segunda-feira, setembro 22, 2008

De Quem é a Culpa?



Rodrigo Constantino

“É de fundamental importância procurar analisar uma política intervencionista por suas conseqüências como um todo; não apenas por seus efeitos no curto prazo, mas também no longo prazo.” (Mises)

O terremoto financeiro segue causando destruição mundo afora, enquanto o governo americano tenta de tudo para salvar os mercados. Ele já injetou bastante liquidez, nacionalizou empresas em dificuldades, socorreu bancos, mas nada parece surtir o efeito desejável. A questão crucial é: será que o governo não é justamente parte do problema, e não da solução? Em momentos de crise grave como a atual, a busca por bodes expiatórios é muito comum. Os alvos de sempre acabam levando a culpa: os “especuladores” e o “livre mercado”. Mas a verdade é que podemos encontrar as impressões digitais do governo em todos os locais da cena do crime. Como diz o provérbio africano, “não olhe para onde você caiu, mas sim onde você escorregou”.

Parte das causas dessa crise financeira pode ser localizada nas medidas do Federal Reserve (Fed) em 1998. Enquanto o mundo enfrentava as crises da Ásia e da Rússia, o banco central americano participou de uma operação de salvamento do Long Term Capital Managment. A idéia por trás do resgate era a mesma de sempre: o fundo era “grande demais para quebrar”. Quando o governo garante o capital daqueles que arriscaram demais e erraram, ele funciona como uma espécie de rede de segurança de um circo. Ora, parece evidente que os trapezistas irão ousar mais sabendo que em qualquer erro há uma rede para protegê-los. Era a chamada “garantia Greenspan”. Além disso, Alan Greenspan, o então presidente do Fed, partiu para um agressivo programa de corte de juros. A taxa básica chegou ao patamar de 1% ao ano. A expansão monetária inundou o mundo de dólares. A injeção de liquidez é análoga ao bêbado que consome mais bebida para evitar a necessária ressaca. No longo prazo, ele acaba com uma cirrose. Eis o que os economistas chamam de “moral hazard”, um tipo de convite à irresponsabilidade, como um pai que sempre está lá para livrar o filho de seus erros. O filho nunca irá aprender, e a tendência é abusar ainda mais da sorte.

A drástica redução da taxa de juros criou um incentivo à busca por mais risco pelos investidores. Como a criatividade dos mercados financeiros é enorme, e inteligência não falta, vários produtos “exóticos” foram criados. Pessoas que não tinham condições de comprar casas antes passaram a desfrutar de veículos facilitadores para obter hipotecas de alto risco. Além disso, a garantia estatal por trás das gigantes imobiliárias Fannie Mae e Freddie Mac, fez com que estas empresas assumissem um grau de alavancagem absurdo, que seria inviável sem o respaldo do governo. Essas empresas foram criadas pelo governo, e já funcionavam como semi-estatais. As agências de risco, com graves conflitos de interesse, já que tinham que avaliar o risco de seus próprios clientes, foram bastante negligentes em sua tarefa.

As principais emoções que determinam os rumos dos mercados são medo e ganância. Com a rede de segurança criada pelo governo, o medo foi reduzido. E com a injeção de liquidez e baixos juros, a ganância foi estimulada. O resultado disso tudo foi uma redução significativa da aversão geral ao risco. O crédito foi subindo de forma irresponsável, com o estímulo dado pelo próprio governo americano. Existem vários outros fatores, sem dúvida, pois se trata de um fenômeno complexo. Mas o resumo da história é aproximadamente este.

Alguns apontam o dedo para a falta de regulação estatal, e pedem muito mais regulação como solução. Estas pessoas ignoram duas coisas básicas: em primeiro lugar, o epicentro da crise estava justamente em locais mais regulados, como as gigantes hipotecárias e os bancos de investimento, enquanto os hedge funds se saíram razoavelmente bem; em segundo lugar, burocratas são seres humanos imperfeitos também, que reagem às mesmas emoções de medo e ganância, e buscam interesses particulares. Para piorar, os melhores cérebros quase sempre estão no setor privado, por causa do seu mecanismo de remuneração mais agressivo. Parece ingenuidade demais contar com uma suposta clarividência dessa gente para antecipar e, pior ainda, consertar todas as falhas da “exuberância irracional” dos investidores. Ora, vimos que as ações de Greenspan ajudaram a criar essa crise! Depositar nos agentes do governo um poder arbitrário para “tomar conta” do mercado pode ser o caminho da desgraça total.

Mas, diante da situação caótica atual, em parte plantada pelo governo, todos voltam a atenção para o eterno “messias salvador”: o próprio governo. Investidores demandam medidas urgentes para resgatar bancos em dificuldades, exigem mais liquidez, enfim, cobram o uso efetivo da rede de segurança que foram levados a acreditar que estaria lá numa crise. Vários excessos foram cometidos, mas ninguém quer pagar a conta. Como já foi dito, é o socialismo dos ricos, onde os lucros são privados, mas os prejuízos acabam socializados. O pagador de impostos é chamado para honrar a fatura da festa dos outros. Os argumentos de antes são novamente utilizados: as empresas são grandes demais para falir, o mercado não pode se auto-regular e necessita da ajuda estatal. Por trás desta demanda está a crença falaciosa de que o governo cria riqueza do nada, que pode produzir recursos num piscar de olhos. Não pode. Tudo o que o governo pode fazer é tirar de alguns e dar para outros. Será que é mesmo necessário – sem falar justo – tirar dinheiro dos indivíduos poupadores para limpar a sujeira dos excessos cometidos em Wall Street e estimulados pelo governo?

44 comentários:

Marcio B. Estanqueiro disse...

Olá Rodrigo!
So espero que realmente todo esse "socorro" norte-americano aos bancos seja algo "produtivo" e que os EUA aprenda a lição de vez. Não dá para ser "intervencionista" dessa maneira. Uma triste lição, para um país que é visto como o porta-voz do liberalismo.

Sergio Oliveira Jr. disse...

Ninguém concorda com essa intervenção, nem essa ela justa. O problema é que deixar o mercado se auto-regular agora, ou seja, deixar quem tem que falir, falir, vai gerar um problema ainda maior para todo mundo.

Realmente é uma sinuca de bico. O EUA estão entre a cruz e a espada.

Rodrigo Constantino disse...

"The decisions that will be made this weekend matter not just to the prospects of the U.S. economy in the year to come; they will shape the type of capitalism we will live in for the next fifty years. Do we want to live in a system where profits are private, but losses are socialized? Where taxpayer money is used to prop up failed firms? Or do we want to live in a system where people are held responsible for their decisions, where imprudent behavior is penalized and prudent behavior rewarded? For somebody like me who believes strongly in the free market system, the most serious risk of the current situation is that the interest of few financiers will undermine the fundamental workings of the capitalist system. The time has come to save capitalism from the capitalists." (Luigi Zingales from the University of Chicago Business School)

tandor disse...

Ué...

Me impressiona que os melhores cérebros da iniciativa privada não tenham percebido que o governo ia criar uma crise ...

tandor disse...

Deixa só eu entender uma coisa, a um tempo atrás você soltou elogios sem parar ao Greenspan (http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2007/10/influncia-de-rand-em-greenspan.html),
agora que deu em merda ele é uma mula comunista que interviu demais na economia ?

Rodrigo Constantino disse...

Maurício, vc sabia que sempre perde boas oportunidades de ficar calado?

Eu elogio as IDÉIAS de Greenspan, principalmente defendidas antes, mas SEMPRE critiquei a política monetária do Fed sob sua gestão. Tenho um artigo BEM antigo chamado "Amnésia Política", onde lamento o fato de alguém com boas idéias como Greenspan pode ser levado a fazer coisas erradas no meio político.

O livro de Greenspan é muito bom. Ele defende o livre mercado com bons argumentos.

Mas como o Todo-Poderoso presidente do Fed, ele errou.

Qual parte vc não entendeu? Pede ajuda, que eu posso desenhar...

Rodrigo Constantino disse...

GaveKal Research
Fighting With a Hand Tied Behind Their Back

"The one consensus that emerges from the current credit crunch is that we need more regulation and more government intervention to ensure that such a crisis is never repeated. But why is no-one stopping to wonder why it is that all the problems seem to reside in banks - the most regulated entities in the financial industry - and in Western banks at that (when regulations in the OECD financial markets are typically far more strenuous than they are elsewhere)?

Since 1998 and the LTCM hedge fund crisis, every year, doom-mongers have been predicting that the hedge fund industry, the least regulated entity in our financial markets, would see massive bankruptcies and engender large scale destruction of capital. Meanwhile, at the first hint of a liquidity squeeze, it is the banks (again, the most regulated entities), that are going bankrupt in alarming numbers. Is this a coincidence? We do not believe that it is. Meanwhile, and very alarmingly, policy-makers are getting ready to prescribe yet more regulation to solve a crisis which finds its source in... excessive regulations!"

tandor disse...

O livro de Greenspan é muito bom. Ele defende o livre mercado com bons argumentos.

Mas como o Todo-Poderoso presidente do Fed, ele errou.


Se é tão bom por que não seguiu o que escreveu ?


E aquele cara do "instituto liberal" que deu entrevista para a globo defendeu a intervenção na economia, ele falou contra o que você acha então ?

E eu sinceramente não entendo, se da tão na cara assim, que a intervenção sempre da em merda, por que tem gente que ainda perde dinheiro com as consequências disso ?

Rodrigo Constantino disse...

"How many Ponzi schemes will we need to live through before regulators and politicians stop intervening in financial markets and institutions to improve the situation? The way things are going, policymakers will likely look at uneven playing field that they have created between regulated financial institutions and hedge funds and decide that, rather than free up the tied hands of banks, insurance companies and pension funds to look for returns in places that make sense, they will be forced to look for returns there they do not exist! Unfortunately, all this will achieve is more inefficient markets, lower returns on capital, human and physical capital flight to truly unregulated markets such as Switzerland or Hong Kong, and overall lower economic growth for the other Western economies." (GaveKal Research)

Rodrigo Constantino disse...

"Se é tão bom por que não seguiu o que escreveu ?"

Para vc ver, como o meio político é podre! Somente românticos esquerdistas acham que basta "vontade política" e colocar as "pessoas certas" no poder. O ponto é reduzir o poder do governo! As pressões do cargo, os interesses políticos, os limites de um indivíduo com muito poder, tudo isso contribui para a defesa de que devemos reduzir o poder do governo. Tenho outro artigo, chamado "O Templo", onde falo do Fed, com duras críticas e sob este prisma. É O PODER que deve ser limitado, não sua fonte.

"E aquele cara do "instituto liberal" que deu entrevista para a globo defendeu a intervenção na economia, ele falou contra o que você acha então ?"

A Escola de Chicago é mais pragmática, e fora isso, há um argumento razoável de que, agora que a casa está pegando fogo, o incendio deve ser apagado. Depois buscamos a origem dele. Eu não concordo muito. Estou mais na linha da Escola Austríaca, que manda parar com os resgates. Mas é um bom debate.

"E eu sinceramente não entendo, se da tão na cara assim, que a intervenção sempre da em merda, por que tem gente que ainda perde dinheiro com as consequências disso ?"

Ora, é possível antecipar que vai dar alguma cagada, mas daí a acertar onde, quando e como, exatamente, são outros quinhentos...

tandor disse...

Você perdeu dinheiro com a crise ?

tandor disse...

Mas ainda não entendi como que um governo pequeno (comparado ao setor privado) como o dos EUA, conseguiu gerar uma crise tão grande então ?

Rodrigo Constantino disse...

Maurício, vc pretende argumentar ou quer apenas saber das minhas finanças???

Se vc quer saber se NESSA semana que passou, eu perdi: sim, mas pouco. Agora, se vc quer saber se no último ano eu ganhei ou perdi dinheiro: ganhei. Como medir?

O timing é fundamental. Vc pode saber que faíscas jogadas onde há gasolina pode causar um incêndio enorme. Mas antes disso, pode levar um bom tempo, e se vc fica fora da casa o tempo todo com medo do fogo, vc não ganha nada.

Justamente pelos mercados serem tão mais complicados do que alguns pensam, eu cobro mais humildade dos "profetas". Uma coisa é acertar a direção; outra é realmente ganhar dinheiro com a previsão.

Rodrigo Constantino disse...

"Mas ainda não entendi como que um governo pequeno (comparado ao setor privado) como o dos EUA, conseguiu gerar uma crise tão grande então ?"

Lá tudo é grande. Um erro cometido num mercado de $ 13 trilhões de PIB, centro do mercado financeiro global, tem impactos bem maiores do que muita cagada produzida por um governo tupiniquim feito o brasileiro.

paulo_do_RJ disse...

Rodrigo,
Trata-se de um buraco causado pela China. A China hoje é a fábrica de todo o mundo. Acontece que lá não há o consumo para fazer a riqueza circular. Então todo o dinheiro que sai do mundo e vai para os chineses produzirem algo, fica lá para sempre. Este procedimento tem o proposito de tornar a economia mundial num imenso buraco vazio. O Bush quando entregou o cheque de 700 dolares para os americanos consumirem, mandou este dinheiro todo direto para a China através do Wall Mark..
Isto quebra as pernas do livre mercado pois não há consumo dos chineses no resto do mundo para fazer o dinheiro circular....

tandor disse...

Maurício, vc pretende argumentar ou quer apenas saber das minhas finanças???

Com aquela pergunta em específico, era só saber mesmo.
Afinal os depoimentos do ponto de vista dos investidores é uma parte do todo, não é ?

tandor disse...

Lá tudo é grande. Um erro cometido num mercado de $ 13 trilhões de PIB, centro do mercado financeiro global, tem impactos bem maiores do que muita cagada produzida por um governo tupiniquim feito o brasileiro.

Quanto afinal o governo teve que injetar para produzir a crise ?

tandor disse...

Fui perguntar para uns colegas que disseram que o governo dos EUA não estava dando tanto confiança assim quanto você diz.

Os investidores (que podem contratar os melhores cérebros para evitar isso) fizeram a cagada por conta própria.

Mas ainda gostaria de saber a resposta da pergunta anterior:

Quanto dinheiro o governo precisou ter para os investidores começarem a rodar a roleta em fez de fazer planejamento ?

Rodrigo Constantino disse...

Uau, Maurício! Agora sim vc derrubou todos os meus argumentos. Vc "foi falar com alguns colegas", e eles te disseram algo, e pronto! Está tudo resolvido!!! Para que argumentar, pesquisar, enfrentar os dados, a lógica? Seus colegas disseram, tá resolvido!

Assim funciona um esquerdista...

tandor disse...

Ué, os caras fazem Economia na USP-RP, eles não tem qualificação para falar isso ?

fefefe disse...

Rodrigo, o FED injetou dinheiro no LTCM pra ele não quebrar?
Eu também não entendo como que liquidez gera um "moral hazard".

O verdadeiro moral hazard é a política salarial desses grandes bancos de investimento. Um trader num desses bancos sabe que vai cedo ou tarde perder o emprego, ele quer então é ganhar o maior bônus possível enquanto estiver empregado. Isso o leva a assumir riscos excessívos. Nick Leeson, Kiervel, tudo história de bônus.

E fora que os funcionários do Lehman brothers perderam o emprego, os acionistas da Merryl e do AIG perderam tudo. O governo não ajudou essas pessoas, que eram responsáveis pela gestão dessas empresas. Onde está o incentivo pra um funcionário ou um acionista de outro banco imitar esse tipo de comportamento?

cleber.mira disse...

Olá Rodrigo,

As perguntas do Tandor são adequadas e precisam ser respondidas, ainda que possam ter sido inspiradas pela falação de esquerdistas.

É claro ue estamos no meio do furação e é difícil saber medir qual foi exatamente a contribuição do governo na crise (em bilhões de dólares). O seu artigo comenta o mecanismos que teriam levado a crise, mas seria interessante um análise um pouco mais profunda (envolvendo números) para sabermos de maneira melhor a proporção da crise.

Eu sei que pode parecer pedir muito, mas poderia fazer um texto um pouco mais profundo e didático sobre o assunto?

cleber

Comandante disse...

Rodrigo,
Perdoe-me a ignorância, mas é bem provável que eu não tenha a dimensão correta da crise. Custa acreditar que 700 bilhões não sejam suficientes para ajustar a economia global. Para mim isto é pura e criminosa especulação. Os subprimes foram liberados para comprar palacetes em Dubai?
Abraços.

Rodrigo Constantino disse...

The Economist sobre a crise e a demanda por mais regulação:

A longer-term worry is the inevitable urge to regulate modern finance into submission. Though understandable, that desire is wrong and dangerous—and the colossal success of commerce in the emerging world shows how much there is to lose. Finance is the brain of the economy. For all its excesses, it allocates resources to where they are productive better than any central planner ever could.

Regulation is necessary, and much must now be done to improve the laws of finance. But it must be the right regulation: an end to America’s fragmented system of oversight; more transparency; capital requirements that lean against booms and flex with busts; supervision of giants, like AIG, that are too big and too interconnected to fail; accounting that values risks better and that everyone accepts; clearing houses and exchanges to make derivatives safer and less opaque.

All that would count as progress. But naive faith in regulators’ powers creates ruinous false security. Financiers know more than regulators and their voices carry more weight in a boom. Banks can exploit the regulations’ inevitable blind spots: assets hidden off their balance sheets, or insurance (such as that provided by AIG) which enables them to profit by sliding out of the capital requirements the regulators set. It is no accident that both schemes were at the heart of the crisis.

This is a black week. Those of us who have supported financial capitalism are open to the charge that the system we championed has merely enabled a few spivs to get rich. But it helped produce healthy economic growth and low inflation for a generation. It would take a very big recession indeed to wipe out those gains. Do not forget that in the debate ahead.

Jeová disse...

Voltando depois de muuuuuito tempo...

Os esquerdistas tem grande dificuldade de entender porque 2+2 é 4. Uma crise dessas realmente é complicado. Mas vou tentar.

1) O principal problema, que afetou TODA a economia americana, foi a política de juros baixos do FED.

2) Graças à EXCESSIVA REGULAMENTAÇÃO do setor de hipotecas, foi justamente lá que a bomba (antes fosse uma bolha) estourou primeiro.

3) Agora o governo quer salvar todo mundo.

A política do FED e a regulamentação era atacada por todos os liberais há muito tempo. A recente "operação salvação" é criticada por alguns (da escola austríaca) e elogiada por outros (escola de chicago).

tandor disse...

Eu não estou acusando niguem.

Só quero saber o seguinte:

Os investidores ficam burros quando o governo participa da economia e inteligentes quando não interfere ?

Por que não faz sentido, já foi repetido aqui ad nauseum que a economia dos EUA é o mais próximo de um liberalismo hoje em dia, se o setor privado é tão mais forte que o público, como diabos o governo fazer qualquer coisa deu tanta confiança assim aos investidores, a ponto de gerar esse rombo que estourou agora ?

Luis disse...

Oi, Rodrigo,
Você conhece a obra " O Poder Secreto", do economista Armindo Abreu ? Segundo Abreu, o FED é um banco privado, controlado pelos banqueiros Rockefeller, Rothschild, Morgan e Warburg. De acordo com o obra, as crises financeiras são provocadas pelo FED para eliminar banqueiros concorrentes e, assim, criar um cartel no setor bancário. Se esta tese estiver correta, não houve erro do FED, mas uma ação premeditada para causar uma grande inadimplência e, posteriormente, comprar bancos concorrentes a preço de banana. O que acha dessa possibilidade?

Jeová disse...

"Os investidores ficam burros quando o governo participa da economia e inteligentes quando não interfere ?"


Pense da seguinte maneira:

Existe o ambiente para investimentos.

E existe o investidor.

O governo tem o poder de fazer mudanças que acabam "modificando" o ambiente, "possibilitando" o impossível, "melhorando" certos aspectos, "piorando" outros e, também, "impossibilitando" o possível.

O problema é que toda alteração, na verdade, é uma ilusão (por isso que eu usei os termos entre aspas) que tende a desaparecer (essa é a origem das bolhas).

Os investidores raramente percebem a ilusão e os que percebem, de qualquer forma, querem ganhar dinheiro com ela - adquirindo ativos inexistentes, esperando eles se valorizarem e vendendo antes do choque com a realidade.

De outra forma:

O governo cria miragens. Os que sabem que o oásis é uma miragem vendem o oásis. Os que não sabem compram.

Jeová disse...

Luis, sei que você não perguntou pra mim, mas permita-me dizer que essa teoria é considerada correta por muitos libertários, principalmente americanos. Para mim, PARECE correta.

Sobre a atual crise, também já vi teorias de que Greenspan seria, ocultamente, favorável até hoje (ele fora abertamente no passado) ao padrão ouro e, no FED, decidiu causar uma implosão no atual sistema, para que o padrão ouro acabasse voltando.

tandor disse...

De outra forma:

O governo cria miragens. Os que sabem que o oásis é uma miragem vendem o oásis. Os que não sabem compram.


Até ai ok, mas o governo dos EUA tinha caixa suficiente para fazer uma "miragem" dessas na economia deles ?

No Brasil eu não duvido, se o governo fala que vai fazer qualquer coisa niguem duvida, afinal tem muito dinheiro se comparar com o total, mas e nos EUA ?

Rodrigo Constantino disse...

Luis,

Acho que Rothbard gostava de uma tese parecida. Eu, para ser sincero, considero isso muito teoria conspiratória. Parece coisa de Olavo de Carvalho. Não gosto muito, e não concordo.

Rodrigo

Viand Milliner disse...

Rent-seeking no dos outros é refresco! Todo poder ao camarada Hank Paulson! Hahahahahaha!!!!...

Viand Milliner disse...

"Graças à EXCESSIVA REGULAMENTAÇÃO do setor de hipotecas, foi justamente lá que a bomba (antes fosse uma bolha) estourou primeiro."

Epa! Pare de misturar LSD com o toddynho!

Excessiva regulamentação? Que tal a lei que PROÍBE a SEC de regulamentar os swaps de crédito de hipoteca nos EUA? O que estourou a crise das hipotecas foi a última bolação do cassino das altas finanças nos EUA, de lobistas interesseiros e ideólogos inconseqüentes que levaram adiante o que era quase um esquema de pirâmide, que precisava que os preços de imóveis crescessem sempre.

O problema aqui é que Atlas shrugged, depois Atlas crapped, e depois Atlas whined.

Jeová disse...

"Epa! Pare de misturar LSD com o toddynho!

Excessiva regulamentação? Que tal a lei que PROÍBE a SEC de regulamentar os swaps de crédito de hipoteca nos EUA? O que estourou a crise das hipotecas foi a última bolação do cassino das altas finanças nos EUA, de lobistas interesseiros e ideólogos inconseqüentes que levaram adiante o que era quase um esquema de pirâmide, que precisava que os preços de imóveis crescessem sempre."

Quer dizer que o problema é por que não havia uma regrazinha em meio a um mar de regras? Dizer que os setores em que a crise estourou primeiro eram pouco regulamentados é coisa de gente mal informada ou que gosta de informar mal.

"O problema aqui é que Atlas shrugged, depois Atlas crapped, e depois Atlas whined."

Pela sua frase sem sentido, dá pra ver que você é que anda abusando do LSD.

Jeová disse...

"Até ai ok, mas o governo dos EUA tinha caixa suficiente para fazer uma "miragem" dessas na economia deles ?"

O FED não criou a miragem ao dar dinheiro para todo mundo. Ele criou a miragem ao promover uma política de juros baixos. Não tem nada a ver com dinheiro em caixa. Tem haver com capacidade de criar dinheiro.

tandor disse...

Mas como um governo cria segurança sem ter uma quantia rasoável de dinheiro na reserva ?

Minha pergunta por enquanto é só essa, eles tinham fundo suficiente para as pessoas acreditarem que dava para manter para sempre os juros baixos ?

Rodrigo Constantino disse...

"Mas como um governo cria segurança sem ter uma quantia rasoável de dinheiro na reserva ?"

Vc está brincando comigo??? Vc esqueceu que, além de controlar a taxa de juros (que pode estimular MUITO crédito), o governo controla a emissão de moeda???

Veja: o governo surgiu com um pacote de US$ 700 bilhões em um fim de semana. Mas vc acha que o governo americano é pobrinho? Não tem bala na agulha?

Rodrigo

tandor disse...

Constantino, você sabe que não adianta só imprimir papel para cobrir o buraco, e imagino que os investidores do EUA não sejam ingênuos a ponto de achar que o governo dos EUA pode pagar qualquer coisa simplemente por que ele é o único autorizado a pintar papel com um número e um retrato de um presidente...

Além disso, não teve uma única análise sobre esse assunto, que eu tenha lido, que afirme que o governo nos EUA tem dinheiro suficiente para cobrir o buraco, a maioria diz que está esperando a China literalmente comprar os EUA...

Pergunta: Para baixar os juros, o governo não tem que ter reserva capaz cobrir um possível prejuíso pelo excesso de importação ? [eu não sei se funciona assim, estou perguntando para saber]

Georges disse...

O ponto é que tipo de regulamentação é benéfica e que tipo é maléfica? Isso parece ficou um pouco mais claro no texto do The Economist, mas certamente ainda é tema para muito debate. Pensar que se entre duas escolas liberais isso já gera debate...
Um ponto que colocaram foi perguntar se o investidor fica burro quando o governo interfere. Na realidade o investidor sempre tenta maximizar seu retorno dado o risco que ele está disposto a correr. A intervenção do governo cria uma distorção que foi introduzida para tentar corrigir algum efeito indesejável. E ele pode criar salvaguardas afetando tanto a percepção de risco quanto a de rentabilidade.

Um modelo similar ocorre em outros lugares quando vemos políticas de transferencia de recursos diretamente para a população baixa renda, ampliando a demanda, enquanto na outra ponta vemos juros altos ocasionados por déficit publico e risco de inflaçào. Isso gera uma busca sem precedentes de financiamento para aquisição de bens.
A longo prazo vemos que não está sendo construída a infraestrutura necessária para suprir a demanda, enquanto a economia cresce a base de setores que geram poucos empregos. Isso deve gerar uma pressão inflacionária, com possibilidade de desemprego quando o desequilibrio entre oferta e demanda ficar insustentável. E quando a rentabilidade versus risco começar a não atrair mais àqueles que injetam capital externo nesse modelo. Provavelmente em 2010.

Jeová disse...

"Mas como um governo cria segurança sem ter uma quantia rasoável de dinheiro na reserva ?

Minha pergunta por enquanto é só essa, eles tinham fundo suficiente para as pessoas acreditarem que dava para manter para sempre os juros baixos ?"

Cara, o seu raciocínio continua equivocado porque você ainda não entendeu que de nada importa quanto dinheiro o governo americano tinha em caixa.

tandor disse...

Mas o Constantino disse que as duas imobiliárias abusaram por que o governo garantia cobrir os buracos delas, presumo que o "quanto" eles arriscaram de prejuíso tenha ligação com o quanto achavam que o governo podia cobrir, não é ?

Jeová disse...

O Governo assumia o compromisso de cobrir os buracos. PONTO FINAL.

Como ele iria/vai cobrir é problema do governo, e não do pessoal das empresas...

Tandor, você tá muito focado no setor em que ocorreu a crise. Deveria olhar para a economia americana toda. O grande problema foi a política de juros baixos, que, obviamente, atingiu toda a economia.

tandor disse...

E niguem achou estranho os juros baixos também ?

Jeová disse...

Como eu já disse pra você:

Os poucos que "estranharam" procuraram se aproveitar da situação.