sexta-feira, setembro 11, 2009

A imprensa argentina sob ataque



Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

No mesmo dia em que o jornal Clarín denunciou irregularidades no governo da presidente Cristina Kirchner, sua sede foi alvo de uma inesperada inspeção da AFIP (a Receita Federal argentina). Mais de 200 fiscais chegaram à sede principal do jornal, e outros 50 inspetores foram enviados pelo governo a sete empresas do grupo. A Casa Rosada, habitada pelo Casal K, declarou guerra aos principais meios de comunicação do país, seguindo o exemplo de Hugo Chávez, caudilho que praticamente já destruiu toda a liberdade de imprensa na Venezuela.

Governos autoritários nunca aceitaram a liberdade de imprensa, fundamental para expor e limitar a volúpia por poder dos governantes. Intimidar e controlar os veículos de comunicação sempre foi uma meta dos caudilhos. Quando o governo controla poder econômico demais, essa tarefa fica deveras facilitada, pois todos os empresários são reféns da arbitrariedade dos governantes. O governo pode domesticar a imprensa através de leis abusivas, ameaça de retirar o direito de concessão, corte nas verbas de propaganda ou operações fiscais, quando o custo da legalidade é proibitivo no país. Não pode haver liberdade de imprensa quando não há ampla liberdade econômica e direito de propriedade privada garantido.

O comunista Trotsky afirmou: “Os jornais são armas. Eis porque é necessário proibir a circulação de jornais burgueses. É uma medida de legítima defesa!”. Seu colega revolucionário, Lênin, foi na mesma linha: “Por que deveríamos aceitar a liberdade de expressão e de imprensa? Por que deveria um governo, que está fazendo o que acredita estar certo, permitir que o critiquem? Ele não aceitaria a oposição de armas letais. Mas idéias são muito mais fatais que armas”. Esta mentalidade pariu a União Soviética, e parece ser o rumo desejado por alguns latino-americanos.

Enquanto isso, eis o que dizia Thomas Jefferson sobre o assunto: “Uma vez que a base de nosso governo é a opinião do povo, nosso primeiro objetivo deveria ser mantê-la intacta. E, se coubesse a mim, decidir se precisamos de um governo sem imprensa ou de uma imprensa sem governo, eu não hesitaria um momento em escolher a segunda situação”. A Venezuela e a Argentina escolheram o caminho leninista. O Brasil que se cuide!

44 comentários:

werlang-assis disse...

É... Depois de pensar bastante, percebo que a mais necessária condição ao progresso da humanidade reside justamente na extinção dos governos, isto é, na anarquia de mercado. Só com a (linda) palavra "liberdade" atuante em todos os cantos é que poderemos encontrar desenvolvimento e paz.
Na VEJA de alguns dias atrás, fiquei estonteado com uma interessante reportagem sobre a realidade de Cuba. O paraíso da igualdade é limpar a bunda com jornal!
Viva, então, o Bem Comum! Que todos sejamos escravos de monstros como Fidel!

Hique disse...

A anarquia existe em vários países africanos e recentemente no Haiti. Talvez eu esteja enganado, mas não parecem ser referências do progresso da humanidade.

HÖERSTER, Ricardo. disse...

Retirado do Wikipédia:

"Tahiti is part of French Polynesia (Polynésie Française). French Polynesia is a semi-autonomous territory of France with its own assembly, president, budget and laws. France's influence is limited to subsidies, education and security".

Marcelo disse...

Bem sabemos que a anarquia que grassa lá na África é fruto dos próprios governos. Eles, com a negação da liberdade, é que trazem a escassez generalizada de tudo, fazendo concluio com imperialistas europeus. É só ver o filme "O Jardineiro Fiel". Os governos de vários países estão metidos na trama.
A África é o retrato extraordinário do Bem Comum.
Que moralidade tem o Estado? Ele pega os seus recursos na marra. Só é divinizado por causa da violência, da coerção, da compulsão.
E devemos nos lembrar de que os maiores criminosos da humanidade foram sempre chefes de Estado: Napoleão, Hitler, Stalin, Fidel, Pol Pot, Mao...
E a ENORME maioria dos políticos (os caras que comandam os Estados) está sempre metida em falcatruas das mais variadas e em abusos dos mais vergonhosos. São tão-somente criminosos. Coincidência???
O Estado é apenas uma instituição criminosa, e os políticos são "gângsteres institucionalizados". Eis o Bem Comum.

Hique disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Hique disse...

> "Bem sabemos que a anarquia que grassa lá na África é fruto dos próprios governos"

Na anarquia não há governo.

@Ricardo

Talvez tenha ficado ambíguo, mas o "recentemente" era para dizer justamente que hoje o Haiti não é uma anarquia.

Hique disse...

A propósito, Taiti e Haiti são países diferentes.

Marcelo disse...

Hehehehehehe... O Hique apenas se focou na questão semântica... Anarquia = ausência de Estado. Eu empreguei "anarquia" no sentido de "ausência de ordem", embora concorde que o sinônimo de anarquia seja mesmo "ausência de Estado".
Os governos da África, portanto, causam ausência de ordem, pois lá não há ausência de Estado.
Haiti... Se olharmos para a sua História, veremos que o caos que reina no país é fruto dos governos autoritários que se sucederam, tais como o de "Baby" Doc. Tudo resultado do Bem Comum.

Antonio disse...

Só exisitirá liberdade econômica, a tal "anarquia de mercado", quando houverem trocas mútuas entre as nações. Ou seja: fim de subsídios e competitividade legítima. Mas tudo, é claro, em condições iguais para todos, e isso sim depende exclusivamente dos governos locais.

Abraços!!

Hique disse...

Antonio, novamente, na anarquia de mercado não há governo. Apenas instituições privadas.

Marcelo disse...

Gente, esqueçam os governos!!!
Parem de pensar que precisamos deles, que a existência deles é necessária!
Governo nenhum é a favor do cidadão comum. Ele sempre favorecerá quem o comanda: os políticos, as elites mandantes, os capitalistas "mamadores de tetas", os sindicatos, os MSTs da vida.
GOVERNO NENHUM CONSEGUIU EVITAR O BEM COMUM, ISTO É, O MAL INDIVIDUAL.
Lembremos a frase de Mises: "Liberty is always freedom from the government".
That's all.

Hique disse...

Marcelo, você acha que esses países sem governo da África, como a Somalia, que é o exemplo mais clássico, estão melhores que os outros?

Marcelo disse...

Como é que a Somália pode ser Somália sem possuir um Estado? Ela, então, seria outro país.
Mises: "A state without territory is an empty concept. A state without sovereignty is a contradition in terms".
Ela, sim, possui governo.

Hique disse...

Marcelo,

Nota que ninguém tocou no assunto se a Somália é um estado ou não. Quando você fala da Antartica, não está dizendo que ela é um estado, mas sim se referindo ao território.

A Somália não possui governo desde 1991. É citado como exemplo real de uma sociedade sem estado (stateless society). Aqui você encontra essas e outras informações:

http://en.wikipedia.org/wiki/Anarchy_in_Somalia

JOÃO MELO disse...

Rodrigo, boa tarde!
Mudando de tema, li a pouco, via internet mesmo, já que estou aqui no meio da selva, 200 km de Belém-PA, o caderno MAIS da FOLHA, no qual provoca debates entre a maneira de pensar a ECONOMIA. Por exemplo, para o historiador britânico Tony Judt, o mundo assiste aos últimos momentos da hegemonia dos economistas ortodoxos no debate de políticas públicas, o que não acredito. Também tem uma questão “Há alternativas, novos temas ou enfoques que devam ser incorporados ao ensino de economia?” respondida por quatro colegas com diferentes visões, mas que realmente nos faz PENSAR no que devemos MUDAR na maneira de estudar ECONOMIA. Caso você tenha interesse, deixo aqui a dica.
Um abraço de seu leitor,
João Melo, direto da selva!

Antonio disse...

Hique

Eu não estou estou defendo a anarquia de mercado não (que confesso ter ouvido esse termo pela 1º aqui nesse blog). Sou a favor de liberdade econômica sim, mas também da presença do estado como uma espécia de gerenciador estratégico e pouco intervencionista.
E como eu disse antes, isso depende muito do governos, pois são eles que criam e derrubam barreiras protecionistas e incentivam, eu disse incentivam, o desenvolvimento local para permitir uma concorrência livre e estimular a competitividade.

Abraços!!

Marcelo disse...

Caro Hique,

Gostei muito de ler o site que me indicou.
Eu realmente desconhecia que o território da Somália fosse uma anarquia. Achava que era mais um país em guerra civil, com várias facções tentando controlar os Estados, como tantos outros da África.
Aguardemos o longo prazo. Acho que a região da Somália prosperará bastante. Esperemos mais tempo para ver como a experiência somaliana se comportará.
Claro, não sou um anarquista fanático. Aceito também o Estado Super Mínimo(polícia e tribunais; o resto - moeda, ruas, canos d'água, eletricidade, etc. - não pode estar em mãos governamentais).
Abraço!

werlang-assis disse...

Coletei mais informações sobre a Somália. Quanto mais eu lia, mais eu me convencia das verdades do anarco-capitalismo. Realmente, a ausência de Estado trouxe consideráveis melhoras aos Somalis, se compararmos com a situação que vigorava quando havia um Estado centralizado.
Adorei ler sobre isso.
(Só há o problema da pirataria e dos monopólios de segurança realizados por algumas milícias.)
A Somália, dentro de 30 anos, eu acredito, virará referência mundial.
O Bem Comum não mais ocorrerá!

Adamos Smithson disse...

A Somália, dentro de 30 anos, eu acredito, virará referência mundial.

Acho que a região da Somália prosperará bastante.

Não consegui entender se vocês estão ou não sendo sarcásticos.

Taí... eu sempre sugeria aos defensores do Comunismo que fossem morar em Cuba, pra que pudessem desfrutar das maravilhas da economia planificada. Teriam que abrir mão, é claro de celular, computador, progresso e, agora, papel higiênico.

A partir de agora, vou sugerir que os anarco-capitalista mudem-se para a Somália e passem a desfrutar do mundo maravilhoso regrado apenas pelas trocas voluntárias. Vão ter que abrir mão de segurança, água potável e outras coisitas mais, é claro.

Marcelo disse...

Não estou sendo sarcástico.
Acho mesmo que a Somália está no bom caminho. Eu até moraria lá caso o desenvolvimento econômico da região estivesse menos incipiente. Comparativamente, a situação pós-estado está MUITO melhor do que anterior. O setor de telecomunicações, por exemplo, é um dos mais avançados da África.
Ainda se notam os efeitos da guerra civil que desmantelou o Estado. Precisamos esperar mais tempo para ver como o anarco-capitalismo se desenvolverá.

Marcelo disse...

O Dr. Constantino, certamente, deve ter acompanhado as nossas postagens. Ele poderia nos presentear com a sua opinião sobre o anarco-capitalismo e sobre a Somália. Sugiro-lhe que escreva, com o seu talento habitual, um artigo acerca do tema.

Adamos Smithson disse...

Marcelo, pense comigo. Se de fato a Somalia estiver no caminho certo, ela eventualmente se tornará a nação mais desenvolvida do mundo, já que é a mais "liberal".

Depois que ela se tornar hiper-desenvolvida, ela não irá aceitar qualquer imigrante. Portanto, se você de fato acredita no futuro da Somália, que hoje sequer tem água potável, você deveria ir para lá AGORA, enquanto é fácil entrar como imigrante. De tal forma, quando a Somália se tornar o paráiso na Terra descrito por Mises, você já estará lá, como imigrante legal.

Deixar para ir para lá no futuro é muito arriscado. O progresso da Somália pode ser tão rápido que, quando você menos perceber, ela já será a nova Noruega!

livemusic disse...

Se não há estado na Somália logo não há imigração legal ou ilegal. Como pode a Somália proibir imigração?

De qualquer forma, não sou anarco-capitalista. Acho que um governo mínimo se faz necessário para defender os direitos individuais. E para isso apenas.

Marcelo disse...

O "livemusic" respondeu por mim.
Se a Somália continuar uma anarquia, essa questão de imigração ilegal não ocorrerá. Todos poderão entrar e sair da região.
Sim, também concordo com o "livemusic"; até aceito o Estado Super Mínimo.
O problema, no entanto, é de ordem moral. Utilizar a coerção é fazer uso da violência para obter de alguém algo que ele/ela, na ausência da compulsão, não daria. Isso é roubo. Um roubo legalizado não deixa de ser roubo.
E há outro problema, desta vez mais grave. Os Estados sempre buscaram, ao longo da História, aumentar o seu poder sobre as sociedades sob as quais exercem soberania. Até mesmo a Constituição original estadunidense, um documento em claríssima defesa da liberdade, foi pouco a pouco pervertida por algumas emendas, por normas infraconstitucionais inconstitucionais e por vários atos governamentais, como o New Deal. Os Estados sempre conseguem expandir o seu poder.
É esse, eu acho, o grande problema.
Abraços!!!!!

Marcelo disse...

Dr. Constantino, eu gostaria muito de saber a tua opinião sobre o anarco-capitalismo e sobre a Somália. Eu agradeceria bastante.
Abraço!!!!!!!!!

Rodrigo Constantino disse...

Marcelo,

Não tenho profundo conhecimento sobre a Somália para concluir algo. Li alguns artigos do Mises Institute sobre o caso. O que penso é que a anarquia não faz milagre. Se a qualidade cultural de um povo é ruim, se há muita ignorância, coletivismo, etc., a melhora pode levar muito tempo! O que sei é que concentrar poder no governo nesses casos apenas piora a situação.

Rodrigo

Marcelo disse...

Dr. Constantino,

Muito agradeço pela resposta.
Concordo em muito do que me disse.
Sim, milagres não acontecem.
Para o desenvolvimento acontecer, é preciso haver trabalho e industriosidade, os quais terão seus frutos intensificados caso haja progresso intelectual e tecnológico. E trabalho e industriosidade são coisas realizadas por indivíduos, não por governos (= força bruta).
O pessoal da Somália, em sua maioria, habituou-se à vida no pastoreio e na pecuária. Muita gente pode ficar circunscrita a isso, mas pelo menos eles não têm mais um governo opressor, que lhe impunha demasiadas restrições (impostos e regulações).
E eles têm, agora, ampla liberdade de locomoção, de expressão, de empreendimento. O setor de serviços (comunicações, hospitalares, educacionais, transportes) cresceu muito, caso comparemos com a situação pré-anarquia.
Creio que o anarco-capitalismo é o sistema mais moral que já se concebeu. E que o desenvolvimento da região que acolher tal sistema dependerá exclusivamente dos invidíduos que nela vivem. Se eles quiserem viver como tribos indígenas, então escolheram assim. Dessa forma serão mais felizes.
Sim, a concentração de poder no governo é a raiz de todos os males. É o problema que mais deve ser combatido. O Estado Super Mínimo é, por enquanto, o nosso objetivo maior.
Grande abraço, Dr. Constantino!!!!!!!!

livemusic disse...

@Marcelo

Sobre governo, eu acredito na visão Objetivista de Ayn Rand de um Estado sustentado por taxas voluntárias ao invés de impostos.

Sobre a expansão do governo, concordo que seja um problema, e é isso que a Constituição deveria nos garantir.

Ambos ideais estão distantes de nossa realidade, mas se conseguirmos parar a expansão do Estado, e quem sabe até diminuir o mesmo, já estaríamos no caminho certo.

Everardo disse...

Na Somália deve haver algum mecanismo de cooperação. A consciência grupal deve existir, por menor que seja o grupo social. E as tarefas que não podem ser executadas por grupos pequenos haverá de produzir a cooperação e constituiçõa de grupos maiores, até o tamanho ideal para atender as necessidades do que chamam Somalia. Os Somalis (o povo) possuem identidade nacional (são uma nação) e qualquer que seja o tipo de organização que adotem podemos chamar de Estado, com os elementos constitutivos que compõem esse conceito: povo, objetivo, território, soberania. Então, a ausência de governo não é a mesma coisa de ausência de Estado. As entidades são distintas. O que o liberalismo deseja não é a ausência do Estado. Ele deseja é a vulnerabilidade do governo, ou a sua ausência, para substituí-lo. Ou, seja, querem trocar um governo do povo (sentido amplo) pelo governo de uma minoria que controle seus meios de produção. Isso é usurpação e não pregação do anarquismo, que liberal nenhum deseja. Eu chamaria de outra forma mais direta: cinismo. Pregam uma coisa, querendo outra...

Thiago Nogueira disse...

Hique,

Por favor, não confunda anarquia (ausência de governo) com anomia (ausência de ordem).

Em The Machinery of Freedom, David Friedman defende uma sociedade exclusivamente privada e prova que é perfeitamente possível preservar a ordem sem recorrer a arranjos coercivos. Na Inglaterra, por exemplo, não existia sequer uma força policial até o século XIX.

Mas, voltemos ao caso da Somália:

A ausência de um governo central não contribuiu para a deterioração da qualidade de vida dos somalis. Pelo contrário, em um estudo recente o economista Peter Lesson, comparou o bem-estar sob a anarquia com o bem-estar sob o governo, utilizando todos os principais indicadores de desenvolvimento. De acordo com os dados, dos dezoito indicadores de desenvolvimento, quatorze deles mostram melhoras inequívocas sob a anarquia. A expectativa de vida é mais alta hoje do que era nos últimos anos de existência do governo; a mortalidade infantil caiu 24%; a mortalidade materna caiu mais de 30%; a incidência de bebês que nascem abaixo do peso caiu mais de 15%; o acesso aos serviços de saúde aumentou mais de 25%; o acesso ao saneamento aumentou 8%; a pobreza extrema caiu mais de 20%; o número de crianças de até um ano de idade imunizadas contra a tuberculose aumentou quase 20%, e contra o sarampo aumentou 10%; as mortes por sarampo caíram 30% e a presença de televisores, rádios e telefones cresceu de 3 a 25 vezes.

Um relatório do Banco Mundial chamado Anarchy and Invention, afirma que boa parte desse desenvolvimento pode ser atribuído às melhoras nos bens públicos; que são melhores e mais abundantes no anárquico setor privado da Somália do que no antigo governo.

É aqui que entra em cena o liberal de botequim dizendo: “Ótimo! Então porque você não vai morar na Somália”?

Ora, é obvio que mesmo com todas essas melhorias a Somália ainda não é um bom lugar para se viver. Porém, o desempenho da Somália nos períodos pré e pós-governo, evidencia que a anarquia não é apenas conveniente como também é desejável.

Ah... O texto de Peter Lesson pode ser lido – na íntegra – neste endereço: http://www.cato-unbound.org/2007/08/06/peter-t-leeson/anarchy-unbound-or-why-self-governance-works-better-than-you-think/

Hique disse...

> Por favor, não confunda anarquia (ausência de governo) com anomia (ausência de ordem).

Poderia me indicar onde eu me confundi?

Marcelo disse...

Livemusic,

Eu realmente acho que a visão da Ayn Rand sobre um Estado sustentado por via voluntária é impraticável. Ele continuará sendo monopolista no tocante a serviços judiciários e policiais, e bem sabemos que muitos gostam de pensar: "Deixemos que os outros paguem por nós". Eu sou da opinião de Rothbard (o anarco-capitalismo).
É, o maior problema mesmo está na questão da expansão dos governos. Sim, as Constituições DEVERIAM nos proteger disso, mas na prática isso não ocorre. Como eu antes dissera, os estatistas conseguiram perverter até a própria Constituição original dos EUA, cuja precípua finalidade foi justamente limitar os poderes estatais. Os políticos são SUPER espertos. Cedo ou tarde, inventam um novo modo de perverter as Constituições. Isso me lembra o "duplipensar" do "1984".

Thiago Nogueira,

Agradeço pela tua postagem. Ela ratificou muito bem a posição que defendi por aqui.
Eu escrevi: "Eu até moraria lá caso o desenvolvimento econômico da região estivesse menos incipiente". É assim que respondo àquela pergunta que sempre se faz: "Tá, se você acha tão bom o regime de Cuba, ou o anarquismo da Somália, então por que não vai morar nesses lugares?".
Eu aguardo o desenvolvimento do anarco-capitalismo na Somália. Se a situação melhorar de verdade, é possível que eu me mude para lá. O futuro é sempre uma incógnita.

Saudações libertárias a todos!!!!

Aprendiz disse...

O problema de vocês, anarco-capitalistas, é que acreditam em histórias da carochinha. Um país sem "governo" provavelmente é a soma de um monte de pequenas tiranias. Dois pontos que ninguém aqui colocou:

1. Como se formou a situação de não existência de governo? Desejo de liberdade? Olhem a história da Somália, o governo se desfez em meio a luta entre senhores da guerra que nada tinham de libertários. Suas únicas influências eram o islã radical e o marxismo, duas ideologias totalitárias por natureza. Seu método de luta era fazer morrer de fome, (pelo roubo de alimentos, populações inteiras. Do confronto de tiranos não surge a liberdade.

2. Como um país assim mantém suas fronteiras e o direito dos naturais contra a força dos extrangeiros? Só há uma explicação: A concordância entre potências extrangeiras. Portanto, a "experiência" somali tem "patrocinio": concordância entre potencias extrangeiras, todas elas anti-libertárias.

Thiago Nogueira disse...

Hique,

Você acredita que anarquia é sinônimo de caos e não é bem assim. Sob a anarquia, a ordem a qual estamos acostumados poderia ser garantida através de mutirões e a assembléias.

Esqueça a idéia de que precisamos de um governo para impedir a degeneração da interação social e facilitar a cooperação. Não precisamos de uma autoridade formal que crie e imponha regras através da força.

Aliás, a imensa maioria das pessoas que defendem a necessidade de um governo, argumenta que na falta de um sistema legalmente imposto a sociedade iria sucumbir. Ora, a ausência de uma figura representativa como o governo não quer dizer que a sociedade careça de regras.

A propósito: liberais defendem qualquer tipo de arranjo econômico voluntário, o que significa que se uma comunidade quiser se separar do restante da sociedade e adotar para si um modo de produção comunista, ela tem o direito de fazê-lo (desde que, é claro, não obrigue ninguém mais a adotar tal sistema). Essa é a beleza do liberalismo!

Percebo que os críticos do anarco-capitalismo não vêem as coisas dessa forma. Eu posso estar enganado, mas tenho a impresão que vocês enxergam na anarquia uma espécie de mal que deve ser combatido.

Thiago Nogueira disse...

Aprendiz,

Pelo menos 10% dos governos do mundo são classificados como "fracos ou fracassados" (Foreign Policy, 2006). Nesses países, o Estado é corrupto, frágil ou então deficiente de tal maneira que cria condições anárquicas (como no caso da Somália) ou "quase anárquicas". Na imensa maioria desses governos, os cidadãos não podem com os juízes civis para executar contratos ou proteger direitos individuais de propriedade. Além disso, a atividade internacional do mercado, que agora abarca quase um quarto do PIB mundial (Banco Mundial, 2005), não tem nenhuma autoridade supranacional abrangente para interpretar ou impor acordos comerciais. Também nesses mercados, não se pode contar com o governo para criar ou impor as regras do jogo necessárias para que as trocas voluntárias prosperem.

Você realmente acredita que a Ucrânia estava melhor sob os auspícios do Estado bolchevique de Lênin, do que sob o anarquismo dos campesinos liderados por Nestor Makhno?

Sabe, na imensa maioria dos debates de que participo, percebo que o principal - e talvez o único argumento dos críticos da anarquia - é a suposta incpacidade do sistema de prover a segurança a todos. Ora, ausência de uma imposição formal não levará as pessoas a matarem umas as outras. Veja os povos primitivos: a anarquia não os levou a lutas intermináveis e à inexistência de comércio. Pelo contrário, a história nos mostra que em sociedades primitivas havia comércio substancial e a coabitação pacífica prevaleceu pela maior parte do tempo; a despeito da ausência de um governo.

Claro, o mundo não está preparado para um arranjo tão sofisticado como o anarco-capitalismo. As relações mutúas ainda não estão suficientemente desenvolvidas e as pessoas custam a aceitar a idéia de que os problemas podem ser melhor resolvidos através da ação direta. Mesmo assim, continuo acreditando que nós não precisamos de um governo para nos dizer o que fazer e quando fazer.

Veja o o direito comercial entesourado pelo Estado nos países de tradição jurídica britânica; ele é apenas o produto de regras regulando as trocas que existiam no direito costumeiro muito antes de o governo envolver-se com ele. Hayek enfatizou que a maioria das leis comerciais "criadas" pelos governos existiam muito antes dos tribunais do Estado. De fato, ao menos nos países de tradição jurídica britânica, os juízes do Estado eram inicialmente vistos como "descobridores" de princípios legais pré-existentes que regulavam as interações comerciais.

Pense nisso!

Marcelo disse...

Em relação ao anarco-capitalismo: é muito difícil as pessoas conseguirem imaginar ruas privadas, canos d'água privados, coleta de lixo privada, polícias privadas, tribunais privados justamente pelo fato de isso não ser ainda vivenciado. O pessoal acostumou-se demais com o modelo atual e pensa que formas alternativas são sempre piores. Lembremos a doutrinação socialista que ocorre nas escolas brasileiras, tanto públicas como privadas, principalmente nas disciplinas de História e de Georafia (e o foco das aulas passou a ser o vestibular de ingresso às faculdades públicas e não mais é o aprendizado). Os indivíduos já saem do colégio dogmatizados por uma visão marxista perturbada, idolatrando monstros como Getúlio Vargas, Jango, Fidel Castro, Che Guevara. Tudo quanto parece "neoliberal" já é alvo de ódio desmedido. A doutrina do Bem Comum está muito disseminada.
Não é à toa que o Brasil esteja na situação em que se encontra. Nenhum efeito é independente de sua causa.
Temos aulas de Matemática, Biologia, História, Português... No entanto, não temos aulas de Economia. Se ao menos nos fosse dada a noção básica da lei da escassez, o bom senso se encarregaria de desmascarar as falácias do Bem Comum.
Saudações libertárias, pessoal!!!!

Thiago Nogueira disse...

Marcelo,

Pois é! Não há nada que os governos façam que a iniciativa privada não possa fazer melhor.

Marcelo disse...

Thiago,

Realmente! O governo só possui grande incentivo na hora de roubar e vilipendiar o povo. Os nazistas, por exemplo, foram eficientíssimos na matança dos judeus e na manutenção do terror, pois isso os beneficiava bastante.
No fundo, tudo depende da estrutura de incentivos que existe nas instituições e na sociedade. Se ela for inadequada, os resultados jamais serão satisfatórios.
Abraço!!!!!!!

fejuncor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
fejuncor disse...

E o que seria democratizar o setor? Que eu saiba, há a livre briga pela audiência, e o povo assiste ao que quiser. Se quero quer assistir à Globo, ao Clarín, não compete ao estado criar subterfúgios pra derrotar os líderes alegando falta de democratização nos meios de comunicação.

Gozado é que esta imposição só se dá quando a mídia começa a veicular seus podres.

Muito engraçado, não é?

Hique disse...

@Thiago

> Você acredita que anarquia é sinônimo de caos e não é bem assim

Você está duplamente errado. Primeiro, porque anarquia é sim sinônimo de caos segundo o dicionário. Segundo porque eu não utilizei essa palavra com esse sentido, eu utilizei no sentido de ausência de governo mesmo.

Aprendiz disse...

Thiago

Você disse coisas muito interessantes, mas talvez não tenha lido direito o que eu escrevi.

Everardo disse...

Aprendiz, dá para você dizer melhor o recado ao Thiago?

Everardo disse...

fejuncor, questão não é a faculdade que você tem de escolher o que quer ler e ouvir. Há uma mais profunda, que refere-se ao que lhe oferecem como leque de opções. Uma situação não é "democrática",, mas a outra também não é, embora deixe a sensação de ser.