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terça-feira, março 19, 2013

De volta ao passado

Rodrigo Constantino, O GLOBO

´Aqueles que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repeti-lo." (George Santayana)

Acelerei a minha máquina do tempo DeLorean e regressei aos anos 80. Às vezes, precisamos mergulhar no passado para prever o futuro.

Um senhor bigodudo era o presidente. Vi na televisão o anúncio de um novo plano econômico, chamado "Cruzado". Entre as principais medidas, estava o congelamento de preços e da taxa de câmbio. Maria da Conceição Tavares, assessora do Ministério do Planejamento, chorou de emoção diante das câmeras da TV Globo. Literalmente.

A euforia era contagiante. Muitos pensavam que um novo Brasil estava sendo construído, mais justo e mais próspero. Mas a realidade... Essa ingrata não permite que as leis econômicas se submetam aos caprichos políticos. O congelamento de preços levou à escassez, e nas prateleiras começaram a faltar produtos. O que fazer?

Claro que a culpa só podia ser da ganância dos empresários, esses insensíveis que só querem lucrar. Mas o homem do bigode tinha a solução: caçar bois no pasto! Afinal de contas, não podemos deixar faltar carne no açougue. Há estabelecimentos desrespeitando o preço tabelado? Simples: fiscais do governo para controlar esses perversos!

Alguns economistas coçavam a cabeça, perplexos. Eles sabiam que nada daquilo funcionaria. Não se ignora as leis econômicas impunemente. Não eram os "desenvolvimentistas" da Unicamp, os mercantilistas ou os adeptos da "teoria da dependência". Esses tinham receitas parecidas, pensando que o governo é uma espécie de sábio clarividente que pode simplesmente decretar o progresso da nação.

Mas o importante é constatar que havia lucidez em meio a tanta euforia irracional. Infelizmente, tal como Cassandra, seus alertas eram ignorados. A turma estava empolgada demais com o futuro prometido, com a sensação de esperança. Apontar que o rei está nu é estragar a festa de muita gente míope e embriagada.

Após essa experiência nostálgica, retornei ao presente. Liguei a TV e vi que o bigodudo ainda estava lá, com tanto ou mais poder concentrado nele. Vi também que aquela mesma economista com sotaque de Portugal era extremamente respeitada e vista como uma mentora pela própria presidente. "Memória curta dessa gente", pensei.

Depois notei que nossa taxa de câmbio praticamente não oscila mais, e que a inflação fica acima da meta o tempo todo, mesmo com crescimento pífio da economia. Mas o Banco Central nada faz, preferindo manter a taxa de juros reduzida, claramente por razões eleitoreiras.

Em seguida, vi o ministro Guido Mantega avisando que iria fiscalizar se as desonerações fiscais eram mesmo repassadas para o preço final. Déjà Vu! Tive calafrios na espinha. Quer dizer que o próprio governo faz de tudo para despertar o dragão inflacionário, estimulando o crédito público, criando barreiras protecionistas, aumentando gastos, reduzindo artificialmente os juros, e depois pensa que vai segurar a inflação com fiscalização?

Qual será o próximo passo? Recriar a Sunab? Fazer uma campanha difamatória contra os empresários? Criar os "fiscais da Dilma", usando senhoras com tabelas nos mercados? Manipular os índices oficiais de inflação? É uma visão assustadora, um flashback de um filme de quinta categoria que já conhecemos e sabemos como termina.

Quem não tem idade suficiente ou não tem boa memória, basta olhar para o lado e ver o presente da Argentina. O novo Papa pode ser argentino, mas sem dúvida Deus não o é, caso contrário não permitira que o casal K ficasse tanto tempo no poder causando esse estrago todo.

Mas, pelo andar da carruagem, não poderemos zombar dos "hermanos" por muito mais tempo. O governo petista tem feito de tudo para alcançar as trapalhadas deles. E não adianta culpar fatores exógenos, pois dessa vez não vai colar. O Peru, a Colômbia e o Chile, com modelos diferentes e mais liberais, crescem muito mais com bem menos inflação. Nossos males são "made in Brazil", fruto da incompetência da equipe econômica e da própria presidente.

Finalmente, liguei o rádio e ouvi um ex-ministro tucano endossando a ideia de que era, sim, preciso fiscalizar os donos dos estabelecimentos, para não permitir aumentos de preços. Depois vi que o PSDB fazia uma campanha não pela privatização, mas pela "reestatização" da Petrobras, quase destruída pelo PT.

Quando lembrei que essa é a nossa "oposição" a este modelo terrível que está aí, peguei minha DeLorean e ajustei a data para 2030, na esperança de que lá teremos opções realmente liberais contra essa hegemonia de esquerda predominante no Brasil atual.

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Até quando apanhar?


Carta mensal da MP Advisors

Na Subida do Morro
Me Contaram
Que você bateu na minha nêga
Isso não é direito
Bater numa mulher
Que não é sua
Deixou a nêga quase nua
No meio da rua
A nêga quase que virou presunto

(Moreira da Silva e Ribeiro Cunha)

Se a economia brasileira fosse uma mulher, estaria apanhando tal qual na letra do samba de Moreira da Silva, o Kid Morengueira.  Definitivamente, enquadra-se na Lei Maria da Penha por agressões e maus tratos.    A "nêga" já mostra sinais de cansaço de tanto apanhar, porém o agressor continua batendo nela; insiste no mesmo remédio, crendo que a "nêga" irá ceder aos seus encantos. Ledo engano.

A "nêga" chamada "superávit primário", que nada mais é do que a economia entre receitas e despesas para pagamento dos juros da dívida, já há algum tempo não alcança sua meta de 3,1% do PIB.  Ano passado, pelos truques contábeis do Mantega, foi de 2,00% do PIB (governo central), pelos números corretos foi algo como 1,80% do PIB (também somente governo central, sem estados e municípios).  Além de ser um governo gastão, o atual comando da economia corrói a credibilidade do país por meros 0,20% do PIB.  E a gastança, ao que tudo indica, não tem conseguido gerar crescimento. 

A "nêga" chamada "meta de inflação" permanecia inconsciente num canto da sala quando começou a dar sinais de vida (tênues, por hora).  O Banco Central, em sua última ata, finalmente reconheceu que o problema da economia nacional não é falta de demanda (que sim senhor, já está bem aquecida) e sim a oferta.  A economia não cresce por falta de investimento.  Pela primeira vez, o BC (ainda que timidamente, usando seu linguajar peculiar) apresenta um discurso diferente daquele da presidente Dilma e de seu despachante, o Guido. O BC deixa claro que a falta de oferta é problema do governo e não dele.  Com isso,depreende-se que não haverá mais aventuras com os juros para baixo; porém isso não indica que o BC ganhou autonomia para subir os juros sem autorização da Dilma.

O principal motivo de preocupação com a inflação no curto prazo reside no mercado de trabalho extremamente apertado (já vivemos o pleno emprego) e um governo que a todo custo deseja o crescimento econômico. Como crescer sem mão de obra disponível?  A saída desse dilema, sem gerar inflação, é o aumento de produtividade, o que não ocorre da noite para o dia e sem investimentos em educação.  Não podemos esperar isso no curto prazo. 

É claro que o governo usa de todas as artimanhas possíveis (redução do preço de energia, postergação dos aumentos dos transportes e sangria da Petrobrás ) para manter o IPCA dentro da sua meta de 6,5% ao ano.  No curto prazo ele tem sido bem sucedido, porém sabemos que a inflação é como um imenso caminhão, tem muita inércia para sair do lugar, mas depois que sai é complicado segurar o bruto.

Voltando para o lado da oferta, sabemos que os grandes investimentos industriais analisam certos aspectos como estoque de mão de obra qualificada com custo justo e oferta de energia.  Sabemos que qualquer novo projeto de grande monta terá dificuldades em contratar e não há garantia de energia. 

É claro que a energia do Brasil era muito cara. Mas reduzir estes 20%, da maneira como foi feito e, principalmente, com a oferta limitada, é no mínimo temerário.  Se, em 2012, com o país crescendo 1% e o preço caro, o consumo cresceu 4%, imagine em 2013, se o país crescer algo como 2% e com o preço da energia 20% mais baixo. Quanto será o aumento de consumo?  Haverá oferta? 

Olhando para a última "nêga", que se chamava "câmbio flutuante",vê-se a maneira errática de agir do governo petista.  Quando quem esperneava mais alto era a FIESP, o câmbio oscilando entre 2,05 e 2,10 era interessante para o governo.  E para lá ele foi.  Quando a inflação começou a incomodar, lá veio o governo dizendo (através de leilões de swaps cambiais) que o nível era um pouco mais embaixo.  E lá foi o valor do dólar para abaixo de R$ 2,00. Nos restaurantes, há o "menu do chef" e no Brasil, o "câmbio da Dilma".

O Brasil, já há algum tempo, não tem uma política econômica baseada em regras estáveis e previsíveis; o que existe é a política do "puxadinho":uma improvisação  levando à outra  até o surgimento de uma favela com barracos amontoados no barranco.  Quando a chuva forte chegar....

Não é a toa que a imprensa internacional tem criticado a errática forma de governar de Dilma & Cia. Publicações sérias como The Economist e Financial Times parece que demoraram, mas pegaram gosto em denunciar o agressor da "nêga".  O queridinho da vez,para os investidores estrangeiros, é o México.  O vizinho dos americanos tem lá os seus problemas crônicos, mas tem feito o dever de casa e está pegando uma carona com a recuperação dos EUA. 

Não que deva haver uma catástrofe iminente, apenas uma preguiçosa (bocejando, por favor) economia, com inflação em alta, infraestrutura em pandarecos e, mais uma vez, perdendo o bonde da história para nos tornarmos uma nação decente.

Não fica difícil entender porque o Ibovespa fechou o primeiro mês do ano no território negativo enquanto o SP500 já acelera no ano com cerca de + 7%.  Quando olhamos uma empresa como a Apple, que fatura USD 157 bilhões, com margem de 27% e negocia (após a correção) com relação preço-lucro de 10, fica complicado comprar as ações de consumo brasileiras com o triplo de relação preço-lucro.  E o que ainda está barato (Petrobrás, Vale, bancos) não parece que vai começar a andar.  Não esperem um ano interessante para as ações brasileiras; há opções mais interessantes lá fora.

Na renda fixa, os prêmios estão magros e não compensam o risco de posições pré-fixadas ou mesmo compradas em ativos públicos atrelados a inflação (NTNB).  Uma NTNB para 2014 paga hoje IPCA + 1,84%.  Se os alquimistas conseguirem ajustar o IPCA para 5,5% (sem chicanas eu creio algo como 6,5¨%) teremos apenas 7,34%, bem perto do CDI.  Ainda é melhor do que ficar pós fixado, mas os grandes ganhos se deram em 2012.  Quem comeu, comeu.

Quanto às posições cambiais, o melhor a fazer é esquecer.  O câmbio vai para onde o humor do dia da Dilma mandar.  Não dá para apostar.

O momento é escorregadio.  Estamos vivendo uma era onde os ativos financeiros carregam um risco superior ao seu retorno potencial.  O poder de compra do dinheiro se deteriora numa velocidade maior do que o índice oficial de inflação.  A resposta dos indivíduos é um afluxo de dinheiro para o setor de imóveis.  Isso fica claro quando olhamos a demanda altíssima de 2 fundos imobiliários (de agências de bancos) recém-lançados.  Nos dois casos a demanda foi 10 vezes a oferta. Como o preço dos imóveis também está em seu máximo histórico, a chance de se fazer besteira também é grande.  

Hoje, após anos de juros reais altos, chegou a hora de profissionalizar a gestão dos seus investimentos e saber que mais do que os juros fáceis do CDI, o vetor de crescimento do seu dinheiro virá de bons investimentos, a boa e velha economia e aportes mensais.  Lembre-se que você agora vive em um país de juros reais perto de zero e com nível de vida bem caro.  Como você está planejando a sua aposentadoria?

terça-feira, janeiro 15, 2013

Insanidade


Carta da MP Advisors (Dezembro, 2012)

"Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes" 
Albert Einstein

Fim de ano é tempo de fechar o balanço do tempo que se encerra e planejar os movimentos para o ano que se abre. E isso se aplica também aos nossos investimentos.  Nesta carta, vamos dar uma atenção maior ao momento em que o Brasil vive e o que podemos esperar até o final do mandato Dilma, em especial para o próximo ano.

Primeiro, vamos começar definindo o que somos hoje para depois inferir para onde iremos. Hoje, somos um país que cresce pouco, cresce bem menos que outros países em desenvolvimento (em 2012 só não ficamos piores do que o Paraguai), com inflação persistente e maior do que de nossos pares.  Também somos um país não só corrupto, mas igualmente leniente com a corrupção.  Temos uma carga tributária europeia de 36% do PIB com serviços públicos de qualidade impublicável.  E o dramático é que não se pode culpar a "crise externa", já que estamos mal no absoluto e também no relativo (em termos de América Latina).  É claro que, quando comparamos os tempos atuais com, por exemplo, os anos "Sarney", estamos materialmente bem melhor, porém fica sempre aquela sensação de dois passos para frente e um passo para trás. Este é o ponto: quantas oportunidades perdidas estamos deixando para trás.

O crescimento baixo é algo que frustra a todos, começando pelo Ministro Mantega que começou 2012 bravateando um crescimento de mais de 4% e foi obrigado a comprar o seu peru de Natal murmurando um singelo 1% entre os dentes.  O que deu errado na estratégia do Governo?  Afinal, não faltaram medidas expansionistas como redução de impostos sobre o consumo e um corte jamais visto na taxa de juros real.  Se havia funcionado em 2009 porque não deu certo agora?  Há dois ou três suspeitos.  O primeiro é que a maioria já está de casa e garagem equipada e que há excesso de dívidas e juros a serem pagos.  O espaço livre nos orçamentos para novas prestações parece estar cada vez menor. O segundo, um item pouco observado, é o crescimento bem acima da inflação, nos últimos anos, dos gastos das empresas com mão-de-obra e aluguel resultando em menos dinheiro para investimentos. E o terceiro e último suspeito, mas não menos importante, a sanha intervencionista do governo que resolve se meter desde no fator de proteção solar dos bronzeadores até em quanto um operador do sistema elétrico deve ganhar.  A sensação é que diante de tantas mudanças (algumas parecidas com um cavalo-de-pau de 180 graus) o investidor grande e também o pequeno simplesmente pararam para ver onde tudo isso vai dar.

A economia não anda simplesmente porque meia dúzia de burocratas iluminados cria decretos em ritmo frenético. A economia é a soma das pequenas decisões de consumo e investimento de milhões e milhões de pessoas e empresas todos os dias.    Se estes agentes se sentem inseguros para colocar o seu suado dinheiro para trabalhar, eles simplesmente se retraem. E quem se sente seguro com regras que mudam todos os dias?

No que diz respeito à inflação, fechamos 2012 em 5,84% (e isso sangrando a Petrobrás para não aumentar o preço dos combustíveis), num ano no qual o PIB mal e mal saiu do lugar.  Imaginem a inflação num ambiente de crescimento como estaria?  Particularmente, achamos difícil que todo esse experimentalismo expansionista não se traduza em aumento dos preços na economia.  A título de curiosidade, a inflação pelo método antigo de cálculo teria estourado o teto de 6,5% em 2012.

Todo modelo calcado em dívida e consumo tem um limite, e parece que chegamos ao nosso.  O próprio governo aparenta ter esse entendimento  quando diz que se concentrará nos investimentos, ou seja, na expansão da
oferta.  Mas a insanidade (desespero) aparece quando eles soltam (no apagar das luzes de 2012) mais um pacote de estímulo ao consumo.  

Repetem as ações do passado esperando um resultado diferente no futuro.  Não tem como dar certo.  No que tange aos investimentos, divulgam novas
diretrizes para o setor elétrico que simplesmente quebram as empresas geradoras, dando como contrapartida uma renovação antecipada das concessões.  Ou é isso ou então perde-se a concessão que irá vencer.  Tudo de forma muito autoritária e sem o menor diálogo.  Caso tivesse 10 bilhões de dólares para investir, você assinaria o cheque neste ambiente?

Não se discute aqui o correto diagnóstico da necessidade de redução do custo Brasil, isso é tão claro quanto um dia de sol na praia.  O que se apresenta como "areia nas engrenagens" é a maneira de como a governanta (ou seria governante?) vem implementando as coisas.  Para 2013 a pergunta de ouro para a economia é como Dilma irá se comportar, como uma executiva pragmática que sabe corrigir os rumos errados, ou como uma dogmática e teimosa criatura dos anos 60?  Chile ou Argentina? São os dois caminhos que se apresentam diante de nós.

É neste cenário em deterioração (que pode ser revertido ainda) que falaremos agora das opções de investimento para 2013.

Na renda fixa podemos esperar um banco central que continuará dócil ao comando do governo central e, por isso mesmo, aumentos de taxas de juros não estão no radar.  Creio que é razoável trabalhar com o atual patamar de 7,25% para o ano.  O investidor tem sempre 03 opções na renda fixa, ficar pós-fixado, ficar pré-fixado ou ficar grudadinho nos ativos de inflação.  Na primeira (assumindo-se um IPCA de 6%) o juro real líquido é de apenas 0,15%. Na segunda opção os prêmios estão magros e somente em 2015 se verá algo projetando acima dos atuais 7,25% (mesmo assim 108% do CDI. se os juros não subirem até lá) e na última opção pode-se dizer que no caso das NTNB´s boa parte da gordura já foi consumida.  Para onde o investidor de renda fixa deve correr neste momento? 

A solução é alongar.  O almoço grátis de retorno com liquidez imediata acabou.  Hoje, há boas emissões de CRI´s com prazos médios dilatados, porém com juros reais (e isentos de IR) na casa de 4%-5% ao ano.  Neste ambiente, o papel do consultor financeiro é de suma importância, pois análise de crédito não é algo trivial. Outra opção cada vez mais popular são os fundos imobiliários. Trata-se de um produto relativamente novo no Brasil e que merece uma análise caso a caso.  Há bons e maus fundos imobiliários.  Conceitualmente falando, pode ser interessante sim pela isenção tributária e pelo potencial de proteção inflacionário, afinal trata-se de ativos reais.

Quando falamos de bolsa, é melhor usar o plural, afinal temos duas bolsas hoje no Brasil. Uma é a das empresas sob intervenção do governo, de pouca valorização e bem baratas (PL médio de apenas 9) e a outra é a das empresas que escapam (ainda) da sanha intervencionista do governo e por isso são caras (PL de 19) e valorizadas.  Continuamos crendo que com 500 empresas sendo negociadas em bolsa, o melhor é fazer uso de bons gestores especializados.  Entrar sozinho neste mar revolto é pedir para se afogar.

No universo vasto dos multimercados, cremos que 2013 não será tão viçoso quanto 2012, afinal a festança das NTNB´s já está perto do fim e a valorização da bolsa "sem intervenção" tem um limite.  O ano será desafiador e irá separar aqueles 10% que sempre se destacam do resto.

De um modo geral, 2013 será um ano decisivo em termos políticos, afinal mais um ano sem crescimento ( e talvez com desemprego em alta) esvaziará sobremaneira a candidatura Dilma e colocará novas cartas sobre a mesa. Tudo num ambiente externo ainda bastante desafiador. Sanidade, seletividade e sangue frio são as palavras para 2013!  

quinta-feira, agosto 02, 2012

Giannetti na Folha


"Falta ao país vocação para a poupança", avalia economista
Para Eduardo Giannetti, Brasil repete padrão histórico de estimular gastos sem investir para aliviar os gargalos
Professor aponta ainda a "arriscada dependência" do consumo externo em que país se apoia
Gabo Morales/Folhapress
CAROLINA MATOS
DE SÃO PAULO
A falta de poupança interna, que restringe a capacidade de investimento do país em pilares essenciais ao crescimento de longo prazo -como educação e infraestrutura-, é o grande entrave ao desenvolvimento econômico.
A avaliação é de Eduardo Giannetti, 55, economista, filósofo e professor do Insper.
O problema, histórico, está camuflado por uma superfície de expansão do consumo e longe de ser resolvido.
"A nova classe média demanda eletrodomésticos, mas a energia elétrica é cara e falta em muitos locais", diz.
O mesmo contrassenso pode ser observado de várias formas: cresce o interesse dos consumidores por carros, faculdades e imóveis, mas falta investimento em vias, ensino de qualidade e saneamento básico.
Ainda na avaliação do economista, no cenário de crise na Europa e desaceleração da China, está mais arriscada a dependência da economia brasileira em relação à demanda externa por commodities, como alimentos e metais. A seguir, trechos da entrevista exclusiva à Folha.
Falta de vocação
A economia brasileira é muito parecida com um personagem do conto "O Empréstimo", de Machado de Assis, que tem vocação para a riqueza, mas não para o trabalho. O país tem a vocação do crescimento, mas não a da poupança.
O Brasil tenta repetir a estratégia adotada para sair da crise em 2008 e 2009, só que o contexto agora é muito diferente. Há um comprometimento da renda das famílias com dívida, que já não têm a mesma condição de comprar.
Além disso, aquele deslumbramento inicial da nova classe média com as possibilidades de consumo começa a dar sinais de fadiga. O que o Brasil precisa é pensar com muito mais cuidado em como aumentar a poupança e o investimento [em torno de 17% e 19% do PIB em 2011, respectivamente], e não o consumo.
Capacidade de produção
Um dos dados mais preocupantes da economia hoje é que a formação de capital fixo [maquinário e instalações das empresas] caiu. Esse é um dos fatores que têm levado o Produto Interno Bruto a crescer pouco. Agora, para atender a demanda interna, vai ser preciso, portanto, fazer o PIB crescer por investimento.
Toda a economia tem o chamado "speed limit", que é o limite de velocidade que ela pode alcançar e manter sem gerar desequilíbrios macroeconômicos, como a disparada da inflação.
As melhores estimativas do "speed limit" do Brasil hoje ficam entre 3,5% e 4% ao ano. Mas o fato é que estamos, pelo segundo ano consecutivo, abaixo dessa faixa. Neste ano, muito provavelmente, com um número próximo a 2%.
Dependência externa
De 2004 a 2011, o PIB brasileiro cresceu, em média, 4% ao ano. Mas a absorção doméstica, que é o gasto total do Brasil [setores público e privado], cresceu, em média, 5% ao ano. Ou seja, todo ano, o gasto aumentou um pouco mais do que a produção.
Dois fatores permitiram que isso acontecesse sem gerar, por exemplo, uma pressão inflacionária. Primeiro, uma melhora dos termos de troca do Brasil: o preço dos produtos que vendemos para o mundo, principalmente das commodities, aumentou mais que o preço do que importamos, como insumos e máquinas.
O outro fator foi que, depois de anos em que tivemos superavit em conta-corrente [resultado das transações do país com o exterior], passamos a ter deficit em conta-corrente, que, hoje, é da ordem de 3% do PIB. Esse segundo componente é a poupança externa, dinheiro que o mundo passou a transferir para nós.
Só que não vai dar para continuar com o consumo crescendo a não ser que a gente passe a ter deficit cada vez maior em conta-corrente, pois não vamos mais contar com a melhoria dos termos de troca.
Se o preço das commodities se mantiver onde está, já será um ótimo cenário, pois o perigo é que ele caia, diante da crise na Europa e da desaceleração da China, importante consumidora.
E aí vamos para um território muito perigoso: no caso de qualquer parada no financiamento externo, o país vai para a beira do abismo. É o risco do abuso da poupança externa.

segunda-feira, abril 16, 2012

What's Behind Brazil's Slow Growth?

By MARY ANASTASIA O'GRADY, WSJ

Along with Russia, India and China, Brazil is supposed to be a 21st century economic tiger. So how come it grew a measly 2.7% last year?

President Dilma Rousseff would have you believe that it is because the Federal Reserve's low interest rate policy is making her country uncompetitive and thus "impairing growth." She said so on a visit to Washington last week and again over the weekend at the Summit of the Americas in Cartagena.

It is not a new charge. Brazil has been complaining about Fed Chairman Ben Bernanke's easy money policy for some time. Brazilian finance minister Guido Mantega is credited with coining the term "currency wars" to describe the export advantage a country gains by debasing its national money.

To be sure the Fed's "quantitative easing" and near-zero interest rate policies have meant that there are many dollars seeking better returns in energy markets. This has fueled a rush into Brazil, where plentiful offshore reserves have been discovered and, in contrast to reserves in the U.S., have been targeted for exploitation. Unlike Mexico, Brazil is allowing foreign companies to be part of the process. In agriculture too, Brazil has tapped the highest technology available and used it to become a world-class producer during a time of rising food prices.

When investors pile into these profitable Brazilian assets, the value of the real goes up. So Mrs. Rousseff is right that "helicopter Ben" is playing a key role in the Brazilian economy. Investors are also right to be wary of a commodity play that is heavily dependent on the Fed's free credit policy.

A bubble could be in the making. If production would not be profitable at lower prices, a bust could follow.

Yet a strong currency makes Brazilians richer, something the president ought to celebrate. So why is she mourning it? The answer lies in the political power of domestic manufacturers.

Think of what would happen if policy makers allowed the real to appreciate. As dollars flowed into the country and were used to purchase reais, the exchange rate would appreciate. The stronger real would give Brazilians more purchasing power around the world to modernize production facilities, increasing productivity and thus competitiveness.

This would be a wealth-building process. But Brazilian central planners have other ideas. They have always envisioned the country as a manufacturing giant, and the government has long subsidized domestic producers—think of the theory of infant industries—and provided protection from foreign competition. That was easier when the local currency was weak. Brazilians could not afford imports and the country's exports looked more attractive to foreigners.

Today the strong real is exposing the weakness of Brazilian manufacturing, which even before the Bernanke boom was shrinking in economic importance. According to Brazilian economist Raúl Velloso, manufacturing as a percent of Brazilian gross domestic product is now half of what it was in the late 1980s. Fully 65% of the economy is now services and the service sector employs four times as many Brazilians as manufacturing does.

Even so, domestic producers remain politically powerful and they are putting pressure on Brasilia to stop the appreciation of the real. To do that the central bank has to buy up the dollar inflows, issue new reais and then issue bonds to remove those reais from circulation so they do not generate inflation. The bank now has over $400 billion in dollar reserves and bond issuance has pushed up interest rates.

Higher interest rates attract more buyers of reais looking for higher yields. So rather than weakening the currency, the bank's intervention makes it stronger. Higher rates also make holding reserves expensive. Another problem is that investors may be more likely to put their money in government bonds rather than investments needed to boost productive capacity.

The government is also devouring savings needed for investment by pushing up consumption in a variety of ways. The consumption push, including the expansion of subsidized credit from BNDES, the national development bank, is perilous.

As demand heats up Brazil's low investment-rate-to-GDP of 18% (versus China's at 50%) means imports are needed. Protectionism blocks imports, so prices of tradable goods rise. Prices of services, which are not imported, also rise.

The higher consumption without the corresponding production capacity provokes inflation, raising wage costs for those domestic manufacturers the government is supposed to be helping. The central bank has to rely on high interest rates to control the situation. Growth suffers.

The way out of this trap is to embrace the strong real and the nation's comparative advantages in services and commodities. Allowing the centrally planned manufacturing industry to restructure won't be painless. But better to do it now, alongside pro-growth reforms in tax and regulation, than to wait for the inevitable crisis.