segunda-feira, julho 08, 2013

Oito anos

Dr. Milton Simon Pires


Excelentíssima Senhora Presidente da República.

Já nos conhecemos, a senhora e eu. Dessa vez, portanto, não vai haver apresentação. Vou começar lembrando  à senhora algumas curiosidades.
Oito  anos é atualmente o tempo máximo de mandato de presidente da república, não é? Oito anos, presidente, se não estou enganado, é também o tempo limite para que uma pena de prisão em regime fechado possa ser convertida em semiaberto (apreendi isso assistindo na TV o julgamento de alguns conhecidos seus na Ação Penal 470) e por aí vai. Enfim, presidente, oito  é um número aplicável a tantas coisas..rss. Na China se costuma dizer que oito é o número da sorte. Mas hoje; vai ser do seu azar. Explico-lhe brevemente o porquê:
Hoje a tarde, li perplexo na internet as notícias que dão conta do lançamento do seu Programa “Mais Médicos”. Não vou aqui gastar seu tempo detalhando um por um os aspectos dele. Nosso tema aqui, presidente, é bem específico – nós vamos falar do aumento do tempo da formação médica de seis para oito anos obrigando-nos a prestar dois anos de serviço no SUS antes de receber reconhecimento oficial como médicos.
Presidente Dilma, a senhora sabe o que são “doutorandos” e médicos “residentes”? Não sabe, né? Lá vai a explicação – doutorandos são, normalmente, estudantes no ultimo dos seis anos da tradicional formação médica que a senhora e os gênios que lhe assessoram querem mudar. Médicos residentes já se formaram – tem responsabilidade legal e, trabalhando sob supervisão de colegas mais experientes, fazem uma determinada especialização. A senhora sabe o que eles tem em comum, presidente? Eu lhe respondo – eles “carregam nas costas os hospitais universitários brasileiros”. Eles, para sua informação, já trabalham, na sua gigantesca maioria, em hospitais públicos ou vinculados ao seu maravilhoso Sistema Único de Saúde! São eles que atendem a gigantesca massa daqueles que a senhora e seus correligionários do Partido-Religião chamam de “usuários” e nós chamamos de pacientes. Enquanto eles estão dentro de hospitais públicos com teto e paredes desmoronando nos ambulatórios, enfermarias e blocos cirúrgicos, a senhora e  o Lula são atendidos por outros médicos dentro, por exemplo, do Hospital Sírio Libanês! Alguns desses colegas que atendem a senhora e nosso ex-presidente deveriam estar junto com os doutorandos e residentes supervisionando a sua formação como médicos e especialistas. A senhora sabia disso, presidente??
Mas, por favor, não quero lhe constranger... Vamos dizer que essa sua medida desesperada para se reeleger seja realmente implantada... Gostaria de tirar com a senhora algumas duvidas: tem a senhora a noção de que a rede hospitalar brasileira inteira está completamente sucateada, presidente? Sabe por quê? Porque malditos colegas meus e seus ajudaram a transformar um país que tem quase o tamanho da China num gigantesco posto de saúde! Diga de uma vez por todas isso ao povo, presidente Dilma. Mesmo que a senhora “derrame” 12.000 médicos dentro do SUS  de uma hora para outra eu lhe pergunto – Onde e em que condições eles vão trabalhar??? Dentro dos famosos pronto-atendimentos? A senhora sabe o que é um pronto-atendimento, presidente? Eu lhe explico – é um lugar onde se atende tudo aquilo que não é suficientemente grave e deveria estar num posto de saúde; ou é tão sério que deveria estar dentro de uma emergência de verdade! Sabe por que esse tipo de imundície foi inventado? Para esconder que não existem mais hospitais nesse maldito país. Seu antecessor, que nos anos 70 perdeu esposa e filho num hospital publico preferiu emprestar dinheiro para Cuba, perdoar a dívida da Bolívia e comprar deputados no Congresso nacional em vez de construir hospitais!
Nas últimas duas semanas, presidente, a senhora propôs ao povo brasileiro um plebiscito, depois um referendo e agora – sempre maravilhosamente assessorada – vem com um absurdo que nem mesmo a ditadura militar quis impor: estender o tempo de formação dos médicos brasileiros por razões ligadas ao fracasso do plano de poder do PT.
Presidente, cada vez que lhe escrevo fico divido. Não sei se expresso a indignação de quase 400.000 médicos brasileiros ou se fico com pena da senhora. Até quando vai esse seu desgoverno? Até onde a senhora acha que pode enganar tanta gente durante tanto tempo?
Afaste-se imediatamente dessa corja de colegas MEUS que lhe assessora, que esqueceram que são médicos, e que  depois de formados jamais atenderam ninguém no sistema público. Se a senhora não fizer isso, vai apreender de uma maneira dolorosa que políticos podem ter partido, podem ser liberais ou democratas, progressistas ou conservadores, podem até ser ditadores, mas jamais vão ter poder suficiente para aliviar a dor ou evitar a morte. Essa função é nossa e, dia após dia, cada vez mais a senhora vem nos impedindo de exercê-la.

9 comentários:

IvanFR disse...

"Oito anos, presidente, se não estou enganado, é também o tempo limite para que uma pena de prisão em regime fechado possa ser convertida em semiaberto (apreendi isso assistindo na TV o julgamento de alguns conhecidos seus na Ação Penal 470) e por aí vai."

Onde ele ouviu essa bobagem ??! O tempo para se mudar de um regime mais severo para outro menos severo depende da quantidade da pena. Na prática, o condenado deve cumprir uma fração da sua pena e ostentar bom comportamento para mudar de regime (progredir de regime). Se se tratar de "crime comum", ele deve cumprir no mínimo 1/6 da pena para progredir de regime. Se se tratar de "crime hediondo", ele deve cumprir 2/5 da pena para progredir.

Os oito anos, na verdade, só servem de parâmetro para o seguinte: pena maior que oito anos imposta na sentença deve necessariamente começar a ser cumprida em regime fechado. Assim como pena maior que quatro anos deve necessariamente começar a ser cumprida em regime semi-aberto. Consequentemente, pena menor do que quatro anos (para crimes menos graves) pode ser cumprida em regime aberto.

Essa mensagem não tem nada a ver com o mérito deste post, mas não pude deixar de esclarecer esse ponto, depois de ter lido essa bobagem escrita pelo tal Dr. Milton Pires...

Mateus Fontenelle disse...

um dia esse que nos prejudicam não vão mais ter forças para nos prejudicar mais pois já vão ter se destruído que é nisso que o esquerdismo dá:destruição,inclusive a própria

Milton Simon Pires disse...

Deverias ter lido que eu escrevi "se não estou enganado"..kkkk. Bobalhão, eu não sou advogado, sou médico..Mais; eu escrevi a respeito do que escutei na transmissão da julgamento do mensalão..Fica na tua, meu amigo, e não escreve asneira..

Emerson Luís disse...

"Excelentíssima Senhora Presidente da República"

Não sabe que ela decretou que quer ser chamada de "presidANTA"???

Falando sério agora:

Resta saber até que ponto esta é uma medida desesperada e impensada e a partir de que ponto é algo que já vinham maquinando há tempos e estão aproveitando o calor do momento para implementar como se fosse uma medida de emergência.

* * *

Anônimo disse...

Ora, Ivan, que ranço é esse? Desmoralizando o interlocutor sem adentrar ao mérito?
Joguinho vagabundo de comunista.

Valnir Alberto Brandt disse...

Estimado Rodrigo, concordo com suas observações, estão todas corretas, exceto uma. Doutorando é quem está fazendo curso de doutorado. Doutorando não é quem está em fase final de graduação, estes são graduandos.
Um abraço.

Anônimo disse...

Sr. Valnir, doutorando é um termo bem antigo e ultrapassado mas que ainda hoje é usado pra designar os alunos que estão passando pelos 2 últimos anos do curso, o internato. Há quem os chame de "internos" e há quem os chame de "doutorando".

Obs.: entendo o que o sr. quis dizer e concordo, doutor é quem tem doutorado.

IvanFR disse...

Dr. Milton Pires

Eu estou na "minha minha". Tanto que não entrei no mérito do que o senhor escreveu por eu não ter conhecimentos suficientes sobre o assunto (deixo claro que, a princípio, discordo de algumas críticas feitas pelo senhor, mas, como eu disse, não tenho conhecimento de causa suficiente).

Quem parece que "saiu da sua" foi o senhor ao falar aquela tremenda bobagem sobre progressão de pena e regime fechado no Brasil. E note que eu disse que o quê você falou foi "bobagem" e não que o senhor é um "bobalhão". Portanto, vamos ter mais respeito na conversa ??

Eu continuo "na minha" e o senhor continua "na sua", permitidos os "pitacos" sobre todos os assuntos , mas com respeito e reconhecendo os erros, ok ?

PS: a nomenclatura "doutorando", como levantado pelo Valnir Alberto logo acima, também sempre achei que fosse usada apenas para aqueles que estão concluindo o doutorado em qualquer área do conhecimento, mas se na medicina o termo é usado
de forma diferente, acredito no senhor rsss

Milton Simon Pires disse...

Dr. Ivan, o senhor disse que eu havia escrito "bobagem". Continuo insistindo que o senhor está se comportando como um bobalhão. Explico-lhe: Não tenho formação alguma em direito e me referi a um evento específico, transmitido para todo país - a Ação Penal 470. Nela, veja bem especificamente NELA e em vários casos ficou claro que 8 anos era sim limite para progressão da pena de uma determinada escória da classe política. Meu texto, Dr.Ivan, não tem pretensão de ser um tratado de Direito Penal. Como eu lhe disse mais de uma vez - não sou advogado. Com relação ao termo doutorando e aquilo que significa no texto (sentido específico) e no sentido popular, a discussão é tão ridícula que não merece sequer resposta..Volto a lhe aconselhar.."permaneça na sua".Falta-lha no caso em tela (como dizem os rábulas) conhecimento técnico e acima de tudo razão para opor-se àquilo que é a matéria em pauta..smj

Cordiais Saudações

Milton Pires