quinta-feira, dezembro 14, 2006

Eu Fui Explorado!



Rodrigo Constantino

“O direito nunca é infringido a não ser quando alguém se encontra destituído de uma parte daquilo que apropriadamente lhe pertença, ou de sua liberdade pessoal, sem o seu consentimento ou contra a sua vontade.” (Humboldt)

Eu já fui explorado! Não pelo governo, que tira na marra quase a metade do que ganho por ano para a “justiça social”, que na prática acaba no “mensalão”. Também não foi pelo sindicato, que sou obrigado a financiar ainda que este faça proselitismo com meu dinheiro, defendendo até figuras como Hugo Chávez. Tampouco foi por alguma estatal ineficiente, que cobra mais caro pelo serviço para poder sustentar os companheiros dos governantes. Nada disso. Eu já fui explorado por empresários malvados, é claro!

Ao menos essa seria a evidente conclusão segundo a ótica esquerdista, que vê no patrão um explorador e no governo um mecanismo de “justiça social”, formado por clarividentes e santos burocratas. Este ponto de vista, ainda que a esquerda não queira admitir, trata o indivíduo como completo mentecapto, incapaz de saber o que é melhor para si próprio. Precisa, portanto, dos cuidados do governo para acertar nas decisões. Paradoxalmente, deve ser livre e considerado inteligente somente no dia da eleição, mas logo depois passa a ser tratado como acéfalo que necessita de um guia sábio. Os esquerdistas normalmente são autoritários, pois partem do pressuposto de que sabem o que é melhor para o outro, e portanto devem impor suas preferências através da coerção estatal. Por isso que o cidadão não deve ser livre para praticar trocas voluntárias. Ele vai acabar sendo enganado e explorado por algum patrão cruel.

Como eu disse antes, já fui um desses “explorados”. Trabalhei por 6 anos para uma empresa que exige bastante dos seus empregados, objetivando manter sua eficiência, tão necessária para sua própria sobrevivência e conseqüente sobrevivência dos empregos que gera. Trabalhei várias horas por dia, acumulei meses e meses de férias não aproveitadas, deixei de gozar de feriados etc. Não havia uma arma apontada para a minha cabeça para tanto. Era uma escolha pessoal. Como tratava-se de uma troca voluntária, era mutuamente benéfica por definição, caso contrário, bastava uma das partes cancelar o trato. Eu queria aquilo! Considerava que era bom para mim, vantajoso para meu futuro. Mas um esquerdista diria que não, que eu não sei do que falo, que não tenho a menor idéia do que é bom para mim. Ele iria impedir minha “exploração”, afirmando que é um absurdo trabalhar tantas horas por dia, ou deixar de sair de férias. Usaria o aparato estatal e sindical para garantir minhas “conquistas” e “direitos”, direitos estes que eu gostaria de abrir mão mas não posso.

Os clientes não costumam perguntar sobre a qualidade de vida dos funcionários. Querem performance, o menor preço possível para a melhor qualidade possível. Quando um consumidor busca o melhor custo e benefício de um produto, está obrigando a busca por excelência das empresas. Quem compra a pizza mais gostosa de acordo com o preço, pode não se dar conta, mas está condenando as empresas ineficientes. Não importa se ela empregava pessoas por critérios humanistas, que exigia pouco deles para não gerar estresse etc. O comprador não quer saber se o entregador da pizza vem de moto ou rastejando. Ele quer o melhor atendimento possível e ponto. No livre mercado, quem manda é o consumidor. As empresas apenas obedecem, tentando atender da maneira mais eficiente a demanda. O patrão não é malvado. Ele precisa da satisfação do cliente para sobreviver. E sua sobrevivência como empresário significa a sobrevivência dos empregos que ele gera.

Exploração e escravidão são palavras que lembram coerção, justamente aquilo que o governo usa para tirar quase a metade do que os indivíduos ganham. Quando alguém fala que um restaurante caro é um “roubo”, não está empregando o termo correto. Não pode ser roubo algo voluntário, e pelo que eu saiba, restaurante algum coloca uma arma na cabeça dos clientes. Estes freqüentam o restaurante porque querem. Logo, por mais caro que seja, não pode ser roubo. Roubo é alguém ser obrigado por lei a contribuir com seu sindicato. Isso sim é roubo. Curiosamente, a verdadeira exploração vem daqueles que vendem a idéia de protetores dos explorados. Tiram o couro das pessoas na marra alegando que são fundamentais para a proteção delas contra os malvados exploradores, ainda que essa “proteção” seja obrigatória, enquanto a “exploração” é voluntária. Melhor não tentar entender...

8 comentários:

Blogildo disse...

E falando em exploração voluntária, nosso amigo Verissimo continua com sua pregação voluntária. Coloca todo a sua fama e retórica a favor do arranca-rabo de classes.

O filho do Érico tá cada vez mais chato.

Abraço!

Rodrigo Simonsen disse...

Meu xará, há tempos não escrevo aqui, mas saiba que continuo lendo seus textos (cada vez melhores) diariamente. Vamos à luta, sempre! Grande abraço,

Rodrigo Simonsen.

Anônimo disse...

Rodrigo Constantino, independente como um eunuco num harém, libertário como Osama Bin Laden.

c. mOURO disse...

Há muito mais coisas curiosas.

- "Curiosamente, a verdadeira exploração vem daqueles que vendem a idéia de protetores dos explorados. Tiram o couro das pessoas na marra alegando que são fundamentais para a proteção delas contra os malvados exploradores, ainda que essa “proteção” seja obrigatória, enquanto a “exploração” é voluntária. Melhor não tentar entender..."
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Outra é que aqueles que afirmam lutar pela igualdade nunca se proibiram palácios, suites luxuosas nos hotéis, viagens nababescas, carrões e etc. etc.. Basta que se olhe para Cuba e Coréia do Norte ...HÁ IGUALDADE NESTES PAÍSES? Ora, os que lutam pela igualdade se fazem infinitamente desiguais, material e individualmente.
Mas o caso é antigo, milenar, aqueles que fazem propaganda da pobreza se tornam a mais rica empresa do mundo. Os que dizem lutar pela libertação do povo, impõem ao tal de povo a absoluta servidão, os que dizem lutar pela igualdade se fazem os mais desiguais....
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Enfim, ISSO DEVE SER A TAL DE DIALÉTICA! ...é preciso entender a dialética ....HEHEHEHE!
aBRAÇOS
c. mOURO

Anônimo disse...

E o representante do "liberarismo com menas inteligência" ataca outra vez. Dá-lhe,Constantino! Aliás, vai no google decorar mais uma frases do Hayek e do Humboldt.

Anônimo disse...

E o representante do "liberarismo com menas inteligência" ataca outra vez. Dá-lhe,Constantino! Aliás, vai no google decorar mais umas frases do Hayek e do Humboldt.

Mario disse...

Este artigo vai de encontro ao que disse Waldir Pires, que foi patético, para não dizer idiota e canalha. Idiota porque se acha que ganha pouco (explorado) deveria "pedir o boné" e procurar outro emprego. Ao menos até que se implante o comunismo, como querem, todo indivíduo "nestepaiz" ainda é livre para escolher o emprego que quiser. Canalha porque dá a entender que, se ganhasse mais, não haveria o apagão aéreo. Patético por ter dito mais isto em local inoportuno e momento idem.

André P.B.Selva disse...

Faz tempo que não escrevo por aqui...... Bem certa vez eu estava falando sobre liberalismo com um colega de sala que se diz de esquerda.

Ele dizia que o liberalismo politico era mesma coisa que deixar a guarda do galinheiro nas mãos das"raposas" que, segundo ele, são os empresários(aquela vellha estória do capitalista malzinho e explorador,comedor de criancinhas).

Vendos as desventuras do governo do nosso querido apedeuta, eu lhe respondi: Será que o galinheiro já não está nas mãos das raposas?

o problema é quando as galinhas não sabem quem são as verdadeiras raposas......

Outra coisa que eu gostaria de saber: Que raios é essa qualidade de vida que se tem falado tanto nos últimos anos? já tentei devinir objetivamente o que significa esse termo mas, sinceramente, não tive muito sucesso.

E geralmente respondem genericamente: é viver uma boa vida, com saúde, prosperidade, emprego.....ou seja, é um termo empregado para definir uma coisa muito vaga e relativa.

Já vi gente associando isso a uma infinidade de coisas que tem uma relação muito vaga ou, simplesmente, não tem. Eu acho que uma panacéia para justificar medidas paternalistas de cunho esquerdista dentro das empresas.

A "qualidade de vida" cada um depende de cada um e de fatores que só o próprio individuo pode determinar. E não de empresas ou do " papai" estado.