quarta-feira, maio 30, 2007

Destruição Criativa


Rodrigo Constantino

"Capitalismo sem bancarrota é como Cristianismo sem inferno." (Frank Borman)

No capitalismo, empresas são criadas ou fechadas de acordo com a demanda do mercado, isto é, dos consumidores. Empreendedores arriscam suas idéias e capital em um produto ou serviço ainda não testado, e a sua aceitação por parte do público é que viabiliza ou não a sobrevivência da empresa. Este é um processo dinâmico, competitivo, e que garante o melhor atendimento ao consumidor, pois seu direito de escolha é a maior arma no mercado livre. Qualquer alternativa a este modelo representa a transferência do poder do consumidor para burocratas do governo. O que se segue é invariavelmente maior corrupção e ineficiência.

Em Capitalism, Socialism and Democracy, Joseph Schumpeter tratou do tema em um dos capítulos. Ele afirma que o ponto essencial ao lidar com o capitalismo é compreender que se está lidando com um processo evolucionário. O capitalismo é, por natureza, um método de mudança econômica e jamais pode ser estacionário. O impulso fundamental que mantém a máquina capitalista em ação vem dos bens novos, dos novos métodos de produção ou transporte, dos novos mercados ou das novas formas de organização industrial que as empresas capitalistas criam. Há uma constante revolução de dentro da estrutura econômica, destruindo a velha ordem e criando uma nova. "Esse processo de destruição criativa é o fato essencial sobre o capitalismo", diz Schumpeter. Ele achava, entretanto, que esse processo teria fim algum dia, e que o sucesso do capitalismo plantaria as sementes de seu fracasso, levando ao socialismo. A história vem provando, porém, que o economista austríaco estava errado nesse aspecto.

O Estado "bem-feitor" julga que seus governantes são seres iluminados e clarividentes, além de totalmente íntegros, e irão portanto defender os interesses do "povo" contra a competição predatória do capitalismo. Nada mais longe da realidade. Quando o governo interfere na livre competição, as trocas passam a ser de favores, não produtos. O que pode salvar ou matar uma empresa passa a ser a caneta do burocrata poderoso, não a satisfação do público. Logo, agradar esse burocrata passa a ser mais importante que agradar os consumidores. Empresas passam a gastar milhões com lobistas, desviando energia e recursos que poderiam estar voltados para a melhoria dos produtos. Quando o governo é o "hospital" das empresas problemáticas, o que temos é uma "socialização" dos prejuízos, distribuídos entre os pagadores de impostos, enquanto lucros ficam retidos para os empresários amigos do Estado.

Tudo isso é muito lógico, mas ainda assim inúmeras pessoas defendem tal modelo prejudicial aos próprios consumidores e pagadores de impostos. Por trás dessa contradição, encontra-se falta de conhecimento sobre os fatos, assim como um romantismo "nacionalista", que pede proteção aos empresários locais contra a "fúria" do capitalismo global. Como se o local no mapa onde o empresário nasceu tivesse alguma ligação com o que é benéfico ou não para o usuário do produto! Essas pessoas acabam contribuindo para a perpetuação das oligarquias nacionais, impedindo que o melhor e mais barato chegue aos consumidores. Para salvar poucos empresários que estão com problemas justamente por não estarem entregando o que o cliente deseja em custo e benefício, pedem medidas que prejudicam ainda mais esses clientes.

Quando Thomas Edison criou a lâmpada no final do século XIX, os produtores de velas devem ter entrado em pânico. Fosse na época um governo com essa mentalidade esquerdista, talvez vivêssemos sem luz elétrica até hoje. Ford criou seu Modelo T no começo do século XX, popularizando um produto até então de luxo. Com uma mentalidade anti-capitalista, era bem possível que o governo atrapalhasse tal evolução para proteger os produtores de carroças. O advento do computador criou fortes dificuldades para empresas que fabricavam máquinas de escrever. Salvar tais empresas poderia significar a condenação do consumidor ao uso eterno desse equipamento antiquado. Quando uma Wal-Mart desbanca o dono da quitanda, é porque oferece melhores serviços a preços menores. Mas se o dono da quitanda fosse próximo o suficiente do governo, poderia conseguir medidas para dificultar esse processo natural que beneficia a todos. Os exemplos são infindáveis.

Além disso, o processo capitalista acaba favorecendo especialmente as massas. Os mais ricos acabam funcionando como cobaias para os novos produtos, que por reduzida escala custam muito caro no começo. Ninguém tem como saber a priori quais serão os bens mais demandados e bem sucedidos. As empresas, em ambiente competitivo, testam diferentes alternativas, e os próprios consumidores votam através do livre mercado. Uma vez mais claro qual o vencedor, a produção passa por uma fase de massificação, permitindo acelerada queda nos custos. Com menores preços, os produtos novos podem alcançar as classes mais baixas de renda. Essa é a trajetória que explica o fato de quase todos os americanos terem ar condicionado em suas casas, telefones celulares, computadores etc. Em termos de conforto material, um trabalhador humilde hoje pode usufruir de mais coisas que um nobre do feudalismo.

O fato é que o capitalismo é um processo dinâmico e livre, onde a interação dos agentes é que determina a sobrevivência das empresas, e a competição força a eterna evolução dos bens e serviços. Riqueza não é algo estático, obtido diretamente da natureza. É fruto do esforço de indivíduos. Respeitar a liberdade do mercado, sem interferência de burocratas, é o único meio de garantir a justiça e o poder dos consumidores e suas preferências individuais. Nesse processo competitivo, onde vários brigam para atender melhor o cliente, cadáveres irão surgir. Mas serão frutos justamente da escolha dos consumidores. Ceder poder ao Estado para ressuscitar tais moribundos ineficientes é agredir tanto o consumidor como o pagador de impostos. Seria a destruição da "destruição criativa", que tanto favorece os consumidores.

14 comentários:

C. Mouro disse...

MAGNÍFICO ARTIGO!

ESTOU APALUDINDO DE PÉ, E DANDO VIVAS!

Excelente!
Pela clareza do raciocínio e seleção de pontos chave.

Forte abraço
C. Mouro

Henrique disse...

É incompreensível como coisas tão óbvias não entrem na cabeça dos socialistas adoradores do atraso. A demagógica "justiça social" destas pragas só atravanca o progresso.

Igor Linhares disse...

CARALHO, SENSACIONAL, Rodrigo, SENSACIONAL esse aritgo!!!!

Nunca vi algo tão bem escrito, tão claro, tão compreensível aos que não entendem com profundidade de mercado, economia, etc....

SENSACIONAL, meus parabéns!!!

EXCELENTE!!!

Eduardo Silva disse...

É provável que o mercado produza suas chicanas também, um exemplo é o cartel, isso iria contra a livre-iniciativa, aí a instituição que deve tomar providências é o Estado...

Rodrigo Constantino disse...

Falso. Os cartéis costumam ser produto justamente da intervenção estatal, vide o mais famoso do mundo, a OPEC.

Se há LIVRE ENTRADA, um cartel não sobrevive muito tempo. É o governo que costuma garantir os privilégios que criam cartéis.

Rodrigo

Eduardo Silva disse...

Agora uma combinação de vários empresários que dominam um setor não contentes com seus lucros, que decidem aumentar o preço de acordo com sua volição é culpa do Estado????????

Rodrigo Constantino disse...

Eduardo, e me explica o que impediria que outros empresários gananciosos entrassem nessa indústria para aproveitar os retornos excessivos...

Pense na OPEC, o mais famoso cartel do mundo. Só se sustenta justamente porque os GOVERNOS desses países barram a livre entrada de empresas.

Rodrigo

C. Mouro disse...

Liberdade é ausência de opressão e coerção. Universalizando isso, resulta que na liberdade

a ninguém é permitido atacar, oprimir e muito menos coagir outro. E isso resulta numa

equação solucionada pela idéia do direito, onde todos devem ter igual direito. (Isso já foi

explicado aqui e em outras pgs)

Mas então os imbecis absolutos arguirão:
"então ninguém pode me impedir ou punir por exercer minha liberdade de matar inocentes?"

É claro que tal argumentação é típica de imbecis, pois o direito irá estabelecer exatamente

a esfera de ação de cada indivíduo, de modo a resolver as interseções que se apresentam para

a liberdade; ou seja direito e liberdade não se separam e isso resulta em liberdade igual

para todos, ou todos são livres onde todos têm igual direito sobre suas faculdades e ao

produtop destas. Isso irá gerar a idéia de proppriedade que também não pode ser separada do

direito e da liberdade. Viver em liberdade é viver onde a liberdade é igual para todos.

O indivíduo só no mundo é absolutamente livre porque tem direito a tudo. Porém, quando

outro indivíduo existe, e tem o mesmo direito a tudo, fica evidente a interceção que deverá

ser solucionada exatamente pela idéia do direito igual para todos que criará a idéia de

propriedade. E a principal propriedade do indivíduo é o seu PRÓPRIO corpo, sobre o qual

nenhum outro indivíduo tem direito algum - isso é já demonstrativo de que ninguém tem

direito de escravizar ou aprisionar ninguém que antes não tenha violado direitos alheios:

quem inicia agressão ao direito alheio está anuindo com a violação do seu, além do que, quem

viola direito alheio perde o direito a ter seu direito respeitado pelos demais.

Basta refletir para racionalmente perceber as fórmulas que solucionarão a equação. Basta

raciocinar partindo disso:
- O indivíduo só é absolutamente livre.
- Outro indivíduo limita o direito alheio (o direito de um a algo, nega o direito dos demais

a esse algo)
- Liberdade é quando todos têm o mesmo direito.
- O direito cria a idéia de propriedade, e a principal propriedade de um indivíduo é o seu

corpo. O direito de propriedade nega a todos os demais a ação sobre ela.
- Todo indivíduo é legitimo proprietário daquilo que cria.
- Ninguém tem direito de iniciar o uso da força contra outro; ninguém tem direito de valer-se da fraude contra outro e etc. etc. etc. ....basta refletir!
- e por aí vai, basta refletir.

...Mas os imbecis absolutos arguirão, por exemplo:

"que todos têm direito a moradia, saúde, educação e etc."

Assim inventando o tal direito positivo, onde atribui-se direito e os demais passam a ter

obrigação de fornece-lo a quem ainda não usufrui.
Com isso, estão anuindo com a escravidão na sua forma mais escancarada: a que uns sejam

coagidos pela força maior, que ameaça causdar um dano ainda maior do que aquele que exige: obriga a uns fornecerem o que outros almejam usuifruir: a doação forçada e mesmo o trabalho forçado em benefício alheio, sem uma contrapartida, apenas para não sofrer o dano maior.

e por aí vai....
BASTA REFLETIR
Direito é direito de agir, reagir, usufruir do que lhe é próprio e manter o que lhe é próprio ...MAS OS IMBECIS JAMAIS CONSEGUIRÃO ENTENDER, E OS SAFADOS SEMPRE FINGIRÃO NÃO ENTENDER. .....

A idéia de liberdade é negativa: o direito de um a algo nega aos demais direito sobre esse algo; a propriedade é o principal direito, pois que determina que o indivíduo é proprietário do próprio corpo.

Obs. para imbecis e safados: todos têm direito de viver, mas isso não significa que todos têm obrigação de sustentar vidas alheias. Todos têm direito de viajar para outros países, mas isso não obriga os que podem, a financiar as viagens dos que não podem.

Essa idéia de direito positivo é tão estúpida que se faz irrealizável.

Abraços
C. Mouro

Não há saco que aguente! aqueles que nunca refletem e apenas vivem a sacar asserções imbecis para sempre ouvirem as explicações sem jamais conseguirem entender, ou sempre fingindo que não entendem.

O socialista ou é um safado ou um imbecil, não há mais alternativas.

Eduardo Silva disse...

C. Mouro,...... socialista? Mas ninguém falou nada sobre isso...

C. Mouro disse...

...Eu falei sobre isso!

E vou repetir:

O socialista ou é um imbecil ou é um safado. Não há mais alternativas para tal tipo, dado o absurdo que é tal embuste, que não se sustenta minimamente ante a crítica. Um amontoado de tagarelices sob medida para imbecis ressentidos ou safados oportunistas.

Ninguém precisa falar, eu mesmo falo e repito. Afinal tais idéias, de tão absurdas, precisam de uma quantidade brutal de propaganda, bem como que se cale a crítica; tal qual uma religião. E tal qual estas, serve apenas para atribuir Poder a um grupamento de safados e maníacos, que constituem o chamado governo, para imporem seus caprichos e se locupletarem explorando populações.

Não é preciso que ninguém diga, eu mesmo disse e estou repetindo. Estes tipos socialistas são tão rasteiros, tão covardes, que se escondem nas sobras para atacar as idéias de liberdade com suas imbecilidades e safadezas, para mina-las, para gerar confusão e mau entendimento; pois é na confusão e mau entendimento que conseguem semear suas fofocas. Nada que for claro lhes serve, cultuam o Poder, mesmo que a ele submetidos, apenas como meio de se vingarem daqueles que invejam pelos méritos que possuem. Os que vivem do Poder não possuem méritos, não é do mérito que vivem, logo não causam inveja.

E eu simplesmente digo e repito mesmo que antes ninguém o faça.

A hipocrisia é a homenagem que a inveja presta ao orgulho sincero.

Abraços
C. Mouro

Mario disse...

Ei Rodrigo Clipboard Constantino!!! Continua copiando/colando texto alheio para receber parabéns de seus lambe-sacos, ein?

massasofrida disse...

olá:
O sr. é da Puc -RJ .
Ela é a única coisa boa que salva a ciência econômica no Br.
O resto é só baboseira da conceição e caterva.
parabéns.
infelizmente estudei economia com discípulos do lixo da unicamp.
o sr. teve sorte.
paulo césar

Gerson disse...

No geral concordo. Mas no exemplo do Val Mart não, às vezes grandes emprêsas usam seu poder pra esmagar pequenas vendendo a preços baixoes e irreais e depois de eliminada a concorrência ditam os preços.

Para algumas coisas acho a interferência do govêrno útil. Garantir as regras do jogo limpo é fundamental.

Adalberto Bezerra Filho disse...

Muito boa a análise, tb entendo as coisas desta forma e vejo que este conceito de quebrar para melhorar já vem de longe (Schumpeteriano), se travestiu de Reengenharia, mas permanece vivo pq desde o início se declarou como um pensamento evolucionista.
O dano causado pelo podador a uma planta, será aplaudido por aqueles que cometem os frutos em breve. Parabéns aos que coragem e capacidade de destruir para recriar.
Veja o que está acontecendo com a Apple e os seus brinquedos.

Adalberto Bezerra - Economista e Mestrando em Adm de Empresas