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quinta-feira, julho 25, 2013

A história de Verissimo

Fonte: Veja

Rodrigo Constantino

O cronista Luis Fernando Verissimo acredita no fatalismo da História, ou até pior, em uma teleologia da História. Esta, segundo o escritor, tem não só um curso já definido, como um propósito. 

É a velha visão hegeliana e marxista, tão cara aos socialistas que, a despeito de todos os fracassos desta utopia, insistem em crer que um dia ela irá vingar e instaurar o paraíso terrestre.

Em sua coluna do GLOBO de hoje, Verissimo diminui a atuação individual de pessoas como Nelson Mandela, Gandhi e Martin Luther King Jr. Diz o saxofonista gaúcho:

O poder da História de fazer acontecer o necessário, à revelia da iniciativa humana, soa como ortodoxia marxista, eu sei, mas consolemo-nos com a ideia de que a História pode nos ignorar, mas está do nosso lado.

Como assim do "nosso lado"? Lado de quem, cara-pálida? Dos socialistas? Daqueles que defendem a ideologia responsável por deixar um rastro de sangue na História? O regime que trouxe somente terror, escravidão e miséria ao mundo? 

Isso sem falar que não havia nada de inexorável nesse destino cruel que ceifou a vida de milhões de inocentes. Ele foi fruto das ações individuais de intelectuais e políticos que acreditaram nessa farsa, que embalaram com belos slogans a pura inveja mesquinha que é o socialismo. 

Não! A História não tem curso definido algum, tampouco dispensa a responsabilidade individual. São indivíduos, para o bem ou para o mal, que fazem toda a diferença. Posso entender um socialista desejar ignorar isso, e abraçar a tese hegeliana de determinismo histórico. Mas isso é pura balela, mentira, fuga para quem não quer encarar o fardo das decisões individuais que mudam a História.

Isaiah Berlin combateu esse determinismo. Sua tese era de que existem duas razões principais para se defender a doutrina do determinismo humano. A primeira seria uma extrapolação das ciências naturais descobertas pelos cientistas. Muitos philosophes do século 18 sustentavam isso. A questão não seria se os homens estão livres ou não de leis naturais, mas sim se sua liberdade se dissipa totalmente com elas. 

A segunda razão para crer no determinismo seria devolver a responsabilidade por muitas coisas que as pessoas fazem a causas impessoais. Assim, eximem-se de culpa. As pessoas não teriam como evitar seus erros. Isaiah cita como exemplo o marxismo, baseado num determinismo histórico, mostrando inclusive a contradição de se arriscar numa perigosa revolução quando o futuro já está determinado. Tanto risco assim apenas para tentar antecipar o que é certo faz sentido?

Para quem quiser se aprofundar um pouco mais no tema do determinismo histórico marxista, que Verissimo aprecia tanto, recomendo a leitura desse meu artigo, com base em Mises. Ficará claro que Verissimo tem culpa no cartório sim, ao defender por tanto tempo o nefasto modelo socialista.

O enigma Hollande

Rodrigo Constantino

O editorial do GLOBO de hoje mostra a perda de aprovação do presidente socialista da França. Hollande ainda não teria mostrado a que veio. Diz o jornal:

O socialista François Hollande foi eleito na França com a promessa de ser um presidente “normal”, em contraposição à agitação e à volatilidade do rival, Nicolas Sarkozy. O argumento foi bem-sucedido na eleição, mas se mostra insuficiente para governar. Pouco mais de um ano após assumir, só 26% dos franceses o aprovam, o mais baixo índice desde 1958. A persistência da estagnação econômica e do desemprego (11%) conspira contra um político cuja liderança não convence.

[...]

Hollande segue sem convencer que seu governo será capaz de recolocar o país nos trilhos. Até porque, segundo a maioria dos analistas, isso demandaria reformas para reduzir a burocracia, os gastos e o peso do Estado na economia, estimular o aumento da produtividade no setor estatal e no privado, flexibilizar leis trabalhistas e fazer reformas como a do modelo de previdência social, deficitário. Esta última vem desafiando os últimos líderes franceses, confrontados com o poder dos sindicatos, que podem parar o país ao menor sinal de perda de privilégios. Hollande quer iniciá-la em setembro.

Sua situação é difícil. A maioria socialista na Assembleia Nacional caiu para cinco cadeiras, após derrotas em eleições isoladas. Hollande depende mais do que nunca do apoio dos Verdes e de grupos de esquerda que são, no mínimo, céticos sobre a política econômica do chefe de Estado. Ele ainda tem tempo para mostrar a que veio. Não se sabe é se tem o que mostrar.

De fato, Hollande tem se mostrado um líder medíocre, na melhor das hipóteses. Mas isso não é surpresa, ou não deveria ser. Se esquerdistas como Verissimo ficaram empolgados com sua vitória, liberais como eu apontaram, logo na largada, que a França não tinha como decolar com ele. Hollande representa as idéias equivocadas e atrasadas da esquerda, que pensa ser possível produzir riqueza tirando dos ricos e dando aos pobres. Isso nunca funcionou na história, e nunca vai funcionar.

Apostar no fracasso de governos socialistas é algo tão certeiro quanto apostar nas fases da Lua. Por isso eu nem posso me gabar deste vídeo, gravado à época da vitória de Hollande. Já quanto aos esquerdistas como Verissimo, que celebraram sua vitória, terão de se fazer de desentendidos uma vez mais. É sempre assim. Não há enigma algum aqui. Socialismo não tem como funcionar, ponto.


quarta-feira, julho 24, 2013

Socialismo na saúde

Rodrigo Constantino

O setor de saúde no Brasil está cada vez mais socializado. Segundo matéria no jornal O GLOBO, o Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou que as instituições privadas de ensino que estiverem dispostas a fazer doações ao Sistema Único de Saúde (SUS), na forma de investimentos em prédios ou equipamentos, terão vantagens na disputa para abrir novas faculdades de Medicina no país. 

Diz o jornal: "As doações ao SUS e o preço das mensalidades serão critérios para o governo estabelecer os vencedores dos editais que serão abertos para a criação de cursos privados de Medicina".

O MEC mudou o sistema de criação de faculdades de Medicina no país. Pelo modelo anterior, considerado pelo MEC um "balcão de negócios", cabia às instituições de ensino indicar o local onde gostaria de abrir cursos, e o ministério se limitava a avaliar a qualidade das propostas. 

Pelo novo sistema, "só poderão ser criadas faculdades de Medicina em municípios determinados pelo governo, que levará em conta a demanda por médicos e a infraestrutura de saúde disponível". 

Isso é um absurdo. Isso é um regime praticamente socialista. O livre mercado passa mais longe desse modelo do que Plutão da Terra. Pela ótica liberal, como deveria funcionar? Ora, abre faculdade de Medicina quem quiser, inclusive grupos estrangeiros. Cabe ao MEC, se for o caso, somente avaliar a qualidade técnica do curso, e olha lá. 

Normalmente, o próprio mercado é melhor juiz, pois a faculdade "caça-níquel" que oferecer curso de péssima qualidade será punida pelos próprios usuários. Médicos "formados" nesses cursos não vão conseguir bons empregos em lugares decentes, tampouco passar em concursos públicos.  

Mas o governo detesta a liberdade do mercado. Ele quer não só dizer quem pode abrir um curso, como onde abri-lo, usando ainda por cima um critério absolutamente ridículo de exigir contrapartida de investimento no SUS (chantagem financeira, o que só favorece grandes grupos e prejudica a concorrência, criando cartéis no setor).

O Brasil caminha cada vez mais, sob o governo do PT, na direção socialista. O governo quer controlar tudo, intervir em tudo, nos mínimos detalhes. Sabemos que isso não tem como funcionar. Já conhecemos de antemão o resultado dessas medidas: a deterioração na qualidade do ensino, o aumento da corrupção, decisões eleitoreiras na hora de conceder o direito de abrir um novo curso etc.

Socialismo nunca funcionou nem na produção de papel higiênico. Não é diferente para produzir bons cursos de Medicina. A socialização da Medicina é a pá de cal que faltava para piorar ainda mais esse sensível setor. A sociedade vai pagar o preço, como sempre.

quinta-feira, julho 18, 2013

Sumiu o trigo argentino

Rodrigo Constantino

O socialismo tem uma incrível constância: onde ele é adotado, em pouco tempo há "fartura" geral, isto é, "farta" comida, "farta" papel higiênico, "farta" tudo! A escassez é o único resultado possível sob o socialismo. Sempre foi assim, e sempre será. Mises e Hayek já explicaram os motivos de forma irrefutável.

E eis que a Argentina vai ficando até sem grãos! Tradicional país exportador de commodities, responsável pela fortuna de Onassis em tempos áureos, o país vizinho vai definhando rapidamente sob o controle estatal de Kirchner. A Argentina teve a pior colheita de trigo dos últimos 111 anos. Isso mesmo: há um século atrás, o país conseguia produzir mais trigo do que hoje. Diz a reportagem:

Produtora de trigo por excelência, a Argentina ficou impossibilitada não só de abastecer a demanda brasileira do cereal, mas também a doméstica. O fraco desempenho do trigo levou a uma severa crise no abastecimento doméstico, cujo preço do produto tornou-se o mais alto do mundo, atingindo valores superiores a US$ 520/ton.

O retrocesso da safra de trigo foi resultado da mistura de intempéries climáticas, intervenção oficial no preço interno e restrições às exportações. Desde 2007, a área cultivada com trigo vem sofrendo cortes, como resposta dos produtores à intervenção oficial.

Segundo deputado opositor Julio César Martínez (União Cívica Radical/UCR), a próxima safra de trigo, cujo plantio já começou, "também estará praticamente perdida porque o produtor não tem estímulo". Ele apresentou um projeto de lei para acabar com as retenções (as alíquotas de exportações) e proibir as barreiras às exportações. O texto determina que o governo terá a obrigatoriedade de fixar, no primeiro trimestre de cada ano, o volume necessário para atender a demanda doméstica. O restante da produção, pelo projeto, ficaria livre para exportação sem qualquer tipo de restrição.

Martínez explicou que, se o produtor tiver liberdade de vender sua colheita, terá estímulo para plantar cada vez mais. O deputado defende ainda, no texto, créditos do Banco de la Nación, equivalente ao Banco do Brasil, com taxas e prazos acessíveis ao pequeno e médio produtor e um ano de carência. O deputado afirmou que é um fracasso a política de intervenção aplicada pelo governo de Cristina Kirchner, executadas pelo secretário de Comércio, Guillermo Moreno.

Que a desgraça previsível da Argentina sob o socialismo crescente nos sirva de lição!

quarta-feira, julho 17, 2013

O que sobrou do socialismo

Fonte: EXAME
Rodrigo Constantino

Deu na EXAME: Panamá retém navio da Coreia do Norte que levava material bélico de Cuba.

As autoridades panamenhas retiveram em Colón, no litoral do Caribe, um navio de bandeira norte-coreana com uma carga de açúcar procedente de Cuba, na qual armas de guerra foram encontradas, anunciou o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli.

"O navio vinha de Cuba com destino à Coreia do Norte", afirmou Martinelli, que indicou que, "ao tirar a primeira camada" de açúcar da carga, as armas foram encontradas em dois contêineres.
O presidente panamenho, que pediu às autoridades do porto de Manzanillo averiguarem o fato, confirmou que se trata de "material bélico e balístico". Perguntado sobre a possibilidade de mísseis fazerem parte deste carregamento, Martinelli afirmou desconhecer o tema.
As imagens reproduzidas na televisão local mostraram parte das armas achadas, uns artefatos grandes e alongados de cor verde, arrematados com uma ponta cônica, que estavam ocultos sob as lonas.
"Que o mundo saiba que material bélico não declarado não pode passar pelo Canal do Panamá", afirmou Martinelli, que também ressaltou que tanto o capitão do navio como os 35 tripulantes, que se encontram detidos, travaram uma forte resistência.
É realmente lamentável ver no que os dois últimos países mais fiéis ao regime socialista se transformaram. Não foi por falta de alertas por parte dos liberais, desde o começo, enquanto muitos "intelectuais" sonhavam com as maravilhas do igualitarismo. Os economistas austríacos Mises e Hayek, por exemplo, mostraram como o modelo socialista levaria ao totalitarismo e ao caos econômico. Não deu outra.

Hoje, ambos são países criminosos, mafiosos, que mantêm o povo inteiro refém, como gado bovino, enquanto seus governantes praticam todo tipo de ato ilícito, como exportação de drogas, foco de prostituição infantil, venda de armas ilegais etc. E pensar que Cuba chegou a ter mísseis poderosos apontados para a Flórida! Fidel e Raúl desejavam usá-los, o que seria, sem dúvida, o começo da Terceira Guerra Mundial.

O socialismo foi, sem dúvida, o maior equívoco da história. Quantas vidas destruídas em nome dessa utopia! O mais triste, além do sofrimento de todos que vivem sob esses regimes anacrônicos remanescentes, é o fato de que muitos ainda não abandonaram suas ilusões, seus sonhos, esta utopia assassina. Isso é ao mesmo tempo espantoso e assustador.

sábado, julho 13, 2013

Inanição é assassinato?

Fonte: O GLOBO
Rodrigo Constantino

A capa do caderno Prosa & Verso do GLOBO de hoje estampa a foto de um menino de dois anos, africano, que sofre de inanição. O choque é imediato para todos aqueles com um pingo de sensibilidade e empatia. É revoltante! 

A reportagem fala do livro do sociólogo suíço Jean Ziegler, que foi relator da ONU por oito anos. Para Ziegler, que é professor em Sorbone, se há alimento suficiente sendo produzido no mundo e crianças morrendo de fome, isso é assassinato. Será?

Uma reflexão mais imediata diria que sim. Se sobra de um lado e falta do outro, então só pode ser um ato intencional, um crime, um assassinato em massa. Mas esse é um pensamento simplista, emocional e, acima de tudo, equivocado, que leva ao socialismo e que, como resultado prático, seria responsável pela morte de muito mais gente. Explico.

Faltam casas de um lado, e tem gente com duas casas do outro. Sobram roupas em alguns armários, e faltam em outros. Claro está que, no limite, esse tipo de raciocínio vai levar ao socialismo igualitário, onde "alguém" (o estado) será responsável por equilibrar os resultados, por tirar de João e dar a Pedro, por invadir a casa de Maria e abrigar nela Ana. Sabemos como todas as experiências desse tipo terminaram: com fome, miséria e escravidão.

A fome não é um grave problema nos países mais capitalistas. Curiosamente, o suíço pensa que o problema está justamente... no capitalismo! Alguns ainda chegam ao descalabro de acusar o capitalismo pelo fracasso africano, como se este continente tivesse alguma mísera ponta de sistema capitalista. Não tem! O que falta na África é capitalismo, livre mercado, respeito à propriedade privada, ao lucro obtido honestamente em trocas voluntárias etc. 

O sociólogo não quer saber de nada disso, não quer entender como funciona o livre mercado, a especulação, nada disso. Ele prefere observar uma disparidade que revolta, e acusar o lado rico, como se este fosse responsável pelo lado pobre. O suíço, que vive do lado rico, pensa que atacando a riqueza vai reduzir a miséria. É uma crença estúpida. Ele diz, demonstrando sua ignorância sobre economia:

São vários os mecanismos que matam. A primeira explicação é a especulação nas bolsas de commodities com alimentos como trigo, arroz e milho, que correspondem a 75% do consumo mundial de alimentos. [...] Essa especulação, que infelizmente é legal, produz lucros astronômicos para os fundos e mortes nas favelas. Nos últimos dois anos, o preço do milho no mercado mundial aumentou 63%. A tonelada de trigo dobrou. [...] Quando os preços explodem, os mais pobres não conseguem comprar os alimentos. [...] Esses especuladores de alimentos devem ser colocados diante de um tribunal internacional por crime contra a Humanidade. São diretamente responsáveis pela morte de milhares de pessoas.

Falta, aqui, um mínimo de conhecimento sobre o assunto. Ele observa o sintoma e o confunde como a causa. Os preços sobem porque há estímulos monetários de bancos centrais, porque governos criam inflação para não cortar gastos, mas não porque há especulação (que sempre houve, diga-se de passagem). Ele acusa o termômetro pela febre!  Nesse meu artigo, tento explicar melhor as funções dos especuladores. Seria melhor se focássemos nas raízes dos problemas, não em quem tenta arbitrá-los.  

Nesse outro artigo, eu uso Hayek para explicar em maior profundidade a questão do problema econômico. Infelizmente, poucos buscam esse tipo de conhecimento mais detalhado acerca do funcionamento da economia. Sem esse instrumento, porém, a chance de errar no diagnóstico é altíssima. Como estamos cansados de saber, o inferno está cheio de boas intenções. O sociólogo suíço está nesse grupo, quando diz:

É um problema estrutural do neoliberalismo. O neoliberalismo puxa a liberalização total de todos os circuitos de mercados, capitais, serviços, patentes, a privatização de todos os setores públicos, o desmantelamento do poder normativo do Estado. As multinacionais têm nas mãos um enorme poder político e financeiro e escapam a todo controle social. Do outro lado, há uma maioria que sofre fome, epidemias, ausência de direitos fundamentais.

Esse meu outro artigo refuta essa falsa dicotomia criada pela esquerda, entre lucro ou vidas. Lamento o fato de que o tipo de discurso usado pelo sociólogo ainda conquiste tanta gente leiga. É um discurso sensacionalista, que vende bem, que coloca seu autor como um altruísta preocupado com os mais pobres e famintos, contra os gananciosos empresários que só querem lucrar. Nada mais falso! 

Tenho convicção de que quem ainda tem dúvidas, irá dissipá-las após a leitura dos textos indicados. Os argumentos são claros, os exemplos históricos também. É preciso ter embasamento econômico para não ser vítima dessa retórica demagógica que, em nome de fins nobres, produz apenas mais miséria e inanição. Isso, sim, pode ser visto como um assassinato indireto: vender ideologia socialista por aí.

terça-feira, julho 09, 2013

Perfume francês fedorento

Rodrigo Constantino

Reportagem no Valor mostra que investimentos na França estão recuando:

A economia francesa enfrenta um problema crescente em sua luta para criar empregos e sair da recessão: apesar dos juros baixos, companhias e empresários estão reduzindo seus investimentos. Eles estão adiando planos de ampliação de fábricas já existentes e cancelando os projetos para construção de novas unidades.

Por trás da relutância está uma combinação difícil. Os impostos mais altos e a concorrência estrangeira mais barata derrubaram as margens de lucro das companhias francesas ao menor nível desde 1985 - reduzindo a capacidade das empresas de suportar riscos. Ao mesmo tempo, líderes empresariais afirmam que os desafios das taxas de juros imprevisíveis e a burocracia francesa sempre em mutação também estão aumentando.

"Precisamos do mínimo de incerteza possível, mas em vez disso há cada vez mais", disse Pierre-André de Chalendar, diretor-presidente da firma de materiais de construção Compagnie de Saint-Gobain, em um encontro anual de líderes empresariais franceses e autoridades econômicas, realizado no domingo em Aix-en-Provence.

[...]

Economistas afirmam que o declínio é especialmente preocupante na França por causa da menor lucratividade das empresas do país. O lucro bruto por ação, ou margem bruta - uma medida padrão das margens de lucro -, das empresas não financeiras na França ficou em 25,7% no fim do ano passado, em comparação à média de 35,2% da zona do euro, segundo dados da agência europeia de estatísticas Eurostat. Com isso, as companhias francesas terão uma propensão menor a aumentar os investimentos quando a demanda melhorar, ameaçando as perspectivas de crescimento da zona do euro como um todo.

A economia francesa já está sofrendo. O PIB ficou estagnado em 2012 e a economia entrou em recessão na virada do ano. A Insee disse no mês passado que espera uma contração econômica de 0,1% em 2013, em comparação a 2012.

Um número crescente de líderes empresariais culpa as políticas imprevisíveis do governo pela falta de investimentos. Após o governo empurrar uma conta de €20 bilhões em novos impostos para reduzir o déficit fiscal neste ano, líderes empresariais temem agora uma reorganização do sistema previdenciário que poderia envolver maiores contribuições dos patrões. E na semana passada o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault prometeu mudanças nos impostos no ano que vem, para o fornecimento de incentivos ambientais.

"O verdadeiro problema é essa mudança permanente nas regras. Isso segura os investimentos", disse Didier Lombard, presidente do conselho de administração da STMicroelectronics, a maior fabricante de semicondutores da Europa. "É preocupante."

Quando o socialista Hollande venceu as eleições na França, gravei um vídeo alertando que a situação econômica iria se deteriorar. Não deu outra. Nem é possível cobrar créditos por esta previsão; ela era fácil demais. Os socialistas têm esse dom de estragar tudo aquilo que tocam. A explicação é óbvia: quando o governo maltrata empresários, aqueles que criam a riqueza do país, eles costumam reagir. Quem paga a conta é o povo, sempre.

O modelo estatizante francês é como um falso perfume, que parece atraente de fora, mas que solta um odor terrível de perto. A expressão laissez faire surgiu justamente na França, como resposta às intervenções de Colbert. Os empresários querem ar, precisam de mais liberdade, menos impostos e burocracia, para produzir riqueza. Com socialistas no caminho, essa tarefa se torna praticamente impossível.  

quinta-feira, maio 23, 2013

Concorrência entre governos faz bem

Rodrigo Constantino

“Nós não podemos aceitar que certo número de companhias se coloque em situações para evitar o pagamento de impostos de maneira legal. Nós devemos coordenar ações em nível europeu, harmonizar nossas regras e apresentar estratégias para acabar com essa prática”, disse o presidente socialista francês, François Hollande. O assunto veio à tona após a descoberta de que a Apple teria usado mecanismos legais para reduzir o pagamento de impostos.

O que queria o socialista? Que as empresas não tentassem minimizar pelas vias legais seus pesados impostos para sustentar o falido “welfare state” e as boquinhas de políticos? Ou talvez que usassem meios ilegais para tanto, como fazem justamente poderosos políticos, alguns apontados em escândalos recentes dentro do próprio governo Hollande?

Certo está o senador Republicano Rand Paul, que fez um duro ataque ao próprio Congresso americano, em defesa da Apple. Ele questionou se algum membro do Parlamento ali presente, por acaso, não fazia o que era possível pela lei para pagar menos impostos. Depois, lembrou que o grande responsável por isso são os próprios políticos, que criam inúmeros impostos e gastam US$ 4 trilhões dos “contribuintes”. “Querem um culpado pela situação? Que tragam um enorme espelho para o Congresso”, clamou corajosamente Rand Paul.

Quando empresas atuam num ambiente de livre concorrência, o maior beneficiado é sempre o consumidor. Afinal, a empresa precisa buscar sempre maior eficiência para sobreviver, e isso normalmente implica em menores preços finais, decorrentes dos ganhos de produtividade.

Curiosamente, esta lógica não se aplica à concorrência entre governos, segundo muitos economistas. Eles chamam de “guerra fiscal” a competição entre governos na busca por investimentos produtivos, deixando claro o tom negativo da disputa. Por trás disso, reside uma mentalidade de que menos imposto é algo ruim, ou seja, que recursos nas mãos do governo são mais bem utilizados que nas mãos privadas. Não há nem lógica econômica, nem evidência empírica para sustentar esta visão.

A globalização tem gerado incríveis avanços para a humanidade. Entre eles, uma das grandes mudanças positivas é justamente a maior competição entre governos. Com a maior mobilidade de capitais, as empresas podem transferir suas sedes para qualquer nação, mantendo a produção nos países mais competitivos. Isso força uma busca por maior eficiência por parte dos governos, levando a menores impostos e burocracia, caso contrário haverá grande perda de investimentos.

O federalismo dentro de um país é algo bom. Gera concorrência entre estados e o eleitor pode votar com o pé. A mesma lógica se aplica em nível global, entre países. Governos gastam muito mal, pois os incentivos não são adequados, e a corrupção é sempre maior. Portanto, qualquer coisa que contribua para reduzir a receita tributária é positiva, pois somente isso vai impor limites nos gastos públicos.

Nesse contexto, fica claro que o termo “guerra fiscal” só interessa mesmo aos consumidores de impostos, não aos seus pagadores. Faz mais sentido falar em “competição fiscal”, e todos os consumidores sabem que a competição é seu maior aliado. David Cameron, o primeiro-ministro conservador britânico, está certo quando diz: “Eu acredito em impostos baixos para os negócios, porque temos que encorajar investimentos. Eu quero que o Reino Unido seja vencedor na corrida global”.


Essa corrida é boa para todos, à exceção dos parasitas do estado. Hollande, como todo socialista, pensa o contrário: ele quer impedir a corrida, para que as lesmas paquidérmicas possam desfrutar do trabalho alheio sem o incômodo das ágeis lebres. Por isso detestam concorrência. A Apple merece nosso apoio; Hollande e demais socialistas, nosso repúdio. Viva a concorrência!

terça-feira, abril 30, 2013

O risco bolivariano

Meu artigo de hoje no GLOBO fala sobre o risco bolivariano constante no Brasil. Os petistas não desistem da tentativa de golpe contra a Constituição. 

Não existem mais valores objetivos, ninguém pode julgar nada, vale tudo, e quem discorda sofre de preconceito e é moralista. Com essa agenda politicamente correta, os socialistas modernos vão impondo uma mentalidade fascista que, em nome da “tolerância” e da “diversidade”, não tolera divergência alguma.

Leia o artigo na íntegra aqui, e divulgue se concordar com o alerta.


quinta-feira, novembro 08, 2012

Royalties socialistas

Rodrigo Constantino

Não deixa de ser curioso ver a reação da classe artística e da esquerda caviar como um todo na questão dos royalties do petróleo. Vão tirar recursos do Rio, e isso não pode! É aqui que se produz o petróleo, corre-se o risco de vazamentos, poluição etc. Não é justo, em nome da igualdade, dividir os recursos com os demais estados. 

Sim, crítica absolutamente legítima, claro. Mas um tanto incoerente com o socialismo pregado pela turma dentro do próprio estado! Não é exatamente esse o discurso esquerdista? Que os ricos devem pagar mais em nome da igualdade? Então! Os deputados levaram o recado a sério e querem meter a mão no butim. Os cariocas reclamam agora porque dói no bolso? 

Mas a partilha dos royalties é exatamente o que prega a cartilha socialista! Tirar do Rio e mandar para o Maranhão de Sarney! Isso é socialismo, gente! Não gosta dele? Não acha justo o Rio perder estes recursos? Então ao menos enterra o discurso socialista de vez, para TODAS as ocasiões! 

Dentro do estado, do país, do município, não é mais justo coisa alguma transferir recursos dos mais ricos para os mais pobres em nome da igualdade. Isso é socialismo, e isso é injusto e ineficiente. Entenderam agora?

quinta-feira, outubro 11, 2012

Ironia da história

Carlos Alberto Sardenberg, O GLOBO

Vamos falar francamente: os jovens da esquerda revolucionária dos anos 60 e 70 nunca lutaram pela democracia. Não, pelo menos, por esta que temos hoje e que vem sendo aperfeiçoada desde 1985. Todos que participaram dos partidos, movimentos, vanguardas e alas daquela época sabem perfeitamente que se lutava pela derrubada do capitalismo e pela implantação aqui de um regime tipo cubano. E, se não quiserem ou não acreditar em depoimentos pessoais, basta consultar os documentos produzidos por aqueles grupos.

Poderão, então, verificar, que a única grande divergência entre eles estava no processo. Para alguns, a revolução comunista viria pela guerrilha a partir do campo, no modelo cubano. Para outros, o capitalismo seria derrubado pela classe operária urbana que se formava no Brasil em consequência do próprio desenvolvimento capitalista.

Derrubar o regime dos militares brasileiros não era uma finalidade em si. Aliás, alguns grupos achavam que a instauração de uma "democracia burguesa" seria contraproducente, pois criaria uma ilusão nas classes oprimidas. Estas poderiam se conformar com a busca "apenas" de salários, benefícios, casa própria, carro etc., em vez de lutarem pelo socialismo.

Pois foi exatamente o que aconteceu. E, por uma dessas ironias da história, sob a condução e a liderança de Lula! Uma vez perguntaram a Lula, preso no Dops de São Paulo: você é comunista? E ele: sou torneiro-mecânico.

Uma frase que diz muito. De fato, o ex-presidente jamais pertenceu à esquerda revolucionária. Juntou-se com parte dela, deixou correr o discurso, mas seu comportamento dominante sempre foi o de líder sindical em busca de melhores condições para os trabalhadores da indústria. Líder político nacional, ampliou seu objetivo para melhorar a vida de todas as camadas mais pobres, não com revolução, mas com crédito consignado, salário mínimo e bolsa família, bens de consumo e moradia, churrasco e viagens. Tudo pelas classes médias.

Mas por que estamos falando disso? Certamente, não é para uma cobrança tardia. É por causa do julgamento do mensalão, mais exatamente por causa das reações de José Dirceu, José Genoino e tantos outros membros do PT.

Os dois ex-dirigentes condenados deram notas escritas, cujo conteúdo tem dois pontos contraditórios. De um lado, tentam passar uma ilusão, a de que lutavam pela democracia desde os anos 60. De outro, desqualificam essa democracia ao dizer que a decisão do Supremo Tribunal Federal, poder central no regime democrático, foi um julgamento de exceção e de ódio ao PT, promovido por elites reacionárias que dominam a imprensa e a Justiça. Eis o velho discurso: a democracia é burguesa, uma farsa que só favorece os ricos.

Ao mesmo tempo, dizem que a vida do povo, dos mais pobres, melhorou e muito sob o governo do PT. Ora, em qual ambiente o PT cresceu, o presidente Lula ganhou e governou? Nesta nossa democracia que, entre outras coisas, levou a este extraordinário momento: Lula e Dilma indicaram os juízes do STF que condenaram Genoino e Dirceu.

O movimento estudantil dos anos 60 e 70 foi uma tragédia. Foram para a política os melhores rapazes e moças. E a política, por causa da ditadura local e da guerra fria global, e mais a ideologia esquerdista então dominante na intelectualidade e na academia, levou à luta armada. Tratava-se de um tremendo engano político. Como acreditar que uma guerrilha dentro da floresta amazônica poderia terminar com a tomada do poder em Brasília? Estava claro que a nova classe operária, como os trabalhadores da indústria automobilística, com seu líder Lula, sequer pensava em Cuba, mas sonhava com o padrão de vida dos colegas de Detroit. E os sindicalistas, com posições no governo.

E assim, jovens idealistas e com o sentimento de dever, perderam a vida, foram massacrados em torturas, banidos pelo mundo, famílias arrasadas. É um milagre que tantos deles tenham conseguido recolocar de pé a vida e estejam aí prestando serviços ao país.

Mas não serve para nada tentar esconder essa história. Em vez de tentar mudar o passado, melhor seria uma revisão, uma crítica serena, favorecida pelo tempo passado. Mesmo porque, sem essa crítica, ocorrem as recaídas que, estas sim, podem perturbar o ambiente político.

Felizmente, a democracia, modelo clássico, de Ulysses, Tancredo, Montoro, venceu, não sem uma ajuda dos jovens dos anos 60 e 70.

segunda-feira, setembro 17, 2012

CRP: Conselho Reacionário Proselitista


O Fla x Flu de Hélio Saboya Filho

Rodrigo Constantino

O advogado Hélio Saboya Filho escreveu um artigo em O Globo hoje claramente em resposta ao meu "A esquerda caviar". Segundo o advogado, eu estaria fazendo "patrulha" ao acusar de hipocrisia os artistas e intelectuais que pregam o socialismo e defendem o voto em Marcelo Freixo, do PSOL. Diz ele:

Combinação de intolerância com anacronismo, o raso raciocínio tem a "qualidade" de atingir indistintamente esquerda e direita. Transposto para o mundo do futebol equivaleria a se proibir mulambos de torcerem pelo Fluminense e almofadinhas pelo Flamengo.

Ora, meu caro Helinho Saboya (permita-me a intimidade, o senhor pode não recordar, mas foi advogado de minha mulher em nosso divórcio, hoje felizmente desfeito), comparar socialismo e capitalismo com Fla x Flu só interessa mesmo a um lado: o socialista! Não é uma simples questão de preferência, de gosto subjetivo, como gostar mais do azul que do amarelo. Não!

É uma questão de robustez teórica e ampla, farta, infindável validação empírica! O socialismo, onde foi testado, produziu apenas miséria, terror e escravidão. O capitalismo trouxe o progresso, especialmente para os mais pobres. Portanto, quem defende o socialismo defende algo "intolerante e anacrônico", para usar os termos que o senhor imputa à minha pessoa.

Aliás, ao dar o título de "patrulha" ao seu artigo, e citar Regina Duarte durante as eleições que deram a vitória ao Lula, o senhor consegue inverter tudo! A patrulha, quem faz, é o lado de lá. A esquerda dos artistas e intelectuais que operam em coro organizado contra qualquer um do bando que não abraçar a mesma cartilha sensacionalista (e hipócrita). Pergunte ao cantor Fagner, que deu uma entrevista na Veja alguns anos atrás sobre isso.

No mais, Regina Duarte estava certa em seu alerta, ora bolas. O mensalão não te convenceu disso? O Ancinav, o Conselho Nacional de Jornalismo, a tentativa de expulsar um jornalista gringo do país por acusar Lula de "bebum", o aparelhamento de quase toda a máquina estatal, nada disso foi suficiente para lhe abrir os olhos sobre as reais intenções do PT?

Por fim, seu artigo não respondeu a principal acusação que fiz no meu: nem uma palavra sobre a HIPOCRISIA de se pregar o socialismo enquanto se vive do bem e do melhor que só o capitalismo pode oferecer? O senhor realmente não vê nada demais em defender Fidel Castro de Paris, em enaltecer a igualdade material com milhões no banco?

Nesse caso, não posso lhe ajudar muito. Entendo que advogados aprendem a enxergar ambos os lados sempre, e que defender A VERDADE não costuma ser a maior qualidade da profissão. Mas eu, como juiz isento, preciso dar meu veredicto final de forma direta: os ricos defensores do socialismo são uma cambada de hipócritas!

terça-feira, setembro 11, 2012

Ultraconservadores


Rodrigo Constantino, para a revista Voto

A imprensa brasileira sempre se refere aos Republicanos americanos como “ultraconservadores”. Quando Paul Ryan foi escolhido como vice na chapa de Mitt Romney, o destaque em nossa mídia foi o mesmo em todo lugar: um “ultraconservador” fora apontado para satisfazer os anseios da direita radical do “Tea Party”. Os membros deste movimento chegaram a ser chamados de “fascistas” pelo colunista Arnaldo Jabor em artigo recente.

Faz sentido usar este rótulo? O que defende, via de regra, o Partido Republicano? Quais são as ideias de Paul Ryan? Há alguma semelhança entre tais ideias e o fascismo, cujo ícone máximo foi Mussolini?

Antes de entrar na questão, vale dizer que não nutro muita simpatia pelos conservadores americanos. Considero-me um liberal, não no sentido americano, cuja esquerda “progressista” usurpou até mesmo o termo, que em seu conceito clássico quer dizer mais liberdade individual (entendida como ausência de coerção estatal). E os liberais clássicos possuem importantes divergências com os neoconservadores americanos, que ignoram em boa parte a tradição conservadora inglesa, que data de Edmund Burke.

Dito isso, quais são as principais bandeiras conservadoras nos Estados Unidos hoje? Se dependesse de nossa imprensa, a imagem pintada seria a de um neandertal. Nossos colunistas e jornalistas olham para a direita americana como se esta fosse formada basicamente por fundamentalistas religiosos, saudosistas da era medieval, que adorariam puxar suas mulheres pelo cabelo e manter escravos negros.

Naturalmente, uma pequena parcela da ala mais reacionária pode até se encaixar neste estereótipo, mas não faz nenhum sentido generalizar desta forma. Seria como dizer que todos os Democratas são comunistas que sonham com o modelo soviético, porque eles sem dúvida existem no partido.

Portanto, quando nossos “especialistas” pintam este quadro medonho, de criacionistas que abominam a ciência e de individualistas insensíveis que não ligam para os pobres, podemos estar certos de que se trata de uma caricatura absurda e injusta, feita deliberadamente ou por ignorância. Ao colocarem todos no mesmo saco, pretendem contaminar uma direita legítima com os excessos de um extremo numericamente insignificante.

E o que prega a direita então? Podemos usar até mesmo os radicais do “Tea Party” como exemplo. Sim, há gente extremista ali, manipulada por populistas de plantão. Mas, na essência, a mensagem libertária do movimento não guarda absolutamente nenhuma similaridade com aquilo que poderia ser chamado de “ultraconservador”, muito menos “fascista”. Na verdade, trata-se da antítese do fascismo!

Ora, o “Tea Party” defende muito menos estado, até mesmo um estado mínimo, que interfere muito pouco na vida dos indivíduos. O que há em comum com o fascismo, onde tudo é dentro do estado, para o estado? A visão autoritária, que trata cidadãos como súditos incapazes que necessitam da tutela estatal, está justamente representada pela esquerda democrata americana, cada vez mais intervencionista, a ponto de alguns falarem em “fascismo de esquerda”. Lembremos que o próprio Mussolini foi socialista.

Tentando resumir as principais bandeiras da direita americana, sabendo que vou pecar pelo simplismo, elas seriam: maior autonomia individual, sem tanto controle paternalista estatal; livre mercado, sem tantos resgates e subsídios por parte do governo; uma visão de papel predominante dos Estados Unidos como nação que lidera o mundo pelo exemplo (e pela força, quando necessário); o resgate de valores familiares tradicionais.

O resumo acima é muito reducionista e não abrange a complexidade da política americana. Mas acredito ter abordado os principais pontos, e justamente aqueles que tanto incomodam a nossa esquerda. Você é contra a tentativa de Obama de criar o SUS americano? Você acha que o estado não deve ser empresário nem arrecadar quase a metade do que é produzido pela iniciativa privada em nome da “justiça social”? Você rejeita o aborto e não acha legal ter um filho gay, ainda que respeite as escolhas no âmbito individual? Você não abraça o multiculturalismo sem restrições, por considerar que os valores da civilização Ocidental são superiores ao do Islã? Você é contra a legalização de todas as drogas?

Então parabéns: você é um “ultraconservador” pela ótica de nossa imprensa. Claro que é possível discordar de parte dessas crenças conservadoras sem ser um socialista. Eu mesmo tenho discordâncias com algumas posturas da direita americana, como já disse. Mas isso é bem diferente de rotular alguém de “ultraconservador” só porque não aderiu ao credo politicamente correto dos “progressistas”, defensores de altos impostos, tutela paternalista do estado e total relativismo moral.

Temo o dia em que uma pessoa que discorda da ideia “progressista” de que manter um harém de meninas, meninos e até cabras, ou de tirar à força 75% do ganho dos mais ricos, seja tachado por nossa mídia de “ultraconservador”. O termo perdeu totalmente seu sentido.

quinta-feira, setembro 06, 2012

A liberdade de Chico Alencar


Rodrigo Constantino

O deputado do PSOL Chico Alencar publicou hoje um texto na Carta dos Leitores do jornal O Globo, em resposta ao meu artigo “A esquerda caviar”. Vamos rebater um a um os pontos abordados pelo socialista.

Em primeiro lugar, ele afirma que eu agredi cineastas, músicos e artistas em geral, além de ecologistas e representantes políticos. Não! Eu apenas apontei a hipocrisia de muitos desses artistas e intelectuais, que defendem as “maravilhas” do socialismo, mas gostam mesmo é das coisas que só o capitalismo pode oferecer. O que foi apontado no meu artigo é a esquizofrenia dos admiradores de Fidel Castro que, no fundo, querem mesmo é acumular muita riqueza e despertar o consumismo burguês sem censura.

Depois Chico Alencar diz que eu ofendi a cidadania, ao indagar “o que se pode esperar de um povo que elegeu Saturnino Braga em vez de Roberto Campos para o Senado?” Como assim? Quer dizer que afirmar que os cariocas possuem um histórico de péssimos votos é “ofender a cidadania” agora? Que doideira. Não posso nem mesmo lamentar as péssimas escolhas de meus conterrâneos? Será que Chico Alencar estaria ofendendo a cidadania ao reclamar dos votos que levaram Collor ao poder?

Mas ele continua. Afirma que, para mim, servir ou combater a ditadura não são critérios respeitáveis para o voto. O que? O problema é outro, deputado. Muitos da esquerda a qual o senhor faz parte combateram os militares sim, mas vamos contar a história toda? Eles lutavam por qual causa? A liberdade democrática, por acaso? Nem aqui, nem na China! José Dirceu, o “chefe de quadrilha”, era um defensor da democracia?

A turma que o senhor defende queria era implantar uma ditadura do proletário no Brasil, nos moldes cubanos. Tanto que o ídolo dessa rapaziada era Fidel Castro, simplesmente o mais sanguinário e duradouro ditador da América Latina! Aproveito para lhe perguntar, deputado: o que o senhor pensa de Castro? O que o senhor acha do regime cubano? Satisfeito com a liberdade do socialismo? Poderia apontar um único caso de sucesso do socialismo?

Chico Alencar ainda diz que eu falseei a posição de Freixo sobre as escolas de samba. Eu vi a entrevista do candidato no RJTV. Ele foi bem claro: para ter verba municipal, tem de haver contrapartida cultural. E quem decide isso? Os burocratas apontados pelo governo! Logo, é exatamente como eu disse: o PSOL quer controlar até mesmo conteúdo de samba! Onde está a mentira?

Ainda foi dito pelo deputado que eu preciso me informar melhor sobre a questão de Israel. Ora, eu li o texto do deputado Babá “justificando” seu ato de queimar a bandeira de Israel em praça pública. Portanto, não estou desinformado. E repito o que disse: é uma demonstração de intolerância e desrespeito ao povo judeu queimar a bandeira de Israel dessa forma. Os socialistas acusam a única democracia do Oriente Médio de fascista. Foi por isso que recomendei o livro “Fascismo de esquerda” no meu artigo. O deputado deveria lê-lo...

Para Alencar, eu ataquei todos os que defendem o meio-ambiente. Não! Eu ataquei os ecoterroristas, os alarmistas oportunistas com uma agenda política por trás do movimento ambiental, usado somente como desculpa para mais concentração de poder no estado. Por isso, inclusive, recomendei o livro “Os Melancias”, de James Delingpole. O deputado deveria lê-lo...

Por fim, o deputado apela para o sensacionalismo e tenta monopolizar as virtudes, alegando que liberdade não é apenas a dos donos do capital. E quando foi que eu disse isso? Justamente, a liberdade é muito mais que isso; é, por exemplo, não ter que entregar metade do que ganha para um governo perdulário e corrupto; não ser tratado como um súdito pelos burocratas “iluminados”; enfim, tudo aquilo contrário ao socialismo que Chico Alencar defende.


terça-feira, setembro 04, 2012

A esquerda caviar


Rodrigo Constantino, O GLOBO

            O Rio é vítima de uma verdadeira praga: a “esquerda caviar”, formada por parte da elite financeira e cultural do país. Seus membros posam de altruístas enquanto louvam ditadores sanguinários como Fidel Castro. Do conforto de seus apartamentos em Paris, porque ninguém é de ferro.
            Roberto Campos fez um diagnóstico preciso da árvore genealógica da turma, ao afirmar que “trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola”. Somente isso pode explicar a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda, que admiram o socialismo, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar: “Bons cachês em moeda forte, ausência de censura e consumismo burguês”.
            Um cínico poderia dizer que a hipocrisia é útil. Aproximando-se do poder, esses intelectuais conseguem privilégios e mamatas. A Petrobras, por exemplo, destinou a bagatela de R$ 652 milhões para patrocínios culturais entre 2008 e 2011. É uma montanha de dinheiro capaz de testar a integridade até mesmo de um santo!
            Mas não creio ser apenas isso. Acredito que um dos fatores tem ligação com o sentimento de culpa dessa elite. E convenhamos: nada como uma elite culpada tentando expiar seus “pecados”. Com que facilidade ela adere aos discursos mais sensacionalistas e demagógicos. Chega a dar dó. Em um país que culturalmente condena o lucro e enxerga a economia como um jogo de soma zero, onde José, para ficar rico, precisa tirar de João, o sucesso acaba sendo uma “ofensa pessoal”, como disse Tom Jobim. Essa visão é um prato cheio para produzir uma elite culpada e desesperada para pregar aos quatro ventos as “maravilhas” do socialismo.
            Por isso vemos cineastas herdeiros de banco fazendo filmes que enaltecem guerrilheiros comunistas. Por isso vemos filhos de grandes escritores lambendo as botas de tiranetes latino-americanos. Imagem é tudo.
E estas pobres almas acreditam que, ao louvarem a ideologia que quer destruí-los, conquistarão a fama de abnegados e descolados. Como é fácil falar que o capitalismo não presta quando se é milionário!
            Joãozinho Trinta foi no alvo quando disse que os intelectuais é que gostam de miséria, pois os pobres gostam é de luxo. Nada mais natural do que desejar melhorar as condições de vida. E nada melhor para isso do que o trabalho duro em um ambiente de livre mercado. Lucro e trabalho são sócios nesta empreitada. O grande obstáculo é justamente o governo inchado, obeso, que cria burocracia asfixiante e arrecada quase 40% do que é produzido em nome da “justiça social”.
            Quem labuta para criar riqueza e subir na vida não tem tempo para “salvar o planeta” ou construir “um mundo melhor”. Estas são as bandeiras da esquerda festiva, dos artistas que, do conforto de suas mansões, adoram detonar o capitalismo enquanto desfrutam de tudo de bom que só ele pode oferecer.
Sobre a seita ambientalista, aliás, recomendo a leitura do excelente livro “Os Melancias”, de James Delingpole. A máscara dos alarmistas climáticos que fazem ecoterrorismo cai por completo, expondo a verdadeira face vermelha por trás do movimento verde.
Mas divago. Eis o que eu realmente queria dizer: boa parte da elite carioca gosta de defender candidatos socialistas com discursos messiânicos. Entre uma cerveja e outra, essa turma esbraveja contra os ricos capitalistas e repete como sua utopia salvaria a humanidade das garras dos gananciosos e insensíveis. Depois voltam para seu conforto egoísta com a alma lavada. A retórica vale mais que atos concretos. Garçom, mais uma cerveja!
Foi assim que o brizolismo conseguiu prosperar no Rio, com os aplausos de muita gente da zona sul. Foi assim também que Heloísa Helena, do PSOL (o PT de ontem), conseguiu mais votos no Rio do que em qualquer outro lugar. O que esperar de um povo que elegeu Saturnino Braga em vez de Roberto Campos para o Senado? Essa análise toda foi para chegar ao novo queridinho da elite carioca, o personagem de filme de ação, herói que desafia as milícias. Há só um detalhe: seu partido é aquele que prega o socialismo (com um atraso de duas décadas), que pretende escolher até o tema das escolas de samba, que tem deputado que gosta de queimar a bandeira de Israel em praça pública, demonstrando sua intolerância, além de enorme desrespeito ao povo judeu. Leiam “Fascismo de esquerda”, de Jonah Goldberg. Socialismo e liberdade não combinam. Um é o contrário do outro. Todo regime socialista levou à escravidão e à miséria. Até quando os cariocas vão cair na ladainha dos artistas que adoram o socialismo, lá do conforto de Paris?            

sexta-feira, agosto 24, 2012

Um século de Nelson Rodrigues

Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Não quero falar do voto de Ricardo Lewandowksi que absolve o petista João Paulo Cunha, nem das greves dos “servidores” públicos que assolam o país. Hoje é sexta-feira e de sol aqui no Rio. Falemos de algo melhor. Falemos de Nelson Rodrigues, que nessa quinta faria um século de vida.

Nada como a morte para tornar alguém querido por todos. É no mínimo curioso ver até gente da esquerda elogiando tanto nosso “reacionário” dramaturgo. Ah, se ele estivesse vivo... O fato é que Nelson jamais deu trégua para seus colegas da esquerda. Era paulada atrás de paulada, sempre com seu humor ácido. A canalha fala bem dele só porque agora ele não está mais aqui para detonar suas baboseiras “politicamente corretas”. Então façamos nós isso, resgatando algumas de suas célebres tiradas:

"Repito que o socialismo é todo um processo de desumanização."

"Daí o meu horror à medicina socializada. Vocês entendem? A socialização cria uma responsabilidade difusa, volatilizada, que não tem nome, nem cara, nem se individualiza nunca."

"O socialista que se diz anti-stalinista é, na melhor das hipóteses, um cínico. Os habitantes do mundo socialista, por maior que seja o seu malabarismo, acabarão sempre nos braços de Stalin. Admito que, por um prodígio de boa-fé obtusa, alguém se iluda. Não importa. Ainda esse é stalinista, sem o saber."

"Quem é a favor do mundo socialista, da Rússia, ou da China, ou de Cuba, é também a favor do Estado Assassino."

‎"Se me perguntarem qual a fatalidade de nossa época, responderia que são as esquerdas."

"O nosso homem de esquerda bate papo e só. Mas não sai do Leblon, não larga a praia e, à noite, vai para o Antonino's, gozar a sua boêmia ideológica."

"Há sujeitos, no Brasil, que não estão de quatro e urrando no bosque, porque há os Estados Unidos. Xingar essa pobre nação é uma maneira de ser inteligente sem ler, sem escrever, sem pensar."



Por fim, uma de minhas preferidas:

"Por que D. Hélder não vai rezar três Aves Marias e seus Padres Nossos para os seringueiros cegos, surdos e mudos? Ah, porque sem o ódio ao americano, nenhuma miséria é promocional, e não rende primeira página, nem manchete, nem entrevista, nem televisão."