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sábado, julho 20, 2013

Carta ao jovem brasileiro - II


Doutor José Nazar *

Que grito é esse “das ruas”? O que está por traz dele, o que desejam esses “jovens”?
Os especialistas não arriscam a dar uma resposta. Eles acreditam que o tempo poderá explicar o motivo e a razão desse movimento que, ao meu ver, engatinha.
Sabe-se que o país encontra-se mergulhado numa crise de valores morais, políticos e éticos. Há uma insatisfação e uma desconfiança generalizadas. Elas se devem à uma perda da legitimidade das instituições governantes.
Toda crise é sinal de turbulência mas, também, de abertura. Pode levar ao pior mas, quando bem conduzida e isso, tanto no plano pessoal quanto social, pode levar a melhoras estruturais. Isso só ocorre quando os anseios de mudanças diagnosticados, acolhidos, escutados e, quando possível, bem tratados. Há desejo de mudanças.
O diálogo é a verdadeira arte de bem dizer o ato político. Ele cria as brechas necessárias para que se insemine o assentimento à lei.
Mesmo que a mídia repita incessantemente que os jovens brasileiros conseguiram arrastar consigo milhares de famílias da classe média às ruas, unindo suas vozes numa reivindicação de melhores serviços públicos, tais como: educação, saúde, segurança  e transportes, a pergunta insiste: que interpretação dar a esses movimentos?  
Mas há um fator que chama a atenção. Mesmo no auge do clamor das ruas, alguns homens públicos exacerbam uma prática desavergonhada da corrupção. Há uma compulsão à transgressão que tornou-se uma norma: “eu faço porque todos fazem”! E na medida em que, historicamente, há a certeza da impunidade, esses políticos tomam a coisa pública como um bem próprio. Trata-se de uma relação incestuosa, sem culpa, sem lei, sem mediação paterna, uma atualização de questões patológicas da vida privada, obscenamente atuada no público. Parece que esse mal  está no sangue, e tornou-se difícil de ser tratado e extirpado.
Os brasileiros não suportam mais fingir que a corrupção não existe. Fatos evidenciam que essa praga, a corrupção, tornou-se uma doença epidêmica, algo de difícil tratamento. É como um câncer incurável, com metástases, invadindo os tecidos das instituições nacionais, umas mais que outras.
O que está na base desse distúrbio social, desse fenômeno que tem conseguido unir o povo, que se constrói a partir de uma insatisfação generalizada? O que esses jovens desejam em suas fortes movimentações?
É evidente que essas vozes que tomaram as ruas não se dirigem apenas ao poder público. Os gritos são dirigidos às autoridades mas, isso vai mais longe e as exigências convocam cada um dos cidadãos, pais, professores, educadores, a um questionamento.
Por anda a lei, os pais, as autenticidades dos atos? Onde está a legitimidade do ato de governar? Em nome do quê está se governando?
Os jovens são sensíveis à questão da legitimidade. Eles só aceitam limites quando estes partem de um lugar reconhecido por seu compromisso com a verdade de uma dignidade daquele que institui esses limites. Isso quer dizer que o discurso inconsciente, vigorando nas entrelinhas do discurso enunciado, deixa transparecer o verdadeiro e o falso. Todo jovem se apoia na verdade que recebeu dos adultos para adentrar, com dignidade, ao mundo adulto.
O governo está infantilizando o povo brasileiro, arrancando sua capacidade de fazer escolhas autênticas, porque ele julga saber “o melhor para o povo”. Os jovens brasileiros estão numa anorexia a um poder legítimo que abra caminhos dignos de seus desejos. Os que ocupam o poder público esqueceram do vigor de suas próprias aspirações de juventude.
O grito de cada jovem encontra eco na voz que denuncia o desconforto com os atos desencontrados das autoridades brasileiras, que dizem uma coisa e fazem outra!
A função que está sendo profundamente interrogada nessas manifestações é a autoridade paterna. É desta que advém o assentimento às leis que regem as relações humanas, de onde emergem as condições de desejo. A educação é base que construiria valores mais duradouros. É a estrada sólida para alguém trilhar seus sonhos e, no entanto, encontra-se obstruída pela indiferença daqueles que dela deveriam zelar, permitindo a construção de um futuro promissor.
O inconsciente da juventude capta a não legitimidade daqueles que ocupam os lugares máximos da nação. Isso quer dizer que não lhes passa despercebido o fato de que um governo só alcança o reconhecimento verdadeiro do povo quando seu projeto visa ao bem desse povo, e não ao poder pelo poder. Entenda-se, aqui, “o bem” como serviços básicos: educação, saúde, transporte, emprego, segurança de qualidade.    
Jovem manifeste-se, mas com moderação!

* Psiquiatra e psicanalista - Escola Lacaninana de Psicanálise/RJ e ES

quinta-feira, julho 18, 2013

Eu escolho a polícia

Rodrigo Constantino

Estamos lá para dar segurança a todos vocês. Inclusive para a imprensa. E nós não temos tido apoio dos senhores também. Temos policiais feridos. Mas esses direitos humanos não é para a polícia. Somos policiais militares, eleitores e cidadãos. Se a PM não estiver ali, é anarquia. Todos têm que ter responsabilidade. Não brinquem com o que está acontecendo. Ninguém sabe o que está por trás. A responsabilidade da mídia é muito grande.

Esse foi o desabafo emocionado do comandante da Polícia Militar do Rio, Erir da Costa Filho. Ele disse que, boa ou ruim, essa é a PM que temos. É ela que está nas ruas para proteger os inocentes, as propriedades, o direito de ir e vir. 

A imprensa tem um papel fundamental de expor abusos de policiais, truculência desnecessária, crimes, despreparo, tudo isso. Mas é preciso tomar cuidado em não difamar injustamente toda a instituição e, com isso, criar um clima ainda maior de anomia, acuando os guardiões da lei e da ordem, tornando-os mais receosos ainda de agir contra os vândalos, baderneiros e marginais que têm invadido todas as manifestações "pacíficas" e instaurado o caos no país, depredando, ateando fogo, roubando, saqueando.  

Com todas as ressalvas necessárias, até porque nossa PM merece muitas críticas sim, eu endosso a fala do comandante em seu sentido geral. A PM precisa de apoio para agir contra os vagabundos que têm se aproveitado das manifestações para cometer crimes. 

Infelizmente, sabemos que a esquerda faz uma forte campanha contra a polícia há décadas, e que os "direitos humanos" são sempre voltados para os criminosos, e nunca para aqueles que sofreram no exercício de sua função protetora das leis. Entre o traficante assassino das favelas e o Caveirão, nós sabemos de qual lado fica a esquerda. Ficaremos do mesmo lado?

Eu não! Vamos lutar para melhorar nossa polícia, para treiná-la melhor, para coibir os abusos e punir severamente os desvios e crimes, para aparelhá-la mais e para aumentar seus salários (reduzindo outros gastos públicos totalmente desnecessários). Mas não vamos jogar o bebê fora junto com a água suja do banho. A escolha que temos é entre polícia e anarquia. Eu escolho a polícia.  

Leblon sitiado

Fonte: O GLOBO

Rodrigo Constantino

As cenas pareciam em Bagdá. Mas eram no Leblon, o bairro com o metro quadrado mais caro do país, palco de várias novelas da TV Globo, conhecido por sua boemia, turistas circulando, tranqüilidade. Nesta quarta-feira, tudo isso cedeu lugar para imagens de caos, baderna, vandalismo e confusão. Diz a reportagem do GLOBO:

Pelo menos cinco agências bancárias, bancas de jornal, pontos de ônibus, vitrines e alguns painéis elétricos foram vandalizados durante a confusão. Uma loja de roupas também foi saqueada na Ataulfo de Paiva. Lojas também foram saqueadas em Ipanema. O cheiro de gás ficou muito forte na região. Bombeiros também atuaram no combate às chamas.

O clima nesses bairros da Zona Sul foi de apreensão por parte de moradores e clientes de bares e restaurantes. Vários estabelecimentos comerciais fecharam suas portas e os frequentadores saíram às pressas.

Segundo a Polícia Militar, sete PMs ficaram feridos com pedradas. Uma quinta policial se feriu ao ser atingida nas costas por uma bomba de fabricação caseira. O número de manifestantes feridos não foi confirmado.


A revolta popular, em um país como o Brasil, é altamente compreensível. O que não é compreensível ou tolerável é a forma de expressá-la. Tenho sido um crítico desse viés de anomia nas manifestações que tomaram as ruas do Brasil desde o começo, fazendo alertas justamente sobre esses riscos. Parece que toda manifestação "pacífica" termina em atos como estes, de puro vandalismo e criminalidade. O direito de ir e vir dos demais fica prejudicado, e propriedades são depredadas, saqueadas. 

O pessoal precisa lembrar que ainda vivemos em uma democracia, ainda que um pouco capenga, e preservá-la é fundamental, pois a alternativa é muito pior. Sérgio Cabral incomoda, sua reação às informações de que abusa do helicóptero do estado revolta qualquer um, quando ele afirma que não faz nenhuma "estripulia" ou que faz aquilo que todos  fazem (parece até o Lula falando). Mas que ele seja punido nas urnas!

Foi o que aconteceu com César Maia, após a Cidade "fantasma" da Música. Tomar o espaço público, criar esse clima de guerra, e prejudicar a vida de várias pessoas que não têm nada com isso é absurdo, injustificável. Ver o Leblon sitiado é algo que preocupa. Se o Leblon está assim, então o Brasil é o Egito? Não se governa no grito, na violência, com bombas caseiras ou coquetéis Molotov. Isso não combina com democracia.

Por fim, não custa lembrar que Sérgio Cabral merece punição nas urnas, mas é sempre bom ter em mente quem pode vir em seu lugar. Algum aventureiro com discurso populista e messiânico, de um partido de extrema-esquerda? Algum "evangélico" safado e oportunista que manipula as massas das periferias? Todo cuidado é pouco. Esse jogo não é para amadores. 

E quem aplaude "manifestações" como a de ontem, porque sente raiva do governador e gosta de vê-lo acuado, deveria pensar duas vezes antes de celebrar, pois os fins não justificam os meios. A situação saiu de controle. Quem defende a democracia deve demandar a ação policial para restabelecer a ordem e retomar o espaço público desses criminosos disfarçados de protestantes. 

sábado, julho 13, 2013

Fiasco sindical ou vitória golpista?

Fonte: O GLOBO

Rodrigo Constantino

Muitos celebraram a perda da hegemonia da esquerda nas ruas, após o fiasco em termos de público das passeatas organizadas pelas centrais sindicais. Será que foi precipitado demais fazer isso? O único artigo que vi alertando em direção contrária foi do Coronel Marco Balbi. Nele, o autor diz:


A análise que faço é que as manifestações de ontem obtiveram pleno êxito por quem a convocou. Não a CUT, a Força Sindical, ou qualquer outra organização desta natureza, mas o comando geral do PT e seus asseclas, sua face oculta. E por que? Vou explicar!
Desde as vésperas do dia 11 de julho o assunto já circulava em toda a mídia e nas redes sociais. Vai ter greve, não vai ter greve, o que vai acontecer? O resultado foi a criação de um clima de grande intranquilidade para toda a sociedade. Pessoas alteraram suas rotinas, modificaram seus compromissos e o resultado foi que cerca de 150 das principais cidades brasileiras em 22 estados e no DF viveram um dia de feriado. Em algumas os transportes públicos não funcionaram; em outras os professores fizeram greve e os alunos ficaram em casa; em outras o comércio funcionou a meia-boca e muitas outras ocorrências.

[...]

Ocorreu ainda, o que reputo até de maior gravidade, a interdição em 66 rodovias, em 18 estados. Em diferentes horas, por períodos os mais variados e com as mais diversas motivações. Até os sem terra e os sem teto reapareceram. Alguém contabilizou o prejuízo econômico que isto representou? Portos foram interditados e um navio invadido e assim permanecia enquanto escrevo este texto. Propriedades públicas e privadas foram invadidas! E o direito de propriedade? E o direito de ir e vir? Ou vocês acreditam na pose indignada de Dilma e do Cardozo afirmando que não permitiriam tal estado de coisas? 

[...]

Assim, considero que ontem foi feito um teste e ele teve êxito. Lições serão colhidas pelos organizadores para, se for o caso, ou quando for o caso, aplicarem para valer.

São pontos pertinentes. E vão ao encontro das declarações dos próprios sindicalistas. Hoje mesmo, no GLOBO, José Maria de Almeida, presidente da Conlutas, resumiu sua visão acerca do êxito do evento: "Buscamos parar fábricas e empresas, pois a participação dos trabalhadores é para mexer com a estrutura econômica". Sincero o homem. O objetivo deles é testar o poder de paralisar a economia, quiçá o país inteiro. E esse teste foi bem sucedido, pela ótica deles.

Claro que podemos estar diante de uma racionalização psicológica. Rui Falcão, presidente do PT, disse que os militantes não foram às ruas porque agora estão empregados. Pode ser tudo fruto da negação de que perderam o controle das ruas, e estão justificando para si mesmos, acima de tudo, que isso não importa, ou tem razões "nobres". Mas pode ser que os sindicalistas tenham sido sinceros, e que o seu foco seja realmente testar esse poder de parar o Brasil.

Pergunto: quem é que tem militantes pagos, dispostos a obedecer uma ordem centralizada para sair em cada rodovia importante, em cada rua importante do país, e impedir o livre acesso das pessoas? Quem controla CUT, UGT, UNE e MST? Se amanhã o PT perder nas urnas o poder, e quiser alegar um "golpe", ele tem ou não o poder de inviabilizar o funcionamento da economia brasileira por meio desses braços sindicais, estudantis e guerrilheiros? Pois é...

quinta-feira, julho 11, 2013

Profissão: manifestante

Rodrigo Constantino

Deu no GLOBO: Centrais pagam claque para engrossar mobilização

Na tentativa de engrossar o ato desta quinta-feira na Avenida Paulista, centrais sindicais usaram de um artifício recorrente durante nas campanhas eleitorais: o pagamento de claques para portar bandeiras, usar camisetas e carregar balões. A iniciativa não resultou, contudo, em aumento relevante do público. As centrais sindicais negaram que contrataram claques, mas O GLOBO localizou diversos jovens que foram pagos durante a mobilização.

Vitor Hugo Correia, de 17 anos, por exemplo, admitiu que recebeu R$ 50 da Força Sindical para portar um dos balões da entidade sindical. O jovem e seus amigos, do bairro de Artur Alvim, da periferia de São Paulo, disseram ter sido contratados por um sindicato filiado à Força Sindical. Com camiseta e bandeira da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Viviane Araújo, de 18 anos, disse ter sido paga para participar do ato.

— Eu recebi R$ 30 reais para vir aqui. Eles pagaram nosso transporte e disseram que o dinheiro era para a gente comer aqui — contou Viviane.

Nem bem o ato havia acabado, pessoas com a camiseta da União Geral dos Trabalhadores (UGT) faziam fila em uma das ruas ao lado do Museu de Arte de São Paulo. Um dos jovens, que assinava uma ficha da entidade sindical, disse ter recebido R$ 50 para estar no protesto. O estudante secundarista Alex da Silva, de 20 anos, e seu amigo Jorge Robério Pereira, de 15 anos, também foram pagos. Eles receberam R$ 50, além do pagamento de trasporte e de alimentação, da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB).

E alguém ainda tinha dúvida de que fariam isso? É assim que a esquerda opera, desde sempre. Usam nossos recursos, via imposto sindical por exemplo, para manter um exército de manifestantes. Uma passeata sindical é tão espontânea quanto um autômato programado para só dizer "sim". A marcha chapa-branca é constrangedora. Mas é o esperado como reação da esquerda, tensa por ter seu monopólio das ruas ameaçado. Nesse artigo, eu expliquei porque esse tipo de ativismo é propício às esquerdas. Vale repetir um trecho aqui:

Mas eis o meu ponto principal: liberal quer ralar para ser alguém na vida, e para tanto precisa estudar e trabalhar. Já muito esquerdista, desde cedo, percebe que há uma alternativa para os vagabundos: pegar megafones, gritar slogans populistas, vestir camisa do assassino Che Guevara e pintar o rosto em passeatas. Eles aprenderam que alguns chegam até ao Senado com essa incrível trajetória! Os outros, como prêmio de consolação, ganham postos em sindicatos e estatais.

Protesto chapa-branca

Rodrigo Constantino

Vejam este rápido vídeo de Valter Pomar. Nele, vemos a imensa cara-de-pau de parte do PT ao tentar se apropriar das manifestações nas ruas. É uma medida ousada, pois claramente o tiro pode sair pela culatra. Mas a tentativa de se infiltrar em protestos que surgem de forma espontânea está evidente. O que não deixa de ser um paradoxo: o partido no governo chamando seus partidários para tomarem as ruas em protestos contra... o governo!

Sim, podem alegar que é para fazer "ainda mais", que a luta é contra "todos" e a "forma de se fazer política" no país, contra o PMDB, enfim, conforme Marcos Nobre afirmou em livro recente sobre as manifestações nas ruas. Mas é palhaçada achar que quem governa o país há mais de uma década poderia estar, de alguma forma, blindado, protegido ou acima de críticas gerais contra os serviços públicos e a corrupção. Sem falar que o próprio PMDB é da base aliada do governo!

As manifestações organizadas para hoje nasceram tortas: elas são obra de sindicatos que sempre mamaram nas tetas estatais. O depoimento de Valter Pomar, convocando os petistas às ruas, apenas comprova que os eventos marcados para hoje nada guardam em comum com o fenômeno que temos observado recentemente, quando milhares de pessoas da classe média saíram às ruas sem um chamado oficial desse tipo, sem partido, sem interesse eleitoreiro.

Protesto chapa-branca não está com nada! Essa tem sido a tática da esquerda desde sempre, especialmente do PT. Mas não cola mais. As pessoas saberão distinguir uma coisa da outra. Ficará claro que a esquerda organizada perdeu o monopólio das ruas. Assim se espera. Quem está nas ruas nesta quinta-feira é apenas massa de manobra de um partido político. Ainda que, como já disse, o tiro possa sair pela culatra.

sábado, julho 06, 2013

O culpado

Rodrigo Constantino

Em artigo publicado hoje no Estadão, o jurista Miguel Reale Júnior apontou o verdadeiro culpado por "tudo isso que está aí": Lula! O advogado diz:

Lula, o Macunaíma, tergiversador, que ora se disse traído pelos mensaleiros, ora passou a mão na cabeça dos aloprados, é o responsável pelo clima deliquescente em que está imerso o Brasil. Fortalece-se, agora, a reação à esperteza como um valor: pede-se moralidade e as pesquisas eleitorais mostram dobrar o número de indecisos, começar a queda de Lula e surgir a figura de Joaquim Barbosa, homem probo, franco, alheio a malabarismos malandros.

O exemplo vem de cima. Após tanto tempo de salvo-conduto que Lula gozou com infindáveis escândalos vindo à tona, o clima de anomia se instalou no país. Esse tipo de coisa acaba se espalhando para a sociedade como um todo. Claro que Lula não inventou a corrupção, mas nunca antes da história deste país ela ficou tão escancarada com o líder máximo do governo totalmente blindado da sujeira. O efeito Teflon se esgotou. Reale diz:

Deve-se ao julgamento do mensalão e ao ressurgimento da inflação a disseminação da revolta diante da situação moral e econômica do País. Atos de protesto reúnem diversos descontentes, sem propósitos idênticos, próximos apenas no inconformismo. Há um estado de anomia, de negação de legitimidade dos Poderes instituídos que leva a atender à chamada ao protesto como forma de expressar a descrença nos canais formais de representação da vontade popular: partidos, Congresso e governo.

Outro fator importante foi o contraste entre a situação real, cada vez manos favorável, e o discurso ufanista, propagandista, enganoso do governo. Enquanto o povo sentia a dor da inflação crescente, do caos urbano, o governo repetia que tudo estava incrivelmente fantástico. Em algum momento a dissonância cognitiva cessa. Reale aborda a questão:

A anomia decorre da frustração em vista da impossibilidade de satisfação das expectativas criadas de realização pessoal. Prometeu-se o acesso ao consumo, pela concessão de crédito e graças ao aumento salarial, alimentando desejos já exasperados pela propaganda, mas a inflação e o endividamento desfazem a promessa. Prometeu-se democracia como probidade e surge o mensalão. Prometeram-se condições dignas de vida com eficiente atendimento no transporte, na saúde, na educação, mas a realidade revela só o descaso dos donos do poder.

A reação do governo até aqui tem sido errática, populista ou aproveitadora. Reale apresenta uma agenda alternativa:

A agenda imediata poderia ser: diminuição do número de ministérios, redução drástica dos cargos em comissão na administração direta e nas empresas estatais, nomeação de técnicos para diretores dessas empresas, desaparelhamento do Estado, registro dos cabos eleitorais remunerados, dotação de meios para a Justiça e o Ministério Público Eleitoral fiscalizarem e reprimirem o uso de caixa 2 nas campanhas, proibição de fornecedoras e prestadoras de serviço ao governo contribuírem para campanhas eleitorais, assegurar verbas fixas para emendas parlamentares sem troca de voto por liberação de meios. Quebram-se fontes da corrupção e pode vir a seriedade.

Mas sabemos que isso não vai acontecer. A presidente Dilma é criatura de Lula. Foi ele quem a colocou no poder, e atrelou o resultado de sua gestão ao seu próprio nome. O sucesso de Dilma seria o sucesso de Lula, e o fracasso dela seria seu fracasso. Tivemos o fracasso. E agora não adianta Lula se fingir de morto, fugir para a Europa, ficar calado: ele é o grande culpado disso tudo. Suas impressões digitais estão em todas as cenas do crime. Quem pariu Mateus, que o embale!

O gigante adormecido

Rodrigo Constantino

Eu tenho adotado uma postura cética e crítica não só em relação as manifestações, como principalmente em relação ao clima que elas geraram nas ruas e nas redes sociais. Há quem até ontem só queria saber de novela e futebol, e de repente pensa que tudo será diferente pois o povo "acordou", e só quem está nas ruas está realmente fazendo algo para mudar "tudo isso que está aí".

Por isso me conforta quando vejo aqueles outros que, assim como eu, eram os mais críticos ao governo petista nos últimos anos, adotando a mesma postura cética, desconfiada, crítica. É o caso de Reinaldo Azevedo, Marco Antonio Villa e Guilherme Fiuza. Este, em sua coluna do GLOBO de hoje, toca em pontos muito importantes para justificar esse nosso ceticismo. Merece uma reflexão. Ele já começa assim:

O Brasil deu para dizer a si mesmo que mudou. Que nada mais será como antes das manifestações de rua, que agora vai. Que se os governantes e os políticos em geral não entenderem o recado das ruas, estão fritos. É um fanfarrão, esse Brasil.


Claro que algumas mudanças positivas podem ocorrer após essas manifestações. Mas não resta dúvida de que quem sonha com enormes mudanças, com fundamentais mudanças, irá se decepcionar. Eu caso grana nessa aposta! E digo isso pois o clima de cautela é crucial para impedir que essa esperança toda, mal-calibrada e pouco racional, volte-se contra o próprio povo, dificultando reformas necessárias, que serão lentas e graduais. Fiuza continua:

Qual é mesmo o recado das ruas? Vamos falar a verdade: ninguém sabe. Nem as ruas sabem. Ou melhor: não há recado. O gigante continua adormecido em berço esplêndido — o que se ouviu foi um ronco barulhento, misturado com palavras desconexas. Esse gigante fala dormindo.

Como eu tenho apontado, há uma tremenda cacofonia nas ruas, e as demandas são muito díspares. Alguns pedem mais gastos públicos, outros menos impostos, e outros ainda apelam para medidas populistas como "passe livre". O recado das ruas tem alvo: os políticos. Mas é muito vago, sem foco. 

O fator econômico como catalisador das manifestações também é abordado por Fiuza:

Há alguns anos, a imprensa vem contando aos gritos o que está acontecendo com o gigante, sem que ele mova um músculo. E o que está acontecendo é devastadoramente simples: em uma década, o ciclo virtuoso do país foi jogado fora pela indústria do populismo. A crise das tarifas de ônibus (estopim dos revoltosos) é só uma unha do monstro: o descontrole inflacionário causado pelo derrame de dinheiro público. País rico é país com 40 ministérios.


O meu principal receio com tudo isso tem sido acerca da reação do governo. O que vai sair de concreto disso? Congelamento de preços? Mais gastos públicos? Plebiscito? Enfim, o clima criado pelas manifestações podem também servir como pretexto para uma agenda nefasta do governo. Fiuza toca no ponto:

Enquanto isso, a maquiagem das contas públicas vai bem, obrigado — com mais um truque contábil no incesto entre o BNDES e o Tesouro, para forjar superávit e legalizar a gastança. É pedra na vidraça do contribuinte, que nada ouve e nada vê. Deve estar na passeata, exigindo cidadania.
Pensando bem, foi o governo popular quem melhor entendeu o recado das ruas: os cães ladram e a caravana passa. Ou talvez: os revoltados passam e a quadrilha ladra.
Para checar se o gigante estava dormindo mesmo, o estado-maior petista chamou um dos seus para ir até o ouvido dele e chamá-lo de otário, bem alto. Assim foi feito. Como primeira reação oficial às passeatas, Dilma escalou Aloizio Mercadante para dizer ao povo que ele ia ganhar um plebiscito. E que com esse plebiscito, ele, o povo, ia fazer a “reforma política” (o Santo Graal dos demagogos). Claro que o governo sabia que isso era uma troça, uma piada estilo “Porta dos fundos”. Tanto que caprichou nos ingredientes.


Fora isso, há outro risco que já mencionei também: a volta de Lula. Não acho trivial, não sei se ele desfruta dessa popularidade toda, e há boatos de que sua saúde não permitiria uma volta ao poder. Mas se Dilma for triturada antes do tempo, pode ocorrer isso sim, pois sabemos que o PT fará de tudo para se manter no poder. Fiuza conclui:

O país se zangou, foi para as ruas, tuitou, gritou, quebrou e voltou para casa sem nem arranhar quem lhe faz mal. O projeto de privatização política do Estado, que corrói a sociedade e seu poder de compra, está incólume. A prova disso? A popularidade de Dilma caiu, mas quem surgiu nas pesquisas para 2014 vencendo a eleição no primeiro turno, e escolhido “o mais preparado para cuidar da economia nacional”? Ele mesmo: Luiz Inácio, a nova esperança brasileira.
Ora, senhor gigante: durma bem! Mas, por favor, ronque baixo. E pare de bloquear as ruas com seus espasmos inconscientes.

quinta-feira, julho 04, 2013

Manifestações na era digital


Rodrigo Constantino

As manifestações que tomaram as ruas do Brasil representam um fenômeno complexo, que pegou quase todos de surpresa, e que demanda explicações variadas. Um dos nomes muito citados, como especialista no assunto, foi o de Manuel Castells, sociólogo catalão. Gosto de ir na fonte, e li Networks of Outrage and Hope: Social Movements in the Internet Age, a fim de conhecer melhor seus pontos. Confesso que fiquei decepcionado.

Há pontos importantes levantados pelo autor, sem dúvida. Mas, em linhas gerais, fiquei com a impressão de estar diante de um Sartre em Maio de 68. Castells não esconde seu profundo entusiasmo com essa “nova” forma de se fazer política, de substituir uma democracia representativa repleta de falhas por uma democracia mais “direta”. A inclinação do autor à esquerda é evidente o tempo todo.

O diagnóstico dos movimentos, que eclodiram em diferentes países sob diferentes contextos, parece-me correto. Um senso de humilhação provocado pelo cinismo e arrogância dos governantes, somados a problemas econômicos, políticos ou culturais, tudo isso em uma era de hiperconectividade pelas redes sociais, criou um mecanismo que transforma medo e revolta em esperança. O indivíduo não está mais sozinho; ele participa de uma rede gigantesca que lhe dá força para lutar por um “mundo melhor”.

Apesar das diferenças entre todos os movimentos espalhados pelo mundo, há denominadores comuns, tais como: descrédito de todos os partidos políticos; descrença na grande imprensa; ausência de uma liderança reconhecida; e rejeição a um modelo formal de organização. Eles são filhos da era digital, e o clima mais anárquico e caótico das redes sociais acaba transportado para as ruas.

Em nível individual, os movimentos sociais são emocionais. O indivíduo se insurge não por uma estratégia política ou partidária, segundo Castells, mas por seus sentimentos de revolta generalizada. Por isso esses movimentos acabam com uma cacofonia de demandas e reclamações, com um clima de revolta difusa, “contra tudo isso que está aí”. Depois pode vir a organização política, a liderança partidária ou pessoal, para tentar canalizar as reclamações e dar mais foco ao movimento.

Em linhas gerais, os movimentos modernos necessitam de elevada conexão via redes sociais, são predominantemente compostos pelos mais jovens e de classe média, que alimentam sua indignação diante dos problemas políticos, econômicos e culturais de seus países, e encontram na coletividade uma sensação de poder que justifica sua esperança para mudar “isso tudo” e construir um “mundo novo”. Normalmente algum pretexto qualquer representa a gota fora d’água, a fagulha que lança as chamas espontâneas nas ruas. Os movimentos ficam “virais”, tais como os “memes” das redes sociais.

Castells, que não trata muito bem das origens dos problemas econômicos desses países, ou quando o faz aponta para os culpados errados (modelo capitalista financeiro em vez de estado de bem-estar social), não consegue esconder sua empolgação com tudo isso. Ele inclusive coloca sob um olhar positivo os slogans românticos desses movimentos. São mensagens como: “Uma nova política é possível”; “Pessoas unem funções sem partidos”; “A revolução que estava em nossos corações agora invadiu as ruas”; “Nós carregamos um novo mundo em nossos corações”; “As barricadas fecham as estradas mas abrem o caminho”; “Desculpe o transtorno, mas estamos construindo um mundo melhor”; e “Somos os 99%”.

Mas será que isso difere tanto assim das décadas de 1960 e 70? “Paz e amor”, “Faça amor, não guerra”, ou coisas do tipo? Uma das características das redes sociais é encurtar as mensagens. O Twitter só aceita 140 caracteres. A Geração Y pode estar aprendendo a “pensar” com slogans bonitos, em vez de mergulhar em reflexões mais profundas. Além disso, essa hiperconectividade cria um ambiente de demandas instantâneas: repostas imediatas o tempo todo, a fim de saciar nossos apetites. Mas pode a política funcionar assim?

Na prática, vários problemas começaram a surgir. Como manter as ocupações? Como organizar as demandas, rejeitando as formas tradicionais das instituições “arcaicas” que eles condenam? Como decidir sem lideranças? Com o tempo, muitos movimentos foram se esvaziando, e apenas ativistas radicais permaneceram, retirando a credibilidade de porta-voz da população. Foi o caso do Occupy Wall Street e dos Indignados na Espanha. Os resultados concretos foram animadores como sugeria o clima de esperança e fervor utópico das ruas?

O que dizer da “Primavera Árabe” então? Castells foi um entusiasta, como tantos outros. A democracia finalmente estava chegando na região. Não seria um movimento islâmico, mas sim secular, como nos moldes ocidentais. Como está o Egito hoje? Acaba de sofrer um golpe militar sob enorme apoio popular para retirar do poder justamente um governante islâmico eleito um ano antes. Como está a Síria? A Líbia? Há motivos reais para muita comemoração?

Castells pensa que a principal função desses movimentos será o despertar das consciências, a noção de que os indivíduos agora desfrutam de um mecanismo poderoso de influência política. Ele conclui com uma mensagem extremamente otimista: “O legado dos movimentos sociais em rede terá sido levantar a possibilidade de reaprendermos a viver juntos. Na democracia real”. Será?

Não vou negar que é importante sacudir o status quo, ainda mais quando nem democracia representativa há de fato. Mas eu teria mais cautela no prognóstico. As redes sociais são um instrumento; a matéria-prima ainda é a mesma: o ser humano. E nisso eu tendo a concordar com muitos filósofos conservadores, ou com a metáfora do “pecado original” do Cristianismo: a natureza humana é complicada.

Pensar que um meio – a rede social – será capaz de transformações tão incríveis assim, soa mais como sonho utópico. Penso logo em Sartre, babando de euforia com a revolução que iria mudar o mundo para sempre. O que mudou ali foi para pior. Para evitarmos o mesmo destino dessa vez, considero fundamental uma abordagem mais cética diante do fenômeno “novo”. Boas mudanças podem nascer disso tudo sim; mas nunca é demais lembrar que mudanças negativas também podem. Bem negativas.

Manifestantes ou criminosos?

Rodrigo Constantino

Deu no Estadão: Manifestantes incendeiam pedágios e depredam prefeitura de Cosmópolis

No GLOBO, a manchete é similar: Manifestantes incendeiam cabines de pedágio em SP

Diz a matéria: "Cerca de 200 pessoas protestaram, das 5h30m até as 9h, contra a tarifa para carros, no valor de R$ 6,20". Que me perdoem todos aqueles empolgados com as manifestações, que são em sua maior parte pacíficas, mas acabam dando guarida a esse tipo de coisa: Manifestantes? Protestos? Sério?

Questão de semântica, mas é que dou importância ao adequado uso dos conceitos: eram criminosos! Quem depreda instalações e incendeia cabines de pedágio comete um crime, não um ato de protesto. Quem parte para a ilegalidade e destrói patrimônio, público ou privado, não está se "manifestando", e sim praticando um crime.

Como resumiu Thomas Sowell, mirando nos criminosos que tomaram os campus das universidades desde Maio de 68 para impor sua agenda cultural ao resto do mundo: "Note-se que 'manifestantes' é o termo politicamente correto para baderneiros, vândalos, ou tropas de assalto no campus". Vamos chamar as coisas pelos seus devidos nomes?

terça-feira, julho 02, 2013

A Fiesp é vermelha

Rodrigo Constantino

Eu tenho dito e repito: quem tem Fiesp não precisa de USP! A cada artigo novo de Benjamin Steibruch, fica mais evidente que tanto faz se é ele, Delfim Netto, Beluzzo ou até o Mantega escrevendo: a mensagem é basicamente a mesma. O governo deve estimular a economia com mais gastos e redução dos juros. A receita "desenvolvimentista" dessa turma é a responsável pelos problemas atuais que estamos vivendo, mas eles fingem que nem é com eles...

Steinbruch reforça seu pedido por mais gasto na última coluna da Folha:

Não tenho a intenção de discutir as reivindicações dos manifestantes. Há, porém, na maioria delas uma clara demanda de aumento de gastos públicos. A suspensão do reajuste das tarifas de ônibus em muitas cidades, principal conquista do movimento até agora, assim como a melhoria do transporte, da saúde e da educação apontam nessa direção.
Não é necessariamente ruim essa demanda, ainda que ela se choque frontalmente com a austeridade fiscal cobrada hoje do governo. O gasto público, corretamente direcionado para investimentos e para áreas sociais constitui um propulsor da economia.

É verdade que, em meio à cacofonia das ruas, havia demandas esquerdistas por mais gasto público sim. Mas essa não é a principal bandeira das manifestações, que incluem ataques contra a corrupção e outros slogans de cunho moral. O que o povo pede são melhores gastos públicos, ou seja, um senso de prioridade diferente por parte do governo. Em vez de arenas bilionárias, mais metrô, por exemplo. Em vez de trem-bala, hospitais decentes.

Isso nada tem a ver com a bandeira keynesiana abraçada por esses economistas e empresários que celebram mais gastos públicos, pois isso estimularia a demanda agregada que, por sua vez, incrementaria a produção nacional e geraria mais emprego e renda. A crença nessa ilusão é justamente o que nos trouxe aqui, com contas públicas deterioradas e uma lamentável situação de estagflação: baixo crescimento e elevada inflação.

O empresário ainda tenta, imitando o próprio Lula, dar um jeito de concluir que essas manifestações todas são resultado do sucesso dos últimos anos. Ele diz:

Internamente, uma grande massa teve aumento de renda, aprendeu a gostar do país em que vive e se acostumou a ter orgulho de ser brasileiro - milhares de trabalhadores foram repatriados. Agora, essa massa quer mais. Quer infraestrutura, saúde, educação, transporte eficiente, combate à corrupção.

Patriotismo despertado pelo sucesso da economia, eis o resumo que faz Steinbruch do quadro atual. Eu discordo totalmente, claro. Aquele crescimento era artificial, insustentável, e a conta está chegando. Junte-se a isso a questão da corrupção escancarada e da impunidade, e temos um barril de pólvora. O PT plantou essas sementes podres, e agora está colhendo seus frutos. 

Benjamin Steinbruch aplaudia a gestão antes, gostava do veneno que produziu os males, e agora se faz de desentendido, e demanda mais veneno ainda. Eu tenho dito e repito: quem tem Fiesp não precisa de USP. A Fiesp é vermelha.

segunda-feira, julho 01, 2013

O inverno brasileiro

Carta Mensal da MP Advisors 

“É o homem previamente esvaziado de sua própria história, sem entranhas de passado e, por isso mesmo, dócil a todas as disciplinas chamadas “internacionais” (…) só tem apetites, pensa que só tem direitos e não acha que tem obrigações: é um homem sem obrigações de nobreza.”

O Homem-Massa, segundo José Ortega Y Gasset

Usualmente, os estudantes escolhem o mês de outubro para a semana do saco cheio, para dar um tempo.  Este ano, não só os estudantes mas também toda sorte de gente escolheu junho para dar o seu grito de basta.  Todos foram para a rua protestar contra 'tudo isso que está aí'. Nossos leitores sabem que motivos não faltam para tanta indignação. Afinal, a conta dos 10 anos de PT está chegando, e garanto que não vai ser baratinha não. Mas o que exatamente está em curso? Esse movimento nas ruas é algo positivo ou negativo? Quais as implicações políticas do despertar do 'gigante'? E a economia? Qual a visibilidade para os investimentos?

Não se trata de uma carta mensal trivial e muito menos fácil. Quisera eu ter as certezas que as massas (reais e das redes sociais) demonstram com tanta propriedade, após descobriremo que afinal era essa tal de PEC 37.  O que me move, neste texto, é um certo assombro com o nosso tempo e mais dúvidas do que certezas em relação ao nosso futuro. De qualquer forma, pode-se inferir do processo em curso:

- As redes sociais, a exemplo do que já ocorre em outros países, agilizam e potencializam esse movimento que os especialistas chamam de swarming (comportamento migratório de manada). A democracia tradicional representativa, onde o eleitor esperava pacientemente quatro anos por um recall (reelege ou não) do seu candidato parece obsoleta no mundo em rede, onde as demandas são instantâneas. A geração predominante (Y) é mimada e deseja tudo para ontem. O grande risco é a volta dos governos populistas, agradando a qualquer custo o seu eleitor.

- O filósofo Raymond Aron definiu os protestos de Paris  em 68 como um 'psicodrama coletivo'.  Pela variedade difusa de demandas (algumas contraditórias entre si) e pela falta de lideranças, o movimento tem componentes de um certo desconforto existencial de uma geração, onde a crença em Deus (presente nas gerações passadas) foi substituída pela crença no estado babá.  Quando o provedor não atende suas expectativas, a revolta e a angústia tomam conta do indivíduo.  Eles diagnosticam corretamente o problema (o estado é corrupto e ineficiente), mas pedem, como solução, justamente 'mais estado'.  De positivo pode-se ressaltar que o brasileiro se descobre como um 'pagador de impostos'.

- Falta de conexão entre causa e efeito.  Não é de se espantar saber que quem está nas ruas agora  foi justamente quem elegeu PT & aliados nos últimos 10 anos?  A massa se comporta como se os marcianos tivessem instalado o PT na direção do país, contra a nossa vontade.

- A resposta do governo nos levará mais e mais para a esquerda.  Afinal, quando se pede para um pagodeiro tocar uma música, ele responderá tocando mais um pagode.  Assim é com a Dilma, não importa o problema. Ela responderá sempre da mesma forma.  Aliás, é bom frisar que gosto muito da Dilma e do Mantega, quando estão dormindo.  Os dois acordados, e sendo pressionados pela turba, só responderão com mais e mais gastos públicos, já em curso com o passe livre para os estudantes, a suspensão de reajustes nas concessionárias elétricas e de rodovias e um não solicitado plebiscito de custo estimado em  R$ 500 milhões. 




- Muito da 'resposta' do governo e do congresso é apenas cortina de fumaça, e sabemos que educação e saúde não irão melhorar com esse nível de competência presente no governo, vide o atraso presente em praticamente todas as obras do PAC.  No curto prazo, as ruas devem se acalmar (os protestos já reúnem menos e menos pessoas), porém no médio prazo (Copa de 2014?), essa multidão poderá voltar para as ruas,  ensandecida e não mais disposta a dar um crédito de confiança para as autoridades.  O resultado pode ser catastrófico.

É claro que não desejamos fazer a defesa das autoridades no poder, apenas questionamos se esse método das ruas é o mais eficaz.  Acreditamos na legalidade e nas regras do jogo.  O mais importante agora é termos certeza que o jogo eleitoral é limpo (porque não uma auditoria nas urnas eletrônicas?) e lutarmos por uma mudança dos rumos do país nas urnas e dentro das regras democráticas.  A baderna nas ruas só interessa aos que não tem nenhum apreço pela democracia, que fique claro. E imaginar que  colocar centenas de milhares nas ruas sem qualquer tipo de baderna é ingenuidade.

Para adicionar insulto à injúria, o ataque de nervos brasileiro ocorre bem no momento em que o banco central americano, o FED, anuncia que considera o início da redução do programa de compra de títulos (algo como USD 85 bilhões por mês) para o final de 2013 e se estendendo até meados de 2014.  Embora isso não signifique aumento das taxas de juros (que viriam em um momento posterior), o mercado global se assustou e o impacto nos ativos financeiros foi generalizado.  Títulos de renda fixa, ações, ouro e moedas tiveram oscilações negativas significativas.  O resumo é que desde 2008 o Brasil teve 5 anos para arrumar a casa, fazer as reformas e pavimentar o caminho de crescimento sustentável.  Mas qual foi a opção de Dilma? Tal qual a cigarra preguiçosa da fábula, ela optou por mais e mais gastos e estímulo ao endividamento e ao consumismo exagerado da nova classe C. Pois bem, o inverno está chegando e a cigarra não se preparou.

Na renda fixa a nossa visão mudou um pouco.  Após um tempo de tutela, o Banco Central parece que ganhou da Dilma liberdade para agir. Afinal, ela viu que aumento dos preços pode tirar voto. Esperamos um banco central um pouco mais ativo e imaginamos, no final do ciclo de aumento dos juros, uma taxa SELIC na casa de 10% ao ano.  No atual nível de preços dos títulos pré-fixados, não vemos um prêmio razoável para estas posições, bem como no mercado de papéis de curto prazo indexados à inflação.  O melhor é ficar pós-fixado e aproveitar a elevação das taxas.  No mercado internacional os preços dos títulos de renda fixa, após a correção, estão atrativos.  Teremos um longo chão até o aumento de juros nos EUA.

Temos alertado nossos amigos e clientes a se manter longe da bolsa.  A recente onda de populismo de Alckmin e Beto Richa, impedindo os reajustes dos pedágios e de energia (Copel), mostra que não existe setor seguro num país com governo socialista e oposição medrosa, que tenta agradar às ruas de qualquer maneira.  E um ambiente de aumento de juros e estagflação não é propício para aventuras com as ações brasileiras.

O dólar teve um mês nervoso, chegando a bater em R$ 2,28 e fechando o mês na casa dos R$ 2,22.  Aqui há dois fatores remando na mesma direção (desvalorização do real): a tendência do dólar  se valorizar frente a todas as moedas (crescimento nos EUA ) somada aos nossos problemas intrínsecos.  Mesmo com toda a munição do governo, a tendência do real é de uma lenta, porém constante, desvalorização.

O momento é de calma, liquidez, pouco risco e comedimento nos gastos.  O futuro nunca esteve tão incerto.

quinta-feira, junho 27, 2013

Ativismo de rua é vantagem para a esquerda

Ou Profissão: Revolucionário

Rodrigo Constantino

Vou tentar explicar de forma bastante sucinta porque a tendência é o ativismo das ruas virar monopólio das bandeiras de esquerda, como sempre foram. Entender essa lógica é fundamental para aquele grupo de liberais ou libertários empolgado com as manifestações, pensando ser possível capturar as ruas para o lado de cá.

O liberal, por definição, possui visão antiestatizante e mais individualista, menos coletivista. Além disso, ele costuma defender a meritocracia e o livre mercado, premiando o esforço do indivíduo. Isso faz com que ele, normalmente, valorize bastante a educação, o trabalho, a preparação em nível individual para subir na vida.

Em meu tempo de PUC, a distinção não poderia ser mais clara: no mesmo pilotis, habitavam os futuros economistas e advogados, aproveitando o tempo vago entre aulas para estudar, e o pessoal de comunicação, que formava o grupo "Cambralha", uma turma que parecia ter tempo vago infindável para fumar maconha e "debater" sobre os males da humanidade.

É claro que estou generalizando e, portanto, sendo injusto com muitos casos individuais. Mas o grande quadro era esse mesmo. Lembro-me perfeitamente quando a lanchonete Subway anunciou que teria uma filial na faculdade. Os economistas e advogados agradeceram mais uma opção de lanche rápido, e os esquerdistas do "Cambralha" fizeram o que mais gostam: um teatrinho para protestar, com todos de mãos dadas lutando contra o "capitalismo". O slogan era "A PUC não é shopping center". Losers...

Mas eis o meu ponto principal: liberal quer ralar para ser alguém na vida, e para tanto precisa estudar e trabalhar. Já muito esquerdista, desde cedo, percebe que há uma alternativa para os vagabundos: pegar megafones, gritar slogans populistas, vestir camisa do assassino Che Guevara e pintar o rosto em passeatas. Eles aprenderam que alguns chegam até ao Senado com essa incrível trajetória! Os outros, como prêmio de consolação, ganham postos em sindicatos e estatais.

Logo, quanto mais tempo a "ocupação" das ruas demorar, mais os liberais terão que abandonar a farra e retornar para suas vidas cansativas, de dedicação aos estudos e ao trabalho. Já os esquerdistas verão nisso uma oportunidade para seu futuro na política, nos sindicatos, na UNE. A desvantagem é evidente para o lado liberal.

Para piorar, há a questão do financiamento. O liberal acredita na responsabilidade individual e condena o estado inchado; já o esquerdista adora mamar nas tetas estatais! Ele suga os impostos dos outros via ONGs, sindicatos, patrocínios estatais etc. Nenhum grupo com bandeiras liberais terá fôlego para manter um exército de ativistas nas ruas; os esquerdistas vivem disso!

As manifestações têm sido marcadas cada vez mais cedo, no meio da semana. Quanto mais tempo isso durar, menos adesões de liberais veremos, e maior será a parcela dos esquerdistas defensores do grande estado. Além disso, os liberais também vão acabar retirando seu apoio, pois manifestações no meio do dia são desastrosas para os negócios. Quem depende do lucro para sobreviver não pode se dar ao luxo de parar dia sim, dia não, de perder faturamento. Já quem vive de impostos pode passar o dia inteiro nas ruas, pregando um "mundo melhor".

Espero ter deixado bem claro porque os liberais deveriam condenar esse tipo de "democracia das ruas". Ela estimula a demagogia, o sensacionalismo e o populismo, e ainda por cima se torna território quase exclusivo, com o passar do tempo, da esquerda. Esse não é o nosso campo de batalha.

Racionalização: O país que não se conhece

Milton Simon Pires

Racionalização - Processo de justificar, pelo raciocínio, um comportamento qualquer depois de realizado, atribuindo-se-lhe outros motivos que não os reais.
Por não poder conceber os motivos reais por trás do comportamento de seu amado, a moça promove uma racionalização, ao afirmar veementemente: "Ele não ligou porque está trabalhando até tarde".
Comecei o texto assim, com um “copiar e colar” de um tal de dicionário informal da internet, para dizer que é exatamente isso que a imprensa brasileira começou a fazer agora com as manifestações. É impressionante ver que se criou um certo tipo de “narrador de manifestação” - alguém que começa com “como é bonito ver as pessoas exercendo seus direitos” e termina com “são uns poucos vândalos que estragam esse momento democrático atirando pedras nos policiais”..
Pelo amor de Deus, até quando vai esse tipo de comentário imbecil? Até quando esses “gênios” da Globo News, Band e outras “empresas de comunicação” vão continuar com a idéia de que estão transmitindo algo que tenha regras? Não é preciso ser um especialista para entender um mínimo daquilo que se chama de “psicologia de multidão” - uma ciência que para LBB, a Legião Brasileira de Bobalhões, deve ser nova. Entendessem um mínimo a respeito daquilo que falam e chegariam à conclusão de que um movimento assim não é um desfile de escola de samba, que ele não tem inicio, meio e fim, e que o comportamento de todas, isso mesmo seus idiotas, de todas as pessoas é imprevisível! Multidões não são times de futebol, não podem ser “analisadas” ao vivo pelo Galvão Bueno, e não existem “destaques” nelas para se analisar. A violência intrínseca de 120.000 pessoas nas ruas de São Paulo consiste  exatamente em 120.000 pessoas nas ruas de São Paulo! Não interessa o que elas vão fazer nem se a motivação é justa. Não interessa nem ao leitor saber aqui se sou contra ou não ao direito das pessoas se manifestarem. 120.000 pessoas caminhando pelo meio da rua numa cidade do tamanho de São Paulo ou qualquer outra grande capital brasileira é, em si, algo perigoso e violento por natureza. Qualquer um que já esteve em algo assim sabe que as pessoas mais corajosas e fortes tornam-se covardes e fogem da polícia ao mesmo tempo que mocinhas de colégio se transformam em demônios – fiz um cursinho de psicologia pela internet nesse final de semana e aprendi isso - legal, né?
Enquanto a “ficha não cair” e o próprio Brasil não apreender sequer a interpretar o que está sentindo não há mérito algum em “psicólogos de televisão” serem contra ou a favor daquilo que está acontecendo. Já disse em texto anterior o que penso estar ocorrendo, já disse que sou fanaticamente contra, apontei quem são os responsáveis,  e defini quais seus objetivos. Hoje a ideia foi outra – mostrar que a imprensa do “país tropical e abençoado por Deus” não sabe nem como narrar os fatos  e mistura um sentimento de “Festa da Democracia” + “desfile de escola de samba” + “catástrofe natural” numa prova evidente de racionalização e numa “manifestação”, se me permitem o trocadilho, mais do que clara de que o país não se conhece...

O lado bom das manifestações

















Rodrigo Constantino

Tenho adotado uma postura bastante cética e critica em relação a essas manifestações no país. Isso se deve a vários motivos, entre eles:

1.     Não aprecio o clima revolucionário de que vamos mudar o mundo rapidamente, saindo às ruas contra o “sistema”, contra “tudo isso que está aí”, pretexto muitas vezes para anarquia e depois golpe autoritário;
2.     As manifestações partiram de movimentos organizados de esquerda com interesses obscuros, e por mais que agora essa turma seja minoria, a grande imprensa ainda dá espaço desproporcional a eles como interlocutores das ruas, ou seja, muitos servem como inocentes úteis para engrossar o quórum das demandas da esquerda, sempre mais tarimbada no assunto de manipulação das massas;
3.     Falta foco, a revolta é geral, as demandas são difusas, e não se governa um país sem líderes e partidos organizados, apenas escutando as “vozes das ruas” que repetem slogans simplistas;
4.     Justamente por isso, a reação do governo pode ser (e tem sido) oferecer como resposta a essa pressão toda mais governo, mais intervenção estatal;
5.     Não compro a tese de que o “gigante” acordou, e que agora todos estão conscientes da política e não vão mais tolerar coisas como o “mensalão”, deixando de lado o velho “Pão & Circo”;
6.     Receio que o tiro saia pela culatra, e que o maior prejudicado no curto prazo seja o fisiológico PMDB, que mal ou bem segura as pretensões bolivarianas do PT, abrindo espaço para um avanço ainda maior dos petiscas;
7.     Temo também que o clima de insatisfação geral criado pelas passeatas seja propício para aventureiros de plantão, para um messias salvador da Pátria que prometa ignorar as falhas instituições democráticas para resolver nossos males em uma “democracia direta”;
8.     Pelo mesmo motivo, desconfio de toda proposta que procura passar por cima do Congresso, apesar de este ser um balcão de negociatas, pois não acredito em saídas milagrosas fora da democracia representativa;
9.     O clima de baderna gerado pelas manifestações acaba dando guarida aos vândalos que, embora em minoria, conseguem fazer um estrago no tecido social da nação, estimulando a anomia, a sensação de terra sem lei, protegidos da policia justamente porque há uma maioria pacífica nas ruas e uma forte opinião pública contra as ações da força policial;
10.  Não acredito que seja possível sustentar por muito tempo essa forma de protesto, pois as pessoas precisam retornar ao trabalho, às suas vidas, com seu direito de ir e vir restabelecido, e nossos fins nobres não podem justificar meios condenáveis que prejudicam os inocentes ainda mais;

Essas são, basicamente, as razões pelas quais tenho feito ataques às manifestações, tentado trazer um pouco mais de serenidade e luz em meio a tanto calor difuso, jogado baldes de água fria em muita gente eufórica com essa situação nova no país.

Dito isso, é claro que não tenho apenas sentimentos negativos diante do quadro geral. Tenho sido o advogado do diabo, demandando mais cautela e cuidado, mostrando os enormes riscos disso tudo. Mas me parece inegável que há alguns pontos interessantes no que se passa. Para não ignorá-los e ficar parecendo que eu condeno tudo, vou listar algumas vantagens desse momento atual em que vive o Brasil:

1.     De fato, a letargia até então era algo irritante, e até chocava a postura de pacato cidadão do brasileiro, que apanha o ano inteiro do governo, com sua incrível incompetência, seu descaso total, sem nada fazer, e agora, ao menos, demonstra sua revolta, ainda que de forma desorientada;
2.     Ao obter alguma reação dos governos, essas pessoas descobrem o poder do grito, o que pode ser um perigo à frente, mas que também representa uma nova forma de evitar abusos, colocando os políticos contra a parede, temerosos até de sua integridade física daqui por diante (nunca é ruim o governante ter um pouco de medo da população);
3.     O fato de tudo isso ocorrer durante a gestão petista pode, naturalmente, fortalecer a idéia de que o governo do PT não tem absolutamente nada de fantástico como seus marqueteiros dizem e algumas pesquisas “comprovam”, deixando evidente que há um grau de insatisfação generalizada no país;
4.     Isso tudo, ainda muito caótico, pode servir para que alguns jovens, hoje encantados com soluções utópicas, descubram a importância de mergulhar mais a fundo nos problemas políticos e econômicos, de forma mais racional, o que os levará, sem dúvida, rumo ao liberalismo;
5.     Nosso patriotismo pode sair fortalecido, a sensação de que a Pátria tem salvação e de que cabe a nós, brasileiros, moldarmos nosso destino, sem termos de aceitar de forma resignada que sempre seremos uma porcaria, um país jogado às traças, aos bandidos que usam e abusam de nossos impostos sem a menor preocupação com a reação dos “bovinos” obedientes;

Portanto, como fica claro, nem tudo é desgraça. Para mim, o ideal seria que boa parte do povo tivesse realmente acordado, se dado conta de que precisamos pressionar por mudanças, e que isso resultasse em movimentos organizados dentro da democracia representativa, cujo foco no curto prazo fosse retirar o PT do governo.

Não é esse o caso, não há esse mesmo diagnóstico, os métodos adotados me incomodam e geram apreensão, pois receio que o resultado não seja do nosso agrado. Mas também não quero passar a impressão de que o melhor seria simplesmente voltar ao que era antes, colocando o “gigante” para dormir novamente, passivo diante de tantos abusos do governo.

Será possível canalizar tanta energia despertada para algo mais construtivo, respeitando-se as vias da democracia representativa? Espero que sim. E é esse o desafio homérico dos liberais.