua esperada abertura de capital. A empresa deve ser avaliada, segundo analistas, na casa dos US$ 100 bilhões. Há, em seu valor de mercado, muita expectativa de crescimento futuro nos lucros. O potencial é realmente fantástico quando se leva em conta seus quase um bilhão de usuários, todos voluntariamente expondo ao site seus gostos e preferências. Ainda há formas hoje desconhecidas para se explorar este gigantesco banco de dados com propaganda e outros serviços.

Não é possível afirmar ainda se este valor elevado fará jus aos lucros futuros ou se o Facebook sinaliza uma nova etapa de bolha tecnológica. O que se pode dizer é que seu crescimento meteórico é um fenômeno que ilustra bem o dinamismo capitalista na era da informação. Várias empresas nasceram em garagens ou em dormitórios de universidades, usando capital limitado e escasso no primeiro momento, para depois se tornarem concorrentes de peso que ameaçam gigantes estabelecidos.

A tecnologia é um dos setores com menor intervenção estatal, com mais concorrência, e com forte presença de capitalistas ávidos por retornos fantásticos. Uma combinação interessante, que por tentativa e erro (e inúmeros defuntos no caminho) acaba produzindo os novos vencedores que mudam a cara da modernidade. A “destruição criadora” de que falava Schumpeter encontra neste setor seu ambiente mais fértil. Por isso há tanta novidade, tanto crescimento, tanto avanço e, pasmem!, preços declinantes para os consumidores. É o capitalismo em sua essência funcionando para melhorar a vida das pessoas.

Apenas a título de curiosidade, o Facebook, se for avaliado em US$ 100 bilhões mesmo, terá a metade do valor da GE, empresa centenária com quase 300 mil funcionários (o Facebook tem pouco mais de 3 mil). A Coca Cola vale US$ 150 bilhões e tem 140 mil funcionários. A IBM, com seus mais de 400 mil funcionários, fatura US$ 100 bilhões, lucra US$ 15 bilhões, mas vale “apenas” pouco mais de US$ 200 bilhões. Microsoft vale US$ 250 bilhões, Oracle vale US$ 150 bilhões, Intel vale US$ 135 bilhões e Google vale quase US$ 200 bilhões. A Apple vale mais de US$ 400 bilhões (grande Steve Jobs!).

Os gigantes de hoje podem ser os nanicos de amanhã. Não há garantias de sobrevivência. É preciso estar o tempo todo na vanguarda do progresso, atendendo da melhor forma possível a demanda, ou melhor, criando nova demanda ainda desconhecida! O fenômeno Facebook ilustra bem esta realidade.

PS: Aqueles demagogos que atacam os 1% mais ricos, como se fossem um grupo estanque, ignoram estes dados, não sabem como é concorrida e arriscada a vida dos empreendedores, e, acima de tudo, pensam que riqueza é um bolo fixo que deve ser dividido de forma mais “justa”, enquanto outros inovam justamente para criar riqueza nova e tornar o mundo um lugar melhor. Se ao menos estes contassem com um ambiente mais amigável de negócios e com menos intervenção estatal... que mundo melhor poderíamos ter!

18 comentários:

Carlos U. Pozzobon disse...

As gigantes atuais podem ser caracterizadas como a combinação de criatividade com cooperação. O empreendedor representa o indivíduo com sensibilidade para inovar dentro de seu ambiente de trabalho e pesquisa, aliado a liderança em mobilizar recursos humanos que sejam capazes de viabilizar suas ideias. O sucesso ou o fracasso depende da antecipação no tempo em relação aos concorrentes, o pioneirismo na adesão do público e na eficácia de produzir "enhancements" em seu próprio trabalho.

reinaldo disse...

Quem é mais rico deve pagar mais imposto. Sinceramente não vejo porque deveria ser diferente. Ou deveria ser o inverso ? Quanto mais rico, menor o imposto ?

Rodrigo Constantino disse...

reinaldo, se o cara é ganha mais e paga A MESMA TAXA, ele já paga muito mais imposto!

O que vc quer é outra coisa: é que o rico pague BEM MAIS, e a fundo perdido, pois ele não vai usar quase nada do governo (ele paga dobrado, para ter os serviços da iniciativa privada). Ou seja, vc defende o governo como DISTRIBUIDOR de renda. E isso não é justo (nem eficiente na prática).

Anônimo disse...

Sem a menor intenção de questionar o grande parceiro que, brilhantemente, dissemina ótimas lições pela rede, mas, a título de debate, gostaria de indagar: Aprendi na academia que não se “cria demanda" (como citado no texto) e sim que identificamos uma necessidade existente e, por meio de serviços/produtos, suprimos a mesma. No mais, parabéns e obrigado pelo blog, gostaria que existisse uma aba de indicações bibliográficas , além das citadas eventualmente nos textos, das mais simples às rebuscadas. Salve!

rodrigo disse...

Milionários devem pagar aliquota maior. Nao só porque com 1 ou 10% do que eles têm, eles podem saciar todas suas necessidades e fantasias, mas porque a sociedade precisa de OPORTUNIDADE sim. Nao o peixe, mas a vara. Pode ficar tranquilo que os empreendedores nao vao desanimar porque a aliquota para eles passou de 27,5 para 30% caro Constantino. Eles ainda terão oportunidade de juntarem bilhoes para nao saberem o que fazer. Mas, de qualquer forma, nesse nosso país IMBECIL nao se ensina a pescar, mas se compra voto. Sou totalmente a favor da liberdade e meritocracia, mas essa sua defesa de linearidade nao me faz o menor sentido.

reinaldo disse...

Rodrigo
Uma coisa é defender tributo abusivo sobre os mais ricos. Outra coisa é defender uma taxa maior para os mais ricos. Eu defendo o segundo caso. E vc fala como se o Estado foi uma entidade que surgiu do nada, como se fosse alienígena, sem nenhuma ligação com a sociedade. Mas quem escolhe os representantes nesse Estado numa democracia somos nós. O Estado como papel de distribuidor pode sim ser mais eficiente. Uma coisa é um Estado distribuidor numa ditadura totalitária como na URSS. Outra é numa democracia. O cidadão pode opinar, participar.

Rodrigo Constantino disse...

Bom, ao menos vc já entendeu que se for a mesma taxa, o rico já paga MUITO MAIS imposto, certo? Então vamos mudar a retórica sensacionalista.

O rico paga muito mais e para NÃO USAR quase nenhum serviço público, não esqueça.

E quando falamos de ricos, vamos lembrar também que não são bilionários. Rico, para a Receita, é quem ganha R$ 20 mil mensais!

Só para terminar, o dinheiro dos "ricos" não fica no colchão. Ele não seria melhor usado para consumo dos "pobres". É o capital dos ricos, sua poupança, que gera INVESTIMENTOS produtivos, que gera emprego e riqueza.

Tirar dinheiro de quem produz mais para dar a quem consome mais é focar somente no curto prazo.

reinaldo disse...

Rodrigo
Se for levar para essa questão "rico não usa serviço público", então o pobre deveria contribuir mais do que o rico pois o pobre precisa mais do Estado do que o rico. A verdadeira questão é : quem distribui melhor a renda na sociedade ? o mercado ou o estado ? Eu acho que é o Estado. E quando falo Estado, não é o Estado totalitário comunista. É o Estado democrático, onde todas as classes tem o poder de debater, de escolher seus representantes. E esse mesmo Estado democrático que é criticado por vc, é criticado pelos comunistas. É esse pensamento darwinista que leva a revoluções, aumento de violência e outras coisas. Para os mais capazes, mais empreendedores, tudo ! Para os "perdedores sociais", nada ! Que se virem ! A França pré-1789 pensava assim, e vimos o que deu. A legislação social alemã começou com Bismarck porque ele sabiamente acreditava que a melhor maneira de estabilizar um regime era o Estado amparar os mais pobres. No mercado prevale a lógica do "cada por si".
E essa lógica de "os ricos devem ser preservados porque seus gastos geram investimentos" é parecido com o pensamento da política econômica do regime militar que a concentração de renda aumentaria os investimentos. Aliás, é isso o que vc prega de maneira implícita : concentrar a renda nos ricos porque eles investem. Os pobres só consomem.

Anônimo disse...

Rico devia pagar mais...dependendo da definição de rico...Warren Buffet tb concorda

Anônimo disse...

'Eles ainda terão oportunidade de juntarem bilhoes para nao saberem o que fazer.'

Frase típica de quem não tem a menor idéia do que é ser um empreendedor

Rodrigo Constantino disse...

Reinaldo, o estado distribui tao bem a renda que Brasilia tem a maior renda per capita do país!

Anônimo disse...

'A França pré-1789 pensava assim, e vimos o que deu.'

Na verdade ali os 'empreendedores' faziam parte do terceiro estado

reinaldo disse...

Rodrigo
Pelo visto a renda per capita de Brasília vai diminuir. Os gastos com pessoal teve uma queda de 1,8% em termos reais em 2011. Será que pelo menos nisso a Dilma irá ganhar um elogio seu ?

Rodrigo Constantino disse...

Isso foi alguma piada?

A renda per capita de Brasília é muito maior que a de SP!!!! E o que produz Brasília, além de leis idiotas e corrupção?

Anônimo disse...

Afinal de contas, não fazer distinção entre ricos e pobres é algo sagrado na democracia, não?

Angelus Cassiel disse...

"Corte mais cara do País, TJ-DF gasta com pessoal 5 vezes mais que Supremo
Folha de pagamento será de R$ 1,4 bi neste ano; contracheque supera R$ 400 mi no caso de um desembargador"
(Estadao)

Deve ser assim que Brasilia distribui renda...

IvanFR disse...

RODRIGO, o que o Reinaldo e o outro Rodrigo estão a defender quando falam em "taxa" maior de impostos para os mais ricos (na verdade seria uma alíquota maior incidente sobre uma base de cálculo também bem maior) é a idéia de maior contribuição por parte de quem tem maior "capacidade contributiva" (conceito jurídico extraído do Direito Tributário).

Ex: um sujeito que aufere rendimentos de 100 mil reais mensais, se estivesse sujeito a uma alíquota de imposto de renda de 30%, ainda assim lhe restariam 70 mil reais mensais (o que torna a alíquota de 30% para esse sujeito - apesar de alta - longe de ser "confiscatória", em termos jurídicos). Já um sujeito que aufere rendimentos de 5 mil mensais, se estiver sujeito a uma alíquota de 10%, lhe restarão 4.500 reais mensais, o que torna a alíquota de 10% bastante "pesada" para ele.

Note que a diferença de renda entre as duas pessoas imaginadas, mesmo com as alíquotas discrepantes, ainda assim seria de quase 16 vezes maior a favor do mais rico (que aufere 100 mil mensais e ficaria com 70% depois de pagar o IR).

E mesmo que o mais rico utilizasse serviços privados na área de educação e saúde (o que é bastante provável que aconteça) ele poderia deduzir esses gastos no pagamento de seu IR, o que reduziria bastante a "injustiça" dessa diferença de alíquota.

Enfim, RODRIGO, espero que tome isso como uma crítica construtiva (até pelo fato de eu não estar postando como anônimo), mas vejo muitos economistas por vezes mostrarem um grande desconhecimento com relação a institutos jurídicos de Direito Tributário e Econômico (mas isso também ocorre com os juristas em relação à ciência econômica...rss). Acredito que as duas "ciências" (Direito e Economia) deveriam andar mais interligadas...

PS: só pra lembrar que no atual sistema tributário brasileiro tanto o sujeito que ganha 100 mil mensais como o que ganha 5 mil pagam uma alíquota de 27,5% de imposto de renda, ao contrário do que ocorre em outros países onde a alíquota é crescente conforme a renda cresce.

Tiago Garcia disse...

Caro IvanFR,

" um sujeito que aufere rendimentos de 100 mil reais mensais, se estivesse sujeito a uma alíquota de imposto de renda de 30%, ainda assim lhe restariam 70 mil reais mensais"

A questão não é o peso do imposto na renda do individuo. O que o Rodrigo questiona é muito mais "em baixo". O problema é com quem esses "30%" seriam alocados mais eficientemente? A)Com o Estado gerindo; B)Transferidos diretamente para os mais pobres; C)Na mão do empreendedor que fez por merece-lo.

Cara, essa pergunta é central e muito difícil de ser respondida. Não caia na vala dos comuns para dar a resposta mais "fácil". É aqui que nós temos que levar o debate a sério.