sexta-feira, novembro 24, 2006

O Inferno de Verissimo



Rodrigo Constantino

Que o Verissimo, eterno defensor do fracasso, só escreve besteira quando tenta falar de política e economia, todos já sabem – ou deveriam saber. Sei de muitos que simplesmente ignoram a coluna do escritor, que deveria focar nas comédias do cotidiano. Mas eu não. Talvez por masoquismo, não sei ao certo, dou-me ao trabalho de ler as porcarias que ele escreve. Preciso sempre de um Engov, é verdade. Mas na sua última coluna, Céu ou Inferno, onde o gaúcho faz um julgamento sobre o possível destino da “alma” de Milton Friedman, não teve remédio que segurou o forte enjôo. Fosse apenas muita ignorância, vai lá! Mas Verissimo não é do tipo ignorante. Logo, fica restando apenas uma alternativa: a perfídia. A ideologia faz canalhas, quando sua defesa passa a ser mais importante que a verdade dos fatos.

Verissimo questiona no artigo se a contribuição do Nobel de economia da Escola de Chicago fez um mundo melhor ou pior, reconhecendo que impacto teve. Ele começa a destilar seu veneno quando chama o comunismo soviético de “capitalismo de estado”, comparado ao “capitalismo de consumo” que teria vencido a Guerra Fria. Ora, vamos chamar boi de boi, não de jacaré. Os que repetem que o comunismo nunca existiu ignoram que ele jamais existirá, pois não passa de uma utopia idiota, impossível na prática – ainda bem, já que homens não são formigas. Mas é a tentativa de chegar lá, os meios usados para tal fim, que levam inexoravelmente ao terror, escravidão, miséria e genocídio. Por isso, inclusive, que socialistas detestam debater meios, tentando monopolizar os nobres fins. Tentar associar o comunismo soviético a algo perto de capitalismo é, portanto, falta de caráter ou de inteligência.

O artigo segue afirmando que Thatcher, com a frase “não há alternativa”, inaugurou “a fé fundamentalista da qual Friedman é o Deus, e a Universidade de Chicago é o templo maior, que ainda domina o pensamento econômico do mundo”. Será que Verissimo não sabe que o Liberalismo não guarda similaridade alguma com uma religião fundamentalista, pois está calcado na lógica econômica, no conhecimento da natureza humana, na vasta experiência empírica? Crentes fanáticos são justamente os socialistas, que fogem de um debate focado apenas em argumentos lógicos, apelando constantemente para a retórica, inúmeras falácias conhecidas, sensacionalismo barato e emoções instintivas. Mas isso não impede que Verissimo minta na maior cara-de-pau, afirmando que a crença nos dogmas liberais independe de verificação e sobrevive a todos os desmentidos. Qual verificação? Quais desmentidos? Os países mais prósperos do mundo são os que mais se aproximaram do ideal liberal, enquanto os mais miseráveis são justamente os socialistas. Isso sem falar da questão da liberdade individual, inexistente nos países socialistas.

Mas eis onde Verissimo “pensa” ter achado a prova para refutar o Liberalismo: “A América Latina, submetida há anos à ortodoxia monetarista do Consenso de Washington sem proveito, é um desmentido continental da infalibilidade de Friedman”. Nada como o uso do chavão mais patético de todos, a culpa no bode expiatório predileto da esquerda, o tal Consenso de Washington. Suas recomendações são bem óbvias, respaldadas pelo bom senso de qualquer um que saiba que gastar mais do que tem gera problemas. Mas socialistas querem desafiar até a lei da gravidade! Será que Verissimo arriscaria se jogar do alto de um prédio confiando na heterodoxa “lei” que faria ele subir, em vez de cair? Acho que não. Mas quando o assunto é a vida dos outros, suas economias, Verissimo prefere ignorar a lógica e pregar a magia. Na verdade, as idéias liberais de Friedman nunca foram adotadas pela região, com a exceção do Chile, não por acaso o país com maior estabilidade tanto política como econômica da vizinhança. Mas Verissimo jamais irá entrar nos detalhes do assunto. Isso não é interessante para ele.

Usar a América Latina como ícone do Liberalismo para desqualificá-lo beira a insanidade. O Liberalismo jamais deu o ar de sua graça por essas terras. No Brasil, por exemplo, a carga tributária está em 40% do PIB, o Estado intervém nos mínimos detalhes econômicos, a burocracia é asfixiante, falta império da lei, enfim, não há praticamente nada aqui que se assemelhe ao Liberalismo. Tanto que estamos na rabeira do ranking de liberdade econômica tanto do Heritage como do Fraser Institute. A região passou mais longe do Liberalismo pregado por Friedman que Plutão da Terra! Mas nada disso importa para Verissimo, que diz que “razões para mandar a alma do Friedman para a grelha não faltam”. Para Verissimo, o Estado “desenvolvimentista”, cheio de estatais, é a “única esperança de os países miseráveis saírem da miséria”. Com certeza ele ignora os casos de reformas liberais, na contramão dessa estupidez, adotadas por países como o Chile, Irlanda, Nova Zelândia, Espanha, Islândia, Austrália etc. Ou os próprios casos dos Estados Unidos de Reagan e da Inglaterra de Thatcher, ambos salvos pelas medidas defendidas por Friedman. Em contrapartida, seria o caso de perguntar qual país deu certo com essa receita “desenvolvimentista”. Não haverá resposta. Isso porque Verissimo diz que é o Liberalismo que não suporta a verificação! É muita inversão mesmo...

Por fim, Verissimo conclui que, ao menos, Milton Friedman foi um pensador original, e isso – somente isso e seu prêmio Nobel – faria um contrapeso ao claro viés de mandá-lo para o inferno. Entre o Céu e o Inferno, portanto, Verissimo ficaria, quem sabe, com o Purgatório. Considerando que há um abismo moral intransponível entre ambos, para não falar da inteligência, creio que as pessoas que respeitam a integridade e a lógica não deveriam ficar espantadas. Afinal, vindo de quem vem, tais agressões são elogios. O céu do Verissimo deve ser algo como Zimbábue, ou Cuba. Melhor ir para o que ele considera um inferno mesmo. Poderemos acabar num lugar livre e próspero.

16 comentários:

carlos montebello disse...

cara, como o jornal O Globo pode dar voz a um ideólogo fanático como Veríssimo. o triste é saber que Veríssimo forma a opinião de muita gente no Brasil. já li vários textos sobre liberalismo de Veríssimo. dá enjôo mesmo!!!
ele usa os sofismas de botequim para derrubar o liberalismo por mera ideologia. Veríssimo não quer a verdade; quer sofismar para manter a ideologia.
detalhe: tá rico escrevendo asneiras todo domingo.

Ricardo Froes disse...

Quero louvar a coragem de Rodrigo porque eu não consegui passar da segunda linha desse bestialógico escrito por LFV acerca de Friedman. Por curiosidade, reproduzo abaixo um trecho de um artigo do Olavo de Carvalho intitulado "Falsíssimo Veríssimo":

"O sr. Veríssimo, como aliás toda a geração de pessoas que hoje dominam o pequeno jornalismo e o show business, não apenas tem pretensões eruditas como se prevalece delas para se tornar uma espécie de maître à penser habilitado a dirigir o curso do destino mental brasileiro, subindo infinitamente acima de suas sandálias de cronista de província nas quais seus rechonchudos pezinhos cabiam com perfeição.
Não há hoje sambista, roqueiro, comentarista esportivo ou apresentador de TV que se abstenha de posar de intelectual e dar lições. A causa disto é patente: uma certa corrente política, desejando exercer sobre o país a hegemonia intelectual, e só dispondo de raríssimos estudiosos sérios em suas fileiras, teve de improvisar "quadros" -- que é como ela denomina as pessoas --, e rodear sujeitos como o sr. Veríssimo de um prestígio e de uma autoridade absolutamente desproporcionais às suas capacidades. O resultado é que hoje a denúncia do verbalismo nacional, tão decisiva para a correção dos nossos costumes, se converteu em imitação simiesca de si própria e se prostituiu em demagogia ornamentada de falsa erudição: o verbalismo criou anticorpos e se alimenta de auto-acusações."

Blogildo disse...

Eu não sou economista, intelectual nem escritor famoso. Mas, peguei um hábito horrível do Verissimo de tanto lê-lo, obrigatoriamente, na escola primária: Dar pitaco em coisas que não entendo. E tenho certeza que Verissimo não entende xongas de economia e política! Só tem aquela carinha de bonzinho que se preocupa com causas sociais. Deveria fazer apenas livrinhos de contos com a Velhinha de Taubaté e com o Analista de Bagé e deixar economia com gente grande. Ou então, pegar sua bondade socialista e abrir uma instituição de caridade. Se é que já não tem uma.
A verdade, é que é um embuste dizer que Thatcher foi ‘apóstolo mais aplicado’ de Friedman. Na verdade, Thatcher era fã de Hayek – outro gigante do liberalismo. Reagan sim, poderia ser classificado como, vá lá, ‘apóstolo’ de Friedman. Verissimo é um mentiroso! Pois se um mortal igual a eu sabe disso, é impossível que o filho de Erico Verissimo não saiba.

tiago182 disse...

A vista, o inferno me parece um lugar mais seguro, ao ler Veríssimo, já que em "seu céu" com certeza teríamos Fidels, Maos, Guevaras e tutti quanti. No Evangelho segundo Veríssimo eu iria para o Inferno mesmo...

Blogildo disse...

Ainda vou lançar um livro com o tema "As mentiras que o Verissimo conta". hehehehehe!

Rômulo disse...

Depois de muito refletir, descobri qual a lógica subjacente às idéias de Veríssimo e dos idólatras do fracasso em geral: eles gostam tanto dos pobres que preferem que continuem pobres para poderem continuar gostando deles. Até que faz sentido...

Anônimo disse...

LFV vive como burguês, escreve como burguês e fala como revolucionário socialista. Tomar um neuroléptico não iria mal, para essa esquizofrenia.
Ele e Saramago provam que possuir algum talento literário não denota inteligência.

Anônimo disse...

LFV tem um problema de nome Erico!

C. Mouro disse...

Um sujeito que fala de socialismo e até de "comunismo" como algo nobre e desejável, e ao mesmo tempo enche os bolsos "explorando" a mão de obra dos assalariados que fazem seus livros, jornmais e etc. ...É UM CANALHA, UM SAFADO EMBUSTEIRO. ...Os tipos mais repugnantes que poluem o mundo disseminando sua canalhice e provocando discórdia, ódio, ressentimento, inveja e etc. para encher os próprios bolsos e o próprio ego. ...estão abaixo do lixo.
Abs
C. Mouro

Anônimo disse...

Céus!! Lendo os comentários, penso: Quanta "inteligentzia"!! Quanta raiva ou seria inveja? Quem não gostaria de publicar um livro que fosse sucesso e ganhar dinheiro?

cardoso disse...

Eu adoro o Veríssimo como cronista do cotidiano e detesto suas crônicas políticas. Ele mesmo sabe que não consegue fazer isso direito, por isso seus livros são todos na linha do Analista de Bagé e outros geniais.

Um que conseguia fazer crítica política absolutamente tendenciosa mas deliciosa de ler era o Carlos Eduardo Novaes, mas como ele criticava não só a direita mas também a esquerda paranóica, foi jogado para o Ostracismo.

Que saudades do Alvinho.

C. Mouro disse...

É como eu digo!
O anônimo leu e pensou (sic????) que eu estaria criticando o fato do salafra ganhar dinheiro da mesma forma que o salafrario critica quem ganha dinheiro sem ser esquerdista, apoiando-se na ideologia (pretensa teoria) que ele mesmo defende, incoerentemente. Ou seja, estes tipos esquerdorragicos não entendem o que leem e por tal creem que não precisam entender o que escrevem - uma coisa compensa a outra ...hehehe!. ...é, faz parte!
Abs
C. Mouro

pangaré disse...

Li seu artigo no site do Diego Casagrande.

Fazia tempo que eu não via uma "surra" tão bem dada como essa! Parabéns pelo excelente artigo.

Anônimo disse...

Gostei do texto e concordo com muitas coisas, embora não me sinta atraído por esse tipo de filme. No entanto, tenho uma ressalva: "O Albergue" não foi dirigido por Quentin Tarantino, mas apenas apresentado. Deve ser muito amigo do diretor, porque aquele filme é uma bomba.

Daniel Correa disse...

O Verissimo não entende nem de política/economia nem de religião. Li no jornal esta semana que ele prefiriria que o cristianismo criasse um juiz ao invés de um salvador.

Pra quem conhece o cristianismo sabe que a segunda vinda de Jesus será como juiz e não como salvador.

Ah, purgatório também não possui base bíblica alguma.

abraço

Anônimo disse...

è o tipo de ideólogo que fala em Cuba, mas tira as férias em Paris.

Não tem moral nenhuma esse sujeito.