quinta-feira, novembro 30, 2006

A Caneta de Verissimo



Rodrigo Constantino

Quando penso que o colunista Verissimo vai desistir do seu proselitismo e voltar para os bons artigos sobre o cotidiano, o gaúcho aparece com mais um espetáculo de ideologia barata. No seu último artigo, Parker 51, Verissimo conta uma rápida história de como tinha um símbolo todo especial a caneta que ele pegava emprestado com o pai para fazer sua prova final. Reconhece que não era pela sua maior eficiência que a pedia, mas pelo simbolismo que tinha. A história, que parece meio sem sentido no começo, mostra no final a intenção do autor, ao afirmar que é “esse significado maior, que não é mensurável, que não se julga nem tecnicamente nem pelo resultado da prova, que nunca entra na equação dos privatistas”. Verissimo está condenando aqueles que defendem a privatização da Petrobrás pelo argumento da eficiência, que ele parece ao menos reconhecer ser maior na gestão privada. Assim como a caneta Parker que seu pai lhe emprestava, ele acredita que a empresa tem um valor simbólico, e por isso deve permanecer uma estatal, ainda que seja menos eficiente assim. Os “ultraliberais” seriam insensíveis para este sentimento tão nobre e superior.

Há uma “pequena” diferença, que o ilustre colunista parece não perceber. No caso da canetinha, sua propriedade era bem definida. Ela era do pai de Verissimo, que tinha o direito de emprestá-la para quem quisesse, pelo motivo que fosse. Mas a Petrobrás não. A Petrobrás utiliza recursos públicos, é propriedade estatal, e por isso pertence, ao menos na teoria, a cada pagador de imposto. Ela não é do Verissimo apenas. E portanto ele não tem o direito de torrar o dinheiro alheio, via maior ineficiência, em troca da busca desse lindo sentimento de simbolismo. Verissimo, que é bem rico, poderia juntar várias outras nobres almas – e com o bolso cheio também – para comprar a Petrobrás do governo, e aí esses sensíveis homens poderiam fazer o que quisessem com a empresa, inclusive levá-la à bancarrota em nome do símbolo que ela representa. Os insensíveis, que precisam pensar na eficiência, seriam poupados assim.

Talvez a explicação para Verissimo não ter notado tão gritante distinção entre os casos de sua analogia esteja no seu próprio artigo, quando assume que sempre foi “um péssimo aluno, da tribo dos que passavam raspando”. Talvez, se tivesse estudado um pouco mais...

8 comentários:

Anônimo disse...

Tem toda razão. Ele é o verdadeiro "Socialite socialista", e não a Dorinha?
Abraço.
Flavio.

Leonardo disse...

Gostaria que você comentasse o artigo publicado no Observatório da Imprensa( MILTON FRIEDMAN NA MÍDIA
Funeral do jornalismo econômico)

Por César Fonseca em 28/11/2006
Até mais.

Blogildo disse...

No texto anterior ele dizia (mentindo, claro!) que havia um continente de provas que contestavam os conceitos libertários de Milton Friedman.

Será que o Verissimo aceitaria esse mesmo argumento falso a favor do liberalismo? Aceitaria que algum interlocutor liberal dissesse que há um "significado maior, que não é mensurável, que não se julga tecnicamente nem pelo resultado da prova" nos ideais liberais?

Acho pouco provável. E ele ainda acusa os admiradores de Friedman de dogmáticos adeptos de uma fé.

Vá entender essa cabeça perturbada.

Juliano disse...

Ao falar do tal "significado maior", "que nunca entra na equação dos privatistas"; o escritor se revela: apesar de tudo que proclama sobre a inexistência de bons resultados sob o liberalismo, ele sabe muito bem sobre o sem-número de empresas no mundo que melhoraram sob a administração privada, e só não quer falar isso em todas as letras.

Enfim, que nos adianta falar para um tipo como esse sobre como as "privatizadas" geraram mais emprego, disponibilizaram serviços de mais qualidade e com preço menor -democratizando o mercado, e geraram mais em impostos do que as estatais geraram lucros -isto é, quando geravam lucro. O escritor parece que quer dar a entender que leva em conta algo senão os números e estatísticas; os números seriam argumentos para "robôs", autômatos sem sentimento... pois eu pergunto: como medir desempenho então? Seria uma forma de arte, que depende mais da opinião pessoal que de uma mensuração objetiva? E se não se pode nem usar o argumento de número de empregos contra as privatizações, que restam desses "bons sentimentos" que deveriam reger a política econômica? Seria... o nacionalismo?

Mais uma vez, não me surpreendo nem um pouco com essa esquerda ufanista retrógrada.

Anônimo disse...

Tenho que dar parabéns pelo seu artigo. Sou gaúcho mas tenho dificuldades de ver Veríssimo como um escritor palatável. É dificil dar crédito a quem esta a serviço de um estrato social burgues.

Anônimo disse...

Aquele artigo que o Leonardo indicou é uma pérola, o autor chega ao ridículo de defender um estado gigante como o nosso pois "é o remédio para conter a insuficiência de consumo decorrente da economia de mercado".

Para quem quiser ler o artigo:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br
/artigos.asp?cod=409IMQ001

Anônimo disse...

O v. escreveu na bundas e saiu dela; imita o woody allen porque não tem graça; é de esquerda porque a burrice é um imã; tem um ego cheio de caspa porque a sujeira lhe atrai; não vale a pena ser lido; faz a gente desconfiar da alfabetização; é cultuado por todos aqueles que confundem ídolos por deuses; você está fazendo um grande serviço social em desvelá-lo, maior do que toda a arenga que ele produz como se fosse "social". fui censurado na zh por causa dele; é proibido tocar nas suas obras - no sentido escatológico é claro;
obrigado, mil vezes obrigado

Fernando Chiocca disse...

É impressão minha ou vc identificou o Veríssimo como o nosso Ellsworth Toohey?