sexta-feira, julho 19, 2013

Detroit e a lição de Schumpeter

Rodrigo Constantino

Deu no
GLOBODetroit se torna a maior metrópole americana a pedir concordata

Símbolo da industrialização, da classe média e do sonho americanos, Detroit não resistiu a 50 anos de esvaziamento, falta de planejamento e desleixo fiscal, entrando ontem com pedido de concordata na Justiça federal de Michigan, na maior declaração de insolvência municipal da história dos EUA.

A icônica capital automotiva do país não conseguiu acordo com credores e sindicatos de servidores públicos para reescalonar a dívida estimada em US$ 18,5 bilhões e solicitou supervisão judicial para implementar um plano de reequilíbrio de suas finanças.

[...]

O desfecho, esperado nas últimas três semanas à medida que as negociações emperraram, é desolador para uma cidade que já teve a maior renda per capita dos EUA. Hoje, Detroit tem 710 mil habitantes, uma população 63% menor do que na década de 50, quando era a quarta maior cidade dos EUA; perdeu empresas e cérebros e vive um cenário de terra arrasada, com serviços públicos decadentes e bairros inteiros desertos.

Há 78 mil prédios comerciais abandonados por toda a cidade e, todos os anos, 13 mil residências deixam ter moradores. Neste quadro de asfixia, a base fiscal municipal encolheu muito e Detroit passou a não fechar mais as contas há cinco anos, recorrendo freneticamente à emissão de títulos para cumprir obrigações.

— O que o cidadão de Detroit precisa entender é que a situação na qual nos encontramos é o ápice de anos e anos e anos chutando a lata adiante na estrada — disse há um mês Kevyn Orr, que esteve à frente do bem-sucedido plano de reestruturação da Chrysler.

Lar de Ford, GM e Chrysler — as três irmãs, que são as maiores montadoras americanas e ironicamente foram resgatadas da falência pela Casa Branca após a eclosão da crise de 2008 —, Detroit vive cinco décadas de desindustrialização, provocadas pela consolidação das fabricantes de automóveis e autopeças e o deslocamento de fábricas para áreas do subúrbio da capital de Michigan, outros estados e mesmo países, ante a competição asiática.

A falência de Detroit tem muitas lições. O sindicalismo forte, a gastança estatal, o populismo, enfim, as bandeiras de esquerda que inexoravelmente cobram um alto preço da população. Mas talvez a principal delas seja sobre a "destruição criadora" de que falava Schumpeter. 

O capitalismo é dinâmico, concorrido, com grande avanço tecnológico. Isso assusta, sem dúvida, mas é o que garante o progresso, a geração de mais riqueza e conforto. Mas, para fazer parte desse fantástico sistema, é necessário encarar os desafios com realismo, e se adaptar, se tornar sempre mais competitivo. 

Detroit viveu seus anos áureos com as grande montadoras, mas essa fase passou. Em boa parte pelo elevado custo imposto a essas empresas, pelo poder sindical, pelos impostos estatais, pela mão de obra mais cara, as empresas buscaram alternativas para sobreviver. Michael Moore preferiu fazer populismo com isso, e ficar rico no processo, em vez de entender e explicar que não restava opção: era se adaptar, ou morrer.

O protecionismo comercial serve apenas para preservar empregos e empresas ineficientes, o que tem data de validade, é temporário. Não dá para fugir da realidade dos mercados para sempre, a não ser que se feche como um ouriço, tal como a Coreia do Norte. Ninguém pode celebrar o resultado, não é mesmo?

Concorrência incomoda, mas é parte do jogo, e parte fundamental. Detroit achou que dava para ignorar isso, e deu no que deu. Obama fez alarde de que não deixaria Detroit quebrar. Agora Obama, outro típico populista de esquerda, terá que conviver com mais esta lição dos mercados: a realidade é inexorável. O processo evolutivo do capitalismo não tolera acomodados e perdulários. 

6 comentários:

Anônimo disse...

Bom mesmo e' ser trabalhador na China nao e' mesmo?

Lucas Nunes disse...

Como os Estados Unidos utilizam a globalização para defraudar os países pobres em trilhões de dólares


Depoimento do ex agente da inteligência dos Estados Unidos, John Perkins - Assassino Econômico.

No Brasil, a pressão dos assassinos econômicos levou Getúlio Vargas ao suicídio em 1954. Com um tiro no peito fulminou seus adversários e atrasou o golpe militar em 10 anos. Em 1964 os chacais, em aliança com os militares brasileiros, entraram em ação na deposição de João Goulart. Nenhum governo após a ditadura militar teve a hombridade de se levantar contra os interesses estadunidenses. O que seria impensável aconteceu em 2003: Lula assume o poder e governa com o FMI, contra o povo trabalhador do Brasil. Disposto a resistir e assim encontrar uma nova era de liberdade e prosperidade, o povo brasileiro foi traído pelo dirigente eleito justamente no momento em que podíamos dar ao mundo uma demonstração de autonomia tão ou mais significativa do que aquele grito de liberdade bradado até hoje em Cuba, única nação do continente que é de fato um "Território livre na América".

Link para o video:
http://youtu.be/EV1VklwMNdo


Link com partes do livro Confissões de um Assassino Econômico:
http://www.kilibro.com/pt/book/preview/17579/confissoes-de-um-assassino-economico


Outros livros de John Perkins:


Enganados
Neste livro, Perkins expõe os bastidores da economia, revelando a causa real do presente desastre financeiro global. Mostra como fomos enganados pelos CEOs que dirigem a corporatocracia - as poucas corporações que controlam uma enorme quantidade de capital, terras e recursos no planeta todo - e os políticos que eles manipulam. A solução não é um 'retorno à normalidade'. Mas há uma saída. Como Perkins deixa claro, podemos criar uma economia saudável que estimule as empresas a agir com responsabilidade, não só no interesse dos acionistas e parceiros corporativos (e dos seus lobistas), mas no interesse dos funcionários, dos clientes, do meio ambiente e da sociedade como um todo. Enganados é uma polêmica poderosa que mostra não apenas como chegamos a este ponto instável da história, mas também o que precisamos fazer para evitar o colapso global.


A História Secreta do Império Americano
Em sua impressionante autobiografia, Confissões de um Assassino Econômico, John Perkins fornece detalhes sobre seu papel nas décadas de 70 e 80 nas intrigas corporativas internacionais que criaram um Império Norte-americano de facto. Em A História Secreta do Império Americano, Perkins volta-se para zonas críticas em todo o mundo e, com base em entrevistas com outros assassinos econômicos, chacais, agentes da CIA, repórteres e ativistas, analisa a atual crise geopolítica. Da presença do exército norte-americano no Iraque ao desenvolvimento da infraestrutura da Indonésia, dos voluntários do Corpo de Paz na África aos chacais na Venezuela e às preocupações com a corporatocracia que controla todos os partidos políticos brasileiros, Perkins expõe uma rede de corrupção e trapaça corporativa. Alarmante, apesar de esperançoso, este livro se encerra com um olhar lúcido sobre o futuro e um plano compassivo para reimaginar o mundo.

samuel disse...

As vezes me pergunto porque São Paulo nao foi a falencia ainda. OU JÁ FOI E APENAS NAO FOI DECLARADA ...

razumikhin disse...

Difícil ter certeza. Pode ser que o Aavaz tenha se vendido só recentemente.

Anônimo disse...

Vamos pela lógica. Quebrou Detroit por causa dos sindicatos fortes. Mas qual outra grande cidade americana quebrou ? Nenhuma. Então só existia sindicatos fortes em Detroit ?

Anônimo disse...

5 décadas seguidas de prefeitos Democratas. Deu no que deu.