segunda-feira, novembro 12, 2007

A Petrobrás para os Pobres!


Rodrigo Constantino

Tenho uma sugestão a fazer: dar a Petrobrás para os pobres e acabar com o Bolsa-Família! Pretendo sustentar minha proposta com números a seguir, mostrando como essa medida seria vantajosa para quase todos os brasileiros, excluindo apenas uns poucos privilegiados que abusam da condição de estatal da empresa.

Em valores aproximados, o governo gasta algo como R$ 10 bilhões por ano com o Bolsa-Família, beneficiando cerca de 11 milhões de famílias. Supondo que esse gasto não irá sofrer aumento real, apenas acompanhando a inflação, podemos calcular seu valor presente através do fluxo futuro por uma taxa de desconto. Os títulos do governo com prazo mais longo, para 2045, oferecem um retorno real de aproximadamente 6,5% ao ano. Utilizando esta taxa, temos que o valor presente do gasto com o Bolsa-Família, partindo da premissa que ele não irá aumentar mais que a inflação, supera um pouco os R$ 150 bilhões. Em outras palavras: se o governo fosse aplicar uma quantia nos seus próprios títulos e usar o retorno para bancar o programa social do Bolsa-Família, seriam necessários esses R$ 150 bilhões hoje.

A Petrobrás, por sua vez, tem um valor de mercado de aproximadamente R$ 370 bilhões, já considerando a alta das ações após o anúncio da "descoberta" de Tupi, o poço gigante. O governo detém, através da União Federal, 32,2% do capital total da empresa. Não vou levar em conta a participação expressiva que ele possui através do BNDES. O valor da parcela estatal na Petrobrás é, portanto, de aproximadamente R$ 120 bilhões. Ou seja, se o governo vendesse sua participação na empresa ao valor de mercado atual e aplicasse o montante todo nos seus próprios títulos, ele não seria capaz de pagar o Bolsa-Família "somente" com estes recursos. O Bolsa-Família custa mais para o governo do que a Petrobrás vale para ele!

No entanto, a quantia que o governo realmente recebe como acionista da empresa por ano é bem menor, através dos dividendos. No ano passado, por exemplo, a Petrobrás pagou algo próximo a R$ 7 bilhões como dividendos, e a parcela do governo seria de uns R$ 2,2 bilhões. Supondo que este dividendo fosse mantido constante em termos reais, seu valor presente, descontado pela mesma taxa usada para o Bolsa-Família, seria de R$ 35 bilhões. Ou seja, se a Petrobrás não aumentar muito seus dividendos, o governo irá receber em dinheiro dela apenas um quarto do que gasta todo ano com o Bolsa-Família. Podemos dizer ainda: o governo necessitaria de 4 Petrobrás para bancar o Bolsa-Família através dos dividendos que recebe como acionista.

Eis porque minha proposta faz muito sentido. O governo distribui suas ações na Petrobrás de forma igual entre todos os cadastrados no Bolsa-Família hoje, e anuncia o fim do programa Bolsa-Família. Como conseqüência, cada família irá meter a mão em quase R$ 11 mil imediatamente. Esse é o valor atual da participação estatal na empresa dividido pelos 11 milhões do Bolsa-Família. Esse valor corresponde a quase 150 meses de recebimento do Bolsa-Família, ou mais de 12 anos! Cada família pobre teria acesso a este capital para investir como quisesse, bastando vender as ações para quem desejasse comprá-las. Esta seria uma decisão individual. Se a Petrobrás é "nossa", nada mais justo do que cada um escolher o que fazer com a sua própria parte. No caso, o restante do povo abre mão da sua parcela para ajudar os mais pobres. Não é preciso apelar para o altruísmo para defender isso.

A classe média ganha muito com essa medida também, pois o governo acaba com o Bolsa-Família, cuja burocracia custa caro, sem falar do foco de corrupção e da compra de votos. Além disso, a classe média já não vê a cor do dinheiro no fato da Petrobrás ser "nossa" mesmo, pois paga uma das gasolinas mais caras do mundo. Quem se beneficia da Petrobrás como estatal são apenas os políticos, que a utilizam como moeda de troca, os empresários corruptos, que fornecem produtos para a estatal pela amizade com o governo a preços super-faturados, os artistas "engajados", que recebem verba da estatal para fazer proselitismo, e os incompetentes burocratas, que não seriam aceitos nem como gerentes numa Exxon, mas assumem o comando da empresa por pura afinidade política com o governo. Além disso, o governo iria arrecadar muito mais dinheiro através de impostos, pois a Petrobrás privatizada teria uma gestão mais profissional e seria muito mais eficiente, como comprovam todas as privatizações já realizadas. O governo passou a receber muito mais em forma de impostos quando a Usiminas, CSN, Embraer, Telebrás e ferrovias passaram para as mãos do setor privado. Não há um único motivo para achar que seria diferente com a Petrobrás.

Em resumo, minha sugestão seria benéfica para a grande maioria do povo brasileiro. Como os esquerdistas nacionalistas costumam apelar para a retórica de que "o petróleo é nosso", minha proposta não deixa saída lógica para eles a não ser aceitar, pois nada mais justo que o próprio povo assumir o controle da empresa diretamente. Esse controle só iria parar em mãos estrangeiras se o próprio povo assim desejasse, cada um votando diretamente com sua própria ação. Além disso, a retórica esquerdista de que os mais ricos devem sustentar os mais pobres também é atendida nesse caso, não deixando escapatória para a esquerda. Os "mais ricos" abrem mão de sua parte, doando toda a empresa para os mais pobres, hoje dependentes do Bolsa-Família. Como algum esquerdista terá a coragem de ser contra esta proposta? Vamos dar a Petrobrás para os pobres!

12 comentários:

Roberto Chiocca disse...

Opa, Rodrigo, vou cobrar direito autoral.
se bem que vc modificou um pouco a minha ideia inicial, deixando-a ainda mais ao gosto dos socialistas.

MARCO ANTONIO disse...

Fantástico! Gostei.

Miguel disse...

Isso seria algo parecido com a pulverização de ações que Thatcher fez com as estatais no Reino Unido?

Carlos disse...

huahuahuuha
legal o texto, mas é claro que esquerdista nenhum vai gostar da idéia... No fundo eles sabem que o "bom" da empresa estatal é o controle estatal.

Marcia disse...

Este texto lido nesse blog retrata bem o futuro do bolsa-família...

"O RODAMOINHO"
http://bonow.blogspot.com/

augusto disse...

Rodrigo tinha uam amtéria na EXAME de alguns meses atrás, na verdade um artigo do Guzzo q falava de como é a estatal da Noruega se nao me engano. Depositam um valor acionário na conta de cada nruegues do país! E ele comparou com a nossa petobrás, pff

se fossemos uma social-democracia séria já seria melhor, mas vivemos no país da malandragem e as estatais sao pra isso mesmo q vc falou

entre as 3 opçoes (a q esta no país, a social-democrata e a sua) fico com a sua

já mandou esta proposta pro Senado?

Thiago disse...

Sensacional ahah!

Carlão disse...

A Petrobrás deveria entrar no projeto de Suplicy: dividir a renda do país para a população.
Com 100 reais garantidos por mês p/ cada cidadão, a vida aqui poderia ser mais frouxa e mais livre.
Quantos não entregam a vida e a consciência todos os dias?

raul disse...

hahaha Muito bom! Aliás, os últimos posts estão excelentes. É isso aí.
Abraços.

Breno Toledo disse...

Parabéns mais uam vez,sou teu fan.

Jairo disse...

Exelente teu artigo. Li no Jornal Momento aqui de Osório-RS e busquei teu nome no Google. Precisamos repassar esta idéia genial para quem sabe algum dia implantá-la. Abraço. Jairo

Anônimo disse...

Essa idéia funcionará com uma condição, se todas (ou pelo menos a grande maioria) das pessoas beneficiadas tiverem perfeita percepção do que tem nas mãos e de que tem o poder de se juntar, transformar a Petrobras numa cooperativa e aumentar o patrimônio que receberam, ao invés de venderem sua parcela por preços inferiores (já que as ações provavelmente vão cair logo após a pulverização). É bom lembrar que o valor de mercado da Petrobras vem subindo a vários anos a uma taxa maior que os juros da dívida pública, porque o lucro da Petrobras é usado em investimentos para aumentar a empresa. Se o governo vender sua participação hoje, ele arrecada 120 bi, se vender daqui a 10 anos, serão provavelmente mais de 200 bi, permitindo reduzir mais a dívida pública.
O que eu não entendo é que, já que qualquer empresa pode comprar blocos no leilão da ANP, porque uma empresa estaria interessada em comprar ações da Petrobras (já que ela é ineficiente), ao invés de comprar blocos e produzir por conta própria com a inigualável eficiência privada? A Petrobras não tem monopólio, as outras empresas poderiam ter comprado os blocos que a Petrobras comprou e desenvolve-los desde o primeiro leilão. Não compraram porque não tiveram interesse em usar o dinheiro para desenvolver campos por conta própria, mas tiveram interesse em usar o dinheiro para comprar ações da Petrobras (ineficiente). Se não venderem a Petrobras, não se preocupe, porque como ela é ineficiente, logo outras empresas de petróleo (como a do Eike) ultrapassarão a Petrobras em participação de projetos e produção no Brasil, tornando a venda da estatal irrelevante.