terça-feira, abril 22, 2008

Guerra e Liberdade


Rodrigo Constantino

“A melhor forma de limitar o poder é limitar a centralização.” (Llewellyn Rockwell Jr.)

Em seu livro Speaking of Liberty, Llewellyn Rockwell Jr. dedica um capítulo ao tema guerra, mostrando os perigos que um governo voltado para guerras externas representa para a liberdade interna do povo. O autor, do Mises Institute, deixa bem claro as diferenças entre libertários e conservadores. Suas palavras são um violento ataque aos governos americanos, seja dos Democratas, seja dos Republicanos. Clinton e Bush, entre outros, são alvos de duras críticas. Provavelmente, o único político americano que endossa tais críticas é Ron Paul, que de fato comentou o livro afirmando que considera suas palavras verdadeiras e eloqüentes.

A tese principal de Rockwell é que governos expansionistas internacionalmente não serão, usualmente, humildes em casa. Historicamente, Estados com estas características tenderam a se expandir além de suas fronteiras até os limites que seus recursos permitiram. Esses governos sempre usaram desculpas para suas ambições, e os bodes expiatórios externos são uma excelente forma de justificar atrocidades internas, com mais e mais avanços sobre as liberdades individuais. O próprio Estado é a maior fonte de conflito que os homens já conheceram. Um governo que vive buscando monstros para destruir vai acabar destruindo seu próprio povo.

O caso do atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001 é um dos exemplos citados pelo autor. Para ele, um caso claro de fracasso do próprio governo. Afinal, o governo que havia vetado armas nas cabines dos aviões, o governo que administrava a segurança dos aeroportos, o governo que ajudou a criar, de certa forma, o que se transformou na al-Qaeda, o governo que recebeu alertas antes e os ignorou, e o governo que prometeu e fracassou de todas as formas em garantir a segurança dos cidadãos. Rockwell acredita que, para distrair todos dessa conclusão, o governo criou a ilusão de que a maior ameaça de todas está em algum lugar fora, e que os americanos devem confiar no governo para saber qual ela é. Quando vemos resultados negativos da ação do governo, sempre é demandado mais governo para resolver o problema.

Os conservadores americanos não são poupados dos ácidos ataques de Rockwell, e são vistos como inimigos da liberdade individual tanto quanto os socialistas. Esses conservadores parecem adorar guerras, e estão sempre defendendo um governo muito poderoso concentrando poder imenso em suas mãos. Rockwell chama a atenção para a “hipocrisia moral” dessas pessoas, que não se importam em escrever artigos demandando o fim do aborto ao lado de outros defendendo a morte de milhares de estrangeiros, nascidos ou não. Milhares de crianças inocentes morrem no Iraque por causa da ação do governo americano, mas isso não parece incomodar tanto quanto uma mulher estuprada que resolve fazer um aborto. São estranhos valores. E se o argumento utilitarista for usado, será mortal para os próprios conservadores na questão do aborto. Além disso, se cabe ao governo americano assumir a responsabilidade moral de governar o mundo, então é claro que ele deve cuidar dos assuntos domésticos também, pois será igualmente capaz de fazê-lo. Faz tempo que os Republicanos não são defensores genuínos de um governo limitado.

Os pontos de vista de Rockwell podem ser tudo, menos “lugar comum”. Abraham Lincoln, que costuma ser idolatrado por muitos americanos, é visto com enorme desdém pelo autor. Afinal, ele representou justamente a centralização de poder, sem falar do aumento de tarifas e da guerra causada em nome do “bem geral”. Hamilton é visto como o mercantilista que defendia idéias imperialistas. O Nafta, celebrado inclusive por muitos liberais, é visto como imperialista, pois favorece empresas ligadas ao governo e garante poderes ao Executivo para interferir no comércio. Para Rockwell, não faz sentido falar em livre comércio quando temos vários burocratas de cada lado resolvendo o que vai ser trocado. O governo deve simplesmente se retirar de cena, permitindo que cada indivíduo possa praticar comércio com quem quiser no exterior. Logicamente, Rockwell é totalmente contra o embargo cubano ou qualquer outro.

Isso tudo quer dizer que os libertários são contra todas as guerras? Não necessariamente. Existem as guerras justas. Elas devem ser sempre defensivas. Jamais devem ter civis como alvos. Seus meios devem ser proporcionais às ameaças envolvidas. Deve ser um último recurso disponível. E a paz deve ser estabelecida e mantida assim que a luta terminar. A vingança contra um inimigo derrotado está fora de questão. Para Rockwell, a campanha americana no Iraque deve ser considerada profundamente injusta, segundo estes critérios.

Um dos grandes problemas que Rockwell enxerga é o culto à presidência. Antigamente, segundo relatos de Tocqueville e dados históricos, a posição de presidente era bem menos cultuada, pois bem menos poderosa. O presidente era basicamente um executor de leis criadas pelo Congresso e limitadas pela Constituição. Atualmente, o presidente concentra poder demais, e é visto como um ídolo por muitos. Em pesquisas de opinião com historiadores, os presidentes mais votados como grandes estadistas são sempre aqueles que governaram em excesso, que fizeram coisas demais, prejudicando a liberdade individual. Basta pensar na idolatria a Franklin Roosevelt, que tomou tanto o Congresso como a Corte Suprema sob seu controle, para propósitos de poder, e ignorou o que restava da Constituição, interferindo como nunca antes na esfera privada da vida dos americanos.

Um presidente que se limitasse a honrar as regras básicas, garantindo ampla liberdade aos cidadãos, seria ignorado pelas pesquisas. Henry David Thoreau disse que o melhor governo era aquele que governava menos. Hoje em dia, os piores governos são os mais celebrados. O Estado passou a ser visto como um deus, e o presidente é seu representante na Terra. Regredimos alguns séculos! Basta ver a campanha presidencial nos Estados Unidos, com cada candidato tendo que prometer mais e mais privilégios e gastos, sempre à custa das liberdades individuais.

A visão de Llewellyn Rockwell pode ser ingênua para muitos, até mesmo utópica. Podem alegar que o mundo não funciona assim, nem nunca irá funcionar. São os defensores da realpolitik, que se consideram mais “pragmáticos”, respeitando a realidade e entendendo que o bom é inimigo do ótimo. Pode até ser. Darei o benefício da dúvida, aceitando que os pontos de vista do autor são mesmo fantasia no mundo atual. Mas isso não tira seu grande valor. E este é lembrar a natureza do governo, seus motivadores e, acima de tudo, os enormes riscos que todos os defensores da liberdade correm quando o governo cresce demais. E não podemos esquecer que guerras são as mais comuns desculpas para a expansão dos governos. Algumas provavelmente serão necessárias, até mesmo para preservar a liberdade. Mas na maioria dos casos elas serão apenas um veículo de aumento de poder político, sacrificando milhares de vidas e transferindo riqueza dos pagadores de impostos para os “amigos do rei”.

A grande lição que fica do livro é essa: as pessoas no poder não são como as outras, cidadãos comuns. Em suas carreiras, os vícios costumam ser recompensados com o sucesso político, e os incentivos da estrutura tendem a garantir que quanto mais fundo alguém mergulha na política, menos ele acredita que está limitado pela mesma moral da “classe dos mortais”. Os fins passam a justificar os meios. E como o fim é quase sempre mais poder, até mesmo guerras desnecessárias podem ser usadas como um meio para tanto. Lord Acton lembrava que “o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Ora, nada como uma guerra para criar a “necessidade” de um poder absoluto concentrado em poucas mãos do governo.

16 comentários:

André Barros Leal disse...

Brilhante artigo, Rodrigo. Para ilustrar tudo isso, o que você acha do "Patriotic Act"? Não conheço nada que seja mais agressivo às liberdades individuais americanas do que essa loucura que engloba leis simplesmente absurdas.

Cervantes disse...

Concordo com "Ora, nada como uma guerra para criar a “necessidade” de um poder absoluto concentrado em poucas mãos do governo.", mas nao concordo que a guerra no Iraque seja desnecessaria, assim como a no Afeganistao. Apesar de Francis Fukuyama nao ser um liberal eu concordo com sua opiniao sobre essas duas incursoes militares, voce ja deve conhecer as ideias dele sobre o assunto e saber da diferenca de foco dele para a do governo Bush.
Porem, eu realmente acho que a desculpa "seguranca nacional" virou um instrumento para aumentar gastos militares e inchar o estado americano, e pior, a eficacia desses gastos sao infimos.
Se no resto do mundo tudo que vem com a palavra "social" acaba aumentando a intervencao estatal, nos EUA tudo que esta ligado a "seguranca nacional" é usado para o mesmo fim.

Morgana disse...

Muito simples:capitalismo e liberdade individual,descentralizada,andam juntos!
Muito simples,mas a tentação do poder não deixa ninguém enxergar esta crstalina verdade.

a.h disse...

Ótimo artigo, Rodrigo. Levou-me a conclusão de que, definitivamente, tenho muito pouco a ver com os chamados libertarians.

Na verdade, dependendo da conceituação, precisa, do que venha a ser “conservador” também não me enxergo como um. Mas, como digo, isto depende...

Como disse Chris Rock “sou conservador quanto ao crime e ‘liberal’ com a prostituição”. Em forma de chiste, o comediante nos disse uma grande verdade, não há uma forma de ser conservador, uma forma de ser ‘liberal’. O que não tenho certeza, a tomar pelo teu texto, é se há outra forma de ser um libertário ou anarcocapitalista.

Levantaste muitas questões em teu artigo e pretendo focar minhas considerações na geopolítica. No entanto, não poderia deixar de comenta-las, mesmo que de passagem. Não só há uma flagrante incongruência naqueles que são contra o aborto porque “defendem a vida” ao mesmo tempo em que são favoráveis à guerra, como há outra, a de se postarem contra qualquer forma de planejamento familiar tal como a contracepção através de pílulas ou camisinhas e lavarem as mãos às dezenas de milhares de crianças que ficarão sem assistência por gravidez indesejada ou, o que é pior, de risco. O que propõem estas “lúcidas mentes?” A castidade. Ora, não há nada mais irreal do que isto. Desse jeito, querem mesmo um tribunal celestial onde os pecadores não conseguirão seu lugar.

Por outro lado, se a guerra tem que ser evitada e se mostra um recurso último, não há como negar que um chefe-de-estado tem que contemporiza-la e tê-la em sua agenda, ao menos, como possibilidade.

Gostaria, no entanto, de avisar que a idéia de “guerra preemptiva” não é de meu agrado. Ainda acredito que deva haver algum critério “justo” para a mesma. Não é à toa que o experiente general Collin Powell abandonou este barco...

Voltando às agruras da realidade. O que Ron Paul nos teria a dizer sobre como:

1. Lidar com a crescente beligerância do Oriente Médio? Ou ele pretende que Ahmadinejad siga seus instintos e varra Israel do mapa?
2. Lidar com movimentos maoístas latino-americanos, tais como as Farc?
3. Lidar com o expansionismo e intervencionismo russo que visa reeditar o auge do período soviético em termos de belicosidade? Sua ameaça constante a Europa Central, que insufla separatismos no Cáucaso através de guerrilhas? Que se enamora, da boca pra fora que seja, de Teerã e tudo o mais?
4. Lidar com o movimento waabita na Arábia Saudita, que pretende levar aquele país a uma versão (ainda mais) radical e sectária do que o regime teocrático existente?
5. Lidar com Kim Jong-Il da Coréia do Norte, com um programa nuclear que visa trocar suas ameaças (ao Japão, dentre outros) em troca de investimentos em seu país?

Estas e outras questões parecem não passar pela cabeça de Ron Paul, haja vista o que seus correligionários têm divulgado por aí[http://thisnovember5th.wordpress.com/2008/03/07/breakthematrixcom-update-no-3-the-campaign-for-freedom-will-continue/].

Outro erro é pensar que McCain é um típico conservador. Aqui[http://www.newsmax.com/limbaugh/mccain_grass_roots/2008/02/15/72927.html], por exemplo, David Limbaugh faz ponderações criticando o candidato republicano, mas que de modo inverso, me trouxeram interesse por McCain.

Bem, como dizia Popper "reformas são preferíveis a revoluções". Sempre que alguém fala nas segundas penso na grande possibilidade de erro que contém. As reformas, por sua vez, se baseiam numa tentativa e erro constantes que tendem a aperfeiçoar o método de aprimoramento social.

André Barros Leal disse...

a.h., excelente comentário o seu, mas a minha opinião a respeito do que Ron Paul deseja, é um pouco mais simples. Ele deseja que os EUA abracem mais uma vez, e agora de uma vez por todas, o verdadeiro Capitalismo. Com tudo que tem direito, desde um Estado servo ao invés de regente até a liberdade absoluta dos indivíduos.

Acredito assim como ele que isso seria o suficiente para acender uma chama racional ao redor do mundo, deixando o imaginário, o místico e o irracional se apagarem.

Em relaçao ao McCain, o meu único problema é que ele defende a permanencia de forças armadas no Iraque. Por mim, estas deveriam deixar o país imediatamente, e o Iraque que se ocupe dos seus problemas.

Não acho que deva ser papel dos americanos ser a Polícia do mundo. As forças armadas devem cumprir o papel de defesa apenas.

a.h disse...

Grato, André

A questão é que eu já perdi a fé em todos os purismos. Não vejo o liberalismo como um, mas sim o libertarianismo.
Digamos que Ron Paul ganhasse e se tornasse o presidente dos EUA. Tu acha que eles poderiam abdicar de seu aparato militar ou a indústria bélica e o orçamento destinado pelo congresso?
Se, numa vaga hipótese o fizessem, Rússia, China, Irã, Coréia do Norte e tantos outros (sem falar nos grupos guerrilheiros e terroristas) deporiam suas armas também?
Com todo o respeito, o mundo não mudaria, apenas mudaria o ator principal.
Isto quer dizer que meu senso realista me leva a crer que uma 'força policial mundial' possa fazer o que quiser?
Claro que não, mas que os critérios para um ataque têm que ser definidos por alguma espécie de consenso.
Como seria, eu não sei te dizer.
Quanto ao McCain, pelo pouco que sei, os 'conservatives' se opõem a ele porque pretende legalizar 20 milhões de imigrantes (medida a qual sou favorável). Por estas e outras, se sou crítico aos 'libertários', também não me vejo como 'conservador' típico:
1) O direito à defesa dos EUA não significa, para mim, o direito a qualquer ataque;
2) Religião tem que ser separada do estado;
3) O idioma ou a 'raça' não é importante para o sentido de 'nacionalidade' a qual os EUA mais evoluíram e, sim o respeito aos direitos civis e o direito de propriedade.

abs,

C. Mouro disse...

Um grande problema é que cada um considera que liberdade é aquilo que lhe apraz. É or isso que jamais o "serumano" a conseguirá. Contudo a maioria contenta-se plenamente com alguma liberdade, fato que coincide com aqueles que ambicionam mandar na vida alheia.

Final das contas:
"Aquele que ambiciona mandar, tem facilidade de obedecer"

Eu digo que aqueles que almejam impor suas manias e preferências ou mesmo o jugo alheio, têm facilidade para aceitar a submissão e até o jugo de um senhor que lhe faça concessões.

..É humano, demasiado humano.

Liberdade é não estar sob coação nem opressão de OUTRO indivíduo.
Ou seja a idéia de liberdade é uma idéia de conceito negativo. Isso soluciona a questão e só isso, ou cairemos no que diz K. Mannhein (se não me engano), que afirma não existir liberdade mas apenas liberdades e assim ele nomeia "liberdade disso e daquilo" como uma faculdade realizadora, como uma potência/capacidade do indivíduo. Nada mais errado e até idiota, pois assim se diria que um incapaz ou deficiente qualquer seria "menos livre" que um são. E nessa idiotice um sujeito mais habilidoso ou mais dotado em algo, também seria mais livre.

Porra! imagina que estupidez alguém dizer que fulano é mais livre porque consegue mais mulheres, ou porque é mais inteligente e consegue realizzar mais, ou porque é mais forte e etc..

Enfim, a idéia positiva, de potencia realizadora, é uma imbecilidade.
Na verdade ao se nomear liberdade de expressão, por exemplo, se está dizendo que fulano não é tolhido nem coagido em sua capacidade de se expressar: ele é livre MESMO QUE SEJA MUDO E ANALFABETO, MESMO ASSIM SERÁ LIVRE PORQUE NINGUÉM O COAGE OU OPRIME.

Assim, liberdade, como idéia de ausencia de coerção e opressão, irá deparar-se com a antinomia, tipo:
Um homem só é livre porqueomente limitado por sua potencia natural. Se houver outros com a mesma liberdade haverá interseção nas possibilidades. Daí, mais uma vez a impossibilidade da liberdade como potência realizadora, pois só um poderia realizar contra a liberdade do outro: 2 corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo.

Ou seja, a idéia de liberdade como ausencia de algo irá dizer que cabe a um a realização e isso é resolvido pela idéia do DIREITO NATURAL que está diretamente ligado a idéia de JUSTIÇA, que é um conceito objetivo. A idéia da tal "justissa social"(SS) é já uma idéai subjetiva que aliás depõe contra a idéia de justiça. Vez que nada julga com critério algum, valendo apenas a preferencia pessoal ou ACHISMO.

Assim, todos podem ser livres tendo seus direitos respeitados. Isso significando que ninguém tem direito de coagir nem oprimir nenhum outro que antes não tenha violado tal regra. Tipo, quem viola o direito alheio está anuindo que o seu seja violado ao não aceitar o "contrato". Ou ainda, a violação corresponde a justa retribuição.

Fora isso, mesmo a idéia do direitop passa a ser subjetiva, quando muito baseada em arbitrios tomados por principio. E a idéia de direito positivo é então o arbitrio absoluto, como se o direito fosse apenas a vontade e concessão das autoridades estabelecidas, o arbitrio pleno, sujeito a subjetivoidade dos legisladores (é esse o mundo que vivemnos e que a maioria almeja viver, sempre na esperança de que os legisladores lhe sejam anuentes, ou melhor, com ambição de fazer legisladores mais afinados com sua subjetividade ...vai daí o desprezo pela liberdade e a concepção de "liberdades" ou arbitrios sobre a "liberdade ideal", justificando cada aspiração sobre o nivel de liberdade nas finalidades que afirmam como "boas finalidades" ou "fins supremos" que justificam a coerçaõ de uns sobre outros para um dito "bem comum" segundo a conveniencia ou sincera idéia de "bem comum" que cada um faz.

Não tem jeito. Quase a totalidade acha que as coisas devem ser como acham que serão boas ou até que acham justas, sempre subjetivamente.

T. More assim pensou sua Utopia. Para ele aquilo parecia perfeito, sobretudo dependendo de qual posição pretendia ele ocupar em tal Utopia. Esqueceu T. More de que aquilo que para ele pode ser bom e perfeito, para outros não. Contudo, muitos, a maioria, são como animais domesticos, uns mais submissos e outros menso, mas todos querem um dono, por medida de segurança. Um dono potente, preferencialmente um deus que cuide dele e lhe dê a liberdade com que se satisfaz, considerando que ninguém merece mais do esta que lhe parece boa e suficiente. Mas, miseravelmente existem aqueles que mesmo vivendo acorrentados no quintal, ainda assim se dão por satisfeitos em ter um dono que cuide deles. Logo, ainda abanarão o rabo para tal dono mesmo que um tanto mal tratados (e no caso merecem).

Enfim, todos julgam o mundo segundo seu prórprio umbigo. Se um dono bonzinho os satisfaz, então esse é um ideal de perfeição.

Enfim, liberdade é idéia de negação, uma ausencia de potencia em contrario, e não a presença no individuo de potencia realizadora e nem potencia realizada:

Como eu havia dito, o direito nasce da idéai de liberdade igual para todos para considerar o fato justo, merecido. Assim o direito só é justo se natural e não arbitrado subjetivamente. Logo, todos igualmente livres têm o mesmo direito. Mesmo que um balconista de padaria não tenha a potencia para viajar para a Europa, ele tem o direito, embora lhe falte a potencia. O mesmo se diz no sentido de direito a vida, a cas própria e etc.. A potencia é natural a cada um segundo suas livres ações - desde que não viole direito alheio.

Imagine-se o direito a vida ser uma garantia que os outros devem prover a cada um???? ...qiue absurdo! uma imbecilidade atroz!
Todos têm direito de viver, porém ninguém tem obrigação de custear a vida alheia. Caso contrario se teria que estabelecer direito a quanto tempo de vida? e como garantir a vida de um doente? Todos teriam que "doar" orgãos e seria forçados a tal?

Enfim, somente com a idéia de ausencia de opressão como liberdade se pode construir uma idéia coerenmte para o direito e a justiça.

Putz! o assunto é longo demais, mas já dá para boas reflexões sobre minha opinião sobre liberdade.

Abraços
C. Mouro

a.h disse...

Hoje tive um dia de cão, literalmente, pois minha empregada foi mordida pelo rothweiller do meu vizinho. Depois de passar 6 horas correndo com ela pelos postos de saúde, PAs, salas de emergência e ambulatórios dos hospitais de Florianópolis, além de fazer um BO, decidi processá-lo, pois não é a primeira vez que o dito cujo traz problemas a minha rua e seus moradores.

Como seria em uma sociedade sem estado?

Dependeria das regras criadas voluntariamente e aceitas em um acordo tácito entre moradores. Mas, valeriam de igual forma aos moradores de outras ruas? E, se meu vizinho tivesse vindo de outra cidade (que é o caso), teria desculpas na adaptação a um sistema legal tão fragmentado? Haveria ruas e comunidades com padrões comuns?

Tais regras tácitas não são ficção. Elas existiram no tempo das tribos... E estas, facilitado seu trabalho de regulação civil evoluíram para um 'troço' chamado estado, que bem ou mal não está aqui como um elemento estranho e alienígena ao que um dia foi uma vontade da sociedade que o engendrou.

Se não pudesse recorrer aos "aparelhos de repressão", o que nos restaria... Senão o linchamento?

Dica: http://acasadefenrir.blogspot.com/2008/04/bssola-de-kubrick.html

...

Como Ron Paul lidaria com algo assim? http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/04/080425_siriaeuaonuinvestigarw.shtml

C. Mouro disse...

Mas que raio é isso????
Cruzes credo!???

Sinceramente não sei de onde tirastes estes devaneios, caro Anselmo.

Primeiramente, o Estado pode perfeitamente existir como uma empresa prestadora de serviços a população INDISTINTAMENTE.

Ou seja, os individuos que se fizerem Estado/governo - veja que a palavra Estado é deliberadamente confusa, não separa aparato governante a sociedade governada - não serão donos da população e não terão direito de arbitrar sobre ela. Claro que pessoas ditas "práticas" bem como os "iluminados" sabem o que é bom para o "bem comum" e almejam que um Poder coercitivo imponha o que ACHAM que os satisfaz, esquecendo que muitos outros também ACHAM outras coisas. Nesse caso qual o critério para estabelecer o certo em meio a ACHISMOS de variadas intenções? ...AH! dirão, a minha intenção é o maior "bem comum" com uma menor coerção. Uai sô! Há outros que podem ter outra visão de bem comum tanto quanto de "coerção justificada nos fins". Essa é a questão: alegados fins não justificam meios.

Eu posso contratar seguranças, posso contratar prestadores de serviços, planos de saúde e etc.. Posso também contratar via eleição uma "empresa governante" para administrar os bens de uso comum. Ou seja, o aparato governante não será ARBITRO SOBRE A VIDA DA POPULAÇÃO, isso que agrada quem sonha com a possibilidade de arbitrar suas preferências e conveniencias e impo=las a população através do Poder estatal que sonha influenciar.

O que entendo é que a ética no sentido de uma moral absoluta, calcada em análise lógica visando a justiça(*), pode ser entendida perfeitamente. Assim, o aparato estatal não vai arbitrar mas apenas garantir o que é o certo e punir e combater o errado.

Coloco um pé atras quando iluminados defendem a coerção arbitrária em nome seja lá do que for. Mesmo que seja os bens públicos que deseja usufruir e forçar todos a pagar.
Ruas, força militar, policia, justiça e etc. Tudo isso pode ser usufruido sem a necessidade de um Poder irresistivel arbitrando sobre a população. Ou seja, os governantes seriam apenas administradores e não os donos/arbitros/senhores sobre a população.

Claro que para tal se teria que uma população que entendesse a idéia.
Essa de governos que deliberam sobre a população servil, segundo subjetividades dos governantes - acordo entre estes - não é algo que eu aprecie.
Sobre o que eu escrevi, é de bom tentar entender em vez de deturpar.
Deve-se primeiro tentar entender o que eu disse antes das ilações estrambelhadas.

Há certos procedimentos ótimos para palanques, para obscurecer as questões, mas só para palanques politiqueiros.

Abração
C. Mouro

C. Mouro disse...

No fundo, a idéia que tem prevalecido é a de Thomas Hobbes.
Ou seja, sem uma moral objetiva (universal por fundada na analise e argumentação lógica visando a justiça), a proposta de Hobbes torna-se realmente uma solução. Porém, entregar-se ao arbítrio de um a autoridade ou do maior consenso entre várias autoridades, é coisa primitiva. A idéia do chefe, do cacique, do rei absolutista é antiga. Afinal, sem rumo para saber o certo e o errado, a tendencia é optar por renuncia pessoa em favor de uma autoridade em nome da paz (social!) - "um árbitrio bonzinho, semelhante a minha visão meu arbitrio, p/ exemplo".

Mas há o bastante para se debater e chegar a idéia do que é justo objetivamente. Ou seja, regras iguais para todos, direitos iguais para todos, enfim julgamentos onde não se olhe para o indivíduo, mas para as ações do individuo - para isso a venda nos olhos da justiça.

A idéia de aceitar o arb´trio acordade num grupo (varios tiranos como disse La Boetie) em nome de um fim qualquer, como a paz ou a defesa da coletividade (rebanho) é admitir que justiça é subjetiva. Ou seja, cai-se na idéia do relativismo absoluto, onde não mais existe certo ou errado, pois tudo é realtivo, a geografia, as crenças, ao tempo e etc.. Cruz credo!

A moral é relativa, pois que a moral de uma ideologia difere da moral de outra. Uma gangue tem sua moral para valorizar comportamentos e desprezar outros. Uma religião e etc.. Porém a idéia de uma moral universal é a idéia de que há certo e errado objetivos. Uma visão da ética como filosofia da moral, assim percebe a questão. Dai que ética já não seria apenas decorrente de costumes e consensos majoritários, mas sim um conhecimento sobre a verdade, ao menos com tal intenção, sem conformar-se ao relativismo.

O maior consenso não estabelece o que é justo e injusto. O maior consens apenas estabelece a vontade da maioria. O critério quantitativo não visa obter qualidade, mas apenas quantidade. Eu opto pela qualidade até com certo desprezo pela quantidade. Claro que, RESSALTO, OS ACORDOS ESPONTÂNEOS SÃO A EXPRESSÃO DA JUSTIÇA, mesmo que pareça injusto a quem observa sem participar. Daí, o consenso unanime entre os envolvidos numa questão será a expressão da justiça, não pela quantidade em si mas pela unanimidade. Assim, a idéia de ética sob o pressuposto da unanimidade na anuência para com os costumes tem lá sua controvérsia. Porém, o fato de ser costume não é indicativo de unanimidade. Já na questão lógica independe-se de opiniões subjetivas, inclusive pela lógica, na mais absoluta coerência com o principio da liberdade, o consenso unanime estabelece não o certo, mas o justo para aquela unanimidade.
Por exemplo, se um grupo aceita, acha benéfico, dar-se em servidão a outro grupo ou indivíduos. Tal absurdo seria justo, mesmo que objetivamente a escravidão seja injusta. Mas se é de livre vontade, não é escravidão (livre vontade, atentai! pois seria absurdo considerar o que decorre da livre vontade como escravidão; que é justamente a opressão ou coerção motivada pelo arbítrio de uma das patrtes independentemente de qualquer acordo prévio (**)).

Enfim, a questão é longa e interessantissima, exigindo reflexões longas e bem elaboradas para se chegar a um absoluto lógico.

Abração
C. Mouro

a.h disse...

Acho que não vale a pena perder tempo contigo, Mouro. Nem me passou pela cabeça te responder, uma vez que me referia ao artigo original e não, tuas especulações.
Se não tens capacidade para entender o que eu disse, independentemente ou não de discordar, é porque não vale a pena.

C. Mouro disse...

...Era de se esperar!

A razão e origem do Estado/governo é controversa.
Bem, concordo que carrego nas tintas por vezes. Mas jamais fiz beicinho quando não gosto do que me dizem. Beicinhos, por mais que se tente, não elemente que preste para um debate.

O estilo dos "Ciros Gomes" não me apraz.
"Aceitam o jugo com facilidade aqueles que almejam subjugar"

Zé finí.

Um abração
C. Mouro

C. Mouro disse...

ops!
Digo:
beicinho não é argumento.

a.h disse...

Tá bom. O que não é argumento é chamar a atenção para si como se tu fosse importante ao divagar (por completo) na questão da liberdade, embora possa até ter dito algo que preste no meio disto tudo.
Não disseste nada sobre a guerra;
Nada disseste sobre o peso do estado na economia e sua influência na política;
Omitiste por completo qualquer raciocínio relativo à democracia em termos práticos, bem entendido;
Ficaste na oratória vaga e sem conteúdo prático e ainda por cima acha que me referi que escreveste!
Ora, tenha a santa paciência!
Trouxe mais elementos a questão estadovs.sociedade, ordemvs.liberdade, coletivovs.indivíduo que está longe de acabar.
Se tu, meu chapa, não tem capacidade para, civilizadamente, argumentar, que vá te fechar.
Em tempo, antes que transformemos mais uma vez um texto do Rodrigo em cenário para campo de batalha verbal já vou dizendo que tenho nenhuma paciência com falta de polidez.
Se tu queres ser respeitado, dê o respeito a quem pensa diferente.
Ou vais acabar na mesma sarjeta intelectual de um certo astrólogo...

C. Mouro disse...

pif! cof! cof! puf!

Leia o que escreste, oh! impaciente. ...que mêda! ...hehehe!

Idiotices, apenas idiotices, empulhações bem ao estilo Ciro Gomes e outros politiqueiros.

Que merda é essa?

- "Como seria em uma sociedade sem estado?
Dependeria das regras criadas voluntariamente e aceitas em um acordo tácito entre moradores. Mas, valeriam de igual forma aos moradores de outras ruas? E, se meu vizinho tivesse vindo de outra cidade (que é o caso), teria desculpas na adaptação a um sistema legal tão fragmentado? Haveria ruas e comunidades com padrões comuns?"

Essa são as tuas explicações?
Oh! malvadão, gostei disso:
"Omitiste por completo qualquer raciocínio relativo à democracia em termos práticos"

Afinal, falar em democracia é a senha da simpatia para politiqueiros, mesmo que pretensos.

Cobras de mim que eu aqui faça um tratado? ...hehehe!
...do naipe das tuas pifias bobagens inconclusas, clichês idiotas, fraseologia? ...hehehe!

És bocó demais. Fraco demais.
Mocinhas melindrosas e tontas, prenhes de clichês,fraseologia e besteirol estapafúrdio ...já me desanimam, sobretudo se me assustam quando afirmam-se impacientes ..ui! que mêda! ...acima de tudo é ridículo.

Um abraço final
C. Mouro

a.h disse...

Bem, já que pediu...

"Aquele que ambiciona mandar, tem facilidade de obedecer"

Psicologicamente provado por... Ou se trata de mero insight?

Numa estrutura qualquer, o poder é a moeda. A subida em sua escala visa superar estágios subalternos nos quais a submissão às ordens é a regra. Formalmente funciona assim. A idéia de um idílico paraíso onde ninguém obedece a ninguém não se constata em nenhuma experiência humana.

Tive uma amiga dos tempos de “esquerdismo” que me contou sobre suas experiências em uma comunidade de anarquistas na Alemanha. Ela estava no banheiro e foi interrompida em momento deveras inapropriado por alguém que disse ”DEIXE A PORTA ABERTA, ISTO AQUI É UMA COMUNIDADE ANARQUISTA. A PORTA DO BANHEIRO DEVE FICAR ABERTA! O que se apreende disto? Que há algo anterior à qualquer pressuposição ideológica: a cultura local.

Por isto que qualquer especulação em torno do que é ser livre, do que é ser subjugado não existe no vácuo, independentemente do meio em que indivíduos estão inseridos. O meio cultural, diga-se de passagem.

Qualquer formulação teórica que não leve isto em consideração não passa de “filosofismo barato”.

Liberdade é não estar sob coação nem opressão de OUTRO indivíduo.

Bonito, só esqueceu que indivíduos, particularmente no caso de sistemas religiosos, também se submetem a entidades coletivas, como um corpo doutrinário, mais do que a um ou outro indivíduo que pode, muito bem ser substituído. Assim como atores, indivíduos ou moscas mortas não levam a dominação enquanto plano estrutural embora consigo.

Na verdade ao se nomear liberdade de expressão, por exemplo, se está dizendo que fulano não é tolhido nem coagido em sua capacidade de se expressar: ele é livre MESMO QUE SEJA MUDO E ANALFABETO, MESMO ASSIM SERÁ LIVRE PORQUE NINGUÉM O COAGE OU OPRIME.

“Livre”, ele não deixa de ser, até mesmo para adotar um padrão de ignorância contumaz. Paradoxalmente, ele ainda pode ser “livre”, sobretudo, para ser plenamente manipulado. Tu tens um estranho conceito de “liberdade”...

Assim, liberdade, como idéia de ausencia de coerção e opressão, irá deparar-se com a antinomia, tipo:
Um homem só é livre porqueomente limitado por sua potencia natural. Se houver outros com a mesma liberdade haverá interseção nas possibilidades. Daí, mais uma vez a impossibilidade da liberdade como potência realizadora, pois só um poderia realizar contra a liberdade do outro: 2 corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo.


Acho que a condição de liberdade necessita de doses maciças de haxixe para engolir este completo non-sense que escreveste. Ou deve ser porque qualquer um é livre para escrever a idiotice que quiser.

Ou seja, a idéia de liberdade como ausencia de algo irá dizer que cabe a um a realização e isso é resolvido pela idéia do DIREITO NATURAL que está diretamente ligado a idéia de JUSTIÇA, que é um conceito objetivo.

Isto é que é um verdadeiro “achismo”. O chamado “direito natural”, extensamente discutível, sustenta sim a idéia de justiça, mas esta não é “natural”, outrossim uma realização com endereço histórico. Feita em algum lugar no espaço e tempo.

Fora isso, mesmo a idéia do direitop passa a ser subjetiva, quando muito baseada em arbitrios tomados por principio. E a idéia de direito positivo é então o arbitrio absoluto, como se o direito fosse apenas a vontade e concessão das autoridades estabelecidas, o arbitrio pleno, sujeito a subjetivoidade dos legisladores (é esse o mundo que vivemnos e que a maioria almeja viver, sempre na esperança de que os legisladores lhe sejam anuentes, ou melhor, com ambição de fazer legisladores mais afinados com sua subjetividade ...vai daí o desprezo pela liberdade e a concepção de "liberdades" ou arbitrios sobre a "liberdade ideal", justificando cada aspiração sobre o nivel de liberdade nas finalidades que afirmam como "boas finalidades" ou "fins supremos" que justificam a coerçaõ de uns sobre outros para um dito "bem comum" segundo a conveniencia ou sincera idéia de "bem comum" que cada um faz.

“Idéia do direito” como subjetividade, sim, mas a prática consensuada do direito, óbvio que não. A idéia de liberdade no plano liberal não vem isolada do conceito de contrato, sem o qual qualquer acordo pode ser feito e desfeito, ao sabor dos espíritos anárquicos. Por isto creio que o anarco-capitalismo foge da alçada filosófica liberal. Mas, esta é outra discussão...

Outra confusão explicitada acima é a de “bem comum”, os chamados bens difusos, no juridiquês. Obviamente que eles variam de sociedade para sociedade e, em modelos descentralizados como o federalismo americano, suíço etc. de comunidade para comunidade, no qual os indivíduos admitem, tácita ou licitamente, um acordo (objetivo, dir-se-ia) entre suas consciências (subjetivas, obviamente).

Portanto, entre teus erros de análise e clichês estudantis, o par dicotômico objetivo/subjetivo que endossas não encontra guarida intelectual. Trata-se de um movimento complementar. Nem sempre harmônico, por certo, mas que inclui demandas, avaliações, jogo de forças e concessões.

Contudo, muitos, a maioria, são como animais domesticos, uns mais submissos e outros menso, mas todos querem um dono, por medida de segurança. Um dono potente, preferencialmente um deus que cuide dele e lhe dê a liberdade com que se satisfaz, considerando que ninguém merece mais do esta que lhe parece boa e suficiente. Mas, miseravelmente existem aqueles que mesmo vivendo acorrentados no quintal, ainda assim se dão por satisfeitos em ter um dono que cuide deles. Logo, ainda abanarão o rabo para tal dono mesmo que um tanto mal tratados (e no caso merecem).

Analogias não explicam, dizia Freud, mas nos dão uma sensação de satisfação... Assim vejo a comparação de humanos “domesticados” com cães. Aliás, do ponto de vista etológico (e não, ecológico) teu erro grosseiro é pensar que animais não manipulam, encontrando-se sempre em posição subalterna. Claro que isto satisfaz, plenamente, aqueles que se vêem como “cultos” (escrevendo pobres especulações como a que, ora analiso), mas de um ponto de vista animal com seu “dono”, há sempre espaço para barganha e uma “sociedade” na qual ambos pares saem, por vezes, ganhando. Quem domina quem? O homem, no cômputo final, mas é de uma pobreza atroz não imaginarmos que animais também atingem seus objetivos e se comunicam, em linguagem menos elaborada que seja, com seus parceiros humanos. Se há comunicação e resultados producentes aos objetivos do “dominado”, para este houve uma realização pautada em uma ação adotada, isto é, de exercício de sua liberdade.

Engraçado também teu conceito de “liberdade” extensivo a todos, inclusive os menos preparados para, pouco depois, os intitular como “animais domésticos”.

Enfim, liberdade é idéia de negação, uma ausencia de potencia em contrario, e não a presença no individuo de potencia realizadora e nem potencia realizada:

Então, Ayn Rand em seu magistral The Foutainhead (a tirar pela tolice que digitas) não sabia sobre o que estava escrevendo...

Imagine-se o direito a vida ser uma garantia que os outros devem prover a cada um???? ...qiue absurdo! uma imbecilidade atroz!
Todos têm direito de viver, porém ninguém tem obrigação de custear a vida alheia. Caso contrario se teria que estabelecer direito a quanto tempo de vida? e como garantir a vida de um doente? Todos teriam que "doar" orgãos e seria forçados a tal?


Certo, mas do que não se deduz que a limitação no alcance a algum recurso (próprio) que prolongue sua expectativa de vida seja tomado como “liberdade”. Não que a plena liberdade seja a anulação da morte, mas que os meios e, não só o direito, a prolongar a vida é que são resultantes de um processo libertador (pesquisa básica e aplicada etc.) que permitiram tal poder. Poder advém de liberdade. Por isto, mais uma vez, erras ao criar outra antinomia artificial entre poder e liberdade.

Enfim, somente com a idéia de ausencia de opressão como liberdade se pode construir uma idéia coerenmte para o direito e a justiça.

Putz! o assunto é longo demais, mas já dá para boas reflexões sobre minha opinião sobre liberdade.


Ausência completa de opressão é um mito, mas a possibilidade de diminui-la ou relativizar a mesma em um acordo (contrato) que parta da própria liberdade conferida a indivíduos na sua vida comum é reflexo da busca pautada no próprio conceito de liberdade. Mais que um fim em si, estagnado num horizonte não factível, a liberdade é um meio, inspiração que nos traz resultados e, não vagas palavras.

Sim, o assunto é longo demais, mas não longo o suficiente para te dar um cala-te boca porque poluíste o post com uma desnecessária divagação fugindo por completo das ponderações geopolíticas e do tema da guerra. O que, diga-se de passagem, eu não faria te chamando a atenção, se não te comportasse como um garoto leviano que gosta de ofender outras pessoas sem argumentar e focalizar o assunto em si.

Se eu não te conhecesse pessoalmente, diria que é um moleque querendo aparecer. Mas, já que o conheço, me estarrece pensar que nem toda idade é suficiente para o amadurecimento. Não intelectual, pois isto não está em questão. Todos erramos, acertamos também. Ninguém tem obrigação a um saber absoluto, mas... O caráter e o respeito às idéias, mesmo que discordantes ou, apenas, “dissonantes” das nossas deveria ser pré-requisito básico para um debate civilizado.

As cartas estão aí. Escolha o jogo também. Porto total flexibilidade para transitar da retórica ácida à respeitosa, como reação, apenas. Mas, se preferir, continuemos no que lhe parece ser mais familiar...