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sábado, julho 13, 2013

Fiasco sindical ou vitória golpista?

Fonte: O GLOBO

Rodrigo Constantino

Muitos celebraram a perda da hegemonia da esquerda nas ruas, após o fiasco em termos de público das passeatas organizadas pelas centrais sindicais. Será que foi precipitado demais fazer isso? O único artigo que vi alertando em direção contrária foi do Coronel Marco Balbi. Nele, o autor diz:


A análise que faço é que as manifestações de ontem obtiveram pleno êxito por quem a convocou. Não a CUT, a Força Sindical, ou qualquer outra organização desta natureza, mas o comando geral do PT e seus asseclas, sua face oculta. E por que? Vou explicar!
Desde as vésperas do dia 11 de julho o assunto já circulava em toda a mídia e nas redes sociais. Vai ter greve, não vai ter greve, o que vai acontecer? O resultado foi a criação de um clima de grande intranquilidade para toda a sociedade. Pessoas alteraram suas rotinas, modificaram seus compromissos e o resultado foi que cerca de 150 das principais cidades brasileiras em 22 estados e no DF viveram um dia de feriado. Em algumas os transportes públicos não funcionaram; em outras os professores fizeram greve e os alunos ficaram em casa; em outras o comércio funcionou a meia-boca e muitas outras ocorrências.

[...]

Ocorreu ainda, o que reputo até de maior gravidade, a interdição em 66 rodovias, em 18 estados. Em diferentes horas, por períodos os mais variados e com as mais diversas motivações. Até os sem terra e os sem teto reapareceram. Alguém contabilizou o prejuízo econômico que isto representou? Portos foram interditados e um navio invadido e assim permanecia enquanto escrevo este texto. Propriedades públicas e privadas foram invadidas! E o direito de propriedade? E o direito de ir e vir? Ou vocês acreditam na pose indignada de Dilma e do Cardozo afirmando que não permitiriam tal estado de coisas? 

[...]

Assim, considero que ontem foi feito um teste e ele teve êxito. Lições serão colhidas pelos organizadores para, se for o caso, ou quando for o caso, aplicarem para valer.

São pontos pertinentes. E vão ao encontro das declarações dos próprios sindicalistas. Hoje mesmo, no GLOBO, José Maria de Almeida, presidente da Conlutas, resumiu sua visão acerca do êxito do evento: "Buscamos parar fábricas e empresas, pois a participação dos trabalhadores é para mexer com a estrutura econômica". Sincero o homem. O objetivo deles é testar o poder de paralisar a economia, quiçá o país inteiro. E esse teste foi bem sucedido, pela ótica deles.

Claro que podemos estar diante de uma racionalização psicológica. Rui Falcão, presidente do PT, disse que os militantes não foram às ruas porque agora estão empregados. Pode ser tudo fruto da negação de que perderam o controle das ruas, e estão justificando para si mesmos, acima de tudo, que isso não importa, ou tem razões "nobres". Mas pode ser que os sindicalistas tenham sido sinceros, e que o seu foco seja realmente testar esse poder de parar o Brasil.

Pergunto: quem é que tem militantes pagos, dispostos a obedecer uma ordem centralizada para sair em cada rodovia importante, em cada rua importante do país, e impedir o livre acesso das pessoas? Quem controla CUT, UGT, UNE e MST? Se amanhã o PT perder nas urnas o poder, e quiser alegar um "golpe", ele tem ou não o poder de inviabilizar o funcionamento da economia brasileira por meio desses braços sindicais, estudantis e guerrilheiros? Pois é...

quarta-feira, julho 10, 2013

Estatuto da Juventude Mimada

Fonte: O GLOBO
Rodrigo Constantino

Deu no GLOBO: Câmara aprova limite de 40% da lotação para meia-entrada


Os protestos país afora levaram nesta terça-feira a Câmara a aprovar o Estatuto da Juventude, que agora irá à sanção presidencial. O novo texto, relatado pela deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-RS), incluiu um ponto considerado sensível pelo governo: a concessão de meia-tarifa em transportes coletivos interestaduais para todos os estudantes entre 15 e 29 anos, sem limite de assentos por veículo. Como não há detalhamento, a medida, segundo integrantes do governo, poderá atingir tanto o transporte rodoviário quanto aéreo.
O governo havia concordado apenas com a versão que havia sido aprovada no Senado, que previa duas passagens gratuitas e duas pela metade do preço para jovens de nessa faixa etária que forem considerados de baixa-renda, mesmo que não sejam estudantes. O maior benefício assegurado aos jovens estudantes, e também aos jovens não-estudantes de baixa renda, será a meia-entrada em eventos culturais e esportivos - que é apoiada inclusive pelo governo. O acesso, no entanto, será limitado a 40% dos ingressos disponíveis.
- Há inúmeros pontos positivos no Estatuto. O Senado havia restringido o direito ao meio-passe e isso foi recuperado, o que mostra que quando a gente se organiza a gente consegue vitórias - destacou a relatora Manuela D'Ávila.
Outro ponto controverso, no entanto, foi a manutenção de um privilégio à União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG). O texto diz que as carteiras de identificação estudantil serão expedidas "preferencialmente" por essas entidades. Até mesmo a oposição se dividiu neste ponto, com DEM tentando derrubar o privilégio enquanto o PSDB apoiou a medida.
- O projeto de forma geral é positivo. A gente precisa de uma referência sobre a juventude, que hoje não há. Agora, tem coisas que serão aperfeiçoadas depois. No meu entendimento não tem jeito de tirar a UNE, Ubes e ANPG. Se não estaremos dando um cheque em branco para uma fábrica de carteirinhas em Brogotó - ponderou o tucano Eduardo Barbosa (PSDB-MG).
O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), criticou o projeto em função do suposto monopólio à UNE e suas afiliadas:
- É retrógrado, mais uma articulação da base. Nada mais é do que uma mesada que o governo passou à UNE, como os bônus que já passou às Centrais Sindicais.
A União Nacional dos Estudantes festejou o texto. Segundo a presidente da entidade, Virgínia Barros, não haverá monopólio da entidade na concessão das carteirinhas que darão aos estudantes a meia-entrada.
- É um marco histórico. Não existe monopólio, serão entidades de toda a rede do movimento estudantil que poderão conceder a carteira - justificou Virgínia.

Comento: Se temos Manuela D'Ávila, do PCdoB, comemorando algo ao lado de petistas e da UNE, podemos ficar seguros de que a coisa é muito ruim e vai doer no nosso bolso. E, claro, não foi diferente dessa vez. Estamos diante de uma geração mimada, que acredita em "almoço grátis", que pensa que recursos escassos não são escassos, mas sim infindáveis e caem do céu, vêm de Marte, ou brotam da terra. O estado é a grande ficção por meio da qual todos querem viver à custa de todos. Bastiat sabia do que estava falando...


Quando a metade paga metade do preço, isso quer dizer que a outra metade paga 50% a mais! Matemática elementar, meu caro Watson. O organizador de qualquer evento vai fazer contas com base em sua estimativa de receita total, depois vai descontar a parcela que paga metade do preço, e ajustar o preço para os demais. Os famosos "otários".

Isso para não falar do absurdo do monopólio da UNE e suas coligadas nessa mamata, ou do fato escandaloso de jogo de futebol ou show de pagode serem considerados eventos "culturais" e gozarem do privilégio. Mario Vargas Llosa está certo mesmo, quando diz que não sabe se podemos mais falar em "cultura" na época moderna. Olha o que fizeram com ela! O marmanjo vai ver Michel Teló e paga meio ingresso em nome do fomento cultural. Socorro!

Segue, para finalizar, um artigo meu de 2007 sobre o assunto. Ele foi transformado em meu primeiro vídeo do YouTube. 

sexta-feira, outubro 28, 2011

Ventos da mudança


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Toda sexta-feira me deparo com o mesmo desafio: a escolha do assunto para este Comentário do Dia. Temas cabeludos nunca faltam. Por exemplo: Mais uma queda de ministro por escândalo de corrupção no governo Dilma. Já é o quinto ministro que cai por corrupção em menos de um ano de governo, graças ao papel vigilante da imprensa, a mesma imprensa independente que os petistas querem calar e chamam de “golpista”. Ou poderia falar também do pacote de “resgate” europeu, que empurrou o problema com a barriga uma vez mais sem endereçar os verdadeiros pontos estruturais, e ainda diz que corte “voluntário” de 50% no valor da dívida não é calote.

Mas é sexta-feira, véspera de sábado, e um raio de esperança costuma invadir meu dia pela manhã, lançando-me em busca de alguma notícia boa para relatar. Achei uma! É preciso procurar com esmero, é verdade. E confesso que recebi a dica de outra pessoa. Mas, ainda assim, tenho um assunto bom para comentar. Estampa o “Correio Braziliense”: “Alunos sem ligação com siglas políticas vencem eleição do DCE na UnB”. Resultado surpreendente. Bem no ninho da cobra, na Universidade de Brasília, reduto das esquerdas organizadas, o Diretório Central dos Estudantes, pela primeira vez desde a redemocratização, foi para uma chapa de “direita”.

A chapa “Aliança pela Liberdade” derrotou as demais chapas dos esquerdistas tradicionais, ligados ao PSTU, PSol e PT. Ou seja, os dinossauros de sempre, jovens que aprendem desde cedo que o caminho para o “sucesso” no Brasil passa pela bravata, pelo brado de slogans marxistas, pelo uso de camisetas vermelhas com a foto de Che Guevara e muita baderna. Esta garotada aprendeu que basta isso, em vez de estudar, para se tornar um ministro ou deputado no futuro, e ficar rico como um burguês insensível, desfrutando das benesses que só o capitalismo pode oferecer, pois ninguém é de ferro.

Talvez seja este um dos únicos lados positivos de aturar o PT no poder: expor a hipocrisia dessa esquerda que sempre tentou monopolizar os fins nobres no grito. A postura patética da UNE durante o governo petista, de silêncio sepulcral diante dos infindáveis escândalos de corrupção, acabou por despertar muitos jovens do sono ideológico. Esta cambada de oportunista não os representa! Onde estão os membros da UNE agora que o ministro comunista pede para sair, envolto em acusações com evidências de corrupção?

Finalmente muitos alunos estão abrindo os olhos, cansados desta safadeza nos diretórios estudantis. E acontecer isso justamente no epicentro da podridão, em Brasília, é notícia que merece um comentário diário sim. Parabéns, alunos da UnB, por nos dar alguma esperança de que as coisas podem melhorar. São os ventos da mudança...