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quinta-feira, julho 25, 2013

A história de Verissimo

Fonte: Veja

Rodrigo Constantino

O cronista Luis Fernando Verissimo acredita no fatalismo da História, ou até pior, em uma teleologia da História. Esta, segundo o escritor, tem não só um curso já definido, como um propósito. 

É a velha visão hegeliana e marxista, tão cara aos socialistas que, a despeito de todos os fracassos desta utopia, insistem em crer que um dia ela irá vingar e instaurar o paraíso terrestre.

Em sua coluna do GLOBO de hoje, Verissimo diminui a atuação individual de pessoas como Nelson Mandela, Gandhi e Martin Luther King Jr. Diz o saxofonista gaúcho:

O poder da História de fazer acontecer o necessário, à revelia da iniciativa humana, soa como ortodoxia marxista, eu sei, mas consolemo-nos com a ideia de que a História pode nos ignorar, mas está do nosso lado.

Como assim do "nosso lado"? Lado de quem, cara-pálida? Dos socialistas? Daqueles que defendem a ideologia responsável por deixar um rastro de sangue na História? O regime que trouxe somente terror, escravidão e miséria ao mundo? 

Isso sem falar que não havia nada de inexorável nesse destino cruel que ceifou a vida de milhões de inocentes. Ele foi fruto das ações individuais de intelectuais e políticos que acreditaram nessa farsa, que embalaram com belos slogans a pura inveja mesquinha que é o socialismo. 

Não! A História não tem curso definido algum, tampouco dispensa a responsabilidade individual. São indivíduos, para o bem ou para o mal, que fazem toda a diferença. Posso entender um socialista desejar ignorar isso, e abraçar a tese hegeliana de determinismo histórico. Mas isso é pura balela, mentira, fuga para quem não quer encarar o fardo das decisões individuais que mudam a História.

Isaiah Berlin combateu esse determinismo. Sua tese era de que existem duas razões principais para se defender a doutrina do determinismo humano. A primeira seria uma extrapolação das ciências naturais descobertas pelos cientistas. Muitos philosophes do século 18 sustentavam isso. A questão não seria se os homens estão livres ou não de leis naturais, mas sim se sua liberdade se dissipa totalmente com elas. 

A segunda razão para crer no determinismo seria devolver a responsabilidade por muitas coisas que as pessoas fazem a causas impessoais. Assim, eximem-se de culpa. As pessoas não teriam como evitar seus erros. Isaiah cita como exemplo o marxismo, baseado num determinismo histórico, mostrando inclusive a contradição de se arriscar numa perigosa revolução quando o futuro já está determinado. Tanto risco assim apenas para tentar antecipar o que é certo faz sentido?

Para quem quiser se aprofundar um pouco mais no tema do determinismo histórico marxista, que Verissimo aprecia tanto, recomendo a leitura desse meu artigo, com base em Mises. Ficará claro que Verissimo tem culpa no cartório sim, ao defender por tanto tempo o nefasto modelo socialista.

O enigma Hollande

Rodrigo Constantino

O editorial do GLOBO de hoje mostra a perda de aprovação do presidente socialista da França. Hollande ainda não teria mostrado a que veio. Diz o jornal:

O socialista François Hollande foi eleito na França com a promessa de ser um presidente “normal”, em contraposição à agitação e à volatilidade do rival, Nicolas Sarkozy. O argumento foi bem-sucedido na eleição, mas se mostra insuficiente para governar. Pouco mais de um ano após assumir, só 26% dos franceses o aprovam, o mais baixo índice desde 1958. A persistência da estagnação econômica e do desemprego (11%) conspira contra um político cuja liderança não convence.

[...]

Hollande segue sem convencer que seu governo será capaz de recolocar o país nos trilhos. Até porque, segundo a maioria dos analistas, isso demandaria reformas para reduzir a burocracia, os gastos e o peso do Estado na economia, estimular o aumento da produtividade no setor estatal e no privado, flexibilizar leis trabalhistas e fazer reformas como a do modelo de previdência social, deficitário. Esta última vem desafiando os últimos líderes franceses, confrontados com o poder dos sindicatos, que podem parar o país ao menor sinal de perda de privilégios. Hollande quer iniciá-la em setembro.

Sua situação é difícil. A maioria socialista na Assembleia Nacional caiu para cinco cadeiras, após derrotas em eleições isoladas. Hollande depende mais do que nunca do apoio dos Verdes e de grupos de esquerda que são, no mínimo, céticos sobre a política econômica do chefe de Estado. Ele ainda tem tempo para mostrar a que veio. Não se sabe é se tem o que mostrar.

De fato, Hollande tem se mostrado um líder medíocre, na melhor das hipóteses. Mas isso não é surpresa, ou não deveria ser. Se esquerdistas como Verissimo ficaram empolgados com sua vitória, liberais como eu apontaram, logo na largada, que a França não tinha como decolar com ele. Hollande representa as idéias equivocadas e atrasadas da esquerda, que pensa ser possível produzir riqueza tirando dos ricos e dando aos pobres. Isso nunca funcionou na história, e nunca vai funcionar.

Apostar no fracasso de governos socialistas é algo tão certeiro quanto apostar nas fases da Lua. Por isso eu nem posso me gabar deste vídeo, gravado à época da vitória de Hollande. Já quanto aos esquerdistas como Verissimo, que celebraram sua vitória, terão de se fazer de desentendidos uma vez mais. É sempre assim. Não há enigma algum aqui. Socialismo não tem como funcionar, ponto.


quarta-feira, julho 10, 2013

Verissimo e a voz das ruas

Fonte: IstoÉ
Rodrigo Constantino

Tenho seguidores que não devem gostar muito de mim. É que eles me mandam artigos e entrevistas que demandam o consumo de Engov ou Plasil de minha parte, pois meu estômago embrulha. Eu sei que abracei o papel de "mídia watch", e deve ser meu lado masoquista falando. Mas, enfim, vamos lá encarar uma vez mais ele, um dos alvos preferidos por aqui (não posso fazer nada se o homem só produz besteira sempre que tenta falar sério). Estou falando de Verissimo, claro, e sua nova entrevista para a IstoÉ.

Começo deparando com uma declaração bem pertinente: “A desmoralização da política e dos políticos deve preocupar a todos, porque a falência da política é a falência da democracia”. Fato. Tenho alertado que a "nova" forma de se fazer democracia, uma espécie de "democracia direta", que procura passar por cima da organização partidária, não funciona. Leva ao populismo, demagogia, em graus ainda piores que os atuais. Mas depois Verissimo volta ao seu normal:

No fundo, o que se vê nas ruas é uma crítica, nem sempre consciente, ao capitalismo brasileiro. Estão pedindo o fim do lucro desmedido com serviços públicos como o transporte, o fim do poder corruptor do dinheiro, mais saúde e educação subsidiadas pelo Estado. Eu nunca tinha visto tantos socialistas juntos. Será curioso ver como essa massa vai votar.

Como é que é? O povo está revoltado com os péssimos serviços prestados pelo governo, por tudo aquilo que ficou a cargo do estado, e Verissimo acha que estão atacando o capitalismo, o lucro? As empresas capitalistas em busca de lucro que operam no mercado livre não são alvos de ataques, e sim aquelas que fazem conchavo com o governo, quando este decide tudo sobre elas e seus setores. Não custa lembrar que quando a saúde do cronista ficou ruim, ele buscou um hospital privado, que deseja lucrar, para salvar sua vida, e não o fantástico SUS. No mais: o poder corruptor do dinheiro? Por que, então, há menos corrupção em países que são mais ricos que o Brasil? Verissimo, quando fala de política, é um grande palhaço...

A analogia óbvia é com o Maio de 68, na França, que também era contra um tudo indefinido. Tem gente que diz que o que houve em Paris, naquela primavera, foi só uma queima de hormônios. Já o Cohn–Bendit disse que 68 foi o preâmbulo de 81, quando a esquerda chegou ao poder na França. Resta ver qual será o 81 do nosso 68.

Verissimo deve detestar os brasileiros mesmo, ao desejar nosso 81 francês. Mitterrand, quando chegou ao poder, simplesmente afundou a França em enorme crise econômica. Nacionalizou setores importantes, gerou inflação alta e desemprego. Teve que reverter parcialmente seu socialismo para não afundar o país no caos total. Enquanto isso, a Inglaterra de Thatcher, ao lado, ia na direção contrária, colhendo sucesso atrás de sucesso. Verissimo prefere o fracasso. 

Infelizmente aquele ímpeto anticorrupção do início do seu governo não se sustentou. Mas, falando do PT no poder em geral, qualquer governo que consegue distribuir renda e diminuir a pobreza tem no mínimo a minha simpatia.

Após falar que um dos destaques das ruas deveria ser a cobrança sobre o "mensalão" do PSDB, como se realmente houvesse semelhança entre o que ocorreu em Minas Gerais e o golpe na democracia que o PT tentou realizar, Verissimo vem elogiar Dilma. Segundo ele, faltou ímpeto no combate à corrupção. Quem Verissimo quer enganar? Alguém ainda acha que Dilma era uma "faxineira ética", e não alguém totalmente conivente com os "malfeitores"? No mais, Verissimo deixa claro que se o governante "distribuir renda", então pode roubar na boa, que gozará de sua simpatia. Gente assim, sem dúvida, não goza da minha simpatia...

quinta-feira, maio 23, 2013

A língua de Verissimo

Rodrigo Constantino

Em seu artigo de hoje, Luis Fernando Verissimo atacou novamente com seu complexo de vira-latas. Dessa vez o alvo foi a língua dos ianques, motivo de revolta de muito esquerdista que sofre de ufanismo boboca e antiamericanismo patológico. Eles babam de raiva com o uso de termos provenientes da língua de Shakespeare, levemente metamorfoseada pelos "estadunidenses".

Diz o simpático cronista de humor:

A invasão de americanismos no nosso cotidiano hoje é epidêmica, e chegou a uma espécie de ápice do ridículo quando "entrega" virou "delivery". Perdemos o último resquício de escrúpulo nacional quando a nossa pizza, em vez de entregue, passou a ser "delivered" na porta.

Sério mesmo? Quer dizer que quando viajamos mundo afora e vemos em tudo que é vitrine a placa "sale", tais países perderam suas identidades nacionais? Quer dizer que quando falam em "fast food", venderam-se ao poderio do império norte-americano? Quanta bobagem! Verissimo ainda tenta se defender nesse trecho:

Isto não é xenofobia nem anticolonialismo cultural americano primário, nem eu acho que se deva combater a invasão com legislação, como já foi proposto. O inglês, para muita gente, é a língua da modernidade. Todos queremos ser modernos e, nem que seja só na imaginação, um pouco americanos. E nada contra quem prefere ser "plus" a ser mais e ter "size" em vez de altura ou largura. Só é triste acompanhar esta entrega - ou devo dizer "delivery"? - de identidade de um país com vergonha da própria língua.

Imagina se fosse xenofobia! O que Verissimo ignora é que o inglês, tal como o latim no passado, serve para facilitar a comunicação entre povos diferentes, para universalizar certos termos e tornar a compreensão mais simples. Se você fala inglês, você pode ler livros de alemães, franceses, italianos, chineses, árabes, todos traduzidos nessa língua "universal". 

Talvez o problema seja de quem é a língua, não o fato de todos usaram expressões de uma língua em comum. Se fosse o Esperanto, tenho certeza que a reação seria outra, e o papo de "colonialismo cultural" seria rejeitado como baboseira de gente senil. Que colonialismo cultural é esse que aproxima tantas culturas diferentes?

Por fim, posso apostar pesado que Verissimo não implica com expressões afrancesadas em nossa língua, tal como "abajur", "filé mignon", etc. Quando a palavra vem da França, capital mundial da gauche caviar, aí é não só aceitável, como "chique". Como disse Nelson Rodrigues: “Reparem como o sujeito que fala em francês e pensa em francês toma ares de gênio e de infalibilidade”.

Logo, o problema de Verissimo e demais ícones da esquerda caviar não é com o uso de "delivery" em vez de "entrega"; é com os Estados Unidos e o que essa nação representa (ou representou?) em termos de modelo de sociedade, capitalista liberal e com foco no indivíduo, ao contrário do coletivismo das esquerdas. Verissimo, quando fala de política, só escreve besteira, seja em português, em inglês ou em francês...

quinta-feira, maio 09, 2013

A matemática de Verissimo


Rodrigo Constantino

Em sua coluna de hoje, Verissimo voltou a fazer o que mais gosta: distorcer os fatos para vender sua ideologia estatizante e atacar o liberalismo. Ele usou, de forma um tanto pérfida – como de costume, um acontecimento verdadeiro para concluir algo absolutamente falso. Non sequitur.

Qual o fato verdadeiro? Havia alguns erros de cálculo nas várias planilhas dos respeitados estudos de Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, que constam no livro Oito Séculos de Delírios Financeiros (“This Time is Different”). E qual a conclusão de Verissimo, o sabichão de economia? Que isso anula totalmente a conclusão dos autores, qual seja, a de que a austeridade fiscal é parte importante da receita de cura das crises econômicas no longo prazo.

Eis a forma sensacionalista que o cronista descreve a coisa: “A certeza de que com o tempo a austeridade se justificará, demonstrada claramente nas contas erradas da dupla, só conseguiu transformar ‘austeridade’ em palavrão, nos países em que a maioria da população continua pagando, com desemprego e miséria, pelos desmandos dos seus governos e a ditadura do capital financeiro, responsável pela crise”.

Haja cara-de-pau! Em primeiro lugar, a crise não foi causada pela “ditadura do capital financeiro”, que sequer existe e não passa de mais um fantasma criado pela mitologia canhota, um bode expiatório para culpar pelas burradas dos próprios governos estatizantes. A crise tem todas as impressões digitais dos governos nas cenas dos crimes. Juros artificialmente baixos, gastos públicos excessivos, excesso de regulação (sim, os setores no epicentro da crise eram os mais regulados), e por aí vai.

Em segundo lugar, Verissimo pega um erro que não altera o resultado final da pesquisa para desqualificar o próprio conceito de “austeridade”. Será que o “matemático” Verissimo realmente pensa que o governo pode gastar mais do que arrecada infinita e impunemente? Será que ele pensa, de fato, que é o governo que cria prosperidade por meio de gastos públicos? O Brasil já deveria ser uma potência econômica de causar inveja a países como Suíça, Cingapura, Austrália e Nova Zelândia, certo? O que deu errado?

O “economista” Verissimo afirma que a austeridade não está dando certo em lugar algum do mundo, e cita como exemplos Grécia e Espanha. Mas será que o homem não sabe que foi justamente a gastança irresponsável dos governos desses países, principalmente do grego, que gerou a grave crise em primeiro lugar? Será que Verissimo pretende nos explicar de onde vem os recursos para que governos possam gastar tanto sem efeitos nefastos? Do céu? Das árvores? De Marte? Das impressoras do Banco Central?

No final do artigo, Verissimo ainda encontrou uma oportunidade para bater em Thatcher, o terror dos socialistas. Ela foi jocosamente chamada de “Mrs. Austeridade” pelo cronista, que usou as pompas fúnebres bancadas pelo governo para atacá-la. Mausoléu de ditador comunista não incomoda gente como o Verissimo, mas um singelo reconhecimento pelo legado da maior estadista que a Inglaterra já teve é um disparate, que negaria todo seu histórico de austeridade e combate ao cancerígeno “welfare state”.

O título do artigo de Verissimo é “Dois + dois = ?”. Para liberais, a resposta é uma só: 4. Mas sabemos qual a resposta para ele: 8, ou talvez 10, quiçá 12! Por que um governo deveria ser austero, gastar menos do que arrecada? Isso é coisa de “neoliberal” insensível, que não liga para os pobres. Verissimo é diferente, um sujeito bom, sensível, nobre, e por isso ele defende a gastança estatal irresponsável. Qual o problema de imprimir dinheiro e sair gastando para ajudar os pobres?

Um “neoliberal” chato diria que é a inflação, o mais nefasto imposto sobre os pobres. Mas isso é detalhe. O importante mesmo é colocar Thatcher e seus seguidores como os representantes do Capeta na Terra, e tecer loas aos socialistas que monopolizam as virtudes e só entregam caos social, desgraça e miséria. A tragicomédia da vida pública...   

quinta-feira, junho 21, 2012

Verissimo, o cara-de-pau

O Verissimo é tão cara-de-pau, mas tão cara-de-pau, que mesmo quando ele finge estar criticando o Lula, ele está na verdade o bajulando. No artigo de hoje, ele escreve: "No acordo com Maluf trocou-se uma história e uma coerência por um minuto e pouco a mais de espaço para o candidato do PT na TV. Ó Lula!" 

Como assim uma história e uma coerência? Qual história? A do líder sindicalista sempre disposto a tudo pelo poder? Qual coerência? A de nunca ter princípios quando se trata de subir e ficar no poder? Por que Verissimo não lembra do Sarney, do Jader Barbalho, do Collor? Isso não havia manchado já a história de Lula? E a amizade com o mais velho e cruel ditador da América Latina, Fidel Castro, ou El Coma Andante, até hoje reverenciado pelo ex-metalúrgico? Isso não tem problema? A adulação aos ditadores africanos, ao Ahmadinejad, isso tudo faz parte dessa "linda" história? 

Não custa lembrar que Maluf e Marta Suplicy já tinham firmado acordo no passado. Logo, a grande novidade não é o acordo entre PT e Maluf, e sim a foto. A imagem que vale mais do que mil palavras! A própria Erundina condenou a foto, não a parceria em si. Que grande coerência ética!

Verissimo, você é um grande cara-de-pau! Difícil é saber quem vale menos: Verissimo ou Chico Buarque!

Outros comentários sobre Verissimo:






quinta-feira, março 15, 2012

O pecado de Verissimo

Rodrigo Constantino

O simpático cronista Luís Fernando Verissimo ataca novamente, me obrigando a consumir mais Engov para evitar o embrulho estomacal (ainda mando a conta do remédio para ele). Em seu artigo de hoje, "Não é mais pecado", Verissimo resgata o Inferno de Dante, lembrando que os usurários iam direto ao encontro do Capeta na era medieval, quando a Igreja detinha mais poder.

O que o veneno de Verissimo pretende desta vez, sem muito disfarce, é atingir os bancos hoje, condenando a prática de cobrar juros. Segundo Verissimo, que entende um pouco mais sobre a vida privada do que de economia, os bancos modernos são capazes de destruir países inteiros por conta da desregulação. Seu artigo, leve e engraçadinho como de praxe, não passa de mais um ataque ao capitalismo.

Será que Verissimo não sabe que o setor bancário é um dos mais regulados do mundo? Será que Verissimo não sabe que os bancos centrais é que estimulam a criação de bolhas? Será que Verissimo não sabe que a gastança do governo é que ameaça as economias desenvolvidas hoje? Será que Verissimo não sabe que o juro é apenas o preço do capital no tempo, ou seja, como ter algo hoje vale mais do que tê-lo amanhã, devemos pagar para pegar emprestado a poupança alheia? Será que Verissimo não sabe que foi justamente o término desta visão pecaminosa da usura que possibilitou o progresso material moderno, inimaginável nos tempos medievais?

Talvez o cronista seja um saudosista daqueles "maravilhosos" tempos em que a expectativa de vida não chegava à metade do que é hoje. Talvez ele se imagine um aristocrata vivendo em algum castelo francês, sem se dar conta que mesmo assim um simples operário hoje desfruta de mais conforto graças ao capitalismo.

Por fim, Verissimo se justifica quanto ao erro patético da última coluna, apontado por mim. Nele, Verissimo afirmara que Marx teria levado um susto com a revolução soviética, sendo que o comuna barbudo morreu em 1883 e o evento se deu em 1917. Verissimo escreve agora: "Pensei que tivesse ficado subentendido que Marx se surpreendera no além-túmulo, mas nem todos subentenderam". Sério mesmo? Só pode ser limitação minha mesmo. E pensar que todos os leitores de Verissimo sabem exatamente quando Marx morreu! Claro que estava subentendido! Como pude pensar que se tratava de um erro absurdo, deliberado ou não? Fica aqui registrado o meu pedido de desculpas a Verissimo. É que não tenho a capacidade de ler nas entrelinhas do autor.

PS: No final do artigo, Verissimo questiona aonde Marx ficaria no além-túmulo: céu ou inferno. E termina tentando plantar a semente da dúvida: "Há controvérsias". Não! Eu não acredito em céu ou inferno, mas SE eles existissem de fato, não haveria a menor dúvida de qual seria o destino daquele que ajudou a parir o regime mais nefasto, assassino e cruel da história, que foi o comunismo. Marx teria lugar de destaque garantido bem ao lado de Lúcifer.

quinta-feira, março 08, 2012

O enigma de Verissimo

Rodrigo Constantino

Quando você lê com certa frequência as colunas do Verissimo, como eu faço (provavelmente por causa do meu lado masoquista), você começa a compreender melhor como o simpático colunista faz para passar suas mensagens pelas entrelinhas. As mensagens, invariavelmente, levam ao mesmo lugar: a defesa do socialismo. A forma é dissimulada, envergonhada muitas vezes. Mas o destino é sempre este. É o nosso Toohey tupiniquim, para quem leu "A Nascente", de Ayn Rand (para quem ainda não leu, está esperando o que?).

No artigo de hoje, "O enigma", Verissimo tenta culpar o anacronismo russo pela desgraça soviética, livrando assim a cara do comunismo/socialismo. Eis o que ele escreve:

"A própria experiência comunista só enfatizou o enigma. Grande parte da armação teórica da revolução partiu da 'intelligentsia' russa, mas não havia lugar mais improvável para uma revolução proletária do que a Rússia, com sua tradição de servos hereditários e submissos e seu feudalismo medieval. O próprio Marx levou um susto. Um dos problemas do Ocidente na sua relação com a União Soviética durante a Guerra Fria era nunca saber se estava tratando com o comunismo soviético ou com o anacronismo russo, passional e imprevisível."

Perceberam a malandragem? A experiência comunista não veio dos proletários (em lugar algum veio), e o lugar era inapropriado para tal revolução. POR ISSO é que deu errado, ora bolas! Não vem ao caso lembrar que o comunismo deu errado em Cuba, na Coréia do Norte, na China, na Iugoslávia, na Polônia, e onde mais tenha sido imposto pela "intelligentsia" (da qual, por sinal, o próprio Verissimo é um ícone perfeito).

Também não vem ao caso que, segundo Verissimo, o próprio Marx levou um susto com o experimento russo, sendo que Lênin tomou o poder pela força em 1917, enquanto Marx morreu em 1883. Como exatamente Marx fez para levar um susto com um evento que ocorreu 34 anos após sua morte permanece um mistério.

Talvez ESSE seja o enigma do artigo! Até porque, convenhamos, no restante não há enigma algum. O comunismo, inexoravelmente, leva ao caos, miséria e escravidão. Na Rússia ou em qualquer outro lugar, feudalista ou não, anacrônico ou não. Verissimo pode ignorar o fato o quanto ele quiser, mas o fato não muda: o problema é o comunismo em si, este modelo nefasto que deixou um rastro de 100 milhões de mortes na história.

Mas isso não é tudo! Verissimo, depois, tenta ridicularizar Reagan, como fazia a "intelligentsia" mundial na época, por chamar a coisa pelo seu nome, com os devidos pingos nos is. Ele escreve:

"O 'Império do Mal', nas palavras do Ronald Reagan, seria do mal mesmo sem o comunismo. De tais simplificações era feita a política externa americana."

Viram só? Reagan era "simplista" por chamar um "Império do Mal", que escravizou o povo todo, matou milhões, ameaçou a paz mundial, exportou o caos e levou todos à miséria, de "Império do Mal". Eu digo que Reagan era apenas objetivo, e disse uma verdade autoevidente. Isso costuma chocar os comunas mesmo. E novamente, Verissimo tenta jogar a culpa da desgraça soviética nos russos, e não no modelo. Seria o mal "mesmo sem o comunismo".

Calma que não acabou! Verissimo escreve ainda:

"Quando o comunismo caiu, a Rússia adotou o capitalismo selvagem sem nem um período de adaptação. Talvez seja mesmo um caso de caráter nacional."

Verissimo solta no ar a transição para o "capitalismo selvagem", colocando o capitalismo no mesmo saco podre do comunismo, e concluindo que deve ser um problema do "caráter nacional" do país. Entenderam como a estratégia dele funciona?

Haja Engov para aturar Verissimo!

PS: Neste meu artigo de 2005, para o IL, mostro como Putin já derrubava os pilares frágeis do capitalismo no país, resgatando o modelo soviético.

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

A propriedade de Verissimo é sagrada?

Rodrigo Constantino

Luis Fernando Veríssimo, em seu artigo de hoje, ataca o caráter "sagrado" do direito de propriedade no caso de Pinheirinho, alegando que há um direito maior, da dignidade humana, daquela gente que havia invadido a propriedade particular. Fica aqui uma sugestão: aquela turma que ficou "homeless" em Pinheirinho pode invadir, desta vez, a confortável residência do próprio Veríssimo. Afinal, o direito de propriedade não pode ser tão "sagrado" a ponto de se colocar acima da dignidade humana. O que será que o simpático colunista vai achar desta idéia?

Para quem tiver interesse em artigos onde refuto as bobagens do querido colunista socialista:

A Caneta de Veríssimo

O Inferno de Veríssimo

A Perfídia de Veríssimo

Como podem ver, eu gosto muito do escritor, e lhe dedico bastante atenção. Só não escrevo mais artigos para expor as falácias do Toohey tupiniquim (leiam "A Nascente", de Ayn Rand) porque não faria outra coisa na vida se tivesse que rebater cada baboseira que ele diz quando foge do humor sobre a vida privada!

quinta-feira, setembro 15, 2011

Os excessos de Verissimo

Rodrigo Constantino

Confesso que cansei de rebater as baboseiras ideológicas que Luis Fernando Verissimo escreve em suas colunas, que deveriam ser sobre crônicas do cotidiano (o que ele sabe fazer bem), mas invariavelmente se transformam em puro proselitismo venenoso. Com aquele jeito simpático, aquela escrita de forma leve, eis que sempre vem um conteúdo pesado, uma mensagem pérfida em defesa do socialismo que ele tanto adora (ainda!).

Hoje, em sua coluna do Globo e Estadão, ele conseguiu chamar de "excessos e descaminhos" o que se deu durante a Revolução Russa. Isso mesmo! Matar milhões de russos em nome de um igualitarismo tosco, isso é um "excesso". Deixar deliberadamente quase 6 milhões de inocentes morrerem de fome, isso é um "descaminho" do "lindo" ideal da revolução socialista.

Existem apenas dois tipos de postura diante das atrocidades da Revolução Russa, segundo Verissimo: lamentar seus "excessos", mas reconhecer seus nobres fins de justiça; ou condená-la a priori como antinatural. E isso, naturalmente, só pode ser coisa de "neoliberal egoísta" que pretende deixar as injustiças naturais "sem remédio".

Para os familiarizados com a obra de Ayn Rand, Verissimo é o Ellsworth Toohey tupiniquim. Cada um tem o vilão que merece!