terça-feira, julho 02, 2013

Beautiful People e seus micos amestrados

Rodrigo Constantino

Considero João Pereira Coutinho, ao lado de Luiz Felipe Pondé, o melhor colunista da Folha, quiçá de todos os jornais. É sempre um prazer abrir a Ilustrada às segundas e terças-feiras e mergulhar na sabedoria desses dois. Hoje não foi diferente.

Em sua coluna "Amestrando proletários", Coutinho detona com precisão cirúrgica o movimento politicamente correto. O português desconstrói tijolo por tijolo a fachada do prédio oco, restando apenas a visão da arrogância hipócrita que jaz por trás dela. Vejamos os principais trechos:

O problema do pensamento politicamente correto é que ele nada tem de correto. Pior: na ânsia de impedir qualquer ofensa a grupos ou minorias, ele converte-se na mais grotesca ofensa que existe para esses grupos ou minorias.
[...]
Para os autores do guia, os alunos proletários são como certas espécies zoológicas que é necessário proteger em "habitat" adequado. E isso implica não os assustar e, logicamente, não os alimentar com doses arcaicas de conhecimento "burguês" e "reacionário".
Como é evidente, o pensamento politicamente correto das patrulhas parte de duas ideias profundamente ofensivas.
A primeira ideia é a defesa explícita de que alunos de famílias proletárias estranham e definham em ambientes eruditos. Sim, seria possível fazer uma lista de intelectuais gerados pelo proletariado --de Jack London a D.H. Lawrence-- que marcaram a história da cultura ocidental.
[...]
Mas é a segunda recomendação que impressiona pela sua evidente discriminação. Para as patrulhas, sempre que um aluno proletário abre a boca, é preciso ser condescendente para escutar as alarvidades que ele diz.
[...]
O que o pensamento politicamente correto produz não é difícil de imaginar: a perpetuação do estigma de alunos proletários e a impossibilidade de eles aprenderem alguma coisa (na universidade) para ascenderem social e economicamente (na vida profissional).
Quando se sai da universidade exatamente como se entrou, é preciso perguntar que mecanismo de atraso explica o resultado. Ironia: o atraso é promovido por aqueles que imaginam lutar contra ele.
[...]
O proletariado não existe. Os negros não existem. Os gays, as mulheres, os anões não existem.
O que existe são indivíduos diversos, com histórias ou interesses diversos. Haverá proletários que não gostam de livros. Haverá proletários que não vivem sem eles.
E haverá burgueses, genuínos burgueses, para quem ler, escrever e pensar são formas medievais de tortura. Conheço vários.
A caricatura do "proletário" como um jumento apedeuta diz mais sobre as patrulhas politicamente corretas do que sobre o proletariado que elas julgam defender.
[...]
O conhecimento verdadeiro não tem cor, sexo ou classe. E, quando tem, então não é conhecimento verdadeiro.
Um guia decente para uma universidade decente só precisava de duas mensagens: "bem-vindo" e "mostra o que vales". Nada mais.

O artigo, por si só, já foi um deleite enorme. Mas o grau de satisfação apenas aumentou devido ao fato de que, especialmente hoje, a coluna de Mônica Bergamo, pouquíssimas páginas antes, trazia um hilário "Cala a boca, Danny Glover" estampado. 


É que o ator de "Máquina Mortífera", conhecido por seu ativismo comunista (ele é fã do ditador Fidel Castro), esteve no Brasil à convite da United Auto Workers (UAW), entidade sindical das mais esquerdistas. E ele foi homenageado com um jantar, oferecido pelos empresários Wilson e Tatiana Quintela. O ator Zé de Abreu, aquele amigão do outro Zé, o Dirceu, marcou presença também.

Ah, nada como a doce vida da esquerda caviar! Tom Wolfe já retratou isso com maestria em seu livro Radical Chic, onde essa "Beautiful People" é desmascarada sem dó nem piedade, e com muita ironia. Nada pior do que uma elite culpada. Ela deveria ler Coutinho, e refletir... 

A Fiesp é vermelha

Rodrigo Constantino

Eu tenho dito e repito: quem tem Fiesp não precisa de USP! A cada artigo novo de Benjamin Steibruch, fica mais evidente que tanto faz se é ele, Delfim Netto, Beluzzo ou até o Mantega escrevendo: a mensagem é basicamente a mesma. O governo deve estimular a economia com mais gastos e redução dos juros. A receita "desenvolvimentista" dessa turma é a responsável pelos problemas atuais que estamos vivendo, mas eles fingem que nem é com eles...

Steinbruch reforça seu pedido por mais gasto na última coluna da Folha:

Não tenho a intenção de discutir as reivindicações dos manifestantes. Há, porém, na maioria delas uma clara demanda de aumento de gastos públicos. A suspensão do reajuste das tarifas de ônibus em muitas cidades, principal conquista do movimento até agora, assim como a melhoria do transporte, da saúde e da educação apontam nessa direção.
Não é necessariamente ruim essa demanda, ainda que ela se choque frontalmente com a austeridade fiscal cobrada hoje do governo. O gasto público, corretamente direcionado para investimentos e para áreas sociais constitui um propulsor da economia.

É verdade que, em meio à cacofonia das ruas, havia demandas esquerdistas por mais gasto público sim. Mas essa não é a principal bandeira das manifestações, que incluem ataques contra a corrupção e outros slogans de cunho moral. O que o povo pede são melhores gastos públicos, ou seja, um senso de prioridade diferente por parte do governo. Em vez de arenas bilionárias, mais metrô, por exemplo. Em vez de trem-bala, hospitais decentes.

Isso nada tem a ver com a bandeira keynesiana abraçada por esses economistas e empresários que celebram mais gastos públicos, pois isso estimularia a demanda agregada que, por sua vez, incrementaria a produção nacional e geraria mais emprego e renda. A crença nessa ilusão é justamente o que nos trouxe aqui, com contas públicas deterioradas e uma lamentável situação de estagflação: baixo crescimento e elevada inflação.

O empresário ainda tenta, imitando o próprio Lula, dar um jeito de concluir que essas manifestações todas são resultado do sucesso dos últimos anos. Ele diz:

Internamente, uma grande massa teve aumento de renda, aprendeu a gostar do país em que vive e se acostumou a ter orgulho de ser brasileiro - milhares de trabalhadores foram repatriados. Agora, essa massa quer mais. Quer infraestrutura, saúde, educação, transporte eficiente, combate à corrupção.

Patriotismo despertado pelo sucesso da economia, eis o resumo que faz Steinbruch do quadro atual. Eu discordo totalmente, claro. Aquele crescimento era artificial, insustentável, e a conta está chegando. Junte-se a isso a questão da corrupção escancarada e da impunidade, e temos um barril de pólvora. O PT plantou essas sementes podres, e agora está colhendo seus frutos. 

Benjamin Steinbruch aplaudia a gestão antes, gostava do veneno que produziu os males, e agora se faz de desentendido, e demanda mais veneno ainda. Eu tenho dito e repito: quem tem Fiesp não precisa de USP. A Fiesp é vermelha.

A bolha imobiliária vai estourar?

Rodrigo Constantino

Deu na Folha: Ações de construtoras perdem até metade do seu valor em 2013

Empresas brasileiras de construção civil perderam até metade de seu valor de mercado no primeiro semestre do ano, em meio ao fraco crescimento econômico do país, à alta dos juros e a investidores mais avessos a risco.

Brookfield e MRV puxaram a fila, com quedas de 56% e 44%, respectivamente. A seguir veio a Gafisa, com queda de 39%, seguida por PDG Realty e Rossi, com quedas de 36%. No mesmo período, o Ibovespa caiu 22,5%.

Para analistas, o desempenho das ações reflete um misto de fatores conjunturais e específicos de cada empresa. A incorporadora Brookfield, por exemplo, revisou os orçamentos da sua carteira de projetos e ainda sofreu os efeitos de adequação a novas regras contábeis, avaliou a consultoria Lopes Filho.

A Gafisa vendeu o controle da Alphaville para a Blackstone e para o Pátria Investimentos, por R$ 2,01 bilhões em junho, em uma tentativa de animar o investidor com a redução do seu endividamento, mas não conseguiu. E ainda deixou alguns com a impressão de que pode não ter feito a escolha certa.

[...]

Comento: Será isso um indicativo de que nossa bolha imobiliária está prestes a estourar? Assumindo que o mercado financeiro procura antecipar as coisas, o que podemos observar é que há bastante pessimismo com o setor, e eventual risco de bancarrota de algumas empresas. 

Enquanto o ciclo era de alta, turbinado pelo farto crédito público e também privado (mas mais público), as empresas "pedalaram" com vento de popa. Os lançamentos dispararam, o VGV (Valor Geral de Venda) de cada projeto ficou cada vez maior, fusões e aquisições ocorreram aos montes, o custo de capital caiu e, como o negócio é basicamente financeiro acima de tudo, as construtoras acumularam bilhões no balanço. Mas depois vêm os problemas...

O ciclo se inverte, o custo de capital começa a subir, as vendas travam, o crédito fica mais escasso, os esqueletos surgem nos balanços das empresas e os investidores acusam o golpe. É o inverno, e muitas empresas contavam com um verão quase eterno, confiando nos estímulos artificiais e insustentáveis do governo.

No meu artigo "Caixa de Pandora", para O GLOBO, assumi o papel de Cassandra e tentei fazer alertas pessimistas para tentar despertar a atenção de muitos agentes adormecidos e entorpecidos com a bolha. Muitos analistas sequer admitiam a existência da bolha, ou mesmo de uma "espuma". Pensaram que o Brasil tinha condições de expandir o crédito imobiliário a taxas de dois dígitos altos para sempre, pois partiam de base reduzida. 

Qualquer apartamento de dois quartos e sala no Rio custando um milhão, e isso é normal? Sinto muito, mas não funciona assim. Não havia fundamentos sólidos para justificar tanto enriquecimento. E toda uma cadeia da felicidade foi abastecida por essa empolgação: bancos, construtoras, corretores, investidores em imóveis, proprietários etc. Mas dá para continuar assim?

O desempenho das ações do setor diz que não, e eu tendo a concordar. Até porque, se pararmos para pensar melhor, os ajustes nem começaram! O clima pode ser péssimo, a economia não cresce mais, e temos alta inflação. Mas o ciclo de ajuste da taxa de juros está só começando, e estamos em pleno emprego. 

E se a taxa de desemprego começar a subir? O que acontece com a inadimplência? Como essas pessoas todas que assumiram dívidas de 20 ou 30 anos terão condições de honrá-las, com o preço de seus imóveis caindo? Eu sei, é um cenário assustador. Mas possível, se não provável. Melhor se preparar para o pior do que sonhar, sonhar, sonhar... e descobrir que vive um terrível pesadelo!

Acorda, Eliane: o PT é pior que os outros!

Rodrigo Constantino

Espanta-me como pode ainda ter formador de opinião que tenta vender a idéia de que o PT, após tantas lambanças e trapalhadas, é "apenas como os outros". Quando vejo esse tipo de discurso, confesso que sinto um forte cheiro de petismo no ar. Ele não é nada bom.

Eliane Cantanhêde, em sua coluna da Folha de hoje, solta essa: "Pode significar que eles [os jovens] estão jogando o PT no mesmo balaio dos demais partidos e de todo o resto. Fim do sonho". Como assim?

O PT, com sua bandeira da ética, conseguiu enganar muita gente sim, é verdade. Mas era somente isso: embuste! E aqueles que acreditaram nos sindicalistas e "intelectuais" eram inocentes úteis. Muitos, inclusive, cegos para inúmeros indícios já existentes bem antes da chegada ao poder central.

O Partido dos Trabalhadores era amigo dos piores ditadores comunistas no Foro de São Paulo desde 1990, defendia terroristas e guerrilheiros como os bandidos das Farc, fazia acordo com bicheiros e máfia do lixo, mamava nas tetas do estado por meio dos sindicatos, e sempre esteve do lado oposto às reformas que modernizaram o Brasil. Que sonho era esse?

Só se for o pesadelo bolivariano! Alguém realmente acha que a grande mancha no currículo do PT é o abraço entre Lula e Maluf? Nada disso! O mensalão é algo muito maior, e não se trata apenas de corrupção, mas sim de tentativa de golpe na nossa democracia. O caso de Celso Daniel ainda é muito mal explicado, eis outra sombra gigantesca que paira sobre o partido. E por aí vai.

Ou seja, só pode ser tática de defensor envergonhado do PT essa coisa de afirmar que o partido, agora, se manchou e ficou parecido com todos os outros. Que nada! O PT sempre foi manchado, e é muito pior que os demais! O PT é o que há de mais abjeto na política nacional. A ponto de fazer com que até o fisiológico PMDB pareça razoável como opção, para impedir um golpe bolivariano em nosso país.

O sonho dessa gente, Eliane, seria o pesadelo de todos os brasileiros. Chega disso! É preciso acordar para o que é o PT. Sonhos infantis custam muito caro, quando adultos bem grandinhos ficam encantados com eles também. Fora PT! E não me venham agora sonhar com o PSOL, por favor, que não passa de uma espécie de PT de ontem...

Mais tarifas aéreas? Sério?

Rodrigo Constantino

Deu no Valor: Aéreas questionam nova tarifa na Justiça

As empresas aéreas decidiram questionar na Justiça a cobrança da recém-instituída tarifa de conexão, que custará entre R$ 4,00 e R$ 7,00 e passa a ser cobrada no próximo dia 19. O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, disse que as companhias querem uma forma mais transparente para informar aos consumidores do novo custo.

"Queremos deixar claro para o consumidor o que as companhias aéreas recebem dele pelos serviços que prestam diretamente", disse o representante de TAM, Gol, Azul e Avianca, também representadas pelo Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea). "O que buscamos é que se dê à tarifa de conexão o mesmo tratamento que já é dado à tarifa de embarque, que vem claramente destacada no bilhete aéreo e que é simplesmente arrecadada pelas empresas por uma questão de praticidade para ser então integralmente repassada ao operador aeroportuário".

Na sexta-feira, o Snea ingressou no Tribunal Regional Federal do Distrito Federal com ação declaratória que questiona a responsabilidade das empresas do setor quanto ao pagamento da recém-instituída tarifa de conexão. A tarifa de conexão foi criada pela Lei 12.648/2012. Ela ampliou a lista das tarifas aeroportuárias, definidas pela Lei 6.009/1973, que buscam remunerar operadores aeroportuários pelas áreas que disponibilizam e pelos serviços que prestam a diferentes clientes - companhias aéreas de transporte de passageiros e passageiros.

Segundo a Abear, a lei de 2012 foi integrada aos contratos fechados entre os aeroportos concessionados no ano passado, em Guarulhos, Viracopos e Brasília, e foi recentemente regulamentada pela Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) para que passe a ser cobrada nos aeroportos públicos a partir de 19 de julho.

"Pela atual redação da resolução, a tarifa será cobrada das empresas aéreas por cada passageiro em conexão, que é quem na verdade utiliza as áreas e serviços durante esses procedimentos. Isso certamente terá um impacto e é justo que esses passageiros saibam que qualquer variação não será imposta pelas companhias aéreas, que já lidam com altos custos operacionais e margens bastante apertadas", disse Sanovicz. "Não questionamos o direito dos operadores de serem remunerados pelos passageiros em conexão que utilizam os terminais, mas sim a forma como isso pretende ser feito". A Anac não se pronunciou.

Comento: É sempre a mesma história! O governo controla uma empresa ineficiente que, por conta disso, não tem recursos nem condições de investir em melhores serviços. Para compensar essa incompetência, o governo decide criar novas tarifas, ou seja, aumentar a receita na marra. Para piorar, ainda tenta fazer isso de forma dissimulada, ou seja, oculta, escondendo a tarifa no preço total cobrado pelas operadores privadas, que levam a má fama.

Saber exatamente quanto paga de tributos é um direito de todo cidadão. Discriminar no recibo quanto é imposto e quanto vai para a empresa que fornece o bem ou o serviço é algo crucial para a maior consciência dos pagadores de impostos. Somente agora isso está começando a ser feito no Brasil, algo que já é rotina nos Estados Unidos há décadas. Com o tempo, isso tem a função pedagógica de cidadania, ao deixar claro que boa parte do preço final vai para o governo.

Nossos aeroportos não foram capazes de acompanhar o ritmo de crescimento do tráfego. Isso se deve à falta de um mecanismo adequado de incentivos na Infraero. Estatais não dependem do lucro para sobreviver, e por isso não precisam agradar seus clientes. Sem lucratividade, faltam recursos para investimentos produtivos. A solução encontrada pelo governo foi criar mais tarifas, e jogar o fardo para as costas do usuário, utilizando as empresas como intermediárias para fugir da revolta. Típico...

A solução, aqui como alhures, é privatizar! Aeroportos privados sofrerão pressão dos usuários para oferecer melhores serviços, e não terão como alternativa a criação infindável de tarifas, como tem o governo. Será preciso reduzir os custos, tornando-se mais eficientes. 

Os operadores privados de shopping center, por exemplo, resolvem as questões entre aluguel de espaço, serviços comuns e demais acordos com os lojistas de forma a buscar o melhor resultado coletivo, pois todos são parceiros no sucesso do empreendimento. Podemos imaginar um shopping center administrado por uma estatal: os serviços seriam péssimos, e novas tarifas seriam criadas a todo momento, prejudicando a rentabilidade de seus clientes e, portanto, o serviço prestado aos usuários.

É isso que ocorre com os aeroportos. A Infraero não tem nenhum interesse em ser mais eficiente e, portanto, mais lucrativa. E isso é um fardo para as companhias aéreas e, por tabela, para todos nós, usuários de seus serviços. Só tem uma saída: Privatize Já!

Trem-bala: o tiro de misericórdia


Rodrigo Constantino

Deu no Valor: Fazenda define em 7% retorno do investidor no trem-bala

O Ministério da Fazenda fixou em 7% a taxa interna de retorno (TIR) do Trem de Alta Velocidade (TAV), que vai ligar Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas. A decisão foi tomada na sexta-feira e será divulgada aos investidores nos próximos dias, mas ficou abaixo do esperado pelo mercado.

A nova taxa interna de retorno implica aumento da remuneração em relação ao projeto original do governo, em que os investidores receberiam 6,32% ao ano. Mas é um revés para o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, que havia anunciado na semana passada que o trem-bala, como o projeto é conhecido, teria uma taxa de retorno entre 8% e 8,5%.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, a disputa no governo acabou vencida pelo secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, que queria uma taxa mais baixa. Com isso, os investidores no trem de alta velocidade terão retorno abaixo das concessões rodoviárias, que tem remuneração de 7,2%.

[...]

Espanhóis, franceses e japoneses têm estudado com cuidado o projeto do TAV. Mas o interesse maior de cada um desses grupos é vender bilhões de dólares em equipamentos necessários à operação do futuro trem. Por isso, querem ter participação relativamente pequena na empresa que será constituída para gerir o empreendimento. A empresa contará com 45% de capital da própria EPL, além da possibilidade de ter os Correios como parceiro estratégico, com até 5% da sociedade.

Com a definição da TIR em um percentual menor do que esperavam investidores, o governo pode-se ver forçado a dar mais peso aos futuros "sócios estratégicos" de quem ganhar o leilão, como fundos de pensão. Eles podem entrar numa segunda etapa, após a vitória de um dos grupos.

Além do TAV, o governo também está revendo o processo de concessão dos 7,5 mil quilômetros de ferrovias que pretende oferecer ao setor privado.

Comento: Tudo parece errado nessa questão do trem-bala. Para começo de conversa, a enorme presença estatal. Se faz mesmo sentido esse meio de transporte, quem disse que a iniciativa privada não poderia fazer por conta própria? Sempre que o governo precisa mergulhar como grande sócio, é porque o projeto pode não ser economicamente viável, e outros interesses (políticos, eleitoreiros, corrupção?) estão em jogo. 

Vale lembrar que nos Estados Unidos, empresários criaram linhas nacionais de ferrovias sem um tostão estatal, e o governo, quando entrava, era para burocratizar tudo, engessar as empresas, conceder subsídios e impedir a livre concorrência. A novela "A Revolta de Atlas", de Ayn Rand, mostra bem como isso funciona, e eu trato do assunto em capítulo do meu "Privatize Já" também.

Além disso, o governo petista tem essa mania de achar que pode decidir na marra cada detalhe da economia, incluindo os preços, o retorno dos investimentos etc. Ele pode decidir algo assim por decreto, claro, mas não pode controlar seus efeitos. Por exemplo: ao congelar um preço, ele acaba criando escassez e mercado negro. Ao decretar um retorno abaixo daquele exigido pelo mercado, ele acaba afugentando potenciais interessados, restando apenas poucos grupos (a menor concorrência reduz a chance de sucesso do leilão). 

Esses grupos que restam podem participar do leilão com objetivos escusos, visando a compensar o retorno oficial menor com malabarismos, tais como encarecer a construção da obra que ficará a cargo de empresas do próprio grupo vencedor. Não custa lembrar que o projeto do trem-bala, que começou em poucos bilhões, já está estimado em uma montanha de dinheiro realmente absurda, podendo chegar a R$ 40 bilhões! 

Isso tudo com enorme participação estatal, tanto pelo lado dos fundos de pensão que devem participar, como das estatais "convidadas" a entrar no leilão e o financiamento subsidiado do BNDES, sempre ele. Será que não existem outras prioridades para os recursos do governo? Será que essa multidão que tomou as ruas do país está demandando um trem-bala que ligue o Rio a São Paulo? Será que aumentar a malha do metrô nas capitais não é algo bem mais urgente? 

O governo, ao insistir no projeto do trem-bala, demonstra ter ouvidos moucos às vozes das ruas. As arenas esportivas bilionárias, que são verdadeiros "elefantes brancos", representam uma das principais causas dos protestos. E o governo vai afundar mais algumas dezenas de bilhões do nosso dinheiro em um luxuoso trem-bala? É muito descaso com os pagadores de impostos mesmo. É o tiro de misericórdia para enterrar de vez qualquer resquício de bom senso dessa gestão do PT.

Gasparzinho, o fantasma camarada

Rodrigo Constantino


O governo de Portugal confirmou nesta segunda feira que Vítor Gaspar deixou o cargo de ministro de Finanças do país. Gaspar foi o autor do programa de ajuda de Portugal, no valor de 78 bilhões de euros. 
De acordo com o jornal português Público, o presidente Passos Coelho, ao saber do pedido de demissão manifestou-se dizendo que “sublinha o elevado sentido de estado manifestado pelo doutor Vítor Gaspar no desempenho das suas funções, que exerceu em prol da defesa do interesse nacional durante um período de elevadíssima exigência para o país e sempre com espírito de total dedicação e lealdade”.
O veículo informou que, em sua carta de demissão, Gaspar critica a falta de coesão interna do governo e assume "ter chegado a hora de sair da pasta das Finanças, depois de terminada a sétima avaliação da troica, aprovado o Orçamento Rectificativo e confirmada a extensão dos prazos dos empréstimos europeus a Portugal".
A pressão popular:
O transporte público em Portugal ficou praticamente paralisado nesta quinta-feira devido à convocação de greve geral de um dia feita pelas duas maiores centrais sindicais do país. A greve é um protesto contra as medidas de austeridade que resultaram em desemprego recorde e na pior situação econômica desde os anos 1970.
As centrais esperam que a quarta greve geral em dois anos pressione o governo a tomar medidas de incentivo ao crescimento e a relaxar o aperto de cinto que levou aos maiores aumentos de impostos vistos nos últimos anos. 
"Esperamos uma participação importante dos trabalhadores, que enfraquecerá ainda mais o governo", disse Armenio Carlos, secretário-geral da  Confederação Geral de Trabalhadores de Portugal (CGTP), um dos principais sindicatos do país, ligado ao Partido Comunista e que exige a renúncia do governo e a convocação de eleições legislativas antecipadas. A outra central sindical é a União Geral de Trabalhadores (UGT), vinculada ao Partido Socialista.
Os portugueses estão sofrendo com as medidas de austeridade, não resta a menor dúvida, e é compreensível a revolta popular. Dito isso, a solução não está em relaxar o aperto e partir para novas rodadas de aumento de gastos públicos, justamente a razão do problema. Gaspar virou símbolo de tudo que há de terrível na economia, incorporando a bandeira da austeridade, vista como pecado atualmente. Mas tal como o Gasparzinho do desenho animado, ele é um fantasma camarada: parece assustador, mas no fundo é seu amigo.
Recomendo aos patrícios a leitura do livro "Portugal na Hora da Verdade", de Álvaro Santos Pereira. O economista e Ministro da Economia e Trabalho coloca o dedo na ferida, quando diz:
Lamentavelmente, os nossos défices orçamentais são crônicos, persistindo quer em períodos de forte crescimento econômico, quer inclusivamente após a nossa adesão ao euro. Qual é o problema? O problema é que os défices têm de ser financiados e, mais cedo ou mais tarde, pagos. Por isso, uma das conseqüências dos défices orçamentais é fazer crescer a dívida pública de um país. No fundo, tudo se passa como num orçamento familiar: se continuarmos a gastar acima dos nossos rendimentos, a única maneira de mantermos os nossos gastos e hábitos de consumo é pedir emprestado. O mesmo acontece com o Estado: quando as receitas estatais (os impostos, etc.) são menores do que os gastos (isto é, quando há défice orçamental), o Estado tem de se endividar para suprimir a diferença. Ou seja, a dívida pública é a irmã gêmea dos défices orçamentais. E é exatamente isso que tem acontecido em Portugal: nos últimos anos, os défices orçamentais crônicos e crescentes têm feito aumentar substancialmente a dívida pública nacional.
A receita proposta é a típica liberal, mas que pode ser chamada de bom-senso da dona de casa também: cortar despesas e vender ativos (privatizar). Infelizmente, isso é muito mais fácil falar do que fazer. Como os ajustes necessários são muito dolorosos no curto prazo, a revolta popular cria um clima propício para as greves e a pressão de oportunistas de plantão com propostas milagrosas - e inviáveis. 
Resta saber quem vai vencer esse cabo-de-guerra. Pelo visto, a ala que quer postergar o encontro com a dura realidade ganhou mais um round agora, com a renúncia do ministro Gaspar. Se mais batalhas contra o caminho da austeridade forem vencidas pelos socialistas e sindicatos, Portugal terá, no fim do dia, perdido a guerra, e o sofrimento será ainda maior no futuro.
PS: Lá, como cá, parece que alguns só conseguem levar as coisas na brincadeira, o que é uma lástima, pois a situação é realmente grave.




segunda-feira, julho 01, 2013

Por que dou meu apoio ao Partido Novo

Palestra que fiz na PUC-RJ sobre o Partido Novo, explicando porque essa iniciativa conta com o meu apoio.

O inverno brasileiro

Carta Mensal da MP Advisors 

“É o homem previamente esvaziado de sua própria história, sem entranhas de passado e, por isso mesmo, dócil a todas as disciplinas chamadas “internacionais” (…) só tem apetites, pensa que só tem direitos e não acha que tem obrigações: é um homem sem obrigações de nobreza.”

O Homem-Massa, segundo José Ortega Y Gasset

Usualmente, os estudantes escolhem o mês de outubro para a semana do saco cheio, para dar um tempo.  Este ano, não só os estudantes mas também toda sorte de gente escolheu junho para dar o seu grito de basta.  Todos foram para a rua protestar contra 'tudo isso que está aí'. Nossos leitores sabem que motivos não faltam para tanta indignação. Afinal, a conta dos 10 anos de PT está chegando, e garanto que não vai ser baratinha não. Mas o que exatamente está em curso? Esse movimento nas ruas é algo positivo ou negativo? Quais as implicações políticas do despertar do 'gigante'? E a economia? Qual a visibilidade para os investimentos?

Não se trata de uma carta mensal trivial e muito menos fácil. Quisera eu ter as certezas que as massas (reais e das redes sociais) demonstram com tanta propriedade, após descobriremo que afinal era essa tal de PEC 37.  O que me move, neste texto, é um certo assombro com o nosso tempo e mais dúvidas do que certezas em relação ao nosso futuro. De qualquer forma, pode-se inferir do processo em curso:

- As redes sociais, a exemplo do que já ocorre em outros países, agilizam e potencializam esse movimento que os especialistas chamam de swarming (comportamento migratório de manada). A democracia tradicional representativa, onde o eleitor esperava pacientemente quatro anos por um recall (reelege ou não) do seu candidato parece obsoleta no mundo em rede, onde as demandas são instantâneas. A geração predominante (Y) é mimada e deseja tudo para ontem. O grande risco é a volta dos governos populistas, agradando a qualquer custo o seu eleitor.

- O filósofo Raymond Aron definiu os protestos de Paris  em 68 como um 'psicodrama coletivo'.  Pela variedade difusa de demandas (algumas contraditórias entre si) e pela falta de lideranças, o movimento tem componentes de um certo desconforto existencial de uma geração, onde a crença em Deus (presente nas gerações passadas) foi substituída pela crença no estado babá.  Quando o provedor não atende suas expectativas, a revolta e a angústia tomam conta do indivíduo.  Eles diagnosticam corretamente o problema (o estado é corrupto e ineficiente), mas pedem, como solução, justamente 'mais estado'.  De positivo pode-se ressaltar que o brasileiro se descobre como um 'pagador de impostos'.

- Falta de conexão entre causa e efeito.  Não é de se espantar saber que quem está nas ruas agora  foi justamente quem elegeu PT & aliados nos últimos 10 anos?  A massa se comporta como se os marcianos tivessem instalado o PT na direção do país, contra a nossa vontade.

- A resposta do governo nos levará mais e mais para a esquerda.  Afinal, quando se pede para um pagodeiro tocar uma música, ele responderá tocando mais um pagode.  Assim é com a Dilma, não importa o problema. Ela responderá sempre da mesma forma.  Aliás, é bom frisar que gosto muito da Dilma e do Mantega, quando estão dormindo.  Os dois acordados, e sendo pressionados pela turba, só responderão com mais e mais gastos públicos, já em curso com o passe livre para os estudantes, a suspensão de reajustes nas concessionárias elétricas e de rodovias e um não solicitado plebiscito de custo estimado em  R$ 500 milhões. 




- Muito da 'resposta' do governo e do congresso é apenas cortina de fumaça, e sabemos que educação e saúde não irão melhorar com esse nível de competência presente no governo, vide o atraso presente em praticamente todas as obras do PAC.  No curto prazo, as ruas devem se acalmar (os protestos já reúnem menos e menos pessoas), porém no médio prazo (Copa de 2014?), essa multidão poderá voltar para as ruas,  ensandecida e não mais disposta a dar um crédito de confiança para as autoridades.  O resultado pode ser catastrófico.

É claro que não desejamos fazer a defesa das autoridades no poder, apenas questionamos se esse método das ruas é o mais eficaz.  Acreditamos na legalidade e nas regras do jogo.  O mais importante agora é termos certeza que o jogo eleitoral é limpo (porque não uma auditoria nas urnas eletrônicas?) e lutarmos por uma mudança dos rumos do país nas urnas e dentro das regras democráticas.  A baderna nas ruas só interessa aos que não tem nenhum apreço pela democracia, que fique claro. E imaginar que  colocar centenas de milhares nas ruas sem qualquer tipo de baderna é ingenuidade.

Para adicionar insulto à injúria, o ataque de nervos brasileiro ocorre bem no momento em que o banco central americano, o FED, anuncia que considera o início da redução do programa de compra de títulos (algo como USD 85 bilhões por mês) para o final de 2013 e se estendendo até meados de 2014.  Embora isso não signifique aumento das taxas de juros (que viriam em um momento posterior), o mercado global se assustou e o impacto nos ativos financeiros foi generalizado.  Títulos de renda fixa, ações, ouro e moedas tiveram oscilações negativas significativas.  O resumo é que desde 2008 o Brasil teve 5 anos para arrumar a casa, fazer as reformas e pavimentar o caminho de crescimento sustentável.  Mas qual foi a opção de Dilma? Tal qual a cigarra preguiçosa da fábula, ela optou por mais e mais gastos e estímulo ao endividamento e ao consumismo exagerado da nova classe C. Pois bem, o inverno está chegando e a cigarra não se preparou.

Na renda fixa a nossa visão mudou um pouco.  Após um tempo de tutela, o Banco Central parece que ganhou da Dilma liberdade para agir. Afinal, ela viu que aumento dos preços pode tirar voto. Esperamos um banco central um pouco mais ativo e imaginamos, no final do ciclo de aumento dos juros, uma taxa SELIC na casa de 10% ao ano.  No atual nível de preços dos títulos pré-fixados, não vemos um prêmio razoável para estas posições, bem como no mercado de papéis de curto prazo indexados à inflação.  O melhor é ficar pós-fixado e aproveitar a elevação das taxas.  No mercado internacional os preços dos títulos de renda fixa, após a correção, estão atrativos.  Teremos um longo chão até o aumento de juros nos EUA.

Temos alertado nossos amigos e clientes a se manter longe da bolsa.  A recente onda de populismo de Alckmin e Beto Richa, impedindo os reajustes dos pedágios e de energia (Copel), mostra que não existe setor seguro num país com governo socialista e oposição medrosa, que tenta agradar às ruas de qualquer maneira.  E um ambiente de aumento de juros e estagflação não é propício para aventuras com as ações brasileiras.

O dólar teve um mês nervoso, chegando a bater em R$ 2,28 e fechando o mês na casa dos R$ 2,22.  Aqui há dois fatores remando na mesma direção (desvalorização do real): a tendência do dólar  se valorizar frente a todas as moedas (crescimento nos EUA ) somada aos nossos problemas intrínsecos.  Mesmo com toda a munição do governo, a tendência do real é de uma lenta, porém constante, desvalorização.

O momento é de calma, liquidez, pouco risco e comedimento nos gastos.  O futuro nunca esteve tão incerto.

Imagina se fosse com Bush...

Rodrigo Constantino

A crise gerada pelo vazamento de informações sigilosas de espionagem do governo americano se internacionalizou. O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha convocou o embaixador norte-americano no país, Philip Murphy, para pedir esclarecimentos sobre alegações de que a Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos EUA espionou instituições da União Europeia.

Abro aqui um parêntese: não vejo Edward Snowden, o ex-técnico da CIA responsável pelos vazamentos, como um herói libertário, ao contrário de muitos colegas. Claro que há efeitos positivos no que ele fez, mas nem por isso seus atos são defensáveis, já que, para liberais como eu, os fins nobres não justificam quaisquer meios. Isso sem falar que não costumo ter muita simpatia por "heróis da liberdade" cujo alvo prioritário é sempre o governo americano, e que depois ainda buscam refúgio nas piores ditaduras mundo afora. Fecho o parêntese.

O que eu queria falar aqui pode ser resumido em uma perguntinha básica: alguém consegue imaginar qual seria a reação em geral caso essas denúncias todas ocorressem durante o governo Bush? O governo americano usando os drones de forma compulsiva e sem controle ou transparência, a Associated Press sendo monitorada pelo governo, a Receita Federal (IRS) investigando opositores políticos com mais afinco, e espionagem envolvendo até a Europa? Sério, qual seria a reação das pessoas, da grande imprensa?

Posso imaginar Michael Moore com sua corpulenta presença diária na imprensa, alegando que vive sob a pior ditadura do mundo. Noam Chomsky diria que nem Hitler chegou tão longe. A CNN não falaria de outra coisa. Sean Penn viajaria até Cuba para abraçar Fidel Castro e apontar como deveria ser um regime verdadeiramente livre. Oliver Stone diria que a América tinha que ter perdido a Guerra Fria para o mundo poder viver com liberdade sob a União Soviética. 

E não só por lá. Aqui, Arnaldo Jabor daria ataques histéricos semanalmente em suas colunas de jornal, e faria acusações terríveis na televisão. Todos ficariam chocados e não falariam de outra coisa: o governo americano sob Bush com esse histórico seria visto como a mais cruel e nefasta ditadura que o mundo já viu! Ninguém pode duvidar disso...

O fato de não ser nada parecida a reação quando é Obama no poder diz muito sobre a esquerda. Mostra como ela parte de um duplo padrão de julgamento, como ela apela para um salvo-conduto quando quem abusa do poder é "um dos seus". Sim, há críticas aqui e acolá, sem dúvida. Até porque Obama não pode mais ser reeleito, e a esquerda já prepara o terreno para outro - ou outra - messias, que virá "salvar a Pátria" e quiçá a humanidade. 

A esquerda monopoliza os fins nobres, as virtudes, e quando alguém se mostra autoritário, corrupto, vendido ou incompetente, então ela ou fecha os olhos, ou pior!, diz que o governante em questão "aderiu à direita". A esquerda precisa permanecer pura. É uma tática pérfida, nojenta, asquerosa, mas que infelizmente ainda engana muitos inocentes úteis.

Observar a reação dessa gente diante dos escândalos do governo Obama é bastante instrutivo. Trata-se de um silêncio constrangedor se comparado ao que seriam os ataques raivosos no caso de um governo Republicano. Um peso, duas medidas. Essa é a marca registrada da esquerda. É lamentável...