sábado, julho 13, 2013

O desafio do marqueteiro de Dilma

Rodrigo Constantino

Quando Dilma estava em campanha, foi criada a imagem de uma gestora eficiente, trabalhadora, pragmática, que faz acontecer. A grande imprensa não quis saber de seu histórico, como a falência de uma loja que vendia produtos a R$ 1,99. Comprou o mito. O resultado não veio.

Já no poder, tentaram criar a imagem de uma "faxineira ética", intolerante com os "malfeitos". A imprensa ia descobrindo escândalos, e ela, sem ter muito que fazer, aceitava o pedido de demissão dos envolvidos. Essa era a grande "faxina". Mas muitos deles voltaram ao poder, continuaram bem ao lado de Dilma. Essa imagem também não cola mais.

Veio então a grande oportunidade: reduzir os juros na marra. A presidente Dilma seria associada ao combate corajoso contra os banqueiros, como se a taxa de juros fosse resultado da ganância deles (seria preciso crer que banqueiros internacionais, que atuam no país, tornam-se mais gananciosos assim que adentram a fronteira do país). Foi feito um intenso trabalho de marketing nesse sentido: juros baixos = Dilma.

Mas agora... agora a realidade econômica vem se impor, e o Banco Central precisa subir a taxa de juros para combater a inflação elevada, acima inclusive do topo da meta, que é extremamente alta para padrões internacionais. Mais uma bandeira de marketing que é esgarçada pelas traças da realidade.

O que fazer? Qual será a próxima peça que o marqueteiro João Santana vai tirar da cartola mágica? Não sou da área, e me falta a criatividade dessa gente para inventar mentiras, mitos e ilusões. Por isso tenho dificuldade de pensar em alternativas. Mas, quem sabe, a próxima propaganda não seja associar Dilma às manifestações das ruas? A tentativa já está em curso, claramente. O resumo seria: Dilma, aquela que captura a voz das ruas.

A dificuldade, naturalmente, é que a voz das ruas é crítica ao governo. Logo, teríamos um caso ímpar em que a presidente do governo, que governa há mais de uma década, tem como grande característica o fato de incorporar os protestos que têm como principal alvo... o próprio governo. Dilma se torna, num toque de varinha mágica marqueteira, a anti-Dilma! 

Viram como a vida de marqueteiro político não é nada fácil? Sim, é verdade que eles ganham muito bem para isso (às vezes em paraísos fiscais para fugir de impostos), para inventar máscaras e embalagens. Sim, também é verdade que eles contam com um público bem disposto a engolir quase todo tipo de mentira e ilusão. Mas tem horas que o desafio deles é realmente incrível. Eu não gostaria de estar na pele de João Santana num momento desses...

2 comentários:

Jose Romualdo Borrajo Costa disse...

Lembra do "ombudsman"? Aquela figura que era paga para criticar o patrão? Mas que na verdade funcionava como um "mea culpa"? Então, vai aí a minha sugestão para o João Santana!!!!

Dezio Ricardo Legno disse...

Calma Rodrigo.
A Dilma tem como modelo a Kristina K..A Pinguina dos pampas.

Ela é um exemplo de como uma presidente incompetente, prepotente, pode manter-se no poder seja lá a besteira que fizer.
O povo é muito burro Rodrigo e o argentino até que não é tão burro assim.
E no entanto a K está lá.
O Brasil hoje corre célere para ser a Argentina amanhã.

Décio