sexta-feira, março 07, 2008

O Socialismo de Hitler


"The Nazis have succeeded in entirely eliminating the profit motive from the conduct of business. In Nazi Germany there is no longer any question of free enterprise. There are no more entrepreneurs. The former entrepreneurs have been reduced to the status of Betriebsfuher (shop manager). They are not free in their operation; they are bound to obey unconditionally the orders issued by the Central Board of Production Management, the Reichswirtschaftsministerium, and its subordinate district and branch offices. The government not only determines the prices and interest rates to be paid and to be asked, the height of wages and salaries, the amount to be produced and the methods to be applied in production; it allots a definite income to every shop manager, thus virtually transforming him into a salaried civil servant. This system has, but for the use of some terms, nothing in common with capitalism and a market economy. It is simply socialism of the German pattern, Zwangswirtschaft. It differs from the Russian pattern of socialism, the system of outright nationalization of all plants, only in technical matters. And it is, of course, like the Russian system, a mode of social organization that is purely authoritarian." (Ludwig von Mises, Bureaucracy, pg 53-54)


Agora, vai explicar o ÓBVIO ULULANTE para socialistas que aprenderam a repetir feito papagaios a vida toda que socialismo é o oposto de nacional-socialismo, um sistema de "direita" e, portanto, atrelado aos capitalistas liberais! Vai explicar que Hitler e Stalin são quase IGUAIS, ambos totalmente contrários a Reagan ou Thatcher! Vai explicar que o liberalismo é o oposto tanto de socialismo quanto de nacional-socialismo!


Mais fácil ensinar japonês em braile para um jegue...

13 comentários:

Blogildo disse...

É óbvio mesmo. Mas o próprio Mises explica esse tipo de desonestidade em "Liberalism in the classical tradition":

The demagogue takes advantage of this fact. He opposes the liberal, who calls for provisional and merely apparent sacrifices, and denouces him as a hard-hearted enemy of the people, meanwhile setting himself up as a friend of humanity.

Até hoje essa tática funciona.

Anônimo disse...

Primeiro. A política econômica do regime de Hitler era realmente diferente do capitalismo liberal anglo-americano, mas também não era igual ao socialismo marxista. Sempre contraditório, Hitler se rotulava socialista mas ao mesmo tempo se dizia anti-comunista e incentivava a iniciativa privada e o direito sagrado à propriedade. Ele dizia que os "verdadeiros socialistas" defendem a propriedade privada. A fortaleza continental européia foi contruída por empresas privadas, assim como a maior parte dos veículos, muitos dos quais projetados por Ferdinand Porsche, que teve sim lucros com a indústria bélica, assim como empresas privadas fabricam as armas militares americanas até hoje.

O rótulo de socialismo de Hitler é como o rótulo de "liberais" usado pelo partido democrata americano, que como você mesmo disse foi ussurpado dos verdadeiros liberais americanos, já que o partido democrata é a esquerda americana.

Hitler também dizia que a princípio, o império britânico (que matou milhões em países como a Índia) não era seu inimigo natural, esse seria a união soviética, por isso ele concentrou mais de 80% do esforço de guerra na invasão do leste europeu. Porém ele guardava um desejo de vingança contra o a Inglaterra por causa da derrota na primeira guerra.

Segundo. O que definiu o nazismo não foi sua política econômica. O que tornou o nazismo repudiado em todo o mundo foi sua ideologia racista e eugenista, o assassinato de quem não era considerado geneticamente aceitável e suas ações militares que resultaram na maior guerra da história, isso nao tem nada a ver com a economia. Dizer que toda a política econômica do regime nazista é necessariamente ruim e perversa é equivalente a dizer que todos os vegetarianos são nazistas, já que Hitler era vegetariano. Ou que todo mundo que gosta da filosofia de Nietzsche é nazista porque Hitler era um ávido leitor de Nietzsche. É o chamado "reductio ad hitlerum", já que Hitler era mau, tudo o que ele fez foi ruim.

Fora o racismo e militarismo, a política econômica de Hitler foi sim muito bem sucedida, ele tirou a Alemanha de uma crise econômica deseperadora e reconstruiu sua economia. Se não tivesse assassinado minorias e começado a segunda guerra, Hitler teria sido lembrado como um estadista habilidoso que pegou uma Alemanha quebrada e a transformou em uma nação próspera. Mas o sucesso econômico de Hitler se tornou irrelevante porque a guerra destruiu novamente toda a economia.

O mais importante é entender que Hitler foi um personagem complexo e altamente contraditório, ainda mais porque boa parte do que ele falava em palanque não representava sua verdadeira opinião, era apenas retória para agradar as massas. Ao invés de simplesmente dizer que Hitler era mau, é importante entender o nazismo tinha de ruim, que era o racismo, o eugenismo e a agressividade militar. Se apegar a rótulos é perigoso porque permite que a ideologia nazista retorne simplesmente usando um rótulo diferente. Por exemplo, eu conheço gente que se diz contra o nazismo mas que defende a eugenia.

Jeová disse...

Acho que certos termos precisam de uma definição mais precisa.

Se considerarmos que o proprietário de algo, por definição, pode fazer o que bem entender com sua propriedade - com a ressalva dos efeitos colarais -, não havia propriedade privada na Alemanha nazista, da mesma forma que não havia na URSS e não há em Cuba.

A dicotomia seria esta:

PROPRIEDADE PRIVADA X PROPRIEDADE COLETIVA

Se considerarmos que o proprietário não tem, necessariamente, liberdade para fazer o que quiser - mesmo que não haja efeitos colaterais -, então havia propriedade privada na Alemanha nazista, mas as propriedades eram tão subordinadas quanto às propriedades coletivas na Rússia, sendo bem diferentes da propriedade privada que os liberais desejam, que é a propriedade livre.

Nesse caso, a dicotomia seria esta:

PROPRIEDADE LIVRE X PROPRIEDADE SUBORDINADA (PRIVADA OU COLETIVA)

O fato é que uma empresa é controlada pelo governo quando ela é do governo ou quando todos as suas ações são reguladas pelo governo.

Zappi disse...

Olá Rodrigo

O texto diz "Betriebsfuher" mas deveria dizer "Betriebsführer", a grafia correta em alemão.

Muito interessante. Por algum motivo eles mesmos, os nazistas, chamavam o próprio partido (único, sem oposição) de "Nazionalsocialistiche Deutsche Arbeiterspartei", ou traduzindo: "Partido dos Trabalhadores Socialista Nacionalista Alemão"

alexandre disse...

O que ocorreu na Alemanha foi algo chamado economia de Guerra:

"Denomina-se Economia de guerra o ambiente que se caracteriza pela produção exclusiva de itens essenciais ao consumo, como alimentos e armas. Um país em economia de guerra não pode dar-se ao luxo de consumir artigos supérfluos. Toda o planejamento econômico gira em torno das necessidades militares do Estado e da população."

http://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_de_guerra

Numa guerra, dado o caráter urgencial, a economia só pode ser planejada, oras. Nada a ver com socialismo... pelo menos pelo meu ponto de vista.

C. Mouro disse...

Eis o programa do NSDAP:

http://www.hitler.org/writings/programme/

Abraços
C. Mouro

Anônimo disse...

NÃO COMPRE PRODUTO ESPANHOL!

RESPEITE PARA SER RESPEITADO!

Anônimo disse...

Boa resposta, anônimo do post 2.

Só para complementar, o argumento do "Hitler socialista" não é falacioso quando usado por liberais para se defender da acusação de serem "nazistas". Não que alguém já tenha chamado liberais de nazistas... mas se isso acontecer no futuro, estaremos preparados!

Juliano VL disse...

Nazismo não era o que geralmente costuma se chamar socialismo. Mas tinha em comum economia planificada, ideologia coletivista, anti-individualista e anti-capitalista, ausência do rule of lay e foco no direito positivo, e oposição ao porte de armas.

De diferente; não apoiava luta de classes (que aliás é melhor para uma política coletivista), e era nacionalista ao invés de internacionalista (esquecamos o fato de que isso é só na teoria, pois na prática o socialismo costuma vir acompanhado de vigoroso nacionalismo)

Anônimo disse...

É importante compreender que desde o início do governo de Hitler vigorou na Alemanha uma economia de guerra, com todos os contingenciamentos que a mesma traz. Imagino que se a Alemanha saísse vitoriosa da guerra, tais contingenciamentos seriam pouco a pouco afrouxados até atingir o mesmo nível de liberalismo econômico da Inglaterra.

orangeball disse...

"meanwhile setting himself up as a friend of humanity."

e como isso ocorre

orangeball disse...

""meanwhile setting himself up as a friend of humanity.""

eh isso ai ...

Michelle Fransan disse...

Hitler gostava de propriedade privada, assim como Lula gosta de água.

NÃO EXISTIA PROPRIEDADE PRIVADA NO GOVERNO NAZISTA.

(…)
11. A supressão dos rendimentos a que não corresponda trabalho ou esforço, o fim da escravidão do juro;

12. Levando-se em conta os imensos sacrifícios em bens e em sangue derramado que toda guerra exige do povo, o enriquecimento pessoal graças à guerra deve ser qualificado de crime contra o povo. Exigimos, portanto, a recuperação total de todos os lucros de guerra;

13. Exigimos a nacionalização de todas as empresas (já) estabelecidas como sociedades (trustes);

14. Exigimos participação nos lucros das grandes empresas;

15. Exigimos que se ampliem generosamente as aposentadorias;

16. Exigimos a constituição e a manutenção de uma classe média sadia, a estatização imediata das grandes lojas, e o seu aluguel a preços baixos a pequenos comerciantes, cadastramento sistemático de todos os pequenos comerciantes para atender às encomendas do Estado, dos Länder e das comunas;

17. Exigimos uma reforma agrária apropriada às nossas necessidades nacionais, a elaboração de uma lei sobre a expropriação da terra sem indenização por motivo de utilidade pública, a supressão da renda fundiária e a proibição de qualquer especulação imobiliária;

18. Exigimos uma luta impiedosa contra aqueles cujas atividades prejudicam o interesse geral. Os infames criminosos contra o povo, agiotas, traficantes etc. devem ser punidos com pena de morte, sem consideração de credo ou raça;

19. Exigimos que se substitua o direito romano, que serve à ordem materialista, por um direito alemão;

20. Com o fito de permitir a todo alemão capaz e trabalhador alcançar uma instrução de alto nível e chegar assim ao desempenho de funções executivas, deve o Estado empreender uma reorganização radical de todo o nosso sistema de educação popular. Os programas de todos os estabelecimentos de ensino devem ser adaptados às exigências da vida prática. A assimilação dos conhecimentos de instrução cívica deve ser feita na escola desde o despertar da inteligência. Exigimos a educação, custeada pelo Estado, dos filhos – com destacados dotes intelectuais – de pais pobres, sem se levar em conta a posição ou a profissão desses pais;

21. O Estado deve tomar a seu cargo o melhoramento da saúde pública mediante a proteção da mãe e da criança, a proibição do trabalho infantil, uma política de educação física que compreenda a instituição legal da ginástica e do esporte obrigatórios, e o máximo auxílio possível às associações especializadas na educação física dos jovens;

22. Exigimos a abolição do exército de mercenários e a formação de um exército popular;

23. Exigimos que se lute pela lei contra a mentira política
deliberada e a sua divulgação através da imprensa. Para que se torne possível a constituição de uma imprensa alemã, exigimos:
a) que todos os redatores e colaboradores de jornais editados em língua alemã sejam obrigatoriamente membros do povo (Volksgenossen);
b) que os jornais não-alemães sejam submetidos à autorização expressa do Estado para poderem circular. Que eles não possam ser impressos em língua alemã;
c) que toda participação financeira e toda influência de não-alemães sobre os jornais alemães sejam proibidas por lei, e exigimos que se adote como sanção para toda e qualquer infração o fechamento da empresa jornalística e a expulsão imediata dos não-alemães envolvidos para fora do Reich.
Os jornais que colidirem com o interesse geral devem ser interditados. Exigimos que a lei combata as tendências artísticas e literárias que exerçam influência debilitante sobre a vida do nosso povo, e o fechamento dos estabelecimentos que se oponham às exigências acima.

(…)