segunda-feira, dezembro 18, 2006

Os Meios de Produção



Rodrigo Constantino

“The mind is like a parachute - it´s only good when it´s open.” (Richard Driehaus)

Viver em um país sui generis como o Brasil, onde idéias marxistas ainda encontram forte eco, é um teste de paciência e tanto. Explicar, através da razão, os absurdos presentes nas principais idéias de Marx, ainda mais nos tempos modernos, é praticamente inútil, já que o marxismo é como uma religião dogmática. Para os marxistas, existem fundamentalmente apenas duas classes: os proprietários dos meios de produção, como fábricas, máquinas e matéria-prima, que são os capitalistas; e a classe que não dispõe dos meios de produção, compelidos então a vender sua força de trabalho, que são os proletários. Os capitalistas, na busca pelo acúmulo de capital, seriam exploradores dos proletários, segundo esta ótica.

Podemos dar algum desconto a Marx pelo contexto histórico em que ele pariu suas idéias, ainda que isso não seja totalmente justificável, já que vários outros autores, mesmo vivendo na mesma época, enxergaram muito melhor a realidade. Mas para os marxistas da atualidade, simplesmente não há atenuante algum. O mundo moderno deixa bastante evidente que essa divisão simplista feita por Marx não faz o menor sentido. A figura do capitalista dono dos meios físicos de produção é cada vez mais ultrapassada, cedendo lugar para um mundo de trabalhadores donos dos seus próprios negócios, acionistas pulverizados controlando as empresas, e a mente como principal meio de produção numa sociedade pós-industrial, focada em serviços. Quem é o dono da Coca-Cola? São milhões de investidores do mundo todo, sendo que o maior deles não chega a ter 5% do capital da empresa. Eis a realidade para a maciça maioria das empresas americanas. Através dos fundos de pensão, os próprios trabalhadores são os principais acionistas das empresas. O proletariado tomou conta do capital, pelas vias capitalistas.

Se o patrão sempre explora o trabalhador, com qual critério devemos julgar os salários dos diretores das empresas americanas, alguns milionários? Um CEO de uma importante empresa não deixa de ser um assalariado que responde aos interesses dos seus acionistas. Pela ótica marxista, ele seria um explorado. Por outro lado, um sujeito que tivesse uma birosca usando um único assistente como funcionário seria um capitalista explorador. Afinal de contas, não é o valor do salário que define a exploração segundo Marx, mas sim o seu conceito bizarro de “mais-valia”. Logo de cara, fica claro que esse conceito é completamente furado.

Fora isso, o que seriam os meios de produção no mundo atual? As idéias têm mais valor que quaisquer máquinas facilmente replicáveis. Vivemos na era do capital intelectual, onde uma dupla de nerds em uma garagem pode ameaçar a posição de liderança de uma empresa gigante e estabelecida. O financiamento não falta, pois o mercado financeiro avançado gera infinitas possibilidades para os novos empreendedores, na eterna busca por maiores retornos. Com uma boa idéia, praticamente qualquer um pode correr atrás do sucesso, assumindo que estamos num ambiente capitalista de livre competição. E não faltam exemplos para comprovar isso, como o caso da Google, do YouTube ou mesmo da Microsoft. Esta tem um valor de mercado de quase US$ 300 bilhões, abaixo apenas da General Electric e Exxon Mobil. Mas nem sempre foi assim, e a gigante da informática começou bem pequena. Tinha a seu favor boas idéias e um excelente capital humano. Não foi necessário o controle sobre a pá e a enxada.

A soma do ativo imobilizado das 20 maiores empresas americanas não-financeiras está em torno dos US$ 700 bilhões. O valor de mercado delas soma algo como US$ 3,5 trilhões. Logo, essas empresas valem no mercado umas cinco vezes o valor que possuem em ativo imobilizado, como máquinas, prédios e fábricas. Mas quando analisamos o caso das empresas mais recentes, normalmente de tecnologia, a proporção é totalmente diferente. A Microsoft vale 90 vezes o que possui de ativo imobilizado. A Cisco vale quase 50 vezes o que tem de imobilizado. E a Google, que tem um valor de mercado próximo dos US$ 150 bilhões, possui pouco mais de US$ 2 bilhões em ativos imobilizados, levando a uma proporção de quase 70 vezes. Será que importa tanto assim quem detém os meios de produção como máquinas e fábricas? Num mundo onde o verdadeiro meio de produção é a mente, as máquinas não desfrutam de tanto valor assim. Para isso ficar bem claro, basta imaginar o que iria ocorrer com essas empresas caso mentecaptos assumissem o controle. A bancarrota seria questões de meses, quiçá dias.

Os marxistas, os políticos, os sindicalistas, todos esses gostam de abusar da retórica e dos chavões sensacionalistas. Vendem a falsa idéia de que os empresários são ricos porque controlam os meios físicos de produção e com isso exploram os trabalhadores. No entanto, fossem os meios de produção, como máquinas e fábricas, realmente passados para o poder deles, atuando como “representantes” do proletariado, a miséria seria o único resultado possível. A União Soviética é um bom exemplo disso, já que mesmo com tantos recursos naturais não conseguiu produzir nada além de terror e miséria. Afinal, essa turma pode entender do uso de apelo emocional para incitar revoluções destrutivas, mas não sabe como gerar riqueza. E a riqueza não é gerada automaticamente pelos meios físicos de produção. Ela é criada pela ferramenta mais poderosa que os homens possuem: a mente. Como disse F. Scott Fitzgerald, “genialidade é a habilidade de colocar em prática aquilo que está em sua mente”. Não são muitos que conseguem chegar lá. Felizmente, alguns conseguem. São os empresários que, munidos do meio de produção intangível chamado “mente”, geram tanta riqueza para a humanidade.

13 comentários:

Anônimo disse...

Va falar isso a comunistada...

C. Mouro disse...

O marxismo é uma imbecilidade. Marx criou um mundo de fantasia e disse que era o que acontecia. Restringiu-se a uma única forma de ocorrência que ele idealizou, para assim chamar seu catecismo imbecilizante de "científico". A realidade da época não era o descrito por Marx, e ele simplesmente desprezou o que não lhe interessava, ou tudo, para fazer o seu nada "científico". Tinha aristocracia, os políticos, os autonomos e etc..
Sacanear estes imbecis é uma alegria.
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O valor de Marx - HdS

Marx fazia crer que haveria um “valor verdadeiro” inerente aos bens e serviços, negando a subjetividade para determinar o valor. Assim, tomou a idéia de que todo valor emana do trabalho, adicionando-a de que todo trabalho tem o mesmo valor. Sem ter conhecimento sobre aferição de quantidade trabalho (e se tivesse seria mais estúpido ainda), arbitrou que a quantidade de trabalho seria aferida pela quantidade de tempo despendido trabalhando.
Nem vale questionar o arbítrio tomado como verdade, como convenção. Que seja: o valor é dado pelo custo, ou seja, pela quantidade de tempo despendido para produção.
...Caramba! ...mas até Marx percebeu que isso levaria a situações ridículas pra mais de metro! ...então: o valor é dado pela quantidade de tempo socialmente necessário para a produção. Bem, usar o termo “socialmente” é pura masturbação mental; mas a povança gosta. Aliás o uso de termos inócuos e expressões que nada referem é comum à intelectualidade e politicagem: produzem sensações nos imbecis.
Mas assim também complicou, e nem Marx esclareceu como chegaria a este “tempo socialmente necessário”; e tão pouco esclareceu que qualquer critério seria subjetivo e impreciso, sem meios de aferir verdadeiramente. Mas, qualquer que fosse, seria complicado a aplicação para inúmeros bens, serviços e modelos criados continuamente. Mas não é nisso que está a “beleza” da teoria marxista, é mais divertido por outro lado, mais ameno.
Vejamos:
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Tomando-se idênticos o preço e o custo de duas cores diferentes de uma tinta, imaginemos dois carros numa agência. Carros estes absolutamente iguais, com as mesmas características exceto a cor. Digamos um todo azul e o outro abóbora com portas azuis.
Então um socialista marxista, anuente com a idéia de valor de Marx, vai na agência e escolhe o carro azul. Faz o pagamento e uns dias depois vai buscar o carro. Neste momento o vendedor lhe entrega o carro abóbora com portas azuis.
Pergunto: o socialista marxista pega a chave, entra no carro e vai feliz para sua casa? ...sendo então coerente com sua crença idiota. Bem, eu imagino que não. Ele exigirá o carro escolhido. Mas o vendedor, também marxista convicto, lhe diz que ambos os carros possuem o mesmo valor e preço. Não havendo justificativa para a reclamação de seu cumpanheiro kamarada.
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Pergunto: será o comprador marxista convencido por tal “brilhante” explicação? ...presumo que não.
Mas, sendo o dono da agência um malvado burguês, este dirige-se ao marxista e diz que ficará com o carro azul para si, mas que aceita ser explorado pelo comprador; e então lhe dará R$ 50,00 para que ele fique com o carro abóbora em troca do azul escolhido. Concedendo assim uma “mais valia” para o comprador marxista convicto, que deverá embolsa-la alegremente, por estar tendo um “ganho imerecido”. ...hehehe!
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Pergunto: o comprador, “socialista científico”, ficará Feliz por ter um ganho imerecido ?
Imagino que isso não acontecerá, pois que subjetivamente o marxista valoriza mais o carro azul do que o abóbora com portas azuis. Mesmo que para o grande Marx eles tenham o mesmo valor e “preço científico”.
Tenho certeza que o “comprador científico” não aceitará a proposta, independente das suas convicções sobre a composição do “valor verdadeiro” ou preço “justo”. Por mais que afirme o valor “socialista científico” ...hehehe!, o comprador não aceitará a troca, pois os carros não possuem o mesmo valor, mesmo que idênticos em “tempo socialmente necessário de produção”, ele valoriza mais o azul, mesmo que ganhe mais R$50,00 como incentivo para trocar um valor menor por um maior (carro + 50,00) ...e isso faz do marxista um perfeito idiota, capaz de defender uma idiotice que não põe em prática de forma alguma. Mesmo que a “verdade” esteja na praxis ...hehehe! ...hohoho!
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Outra questão é sobre a afirmação do esquerdinha de que as relações econômicas se dão apenas através da criação de sistemas econômicos que estipulam relações de troca. (esquerdista tem que ser desequilibrado para falar tanta asneira!):
Os portugueses chegaram ao Brasil e trocaram com os índios - que presumo desconhecessem a invenção (européia? asiática?) do sistema de trocas espontâneas ...hehehe! - espelhos, biritas e bugingangas, minerais, ouro ...por exemplo. Isso ocorreu, conforme a história (ih!) revela. De modo que os índios ficaram satisfeitos com a troca, pois não valorizavam aquilo que os portugueses, e outros, mais valorizavam.
...e eu pergunto: COMO? Como? como? por que?
...e respondo: porque os marxistas são idiotas! ...e não sabem o que falam, deitando uma ladaínha logorrenta sem a menor idéia das asneiras que vergonhosamente conseguem sair por aí espalhando, feito uns imbecis.
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Abraços
C. Mouro

Diego disse...

Perfeito. Infelizmente, os marxistas e seus "intelectuais" ainda não sairam da idade da pedra lascada. Querem reinventar a roda, recusam-se a evoluir suas ideias, estão presos a um passado assombroso que dizimou milhões apenas de fome.

O capitalismo e a liberdade não apenas produzem mais riquezas que o comunismo, como tambem as distribuem melhor, dando até os mais pobres acesso a produtos e serviços inimaginaveis em tempos antigos.

Infelizmente capitalismo requer liberdade, caso contrario teremos sempre muita produção e pouca distribuição, uma elite politica que sempre enriquece com a centralização e uma classe de parasitas para sugar da iniciativa privada boa parte do que esta produz.

j. rodrigues disse...

É lamentável que coisas tão cristalinas tenham que ser repetidas e repetidas até a exaustão. Será que todo mundo tem tal dificuldade de entendimento ou isso é privilégio latino-americano?

Delsio disse...

Excelente artigo, Rodrigo!
Desconfio que os marxistas atuais já perceberam a roubada que engendrou tanta desgraça, mas tentam assim mesmo moldar os outros à força de propaganda e oportunismos.

Abs.

Marcos Vinicius disse...

Apesar da boa argumentação, o autor tratou a obra de Marx com um simplismo ímpar. Talvez não tenha se detido nas centenas de paginas de O Capital, preferindo formar a sua opinião a cerca do marxismo em cima de uma rasa leitura do "Manifesto do partido comunista".

Mario disse...

Marx era um imbecil ou um canalha. Imbecil porque não conseguiu enxergar que, antes da revolução industrial, um miserável sempre morria miserável. A revolução industrial foi a grande chance aberta a todos, mesmo aos miseráveis, para ter, pelo menos, um mínimo, em troca do único bem que possui, que é a capacidade de trabalho. Canalha porque se sabia disso, criou todo o lixo doutrinário que, incrível, sobrevive até hoje. Somente mentes subdesenvolvidas (entenda-se: retardadas) ou mal intencionadas podem adotá-la.

Mario disse...

Suponho que Marcos Vinícios, ao dizer "(...) a obra de Marx (...)", esteja usando o termo "obra" para designar o ato de "obrar" que alguns usam, eufemisticamente, ao ato de defecar.

Marcos Vinícius disse...

Sugiro ao Mario que leia um pouco de história (existem historiadores das mais diversas vertentes ideológicas, você pode escolher o que quiser) antes de emitir tão ingênuas palavras.

Obs. Pode parece complexo para você Mario, mas não sou marxista e muito menos comunista. Apenas tenho o habito de analisar criticamente a tudo que leio e foi isso que fiz com o texto do autor em questão.
Concordar cegamente com a retórica de um suposto intelectual: Isso sim é imbecilidade, comum a muitos “marxistas” que conheço.

Monica disse...

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usuario disse...

ja que voces sabem tanto bem que podiam me ajudar!! em alguns exemplos "atauais"das classes sociais na teoria de marx?
por favor!
^^
estou apurado!!!
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Alfredo Matta disse...

é preciso ler mais Marx - nunca vi tanta bobagem sobre o que ele disse ou não. Ele fez a previsão de como o capitalismo ia andar a partir da análise de suas próprias forças e lógica social - e está acertando tudinho até agora. Não confunda União Socviética com Marx, ele próprio disse que aquilo não era marxismo. de qualquer maneira o capitalismo passa agora por um processo de despedaçamento e o movimento de seu colapso é totalmente endentido por Marx. O que acontece é que os amantes deste clube de desespero social chamado capitalismo (certamente porque adoram video-game e shopping center como centro de suas vidas) preferem tudo a admitir que a coisa tá feia e que é melhor considerar as idéias do cara. O pior cego é o que não quer ver.ré ré

Alfredo Matta disse...

Ah ! antes que esqueça...concordar cegamente com alguma coisa nunca foi marxismo...jamais... o imbecil que disse isso precisa ler muito... não só história. Experimenta o Meszaros.