quarta-feira, dezembro 27, 2006

A Galinha Ruiva



Rodrigo Constantino

“Eu juro pela minha vida e pelo meu amor a ela que jamais viverei em função de outro homem, nem pedirei que outro homem viva em minha função.” (Ayn Rand, por John Galt)

Que a minha filha de 5 anos é mais esperta que muitos brasileiros adultos, eu já sabia. Afinal, certa vez ela pediu-me para lhe contar uma história com malvados, que fascina as crianças, e como eu achei que nenhuma ficção seria mais assustadora que um relato verdadeiro, limitei-me a explicar o ocorrido em Cuba. Resumo da coisa: minha filha tem horror do “barbudo que matou e aprisionou inocentes numa ilha”, e detesta por tabela também o nosso presidente, que é muito amigo desse monstro. Monstro, aliás, que mete medo nela tanto quanto a Ursula, de A Pequena Sereia. Uma injustiça com a Ursula, tão inofensiva perto do genocida caribenho!

Mas contando uma outra história para ela dormir, fiquei realmente convencido de que a superioridade de raciocínio da “guria” é realmente espantosa vis-à-vis a média nacional. Trata-se de A Galinha Ruiva, um conto popular inglês. Diz a história que um dia a galinha ruiva estava ciscando no quintal e achou um grão de trigo. Ela teria corrido então para perguntar quem gostaria de ajudá-la a plantar este grão, no que o patinho, o gatinho e o cachorrinho prontamente negaram ajuda. A galinha, persistente, plantou o trigo sozinha. Depois, foi perguntado se os colegas ajudariam na colheita, mas novamente a resposta foi negativa, e a galinha fez o serviço sozinha. Para debulhar o trigo, a coisa se repetiu, e para ir até o moinho fazer farinha também. Por fim, a colaboração foi negada para transformar a farinha em pão, e a galinha, sozinha, fez um pão muito bonito e com um cheiro delicioso. Todos os outros animais quiseram, agora sim!, compartilhar do resultado do trabalho da galinha, mas ela recusou tal ato “caridoso”, falando que eles não iriam provar nem um pedacinho. Eram preguiçosos demais, disse ela.

Pois bem, eis que eu acabei esta sucinta história infantil e minha filha havia compreendido perfeitamente sua mensagem! Não é pouco, ainda mais quando levamos em conta que a maioria dos brasileiros parece ainda não ter entendido o recado. Não é por acaso que a Inglaterra é a Inglaterra, e o Brasil, bom, o Brasil é isso aqui. Enquanto contamos a história da cuca que vai pegar ou do lobo que vai fazer mingau, os ingleses ensinam o valor do trabalho individual, do direito de propriedade privada, das trocas voluntárias. Num país onde a maioria espera apenas que o Estado, ou seja, os outros, ofereça tudo de graça, um ensinamento desses é uma verdadeira aula de filosofia moral. Vários “intelectuais” e mesmo algumas doutoras ainda não absorveram esta lição. O Brasil transformou-se num leilão de privilégios, onde cada grupo pensa apenas em como extorquir mais daquilo que é produzido pelos outros. O país virou o paraíso dos parasitas e o pesadelo dos hospedeiros. A máxima marxista, “de cada um pela capacidade e a cada um pela necessidade”, conquistou milhões de adeptos nesse país. Logo, qualquer criança que entenda a mensagem do conto já está acima de muitos brasileiros, o que, pensando bem, não é lá motivo para tanto orgulho assim.

Agora resta apenas aguardar que ela vire uma adolescente, para explicar que a nota que ela tirar nas provas da escola serão apenas dela, dependentes do mérito pessoal, e que o professor não deve reduzir a nota dos melhores alunos nem aumentar a dos mais fracos em nome de uma certa “igualdade”. O conto da galinha, o boletim escolar, um mínimo de lógica e alguns valores básicos, eis a receita necessária para evitar que uma criança cresça com inclinações socialistas, algo que qualquer pai deveria desejar para seu filho. Afinal, afastar os filhos das drogas é um objetivo comum entre os pais que amam seus filhos.

Desejo a todos um feliz ano novo, e eis o que espero para o ano que se inicia: que os brasileiros em geral possam compreender a mensagem contida neste conto infantil. Estamos precisando!

17 comentários:

C. Mouro disse...

É, os contos infantis decairam nos gosto, talvez entendidos como bregas. Porém as fábulas são fantásticas para treinar a mente, pois divertido crianças acabam criando-lhes o habito de raciocinar. Mas, funesto que seja, muitos pais preferem doutrinar seus filhos adestrando-os em "respostas prontas", já ensinam-lhes o que seria o julgamento (dogmas) sem deixa-los raciocinar.
Quando nas eleições eu via pela rua os pais levando crianças com bandeiras vermelhas, professoras enfiando politicagem na cabeça de crianças indefesas, incapazes de refuta-las tomadas pelo instinto da confiança nos adultos (se não confiassem que os adultos sabem sobre o certo, não teriam como julgar para descobri-lo) ....enfim, incentivar o raciocínio e julgamento é muito bom.
...já lhe contou a fábula do leão e do camelo? ...ela vai entender!
.
Abraços
C. Mouro

Anônimo disse...

Excelente artigo, parabéns! Pena que a maioria dos brasileiros esteja mais pra macunaíma que pra galinha ruiva...

Sergio Oliveira disse...

Essa história ocorre muito no Brasil sim. Basicamente o patinho, cachorrinho e gatinho são o Governo.

40% do pão é comido pelo Governo.

Feliz Natal e que em 2007 consigamos exterminar os parlamentares de Brasília, e quem sabe retomar aquela já semi-porta esperança.

$ disse...

Parabéns Rodrigo. Agora resta o desafio de encontrar para a guria uma escola como esta.

Boa sorte!

Ricardo Froes disse...

Rodrigo:

Se depender dos deuses dos que são contra a vida digna ou a morte profilática, não vamos chegar a lugar nenhum. Se depender dos políticos que o povo elegeu, idem. Agora só depende de nós - as formigas e as galinhas ruivas fabulosas - dar fim a essa pasmaceira que nos envolveu para que esse surto de corrupção, alienação e inépcia não se torne endêmico.

Temos vacinas poderosíssimas para combater a mediocridade, mas que precisam ser difundidas para serem aplicadas. Mentes brilhantes como a sua, Rodrigo, a de Reinaldo Azevedo e a porra-louquice inteligente de Mainardi, só para citar alguns, não podem ficar em berços esplêndidos. O PT deu um banho na oposição pela Internet, sem ter dez réis de mel coado para mostrar como idéia, apenas porque foi justo, coeso.

Se é verdade que há males que vêm para o bem, espero, sinceramente, que tenhamos assimilado as lições da surra para pôr de lado as vaidades e lutar juntos pelo que é nosso, principalmente pela dignidade que ainda temos.

Um abraço a você, Rodrigo, e a todos que comentam no seu blog.

Rodrigo Xavier disse...

Rodrigo,

Penso com muita paciência, mas não lembro de nenhuma história na minha infância de valorizar indivíduos sob seus méritos. Sempre lições de moral vulgar, de vitimizar os coitadinhos, de ser mais fácil passar pelo buraco na agulha a ter patrimônio. Obter patrimônio parece um contrasenso neste país. Quando um amigo me viu acessar a página de uma corretora de valores ele ficou assombrado, parecia que eu estava cometendo um crime. Enfim, somos reféns do esquerdismo e nada parece mudar.

Feliz 2007 para você.

Anônimo disse...

Prezado Rodrigo,

Excelente artigo.

Nazaré Braga

Sebastiao Loureiro disse...

Rodrigo, parabéns pelo blog. Tenho tomado a liberdade de transcrever no meu bloguinho trechos de seus textos. Já linkei o blog. Grande abraço. Sucesso.

Fernando Chiocca disse...

Feliz ano novo pra vc tb. Abs

J.Rodrigues disse...

Boa sorte e sucesso em 2007. Continue assim. Textos com ótimo conteúdo e ao mesmo tempo elegantes. Felicidades.

Mario disse...

Não há como questionar a importância das fábulas infantis para aprender e, depois, passar formação moral.

Como a mãe do molusco nasceu analfabeta, não contou a fábula de Pedro e o Lobo: Pedro, de tanto mentir sobre a suposta presença do Lobo, quando, de fato, isso aconteceu, o pessoal não mais acreditou nele e foi comido pela fera.

Por falar em crianças, já repararam como essa canalhada esquerdóide usa-as na propaganda eleitoral?

Caro Rodrigo Xavier,

se me permite, uma pequena correção: não é "buraco na agulha" e, sim, "buraco de agulha", que é como eram conhecidas as portinholas pelos quais os camelos (os homens) só podiam transpô-las se descarregados (desprovidos dos bens materiais) e de joelhos (humildade) para entrar nas cidades (no reino do céu).

Apesar das perspectivas reais serem as piores, espero que todos tenham um 2007 de muita paz e de prosperidade.

Anônimo disse...

CARO RODRIGO.
PERFEITO, SIMPLESMENTE PERFEITO.
SE TIVERES UM TEMPINHO DE UMA PASSADINHA NO MEU BLOG...
drlucianoporto.zip.net
SOU MED. VETERINÁRIO E PRODUTOR DE SOJA, ARROZ E TRIGO NO RS.

Anônimo disse...

Senhor da Verdade. Que em 2007 você seja menos prepotente e eu possa te achar menos idiota. Saúde e Paz!

Anônimo disse...

Complementando: em relação à "Auto-Suficiência do Petróleo, um sujeito que se diz economista argumentar que teríamos "um preço do combustível bem menor por conseqüência da maior competição", em decorrência da privatização da PETROBRAS e da entrada de outros agentes no país, é, no mínimo, medíocre. O raciocínio pífio parte do pressuposto errado de que a fronteira de mercado do nosso petróleo é o Brasil, não considerando o óleo como uma commodity negociada MUNDIALMENTE, em um mercado oligopolizado e cartelizado. É óbvio que a redução nos custos de produção no Brasil não acarretá em redução no preço da commodity. Creio que ser "economista formado pela PUC com MBA no IBEMEC" (aliás, que merdinha de pós, hein?)te possibilita ministrar aulas para seus amiguinhos, bebericando nos botecos da Zona Sul. Além de prepotente, és medíocre.

Sakuraba disse...

Muito boa a história. Guardadas as devidas proporções, acontece bem por aí no nosso mundo mesmo: um por todos e todos por ninguém...

Feliz Ano novo, Rodrigo.

Diderot Valente disse...

Fantástico Rodrigo, bom seria se tivéssemos profissionais capacitados que estimulassem este tipo de raciocinio entre as crianças.

Feliz ano novo!

susy disse...

gostei muito olha o meu blog
susyjordao.blogspot.com