sexta-feira, novembro 17, 2006

O Adeus a Milton Friedman



Rodrigo Constantino

“Não existe almoço grátis.” (Milton Friedman)

Em 1976, ano em que nasci, o economista Milton Friedman – de família pobre vinda da Ucrânia – ganhava seu prêmio Nobel pelas grandes contribuições ao debate econômico. Friedman foi um dos maiores economistas do século XX, e travou uma incansável batalha pela maior liberdade individual. A clareza de suas idéias, assim como a solidez de seus argumentos, raramente encontraram substitutos à altura. Ao lado dos austríacos como Hayek e Mises, e da escritora Ayn Rand, Milton Friedman foi uma das minhas maiores influências. Com a notícia de seu falecimento, o mundo perde um grande economista e defensor da liberdade.

Seus dois livros mais conhecidos são Capitalism and Freedom e Free to Chose, o qual escreveu com sua esposa Rose Friedman. Neles, Friedman expõe com objetividade seus pensamentos, sempre defendendo os mercados privados em vez do planejamento central e controle estatal. Ele estava convencido de que a liberdade econômica era uma condição necessária para as liberdades civis. Lutou, portanto, contra a visão paternalista do Estado, lembrando que o governo não é o patrão, mas sim o empregado dos cidadãos. Para os indivíduos livres, o país é um somatório de indivíduos, não algo acima deles. A maior ameaça a liberdade seria a concentração de poder. O escopo do governo deve ser limitado, e suas funções básicas devem ser preservar a lei e a ordem, garantir contratos privados e estimular os mercados competitivos. O poder do governo deve ser disperso, sempre evitando sua centralização.

Partindo dessas premissas, Milton Friedman propôs várias idéias concretas, como o fim de subsídios agrícolas, das tarifas de importação, do controle de preços, do salário mínimo, das regulamentações detalhadas das indústrias, do serviço militar compulsório etc. Ele explicou que no livre mercado as trocas são voluntárias, e portanto ambas as partes se beneficiam delas, sendo a cooperação a regra básica. Em contrapartida, a intervenção estatal levaria a uma disputa entre as partes, transformando toda negociação de troca numa briga política, fomentando o conflito. A corroboração empírica dessa teoria lógica é visível diariamente em nosso país.

Sobre um tema onde muita ignorância permite afirmações firmes porém errôneas, Milton Friedman deu uma grande contribuição também. Trata-se da crise de 1929, onde muitos leigos culpam, sem embasamento, o livre mercado. Não vem ao caso entrar nos detalhes da argumentação, mas Friedman deixa claro a sua conclusão: “A depressão não foi produzida por uma falha da empresa privada, mas sim pela falha do governo numa área onde ele tinha sido designado como responsável”. Para melhor compreensão da culpa dos atos governamentais nesse grande crash, sugiro a leitura do excelente livro de Murray Rothbard, America’s Great Depression.

As contribuições de Milton Friedman não ficaram limitadas ao mundo acadêmico. O mais famoso expoente da Escola de Chicago foi também conselheiro dos presidentes Nixon, Ford e Reagan – este considerado por ele o melhor presidente que os Estados Unidos já teve. Fora isso, foi conselheiro de Pinochet no Chile, cujas medidas econômicas – não obstante os claros abusos políticos – salvaram o país do caos herdado da era Allende. Milton Friedman, portanto, exerceu forte influência positiva nos rumos de milhões de vidas.

Infelizmente, muitos preferem respeitar pessoas com maior retórica e apelos emocionais que a razão e o bom senso dos mais humildes, que não fazem tanta questão do crédito de suas ações. Assim, a morte de um grande homem merecerá poucos comentários por parte da mídia, e sequer será notado pela grande platéia. No entanto, quando um ditador assassino como Fidel Castro morrer – e vaso ruim demora a quebrar! – haverá uma comoção nacional, com direito a profundas lamentações do presidente e vários “intelectuais”. Mas não tem problema. Os íntegros não só reconhecem o esforço hercúleo de Milton Friedman na luta contra a tirania de gente como Fidel Castro, como serão eternamente gratos pelas suas idéias. Estas não morreram com seu dono. Pelo contrário: saem mais vivas que nunca, num mundo tão necessitado de mais liberdade!

10 comentários:

Anônimo disse...

Realmente uma perda terrivel para a filosofia da liberdade. E o "vaso ruin" ainda nao morreu!

Anônimo disse...

Leia um livro inteiro, por favor.

Anônimo disse...

Eu soube da morte do economista no dia e fui até a página de O Globo Online para procurar a notícia. Achei-a escondidinha lá no canto, bem discreta. Manchetes com bobagens estavam muito mais destacadas. Até pensei: "que falta de reconhecimento". Cerca de uma hora mais tarde voltei a página para copiar a notícia e colar num fórum de debates. Não sei se estou com problema de visão, mas não achei mais a manchete.

José Coelho disse...

Quando o Professor Mário Henrique Simonsen morreu, em 9 de fevereiro de 1997, coincidentemente havia sido libertada por Israel, uma terrorista palestina de origem brasileira. A imprensa deu destaque, por mais de uma semana, à liebrtação da terrorista e não deu qualquer destaque ao falecimento de Simonsen. Imaginem se nestes tempos politicamente tão mais complicados como no Brasil de hoje, em que se unem a esquerda picareta e anacrônica com a direita retrógrada e bandida (ambas favoráveis às benesses do estado, desde que a seus comparsas!), em que os burocratas de plantão e seus partidários gritam, a plenos pulmões, mantras contra o neoliberalismo (que antes chamavam monetarismo!). Não é à toa que durante o Jornal Nacional, da Rede Globo, de sexta-feira, o repórter afimou, à guisa de demonstrar a felicidade dos burocratas de plantão e seus asseclas: "Morreu a besta-fera do neoliberalismo!". Partindo de quem partiu, nada mais natural.

Anônimo disse...

Lamentável que em artigos como este é feito comentário sobre integridade se o seu escritor não tem demonstrado nada disso em seus artigos.
Sr. Rodrigo Constantino ! Tente demonstrar mais credibilidade e conhecimento verídico para seus leitores.

C. Mouro disse...

Lamentável que em comments como, desse anônimo, seja feito comentário sobre integridade sem que seu autor demonstre o que está falando, meramente expondo o que seria (parece) uma conclusão, embora sem esclarecer qualquer referência ou raciocínio que o tenha levado a tal.
Enfim, é a asnice característica dos papagaios imbecilizados pelo catecismo imbecilizante que os faz apenas repetirem qualquer coisa que seus doutrinadores, ou adestradores (principalmente professores), lhes dizem. Assim, se incapazes de refletirem sobre o que lhes ensinam, repetindo papagaiosamente supostas conclusões alheias sem observar-lhes os fundamentos, também crêem que assim com todos se dá.
Afinal, se incapazes de raciocinar sobre o que ouvem também não conseguem raciocinar sobre o que dizem: uma coisa compensa a outra, não é mesmo?
São máquinas de repetição, absolutamente incapazes de pensar e julgar, restritos apenas a repetir como papagaios o que seus ídolos, professores, celebridades e adestradores lhes ensinam repetir, exatamente como animais treinados que não compreendem o que estão fazendo.
Seria comico se não fosse tão trágico. ...coisas da massa, aquela que toma a forma que lhe dão, por não ter forma própria.
Abs
C. Mouro

Anônimo disse...

"Enfim, é a asnice característica dos papagaios imbecilizados pelo catecismo imbecilizante que os faz apenas repetirem qualquer coisa que seus doutrinadores, ou adestradores (principalmente professores), lhes dizem."

Por favor, não chutem o saco do Constantino senão o C. Mouro perde os dentes.

C. Muro disse...

...Hehehe! que argumentação brilhante.
É só assim mesmo que que os tipos a quem me referi são capazes de responder. Fato que comprova aquilo que eu disse. .Hehehe! Há certas coisas que dão um colrido especial à vida, e uma delas é saborear o estado em que ficam os papagaios atormentados, estes tipos incapazes de formuar raciocínios. Uuuuaaaallll! é bom prá mais de metro e meio! imagine-se a agitação mental em que este tipo fico mergulhou ao ler meu comentário; certamente desejou ter uma resposta ...mas o que foi capaz de responder... .hehehe! garoto bom taí!
Forte abraço
C. Mouro

Gustavo Agostini disse...

Acho legal que vc deixa os posts tanto dos que concordam com vc quanto dos que nao concordam (mesmo quando escrevem grosserias). Segue o principio - posso nao concordar com o que vc diz, mas concordo com o seu direito de dizer. Acho curioso que quem nao concorda queira permanecer anonimo. Talvez nao esteja acostumado em ter o direito de discordar, por isso se esconde. Em relacao a Milton Friedman, qualquer um que queira demonizar esse homem ou eh ignorante ou mal intencionado. Foi realmente um guerreiro na luta por um mundo melhor, pela liberdade, e, ironicamente, pelo fim do sofrimento humano tao defendido pela esquerda mas que soh sera alcançado atraves da liberdade individual. Quem escreve esses post anonimos com essa raiva que transparece em algumas poucas palavras escritas, tem que se perguntar se sua raiva com o liberalismo procede de uma monstruosa ignorancia ou de uma maldade de carater e alma.
um abraco,
Gus

Elio disse...

Caro Gustavo

Discordo da sua opinião e da visão exposta no post.

Apenas um examplo, o Chile tem uma sociedade que promove a educação?

Com os melhores cumprimentos
Elio Tavares