quarta-feira, abril 25, 2007

O Valor Subjetivo


Rodrigo Constantino

"A soma do conhecimento de todos os indivíduos não existe em lugar algum como um todo integrado." (Hayek)

O que forma o valor de um determinado produto? Para muitos, o valor natural na troca é determinado pelos custos relativos de produção. Ao menos é o que sustenta a economia clássica. Pode-se notar esta visão objetiva do valor tanto em Adam Smith como em Karl Marx, que disso extraiu o conceito de "mais-valia". O economista James Buchanan fez um profundo estudo sobre o tema em seu livro Custo e Escolha, analisando inúmeras visões distintas para chegar à sua conclusão. Vamos passar por algumas dessas análises.

Partindo de Adam Smith, tem-se que um castor deveria ser trocado por ou ter o valor de dois cervos, caso matá-lo custasse o dobro do trabalho de matar um cervo. Esta visão não é apenas extremamente simplista, ela é errada. O preço, que é um valor realizado de troca, não só pode divergir como realmente divergirá do valor do custo realizado. Esta teoria ignora um componente crucial da formação de preços, que é a demanda, sempre subjetiva. Ora, não importa quanto custa construir uma fábrica de gelo no Alaska, o valor deste produto será muito baixo por lá. Afinal, não há muita utilidade para gelo lá.

A introdução da teoria de utilidade marginal iria revolucionar a teoria de valor após 1870. Segundo os teóricos da utilidade marginal, o valor de troca é, em todos os casos, determinado pela utilidade marginal, pela demanda. A oferta é fixa no ponto de troca do mercado, portanto, os valores relativos ou preços são estabelecidos exclusivamente através das utilidades marginais relativas. Os valores seriam fixados à margem, o que resolve o paradoxo do diamante ser mais caro que a água, apesar da utilidade maior desta. O valor em uso e o valor em troca já não eram mais possivelmente contraditórios. Para Buchanan, "nascia então o cálculo econômico".

A economia da utilidade marginal geralmente é denominada de "economia do valor subjetivo", em contrapartida à teoria clássica de custo de produção, que era objetiva, no sentido em que se supunha que as mensurações externas dos custos comparativos fossem capazes de gerar prognósticos sobre o valor normal de troca de mercadorias. Enriquecendo ainda mais a teoria de valor subjetivo, os economistas austríacos desenvolveram ensaios convincentes sobre o assunto, especialmente Mises e Hayek. Para Buchanan, "a teoria econômica de um modo geral certamente poderia ter evitado várias confusões modernas se os ensaios de Hayek tivessem tido maior disseminação e compreensão mais ampla". Em um estudo de 1937, ele já tinha enunciado as características fundamentais da metodologia subjetivista. A economia subjetivista representa uma negação expressa da objetividade dos dados que norteiam a escolha econômica. O indivíduo que faz a escolha seleciona determinadas opções preferidas segundo seus próprios critérios. Isso bate de frente com os modelos de "equilíbrio" dos neoclássicos, que tendem a tratar a informação de uma forma objetiva.

Para os austríacos, custo é o valor subjetivo que o agente atribui aos fins aos quais renuncia quando decide empreender um determinado curso de ação. Não existem, portanto, custos objetivos que tendam a determinar o valor dos fins. Como explica Jesús Huerta de Soto em sua obra sobre a Escola Austríaca: "São os preços dos bens finais de consumo, como materialização no mercado das avaliações subjetivas, que determinam os custos nos quais se está disposto a incorrer para produzi-los, e não ao contrário como tão freqüentemente dão a entender os economistas neoclássicos nos seus modelos". Mises, em seu clássico Human Action, resume de forma brilhante: "Os custos são iguais ao valor vinculado à satisfação que se deve sacrificar para alcançar a meta visada". Custo é um fenômeno de avaliação pessoal, e não algo independente dos agentes de mercado.

James Buchanan lamenta o relativo ostracismo dessas idéias: "O conceito de custo de oportunidade – que surgiu em decorrência das abordagens de bom senso e dos austríacos subjetivistas –, o conceito que floresceu por duas décadas na escola inglesa, parece ter sido derrotado em sua luta por um lugar entre os paradigmas da economia moderna". Não é fácil explicar esse triste fato. A argumentação não foi refutada e, conforme concorda Buchanan, "permanece válida". Buscar a ressurreição dessa sólida, porém ignorada teoria, é o objetivo de Buchanan ao escrever o livro. O custo de qualquer escolha tem múltiplas dimensões. O custo previsto influencia a escolha, e a escolha feita irá definir o custo. O valor atribuído pelo indivíduo às alternativas preteridas ao fazer uma escolha será crucial na formação final do custo, e tal valor é subjetivo.

Essa noção tem profundo impacto em diversos ramos da economia, incluindo a escolha dos gastos públicos, ou a mentalidade de que lucro empresarial é a exploração do trabalhador. O preço, ou valor de um produto, incluindo o salário, não é algo que possa ser obtido de forma objetiva, ignorando-se as preferências subjetivas dos agentes econômicos. Logo, o verdadeiro "equilíbrio" será atingido sempre que as partes realizam uma troca voluntária, já que naquele determinado momento, julgam-na mutuamente benéfica. O valor é subjetivo, e por isso as escolhas voluntárias dos indivíduos são o mecanismo mais eficiente de transmissão de informação na economia. Com base nisso que os austríacos já tinham mostrado a impossibilidade de cálculo racional numa economia socialista. Não existe modelo econométrico, por mais complexo que seja, que possa substituir a informação das preferências subjetivas, pulverizada em milhões de indivíduos. A Gosplan, na falida União Soviética, pode atestar na prática esta teoria. Somente a livre formação de preços, obtida pelo funcionamento do mercado sem manipulação por parte do governo, pode garantir a verdadeira eficiência da economia.

13 comentários:

C. Mouro disse...

Vai um trechyo de um comentário meu em outro blog:

Eu considero a formulaqção da "mais valia", no fundo, um mero jogo de palavras.
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Todo valor deriva do trabalho. Considero isso um fato. Seja o trabalho físico ou intelectual. Porém, isso não significa que todo trabalho tem o mesmo valor. Pois valor é subjetivo, e se os preços têm a pretensão de espelhar um valor, tal valor será sempre o "valor de mercado" que tende a equacionar um equilibrio entre oferta e procura, sem desprezar o custo, ressalte-se. Afinal o custo determina a quantidade a ser produzida segundo o "valor de mercado". Explico, uma superprodução levará o preço a um patamar inferior ao custo, informando que a produção deve ser reduzida.
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Marx resolveu arbitrar (achismo/subjetividade) que o tempo de trabalho seria o critério para atribuição de valor. Mas tal absurdo, como todo achismo mal refletido, levaria a produtos idênticos com valores diferentes. Isso para não se falar de questões que ocorrem numa linha de produção, por exemplo. Ou seja, um marcineiro mais habilidoso despenderia menos tempo que outro não tão habilidoso. A verdade que se percebe (*axiomática*) é que duas coisas idênticas no mesmo local (mesma marcenaria, p/ex) não podem ter valor diferente. E na prática tal idiotice não funcionaria. Assim, para corrigir tal idiotice Marx concebeu outra (geralmente é assim, para tentar corrigir uma estupidez se comete outras), que foi o tempo de produção socialmente necessário. Porém, é interessante imaginar como esse tempo é avaliado. Certamente os critérios para tal serão arbitrados, ou se faz uma estatística para tal. Porém tal estatística será duvidosa. Além do que as técnicas de produção, a logística e etc., constantemente alterariam tal estatistica. Fato que causaria novos e complexos transtornos, de solução duvidosa. E por aí vai uma infinidade de questionamentos.
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Mas não é só, pois terá que existir investimentos a serem recuperados mais a frente. E então tudo se torna ainda mais absurdo. Explico:
(...)
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Abraços
C. Mouro

KB disse...

NAO TEM MAIS JEITO.

OU SAO OS MILICOS OU OS VERMELHOS.

PREFIRO OS MILICOS.

QUERO OS MILICOS DE VOLTA. ANTES ELES DO QUE ESTES CORRUPTOS LADROES ESQUERDOFRENICOS.

OS MILICOS DEIXARAM O BRASIL COMO A OITAVA ECONOMIA DO MUNDO. EDUCACAO ERA BOA. NAO TINHA VIOLENCIA CONTRA PESSOAS DE BEM.

QUERO OS MILICOS DE VOLTA JA!

Asdrúbal disse...

Apóio o KB!

zica disse...

TB QUERO OS MILITARES DE VOLTA. RUIM COM ELES, MUITO PIOR SEM ELES.

Rodrigo Constantino disse...

Muita calma nessa hora!

Não quero militar algum de volta! Chega disso, minha gente. O nosso governo militar foi patético, sofrível, dirigista, com a honrosa exceção do primeiro militar, Castello Branco.

O caminho é outro!

Rodrigo

Bernardo V. Emerick disse...

Rodrigo, eu acho que os austríacos que realmente deveriam ter sido citados como fundamentais na teoria do valor são Menger, Böhm-Bawerk e Mises, sobretudo Menger e Mises. Menger, evidentemente, pois foi o iniciador da coisa toda. E Mises, por causa da reformulação que ele faz da teoria do valor (veja a introdução do Hülsmann ao Epistemological Problems of Economics) e pelo famoso teorema da regressão, que permite incorporar a moeda na teoria subjetivista sem cair em círculo vicioso.

Quanto ao que você disse no final sobre o cálculo econômico no socialismo, eu não tenho certeza se entendi bem a sua intenção. Você quis dizer - como Hayek - que o problema do socialismo é o problema estritamente prático da impossibilidade de reunir toda informação ao planejamento central dada a dispersão do conhecimento e a existência de informações não transmissíveis? Bem, eu acho que esse argumento do Hayek não é decisivo (veja o artigo do Hoppe, Socialism: A Property or Knowledge Problem?). Em particular, eu tive a idéia - mas ainda não a desenvolvi - de que o argumento do Hayek é útil na questão dos bens de consumo (que não é tratada no problema do cálculo econômico, que se refere exclusivamente a bens de ordem superior).

Um abraço.

RIGHT WING disse...

Cai na real meu caro Rodrigo, o Brasil não tem OUTRO caminho, estamos completamente afogados num mar de lama, corrupção, ignorância e populismo!

Para mim está provado por A + B que o Brasileiro não tem educação nem cidadania para se tornar um país "democrático".

O Regime Militar nos beneficia com disciplina e cumprimento das leis de ordem, o que leva o país à paz e ao crescimento e desenvolvimento.

Um país que não tem memória e distorce a verdade, é um país de bossais e/ou aproveitadores.

Estes políticos criminosos que hoje manipulam este país destruiram a integridade do povo brasileiro e hoje somos uma nação de corruptos impunes e descarados.

QUE SAUDADES DOS GRANDES ESTADISTAS MILITARES!!!

HAVIA ORDEM E PROGRESSO NESTE PAÍS HOJE INFESTADO PELA MÁFIA POPULISTA , CRIMINOSA E CORRUPTA!!!!

O REGIME MILITAR É A NOSSA ÚNICA ESPERANÇA!

estupefato disse...

esse discurso de militar de volta não sei se é de idiotas ou de descarados

tentamos discurtir liberalismo e vem estes com idéia de militarismo

vou te contar, hein!

estupefato disse...

ou é gente que não viveu aquele período ou gente que não sabe analisar a história política e econômica do país

a mentalidade é assim: tá ruim agora, o que era menos pior? Sendo que nem sabem se era realmente melhor ou se a sujeira e o atraso eram apenas diferentes.

imagina se quero voltar ao tempo da mordaça e dos desmandos. Eu quero é um novo tempo, um tempo como jamais visto neste país, em que o liberalismo não seja algo falseado e sabotado.

carlos costa disse...

O valor de troca coisifica o homem, trocando a relação de praxis e de trabalho que Aristóteles já tinha dito milênios atrás, o que para Marx seria um fetichismo da mercadoria. Se querem saber mais, leiam Teoria da ação comunicativa de Jurgen Habermans, o maior filósofo contemporâneo.

Rodrigo Constantino disse...

Vixe Maria! Sem comentários...

Rodrigo

Thiago disse...

Nada de militar, os caras foram estatistas natos no campo econômico.


Claro que a ordem era muito maior, vagabundos e politicamente correto não tinham vez porém o caminho não é por aí não.

Poderíamos dizer assim: MIlitares nas ruas já (para descer o pau nos bandidos)

Macho Verdusco disse...

Amigos e Amigas:
Já deixei o recado para os saudosos da Dita-dura. Vamos por a mão na coisa que com o nosso movimento ela volta a crescer
Torno a repetir não fico à esquerda e nem à direita mas vou ao centro da questão. Não se deixem enganar: Para os mais jovens que ainda não experimentaram: a Dita-dura é a solução e para os mais antigos, o consolo da alma.