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terça-feira, julho 02, 2013

O risco de virarmos uma grande Argentina




Rodrigo Constantino

Deu no Valor: País é diferente da Venezuela, diz Mailson

Crítico da política econômica do governo da presidente Dilma Rousseff, Mailson da Nóbrega, ministro da Fazenda entre 1988 e 1990, defende que o investidor considere disputar os leilões de infraestrutura em andamento e não "simplesmente saia correndo". "É possível provar que o risco de o país trilhar o caminho argentino ou venezuelano é muito baixo. O Brasil se destaca pela qualidade de suas instituições", diz.

Mailson é sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada, que firmou uma parceria com o Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) e a Inter.B para prestar assessoria a empresas no segmento de concessões. Em entrevista ao Valor, ele não deixa de contestar o modelo de leilão elaborado a partir do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003 a 2010), que prioriza menores tarifas. "O ideal seria que o governo revisse a questão da modicidade, mas duvido que isso aconteça."

Além disso, ele acredita que deveriam ser buscadas taxas de retorno mais atraentes ao mercado. O governo ainda pode receber pedidos de grupos privados por melhorias na atratividade dos projetos, diz. "Os investidores sabem lidar com situações como essa, seja demandando rentabilidade maior ou reduzindo participação a alguns projetos em específico", afirma.

Mesmo assim, ele acredita que haverá participantes em todos os projetos. "A tendência é que, exceto no caso do trem-bala [no setor, há dúvidas sobre a viabilidade do projeto], todos os leilões tenham participantes e tenham vencedores. Não tenho dúvida disso. O que se pode discutir é se serão os ideais", afirma. Segundo ele, a percepção sobre a presença de interessados é ainda mais forte no caso de rodovias e aeroportos - segmentos em que há forte concorrência. Em ferrovias, ele diz ainda haver dúvidas sobre o modelo.

Mailson ressalta que os projetos levados ao mercado são de longo prazo, e que isso deve ser considerado pelo investidor estrangeiro como um forma de se obter experiência. "Ter um pé aqui dentro, ainda que em uma ou duas concessões, é perceber as tendências do país, é avaliar. Então, ficar de fora pode significar estar fora por muito tempo, porque outros vão entrar", diz.

Comento: Ler Maílson da Nóbrega é sempre importante. O "economista do ano" (Maílson foi agraciado com este prêmio pela Ordem dos Economistas Brasileiros recentemente) merece todo o meu respeito, e tem feito ótimas análises em sua coluna da revista VEJA. Nessa reportagem do Valor, ele levanta bons pontos também. O Brasil não é a Argentina, e tem instituições mais fortes. Mas...


Isso pode mudar, e passaremos pelo grande teste justamente nos próximos meses. O Brasil tem outra dimensão, maior pluralidade, muitos grupos de interesse organizados, e tudo isso dificulta um golpe bolivariano, sem dúvida. Mas desconfio que nossas instituições não são tão sólidas assim.

Temos um Congresso de péssima qualidade (alguém achou graça na eleição do palhaço Tiririca?), sob um sistema político confuso que perde credibilidade a cada dia. O clima de revolta difusa nas ruas, "contra tudo isso que está aí", cai como um raio sobre esta fundamental instituição da República, que é a democracia participativa. São legendas de aluguel, não partidos de verdade.

O pior de tudo, em minha opinião, é a total ausência de uma oposição legítima e organizada. Isso simplesmente não existe. O DEM quase sumiu, e o PSDB é bem menos pior que o PT, sem dúvida, pois o ranço autoritário da esquerda carnívora, leia-se bolivariana, não se faz presente. Ainda assim, é uma "oposição" tímida, envergonhada, sem convicção em um modelo alternativo de fato, com menos intervencionismo e mais liberal.

Restam o Judiciário e a imprensa. Sim, até aqui o STF se mostrou uma força republicana razoável. Mas assusta a presença de alguns ministros que mais parecem petistas disfarçados, assim como não soa nada bem o discurso de "escutar as ruas"; o STF é o guardião da Constituição, e esse é seu papel precípuo. Enfim, não há garantias de que este fundamental poder está realmente blindado contra a tentação bolivariana. 

Por fim, temos a heróica imprensa independente, aquela que os golpistas chamam de "mídia golpista". Ela tem feito um papel importantíssimo para impedir esses avanços chavistas, mas até que ponto conseguirá resistir aos insistentes ataques sob o manto de "controle social" é uma incógnita. 

Falta falar que o Bolsa Família se transformou no maior programa de compra de votos da história deste país. Isso representa constante ameaça à democracia, pois o governo pode sempre fazer terrorismo eleitoral afirmando que o concorrente vai acabar com a festa. Tivemos uma idéia do que isso acarretaria quando o próprio governo fez uma tremenda confusão e permitiu que o boato de fim da mesada circulasse. 

Juntando isso tudo, receio que eu não consiga compartilhar da mesma tranqüilidade de Maílson. Nosso destino não é certo, nossa evolução não é garantida, e o risco de virarmos uma grande Argentina não é tão desprezível assim. A Argentina, não custa lembrar, contava com uma classe média razoável e mais educada que a nossa, e uma imprensa livre também. Não suportou as sucessivas crises econômicas e o populismo do casal Kirchner.

Se nossa crise se agravar nos próximos meses, como eu acredito que vá ocorrer, nossas instituições democráticas estarão em perigo. O teste para valer será agora. Espero que Maílson esteja certo em sua confiança. Mas creio que o veredicto ainda não foi dado...

O plebiscito bolivariano

Rodrigo Constantino

O PT é muito cara-de-pau. A presidente Dilma aproveita-se do momento de manifestações nas ruas e tenta não só se apropriar deles, como se fosse uma rainha da Suécia recém-chegada ao Brasil, e não parte relevante do governo que está no poder há mais de uma década, como desenterra projetos antigos de seu partido fingindo que são puro reflexo do momento atual.

Após falar em Constituinte e sofrer forte reação, tendo que voltar atrás em menos de 24 horas, a presidente lançou a idéia do plebiscito que, como Reinaldo Azevedo já mostrou, era parte dos planos partidários desde 2007, pelo menos. Agora ela envia para o presidente da Câmara seu pedido, argumentando: 



Antes ela queria mudar a Constituição, agora ela pensa que plebiscito é a melhor escolha dentro da Constituição. Não é! A desculpa esfarrapada da presidente é que pelo plebiscito o povo participará de forma mais ativa, inclusive com "ampla discussão". Falso. O plebiscito, ainda mais feito às pressas, reduz tudo a uma escolha simplista, sem o devido debate ou compreensão popular. Em poucos meses o povo vai compreender vantagens e desvantagens do voto distrital ou do voto em lista?

Além disso, quem faz as perguntas detém um poder desproporcional em um plebiscito. A forma com a qual ela é feita faz toda diferença. Por isso os governos bolivarianos, inspirados no falecido Hugo Chávez, adoram essa forma de governar. A "democracia direta" é o meio mais adequado ao populista. E é exatamente isso que o PT almeja, como Dilma deixa claro no pedido de plebiscito:



O que o PT deseja com esse plebiscito é sabido já. Alguns especularam se a presidente seria explícita ou não ao solicitar o que é para ser perguntado, ou se deixaria isso a cargo do Congresso. Mas ela já mostrou logo a que veio:



E esse trecho do item b:



É isso que quer o PT: financiamento público de campanha e voto em lista fechada partidária. Essas mudanças favorecem seu partido, pois o PT costuma receber mais votos partidários do que pessoais, uma vez que tem uma legenda forte, organizada e centralizada. Essas mudanças fortalecem os caciques partidários, o voto de cabresto.

O financiamento público de campanha representa simplesmente aumentar ainda mais o gasto dos pagadores de impostos com o processo eleitoral, gastos que já existem e são enormes (via horário "gratuito" etc). Alguém realmente acha que o financiamento público vai eliminar o caixa dois, o toma-lá-dá-cá da política? Piada de mau gosto!

A conta é paga de um jeito ou do outro. O que torma o esquema de corrupção tão atraente é o gigantismo estatal. Com um governo centralizador controlando quase 40% do PIB, é óbvio que vários empresários vão se aproximar como moscas do mel. O que o Brasil precisa é reduzir o tamanho do estado, para tornar o poder financeiro do presidente e dos políticos menor. O resto é discurso oportunista para enganar inocente útil.

Em suma, o PT está se aproveitando das manifestações nas ruas para resgatar seu projeto bolivariano de "democracia direta" e emplacar as medidas que o fortaleceriam vis-à-vis os demais partidos. É isso, e só isso. Acorda, Brasil! 

quarta-feira, maio 15, 2013

Por uma direita unida

ATENÇÃO! Esse é o vídeo mais importante que gravei esse ano, quiçá nos últimos anos todos. E isso é porque considero o momento atual do Brasil realmente delicado! Sei que muitos, já sem esperanças, pensam que não tem jeito e querem jogar a toalha. Não! Nós vamos lutar, e vamos vencer!!! Para isso, precisamos de uma direita unida.



terça-feira, abril 30, 2013

O risco bolivariano

Meu artigo de hoje no GLOBO fala sobre o risco bolivariano constante no Brasil. Os petistas não desistem da tentativa de golpe contra a Constituição. 

Não existem mais valores objetivos, ninguém pode julgar nada, vale tudo, e quem discorda sofre de preconceito e é moralista. Com essa agenda politicamente correta, os socialistas modernos vão impondo uma mentalidade fascista que, em nome da “tolerância” e da “diversidade”, não tolera divergência alguma.

Leia o artigo na íntegra aqui, e divulgue se concordar com o alerta.


sexta-feira, abril 26, 2013

Jacobinos




Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Por mais que hoje seja uma sexta-feira ensolarada no Rio, não posso fugir do tema sombrio desse comentário diário: o avanço sobre o STF, instituição fundamental para proteger a Constituição. Os inimigos da democracia republicana não descansam, e todo cuidado é pouco. Vide a Argentina, onde os “chavistas” acabam de obter essa mesma vitória sobre a Suprema Corte, dando mais um importante passo rumo ao socialismo.

A reação dos principais ministros do STF foi imediata. Gilmar Mendes disse que rasgaram a Carta e que, se a emenda realmente passar, “é melhor que se feche o Supremo”. Já o presidente do STF, Joaquim Barbosa, desabafou: "A aprovação dessa proposta pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara representa uma ameaça à democracia". Enquanto todos protestavam contra o pastor Feliciano, eis que os “mensaleiros” tramavam esse golpe à surdina.

O mais importante, nesse momento, é constatar o real objetivo desses jacobinos, e ignorar aqueles que tentam suavizar os riscos. Um exemplo é o ministro José Antônio Dias Toffoli, que mais parece um petista infiltrado no STF. Ele disse: "Não há que se falar em crise, não há o que se falar em retaliação. Isso não procede. O que temos é uma democracia muito ativa. Quem quer ver crise nisso, quer criar crise porque não há". Sei...

Mas quem ainda não está convencido do desejo revolucionário desses bolivarianos, ninguém melhor do que o ícone da turma nas redes sociais para expor, sem rodeios, a verdadeira meta deles. Paulo Henrique Amorim, aquele da “conversa fiada” paga pelos nossos impostos, com milhares de reais transferidos pelas estatais para o bolso do “jornalista”, soltou em seu canal de Twitter o grito revolucionário: “A Queda d(o STF)a Bastilha é próxima!”

Se depender dos jacobinos tupiniquins, em breve teremos guilhotinas em praças públicas para eliminar os dissidentes e dar uma lição à “imprensa golpista” e aos defensores do STF como órgão independente. Precisamos reagir contra essa tentativa de golpe. Não acreditem naqueles que minimizam a ameaça...