terça-feira, março 19, 2013

De volta ao passado

Rodrigo Constantino, O GLOBO

´Aqueles que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repeti-lo." (George Santayana)

Acelerei a minha máquina do tempo DeLorean e regressei aos anos 80. Às vezes, precisamos mergulhar no passado para prever o futuro.

Um senhor bigodudo era o presidente. Vi na televisão o anúncio de um novo plano econômico, chamado "Cruzado". Entre as principais medidas, estava o congelamento de preços e da taxa de câmbio. Maria da Conceição Tavares, assessora do Ministério do Planejamento, chorou de emoção diante das câmeras da TV Globo. Literalmente.

A euforia era contagiante. Muitos pensavam que um novo Brasil estava sendo construído, mais justo e mais próspero. Mas a realidade... Essa ingrata não permite que as leis econômicas se submetam aos caprichos políticos. O congelamento de preços levou à escassez, e nas prateleiras começaram a faltar produtos. O que fazer?

Claro que a culpa só podia ser da ganância dos empresários, esses insensíveis que só querem lucrar. Mas o homem do bigode tinha a solução: caçar bois no pasto! Afinal de contas, não podemos deixar faltar carne no açougue. Há estabelecimentos desrespeitando o preço tabelado? Simples: fiscais do governo para controlar esses perversos!

Alguns economistas coçavam a cabeça, perplexos. Eles sabiam que nada daquilo funcionaria. Não se ignora as leis econômicas impunemente. Não eram os "desenvolvimentistas" da Unicamp, os mercantilistas ou os adeptos da "teoria da dependência". Esses tinham receitas parecidas, pensando que o governo é uma espécie de sábio clarividente que pode simplesmente decretar o progresso da nação.

Mas o importante é constatar que havia lucidez em meio a tanta euforia irracional. Infelizmente, tal como Cassandra, seus alertas eram ignorados. A turma estava empolgada demais com o futuro prometido, com a sensação de esperança. Apontar que o rei está nu é estragar a festa de muita gente míope e embriagada.

Após essa experiência nostálgica, retornei ao presente. Liguei a TV e vi que o bigodudo ainda estava lá, com tanto ou mais poder concentrado nele. Vi também que aquela mesma economista com sotaque de Portugal era extremamente respeitada e vista como uma mentora pela própria presidente. "Memória curta dessa gente", pensei.

Depois notei que nossa taxa de câmbio praticamente não oscila mais, e que a inflação fica acima da meta o tempo todo, mesmo com crescimento pífio da economia. Mas o Banco Central nada faz, preferindo manter a taxa de juros reduzida, claramente por razões eleitoreiras.

Em seguida, vi o ministro Guido Mantega avisando que iria fiscalizar se as desonerações fiscais eram mesmo repassadas para o preço final. Déjà Vu! Tive calafrios na espinha. Quer dizer que o próprio governo faz de tudo para despertar o dragão inflacionário, estimulando o crédito público, criando barreiras protecionistas, aumentando gastos, reduzindo artificialmente os juros, e depois pensa que vai segurar a inflação com fiscalização?

Qual será o próximo passo? Recriar a Sunab? Fazer uma campanha difamatória contra os empresários? Criar os "fiscais da Dilma", usando senhoras com tabelas nos mercados? Manipular os índices oficiais de inflação? É uma visão assustadora, um flashback de um filme de quinta categoria que já conhecemos e sabemos como termina.

Quem não tem idade suficiente ou não tem boa memória, basta olhar para o lado e ver o presente da Argentina. O novo Papa pode ser argentino, mas sem dúvida Deus não o é, caso contrário não permitira que o casal K ficasse tanto tempo no poder causando esse estrago todo.

Mas, pelo andar da carruagem, não poderemos zombar dos "hermanos" por muito mais tempo. O governo petista tem feito de tudo para alcançar as trapalhadas deles. E não adianta culpar fatores exógenos, pois dessa vez não vai colar. O Peru, a Colômbia e o Chile, com modelos diferentes e mais liberais, crescem muito mais com bem menos inflação. Nossos males são "made in Brazil", fruto da incompetência da equipe econômica e da própria presidente.

Finalmente, liguei o rádio e ouvi um ex-ministro tucano endossando a ideia de que era, sim, preciso fiscalizar os donos dos estabelecimentos, para não permitir aumentos de preços. Depois vi que o PSDB fazia uma campanha não pela privatização, mas pela "reestatização" da Petrobras, quase destruída pelo PT.

Quando lembrei que essa é a nossa "oposição" a este modelo terrível que está aí, peguei minha DeLorean e ajustei a data para 2030, na esperança de que lá teremos opções realmente liberais contra essa hegemonia de esquerda predominante no Brasil atual.

12 comentários:

Kleiton disse...

E quando chegou em 2030, viu que não havia mais Brasil, porque o país não aguentou mais 17 anos nesse ritmo de incompetência.

Pablo Moron disse...

CLAP, CLAP, CLAP, CLAP, CLAP!!!

Gustavo Luiz disse...

A oposição no Brasil é atrapalhada e incompetente, salvo raras exceções. Porém, quando o PSDB diz que quer estatizar a Petrobrás, quer dizer que a empresa precisa ser tirada das mãos de um partido político que à privatizou, apesar da mensagem não estar clara.
Também é obvio que partido nenhum tem coragem de assumir a bandeira das privatizações, o que é lamentável. Ainda mais o PSDB, um partido que ideologicamente possui os mesmos princípios que o PT, que prioriza o social, mas que perdeu o rumo há algum tempo e tem perdido força a cada dia.

Gustavo Luiz disse...

A oposição no Brasil é atrapalhada e incompetente, salvo raras exceções. Porém, quando o PSDB diz que quer estatizar a Petrobrás, quer dizer que a empresa precisa ser tirada das mãos de um partido político que à privatizou, apesar da mensagem não estar clara.
Também é obvio que partido nenhum tem coragem de assumir a bandeira das privatizações, o que é lamentável. Ainda mais o PSDB, um partido que ideologicamente possui os mesmos princípios que o PT, que prioriza o social, mas que perdeu o rumo há algum tempo e tem perdido força a cada dia.

Gustavo Luiz disse...

A oposição no Brasil é atrapalhada e incompetente, salvo raras exceções. Porém, quando o PSDB diz que quer estatizar a Petrobrás, quer dizer que a empresa precisa ser tirada das mãos de um partido político que à privatizou, apesar da mensagem não estar clara.
Também é obvio que partido nenhum tem coragem de assumir a bandeira das privatizações, o que é lamentável. Ainda mais o PSDB, um partido que ideologicamente possui os mesmos princípios que o PT, que prioriza o social, mas que perdeu o rumo há algum tempo e tem perdido força a cada dia.

rodrigo disse...

nao perca tempo no de lorean, desloque-se no espaço e não no tempo

Anônimo disse...

Você tem uma delorean que voa e ainda quer morar no brasil?

Pablo Moron disse...

ame-o ou deixo-o? Isso é famoso hein! Olha o dejavu aih gente!

Andre Linoff disse...

Excelente, Rodrigo Constantino. Tomei a liberdade de compartilhar no FB da Triple A Consultoria, citando a fonte obviamente. Abs, Andre Comunale

Emerson Dayahn disse...

Quando cheguei em 2030 percebi que uma grande nação chamada Haiti tinha comprado o Brasil e voltamos a ser colônia de um país rico!!
PS: As vezes tenho mais esperança no Haiti!!

samuel disse...

Tivemos nossa chance com os militares. Faltou-lhes no entanto a ideologia apropriada: LIBERALISMO. A supervisão do ensino para difundir de forma planejada das idéias liberais entre os jovens. Ahi o Brasil perdeu seu futuro!

Anônimo disse...

Data venia! Sei que você sabe, mas sem querer nos levam a usar expressões erradas... "nossa taxa de câmbio praticamente não oscila mais"...tinhamos cámbio flutuante e criticamos os argentinos, que agora estimulamos a nos acompanhar, mas(de novo)será que "nós" temos cámbio flutuante ainda? É triste ver o BCentral toda vez que a cotação do dolar>real sobe imediatamnente realiza um swap cambial...
ergo temos cambio fixo! Tal como as reservas que o governo insiste em nos fazer acreditar que
podemos usa-las quando nos convier...ou estamos imprimindo papel moeda igual que o país que sempre criticamos...
Ou como aquela frase "estado produtor de petróleo"....extraido pela Petrobras que é de todos os brasileiros, companhia e produto!
abraços!