segunda-feira, setembro 15, 2008

O Retorno de Malthus



Rodrigo Constantino

“Humilhante para o orgulho humano como isso pode ser, nós devemos reconhecer que o avanço e mesmo a preservação da civilização dependem de um máximo de oportunidade para acidentes que ainda ocorrerão.” (Hayek)

Em 1798 foi publicada, anonimamente, a primeira edição de Ensaio Sobre a População, de Thomas Malthus. O seu fatalismo conquistou muitos seguidores desde então. Malthus considerava a pobreza um fim inevitável do homem, pois a população iria crescer mais rápido que a produção de alimentos. Seu pessimismo se mostrou infundado, basicamente pelo avanço da técnica, que garantiu um aumento incrível da produtividade. Em defesa de Malthus, devemos lembrar que seu livro era uma reação ao otimismo utópico de pensadores como Godwin, que culpava a propriedade privada por todos os males da humanidade, e pensava que sua abolição levaria a um estado de abundância total, onde o egoísmo desapareceria e o paraíso reinaria na Terra. O livro de Malthus, portanto, serviu como freio para um romantismo infantil que pintava um futuro maravilhoso para humanidade, ignorando aspectos básicos da natureza humana. No entanto, suas previsões catastróficas se mostraram igualmente furadas.

A humanidade avançou muito, e os homens hoje vivem mais e melhor. Eis o que demonstra o Dr. Indur Goklany no livro The Improving State of the World, publicado pelo Cato Institute. Goklany foi um delegado americano do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), e seu livro conta com inúmeros dados, tabelas e gráficos sustentando a conclusão de que o mundo vem melhorando bastante, inclusive em termos de ambiente, graças ao avanço tecnológico e ao livre comércio. A história da humanidade é uma história de miséria, fome, doença e morte, com freqüentes epidemias, enchentes, secas e demais desastres naturais, além de infindáveis guerras. Assim foi desde que se tem informação, até a Revolução Industrial, onde as coisas começaram a mudar para melhor de forma acelerada. O crescimento econômico e tecnológico redefiniu os papéis das mulheres e crianças, expandiu a classe média e desenvolveu novas instituições e organizações. Estamos muito longe do paraíso sonhado pelos românticos, mas nos afastamos muito também do caos pré-industrial, com a fundamental ajuda justamente da propriedade privada. Não obstante o progresso incrível que a humanidade experimentou nos últimos dois séculos, vários neo-malthusianos surgiram com força novamente, pregando um futuro sombrio para os seres humanos. O livro de Goklany é um excelente antídoto contra a doença desse pessimismo alarmista.

Um dos ícones desse pessimismo foi a publicação em 1972 de The Limits to Growth, do Clube de Roma, cuja tese geral foi reiterada depois no Global 2000 Report to the President. A mensagem central desses neo-malthusianos é sempre a mesma: a humanidade está rapidamente se aproximando dos limites de crescimento, exaurindo os recursos naturais e destruindo o planeta. Um Apocalipse é sempre iminente, a menos que os homens mudem seu modo de vida. Isso significa basicamente abandonar tudo aquilo que vem possibilitando o progresso, ou seja, a propriedade privada num ambiente de livre mercado movido pelo lucro. Seria a troca desta ordem espontânea por um regime de planejamento central, onde “clarividentes” do governo iriam cuidar dos rumos da humanidade. Não importa que o modelo de centralização de poder imposto de cima para baixo já tenha sido testado antes, sempre com resultados catastróficos. Se os dados da realidade fossem realmente importantes para essas pessoas, elas não seriam seguidores de Malthus para começo de conversa.

Afinal de contas, nos últimos dois séculos a população global cresceu mais de sete vezes, saindo de 900 milhões para 6,5 bilhões de indivíduos. Não obstante, a média da população se alimenta melhor do que no passado. A oferta de alimentos per capita cresceu 24% de 1961 a 2002, e nos países mais pobres o crescimento foi ainda maior, de 38%. Na China, que comporta quase um sexto da população mundial, o consumo de calorias per capita aumentou 80% nesse período, e na Índia o aumento foi de 50%. Apesar de a população chinesa ter dobrado de tamanho desde então, nada parecido com a fome que eliminou cerca de 30 milhões de vidas entre 1959 e 1961 aconteceu. Isso é progresso, e foi possível pelo gradual abandono do regime comunista e conseqüente abertura comercial.

Antes da industrialização, ao menos uma criança entre cinco morria antes de completar o primeiro aniversário. Em outras palavras, a mortalidade infantil era de 200 para cada 1.000 nascimentos. Nos Estados Unidos, em 1900, a mortalidade infantil era de 160, mas em 2004 já havia caído para 6,6 em cada mil nascimentos. Algumas pessoas gostam de condenar a era da industrialização por causa do pesado trabalho feminino e até infantil, esquecendo que antes a alternativa era morrer de fome. Foi justamente o progresso capitalista que permitiu essa feliz mudança na vida de tanta gente. A expectativa de vida na história da humanidade, por exemplo, sempre teve uma média de 20 a 30 anos apenas. Em 2003, a média mundial era de 66,8 anos, e para os países mais ricos da OECD estava em 78,5 anos. Na África Subsaariana, a região mais pobre do planeta, a média era de 45,6 anos, justamente porque o progresso capitalista não deu o ar de sua graça por ali.

Não só estamos vivendo muito mais, como estamos vivendo melhor. Durante o século XX, as doenças crônicas foram postergadas: nove anos para doenças do coração, onze anos para doenças respiratórias e oito anos para câncer. A taxa de analfabetismo global caiu de 46% para 18% entre 1970 e 2000. O uso de trabalho infantil em termos mundiais foi reduzido de 24,9% em 1960 para 10,5% em 2003. Isso não foi possível pela aprovação de leis mágicas, mas sim pelo crescimento econômico. Tanto que o trabalho infantil ainda é um problema justamente nos países mais pobres, mesmo com legislação contrária ao uso de crianças em trabalhos pesados. A pobreza ainda é um problema grave, principalmente nos países mais isolados e distantes das vantagens da globalização. Ainda assim, a proporção da população mundial na extrema pobreza despencou de 84% em 1820 para 24% em 1992. Pelos padrões de qualquer homem médio hoje, o mundo de poucos séculos atrás era um mundo de miseráveis.

O resumo que Glokany faz da situação é que o rico hoje não está melhor por ter tirado algo do pobre, mas sim o pobre está melhor por ter se beneficiado de tecnologias desenvolvidas pelos mais ricos, e sua condição estaria bem melhor se estivesse mais bem preparado para aproveitar os benefícios da globalização. A análise dos avanços da humanidade nos últimos séculos é encorajadora, e mostra que o pessimismo dos neo-malthusianos ignora o enorme poder da criatividade humana, da nossa capacidade de inovar e se adaptar. Produzimos muito mais usando muito menos. O temor de que os recursos estão prestes a se exaurir não conta com esse ganho de eficiência. A Idade da Pedra não ficou para trás porque acabaram as pedras, nem a Idade de Bronze virou história porque acabou o bronze. Os homens foram desenvolvendo formas mais produtivas de uso dos recursos.

Alguns alarmistas aceitam essa lógica irrefutável, mas alegam que o planeta está na rota de destruição. Para esses eco-terroristas, o problema central não é o limite dos recursos em si, mas sim a conseqüência do crescimento econômico. O planeta não teria capacidade de suportar mais riqueza sem resultados nefastos para o clima. Há novamente uma completa desconfiança em relação à capacidade humana de adaptação e inovação. Além disso, Glokany mostra que até mesmo na questão climática o mundo está melhorando. O ambiente está mais limpo, e isso se deve justamente ao progresso capitalista. Os maiores poluidores são os países mais pobres, em termos relativos. Mas esse é o foco da segunda parte de seu livro, que fica como tema para outro artigo. Aqui, o objetivo era apenas demonstrar como o retorno do pessimismo de Malthus não tem respaldo nos fatos.

Paradoxalmente, muitos ainda condenam as causas que possibilitaram evitar as previsões catastróficas malthusianas. Aqueles que ainda sonham com o “novo mundo possível”, na linha utópica de Godwin, atacam os pilares do progresso em nome da fantasia. Se suas idéias prevalecerem, aí sim a pobreza geral será um fim inevitável. Não porque Malthus estava certo sobre as estimativas de crescimento populacional e da produção de alimentos; mas sim porque as forças que refutaram o pessimismo malthusiano estariam impedidas de funcionar livremente. A ordem espontânea dos livres mercados seria substituída pelo controle centralizado dos governos. O resultado é totalmente conhecido: a miséria total. Se o socialismo vencer o capitalismo no campo das idéias, aí sim Malthus será vingado. Caso contrário, a humanidade poderá seguir seu curso rumo ao progresso, deixando a miséria cada vez mais para o passado.

18 comentários:

Lonely disse...

http://www.overstream.net/view.php?oid=svsbiurpuqlh

Não morreu não!

Mauricio disse...

Algumas pessoas gostam de condenar a era da industrialização por causa do pesado trabalho feminino e até infantil, esquecendo que antes a alternativa era morrer de fome. Foi justamente o progresso capitalista que permitiu essa feliz mudança na vida de tanta gente.

O uso de batata como alimento quadruplicou a produção de comida na Inglaterra e não teve muito haver com capitalismo.

Zappi disse...

Muito bom, Rodrigo. Nessa mesma linha, recomendo o excelente "The intelligent man's guide to science" de Isaac Asimov que demonstra como o progresso científico e tecnológico possibilitou uma melhoria sem precedentes na qualidade de vida.

Morgana disse...

A verdade é que o aparato estatal tanto amado pelos solcialistas só traz ódio e miséria...
Vejam a bagunça que virou a América Latina!

Dr. Ned Kelly disse...

"O uso de batata como alimento quadruplicou a produção de comida na Inglaterra e não teve muito haver com capitalismo."

Isso mesmo criatura, a batata era plantada nos Kolkoz ingleses e distribuidas gratuitamente aos POMS pelo Partido Comunista....

Perdeu a oportunidade de ficar quieto e agora todos sabemos que és intelectualmente estúpido, fato dantes apenas conhecido por seus familiares a amigos.

tandor disse...

Se não sacou colega (mouro), a questão que levantei é:

A ciência (a técnica e inovação no caso) avança por causa do capitalismo ou o capitalismo avançou devido ciência ?

A tese do Constantino é que a ciência só avançou por causa do capitalismo, eu tenho alguns casos de evidência contrária...

tandor disse...

Vc acha que o Governo dos EUA devia largar o tal banco lá se ferrar e levar junto todo mundo que estava ligado a ele ?

fix disse...

Então consideremos:
Capitalismo é liberdade econômica e o fomento de uma cultura do trabalho e dá busca por atender os desejos e demandas dos consumidores.
O Capitalismo é a melhor forma de fomentar a tecnologia? Os países que rejeitam o capitalismo são menos ou mais propícios para o desenvolvimento tecnológico ou científico?
Os Frutos da ciência são menos ou mais difundidos em sociedades capitalistas?
Nas Sociedades capitalistas, a ciência foi usada mais vezes para fins eticamente reprováveis em comparação aos usos eticamente reprovais que fizeram do conhecimento científico, as sociedades que rejeitaram o capitalismo. Enfim, onde mais se usou o conhecimento científico para: O MAL. E nesse tópico, qual organismo social usou esse conhecimento?
E quanto o Off Topic
Tandor, você acha que o Governo Americano deveria ter uma política habitacional que promova a acesso à moradia para as classes desprivilegiadas? Você acha que quem deve pagar a conta são “As Elites Bancas” e comporações imperialistas que obtém lucros obscenos com a exploração dos trabalhadores do terceiro mundo?
Acho que sabemos a resposta! Leia sobre a história das empresas Fannie Mae e a Freddie Mac, observe qual foi o discurso político que as conjurou do abismo esquerdopada, e observe quais foram as características que essas empresas tinham em comum, depois de sua “estatização”.
Me causa espanto que os defensores de arcanismos econômicos esquerdistas venham demandar de um liberal, satisfações pelos efeitos negativos que as políticas que eles mesmos defendem, causam. É de rolar de rir. A Irresponsabilidade dessa gente alcança níveis estarrecedores.

Georges disse...

O desenvolvimento de tecnologias para o MAL ocorreu mais em regimes abertos que nos regimes fechados? Gostaria de ver uma estatística. Nos regimes abertos e livres as pesquisas são feitas baseadas em diversos interesses distintos, que vão desde interesse econômico, ongs que patrocinam pesquisas, órgãos do governo de fomento. Tudo publicado, criticado e observado pela sociedade que pode questionar os critérios. Nas sociedades fechadas, só existe um canal para definir o que deve ser pesquisado e passa direto pelo interesse de um grupo pequeno que detém o poder. Se esse grupo está engajado numa guerra fria, pode sangrar os recursos da sociedade até leva-la a falência para desenvolver projetos militares, nem sempre com critérios adequados de validação, como milhões gastos em pesquisa de paranormalidade.
Um abraço,
Georges

fix disse...

é que faltou um ? lá. É uma indagação, um chamado considerarmos ambos os cenários. Não existe a menos dúvida que o Capitalismo, esse termo tão achincalhado, provê formas muito mais eficazes para o uso ético de tecnologias.

tandor disse...

Então consideremos:
Capitalismo é liberdade econômica e o fomento de uma cultura do trabalho e dá busca por atender os desejos e demandas dos consumidores.
O Capitalismo é a melhor forma de fomentar a tecnologia? Os países que rejeitam o capitalismo são menos ou mais propícios para o desenvolvimento tecnológico ou científico?
Os Frutos da ciência são menos ou mais difundidos em sociedades capitalistas?
Nas Sociedades capitalistas, a ciência foi usada mais vezes para fins eticamente reprováveis em comparação aos usos eticamente reprovais que fizeram do conhecimento científico, as sociedades que rejeitaram o capitalismo. Enfim, onde mais se usou o conhecimento científico para: O MAL. E nesse tópico, qual organismo social usou esse conhecimento?



Essa ponderações são válidas, mas indiferentes para a questão que levantei.

A ciência em si não é "capitalista" ou "comunista".
O problema que vejo em metade dos textos do Constantino é tentar atribuir o avanço que a pesquisa proporciona como se fossem benefícios do sistema capitalista, uma falha básica na argumentação.

Já se faz ciência muito antes das palavras capitalismo e socialismo serem inventadas, portanto é falsa a premissa de que o capitalismo é necessário para a pesquisa.

O que é verdade é que sem liberdade de pensamento não se faz ciência, mas isso existe sob diferentes maneiras em qualquer sociedade.

tandor disse...

O desenvolvimento de tecnologias para o MAL ocorreu mais em regimes abertos que nos regimes fechados? Gostaria de ver uma estatística. Nos regimes abertos e livres as pesquisas são feitas baseadas em diversos interesses distintos, que vão desde interesse econômico, ongs que patrocinam pesquisas, órgãos do governo de fomento. Tudo publicado, criticado e observado pela sociedade que pode questionar os critérios. Nas sociedades fechadas, só existe um canal para definir o que deve ser pesquisado e passa direto pelo interesse de um grupo pequeno que detém o poder. Se esse grupo está engajado numa guerra fria, pode sangrar os recursos da sociedade até leva-la a falência para desenvolver projetos militares, nem sempre com critérios adequados de validação, como milhões gastos em pesquisa de paranormalidade.

Não confunda a ciência com o financiamento.

tandor disse...

Estou no aguardo para ver se vai ter algum artigo aqui falando da explicação para essa crise que está rolando agora, qual foi a cagada do governo dessa vez ?

Rodrigo Constantino disse...

"portanto é falsa a premissa de que o capitalismo é necessário para a pesquisa."

É mesmo? Compare o avanço científico da URSS, mesmo com seu Sputinik, com aquele dos Estados Unidos.

Maurício, eu liberei novamente a postagem aqui, mas por favor, não comece a poluir com besteiras. Ou argumenta, ou fica quieto.

Claro que a ciência em si é ciência, não tem ideologia. Mas é ÓBVIO que o capitalismo anda junto com o avanço científico, justamente pela liberdade maior, pelo foco no mercado, contra o planejamento central do socialismo, e os interesses obscuros da classe governante.

Vc acha que os americanos são recordistas em patentes por acaso????

Fala sério.

Rodrigo

Rodrigo Constantino disse...

"Estou no aguardo para ver se vai ter algum artigo aqui falando da explicação para essa crise que está rolando agora, qual foi a cagada do governo dessa vez ?"

Sim, vai ter mais artigos sobre isso. E agora tem um vídeo do Roberto Fendt. Maurício, escute com atenção e veja se aprende algo de útil. Sua insistência no erro é cansativa...

Rodrigo

tandor disse...

^
| Ué, eu falei que estou no aguardo.
Você só fala de ambientalista ultimamente...

tandor disse...

"portanto é falsa a premissa de que o capitalismo é necessário para a pesquisa."

É mesmo? Compare o avanço científico da URSS, mesmo com seu Sputinik, com aquele dos Estados Unidos.


Isso não vai contra a minha afirmação.
A URSS e LTDA não foram os únicos lugares do mundo onde não existiu capitalismo ...
Basta ver o caso de Newton, considerado por todos uma das mentes mais brilhantes da história, todo seu trabalho nunca dependeu de patentes, livre mercado ou qualquer coisa do gênero.


Maurício, eu liberei novamente a postagem aqui, mas por favor, não comece a poluir com besteiras. Ou argumenta, ou fica quieto.

O que você não gosta de ler você acha besteira mesmo ...

Claro que a ciência em si é ciência, não tem ideologia.

Então pronto, você já concordou comigo.

Mas é ÓBVIO que o capitalismo anda junto com o avanço científico, justamente pela liberdade maior,

Até aqui ok, eu não falaria o contrário quanto a isso. O que falei foi que a ciência não depende do capitalismo para funcionar, e isso você já concordou.

pelo foco no mercado,

Da onde você tirou essa parte ? Foco no mercado é um dos pontos mais discutidos no meio cientifico quanto a questão da liberdade. Quando o objetivo da pesquisa se confunde com o objetivo do financiador coloca em risco a liberdade de pensamento.

Antes que você comece a mirabolar, isso não quer dizer que no socialismo funcionaria melhor ...

contra o planejamento central do socialismo, e os interesses obscuros da classe governante.
Que se foda o socialismo, ele praticamente só deu merda mesmo, basta ver o caso do Lysenko, que mandou todos os darwinistas para os gulags ...
Isso não tem nada haver com o que eu levantei, será que da para parar de falar de "vermelhismo" um pouco ?

Vc acha que os americanos são recordistas em patentes por acaso????

Erro básico: achar que mais patentes é sinônimo de mais ciência...
Nos EUA teve um caso de empresário que patenteou o jeito que o filho usava um balanço de parquinho ...

De qualquer maneira, não é essa a questão, ainda é discutido entre os cientistas se as patentes aceleram o desenvolvimento, devido a recompença ao pesquisador, ou atrapalham, devido a restrição na divulgação e uso das idéias.

Mas você desviou da questão que levantei.

O capitalismo avançou devido a ciência, ou o contrário ?

Flavio Morgenstern disse...

Rodrigo,

Vivo brincando entre meus pares que sou o maior malthusiano vivo deste planeta, e até estou escrevendo um curto romance com esse comentário na apresentação.

Acho que há alguns pontos que foram plenamente ignorados nessa manipulação de números ("Pode-se provar tudo com estatísticas, até mesmo a verdade") para falar de Malthus.

Não nego que estamos melhor agora do que antes no cômputo geral, mas mostrar a expectativa de vida total e esquecer que, quanto maior a população que tivermos, mais iremos gastar riquezas deste planeta. A ponta da pirâmide NUNCA sofrerá por nada, segundo Malthus.

Temos mesmo criatividade e soluções para os problemas, mas ontem mesmo li que a fome aumenta no mundo. Se, por outro lado, os países mais ricos estão vivendo mais e melhor, vamos analisar sua taxa de crescimento populacional? Garanto que boa parte do que você escreveu, dessa vez, teria de ser, no mínimo, pontuda com um "contudo..."

É claro que, na média geral, melhoramos. Os ricos vivem melhor, a "média" final fica mais alta, mesmo. Mas as teses malthusianas se preocupam é com ops pobres, e como eles ficam ainda mais pobres tendo uma nova boca para alimentar. Hoje podemos aplicar o seu princípio (ainda que seus números estejam errados, e ele sempre os tratou como uma hipótese, uma demonstração) a outras coisas além de alimentação.

Um ponto importante levantado por Glokany é que a melhora é, justamente, devida ao fato dos pobres usufruírem de coisas criadas por ricos. Mas daí a abandonar a preocupação e o pessimismo por uma porcentagem da população viver à míngua só porque conseguimos integrar parte dela na Economia, embora ela sempre cresça mais do que isso, já mostra como Malthus estava corretíssimo em se preocupar com o aumento populacional. Ou, com o tamanho do nosso planeta, conseguimos, no estágio atual, fazer TODA a população viver bem como a americana? Que tal então pensar na escandinava, que faz tanto peso na ponta "otimista" do cômputo geral?

Digamos que a população cresce geometricamente, mas se nossa capacidade de integrá-la no mercado não cresce aritmeticamente, está bem longe de abarcá-la. ;)

Isso, é claro, está longe de dizer que todo neomalthusiano pretende um planejamento socialista (oras, Malthus não gastou capítulos e mais capítulos de seu Population Essay indo contra Godwin, e até disse que o escreveu inspirado a combater essas idéias?), nem que devemos centralizar tudo em um poder que distribua riquezas. Isso diminuiria ainda mais a sua produção. O que se busca é diminuir a miséria, e adivinhamos bem: só conseguimos isso diminuindo o número de miseráveis.

se nossa criatividade fosse mesmo capaz de ser mais "rápida" que o crescimento da população, a pobreza simplesmente não existiria. Isso não é culpa de nenhum sistema econômico, e sim do fato de nosso organismo precisar de uma bela canjica no fim do dia.

Um abraço!